sexta-feira, 16 de junho de 2017

1958: Execução do então primeiro-ministro húngaro Imre Nagy


No dia 16 de junho de 1958 foi executado o primeiro-ministro da Hungria, Imre Nagy. Durante a Revolução Húngara de 1956, ele defendeu a autonomia do país em relação à União Soviética e reformas democráticas.


Nascido em 7 de junho de 1896, o húngaro Imre Nagy participou do movimento revolucionário camponês em seu país, antes de emigrar para a União Soviética em 1929, onde viveu muitos anos.

Em 1944, ingressou no Politburo do Partido Comunista e, de volta à Hungria, assumiu o Ministério da Agricultura, realizando uma reforma agrária radical. Por simbolizar o "novo rumo" do socialismo humano, foi nomeado primeiro-ministro em 1953. Mas ocupou o cargo por pouco tempo: dois anos mais tarde, era derrubado pelos stalinistas.

Estudantes nas ruas

No início de 1956, o presidente soviético Nikita Kruchov condenou os métodos stalinistas, reacendendo as esperanças de maior autonomia nos países do bloco. Os trabalhadores poloneses começaram a protestar. Em solidariedade, estudantes húngaros saíram às ruas em 23 de outubro, derrubando uma enorme estátua de Stalin durante os protestos.
O protesto estudantil desembocou numa rebelião popular contra a ocupação soviética da Hungria. Até as Forças Armadas e a polícia participaram das manifestações. Com a revolução nas ruas, o governo caiu, e Nagy foi recolocado no cargo de premiê. Ele reconheceu a revolução no dia 28 de outubro, formou um governo suprapartidário e passou a defender uma democracia parlamentar e a neutralidade política para a Hungria.

Exército Vermelho reimpõe Pacto de Varsóvia

No começo de novembro, Nagy abriu as fronteiras, extinguiu a censura e anunciou a saída da Hungria do Pacto de Varsóvia, a aliança militar dos países do bloco comunista durante a Guerra Fria. Nesse momento, as tropas da repressão soviética já estavam a caminho de Budapeste. János Kádár, primeiro-secretário do PC húngaro e membro do gabinete de Nagy, começou a negociar com Moscou, revogando os poderes do primeiro-ministro.

A resistência contra o Exército Vermelho durou dois dias e custou a vida de 3 mil pessoas. Em 7 de novembro, Kádár chegou a Budapeste como novo chefe de governo. Nagy e alguns assessores e ministros fugiram para a embaixada da Iugoslávia, onde passaram três semanas cercados por tanques soviéticos. Eles só deixaram a embaixada porque Kádár prometeu que não haveria punição.

A promessa não se cumpriu. Nagy foi preso pela KGB e deportado para a Romênia, por se negar a renunciar ao cargo que ocupava em Budapeste. Num processo sumário, ele e alguns ministros foram condenados e executados em 16 de junho de 1958.

Para que ninguém o venerasse na sepultura, foi enterrado em sigilo. Imre Nagy só foi reabilitado em 1989, após o fim do regime Kádár.

Autoria Gábor Halázs

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1907: Criação da Corte de Haia



No dia 15 de junho de 1907, a segunda Conferência da Paz de Haia decidiu instaurar uma corte permanente para ajudar na resolução de conflitos internacionais.

Palácio da Paz, sede da corte

Já em 1899 o czar Nicolau 2° da Rússia havia convocado 26 países para uma conferência em Haia. Nesta Primeira Conferência da Paz, ele sugeriu a criação de uma corte arbitral, que mediaria conflitos antes que os países pegassem em armas. Neste sentido, uma "corte permanente" assume seus trabalhos em 1902. Mas ela seria insuficiente.

Somente na segunda Conferência da Paz em Haia é que foi decidida a criação de uma instância jurídica superior, que impusesse sentença aos acusados.

O tribunal seria constituído de juízes que representariam os diferentes sistemas jurídicos do mundo. Sua tarefa seria resolver conflitos entre países, baseando-se nos princípios do Direito Internacional.

A conferência de 1907 teve a participação do brasileiro Rui Barbosa, que em virtude de seu pronunciamento em defesa dos direitos dos países menores, propondo a igualdade entre todas as nações, ganhou o apelido de "Águia de Haia".

Criação da Corte Internacional de Justiça

Os trabalhos foram suspensos durante a Primeira Guerra Mundial, sendo retomados em 1922, ano de criação da Liga das Nações. Depois da Segunda Guerra Mundial, a Liga deu lugar à Organização das Nações Unidas, e em 1946 a Corte Internacional de Justiça foi integrada à ONU.

Os temas que ocupam a corte são tão amplos que atingem desde questões legais da ocupação do espaço sideral até a exploração do mar profundo, sem contar a quantidade de leis que regulam o comércio, o transporte e as comunicações internacionais. O tribunal também ocupava-se do julgamento de criminosos de guerra, mas estes ganharam um novo fórum, o Tribunal Penal Internacional (TPI), empossado em março de 2003.

Autora: Catrin Möderler (rw)


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1946: Fim da Liga das Nações


No dia 18 de abril de 1946, foi dissolvida formalmente a Liga (ou Sociedade) das Nações. Surgida em consequência dos horrores da Primeira Guerra Mundial, na prática ela deixara de existir alguns anos antes.


A dissolução da Liga das Nações, no dia 18 de abril de 1946, não passou de uma formalidade. Na prática, ela deixara de existir alguns anos antes. Além disso, a Organização das Nações Unidas (ONU) já havia iniciado suas atividades a 24 de outubro de 1945, como organismo sucessor da Liga.

A Liga (ou Sociedade) das Nações surgiu em consequência dos horrores da Primeira Guerra Mundial e foi a primeira tentativa de consolidar uma organização universal para a paz. Acreditava-se que futuros conflitos só poderiam ser impedidos se fosse criada uma instituição internacional permanente, encarregada de negociar e garantir a paz. O principal precursor da ideia fora o presidente norte-americano Woodrow Wilson (1856–1924).

Proposta do presidente dos EUA

Em janeiro de 1918, Wilson apresentou uma proposta de paz revolucionária, contida em 14 pontos: exigência da eliminação da diplomacia secreta em favor de acordos públicos; liberdade nos mares; abolição das barreiras econômicas entre os países; redução dos armamentos nacionais; redefinição da política colonialista, levando em consideração o interesse dos povos colonizados; e retirada dos exércitos de ocupação da Rússia.

Pretendia também a restauração da independência da Bélgica; restituição da Alsácia e Lorena à França; reformulação das fronteiras italianas; reconhecimento do direito ao desenvolvimento autônomo dos povos da Áustria-Hungria; restauração da Romênia, da Sérvia e de Montenegro, assim como o direito de acesso ao mar para a Sérvia; reconhecimento da autonomia da Turquia a abertura permanente dos estreitos entre o Mar Negro e Mediterrâneo; independência da Polônia; e criação da Liga das Nações (League of Nations).
Após complicadas negociações, sobretudo com a França, que exigia da Alemanha reparações de guerra, foi aprovada em Paris uma versão reformulada do programa de 14 pontos, em 28 de abril de 1919. O estatuto da Liga das Nações foi assinado a 28 de junho do mesmo ano, como parte do Tratado de Versalhes, firmado com a Alemanha. A primeira conferência da nova organização, fundada pelos 32 países vencedores da Primeira Guerra Mundial, foi realizada em 1920, em Genebra.

Razões do fracasso

A Liga das Nações, porém, fracassou por defeitos de origem. Não dispunha de um poder executivo forte, nem contava com representantes da União Soviética e dos Estados Unidos – a nação de seu idealizador. O governo de Moscou não era aceito, e Washington não ingressou na organização por rejeitar o Tratado de Versalhes. Mesmo nos melhores tempos, o número de membros não passou de 50. Já em 1923, tornou-se evidente a fraqueza da Liga, quando os franceses invadiram a região alemã da Renânia, para cobrar reparações de guerra.

Um dos poucos êxitos da organização foi o pacto de segurança firmado entre Alemanha, França, Grã-Bretanha e Bélgica, além da resolução diplomática de alguns conflitos internacionais. Genebra, porém, nada pôde fazer para impedir a crise econômica mundial, no final da década de 20. A miséria geral impulsionou as forças nacionalistas que se opunham ao Tratado de Versalhes.

A invasão da Manchúria pelo Japão, em 1931, foi uma prova do fracasso da Liga das Nações. Condenado um ano e meio depois pelo ato de agressão, o Japão abandonou a organização. A Alemanha seguiu o mesmo caminho a 14 de outubro de 1933. Adolf Hitler, interessado apenas em armar seu país, usou uma série de pretextos para abandonar a conferência de desarmamento e ridicularizar a Liga das Nações.

As invasões da Abissínia pela Itália, em 1935, e da Finlândia, pela União Soviética, em 1939, revelaram que a Liga das Nações não passava de uma organização de fachada. Seu último ato foi expulsar a URSS, que havia sido admitida como membro em 1934. A esta altura, porém, a Segunda Guerra Mundial já estava a pleno caminho, o que frustrou de vez as intenções pacifistas dos idealizadores da Liga das Nações.

Autoria Oliver Ramme (gh)


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1920: Primeira assembleia da Liga das Nações


Em 15 de novembro de 1920, foi realizada em Genebra a primeira assembleia-geral da Liga das Nações – a precursora da ONU – com a presença dos representantes de 42 países.


Impedir as guerras, assegurar a paz, dialogar em vez de atirar, negociar em vez de matar – este era o objetivo principal da Liga das Nações, que se reuniu pela primeira vez no dia 15 de novembro de 1920. Havia terminado pouco antes a Primeira Guerra Mundial, que trouxera fome, sofrimento e destruição.

Em janeiro de 1919, as potências vencedoras do conflito reuniram-se em Versalhes, perto de Paris, para negociar um acordo de paz. Um dos pontos do amplo tratado referiu-se à criação de um grêmio internacional, cujo papel seria o de assegurar a paz.

Foi mais fácil falar do que fazer. O idealizador da Liga das Nações foi o presidente americano Woodrow Wilson. E exatamente os Estados Unidos não puderam participar da agremiação, pois o projeto do seu presidente não obteve a aprovação da maioria de dois terços do Congresso americano. Os republicanos temiam as consequências de uma tarefa de policiamento internacional para os EUA.

Alemanha não foi aceita

Tampouco a União Soviética, recém-fundada, quis participar da Liga das Nações. A Alemanha, clara derrotada da Primeira Guerra Mundial, não foi aceita: as potências vencedoras decidiram que o país teria, primeiro, de provar que merecia filiar-se à organização internacional.

O então ministro alemão do Exterior, Ulrich Graf von Brockdorff-Rantzau, ficou indignado com a decisão: "Os crimes na guerra podem ser imperdoáveis, mas eles ocorrem em busca da vitória, por preocupação com a subsistência nacional, numa paixão que torna insensível a consciência dos povos. Somente se as portas da Liga das Nações estiverem abertas a todos os países de boa vontade é que o objetivo será atingido. Somente assim, os mortos da guerra não terão dado as suas vidas em vão".

Durante seis anos, o governo da Alemanha lutou pela filiação à Liga das Nações. Não tanto para defender a paz e a compreensão dos povos, mas sim para atingir uma revisão dos Tratados de Versalhes, nos quais estava fixado, entre outras coisas, quantos milhões de marcos a Alemanha teria de pagar às potências vencedoras como reparação de guerra. E que o país não poderia mais produzir ou adquirir material bélico. Só em 1926, o país ingressaria na Liga das Nações.

A Liga das Nações obteve êxito especialmente no setor social. Ela se engajou de maneira efetiva pela melhoria das condições de trabalho, deu apoio aos países economicamente mais fracos, criou em Haia a Corte Internacional de Justiça e cuidou do problema dos refugiados. Mas a Liga fracassou inteiramente no tocante à garantia da paz mundial. Em 1932, deveria ser realizada uma grande conferência de desarmamento, com a participação dos EUA e da União Soviética.

Esperança de bom senso

O então chanceler alemão Hermann Brünning, extremamente pressionado pelos nazistas liderados por Adolf Hitler, ainda alimentava esperanças de uma vitória do bom senso: "Pela primeira vez na história, os governos se veem aqui confrontados com a tarefa inevitável de criar um plano sensato, justo e amplo para um completo desarmamento e de assegurar o seu cumprimento."

Mas o sonho não se realizou. Quando a conferência finalmente aconteceu, em 2 de fevereiro de 1933, Adolf Hitler já estava no poder na Alemanha há três dias. Ele queria a guerra e buscou um pretexto para fazer com que a conferência fracassasse: "Se o mundo decidir que determinadas armas terão de ser inteiramente destruídas, nós estaremos dispostos a abrir mão delas. Mas, se o mundo aceitar estas determinadas armas em alguns países, não estaremos dispostos a deixar-nos excluir, como um povo com emancipação limitada".

Em outubro de 1933, a Alemanha retirou-se da Liga das Nações e deu andamento à sua política armamentista, sem qualquer controle estrangeiro – tomando rumo direto à catástrofe da Segunda Guerra Mundial. Ainda no mesmo ano, o Japão seguiu o exemplo da Alemanha. A Itália retirou-se da organização em 1937. A Liga das Nações tornou-se assim um "tigre de papel", que se dissolveu após a fundação da ONU – Organização das Nações Unidas.

Autoria Gerda Gericke (am)


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Matéria da Gazeta do Povo ridicularizando pesquisas na área de sociologia e, principalmente, antropologia.


Ridicularizando por que? apenas pelos títulos serem incomuns ou realmente não compreendidos pelo autor da matéria.
Por exemplo "A estética Funk Carioca: criação e conectividade em Mr. Catra". Esta tese de doutorado fala sobre socialidade, criação do social no Rio de Janeiro. Não é importante saber como, numa sociedade complexa como o Rio, se cria vida em um segmento da população? Eu tenho certeza que esse foi um investimento público muito bem feito.
Fui pesquisar o Lattes do Gabriel de Arruda Castro, o sujeito tem um mestrado em Administração pela University of Pennsylvania e NENHUMA publicação científica. NENHUMA!
Desculpe, mas o sujeito avaliou as pesquisas pelos títulos, não leu. MAS, se tivesse lido também não seria capaz de avaliar a qualidade científica dos trabalhos. Não possui nenhum tipo de formação acadêmica nas áreas de sociologia e antropologia. Administração??? sério! Que vergonha Gazeta do Povo! que vergonha!



 Simone Frigo 
No que se refere a politica tudo é possível e ,num "governo " de gangsteres tudo é passível, inclusive usar os instrumentos do estado para calar a ministra do Supremo, pior, fazê-la elogiá-lo, sabe-mo-lo os brasileiros o quão podre é essa administração e seu capo, que usa o recurso público que nega aos servidores públicos para comprar favores dos parasitas do parlamento. Que um ministro do supremo se presta a advogar em beneficio do golpista mor e depois , como juiz desconsidera as provas e como Minerva mantem o criminoso solto, aliás como soltara outros de menor calibre. Estamos vivendo num estado kafkiano e anômico.

Wilson Roberto Nogueira




Respeito todos os credos, até os mais distantes da realidade em geral. Mas a marcha de Jesus é um Ato Politico, que se declara "Apolítico", prega princípios aquém do cristianismo que conheço, reúne pobres p lutar por reformas contra seus próprios direitos em favor do "patrão". Fala de corrupção por um narrador nada probo o tal "Hernandes" e poupa os "amigos.da.igreja" nenhum Fora Temer p seu irmão de tabernáculo... Como se Cristo encenasse uma Paixão a favor dos romanos, pela prosperidade da acumulação e o mérito mesmo diante das opressões e injustiças...coisas como não pense, siga, não olhe a realidade. Ore...

Eyrimar Fabiano Bortot

A IDÉIA DE UM BOM PREFEITO


Seria muito bom para a Cidade e também seria bom pra ele que o prefeito Rafael Greca de Macedo se abrisse para reais e efetivas negociações, com o seu Programa de Reformas sendo tomado como, apenas e não mais que, uma Hipótese inicial de um programa de mudanças.
A primeira condição seria naturalmente a de que desistisse de tocar nos 600 milhões da Previdência, matéria no plano jurídico altamente discutível e duvidosa e que leva jeito de esperteza e de afanação, de consequências drásticas e perigosas para a estabilidade presente e futura da Previdência municipal, consignada ao I.P.M.C..
A premissa de um Novo Trato para Curitiba tem que ser a de que a Crise, que não é apenas local, deve ser superada, sim, com os meios locais, até onde possível. Exercitar aqui uma não tímida nem fraca imaginação.
Segunda premissa, para o Novo Trato, estreitamente ligada à primeira, tem que ser a de que somente num novo ciclo de desenvolvimento econômico residem as soluções para o impasse da hora presente, novamente reafirmando o emprego dos meios locais. Bom exemplo deste tipo de iniciativa é o Vale do Pinhão.
Terceira premissa, a de que somente a demonstração cabal e insofismável de que um Aperto de Cinto está em efetivo andamento, com a indisfarçada enxugação dos cargos comissionados, hoje em franca expansão, pode e deve ser considerada como premissa para a quarta. a saber. Aguardam-se voluntários para a demissão.
Quarta premissa, a de que qualquer sacrifício dos direitos atuais do Serviço Público seja, primeiro, temporário, e, segundo, condicionado a um Plano de Ação que também os Servidores reconheçam como legítimo e efetivamente endereçado aos problemas atuais da Cidade.
Pede um sacrifício hoje, acena com uma compensação amanhã.
Falar nisso, qual é o Plano de Governo? Onde será gasto o
dim dim dos impostos?
Quinta premissa, a de um Código de Honra passará a reger o Serviço Público Municipal, acompanhado de garantias proporcionais ao conjunto de sacrifícios e empenhos a ser exigido do Servidor do Município de Curitiba.
Uma idéia nipônica. Vai pedir ao samurai o sacrifício último? Então trate-o como samurai.
A filosofia aqui tem que ser a de que os Servidores municipais não são o Problema de Curitiba, mas uma boa parte da Solução e a mais decisiva condição de sua vitoriosa e unânime Construção.
Noutras palavra, caro Rafael Greca de Macedo, a trilhar o sendeiro atual Vosmecê não vai chegar a lugar algum.
Contudo, o mandato conferido a Vosmecê pelo corpo de eleitores em 2016 significa que Vosmecê é e está reconhecido como Prefeito dos curitibanos.
O que significa que de nenhum outro cidadão a Cidade espera mais do que de Vosmecê.
Pelo caminho da marra, não vai alcançar senão um belo pé-de-guerra. As medidas podem até vir a passar, na Câmara. O Pier vem fazendo uma forte articulação. Do outro lado, é verdade, estão o Goura Nataraj e os outros sete Vereadores. Eles vão incomodar, ainda que isso seja só um detalhe.
Mas elas, as medidas, nos termos em que estão, são apenas a porta de um Pesadelo. Precisa detalhar?
Curitiba merece muito mais e melhor que esse triste beco-sem-saída.
Um cara que lidere a Cidade PRA FRENTE, prum novo ciclo de riqueza e prosperidade, arrimado e apoiado por um corpo do Serviço Público motivado, reconhecido e admirado, com metas claras e gerais, a serem estabelecidas por acordo geral, eis o Prefeito de que a Cidade precisa.
Juro que já não sei se Vosmecê ainda se encaixa no papel. A sequência robusta de decisões que chegam a ser incompreensíveis chega a abalar o velho Orgulho que sentimos pela Cidade.
Mas ainda torcemos por uma Virada.
Nada menos do que um Revolução de Conceitos na cabeça do intelectual Rafael Greca de Macedo, a ser resolvida só por ele, pode ainda devolver a Curitiba a idéia de um bom Prefeito.
Tenho cá as minhas dúvidas. Acho mesmo que vai prevalecer apenas o velho Orgulho, o auto-referenciamento obsessivo.
Mas tenho o dever de ter alguma esperança.


Jaques Brand

quinta-feira, 15 de junho de 2017

O Brasil inaugura uma nova e aprimorada forma de guerra civil. Não é mais os os injustiçados e excluídos que revoltam-se, são os regalados que por algum tipo de justiça esdrúxula rebelaram-se e com o aparato do estado que controlam tentam o suicídio e a destruição do país, destruindo suas indústrias e a base da sua pirâmide social, tudo o que os alimenta. Não deixa de ter algo de uma grotesca justiça poética. De pratico se salvarão uma centena de urubus dourados em exílio em qualquer outro lugar, aqui seremos ou pó ou inferno.

A era é evangélica, sugiro então recordarem o sonho de Nabucodonozor.

Inês Monguilhott

Quem são os "fascistas"?


Quando os sindicatos dos servidores solicitaram ao Greca que estabelecesse uma mesa de negociação para debater os projetos que afetam as carreiras e retiram diretos dos trabalhadores municipais, o prefeito mandou que debatessem na Câmara, pois as medidas já estavam em tramitação no parlamento.
Quando os sindicatos buscaram estabelecer um diálogo com os vereadores, para que debatessem os projetos antes de vota-los, a maioria dos parlamentares não deu nenhuma importância, pondo em regime de urgência as medidas, sem aceitar qualquer conversa, e queriam impor as mudanças sem negociação.
Até aí, nenhum pio dos editores da Gazeta.
Daí, quando os servidores se organizam, fazem uma greve e fecham as portas da Câmara, exigindo respeito e diálogo, os editores do jornais os chamam de "fascistas".
A reação dos servidores ao autoritarismo da prefeitura e da maioria dos vereadores não tem nada de "fascismo". Trata-se da maior expressão da democracia, que somente pode se estabelecer quando há interlocução e diálogo. Se não há, os trabalhadores tem todo direito e razão em utilizar os seus instrumentos coletivos de luta para se defender.
A Gazeta se transformou em uma Veja piorada, assumindo o mesmo papel de inverter valores e atacar sempre os trabalhadores, se transformando em apenas no panfleto de uma elite retrógrada


ACBM

terça-feira, 13 de junho de 2017

GERALDO ALCKMIN: O ESTRANHO APOIO A TEMER


De forma surpreendente, o Governador de São Paulo vem sendo o sustentáculo do presidente indireto dentro do PSDB. Quando Temer assumiu com a vitória da conspiração parlamentar, Alckmin declarou que não estava contra nem a favor. Agora fez dois discursos defendendo a permanência de Temer no Governo.

O primeiro, na sexta feira, logo depois da votação do TSE. O segundo, ontem, ainda mais conclusivo, considerando que Temer tem de terminar o mandato. (desde quando Michel Temer tem mandato com prazo para terminar, se ele não disputou eleição presidencial?)

Há 23 anos, toda a vida política e eleitoral de Alckmin se reduzem e se encerram no governo de São Paulo. Em 1994 foi vice de Mario Covas, candidato a governador de S.P.. Cumpridos os 4 anos, em 1998, disputaram a reeleição. Ganharam com Mario Covas quase sem poder tomar posse, extremamente doente. Morreria em 2001 com Alckmin, vice, assumindo o governo. Em 2002 se reelegeu. Em 2006 se desincompatibilizou , disputou a presidência da republica e foi derrotado.

Em 2010 foi novamente eleito governador, e reeleito em 2014. Considerava e considera que em 2018 a vez dentro do PSDB seria novamente dele, já que Serra fora derrotado duas vezes e Aécio em 2014. (tudo isso, antes da crise política, econômica e moral que domina o país).

Fica visível, nessa contradição política e eleitoral do Governador Alckmin, que ele admite que será muito melhor para a tão almejada candidatura dele, que Temer permaneça até 2018.



 Helio Fernandes

Fuga de muerte

“Fuga de muerte” (“Todesfuge”), escrito en 1948 y publicado en el volumen Amapola y memoria, de 1952.

Me voy a permitir transcribirla completa, en traducción de Jesús Munárriz:

Leche negra del alba la bebemos al atardecer
la bebemos al mediodía y a la mañana la bebemos de noche
bebemos y bebemos
cavamos una fosa en los aires allí no hay estrechez.

En la casa vive un hombre que juega con las serpientes que
    escribe
que escribe al oscurecer a Alemania tu cabello de oro Margarete
lo escribe y sale a la puerta de casa y brillan las estrellas silba
    llamando a sus perros
silba y salen sus judíos manda cavar una fosa en la tierra
nos ordena tocad ahora música de baile.

Leche negra del alba te bebemos de noche
te bebemos de mañana y al mediodía te bebemos al atardecer
bebemos y bebemos
un hombre vive en la casa tu cabello de oro Margarete tu cabello
    de ceniza Sulamita él juega con serpientes.

Grita tocad más dulcemente a la muerte la muerte es un amo de
    Alemania
grita tocad más sombríamente los violines luego subiréis como
    humo en el aire
luego tendréis una fosa en las nubes allí no hay estrechez.

Leche negra del alba te bebemos de noche
te bebemos al mediodía la muerte es un amo de Alemania
te bebemos al atardecer y a la mañana bebemos
y bebemos la muerte es un amo de Alemania su ojo es azul
te alcanza con bala de plomo te alcanza certero
un hombre vive en la casa tu cabello de oro Margarete
azuza sus perros contra nosotros nos regala una fosa en el aire
acosa con las serpientes y sueña la muerte es un amo de
    Alemania
tu cabello de oro Margarete
tu cabello de ceniza Sulamita1.
Paul Celan


Em 1944 muitos nazistas possuíam o ditado - Aproveitem o que resta da continuidade da guerra porque a paz será terrível para nazistas. O mesmo vale para golpistas do Brasil de 2017 - Aproveitem o que resta da continuidade do golpe porque o retorno da democracia será terrível para golpistas ! A constatação é que não há mais saída do golpe para Temer, Aécio, o PMDB e o PSDB. Vão afundar até o fim juntos com o golpe. Depois do que aconteceu com as malas da JBS, os golpistas Temer e Aécio já não respondem mais e nem se importam com o que resta de pressão da PGR, PF e STF sobre seus crimes, fingem normalidade com seus asseclas para continuarem governando, como se nada tivesse acontecido, administrando e ameaçando seus cúmplices nos vários poderes, o que só revela a textura moral, política e humana terminal deles e de seus apoiadores. O retrato desses dois chefes políticos é o retrato existencial das baixarias e falcatruas de sempre da elite brasileira, a baixa estatura civilizatória de grupos da classe dominante brasileira em sua medíocre existência de farsas. Quanto mais se debaterem e movimentarem, mais a lama movediça os tragará cada vez mais para o fundo enlameado.


Ricardo Costa de Oliveira

domingo, 11 de junho de 2017

Sérgio Braga______________Constatações de um grupo focal entre os cidadãos de bem. Esta semana fiz um curso de reciclagem no Detran, muito bom por sinal, e aproveitei para fazer uma espécie de "grupo focal" com o cidadão mediano infrator de trânsito sobre o processo político brasileiro contemporâneo. Dentre outras coisas que aprendi no curso, destaco as seguintes: (1) o discurso "anti-golpe" e do "estado de exceção" do oficialato petista não tem a menor aderência no eleitor mediano. Muitos consideram que se trata apenas de uma estratégia do PT para vitimar-se e unificar a "esquerda" em torno de si mesmo e do "lulismo", conservando sua hegemonia sobre o que resta de esquerdistas. O cidadão de bem considera que estamos vivemos numa democracia, embora corrupta, e que o impedimento de Dilma foi legal e legítimo, provocado pelas trapalhadas da própria presidenta e de Lula; (2) as acusações contra Aécio e outros tucanos de alto calibre impactaram fortemente o cidadão de bem, que se mostra perplexo e revoltado com as acusações. Entretanto, um argumento frequentemente utilizado é o de que "Nós punimos nossos corruptos e não os protegemos como os petistas"; (3) O cidadão de bem não tem a menor simpatia por Temer, mas considera que ele chegará até o final do governo, já que não há alternativas melhores colocados no presidente momento. O apoio à Lava Jato e aos "menudos de Curitiba" permanece forte, mas parece estar arrefecendo o ânimo de participar de manifestações públicas de apoio à mesma. (4) A raiva contra o PT também continua forte, mas estranhamento alguns outros esquerdistas são poupados e possuem menções positivas, tais como Aldo Rebelo, Flávio Dino e alguns outros. São apenas constatações sem o menor viés normativo, esclareço.

 Pois é, também me surpreendeu essa menção positiva, pois eu julgava que todas os comunistas comiam criancinhas. Entretanto, outros "vermelhos" também tiveram menção positiva, tais como Raul Jungman (muitos o consideram comunista, por ser do PPS), Chico Alencar etc. Marcelo FReixo é considerado um petralha enrustido (rs)...

Márcio Cunha Carlomagno_____________________ Estou impressionado com o cidadão mediano conhecer estes nomes, como Rebelo, Dino e Jungmann. Cá entre nós, não me parece que sejam exatamente "líderes nacionais" ou tenham forte apelo midiático fora de seus estados de origem.
Adriano Codato A Causa Operária continua sendo o único farol de racionalidade em meio a esse caos de paradigmas epistêmicos...

Adriano Codato http://causaoperaria.org.br/.../o-segundo-dia-julgamento.../

Adriano Codato Está aí uma análise que o professor Sérgio Braga assinaria.

Sérgio Braga Adriano Codato Eu preferiria dizer que são grupos estatutários weberianos ("elites burocráticas") orientados por interesses próprios de aquisição de status social e potência de mando (rs). Já está mais do que na hora de organizar uma dissidência desse nosso PCO aí, prof....
Adriano Codato Quem sabe um grupo de leitura de "Economia e Sociedade"?! ;)

Sérgio Braga Adriano Codato Depois da releitura de Talcott Parsons essa obra se tornou obsoleta. 

Firmino José Torres Ribeiro Sérgio Braga , deve ser o PCdo B do Ratinho, que abandonou o marxismo e aderiu ao queijo da burguesia

Dennison de Oliveira Parece ser uma amostra significativa. No mais é espantoso como a petralhada segue ignorando ou fazendo de conta que consegue ignorar o asco e repulsa que despertam entre pessoas comuns, em tudo similar à rejeição devotada aos milicos ao fim do regime deles

Sérgio Braga Também tenho essa impressão, Prof. Dennison de Oliveira, mas só o tempo dirá se ela é verdadeira. Espero que estejamos enganados. Agrego também a rejeição da população aos regimes do leste europeu e aos partidos comunistas a eles atrelados no final dos anos 80. Pelos meus cálculos, são necessárias três derrotas eleitorais consecutivas para que políticos desalojados do poder sofram um choque de realidade. Ainda faltam duas, portanto...

Camilo De Oliveira Aggio O cidadão de bem curitibano. Tratam-se de seres políticos bem singulares neste momento.



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construção do Paraná Europeu

Ricardo Costa de Oliveira___________Uma das pesquisas atualmente desenvolvidas no Núcleo de Estudos Paranaenses (NEP-UFPR) é sobre a "construção do Paraná Europeu", de Leonardo Micheleto. Duas obras são essenciais: A Terra do Futuro, de Nestor Vitor (1913) e O Brasil Diferente, de Wilson Martins (1955). 

São "quase discursos oficiais", autorizados e subvencionados pelos interesses do poder estabelecido. Dentro da metodologia de investigação elaborada pelo NEP, uma sociologia política crítica dos intelectuais paranaenses tematiza os conceitos de classe social, espírito de família e genealogia, vide a importante obra de Maria Julieta Weber Cordova (Bento, Brasil e David: O discurso regional de formação social e histórica paranaense). Nestor Vitor era nascido em Paranaguá, com suas origens sociais, familiares e trajetória relativamente conhecidas. A novidade é que as origens de Wilson Martins, dado como nascido em São Paulo em 1921, eram invisibilizadas e serão decifradas, bem como a sua agenda social e política esclarecidas. O pai de Wilson Martins era professor de português e foi advogado provisionado em São Paulo. Veio fugindo da polícia e da justiça paulista para o Paraná. Aqui teve inserções profissionais, políticas e foi preso para ser julgado em São Paulo. O pai de Wilson Martins, Himelino Martins, nascido em Portugal, foi acusado na imprensa local de ter sido "polygamo, falsificador e sátiro". Como pode um filho de um imigrante português, brasileiro de primeira geração, como Wilson Martins, ter construído uma ideologia invisibilizando a experiência colonial portuguesa, os índios, africanos, negros e a própria centralidade da escravidão no Paraná, ao concluir "O Brasil Diferente: "Assim é o Paraná. Território que, do ponto de vista sociológico, acrescentou ao Brasil uma nova dimensão, a de uma civilização original construída com pedaços de todas as outras. Sem escravidão, sem negro, sem português e sem índio, dir-se-ia que a sua definição não é brasileira. Inimigo dos gestos espetaculares e das expansões temperamentais, despojado de adornos, sua história é a de uma construção modesta e sólida e tão profundamente brasileira que pôde, sem alardes, impor o predomínio de uma ideia nacional a tantas culturas antagônicas. E que pôde, sobretudo, numa experiência magnífica, harmonizá-las entre si, num exemplo de fraternidade humana a que não ascendeu a própria Europa, de onde elas provieram. Assim é o Paraná.

(MARTINS, W. Um Brasil diferente: ensaio sobre fenômenos de aculturação no Paraná. 2. ed. São Paulo: T. A Queiroz, 1989. p. 446.). Ideologias oficiais e burguesas, relativizando o racismo, a desigualdade social, estrutural e histórica protagonizada por algumas das mesmas famílias da classe dominante tradicional há séculos.

A Construção do Paraná "Europeu" | Micheleto | Revista NEP - Núcleo de Estudos Paranaenses da UFPR
A Construção do Paraná "Europeu"
REVISTAS.UFPR.BR

Uma das pesquisas atualmente desenvolvidas no Núcleo de Estudos Paranaenses (NEP-UFPR) é sobre a "construção do Paraná Europeu", de Leonardo Micheleto. Duas obras são essenciais: A Terra do Futuro, de Nestor Vitor (1913) e O Brasil Diferente, de Wilson Martins (1955). São "quase discursos oficiais", autorizados e subvencionados pelos interesses do poder estabelecido. Dentro da metodologia de investigação elaborada pelo NEP, uma sociologia política crítica dos intelectuais paranaenses tematiza os conceitos de classe social, espírito de família e genealogia, vide a importante obra de Maria Julieta Weber Cordova (Bento, Brasil e David: O discurso regional de formação social e histórica paranaense). Nestor Vitor era nascido em Paranaguá, com suas origens sociais, familiares e trajetória relativamente conhecidas. A novidade é que as origens de Wilson Martins, dado como nascido em São Paulo em 1921, eram invisibilizadas e serão decifradas, bem como a sua agenda social e política esclarecidas. O pai de Wilson Martins era professor de português e foi advogado provisionado em São Paulo. Veio fugindo da polícia e da justiça paulista para o Paraná. Aqui teve inserções profissionais, políticas e foi preso para ser julgado em São Paulo. O pai de Wilson Martins, Himelino Martins, nascido em Portugal, foi acusado na imprensa local de ter sido "polygamo, falsificador e sátiro". Como pode um filho de um imigrante português, brasileiro de primeira geração, como Wilson Martins, ter construído uma ideologia invisibilizando a experiência colonial portuguesa, os índios, africanos, negros e a própria centralidade da escravidão no Paraná, ao concluir "O Brasil Diferente: "Assim é o Paraná. Território que, do ponto de vista sociológico, acrescentou ao Brasil uma nova dimensão, a de uma civilização original construída com pedaços de todas as outras. Sem escravidão, sem negro, sem português e sem índio, dir-se-ia que a sua definição não é brasileira. Inimigo dos gestos espetaculares e das expansões temperamentais, despojado de adornos, sua história é a de uma construção modesta e sólida e tão profundamente brasileira que pôde, sem alardes, impor o predomínio de uma ideia nacional a tantas culturas antagônicas. E que pôde, sobretudo, numa experiência magnífica, harmonizá-las entre si, num exemplo de fraternidade humana a que não ascendeu a própria Europa, de onde elas provieram. Assim é o Paraná.
(MARTINS, W. Um Brasil diferente: ensaio sobre fenômenos de aculturação no Paraná. 2. ed. São Paulo: T. A Queiroz, 1989. p. 446.). Ideologias oficiais e burguesas, relativizando o racismo, a desigualdade social, estrutural e histórica protagonizada por algumas das mesmas famílias da classe dominante tradicional há séculos.

A Construção do Paraná "Europeu" | Micheleto | Revista NEP - Núcleo de Estudos Paranaenses da UFPR
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Walmir Braga Júnior _____________________Um tema muito legal e que desafia a todos nós. Por sua enorme eficácia e penetração social, o mito de uma Curitiba europeia é o mais importante da história paranaense. Em minha dissertação, ao eleger como um dos níveis de análise a história de Curitiba, também esbarrei nele. Fiz duas observações: 1) como o mito foi moldado de modo a aproximar-se do self made man norte-americano, ao eleger o alemão protestante como símbolo da identidade paranaense; e 2) como, nos anos 1920, sua caracterologia irá se opor diametralmente a certos elementos valorizados em São Paulo (o que faz com que o "tipo paranaense" e Macunaíma sejam o diametral oposto um do outro). É interessante ver como esse mito sempre volta, aliando-se a grandes interesses políticos e econômicos. Nas entrevistas com Jaime Lerner e Greca sobre Poty, ele veio a contrabando. O estudo sobre o mito e sua caracterologia merecem ser aprofundados.

João Simões Lopes Filho ______________________Seria interessante um entendimento de como se formam grandes áreas socio-culturais dentro do Brasil e como cada unidade da federação constrói sua própria identidade, com o adicional de como essa identidade é vista pelas outras. Daí surgem estereótipos como o carioca, o paulista, o mineiro, o cearense, o nordestino, o caipira, etc.

A gente nota por exemplo uma sobreposição de duas grandes áreas "culturais" (me foge agora um termo mais adequado): o Brasil Bandeirante que de certa forma cobre quase todo o interior do Sul e Sudeste, e avança sobre o Centro-Oeste e vem colonizando áreas agrícolas de Rondônia, Pará e Roraima. É o país dos fazendeiros, dos sertanejos. Outra é a do Brasil Sulino Europeizado, que une a Região Sul, inclusive seus centros urbanos, avança para São Paulo e Mato Grosso. Na área urbana de São Paulo a identidade europeizada mais reforçada é a italiana que alemã. O importante dessa europeização brasileira sulista é que ela é fervorosamente anti-portuguesa, anti-ibérica e anti-latino-americana. Talvez chegue no Rio de Janeiro apenas em redutos de elite, eventualmente com raízes sulistas, ou em descendentes de imigração europeia mais recente. Esse Brasil Europeizado rejeita o ibérico, o latino-americano, o africano, o índio, o favelado, o nordestino, e em certa medida, o carioca como estereótipo do favelado-miscigenado-sambista.

Por outro lado há um certo Brasil Sulista Praiano, que vai do Espírito Santo até Rio Grande, que de certa forma rejeita o elemento "caipira" e também pode em sua elite almejar uma Europeização.


sábado, 10 de junho de 2017

Alexandrov Ensemble (Red Army Choir) - Whole Concert

Alexandrov Ensemble (Red Army Choir) - Whole Concert

Palavras ou termos russos

poshlost:  trivialidad, la vulgaridad, la promiscuidad sexual y la falta de alma”, explica la profesora Svetlana Boym

nadryv. . Esta palabra describe un arrebato emocional incontrolable, cuando una persona saca fuera sentimientos profundos y escondidos. implica una situación en la que el protagonista se entrega a un pensamiento: a encontrar su alma, que quizá ni tan siquiera exista.  Por eso eso el nadryv a menudo se expresa de manera exagerada y con sentimientos distorsionados.

“Jamstvo: rudeza, arrogancia e indolencia multiplicadas por la impunidad”.  es precisamente la impunidad la que nos aniquila completamente. Resulta imposible luchar contra ella y solo es posible la resignación.
Stushevatsya :ser menos apreciable, desplazarse hacia un segundo plano, perder un papel importante, quedarse confundido en una situación inesperada o extraña, volverse dócil.

Toská :Dolor emocional” o “melancolía”, pero estos términos no llegan a transmitir el significado completo. . Es un sentimiento de sufrimiento espiritual sin una causa particular. En un nivel menos doloroso se refiere a un confuso dolor del alma... a una vaga ansiedad, a la nostalgia, al anhelo amoroso”.

Bytie : palabra proviene del verbo  byt (existir). Este concepto filosófico se suele traducir como “existencia”, “ser”. Sin embargo no se refiere solamente a la vida o la existencia sino a "la existencia de una realidad objetiva independiente de la conciencia humana (el cosmos, la naturaleza, la materia)".

 Bespredel :El profesor de lenguas eslavas Eliot Borenstein explica bespredel literalmente: “sin restricciones o límite”. A menudo se traduce como “desmadre”, “ausencia de leyes”, pero también se refiere al comportamiento de una persona que no solo viola ley sino que carece de normas sociales o morales.

Avos:Resulta difícil explicar lo que significa esta palabra. Curiosamente mucha gente cree que avos es uno de los principales rasgos de Rusia. Tener esperanza en el avos significa hacer algo sin planear, por ventura, sin poner demasiado esfuerzo y esperando que tenga éxito.

 Yurodivi :En la antigua Rusia eran personas que renunciaban voluntariamente a los placeres en nombre de Cristo. Tenían el aspecto de locos vagabundos. Llevaban una vida que tenía como principal objetivo obtener la paz interior y la derrota de la principal fuente de pecado: el orgullo. Estaban valorados socialmente y considerados como cercanos a Dios. Se tomaban en cuenta sus profecías e incluso eran temidos.

 Podvig:A menudo se traduce al español como “gesta” o “hazaña” pero tiene otros sentidos. Podvig no solamente es el resultado de la consecución de un logro o un objetivo. Se trata de un acto valiente y heroico realizado en circunstancias difíciles. En ruso se habla de podvig militares o sociales pero también de científicos.

Es más, esta palabra es sinónimo de actos desinteresados, que pueden ser en nombre del amor.

Depois da implosão das grandes religiões institucionalizadas

Depois da implosão das grandes religiões institucionalizadas, restou-nos a autoajuda, a religião do capitalismo tardio, o simulacro religioso da pós-modernidade. Aqui não há opressão (nenhum faraó a ser vencido, nenhuma Babilônia a ser derrubada), nem mesmo pecado (pois se houvesse havia o risco de se atribuí-lo aos detentores do capital). Aqui há só que mentalizar de maneira correta e dizer as palavras certas -- e a portas do sucesso (profissional, financeiro, sexual) se abrirão de par em par para você. Há nessa nova religião algumas palavras-chave: foco, empreendedorismo e uma série de termos em inglês, o latim litúrgico do novo rito. Se o calvinismo, segundo Max Weber, foi a religião da aurora do capitalismo, a autoajuda é seu sucedâneo nesses tempos de decadência hipermoderna. Nada de virtude, nada de morigeração, nada de sacrifícios. O paraíso é agora. O céu está ao alcance de um clique. Basta mudar sua forma de pensar e de falar. E se não der certo? Aí azar o seu, meu irmão. Também não há misericórdia nessa religião. Nem purgatório. Só o inferno dos derrotados.

Otto Leopoldo Winck


ELEMENTAR MEU CARO WATSON, FRAUDE EXPLICA...

"Já repararam um " fenômeno" que ocorre no nosso judiciário que é a "genialidade" dos filhos de magistrados e procuradores de se perpetuar nas tetas da viúva em que pese os dificílimos concursos que não justifica a existência de tantas antas e jumentos lá dentro?
Porém como não existe controle externo desse poder monstruoso tranquilamente gabaritos ou números de matrículas privilegiados são aquinhoados para perpetrarem seus domínios desse poder aparentemente impune e inimputável de poucos e perpétuos donos.
As provas que eu tenho disso? Ora são bem mais robustas que as do Dallagnol contra o Lula no caso do triplex, são convicções extremas de domínio público e de amplo conhecimento que só a fraude explica tamanha sapiência hereditária como as capitanias."

Rubens Rubem Gonzalez
Temer o STJ
Temer o MP
Temer a mídia
Temer o silêncio da maioria
Temer o Temer


atw

O povo brasileiro é em sua maioria generoso e cordial

"O povo brasileiro é em sua maioria generoso e cordial. Violenta e repressiva é a elite brasileira. Sempre que ocorre algum avanço na base popular em termos de consciência de direitos e de busca de maior participação política, ocorre um golpe das oligarquias que colocam o povo no seu lugar, quer dizer, na marginalidade. Se não houver uma transformação nas estruturas econômicas e sociais que gerem um maior equilíbrio, jamais teremos paz social."
Leonardo Boff, via Roberto Pereira

Clóvis Manfrini Souto Calado ________________Discordo totalmente. A maioria do povo é conservador extremo e tende a repetir a truculência e violência da elite que a domina. Vamos parar de ignorar que hoje 1/5 da população, o que é muita gente, se identifica com o fascismo tupiniquim de Bolsonaro (e outros) e são conscientes disso. Essa mesma maioria sustentava conscientemente a Ditadura Militar que só caiu quando o bolso dessa maioria começou a esvaziar. Não criemos ilusões. Se um dia tivermos uma Revolução Social, vai faltar bala para aniquilar tanto/a filho/a da puta...

Otto Leopoldo Winck ______________________Até que ponto o povo é assim ou ficou assim por conta da lavagem diária da mídia e do massacre de uma sociedade do capitalismo arcaico?... Com a reposta os sociólogos e historiadores.

Clóvis Manfrini Souto Calado _________________Otto Leopoldo Winck Vejo mais como problemas na origem mesmo. Nós já começamos e continuamos com uma estrutura arcaica, medieval, principalmente o poder que o grande latifúndio ainda exerce, algo que países que romperam com o atraso no campo, reforma agrária por exemplo, conseguiram avançar e diminuir o conservadorismo. Mesmo a extrema-direita nos países desenvolvidos é mais avançada ideologicamente que nossa extrema-direita que elege um palhaço (Bolsonaro) como representante forte.

Otto Leopoldo Winck __________________Clóvis: sim, nem pela revolução burguesa passamos inteiramente. Nossa estrutura ainda é é semi-feudal. Nunca tivemos nem uma revolução meia-boca: tal não foi a Independência, nem a República. O mais perto de uma revolução (burguesa) foi a Revolução de 30, cujos modestos avanços estão sendo desmontados agora.


Clóvis Manfrini Souto Calado ______________Otto Leopoldo Winck Sim, mas a etapa próxima é a revolução das classes trabalhadoras (campo e cidade) e setores progressistas, hegemonizada pelos trabalhadores, para desenvolver esse país de fato e alicerçando para o socialismo. A burguesia já liderou vários processos reformistas e só tornaram o país mais desigual e atrasado, agora precisam sair de cena e deixar o protagonismo para as classes que citei. Quanto mais adiamos essa revolução que livraria de vez o Brasil dos resquícios feudais e coloniais, mais nos afundamos enquanto país e civilização.

Só dois países mantêm-se ativos na resistência contra a hegemonia mundial de Washington: Rússia e China. Dos dois, a Rússia é vista como maior obstáculo ao unilateralismo dos EUA.
A Europa depende da energia russa, e os sistemas de armas nucleares russas são avançadíssimos.
O fato de que a soberania nacional russa dependa tanto da liderança de Putin faz da Rússia o ponto mais frágil e mais vulnerável à intriga construída e fomentada em Washington.
Putin pode ser removido por assassinato.
Diferente é o caso da China, cuja liderança é coletiva.
Claro que há democracia no partido político que governa a China – e se governo democrático coletivo não servisse para mais nada, já seria valiosíssimo só por isso: os bancos podem derrubar quantos governos queiram, e ainda assim alguma força democrática pode resistir e insistir em governar a favor dos cidadãos.
Para desqualificar todo o partido governante chinês, Washington conta com o serviço de organizações financiadas pelos EUA, que operam dentro da China para essa específica finalidade.
Washington está arrastando o mundo para um grande conflito.
A essa altura os governos russo e chinês já sabem que estão sob a mira.
E Washington e Europa continuam a rejeitar cada tentativa diplomática de russos e chineses.
Não falta muito para que se rendam à conclusão de que não lhes resta outra saída que não seja guerra."

PAUL CRAIG ROBERTS, via Rodrigo Jardim Rombauer



A democracia ocidental se sustenta na crença em três pilares: eleições livres, imprensa livre e mercados livres. Ou seja: é uma crença que não se ampara em nenhuma evidência, já que todos sabemos que, aqui ou nos States, quem dá as cartas é o poder econômico. Na falta de razoabilidade, só o fundamentalismo declaratório segura essa crença.

Otto Leopoldo Winck

O SISTEMA DE TODOS OS MALES


Dentro da lógica do nosso sistema econômico, cada indivíduo representa uma determinada "força de trabalho". Essa força de trabalho deve atender às necessidades do mercado. Como esse mercado é heterogêneo, necessita de diferentes tipos de forças de trabalho.
Essa pluralidade, no fim, acaba desaguando em uma singularidade: a troca de qualquer força de trabalho por dinheiro. Dessa forma, toda e qualquer força de trabalho, dentro desse sistema econômico é, a rigor, uma mercadoria.

Assim, a princípio, esse sistema não vê qualquer diferença sobre quem são os indivíduos concretos (reais) que detém as diversas forças de trabalho. Se essa força de trabalho é de uma mulher, de um homem, de uma criança, de um holandês, de um cristãos, de um islâmico, de um cidadão, de um imigrante... nada disso importa...

O que importa para o sistema produtor de mercadorias é que esse indivíduo seja capaz de entregar essa determinada força de trabalho para os produtores de mercadorias.
Mas... Como acabou de ser colocado, apenas "a princípio" esse sistema não vê qualquer diferença. A realidade é que esse sistema não é cego e possui total interesse em desvalorizar a força de trabalho em geral.

Como a força de trabalho se comporta de forma análoga a uma mercadoria, a ideia é sempre tê-la em abundância, de modo que o seu preço caia pela clássica "lei da oferta e procura". Assim, enquanto esse sistema econômico existir, é importante que haja força de trabalho ociosa, o que chamamos comumente de desemprego.

Além disso, o sistema está atento às chamadas "depreciações históricas" da força de trabalho. Uma mulher pode produzir tanto quanto um homem, mas ainda assim sua força de trabalho é, em geral, mais barata devido aos preconceitos historicamente determinados.

O mesmo ocorre com os negros, os imigrantes, as minorias, etc. Assim, a esse sistema econômico, a continuidade do machismo e dos preconceitos em geral (antigos e novos) são de seu absoluto interesse, pois atendem ao processo geral de depreciação do valor da força de trabalho.
Chegamos aqui a dois fenômenos que sempre existirão enquanto existir esse sistema econômico produtor de mercadorias: desemprego e preconceito.

Parte dos indivíduos acreditam que ambos os fenômenos são "naturais" e "insuperáveis". São os indivíduos "sistematizados". Entretanto, há indivíduos que discordam e lutam para que esses dois fenômenos sejam superados em nossa sociedade. Essas lutas são "autorizadas" pelo sistema, desde que se travem dentro da lógica do próprio sistema. Vejamos.

Se em um determinado país os salários dos homens são superiores ao das mulheres (por um mesmo trabalho) é absolutamente interessante ao sistema uma luta pela igualdade salarial, desde que essa luta resulte em salários menores aos homens, isto é, uma igualdade nivelada por baixo.

Ao longo dessa luta também interessa ao sistema o foco exclusivo na desigualdade entre homens e mulheres (isto é, na desigualdade de gênero) ignorando-se completamente a igualdade de ambos como explorados (ainda que em níveis diferentes).

A luta pela igualdade de direitos civis também é permitida, desde que não atinja as bases da lógica de depreciação da força de trabalho. Nos países onde a igualdade social transcendeu os interesses do sistema, é importante se criar uma política militante e universal para destruir essa igualdade, ressuscitando antigas divisões e criando novos sentimentos de ódio e repugnância ao outro.

Não por acaso, todos os países onde a igualdade e os direitos civis são mais avançados, se encontram hoje sob a ameaça de ataques terroristas que possuem como efeito a desagregação do tecido social que antes beneficiava a todos.

Dessa forma, podemos observar que divisões culturalistas, divisões de gênero e a produção de uma sociedade aterrorizada pelo medo daqueles que são "diferentes", em especial os imigrantes, atende aos interesse do sistema produtor de mercadorias.

Um sistema que produz desemprego, preconceitos, divisões, medo e ódio entre todos os que vivem dentro dele poderia ter vários nomes: "sistema desumanizador", "sistema do ódio", "sistema da destruição"... enfim... fica a cargo de quem quiser, nomear esse sistema da maneira que lhe convir...

Seu nome de batismo é, entretanto, "sistema capitalista de produção". Não é possível afirmar que a luta contra esse sistema ocorrerá de forma efetiva e assertiva. A única coisa possível de se afirmar é que o seu combate e superação é uma necessidade histórica.


Carlos D’Incao
Otto Leopoldo Winck
-- Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel... É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.
-- Com o Supremo, com tudo...
-- É, delimitava onde está, pronto."

Salvo alguns pontos fora da curva, o roteiro do Golpe segue intacto.

O modelo brasileiro de desenvolvimento da última década ia bem obrigado.

"O modelo brasileiro de desenvolvimento da última década ia bem obrigado.
Um conjunto de programas econômicos e sociais, como a elevação do salário mínimo, ampliação das aposentadorias, transferências para as famílias mais pobres, expansão da educação e dos serviços de saúde, amplos investimentos em infraestruturas e outros programas ampliaram a demanda para as empresas, o que por sua vez, além de gerar produtos, gerou mais de 10 milhões de empregos formais, ampliando ainda mais a demanda – levando ao chamado “círculo virtuoso” de crescimento: dinamizou-se a economia, ao mesmo tempo que se respondia às necessidades reais da população, priorizando quem mais precisa.
E como uma economia mais dinâmica gera mais recursos públicos, foi possível equilibrar o financiamento do conjunto, inclusive as políticas sociais e redistributivas.
Este esquema funciona, e não somente aqui.
Funcionou na Coreia do Sul que realizou um milagre com forte participação estatal nos investimentos e redução da desigualdade, como funcionou também nos “30 anos de ouro” do pós-guerra na Europa da socialdemocracia, e nos EUA do New Deal, até ser travado nos anos 1980 pela onda ideológica neoliberal.
O mais importante que temos de entender é que a economia deve sim responder às necessidades da população, e o Estado deve ser um articulador importante.
Mas a apropriação privada da política travou o sistema."

LADISLAU DOWBOR, via Rodrigo Jardim Rombauer
A decisão do TSE só aumenta o descrédito. Não acredito que ainda haja pessoas que dizem que "as instituições funcionam".
A comparação de Gilmar Mendes a Pôncio Pilatos - feita em tom de elogio - só aumenta a percepção de que ha um abismo entre essas pessoas e a sociedade brasileira. A melhor coisa a dizer sobre Pilatos é que ele lavou as mãos. A melhor.
Nosso tipo de democracia dá muita importância às instituições. Embora a Constituição de 1988 diga que além da representação há também a democracia direta, esta última mal foi testada. E os últimos meses marcam o triunfo das instituições sobre a vontade popular.
Mas, se elas ficam contra a vontade popular, seu descrédito só faz crescer. Parece que isso não incomoda quem se beneficia disso. Mas incomoda muito o Pais. Introduz um elemento de decepção. Na melhor das hipoteses, ficaremos blasês. Na pior, Berlusconi vem aí!!

Renato Janine da Fonseca


sexta-feira, 9 de junho de 2017

Guerra de classes



Não há dúvidas de que adentramos uma quadra histórica marcada pela guerra da burguesia contra o povo pobre e trabalhador.

Publicado em 09/06/2017

Por Ruy Braga.

Enquanto o julgamento da chapa Dilma-Temer desenrola-se no Tribunal Superior Eleitoral, o governo golpista faz de tudo para avançar com a contrarreforma trabalhista nas comissões que avaliam o mérito das propostas no Senado Federal. Aparentemente desconectados, tratam-se de dois debates intimamente ligados. Não é segredo que a sobrevivência do governo depende da aprovação das contrarreformas trabalhista e previdenciária em curso. A natureza do golpe parlamentar de 2016 revela-se muito mais na pilhagem aos direitos dos trabalhadores do que na tentativa de políticos acuados pela operação Lava Jato de livrarem-se da cadeia.

Afinal, caso não demonstre plena operacionalidade na aprovação das contrarreformas, o governo Temer não terá servido ao seu propósito original: promover o ajuste estrutural da economia brasileira no sentido de consolidar um regime de acumulação por espoliação no país. Eis a razão, mesmo diante da profundidade da crise política que assola Brasília, dos parlamentares preferirem avançar com a votação da contrarreforma. O interesse das empresas deve ser assegurado a qualquer custo, ainda que as medidas em trâmite no Congresso conduzam o país de volta ao século XIX.

Foram mais de cem alterações na CLT. O pacote de maldades contra o trabalhador brasileiro é muito grande pra ser detalhado neste espaço. No entanto, do ponto de vista da essência do projeto, isto é, a dominância do negociado sobre o legislado, é importante destacar que dos cerca de 13.000 sindicatos atuantes no setor privado existentes hoje no país, a esmagadora maioria funciona como uma espécie de fiscal da CLT, pois, simplesmente não tem condições de negociar com as empresas benefícios reais para os trabalhadores.
Neste contexto, afirmar a dominância do negociado significa eliminar, em termos práticos, muitas conquistas históricas da classe trabalhadora brasileira. O avanço da mercantilização do trabalhador levará, fatalmente, ao aumento da insegurança das próprias relações trabalhistas. Afinal, imaginem o que não aconteceria se, subitamente, os trabalhadores representados por um sindicato inexpressivo percebessem que seus representantes assinaram um acordo que, em termos práticos, acabará com o décimo terceiro salário, etc. A aprovação da contrarreforma criará uma situação potencialmente explosiva no país, com um compreensível aumento da violência nas relações de trabalho.

Em relação à flexibilização da jornada, o grande risco é a generalização do trabalho intermitente com a multiplicação daquilo que na Europa é chamado de “mini job”. O trabalhador fica em casa esperando receber uma mensagem de texto do empregador dizendo onde e quando ele deve se apresentar para o trabalho. Assim, o trabalhador permanece totalmente à mercê das flutuações da demanda e sem nenhuma previsão de quanto receberá no fim do mês, tendo em vista que o empregador paga apenas pelo tempo efetivamente trabalhado. Trata-se de um retrocesso que nos remete aos primórdios do capitalismo, quando a forma típica de remuneração era exatamente o salário por peça produzida pelo operário.

Além disso, as formas precárias de contratação, normalmente associadas aos contratos terceirizados para os trabalhadores subalternos e ao chamado “pejotismo” para os quadros mais qualificados, deverão se banalizar em um futuro próximo. Em suma, todos perdem renda e têm sua carga de trabalho aumentada. Jornadas mais longas e salários menores: os empresários desejam impor aos trabalhadores um verdadeiro desmanche do sistema de proteção do trabalho. Assim, além dos ganhos imediatos em termos de espoliação dos rendimentos do trabalho, os empresários buscam alcançar outro objetivo igualmente importante: deslegitimar as formas de reivindicação historicamente criadas pelos trabalhadores em seu processo de construção classista.

Quando nos referimos à CLT, estamos falando sobre um momento decisivo de um longo ciclo de mobilizações dos grupos subalternos brasileiros que, em termos globais, vai da Greve Geral de junho-julho de 1917, até meados dos anos 1930, com a mal sucedida insurreição comunista contra a ditadura do Estado Novo. A promulgação da CLT coroou este ciclo por meio de uma série de concessões materiais aos trabalhadores e que foram estratégicas para o esforço industrializante do país. Além disso, a legislação trabalhista delimitou, pela primeira vez na história brasileira, um espaço de conflitos políticos reconhecido como legítimo para as classes subalternas. Em outras palavras, por meio da mobilização pela efetivação dos direitos trabalhistas, existentes na forma da lei, mas ausentes na realidade das empresas, os subalternos apropriaram-se de uma gramática política que foi largamente empregada nas lutas sociais dos anos 1950, 1960 e 1970. Isso sem mencionar a influência desta dinâmica coletiva na conquista dos direitos sociais universais garantidos pela Constituição de 1988.

Neste sentido, o atual desmanche da CLT faz parte de uma ampla reação antipopular cujo vértice consiste em deslegitimar as lutas sociais no país a fim de aprofundar a exploração e a dominação dos trabalhadores. E caso a contrarreforma trabalhista seja aprovada, os golpistas sepultarão um século de lutas sociais em benefício de uma cidadania salarial inclusiva. Nesse contexto, os trabalhadores pagarão o pato da crise por meio da evaporação dos rendimentos e da ampliação das jornadas de trabalho. A desigualdade social vai aumentar, minando as bases da retomada do crescimento econômico. Não há dúvidas de que adentramos uma quadra histórica marcada pela guerra da burguesia contra o povo pobre e trabalhador.

Cenário de guerra em Brasília durante o ato que reuniu 150 mil manifestantes pela saída imediata de Michel Temer da presidência, eleições diretas já e o fim das reformas previdenciária e trabalhista. Foto: Mídia Ninja.

* * *

Ruy Braga, professor do Departamento de Sociologia da USP e ex-diretor do Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania (Cenedic) da USP, é autor, entre outros livros, de Por uma sociologia pública (Alameda, 2009), em coautoria com Michael Burawoy, e A nostalgia do fordismo: modernização e crise na teoria da sociedade salarial (Xama, 2003). Na Boitempo, coorganizou as coletâneas de ensaios Infoproletários – Degradação real do trabalho virtual (com Ricardo Antunes, 2009) e Hegemonia às avessas (com Francisco de Oliveira e Cibele Rizek, 2010), sobre a hegemonia lulista, tema abordado em seu mais novo livro, A política do precariado: do populismo à hegemonia lulista. É também um dos autores dos livros de intervenção Cidades rebeldes: Passe Livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil (Boitempo, Carta Maior, 2013) e Por que gritamos golpe? Para entender o impeachment e a crise política no Brasil (Boitempo, 2016). A Boitempo prepara para 2017 o lançamento de mais novo livro A rebeldia do precariado. Colabora para o Blog da Boitempo mensalmente, às segundas.
Fonte : blog da boitempo


Complexo de vira-lata. O incrível nas eleições britânicas, além dos poucos partidos, do voto facultativo e da ausência de urnas eletrônicas, é que os candidatos ouvem a aclamação dos resultados uns ao lado dos outros e os perdedores congratulam os vencedores da apuração nos distritos. Um dia eles chegarão ao nível do Brasil, com urnas eletrônicas, voto obrigatório e um "presidencialismo de coalizão" onde o sentido de lealdade à Nação e o respeito mútuo entre os concorrente predominam...

Sérgio Braga

Ainda bem que são contra as oligarquias familiares !

Vocês sabiam que o Ministro do STJ, atual destaque como relator da ação contra a chapa Dilma-Temer no TSE, Antonio Herman de Vasconcellos e Benjamin é primo do Senador José Agripinio Maia (DEM), de Lavoisier Maia e do atual Presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia ? São parentes pela poderosa oligarquia familiar Maia, da Paraíba e Rio Grande do Norte ! Consultem a tese e o livro do Marciano Monteiro_A Política como Negócio de Família. Antonio Herman é filho do médico Antonio Benjamin Filho e Iracema Fernandes Maia, neto materno de João Sérgio Maia (1907 - 1984), desembargador do Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba, presidente do Tribunal Regional Eleitoral. Antonio Herman se formou em direito pela UFRJ e foi do MP do Estado de São Paulo. Ainda bem que são contra as oligarquias familiares !

RCO
Não quero ser estraga-festa de ninguém mas, se a experiência do governo Dilma serve para alguma coisa, ela nos ensina que o impedimento é um processo incremental cheio de idas e vindas, e que são necessários pelos menos os seguintes elementos para um impeachment ser bem-sucedido: (i) crise ou desaceleração econômica; (ii) oposição da grande mídia; (iii) grandes manifestações populares nos centros urbanos; (iv) manifestações contrárias do grosso do empresariado; (v) fuga em massa dos partidos da base governista, especialmente do centro fisiológico (PMDB, PSD, PP etc.); (vi) o cometimento de uma besteira monumental na articulação política do governo, ou a impossibilidade de entabular negociações críveis com o político mediano no sentido amplo do termo. Até agora, só observei duas dessas condições. Portanto, a expectativa é de prolongada agonia pela frente. A ver...

Sérgio Braga
Diz a lenda que Karol Woltijla foi escolhido papa por ser o único cardeal a realmente acreditar em Deus. Por aqui, estamos todos em busca de um político honesto e que não tenha recebido doação eleitoral via Caixa 2 para suceder Temer, numa eventual eleição indireta. Quem sabe o Tiririca. Pelo menos é garantia de que a coisa não pode piorar ainda mais.

Sérgio Braga

Lembrai-vos da República de Weimar

Sérgio Braga___________De te Fabula narratur. Lembrai-vos da República de Weimar: todos achavam que Hitler não chegaria ao poder porque seus argumentos eram muito primários e ele não passava de um austríaco provinciano e de poucas luzes, incompatível com a democracia de um país culto e de tradições cívicas e intelectuais como a Alemanha.... isto posto, considero que argumentos excessivamente intelectualizados e citações eruditas para mostrar que um procurador da República não sabe exatamente do que está falando quando cita Maquiavel, podem ter um efeito exatamente inverso ao pretendido, no atual contexto brasileiro. Chucro ou não, provinciano ou não, o fato é que o procurador tocou num problema que cala fundo na imensa maioria da opinião pública brasileira: a corrupção. Se o sistema político e os partidos de esquerda não derem respostam imediatas e contundentes a este problema, a crise persistirá. Sugiro que sigam o exemplo do Magnífico Reitor da UFPR: perante acusações de corrupção, conduções coercitivas e todo o circo armado pela autoridades investigativas, imediatamente convocou uma entrevista coletiva e mandou investigar e punir os responsáveis, além de anunciar uma série de medidas moralizantes para a instituição. Mutatis mutandis, penso que mais do que discutir Maquiavel e efetuar exibições desnecessárias de erudição, nossos políticos deveriam anunciar um pacote de medidas moralizantes para melhorar a qualidade da democracia brasileira e garantir eleições gerais limpas o mais breve possível... Certamente não faltarão cientistas políticos eruditos e honestos para colaborar com as autoridades competentes neste quesito específico.

Dennison de Oliveira_______________Lembrai-vos da República de Weimar: todos achavam que Hitler não chegaria ao poder mas no parlamentarismo imperial deles Hindenburg  topou convidar um cara que tinha menos de um terço dos votos na ultima eleição e muito menos votos que teve na eleição anterior para formar um desgoverno de colisão desde que o sujeito de bigodinho ridículo topasse mandar os deputados dele obstruir a CPI do crédito agrícola onde o próprio presidente-imperator e seus amiguinhos latifundiários do agronegócio prussiano estavam envolvidos com desvio de verbas públicas e, neste caso, vale a pena notar o caráter criminal da crise (de Weimar e nossa)


Só há um inconveniente em ser jovem: é que muitas coisas que eram óbvias para as gerações antigas, passam a ser grandes novidades para os que chegam. Pelo menos a idade nos faz poupar tempo e evitar alguns falsos problemas...

Sérgio Braga

O julgamento da chapa presidencial de 2014 no TSE

O julgamento da chapa presidencial de 2014 no TSE somente agora, motivado pelo mesmo Aécio da mala de dinheiro para encher o saco de todos nós, é um julgamento extemporâneo e só pode ser mais uma peça do teatro do absurdo. Ainda bem que a nossa cultura elaborou léxicos adequados para entendermos os atores e o espírito da coisa, como retórica barroca, práxis de rábulas e esforço de meirinhos politiqueiros. Não se deve resolver a crise por lá mesmo porque teriam que aplicar a mesma régua a todas as candidaturas do sistema de financiamento partidário anteriormente existentes. A novidade é que o baixo clero do PSDB quer mesmo rifar Temer porque ainda precisarão de votos e capitais eleitorais, necessariamente se distanciando do desastre do desgoverno golpista, o que aprofunda a crise político-moral no bloco no poder. Se Janot tiver a mínima capacidade de escolher qualquer uma das inúmeras ilegalidades de Temer e a PGR finalmente enviar para a Câmara votar, a casa do golpista Temer finalmente desabará em mais uma ação do poder legislativo do que nesse poder judiciário sócio e protagonista do teatro do absurdo dos golpistas.

RCO
Para entendermos o que está acontecendo, é preciso trazer ao pé da letra a ideia de Walter Benjamin, segundo o qual o capitalismo é, realmente, uma religião, e a mais feroz, implacável e irracional religião que jamais existiu, porque não conhece nem redenção nem trégua. Ela celebra um culto ininterrupto cuja liturgia é o trabalho e cujo objeto é o dinheiro. Deus não morreu, ele se tornou Dinheiro. O Banco - com os seus cinzentos funcionários e especialistas - assumiu o lugar da igreja e dos seus padres e, governando o crédito (até mesmo o dos Estados, que docilmente abdicaram de sua soberania), manipula e gere a fé - a escassa, incerta confiança - que o nosso tempo ainda traz consigo

GIORGIO AGAMBEN
Antigamente quando o sujeito vinha com um discurso muito agressivo e radical em resposta a algum evento desagradável ou argumentação se dizia que o sujeito "acusou o golpe". O que significava que a agressividade era muitas vezes sinal de fraqueza ou ausência de argumentos substantivos para defender um ponto de vista. Hoje em dia, a agressividade anda tão difundida que já não se sabe mais o que ela revela ou deixa de revelar.

Sérgio Braga

terça-feira, 6 de junho de 2017

"O verdadeiro shopping center das camadas médias brasileiras sempre foi o mercado de trabalho. A abundância de mão de obra barata lhes garantia privilégios inexistentes no núcleo duro do sistema. A empregada barata, a babá barata, o motorista barato. Serviços domésticos em quantidade eram a grande compensação pela falta de serviços públicos de qualidade". 

Por Fernando Haddad.

"Se nada der certo" revela apenas a normatividade do "habitus de classe"

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"Se nada der certo" revela apenas a normatividade do "habitus de classe". Eu estudei no Marista de Brasília e nas minhas aulas ainda hoje comento um dos "choques culturais", quando eu fiz o mestrado em Londres e quem atendia no pub e na cantina universitária eram os próprios estudantes. Mais uma vez nossas raízes do "Antigo Regime" senhorial e escravocrata sempre rebaixam o trabalho, categoria central da sociologia, aos grupos subalternos, periféricos, estrangeiros e inferiores, o que deve sempre ser passado a cada nova geração e a cada nova família ascendente. Todos esses tipos bem sucedidos estereotipados já estavam na minha época do Marista de Brasília. O Renato Russo já reclamava por lá do filho de políticos e aproveitador da sua turma, o Geddel Vieira Lima. O Beto Richa estudava na turma mais nova da minha classe. Quantos políticos, empresários, juízes, executivos, altos funcionários públicos e privados formaram o seu "habitus de classe" nessa mesma visão arcaica de mundo social e político. O problema é que o Brasil continua dando certo "apenas" para essa classe dominante encastelada no poder pelos golpes e falcatruas, gente que nunca estudou nada a sério, nunca escreveram, pesquisaram, produziram, construíram ou trabalharam nada de essencial, significativo e importante, afora as tradicionais enganações do establishment, da mídia, do sistema judicial, das forças da insegurança armada, das politicagens, chicanas, negociatas, honorários, jetons e roubos pura e simplesmente de uma nação inteira de trabalhadores alienados desses processos sociais e políticos reproduzidos desde a educação.



 Ricardo Costa de Oliveira

domingo, 4 de junho de 2017


Sabe o problema? Eu acho que tem gente que não se percebe no mundo, não se localiza.
Acha que tá num grupo e tá em outro, falta posicionamento de cena mesmo.

João Doria é um cara elitista porque é da elite, entendem? João Doria governa pra elite, e por isso faz um governo estético. Porque rico gosta é de estética. Cês já viram banheiro de rico? É bonito demais. O banheiro. É nesse nível de preocupação estética que a elite chega: em gastar o valor de uma casa inteira num banheiro que, muitas vezes, tem o tamanho de uma casa inteira.

Aí o Doria fez uma campanha puramente estética, e faz uma gestão puramente estética, ele se veste de povo no melhor estilo do "quanto vale ou é por quilo?", porque a elite gosta de povo no marketing, só no marketing. E Doria entende de marketing. Mas governar, governar mesmo ele faz pra quem não gosta de povo, mas gosta de muro verde.

O problema, e aí vem o problema, são as pessoas não sabendo se localizar. As pessoas tem dificuldade de entender que elas não tão no mesmo grupo do João Doria, e dificilmente estarão algum dia.

Pra entender, eu cresci na periferia de Curitiba num condomínio da Cohab, cês sabem o que isso significa? Eram apartamentos de 47m², com três quartos e 1 banheiro. Galera não morava sozinha lá não, não era "kitchenette", era apezão mesmo, de morar a família toda e o cachorro. (Falei que tem banheiro de rico que é do tamanho de uma casa inteira, né?)

Era o bairro com a maior quantidade de favelas da cidade.

E aí entra o problema: a galera dos prédios achava que tava muito distante da favela. Mas muito. Que na favela tinha vagabundo, que eles que tavam ali no apartamentão com os dogs vacinados e alimentados eram tão mais merecedores do mundo, porque se esforçavam. Porque não se envolviam com droga. Tinham vizinhos que se envolviam, tiveram uns que morreram até por isso, aliás, morreram eles - "mas foi se meter onde não devia, não é? Saiu dessa vida honesta que garantiu a todos ali um apezinho da Cohab, se meteu na bandidagem, e aí não quer morrer? Não é?!"

E o que separava a gente ali no apê da favela da rua do lado, muitas vezes, era ter chego antes na fila da Cohab, só isso. Mera fatalidade. Da mesma forma que o que separava nós, cidadãos de bem, dos que "se meteram com a bandidagem" foi uma sequência de acasos tão fora do nosso controle que chega a ser ridículo chamar isso de mérito, de escolha, de valor, do que você quiser chamar pra se sentir melhor que os outros.

É preciso muito pouco pras pessoas se sentirem mais merecedoras de dignidade que as outras, mas muito pouco. Uma rua de distância e um ap de 47m² financiado pela Caixa em mais prestações do que a gente vai viver pra pagar.
Ou um salário que permita pagar aquela viagenzinha pro exterior em 10x.
É só isso que precisa pra galera começar a se sentir mais perto da high society que da periferia onde vive.
Pra galera se solidarizar mais com a preocupação estética dos ricos que com o sofrimento dos vizinhos, mais com um mercado financeiro que sequer entende como funciona que com o almoço do cara da casa da frente. É só isso, é esse pouquinho, nada além.

E se ali na rua da frente a coisa já é assim, imagina quando você vai pra um bairro mais classe-média-que-se-acha-alta, imagina! Eu namorei um cara desses bairros, ele era muito legal, de verdade mesmo, mas morava num apartamento que dava 5 do meu, com mais quarto que gente, e o resto da família reclamava tanto da vida, da política, da pobreza em que estavam vivendo, do custo de manter 3 carros, reclamavam de ele ir na minha casa porque a vizinhança era feia (até isso a gente tem que ouvir), senhor, como reclamavam. Foi na casa dele que ouvi que eu só era de esquerda porque era muito jovem e não sabia do que tava falando. Pois é.

Hoje, por uma sequência de fatalidades outras e de filas em que eu cheguei primeiro, eu moro num bairro da classe-média-que-pensa-que-é-alta paulistana e você vê a superioridade escorrendo no hall de mármore. Você vê. E mesmo a família daquele ex-namorado, mesmo meus vizinhos de agora, mesmo todos eles, tão longe da alta sociedade com a qual solidarizam. Mesmo eles.

Porque o que coloca a maioria de nós nesse mar de privilégios que a gente vive são acasos, nada além de acasos.

Nós não estamos no grupinho do João Doria. Somos meros assalariados, ou, no máximo, autônomos e pequenos empresários - bela autonomia. Não tô diminuindo isso que vivemos não, muita gente daria os órgãos pra estar onde estamos. O que tô dizendo é que nós não estamos do lado daqueles que controlam 52% do PIB nacional, nem nunca estaremos.

O sucesso de caras como João Doria vem de fazer parte de nós acreditar que nós só não somos da elite por falta de oportunidade, porque "os governos de esquerda ficam usando o nosso dinheiro pra sustentar vagabundo". Cara! Cara! Sério! Vocês acreditam mesmo nisso?

O sucesso de um cara como João Doria vem de você acreditar que com muito esforço você um dia vai ter um banheiro de 47m² - o que pode até ser que um dia você tenha mesmo - e, aí é o pior, de fazer você acreditar que isso é verdadeiramente um indicativo de sucesso na vida.

E acreditando nisso e vendo o mundo com os olhos do patrão que você não é - ainda que patrão você seja - você começa a ficar do lado de uma elite que compra teu vizinho pobre pra fazer comercial pra você acreditar que você não é igual seu vizinho, que você é melhor que ele, e que só não é ainda melhor porque tem alguém usando seu valioso dinheiro pra sustentar seu vizinho e impedir que seu vizinho rompa as amarras da vagabundagem e um dia seja tão bom quanto você. Mas veja só: eles tão falando do seu vizinho ainda assim.

E começa a defender medidas puramente estéticas porque na falta de um banheiro bonito você quer, ao menos, uma rua bonita, sem aquele pobre feio, sem aquela periferia suja, sem seu vizinho.

Começa a defender um prefeito que manda demolir uma casa com gente dentro. Uma casa. Com gente dentro.
Isso não te choca? Porque deveria.
Era uma casa e tinham pessoas lá dentro. Não foi um acidente, não vamos tratar isso como um "ops, tinha gente mesmo, que coisa, mas acontece, bola pra frente...", né?

Eu não tô falando que sei a resposta pro problema das drogas, da população de rua, da população em qualquer situação de vulnerabilidade.

Mas não existe nenhuma corrente, nenhum estudo, nenhum tipo de raciocínio lógico (ou minimamente humano) que nos leve a acreditar que sair atirando em gente e demolir uma casa com gente dentro é uma resposta razoável pra qualquer problema.

A única coisa que faz uma pessoa ver alguma via de defesa dessa ação, uma mínima via de defesa de uma pessoa que autoriza isso, de ficar do lado de um prefeito que já se mostrou ser altamente higienista e pouco preocupado com a efetividade de suas medidas, é a vontade de ter um lugar bonito pra excretar.

Temos uma elite doente por estética, mas você pode não se contaminar, você não é vizinho do João Doria, você está muito mais próximo das pessoas em quem ele manda atirar, não esqueça disso.


E com isso em mente, eu sugiro que defenda o direito à dignidade dessas pessoas como se fosse o seu, porque é.

Paula Bernardelli

A primeira Presidenta Nacional do PT

Gleisi Hoffmann é a mulher paranaense com mais experiência política e mais elevada trajetória no campo político em toda a história. Gleisi percorreu longo caminho partidário desde o movimento estudantil, assessorias parlamentares municipais, estaduais e federais. Ocupou cargos executivos estaduais, experiência em Itaipu, Senadora e Ministra-Chefe da Casa Civil, a mais elevada posição ministerial já ocupada por um paranaense em toda a história. Agora também é novidade como a primeira Presidenta Nacional do PT. Quadro político inteligente e sensível, Gleisi terá o grande desafio, junto do PT, de conviver e traçar estratégias para o atual Presidencialismo de Colisão que vivemos. Os confrontos são inevitáveis porque o golpe saiu tal qual um monstrinho alien de dentro do corpo da coalizão anterior do PT. Quando Dilma teve de aceitar um vice conspirador e traíra, como Temer e o PMDB de assaltos elegeu Eduardo Cunha como presidente da Câmara, a conjuntura estava definitivamente perdida. O velho problema é como o PT conseguirá votos, apoios e energia para enfrentar o centrão fisiológico no Congresso, a tradicional corrupção na tecnoburocracia estatal de décadas, o empresariado golpista do pato amarelo nas federações e associações empresariais, a indústria da mídia e o sistema judicial de exceção, golpista e autoritário de sempre. A luta de classes revela setores médios e burgueses adestrados na cultura do ódio pela lavagem cerebral da grande mídia oligárquico-familiar, este filhotes e órfãos dos valores morais de Aécio Neves, Temer e Eduardo Cunha procurarão outras válvulas de escape, outras opções igualmente enganadoras para o próximo ciclo. Grandes desafios são grandes oportunidades para grandes novidades. Esta esquerda hegemônica e detentora dos maiores capitais eleitorais, sindicais, movimentos sociais, intelectuais e partidários com Lula, Gleisi e o PT, terá o imenso desafio de comandar uma próxima carga de ataque contra o moribundo bloco golpista em decomposição do PMDB-PSDB-DEM. O que o PT deve manter do ciclo vitorioso anterior entre 2002-2014, lições do buraco e da derrota golpista em 2015-2016 e a tremenda necessidade de invenção, de inovação para 2017-2018, com novas mobilizações, novas formas de luta e novas estratégias dialeticamente preservando o que foi bom, o que permitiu as vitórias eleitorais e incorporando o novo, incorporando novos avanços, sem agora abrigarem os monstros do passado dentro da barriga do Lulopetismo hegemônico e ainda triunfante deste nosso ciclo político e histórico. Vai que a bola é sua Gleisi !


RCO

burocrata a serviço da lei


Existe a possibilidade do burocrata a serviço da lei pensar que é a própria lei? Sim, existe. Sinal de que a aculturação burocrática falhou ao permitir que valores pessoais, religiosos, familiares fossem mais fortes do que o verdadeiro senso de responsabilidade pública. Quando isso acontece, falta Estado de verdade e sobra corporativismo.
Mas quando o burocrata é ignorante, tem alta visibilidade e tenta se travestir na própria lei, a chance de não conseguir por cair no ridículo é enorme.

O curioso é que os dois casos - bem ou mal sucedidos - são exemplos de corrupção da função pública. Nem toda corrupção envolve dinheiro!

Emerson Urizzi Cervi