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segunda-feira, 7 de outubro de 2019


"A Lava Jato sempre me lembrou os processos inquisitoriais do Dr. Simão Bacamarte, personagem do livro O Alienista, do Machado de Assis. Ele prendia no manicômio Casa Verde com os mesmos critérios e métodos que o Sérgio Moro sentenciou seus adversários políticos, com a diferença que o médico da ficção era honesto em seu delírio e o marreco maringaense sempre foi um oportunista corrupto. Hoje, o destino satirizou ainda mais a operação do Sérgio Moro, quando foi revelado que o auditor da Receita que extorquia os investigados da Lava Jato usou o dinheiro da corrupção para comprar um terreno em Itaguaí, nome da cidade natal do Dr. Simão Bacamarte e sede da Casa Verde. Só espero que o Moro termine como Bacamarte."

André Machado

sábado, 24 de novembro de 2018


Na primeira fase da campanha eleitoral, o Paulo Guedes disse que privatizaria todas as estatais. Logo em seguida, depois das pesquisas apontarem que a defesa das privatizações não agradava a maioria do eleitorado, o Bolsonaro foi à publico desmentir e dizer que não privatizaria empresas públicas como o BB e a Caixa, por serem estratégicas. Foi o bastante para uma parte significativa dos funcionários destes bancos, contaminados pelo antipetismo, se alvoroçassem para defender o candidato do PSL. Nas redes sociais, as matérias publicadas pelos sindicatos alertando sobre o plano do Bolsonaro para o BB e a Caixa foram hostilizadas por empregados eleitores do Bolsonaro, que diziam: "mentira, ele não vai privatizar, já afirmou isso". Tolos. Agora, antes mesmo da posse, a verdade vem à tona: "A orientação é eficiência, enxugamento e privatizar o que for possível", disse o Rubem Novaes, futuro presidente do BB, após reunião com a equipe de transição. "Privatizar o que for possível" significa, na prática, vender o "filé mignon" das empresas. Esse é o plano das corporações que atuaram nos bastidores e agora assumirão o comando do futuro governo. Inclusive, será uma continuidade do governo Temer, como os acordos e nomeações deixam evidente. O Bolsonaro? Continuará sendo a caricatura para animar uma plateia de patetas. Os funcionários do BB e da Caixa? Serão tão descartáveis quanto os de todas as empresas privatizadas. Nós avisamos. Agora, espero que entendam o que está no horizonte e se posicionem corretamente ao lado dos sindicatos na defesa dos bancos, porque, do contrário, continuarão como coveiros de seu próprio futuro.


Do André Machado

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Quem são os "fascistas"?


Quando os sindicatos dos servidores solicitaram ao Greca que estabelecesse uma mesa de negociação para debater os projetos que afetam as carreiras e retiram diretos dos trabalhadores municipais, o prefeito mandou que debatessem na Câmara, pois as medidas já estavam em tramitação no parlamento.
Quando os sindicatos buscaram estabelecer um diálogo com os vereadores, para que debatessem os projetos antes de vota-los, a maioria dos parlamentares não deu nenhuma importância, pondo em regime de urgência as medidas, sem aceitar qualquer conversa, e queriam impor as mudanças sem negociação.
Até aí, nenhum pio dos editores da Gazeta.
Daí, quando os servidores se organizam, fazem uma greve e fecham as portas da Câmara, exigindo respeito e diálogo, os editores do jornais os chamam de "fascistas".
A reação dos servidores ao autoritarismo da prefeitura e da maioria dos vereadores não tem nada de "fascismo". Trata-se da maior expressão da democracia, que somente pode se estabelecer quando há interlocução e diálogo. Se não há, os trabalhadores tem todo direito e razão em utilizar os seus instrumentos coletivos de luta para se defender.
A Gazeta se transformou em uma Veja piorada, assumindo o mesmo papel de inverter valores e atacar sempre os trabalhadores, se transformando em apenas no panfleto de uma elite retrógrada


ACBM

domingo, 16 de abril de 2017

Não costumo falar de religião aqui no Facebook, mas nessa semana presenciei um diálogo inusitado na mesa ao lado à minha no almoço. Dizia um dos rapazes: "as pessoas interpretam mal o Diabo, ele é um cara bom". Fiquei atento aos argumentos. "Os bandidos não merecem morrer?", indagava aos colegas, que balançavam suas cabeças positivamente. "Então, o que precisa ser feito com o bandido depois da morte?". Pausou por alguns instantes para que os demais refletissem, e concluiu: "o Diabo apenas tortura essas pessoas ruins, enquanto Deus recebe as pessoas boas. Cada um faz seu papel". Bom, claro que política e religião se confundem: a ideia do justiçamento ou a tortura se tornaram desejáveis para as pessoas como forma de "punir os maus", na vida e, nesse caso, até mesmo na eternidade. Claro que não há nada mais contraditório à trajetória atribuída ao Jesus Cristo do que essa sociedade da intolerância e violência. Por isso, em tempos sombrios como o que vivemos, quem começa a se tornar referência é, de fato, o Diabo.

ACBM

A Odebrecht doou dinheiro à campanha da Dilma, mas também doou ao Aécio

A Odebrecht doou dinheiro à campanha da Dilma, mas também doou ao Aécio e, até mesmo, ao Everaldo (R$ 6 milhões, conforme a delação do executivo Fernando Reis, para que o pastor ajudasse o candidato tucano nos debates). O que faz, no entanto, somente as doações ao PT serem corrupção e as demais caixa 2? O próprio Marcelo Odebrecht disse em sua delação que os dirigentes do PT nunca lhe pediram propina para campanhas diretamente. Ou seja, em nenhum momento condicionaram a adoção de uma política de governo ou a realização de um negócio do poder público com sua empresa ao pagamento de um determinado valor. Segundo o empresário, havia apenas uma "expectativa" de alguns dirigentes do partido em receber doações eleitorais quando a empresa se beneficiava com algumas medidas do governo, o que, convenhamos, é algo bem vago. Por exemplo, o Marcelo Odebrecht diz que disponibilizou R$ 50 milhões para as campanhas do PT, a pedido do Palocci, logo após o governo aprovar as desonerações fiscais a dezenas de ramos da indústria, incluindo o petroquímico, beneficiando a Braskem. A desoneração, no entanto, não foi à Braskem, como denuncia a Veja, Isto É e os demais panfletos da direita, mas à milhares de empresas de vários ramos. Independente se a Odebrecht doasse dinheiro às campanhas do PT ou não, a política seria adotada pelo governo Dilma da mesma forma (concordemos ou não com o seu conteúdo). Assim, se me incomoda muito ver que alguns dirigentes do PT se relacionaram com os Odebrecht e outros empresários como parceiros de confiança - até porque estavam integrados ao seu sistema de financiamento eleitoral -, me revolta assistir ao espetáculo que a Lava Jato tem feito para transformar a relação promiscua entre o público e o privado em um defeito exclusivo do PT. Permitiu-se que a Odebrecht doasse centenas de milhões para as campanhas eleitorais, durante anos e anos, dentro da lei e sob a aprovação dos tribunais eleitorais e de contas, e agora vão condenar o PT por fazer parte do jogo? Permitiu-se que fossem gastos R$ 5,1 bilhões na campanha de 2014, agora querem condenar o PT e seus dirigentes por ousar disputar as eleições com os mesmos métodos de arrecadação utilizados fartamente pelos demais partidos? Vejam, não se trata de tolerar enriquecimento ilícito, através de propina, de um dirigente ou outro, mas de recusar a tese seletiva de que os recursos empresariais arrecadados pelo PT são sujos, quando a prática era legal. Farei uma batalha enorme dentro do PT para que o partido supere essa ilusão na conciliação de classe, que tanto cegou nossos dirigentes, e se torne ilegal, de uma vez por todas, o financiamento empresarial nas eleições. Mas, não há como aceitar a punição criminal seletiva do PT e de seus dirigentes por uma degeneração inerente ao sistema eleitoral e que vigorou como prática legal até 2014. Se essa for a decisão do judiciário, será uma evidente ação política.

ACBM

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Marcelo Odebrecht disse o óbvio: "Não existe ninguém no Brasil eleito sem caixa dois". Não é o partido x ou y, mas o sistema político que condiciona a vitória eleitoral ao recebimento de todo tipo de doação irregular, muitas das quais baseadas no "toma lá, dá cá". Podem crucificar este ou aquele, para fingir que houve justiça, mas, sem a mudança do modelo como os partidos e os candidatos financiam suas campanhas, as eleições continuarão sendo definidas pelo Caixa 2 e a relação público/privado será movida à propina. Não é razoável que seja imposto ao candidato uma barreira econômica, transponível apenas quando aceita estas regras do jogo. Hoje, por uma decisão do STF, de fato, os candidatos não podem mais receber doações de empresas e há um teto para os valores de campanha. Isso é positivo. Mas, se esses recursos empresariais chegam por meios ilícitos e representam a maior parte das receitas das campanhas, então a norma torna-se inócua. Penso que o sistema eleitoral, bem como o funcionamento das instituições políticas, precisam de mudanças radicais para superarmos esse modelo degenerado, permitindo uma fiscalização efetiva e uma disputa mais programática. Todavia, cada dia fica mais claro que não serão os atuais deputados federais, eleitos por esse atual modelo, nem os próximos, caso a estrutura seja a mesma, que o farão. Seria necessário uma constituinte soberana, com deputados eleitos por listas e com financiamento exclusivamente público, para promover essas transformações. Em 2014, mais de 7,4 milhões de brasileiros já disseram querer essa alternativa. Agora, diante ao desmonte da Constituição e dos direitos sociais por esse Congresso de ladrões, é necessário reabrirmos esse debate.

ACBM

domingo, 19 de março de 2017

A JBS e a BRF são peças em um tabuleiro global de transnacionais que disputam o mercado, sob a única e exclusiva finalidade de ganhar dinheiro. Não importa que tipo de trabalho utilizam, não importa que tipo de sociedade produzam ou se devastam o meio ambiente. Fazem qualquer negócio por esse mercado: compram fiscais, organizam cartéis, envenenam os consumidores, eliminam concorrentes...tudo isso faz parte do jogo. Isso porque, diferente do que pregam os liberais, a "concorrência" no capitalismo é predatória, baseada em métodos do gangsterismo e tendendo sempre ao monopólio. Se, por conta dos crimes dos empresários brasileiros, há uma indústria nacional em risco, montada com bilionários subsídios públicos, e que ameaça desabar por suas próprias práticas, o que deveria ocorrer é a encampação delas pelo Estado, para compensar os prejuízos ao país e para opera-las sob novas regras. Isso vale para empresas de alimento, mas também para a Odebrecht, OAS e todas que sustentaram enormes esquemas de corrupção. O que não pode é deixar tudo ruir por conta do banditismo dos endinheirados

Acbm

sábado, 7 de janeiro de 2017

A privatização é realmente ideal...para se terceirizar a responsabilidade: a empresa joga a culpa das cagadas no poder público e o governo joga nas costas da empresa privada que administra o serviço público. De resto, é sempre mais caro e serve apenas para engordar o bolso dos chegados.
ACBM
Realmente, muitas pessoas estão aplaudindo de pé as chacinas nos presídios, como disse o Francischini. São pessoas, como o próprio deputado, que se acham "pessoas de bem", mas estão comemorando (como bem pontuou o Galindo) a vitória do crime organizado, que mata dentro e fora dos presídios. Estão comemorando a falência do sistema prisional, que deveria ressocializar pessoas e serve apenas para inserir uma maioria condenada por crimes leves (ou sequer julgadas) no mundo da mais severa barbárie. Me parece que estão exatamente do mesmo lado daqueles que julgam combater.
Podem defender o ostracismo de todos os presos para uma ilha distante, a prisão perpétua ou a pena de morte, pensando que isso vai distancia-los da barbárie, mas o que estão produzindo é somente o fortalecimento dela. Afinal, os ícones da turma que pensa assim, como o Francischini ou o Bolsonaro, são os reacionários que estão de plantão em Brasília para defender os privilégios dos mais ricos e os cortes nos gastos sociais, fazendo somente aumentar as desigualdades sociais existentes hoje.
Daí o que sobra para os bolsões de miséria crescentes é a repressão, o encarceramento e a eliminação. "Pessoas de bem"? Não. Só se for "bem perversas".

ACBM

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Quem salvar primeiro?


Considerando as muitas variáveis possíveis, entendo que entre duas pessoas que estiverem com risco de morte iminente, salva-se primeiro aquela que tem mais chances de sobreviver. Se uma estiver em estado "grave" e a outra "leve", salva-se primeiro a grave.
Penso que o profissional da saúde deve julgar suas escolhas por esses critérios ou outros mais adequados, que um leigo como eu desconhece. A resposta à pergunta da Fátima Bernardes ("salva-se antes o traficante em estado grave ou o policial levemente ferido?"), me parece mais que óbvia: salva-se antes o traficante.
Mas não parece racional para aqueles que atacaram com fúria a apresentadora, como se ela estivesse defendendo "bandidos". Aliás, os tais "bandidos" se tornaram uma categoria discursiva interessante no pensamento binário: universais e homogêneos, são seres maus e que precisam ser exterminados sumariamente.
A polêmica, portanto, não foi dar ou não a preferência ao atendimento do policial, mas de se negligenciar ou não o atendimento ao "bandido". Uma parcela da população deseja que o médico julgue seus pacientes e, se for o caso, autorizam que ele execute, a seu critério, a pena de morte. Assim, a pergunta em questão seria se o traficante pobre (ou que assim o for pelo julgamento do médico), que vende a cocaína para as festas dos ricos, deveria ou não ser salvo quando toma um tiro do policial.
Ou melhor, sem tergiversar, o que se pretende por essas pessoas é permitir que os policiais possam entrar em uma favela e eliminar quem quer que seja, em nome do extermínio da "bandidagem", quando os verdadeiros bandidos estão justamente entre aquelas "pessoas de bem" que invariavelmente pregam a chacina dos pobres.

André Castelo Branco Machado

sábado, 29 de outubro de 2016

Na década de 1990, as greves foram duramente reprimidas para arrochar os trabalhadores e arrancar direitos.
No BB, por exemplo, o movimento foi enfraquecido de tal forma, com demissões e assédio aos grevistas, que o governo FHC conseguiu impor o silêncio, uma perda salarial de pouco mais de 50%, o fim da licença prêmio e a retirada de uma série de outros direitos.
Nos anos dos governos Lula e Dilma, a categoria voltou a fazer greve e, mesmo com toda dificuldade da disputa entre patrões e empregados, não houve demissões ou descontos salariais de grevistas. A luta dos trabalhadores garantiu uma recuperação de cerca de 30% (além da inflação) das perdas do governo tucano e a conquista de muitos outros direitos.
Com o golpe, tudo isso está escapando pelos dedos. O Ministro Gilmar Mendes concedeu uma liminar para aniquilar nossos direitos assegurados na Convenção e Acordo Coletivos; o STF decidiu que os trabalhadores podem ter seus salários suspensos e descontados com a greve; o governo prepara uma contra reforma trabalhista e previdenciária duríssima.
O golpe foi contra você.

ACBM

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

André Castelo Branco Machado



Se o país é como uma família e não pode gastar mais do que ganha, como afirmou o ministro Henrique Meirelles em cadeia nacional, então como deveriam atuar os nossos governantes? A prioridade seria sempre a comida na mesa, saúde, moradia e educação para os filhos. Qualquer família fraterna buscaria, como primeira medida, renegociar suas dívidas mais pesadas com os bancos, como empréstimos que comprometessem metade das receitas do mês por juros mais baixos, parcelas menores e contratos mais vantajosos. Mães ou pais não diriam para seus filhos passarem por extremas privações por 20 anos sem antes cortar todos os seus privilégios e daqueles que são sustentados pelos seus recursos. Nem tampouco sairiam para jantar em um restaurante de luxo para decidir cortar a comida dos seus filhos. Nada disso seria feito. Acredito que a família a que se refere Meirelles é encabeçada por pessoas sem caráter, manipuladoras, insensíveis, sádicas e que só pensam em si mesmas, sem qualquer ligação afetiva com seus filhos. O governo ilegítimo do Temer está mudando a Constituição para congelar gastos sociais e as pessoas mais vulneráveis ficarão sem remédios, salários serão arrochados, escolas serão fechadas, entre muitas outras mazelas. Esse modelo de país a que se refere o Meirelles é bem diferentes das famílias reais do povo brasileiro, tão solidárias e fraternas, que não abandonam seus filhos nos momentos em que mais precisam.
O BB chegou a 79 mil funcionários, em 2000, no governo FHC. Se tornou um banco ineficiente, mesmo que as cartilhas neoliberais tenham como mantra da eficiência o "downsizing" e o "turnover" (enxugamento e rotatividade). Os bancos privados cresceram muito no espaço deixado pelo BB. O banco esteve na mira da sua total privatização.
O Banco do Brasil voltou a crescer no governo Lula, chegando, em 2008, a ter 115 mil funcionários e a ser o maior banco em ativos do país. Jogou um papel central na adoção de medidas anticíclicas pelo governo naquele ano.
O que será do banco mais enxuto? Quem ganhará se o BB voltar novamente para a geladeira?

Acbm

domingo, 28 de agosto de 2016

A questão habitacional em Curitiba é muito grave. A depender do orçamento municipal de 2016 destinado para construir moradias populares e regularizar as áreas irregulares da cidade, demoraremos mais de 3 mil anos para zerar a fila da COHAB. Isso mesmo, não é exagero: o atual orçamento permitiria a construção de 20 apartamentos populares e temos uma fila (que é sempre crescente) de 72 mil pessoas para acessar novas moradias e mais de 200 mil pessoas morando em áreas irregulares. Absolutamente toda política habitacional em Curitiba nos últimos 10 anos foi realizada com recursos do programa "Minha Casa, Minha Vida" e agora o programa, para as faixas de renda mais baixas, foi suspenso pelo governo do Temer.

André Castelo Branco Machado

segunda-feira, 28 de março de 2016

André Castelo Branco Machado 

É possível sim um governo, acobertado pelo silêncio de grandes empresas de comunicação, impedir investigações de esquemas de corrupção. Em SP tá tudo bem escondido, em sigilo e amordaçado.

Isso já ocorreu na esfera federal aqui no Brasil, na época em que o governo apoiado pelos Marinho engavetava tudo e a globo não dava um pio. Eles querem voltar e, para isso, convenceram um monte de gente a sair às ruas "contra a corrupção" e pelo impeachment da presidente eleita.

quinta-feira, 17 de março de 2016


As pessoas têm o direito de achar que o Lula é o pior dos bandidos. Mas não podem concluir que ele é bandido só porque acham isso dele.

Ele está sob investigação. Pode vir a ser réu ou não. Pode ser condenado ou não. Mas, na condição de investigado, ele não é culpado de nenhum crime e, logo, não está impedido de ser nomeado como Ministro da Dilma. Se é moralmente certo ou errado, fica a critério de cada um avaliar. Mas, ninguém é obrigado a avaliar o mesmo que você, sob a pena de ser considerado um conivente com o banditismo somente por pensar diferente. Calma lá.

Os áudios vazados ilegalmente pelo Moro para a Rede Globo também não atestam nenhum crime, mesmo que a emissora queira dar essa conotação.

Deste modo, qual é o problema de fundo?

Na realidade, algumas pessoas não toleram que o Lula assuma a Casa Civil por dois motivos:

Primeiro, porque não querem, desde o dia 27 de outubro de 2014, que a Dilma governe e encontre um caminho para seu governo (se o Lula será esse caminho ou não, é outra história). Ela é a presidente eleita, mesmo que a oposição não reconheça e já pedisse seu impeachment no segundo mês de governo. Ela tem a obrigação de apontar a solução para superar a crise econômica e política do Brasil. Não dá pra aceitar o "quanto pior, melhor". Se ela acha que o Lula é parte desta solução, tem legitimidade para fazer.

Segundo, porque querem que o Lula seja preso, independente de qualquer prova objetiva que o incrimine, pois já o condenaram previamente nas suas cabeças. "O Lula é um bandido" e pronto. Não tem nem conversa, não tem razão ou argumento. São justiceiros e tem a verdade absoluta, inquestionável. E sabem, com razão, que o Sergio Moro vai prender o Lula, mesmo que não tenha provas. O problema é que creem que isso é fazer justiça, afinal são convictos de que o Lula "é bandido".

Mas isso, sinto dizer, não é justiça. Mesmo que o Lula, ao aceitar ser Ministro, estivesse fugindo do Moro, como a oposição o acusa, as ações do juiz somente justificariam esse suposto temor do ex-presidente, já que ninguém quer ser vítima de uma injustiça.

Lembro que a investigação do Lula será conduzida pelo STF, que julgou e condenou o Dirceu e o Genoíno, do PT. Esse papo que ele vai livrar a cara é somente para agitar os ânimos das pessoas para paralisar o país.

O que talvez não ocorra, para o bem da democracia, é a parceria que o Moro estabeleceu com a Rede Globo e uma certeza de condenação prévia. Afinal, o que se espera no Estado democrático de direito é um julgamento justo, o amplo direito à defesa, do contraditório e, o mais importante, que ninguém seja previamente culpado. Isso serve para mim, para o meu melhor amigo e para o meu pior inimigo.

André Castelo Branco Machado

Meus amigos, a situação ganha contornos preocupantes no país. Há depredação às organizações de trabalhadores e violência contra qualquer pessoa identificada com a esquerda nas ruas. Estão insuflando uma massa desorganizada e autoritária, que age com uma convicção absoluta de sua missão purificadora. E não estão limpando nada. Estão apenas criando as condições para a deposição da Dilma e a imposição de um governo reacionário da maioria corrupta desse congresso. Torna-se urgente que as pessoas de bom senso percebam as consequências desastrosas desse processo e saiam às ruas amanhã para defender a democracia.

André Castelo Branco Machado

segunda-feira, 14 de março de 2016

Ver o Aécio ser expulso da própria manifestação que ajudou a convocar é , de fato, incrível. Mas isso não significa que o ato foi implacável com "todos", como circula na rede. Bolsonaro, por exemplo, foi muito bem recebido. Ele já foi citado na Lava Jato pelo doleiro Alberto Youssef, mas isso não criou nenhum constrangimento ao deputado. Isso porque o que se expressa é o crescimento de uma cultura autoritária. O Bolsonaro se torna, nesse caldo, realmente o ícone dos manifestantes: um "mito", como foi chamado pelos seus espectadores de hoje. Uma figura medíocre e perigosa, que propõe o justiçamento como método e defende a intervenção dos militares, como pediam as faixas que circulavam nas ruas. Bolsonaro é o que tem de pior na sociedade, representando as políticas ultra-reacionárias contra as liberdades civis, a soberania nacional e os direitos de trabalhadores e jovens pobres.

As pessoas que foram às ruas hoje não expulsaram o Bolsonaro, e isso é o mais sintomático, pois ele é o espelho de suas consciências. Estamos diante ao ovo da serpente e a democracia está em por um fio.

André Castelo Branco Machado

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015


A justificativa para o golpe que destituiu o então presidente de Honduras, Manuel Zelaya, em 2009, foi ter convocado um plebiscito popular para decidir sobre uma Assembleia Constituinte. A oposição, com apoio da Suprema Corte, o acusou de crime contra a pátria.
No Paraguai, o motivo da deposição de Lugo, em 2012, que ocorreu em 24 horas no parlamento, foi o de má administração, após um conflito armado pelo empresário Blás Riquelme e opositores colorados para gerar um banho de sangue de policiais e camponeses na região de Curuguaty.
Três elementos são importantes nesses casos, que precisamos ter atenção:
1) Não houve sequer possibilidade de defesa aos presidentes e os parlamentos agiram sumariamente (em Honduras forjaram, inclusive, uma carta de renúncia de Zelaya), violentando princípios constitucionais dessas nações.
2) A motivação real do golpe, em ambos os casos, foi estritamente política, após uma propaganda sistemática de desmoralização dos presidentes na opinião publicada pela grande mídia e uma maioria opositora no parlamento.
3) Os presidentes foram destituídos com efetivo apoio de partidos governistas, assumindo em seus lugares supostos aliados dos presidentes depostos.

O Brasil não é Honduras ou o Paraguai, mas precisamos ter a consciência que também temos uma oposição que não tem qualquer apego à democracia e aliados governistas (PMDB, em especial) bem disponíveis para o golpe.

André Castelo Branco Machado

sábado, 12 de dezembro de 2015

Enquanto a "pedalada" da Dilma foi adiantando créditos de bancos públicos para pagar direitos sociais, os quais foram devidamente devolvidos, as tais "pedaladas" do Richa e do Fruet são com a apropriação dos recursos previdenciários dos trabalhadores, sem qualquer previsão de devolução. São coisas diferentes, enquanto o governo federal assume sua responsabilidade social ao bancar o risco com suas pedaladas, os nossos governos estadual e municipal demonstram toda sua irresponsabilidade com o futuro de milhares de famílias.
Esses fundos não vão aguentar. Deixar de contribuir hoje, como faz o Fruet, ou sacar recursos, como fez o Richa, é uma tremenda sacanagem e um verdadeiro crime contra a população, porque seremos nós que teremos que pagar essa conta daqui a alguns anos.



 André Castelo Branco Machado via Sismuc Sindicato