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segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Chile



Pessoal "espontanex" e romântico, anarcoides pós-modernosos de salão, que estão empolgados com as manifestações no Chile: devemos, claro, apoiar e nos solidarizar com os manifestantes, mas lembrem-se que no Egito a "primavera árabe" derrubou um presidente eleito e resultou numa ditadura militar que ainda perdura, pior ainda que a anterior. Não adianta: sem partidos organizados e fortes, lideranças politicas experientes e habeis, e bancadas parlamentares numerosas não se chega a lugar nenhum...Por piores que estas instituições sejam, não inventaram ainda nada melhor para garantir direitos sociais e melhorar a qualidade da democracia. E mesmo assim ainda não eh tarefa fácil. Eh o que a experiencia dos séculos. XX e XXI nos ensina...
Sergio Braga

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019


A luta de classes imaginaria travada pelos ideólogos ocorre entre “socialismo” X “fascismo”. Ela gera artigos, discursos e frases de efeito, mas não enche a barriga de ninguém. A luta de classes real e que interessa as pessoas comuns se dá entre dois modelos de capitalismo e os variados matizes dentro de cada um deles: um, pro-mercado e sustentado por uma ideologia punitivista que combate o identitarismo e o politicamente correto. Representantes desse modelo acabaram de chegar ao poder através do voto legitimo da maioria do eleitorado. Nos próximos anos, saberemos os resultados das politicas publicas que sustentam este modelo e que forca social se oporá a ele. Espero que não seja apenas um reedição do neopopulismo identitário lulista, e que emerja algo mais avançado no bojo dos debates que ocorrerão daqui por diante. Se ha algo que o bolsonarismo nos ensina eh que o eleitorado já se cansou de mais do mesmo e busca novas alternativas politicas. Espero que os cientistas sociais e políticos tenham imaginação para formula-las caso queiram desalojar Bolsonaro e sua equipe do poder nos próximos anos.

Sérgio Braga

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

O culto aa personalidade


Uma das piores coisas que o culto aa personalidade de Lula (qualquer que seja nosso grau de simpatia por ele e pelo que ele simboliza e representa) causou foi essa ilusão de ótica de que o Brasil tende ao bipartidarismo e aa polarização entre PSDB e PT. Além da analise ser superficial, essa eh a principal causa pela qual o sistema partidário brasileiro esta cada vez pior, cada vez mais fragmentado e com cada vez mais parlamentares de partidos fisiológicos e de centro direita nos diferentes níveis de representação. Personalidades (e anti-personalidades) fortes e partidos fracos, estes são os motivos pelos quais nossos índices de confiança mas instituições se assemelham ao do Haiti, e nossos custos de gestão da coalizão estão entre os maiores do planeta. E o pior e que tende a piorar cada vez mais...E pensar que a solução do problema eh tão simples.
Sérgio Soares Braga

segunda-feira, 2 de julho de 2018


Jânio Quadros e JK nos legaram um precioso ensinamento para a compreensão da politica brasileira: treino eh treino, jogo eh jogo. dessa forma, pode-se ganhar uma eleição com relativa facilidade e se fazer um péssimo governo. Assim como uma eleição apertada pode dar origem a um governo nunca antes visto na historia desse pais. Tudo depende da capacidade de composição e negociação da agenda com os pares. Uma boa negociação de agenda com os lideres partidários eh melhor antidoto contra o populismo, fisiologismo e clientelismo rastaquera que assolam o pais. Por outro lado, uma vitória eleitoral com estratégia discursiva de péssimo nível pode-se converter facilmente numa vitória de Pirro. Foi este o caso da doutora Dilma em 2014 a meu ver... Janaina Pascoal eh uma espécie de espelho de narciso as avessas desse processo. Se conseguirmos evitar que 2018 seja uma repetição de 2014 já está de ótimo tamanho para nossa precária democracia. Os petistas e tucanos deveriam estudar mais nossa história politica e extrair lições dela, para além das teses acadêmicas defendidas por jovenzinhos de classe media nos anos 70, que nunca puseram um pé num parlamento ou num órgão governamental de verdade...
Sérgio Braga

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018


Sem dúvida que, para um cientista social, ter um livro (ou livros) transformado em samba enredo não deixa de ser uma consagração. Parabéns ao Prof. Jessé de Souza pelo alto fator de impacto de seus textos, qualquer que seja nosso grau de concordância com as teses por ele defendidas. Oxalá nos próximos anos continue assim, para as ciências sociais se difundirem cada vez mais entre a população, demonstrando sua importância para o aumento de nossa cultura cívica e qualidade da democracia. Sublinhe-se também que, ao que parece, os sambistas estão mais politizados e esclarecidos do que nossas autoridades judiciais e policiais, que continuam fazendo sua formação doutrinária a partir de velhos manuais dos longínquos tempos da guerra fria e predominantemente pelo que sai na grande mídia corporativa. Tem que dar uma melhorada do nível dos manuais e no processo de formação doutrinária dessa turma aí...
SSB

sábado, 3 de fevereiro de 2018

As democracias bipolares e a teoria do buzzy mosquito.

 Nada a ver com dengue ou febre amarela. O problema é que há poucos anos atrás havia um certo consenso na literatura de que o Brasil era uma democracia "consolidada", o PC tinha ótimo desempenho, e que o desafio era aperfeiçoar as instituições participativas, inclusive digitais. Agora,parece haver quase uma unanimidade em sentido contrário: a democracia está em perigo e ninguém quer nem ouvir falar de participação, muito menos digital. Estou apenas aguardando a autorização da Pippa Norris ou da IDEA para começar a empregar uma nova noção de democracia: as democracia bipolares, para enquadrar o caso brasileiro até moda em contrário.. Nesses casos, a reforma política prescrita é eleger um psicólogo para a presidência do sanatório geral, já que em semi-parlamentarismo, cláusula de barreira, tipificação da sonegação fiscal e do caixa 2 como crimes hediondos, fim dos privilégios burocráticos, devolução ao consumidor-motorista das multas cobradas sem identificação visual do delito por painel eletrônico etc. ninguém quer nem ouvir falar por aqui.

SB

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

ai pro Tapetão?


A unica novidade nestas ultimas sondagens e que, Lula exclusive, Ciro Gomes torna-se um candidato competitivo nas esquerda e Bolsomito se desmancha do ar, o que também não deixa de ser ruim para as pretensões do PT num eventual segundo turno. Portanto, já esta mais do que na hora dos companheiro do PT começarem a discutir a serio a possibilidade de uma frente de esquerda porque a tendencia e que mais pra frentemente a pressão da mídia lavajatista imparcial se intensifique ainda mais sobre o lulismo e seus aliados no chamado centrão do pmdb, já que no presidencialismo de coalizão todos os atores políticos tem mais ou menos um instinto suicida latente, no meu modesto entender.
SB


Quase 20 anos de Virtuous Circle...


Todo mundo fala em crise do presidencialismo de coalizão (a brasileira), mas eu acho isso uma balela, ou seja, não vejo crise nenhuma. Senão, vejamos. A esquerda almeja eleger um presidente, porque acha que a vitória de um líder popular é o caminho mais curto e fácil para chegar ou reconquistar o poder (teoria dos freios e contrapesos). A direita defende o presidencialismo porque considera mais fácil neutralizar politicamente um líder popular eleito para o Executivo do que um partido de esquerda de massa politizado, com bancadas fortes e influentes no parlamento (teoria dos freios e contrapesos). E o centro fisiológico defende o sistema porque acha que é a melhor forma de chantagear os extremos para manter-se no poder e no controle do Congresso usufruindo benefícios clientelistas, qualquer que seja o presidente eleito (teoria dos freios e contrapesos). De forma que a perspectiva é a de que o sistema dure muito tempo ainda e, com ele, o poder supostamente neutro e moderador das autoridades judiciais, sempre pautadas, para dizer o mínimo, por nossa mídia corporativa. Não é à toa que o Tiririca disse que estava desiludido e ia abandonar a política; suas expectativas de campanha foram inteiramente frustradas pelos fatos observáveis, o que causa a revolta, como se sabe. Não resta alternativa àqueles que não acreditam que a democracia seja um mero valor instrumental, a não ser desfilar sua impotência no facebookis ou postar fotos de gatinhos no Instagram...
SB

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Instituições não contam. (WGS).Percebe-se claramente dando uma zapeada pelo Facebook como o Brasil é um país com pouca tradição na defesa dos direitos fundamentais dos cidadãos, especialmente suas classes médias supostamente civilizadas. Uma evidência disso: quando os direitos fundamentais de seu adversário político são violados (seja Temer, Lula, Cabral, Aécio etc.) você apóia; quando ocorre o contrário, há a denúncia do arbítrio. Esta a meu ver é uma das principais causas de termos chegado ao Estado em que chegamos, como diria o Barão de Itararé

. O pessoal fica perdendo tempo medindo distância de capital, contando MP, lendo Regimento Interno, comentando pesquisa, contando deputado reaça, etc., quando só há uma descoberta realmente importante na ciência política moderna: os países e regiões mais democráticos, mais tolerantes, com maior IDH, qualidade de vida, mais estáveis, melhor desempenho educacional, menor índice de corrupção etc. etc., são aqueles que apresentam grandes bancadas de partidos de centro-esquerda em vários níveis de representação parlamentar (especialmente partidos social-democratas, trabalhistas e socialistas). Deve haver alguma razão para isso né, gênti, já que correlação não é causalidade...

Sérgio Braga

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Métricas de fator de impacto e seus efeitos. Antigamente as lideranças políticas surgiam de greves, enfrentamentos heroicos com a policia, organização das classes populares da periferia, militância em associações de classe e outras entidades naturais ou supranaturais etc. Hoje em dia, surgem de comentários e curtidas no Facebook, reverberações nas redes digitais e "presença na mídia". Resultado: em caso de exclusão de Lula, praticamente um dinossauro pelos padrões atuais, o segundo turno estará embolado entre Luciano Huck e Pedro Cardoso, com Bolsonaro e Fábio Porchat ou aquele-outro-que-esqueci-o-nome correndo por fora...

Sérgio Braga



Qualidade da democracia. Às vezes penso que o PSDB deveria deixar de ser um partido e se transformar num think thank. Isso porque o site do Instituto FHC é bem melhor que o do Instituto Lula, Lá se discute de tudo: China, feminismo, discurso do ódio, privatizações, infraestrutura, piruzaço pós-modernoso, dentre vários outros assuntos de interesse público. É claro que tudo se debate ao estilo massa-cheirosa catanhedista, mas eles não se limitam a tecer loas ao soberano, programas de sucesso da gestão PSDB como o bolsa família etc. .., e sabem como politizar o eleitor conservador inteligente.. Fica a dica para os cumpanheiro de como produzir ideologia o tempo todo sem se transformarem em doutrinadores baratos ou mascates de ilusões.
Sérgio Braga


segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Tensão Pré-Eleitoral (TPE). Se forem Lula e Bolsonaro para o segundo turno em 2018, o que você acha que os tucanos de hoje em dia iriam fazer, excluindo a possibilidade do muro, ou seja, voto nulo, que seria uma posição quase suicida para a legenda? Digo "tucanos de hoje em dia" porque nos tempos do Covas essa pergunta sequer faria sentido. Complicado dilema para uma sigla cuja principal aposta para ganhar as eleições em 2018 parece consistir em torcer para que a Vaza Jato elimine todos os concorrentes e declare o Geraldo vencedor por W.O....

Sérgio Braga
Das duas uma: essa tal "independência da Catalunha" ou foi coisa de Napoleão de Hospício, ou uma "trap" para encurralar o Podemos, que felizmente não parece ter caido na arapuca e se conduziu relativamente bem durante o processo. Tudo indica que foi a primeira opção. De qualquer forma, o governo capenga e impopular do Rajoy saiu fortalecido dessa batalha de Itararé. O velho Brizola já advertia contra os porra-loucas de todos os matizes que gostam de fortalecer os conservadores e legitimar suas políticas. Eles sempre aparecerão como cogumelos após a chuva e não só no Facebook...

Sérgio Braga
Capitalismo cartorial para principiantes. Eis aí um exemplo de como as corporações de ofício, cartéis e os capitalistas brasileiros são predatórios; não diria burros porque afinal estão ganhando algo. Antes do UBER e outros aplicativos, praticamente não se gastava com Taxi aqui em casa. Agora, já é um dos principais itens de despesa do cartão. Ou seja: diminui-se o preço e a margem de lucro, mas os gastos (e lucros) brutos aumentam devido ao aumento da demanda. Por que será que as praças de pedágio e outras empresas, para não falar nos sofridos bancos, não fazem o mesmo? Eis aí um assunto relevante a ser estudado pelo economistas...


Sérgio Braga

sábado, 1 de julho de 2017

Cenários... Seleção de grandes previsões de nossos brazilianistas sobre a volátil conjuntura política autóctone:


0) Enfim descoberta a Pedra Filosofal das poliarquias de latinoamerica e del caribe. Presidencialismo de coalizão + neodesenvolvimentismo social é a fórmula da estabilidade política e social em países da periferia do capitalismo. Qualidade das poliarquias em alta...
1) "Jornadas" de junho de 2013, cujas causas são a "demanda da sociedade civil por participação", são o início da renovação ética da política brasileira;
2) Haverá uma rebelião das massas durante a Copa de 2014, contra o neoliberalismo lulista;
3) A melhor estratégia para ganhar a eleição a qualquer custo é forçar uma polarização com o PSDB no segundo turno e desconstruir o Aécio, com os recursos de marketing que estiverem à mão;
4) Dilma não será impedida mesmo sem negociar com o PMDB e os "achacadores" fisiológicos de costume;
5) Cunha será julgado pelo STF e preso antes da votação do impeachment, devido à forte influência política republicana do ministro Cardoso;
6) Haverá resistência maciça do povo ao "Golpe"!!; [única previsão com direito a maiúscula e ponto de exclamação]
7) A Lava Jato não acaba nem perde força após o impeachment de Dilma, pois trata-se de uma operação republicana liderada por uma elite corporativa com valores éticos e apartidária, e apoiada pelo cidadão de bem, idem;
8) Aliança PSDB-PMDB não tem futuro, pois a ética de uma moderna economia de mercado é incompatível com o assistencialismo-fisiológico interiorano de nosso "average citizen";
9) Temer não dura dois dias no governo com a oposição da Globo, da PGR e dos MEMEs da internet. Renúncia é iminente.
10) Lula não será preso nem terá seus direitos políticos cassados devido ao "acordão contra a Lava Jato" e sairá fortalecido e quicando para 2018;
11) Candidatura Lula em 2018 e fracasso do governo Temer serão capazes de provocar um renascimento do PT e a preservação de sua hegemonia na esquerda, sem necessidade de renovação, autocrítica ou algo que se assemelhe a isso;
12) Retornaremos ao ponto 0 da dinâmica do presidencialismo de coalizão. Estabilidade cum crescimento econômico e "políticas sociais" universalistas eficazes. Qualidade da poliarquia brasileira em alta...
Escreva a sua sequencia...
Sérgio Braga


sexta-feira, 9 de junho de 2017

Complexo de vira-lata. O incrível nas eleições britânicas, além dos poucos partidos, do voto facultativo e da ausência de urnas eletrônicas, é que os candidatos ouvem a aclamação dos resultados uns ao lado dos outros e os perdedores congratulam os vencedores da apuração nos distritos. Um dia eles chegarão ao nível do Brasil, com urnas eletrônicas, voto obrigatório e um "presidencialismo de coalizão" onde o sentido de lealdade à Nação e o respeito mútuo entre os concorrente predominam...

Sérgio Braga
Não quero ser estraga-festa de ninguém mas, se a experiência do governo Dilma serve para alguma coisa, ela nos ensina que o impedimento é um processo incremental cheio de idas e vindas, e que são necessários pelos menos os seguintes elementos para um impeachment ser bem-sucedido: (i) crise ou desaceleração econômica; (ii) oposição da grande mídia; (iii) grandes manifestações populares nos centros urbanos; (iv) manifestações contrárias do grosso do empresariado; (v) fuga em massa dos partidos da base governista, especialmente do centro fisiológico (PMDB, PSD, PP etc.); (vi) o cometimento de uma besteira monumental na articulação política do governo, ou a impossibilidade de entabular negociações críveis com o político mediano no sentido amplo do termo. Até agora, só observei duas dessas condições. Portanto, a expectativa é de prolongada agonia pela frente. A ver...

Sérgio Braga
Diz a lenda que Karol Woltijla foi escolhido papa por ser o único cardeal a realmente acreditar em Deus. Por aqui, estamos todos em busca de um político honesto e que não tenha recebido doação eleitoral via Caixa 2 para suceder Temer, numa eventual eleição indireta. Quem sabe o Tiririca. Pelo menos é garantia de que a coisa não pode piorar ainda mais.

Sérgio Braga
Só há um inconveniente em ser jovem: é que muitas coisas que eram óbvias para as gerações antigas, passam a ser grandes novidades para os que chegam. Pelo menos a idade nos faz poupar tempo e evitar alguns falsos problemas...

Sérgio Braga
Antigamente quando o sujeito vinha com um discurso muito agressivo e radical em resposta a algum evento desagradável ou argumentação se dizia que o sujeito "acusou o golpe". O que significava que a agressividade era muitas vezes sinal de fraqueza ou ausência de argumentos substantivos para defender um ponto de vista. Hoje em dia, a agressividade anda tão difundida que já não se sabe mais o que ela revela ou deixa de revelar.

Sérgio Braga