sábado, 10 de junho de 2017

Depois da implosão das grandes religiões institucionalizadas

Depois da implosão das grandes religiões institucionalizadas, restou-nos a autoajuda, a religião do capitalismo tardio, o simulacro religioso da pós-modernidade. Aqui não há opressão (nenhum faraó a ser vencido, nenhuma Babilônia a ser derrubada), nem mesmo pecado (pois se houvesse havia o risco de se atribuí-lo aos detentores do capital). Aqui há só que mentalizar de maneira correta e dizer as palavras certas -- e a portas do sucesso (profissional, financeiro, sexual) se abrirão de par em par para você. Há nessa nova religião algumas palavras-chave: foco, empreendedorismo e uma série de termos em inglês, o latim litúrgico do novo rito. Se o calvinismo, segundo Max Weber, foi a religião da aurora do capitalismo, a autoajuda é seu sucedâneo nesses tempos de decadência hipermoderna. Nada de virtude, nada de morigeração, nada de sacrifícios. O paraíso é agora. O céu está ao alcance de um clique. Basta mudar sua forma de pensar e de falar. E se não der certo? Aí azar o seu, meu irmão. Também não há misericórdia nessa religião. Nem purgatório. Só o inferno dos derrotados.

Otto Leopoldo Winck


ELEMENTAR MEU CARO WATSON, FRAUDE EXPLICA...

"Já repararam um " fenômeno" que ocorre no nosso judiciário que é a "genialidade" dos filhos de magistrados e procuradores de se perpetuar nas tetas da viúva em que pese os dificílimos concursos que não justifica a existência de tantas antas e jumentos lá dentro?
Porém como não existe controle externo desse poder monstruoso tranquilamente gabaritos ou números de matrículas privilegiados são aquinhoados para perpetrarem seus domínios desse poder aparentemente impune e inimputável de poucos e perpétuos donos.
As provas que eu tenho disso? Ora são bem mais robustas que as do Dallagnol contra o Lula no caso do triplex, são convicções extremas de domínio público e de amplo conhecimento que só a fraude explica tamanha sapiência hereditária como as capitanias."

Rubens Rubem Gonzalez
Temer o STJ
Temer o MP
Temer a mídia
Temer o silêncio da maioria
Temer o Temer


atw

O povo brasileiro é em sua maioria generoso e cordial

"O povo brasileiro é em sua maioria generoso e cordial. Violenta e repressiva é a elite brasileira. Sempre que ocorre algum avanço na base popular em termos de consciência de direitos e de busca de maior participação política, ocorre um golpe das oligarquias que colocam o povo no seu lugar, quer dizer, na marginalidade. Se não houver uma transformação nas estruturas econômicas e sociais que gerem um maior equilíbrio, jamais teremos paz social."
Leonardo Boff, via Roberto Pereira

Clóvis Manfrini Souto Calado ________________Discordo totalmente. A maioria do povo é conservador extremo e tende a repetir a truculência e violência da elite que a domina. Vamos parar de ignorar que hoje 1/5 da população, o que é muita gente, se identifica com o fascismo tupiniquim de Bolsonaro (e outros) e são conscientes disso. Essa mesma maioria sustentava conscientemente a Ditadura Militar que só caiu quando o bolso dessa maioria começou a esvaziar. Não criemos ilusões. Se um dia tivermos uma Revolução Social, vai faltar bala para aniquilar tanto/a filho/a da puta...

Otto Leopoldo Winck ______________________Até que ponto o povo é assim ou ficou assim por conta da lavagem diária da mídia e do massacre de uma sociedade do capitalismo arcaico?... Com a reposta os sociólogos e historiadores.

Clóvis Manfrini Souto Calado _________________Otto Leopoldo Winck Vejo mais como problemas na origem mesmo. Nós já começamos e continuamos com uma estrutura arcaica, medieval, principalmente o poder que o grande latifúndio ainda exerce, algo que países que romperam com o atraso no campo, reforma agrária por exemplo, conseguiram avançar e diminuir o conservadorismo. Mesmo a extrema-direita nos países desenvolvidos é mais avançada ideologicamente que nossa extrema-direita que elege um palhaço (Bolsonaro) como representante forte.

Otto Leopoldo Winck __________________Clóvis: sim, nem pela revolução burguesa passamos inteiramente. Nossa estrutura ainda é é semi-feudal. Nunca tivemos nem uma revolução meia-boca: tal não foi a Independência, nem a República. O mais perto de uma revolução (burguesa) foi a Revolução de 30, cujos modestos avanços estão sendo desmontados agora.


Clóvis Manfrini Souto Calado ______________Otto Leopoldo Winck Sim, mas a etapa próxima é a revolução das classes trabalhadoras (campo e cidade) e setores progressistas, hegemonizada pelos trabalhadores, para desenvolver esse país de fato e alicerçando para o socialismo. A burguesia já liderou vários processos reformistas e só tornaram o país mais desigual e atrasado, agora precisam sair de cena e deixar o protagonismo para as classes que citei. Quanto mais adiamos essa revolução que livraria de vez o Brasil dos resquícios feudais e coloniais, mais nos afundamos enquanto país e civilização.

Só dois países mantêm-se ativos na resistência contra a hegemonia mundial de Washington: Rússia e China. Dos dois, a Rússia é vista como maior obstáculo ao unilateralismo dos EUA.
A Europa depende da energia russa, e os sistemas de armas nucleares russas são avançadíssimos.
O fato de que a soberania nacional russa dependa tanto da liderança de Putin faz da Rússia o ponto mais frágil e mais vulnerável à intriga construída e fomentada em Washington.
Putin pode ser removido por assassinato.
Diferente é o caso da China, cuja liderança é coletiva.
Claro que há democracia no partido político que governa a China – e se governo democrático coletivo não servisse para mais nada, já seria valiosíssimo só por isso: os bancos podem derrubar quantos governos queiram, e ainda assim alguma força democrática pode resistir e insistir em governar a favor dos cidadãos.
Para desqualificar todo o partido governante chinês, Washington conta com o serviço de organizações financiadas pelos EUA, que operam dentro da China para essa específica finalidade.
Washington está arrastando o mundo para um grande conflito.
A essa altura os governos russo e chinês já sabem que estão sob a mira.
E Washington e Europa continuam a rejeitar cada tentativa diplomática de russos e chineses.
Não falta muito para que se rendam à conclusão de que não lhes resta outra saída que não seja guerra."

PAUL CRAIG ROBERTS, via Rodrigo Jardim Rombauer



A democracia ocidental se sustenta na crença em três pilares: eleições livres, imprensa livre e mercados livres. Ou seja: é uma crença que não se ampara em nenhuma evidência, já que todos sabemos que, aqui ou nos States, quem dá as cartas é o poder econômico. Na falta de razoabilidade, só o fundamentalismo declaratório segura essa crença.

Otto Leopoldo Winck

O SISTEMA DE TODOS OS MALES


Dentro da lógica do nosso sistema econômico, cada indivíduo representa uma determinada "força de trabalho". Essa força de trabalho deve atender às necessidades do mercado. Como esse mercado é heterogêneo, necessita de diferentes tipos de forças de trabalho.
Essa pluralidade, no fim, acaba desaguando em uma singularidade: a troca de qualquer força de trabalho por dinheiro. Dessa forma, toda e qualquer força de trabalho, dentro desse sistema econômico é, a rigor, uma mercadoria.

Assim, a princípio, esse sistema não vê qualquer diferença sobre quem são os indivíduos concretos (reais) que detém as diversas forças de trabalho. Se essa força de trabalho é de uma mulher, de um homem, de uma criança, de um holandês, de um cristãos, de um islâmico, de um cidadão, de um imigrante... nada disso importa...

O que importa para o sistema produtor de mercadorias é que esse indivíduo seja capaz de entregar essa determinada força de trabalho para os produtores de mercadorias.
Mas... Como acabou de ser colocado, apenas "a princípio" esse sistema não vê qualquer diferença. A realidade é que esse sistema não é cego e possui total interesse em desvalorizar a força de trabalho em geral.

Como a força de trabalho se comporta de forma análoga a uma mercadoria, a ideia é sempre tê-la em abundância, de modo que o seu preço caia pela clássica "lei da oferta e procura". Assim, enquanto esse sistema econômico existir, é importante que haja força de trabalho ociosa, o que chamamos comumente de desemprego.

Além disso, o sistema está atento às chamadas "depreciações históricas" da força de trabalho. Uma mulher pode produzir tanto quanto um homem, mas ainda assim sua força de trabalho é, em geral, mais barata devido aos preconceitos historicamente determinados.

O mesmo ocorre com os negros, os imigrantes, as minorias, etc. Assim, a esse sistema econômico, a continuidade do machismo e dos preconceitos em geral (antigos e novos) são de seu absoluto interesse, pois atendem ao processo geral de depreciação do valor da força de trabalho.
Chegamos aqui a dois fenômenos que sempre existirão enquanto existir esse sistema econômico produtor de mercadorias: desemprego e preconceito.

Parte dos indivíduos acreditam que ambos os fenômenos são "naturais" e "insuperáveis". São os indivíduos "sistematizados". Entretanto, há indivíduos que discordam e lutam para que esses dois fenômenos sejam superados em nossa sociedade. Essas lutas são "autorizadas" pelo sistema, desde que se travem dentro da lógica do próprio sistema. Vejamos.

Se em um determinado país os salários dos homens são superiores ao das mulheres (por um mesmo trabalho) é absolutamente interessante ao sistema uma luta pela igualdade salarial, desde que essa luta resulte em salários menores aos homens, isto é, uma igualdade nivelada por baixo.

Ao longo dessa luta também interessa ao sistema o foco exclusivo na desigualdade entre homens e mulheres (isto é, na desigualdade de gênero) ignorando-se completamente a igualdade de ambos como explorados (ainda que em níveis diferentes).

A luta pela igualdade de direitos civis também é permitida, desde que não atinja as bases da lógica de depreciação da força de trabalho. Nos países onde a igualdade social transcendeu os interesses do sistema, é importante se criar uma política militante e universal para destruir essa igualdade, ressuscitando antigas divisões e criando novos sentimentos de ódio e repugnância ao outro.

Não por acaso, todos os países onde a igualdade e os direitos civis são mais avançados, se encontram hoje sob a ameaça de ataques terroristas que possuem como efeito a desagregação do tecido social que antes beneficiava a todos.

Dessa forma, podemos observar que divisões culturalistas, divisões de gênero e a produção de uma sociedade aterrorizada pelo medo daqueles que são "diferentes", em especial os imigrantes, atende aos interesse do sistema produtor de mercadorias.

Um sistema que produz desemprego, preconceitos, divisões, medo e ódio entre todos os que vivem dentro dele poderia ter vários nomes: "sistema desumanizador", "sistema do ódio", "sistema da destruição"... enfim... fica a cargo de quem quiser, nomear esse sistema da maneira que lhe convir...

Seu nome de batismo é, entretanto, "sistema capitalista de produção". Não é possível afirmar que a luta contra esse sistema ocorrerá de forma efetiva e assertiva. A única coisa possível de se afirmar é que o seu combate e superação é uma necessidade histórica.


Carlos D’Incao
Otto Leopoldo Winck
-- Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel... É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.
-- Com o Supremo, com tudo...
-- É, delimitava onde está, pronto."

Salvo alguns pontos fora da curva, o roteiro do Golpe segue intacto.

O modelo brasileiro de desenvolvimento da última década ia bem obrigado.

"O modelo brasileiro de desenvolvimento da última década ia bem obrigado.
Um conjunto de programas econômicos e sociais, como a elevação do salário mínimo, ampliação das aposentadorias, transferências para as famílias mais pobres, expansão da educação e dos serviços de saúde, amplos investimentos em infraestruturas e outros programas ampliaram a demanda para as empresas, o que por sua vez, além de gerar produtos, gerou mais de 10 milhões de empregos formais, ampliando ainda mais a demanda – levando ao chamado “círculo virtuoso” de crescimento: dinamizou-se a economia, ao mesmo tempo que se respondia às necessidades reais da população, priorizando quem mais precisa.
E como uma economia mais dinâmica gera mais recursos públicos, foi possível equilibrar o financiamento do conjunto, inclusive as políticas sociais e redistributivas.
Este esquema funciona, e não somente aqui.
Funcionou na Coreia do Sul que realizou um milagre com forte participação estatal nos investimentos e redução da desigualdade, como funcionou também nos “30 anos de ouro” do pós-guerra na Europa da socialdemocracia, e nos EUA do New Deal, até ser travado nos anos 1980 pela onda ideológica neoliberal.
O mais importante que temos de entender é que a economia deve sim responder às necessidades da população, e o Estado deve ser um articulador importante.
Mas a apropriação privada da política travou o sistema."

LADISLAU DOWBOR, via Rodrigo Jardim Rombauer
A decisão do TSE só aumenta o descrédito. Não acredito que ainda haja pessoas que dizem que "as instituições funcionam".
A comparação de Gilmar Mendes a Pôncio Pilatos - feita em tom de elogio - só aumenta a percepção de que ha um abismo entre essas pessoas e a sociedade brasileira. A melhor coisa a dizer sobre Pilatos é que ele lavou as mãos. A melhor.
Nosso tipo de democracia dá muita importância às instituições. Embora a Constituição de 1988 diga que além da representação há também a democracia direta, esta última mal foi testada. E os últimos meses marcam o triunfo das instituições sobre a vontade popular.
Mas, se elas ficam contra a vontade popular, seu descrédito só faz crescer. Parece que isso não incomoda quem se beneficia disso. Mas incomoda muito o Pais. Introduz um elemento de decepção. Na melhor das hipoteses, ficaremos blasês. Na pior, Berlusconi vem aí!!

Renato Janine da Fonseca


sexta-feira, 9 de junho de 2017

Guerra de classes



Não há dúvidas de que adentramos uma quadra histórica marcada pela guerra da burguesia contra o povo pobre e trabalhador.

Publicado em 09/06/2017

Por Ruy Braga.

Enquanto o julgamento da chapa Dilma-Temer desenrola-se no Tribunal Superior Eleitoral, o governo golpista faz de tudo para avançar com a contrarreforma trabalhista nas comissões que avaliam o mérito das propostas no Senado Federal. Aparentemente desconectados, tratam-se de dois debates intimamente ligados. Não é segredo que a sobrevivência do governo depende da aprovação das contrarreformas trabalhista e previdenciária em curso. A natureza do golpe parlamentar de 2016 revela-se muito mais na pilhagem aos direitos dos trabalhadores do que na tentativa de políticos acuados pela operação Lava Jato de livrarem-se da cadeia.

Afinal, caso não demonstre plena operacionalidade na aprovação das contrarreformas, o governo Temer não terá servido ao seu propósito original: promover o ajuste estrutural da economia brasileira no sentido de consolidar um regime de acumulação por espoliação no país. Eis a razão, mesmo diante da profundidade da crise política que assola Brasília, dos parlamentares preferirem avançar com a votação da contrarreforma. O interesse das empresas deve ser assegurado a qualquer custo, ainda que as medidas em trâmite no Congresso conduzam o país de volta ao século XIX.

Foram mais de cem alterações na CLT. O pacote de maldades contra o trabalhador brasileiro é muito grande pra ser detalhado neste espaço. No entanto, do ponto de vista da essência do projeto, isto é, a dominância do negociado sobre o legislado, é importante destacar que dos cerca de 13.000 sindicatos atuantes no setor privado existentes hoje no país, a esmagadora maioria funciona como uma espécie de fiscal da CLT, pois, simplesmente não tem condições de negociar com as empresas benefícios reais para os trabalhadores.
Neste contexto, afirmar a dominância do negociado significa eliminar, em termos práticos, muitas conquistas históricas da classe trabalhadora brasileira. O avanço da mercantilização do trabalhador levará, fatalmente, ao aumento da insegurança das próprias relações trabalhistas. Afinal, imaginem o que não aconteceria se, subitamente, os trabalhadores representados por um sindicato inexpressivo percebessem que seus representantes assinaram um acordo que, em termos práticos, acabará com o décimo terceiro salário, etc. A aprovação da contrarreforma criará uma situação potencialmente explosiva no país, com um compreensível aumento da violência nas relações de trabalho.

Em relação à flexibilização da jornada, o grande risco é a generalização do trabalho intermitente com a multiplicação daquilo que na Europa é chamado de “mini job”. O trabalhador fica em casa esperando receber uma mensagem de texto do empregador dizendo onde e quando ele deve se apresentar para o trabalho. Assim, o trabalhador permanece totalmente à mercê das flutuações da demanda e sem nenhuma previsão de quanto receberá no fim do mês, tendo em vista que o empregador paga apenas pelo tempo efetivamente trabalhado. Trata-se de um retrocesso que nos remete aos primórdios do capitalismo, quando a forma típica de remuneração era exatamente o salário por peça produzida pelo operário.

Além disso, as formas precárias de contratação, normalmente associadas aos contratos terceirizados para os trabalhadores subalternos e ao chamado “pejotismo” para os quadros mais qualificados, deverão se banalizar em um futuro próximo. Em suma, todos perdem renda e têm sua carga de trabalho aumentada. Jornadas mais longas e salários menores: os empresários desejam impor aos trabalhadores um verdadeiro desmanche do sistema de proteção do trabalho. Assim, além dos ganhos imediatos em termos de espoliação dos rendimentos do trabalho, os empresários buscam alcançar outro objetivo igualmente importante: deslegitimar as formas de reivindicação historicamente criadas pelos trabalhadores em seu processo de construção classista.

Quando nos referimos à CLT, estamos falando sobre um momento decisivo de um longo ciclo de mobilizações dos grupos subalternos brasileiros que, em termos globais, vai da Greve Geral de junho-julho de 1917, até meados dos anos 1930, com a mal sucedida insurreição comunista contra a ditadura do Estado Novo. A promulgação da CLT coroou este ciclo por meio de uma série de concessões materiais aos trabalhadores e que foram estratégicas para o esforço industrializante do país. Além disso, a legislação trabalhista delimitou, pela primeira vez na história brasileira, um espaço de conflitos políticos reconhecido como legítimo para as classes subalternas. Em outras palavras, por meio da mobilização pela efetivação dos direitos trabalhistas, existentes na forma da lei, mas ausentes na realidade das empresas, os subalternos apropriaram-se de uma gramática política que foi largamente empregada nas lutas sociais dos anos 1950, 1960 e 1970. Isso sem mencionar a influência desta dinâmica coletiva na conquista dos direitos sociais universais garantidos pela Constituição de 1988.

Neste sentido, o atual desmanche da CLT faz parte de uma ampla reação antipopular cujo vértice consiste em deslegitimar as lutas sociais no país a fim de aprofundar a exploração e a dominação dos trabalhadores. E caso a contrarreforma trabalhista seja aprovada, os golpistas sepultarão um século de lutas sociais em benefício de uma cidadania salarial inclusiva. Nesse contexto, os trabalhadores pagarão o pato da crise por meio da evaporação dos rendimentos e da ampliação das jornadas de trabalho. A desigualdade social vai aumentar, minando as bases da retomada do crescimento econômico. Não há dúvidas de que adentramos uma quadra histórica marcada pela guerra da burguesia contra o povo pobre e trabalhador.

Cenário de guerra em Brasília durante o ato que reuniu 150 mil manifestantes pela saída imediata de Michel Temer da presidência, eleições diretas já e o fim das reformas previdenciária e trabalhista. Foto: Mídia Ninja.

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Ruy Braga, professor do Departamento de Sociologia da USP e ex-diretor do Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania (Cenedic) da USP, é autor, entre outros livros, de Por uma sociologia pública (Alameda, 2009), em coautoria com Michael Burawoy, e A nostalgia do fordismo: modernização e crise na teoria da sociedade salarial (Xama, 2003). Na Boitempo, coorganizou as coletâneas de ensaios Infoproletários – Degradação real do trabalho virtual (com Ricardo Antunes, 2009) e Hegemonia às avessas (com Francisco de Oliveira e Cibele Rizek, 2010), sobre a hegemonia lulista, tema abordado em seu mais novo livro, A política do precariado: do populismo à hegemonia lulista. É também um dos autores dos livros de intervenção Cidades rebeldes: Passe Livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil (Boitempo, Carta Maior, 2013) e Por que gritamos golpe? Para entender o impeachment e a crise política no Brasil (Boitempo, 2016). A Boitempo prepara para 2017 o lançamento de mais novo livro A rebeldia do precariado. Colabora para o Blog da Boitempo mensalmente, às segundas.
Fonte : blog da boitempo


Complexo de vira-lata. O incrível nas eleições britânicas, além dos poucos partidos, do voto facultativo e da ausência de urnas eletrônicas, é que os candidatos ouvem a aclamação dos resultados uns ao lado dos outros e os perdedores congratulam os vencedores da apuração nos distritos. Um dia eles chegarão ao nível do Brasil, com urnas eletrônicas, voto obrigatório e um "presidencialismo de coalizão" onde o sentido de lealdade à Nação e o respeito mútuo entre os concorrente predominam...

Sérgio Braga

Ainda bem que são contra as oligarquias familiares !

Vocês sabiam que o Ministro do STJ, atual destaque como relator da ação contra a chapa Dilma-Temer no TSE, Antonio Herman de Vasconcellos e Benjamin é primo do Senador José Agripinio Maia (DEM), de Lavoisier Maia e do atual Presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia ? São parentes pela poderosa oligarquia familiar Maia, da Paraíba e Rio Grande do Norte ! Consultem a tese e o livro do Marciano Monteiro_A Política como Negócio de Família. Antonio Herman é filho do médico Antonio Benjamin Filho e Iracema Fernandes Maia, neto materno de João Sérgio Maia (1907 - 1984), desembargador do Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba, presidente do Tribunal Regional Eleitoral. Antonio Herman se formou em direito pela UFRJ e foi do MP do Estado de São Paulo. Ainda bem que são contra as oligarquias familiares !

RCO
Não quero ser estraga-festa de ninguém mas, se a experiência do governo Dilma serve para alguma coisa, ela nos ensina que o impedimento é um processo incremental cheio de idas e vindas, e que são necessários pelos menos os seguintes elementos para um impeachment ser bem-sucedido: (i) crise ou desaceleração econômica; (ii) oposição da grande mídia; (iii) grandes manifestações populares nos centros urbanos; (iv) manifestações contrárias do grosso do empresariado; (v) fuga em massa dos partidos da base governista, especialmente do centro fisiológico (PMDB, PSD, PP etc.); (vi) o cometimento de uma besteira monumental na articulação política do governo, ou a impossibilidade de entabular negociações críveis com o político mediano no sentido amplo do termo. Até agora, só observei duas dessas condições. Portanto, a expectativa é de prolongada agonia pela frente. A ver...

Sérgio Braga
Diz a lenda que Karol Woltijla foi escolhido papa por ser o único cardeal a realmente acreditar em Deus. Por aqui, estamos todos em busca de um político honesto e que não tenha recebido doação eleitoral via Caixa 2 para suceder Temer, numa eventual eleição indireta. Quem sabe o Tiririca. Pelo menos é garantia de que a coisa não pode piorar ainda mais.

Sérgio Braga

Lembrai-vos da República de Weimar

Sérgio Braga___________De te Fabula narratur. Lembrai-vos da República de Weimar: todos achavam que Hitler não chegaria ao poder porque seus argumentos eram muito primários e ele não passava de um austríaco provinciano e de poucas luzes, incompatível com a democracia de um país culto e de tradições cívicas e intelectuais como a Alemanha.... isto posto, considero que argumentos excessivamente intelectualizados e citações eruditas para mostrar que um procurador da República não sabe exatamente do que está falando quando cita Maquiavel, podem ter um efeito exatamente inverso ao pretendido, no atual contexto brasileiro. Chucro ou não, provinciano ou não, o fato é que o procurador tocou num problema que cala fundo na imensa maioria da opinião pública brasileira: a corrupção. Se o sistema político e os partidos de esquerda não derem respostam imediatas e contundentes a este problema, a crise persistirá. Sugiro que sigam o exemplo do Magnífico Reitor da UFPR: perante acusações de corrupção, conduções coercitivas e todo o circo armado pela autoridades investigativas, imediatamente convocou uma entrevista coletiva e mandou investigar e punir os responsáveis, além de anunciar uma série de medidas moralizantes para a instituição. Mutatis mutandis, penso que mais do que discutir Maquiavel e efetuar exibições desnecessárias de erudição, nossos políticos deveriam anunciar um pacote de medidas moralizantes para melhorar a qualidade da democracia brasileira e garantir eleições gerais limpas o mais breve possível... Certamente não faltarão cientistas políticos eruditos e honestos para colaborar com as autoridades competentes neste quesito específico.

Dennison de Oliveira_______________Lembrai-vos da República de Weimar: todos achavam que Hitler não chegaria ao poder mas no parlamentarismo imperial deles Hindenburg  topou convidar um cara que tinha menos de um terço dos votos na ultima eleição e muito menos votos que teve na eleição anterior para formar um desgoverno de colisão desde que o sujeito de bigodinho ridículo topasse mandar os deputados dele obstruir a CPI do crédito agrícola onde o próprio presidente-imperator e seus amiguinhos latifundiários do agronegócio prussiano estavam envolvidos com desvio de verbas públicas e, neste caso, vale a pena notar o caráter criminal da crise (de Weimar e nossa)


Só há um inconveniente em ser jovem: é que muitas coisas que eram óbvias para as gerações antigas, passam a ser grandes novidades para os que chegam. Pelo menos a idade nos faz poupar tempo e evitar alguns falsos problemas...

Sérgio Braga

O julgamento da chapa presidencial de 2014 no TSE

O julgamento da chapa presidencial de 2014 no TSE somente agora, motivado pelo mesmo Aécio da mala de dinheiro para encher o saco de todos nós, é um julgamento extemporâneo e só pode ser mais uma peça do teatro do absurdo. Ainda bem que a nossa cultura elaborou léxicos adequados para entendermos os atores e o espírito da coisa, como retórica barroca, práxis de rábulas e esforço de meirinhos politiqueiros. Não se deve resolver a crise por lá mesmo porque teriam que aplicar a mesma régua a todas as candidaturas do sistema de financiamento partidário anteriormente existentes. A novidade é que o baixo clero do PSDB quer mesmo rifar Temer porque ainda precisarão de votos e capitais eleitorais, necessariamente se distanciando do desastre do desgoverno golpista, o que aprofunda a crise político-moral no bloco no poder. Se Janot tiver a mínima capacidade de escolher qualquer uma das inúmeras ilegalidades de Temer e a PGR finalmente enviar para a Câmara votar, a casa do golpista Temer finalmente desabará em mais uma ação do poder legislativo do que nesse poder judiciário sócio e protagonista do teatro do absurdo dos golpistas.

RCO
Para entendermos o que está acontecendo, é preciso trazer ao pé da letra a ideia de Walter Benjamin, segundo o qual o capitalismo é, realmente, uma religião, e a mais feroz, implacável e irracional religião que jamais existiu, porque não conhece nem redenção nem trégua. Ela celebra um culto ininterrupto cuja liturgia é o trabalho e cujo objeto é o dinheiro. Deus não morreu, ele se tornou Dinheiro. O Banco - com os seus cinzentos funcionários e especialistas - assumiu o lugar da igreja e dos seus padres e, governando o crédito (até mesmo o dos Estados, que docilmente abdicaram de sua soberania), manipula e gere a fé - a escassa, incerta confiança - que o nosso tempo ainda traz consigo

GIORGIO AGAMBEN
Antigamente quando o sujeito vinha com um discurso muito agressivo e radical em resposta a algum evento desagradável ou argumentação se dizia que o sujeito "acusou o golpe". O que significava que a agressividade era muitas vezes sinal de fraqueza ou ausência de argumentos substantivos para defender um ponto de vista. Hoje em dia, a agressividade anda tão difundida que já não se sabe mais o que ela revela ou deixa de revelar.

Sérgio Braga

terça-feira, 6 de junho de 2017

"O verdadeiro shopping center das camadas médias brasileiras sempre foi o mercado de trabalho. A abundância de mão de obra barata lhes garantia privilégios inexistentes no núcleo duro do sistema. A empregada barata, a babá barata, o motorista barato. Serviços domésticos em quantidade eram a grande compensação pela falta de serviços públicos de qualidade". 

Por Fernando Haddad.

"Se nada der certo" revela apenas a normatividade do "habitus de classe"

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"Se nada der certo" revela apenas a normatividade do "habitus de classe". Eu estudei no Marista de Brasília e nas minhas aulas ainda hoje comento um dos "choques culturais", quando eu fiz o mestrado em Londres e quem atendia no pub e na cantina universitária eram os próprios estudantes. Mais uma vez nossas raízes do "Antigo Regime" senhorial e escravocrata sempre rebaixam o trabalho, categoria central da sociologia, aos grupos subalternos, periféricos, estrangeiros e inferiores, o que deve sempre ser passado a cada nova geração e a cada nova família ascendente. Todos esses tipos bem sucedidos estereotipados já estavam na minha época do Marista de Brasília. O Renato Russo já reclamava por lá do filho de políticos e aproveitador da sua turma, o Geddel Vieira Lima. O Beto Richa estudava na turma mais nova da minha classe. Quantos políticos, empresários, juízes, executivos, altos funcionários públicos e privados formaram o seu "habitus de classe" nessa mesma visão arcaica de mundo social e político. O problema é que o Brasil continua dando certo "apenas" para essa classe dominante encastelada no poder pelos golpes e falcatruas, gente que nunca estudou nada a sério, nunca escreveram, pesquisaram, produziram, construíram ou trabalharam nada de essencial, significativo e importante, afora as tradicionais enganações do establishment, da mídia, do sistema judicial, das forças da insegurança armada, das politicagens, chicanas, negociatas, honorários, jetons e roubos pura e simplesmente de uma nação inteira de trabalhadores alienados desses processos sociais e políticos reproduzidos desde a educação.



 Ricardo Costa de Oliveira

domingo, 4 de junho de 2017


Sabe o problema? Eu acho que tem gente que não se percebe no mundo, não se localiza.
Acha que tá num grupo e tá em outro, falta posicionamento de cena mesmo.

João Doria é um cara elitista porque é da elite, entendem? João Doria governa pra elite, e por isso faz um governo estético. Porque rico gosta é de estética. Cês já viram banheiro de rico? É bonito demais. O banheiro. É nesse nível de preocupação estética que a elite chega: em gastar o valor de uma casa inteira num banheiro que, muitas vezes, tem o tamanho de uma casa inteira.

Aí o Doria fez uma campanha puramente estética, e faz uma gestão puramente estética, ele se veste de povo no melhor estilo do "quanto vale ou é por quilo?", porque a elite gosta de povo no marketing, só no marketing. E Doria entende de marketing. Mas governar, governar mesmo ele faz pra quem não gosta de povo, mas gosta de muro verde.

O problema, e aí vem o problema, são as pessoas não sabendo se localizar. As pessoas tem dificuldade de entender que elas não tão no mesmo grupo do João Doria, e dificilmente estarão algum dia.

Pra entender, eu cresci na periferia de Curitiba num condomínio da Cohab, cês sabem o que isso significa? Eram apartamentos de 47m², com três quartos e 1 banheiro. Galera não morava sozinha lá não, não era "kitchenette", era apezão mesmo, de morar a família toda e o cachorro. (Falei que tem banheiro de rico que é do tamanho de uma casa inteira, né?)

Era o bairro com a maior quantidade de favelas da cidade.

E aí entra o problema: a galera dos prédios achava que tava muito distante da favela. Mas muito. Que na favela tinha vagabundo, que eles que tavam ali no apartamentão com os dogs vacinados e alimentados eram tão mais merecedores do mundo, porque se esforçavam. Porque não se envolviam com droga. Tinham vizinhos que se envolviam, tiveram uns que morreram até por isso, aliás, morreram eles - "mas foi se meter onde não devia, não é? Saiu dessa vida honesta que garantiu a todos ali um apezinho da Cohab, se meteu na bandidagem, e aí não quer morrer? Não é?!"

E o que separava a gente ali no apê da favela da rua do lado, muitas vezes, era ter chego antes na fila da Cohab, só isso. Mera fatalidade. Da mesma forma que o que separava nós, cidadãos de bem, dos que "se meteram com a bandidagem" foi uma sequência de acasos tão fora do nosso controle que chega a ser ridículo chamar isso de mérito, de escolha, de valor, do que você quiser chamar pra se sentir melhor que os outros.

É preciso muito pouco pras pessoas se sentirem mais merecedoras de dignidade que as outras, mas muito pouco. Uma rua de distância e um ap de 47m² financiado pela Caixa em mais prestações do que a gente vai viver pra pagar.
Ou um salário que permita pagar aquela viagenzinha pro exterior em 10x.
É só isso que precisa pra galera começar a se sentir mais perto da high society que da periferia onde vive.
Pra galera se solidarizar mais com a preocupação estética dos ricos que com o sofrimento dos vizinhos, mais com um mercado financeiro que sequer entende como funciona que com o almoço do cara da casa da frente. É só isso, é esse pouquinho, nada além.

E se ali na rua da frente a coisa já é assim, imagina quando você vai pra um bairro mais classe-média-que-se-acha-alta, imagina! Eu namorei um cara desses bairros, ele era muito legal, de verdade mesmo, mas morava num apartamento que dava 5 do meu, com mais quarto que gente, e o resto da família reclamava tanto da vida, da política, da pobreza em que estavam vivendo, do custo de manter 3 carros, reclamavam de ele ir na minha casa porque a vizinhança era feia (até isso a gente tem que ouvir), senhor, como reclamavam. Foi na casa dele que ouvi que eu só era de esquerda porque era muito jovem e não sabia do que tava falando. Pois é.

Hoje, por uma sequência de fatalidades outras e de filas em que eu cheguei primeiro, eu moro num bairro da classe-média-que-pensa-que-é-alta paulistana e você vê a superioridade escorrendo no hall de mármore. Você vê. E mesmo a família daquele ex-namorado, mesmo meus vizinhos de agora, mesmo todos eles, tão longe da alta sociedade com a qual solidarizam. Mesmo eles.

Porque o que coloca a maioria de nós nesse mar de privilégios que a gente vive são acasos, nada além de acasos.

Nós não estamos no grupinho do João Doria. Somos meros assalariados, ou, no máximo, autônomos e pequenos empresários - bela autonomia. Não tô diminuindo isso que vivemos não, muita gente daria os órgãos pra estar onde estamos. O que tô dizendo é que nós não estamos do lado daqueles que controlam 52% do PIB nacional, nem nunca estaremos.

O sucesso de caras como João Doria vem de fazer parte de nós acreditar que nós só não somos da elite por falta de oportunidade, porque "os governos de esquerda ficam usando o nosso dinheiro pra sustentar vagabundo". Cara! Cara! Sério! Vocês acreditam mesmo nisso?

O sucesso de um cara como João Doria vem de você acreditar que com muito esforço você um dia vai ter um banheiro de 47m² - o que pode até ser que um dia você tenha mesmo - e, aí é o pior, de fazer você acreditar que isso é verdadeiramente um indicativo de sucesso na vida.

E acreditando nisso e vendo o mundo com os olhos do patrão que você não é - ainda que patrão você seja - você começa a ficar do lado de uma elite que compra teu vizinho pobre pra fazer comercial pra você acreditar que você não é igual seu vizinho, que você é melhor que ele, e que só não é ainda melhor porque tem alguém usando seu valioso dinheiro pra sustentar seu vizinho e impedir que seu vizinho rompa as amarras da vagabundagem e um dia seja tão bom quanto você. Mas veja só: eles tão falando do seu vizinho ainda assim.

E começa a defender medidas puramente estéticas porque na falta de um banheiro bonito você quer, ao menos, uma rua bonita, sem aquele pobre feio, sem aquela periferia suja, sem seu vizinho.

Começa a defender um prefeito que manda demolir uma casa com gente dentro. Uma casa. Com gente dentro.
Isso não te choca? Porque deveria.
Era uma casa e tinham pessoas lá dentro. Não foi um acidente, não vamos tratar isso como um "ops, tinha gente mesmo, que coisa, mas acontece, bola pra frente...", né?

Eu não tô falando que sei a resposta pro problema das drogas, da população de rua, da população em qualquer situação de vulnerabilidade.

Mas não existe nenhuma corrente, nenhum estudo, nenhum tipo de raciocínio lógico (ou minimamente humano) que nos leve a acreditar que sair atirando em gente e demolir uma casa com gente dentro é uma resposta razoável pra qualquer problema.

A única coisa que faz uma pessoa ver alguma via de defesa dessa ação, uma mínima via de defesa de uma pessoa que autoriza isso, de ficar do lado de um prefeito que já se mostrou ser altamente higienista e pouco preocupado com a efetividade de suas medidas, é a vontade de ter um lugar bonito pra excretar.

Temos uma elite doente por estética, mas você pode não se contaminar, você não é vizinho do João Doria, você está muito mais próximo das pessoas em quem ele manda atirar, não esqueça disso.


E com isso em mente, eu sugiro que defenda o direito à dignidade dessas pessoas como se fosse o seu, porque é.

Paula Bernardelli

A primeira Presidenta Nacional do PT

Gleisi Hoffmann é a mulher paranaense com mais experiência política e mais elevada trajetória no campo político em toda a história. Gleisi percorreu longo caminho partidário desde o movimento estudantil, assessorias parlamentares municipais, estaduais e federais. Ocupou cargos executivos estaduais, experiência em Itaipu, Senadora e Ministra-Chefe da Casa Civil, a mais elevada posição ministerial já ocupada por um paranaense em toda a história. Agora também é novidade como a primeira Presidenta Nacional do PT. Quadro político inteligente e sensível, Gleisi terá o grande desafio, junto do PT, de conviver e traçar estratégias para o atual Presidencialismo de Colisão que vivemos. Os confrontos são inevitáveis porque o golpe saiu tal qual um monstrinho alien de dentro do corpo da coalizão anterior do PT. Quando Dilma teve de aceitar um vice conspirador e traíra, como Temer e o PMDB de assaltos elegeu Eduardo Cunha como presidente da Câmara, a conjuntura estava definitivamente perdida. O velho problema é como o PT conseguirá votos, apoios e energia para enfrentar o centrão fisiológico no Congresso, a tradicional corrupção na tecnoburocracia estatal de décadas, o empresariado golpista do pato amarelo nas federações e associações empresariais, a indústria da mídia e o sistema judicial de exceção, golpista e autoritário de sempre. A luta de classes revela setores médios e burgueses adestrados na cultura do ódio pela lavagem cerebral da grande mídia oligárquico-familiar, este filhotes e órfãos dos valores morais de Aécio Neves, Temer e Eduardo Cunha procurarão outras válvulas de escape, outras opções igualmente enganadoras para o próximo ciclo. Grandes desafios são grandes oportunidades para grandes novidades. Esta esquerda hegemônica e detentora dos maiores capitais eleitorais, sindicais, movimentos sociais, intelectuais e partidários com Lula, Gleisi e o PT, terá o imenso desafio de comandar uma próxima carga de ataque contra o moribundo bloco golpista em decomposição do PMDB-PSDB-DEM. O que o PT deve manter do ciclo vitorioso anterior entre 2002-2014, lições do buraco e da derrota golpista em 2015-2016 e a tremenda necessidade de invenção, de inovação para 2017-2018, com novas mobilizações, novas formas de luta e novas estratégias dialeticamente preservando o que foi bom, o que permitiu as vitórias eleitorais e incorporando o novo, incorporando novos avanços, sem agora abrigarem os monstros do passado dentro da barriga do Lulopetismo hegemônico e ainda triunfante deste nosso ciclo político e histórico. Vai que a bola é sua Gleisi !


RCO

burocrata a serviço da lei


Existe a possibilidade do burocrata a serviço da lei pensar que é a própria lei? Sim, existe. Sinal de que a aculturação burocrática falhou ao permitir que valores pessoais, religiosos, familiares fossem mais fortes do que o verdadeiro senso de responsabilidade pública. Quando isso acontece, falta Estado de verdade e sobra corporativismo.
Mas quando o burocrata é ignorante, tem alta visibilidade e tenta se travestir na própria lei, a chance de não conseguir por cair no ridículo é enorme.

O curioso é que os dois casos - bem ou mal sucedidos - são exemplos de corrupção da função pública. Nem toda corrupção envolve dinheiro!

Emerson Urizzi Cervi

quinta-feira, 1 de junho de 2017

os mais escancaradamente hipócritas

O velho ditado que os mais pseudo-moralistas sempre são os mais escancaradamente hipócritas: Conselho Nacional de Justiça se acovardou e adiou a condenação do juiz Moro por ter rasgado a lei de interceptação de comunicações telefônicas em várias gravações completamente fora da lei. Golpista Temer procura outro sub-ministro do PMDB paranaense para tentar engrupir o foro privilegiado do seu homem da mala, Rodrigo Rocha Loures, em outro espetáculo político do consórcio de escroques golpistas no poder.

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Nepotismo explica o "novo" Ministro

A teoria do nepotismo explica o "novo" Ministro golpista da Justiça, Torquato Lorena Jardim, que é membro da mais antiga família da oligarquia da classe dominante tradicional de Goiás. O Trisavô Coronel José Rodrigues Jardim foi Presidente da Província de Goiás no Império, o mesmo que o bisavô José Rodrigues Jardim Filho. O avô Ten.Cel. Eugenio Rodrigues Jardim também foi Presidente de Goiás e Senador na República. O Pai Coronel do Exército José Torquato Caiado Jardim foi instrutor na AMAN - Academia Militar das Agulhas Negras (Resende - RJ). Família de grandes latifundiários e fazendeiros desde o tempo da escravidão colonial no século XVIII. Primo do Senador Ronaldo Caiado, um dos chefes da bancada ruralista de Goiás e de outra importante oligarquia familiar da região. Como lembrou Laurentino Gomes no livro 1889: “Vocês fizeram a República que não serviu para nada. Aqui agora, como antes, continuam mandando os Caiado” – Capitão Felicíssimo do Espírito Santo Cardoso, bisavô do presidente Fernando Henrique Cardoso, em telegrama enviado de Goiás ao filho, Joaquim Inácio, que ajudara a proclamar a República em 1889 ! Torquato Jardim foi Ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 1988 a 1996 e deve servir para tentar limpar a barra do golpista Temer na sua crise final.

Torquato Jardim foi genro do Ministro Leitão de Abreu e seu alto assessor direto até 1985, além de ser descendente das principais oligarquias políticas familiares de Goiás, como escrevi em mensagem anterior. Eu sempre fico impressionado com a ignorância e desconhecimento da profunda lógica familiar política que rege o Estado Brasileiro. Agora um dos nossos mais experientes jornalistas, Jânio de Freitas, escreve: "Sabia-se pouco sobre Torquato Jardim, o que justifica ignorar-se ser pessoa apressada. Genro do professor Leitão de Abreu, que governou o país para encobrir a inabilitação absoluta de Médici e, em substituição a Golbery, de Figueiredo, não consta que tenha se aproveitado da relação familiar –uma raridade em Brasília daqueles e de todos os tempos." Sabe de nada inocente Jânio de Freitas !


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O JBSgate

Dificilmente um partido político que apoie um golpe e insista em eleições indiretas sobrevive ao próximo ciclo democrático e ao retorno das eleições diretas. Hoje o golpista Temer só permanece provisoriamente no poder com o apoio e endosso do PSDB. Todos viram a estrutura familiar truculenta de comando do PSDB, nas gravações de Aécio e sua irmã Andrea, comandando subalternos aliados, tipo Pórrela, Richa, Rossoni, aliados políticos menores e midiáticos. A queda do golpe significará o provável fim do PSDB seguindo o mesmo modelo do fim da ARENA, do PDS e mesmo do PFL. O PMDB não é um partido ideológico e sim uma confederação de interesses rasteiros e superficiais, deve sofrer também no fim do golpe ao estar associado com o desgoverno de Temer e também pode finalmente se extinguir voluntariamente pela debandada da quadrilha ministerial golpista no pós-golpe. Já o PT superou o teste de ter sido golpeado, de estar na oposição e estar muito mais forte agora do que há um ano atrás. Percebam que nenhuma pesquisa de opinião sobre a popularidade de Temer e nenhuma pesquisa presidencial sobre o crescimento de Lula foram divulgadas, após a inquisição persecutória com Moro e depois do festival das malas dos golpistas Aécio e Rocha Loures no JBSgate. Nenhuma pesquisa foi publicamente revelada durante todo o mês de maio passado..

RCO

Colocando pingos nos iis.


Sou esquerdista. Não sou lulista nem dilmista. Um socialista não apoia governo nenhum incondicionalmente.O único sujeito histórico pra mim ainda é o proletariado, o coveiro do regime burguês. Se este fracassar, fracassaremos todos.Dito isto, vamos aos fatos.
O PT, através de alguns de sua cúpula, praticou atos ilícitos. Só um louco o negaria. Deve, sim, responder na justiça.Mas deve responder ainda mais á sua militância pelos acordos que fez com essa canalha que lhe tirou o poder por vias escusas.Às vezes é melhor perder do que vender a alma.Cabe à militância reconstruir esse partido, que ainda é a grande esperança do povo brasileiro.Devemos fazer um enorme mea-culpa e dizer ao povo a verdade.Do contrário, o partido morre.

Ousar lutar. Ousar vencer.

Firmino José Torres Ribeiro

A CARTA DE JOESLEY BATISTA


Na iminência da queda de Michel Temer, precisamos ter em mente que esse golpe dentro do golpe é apenas uma estratégia para acelerar as reformas conservadoras. Esta última fase, que pretende descarregar o golpe de misericórdia em um sistema agonizante, partiu das delações do empresário da JBS, Joesley Batista, que, em seguida, publicou um pedido de desculpas no qual, se analisado atentamente, é possível identificar o projeto de poder que impulsionou toda essa crise política na qual o Brasil se encontra.
A “carta aberta” foi uma tentativa explícita do empresário de não cair no que a filósofa judia Hannah Arendt chamou de “banalidade do mal”. Além de usar elementos retóricos fundamentais no que tange a virtude do orador, afirma-se que foi necessário burlar os seus valores para atingir um bem maior: “Nosso espírito empreendedor e a imensa vontade de realizar, quando deparados com um sistema brasileiro que muitas vezes cria dificuldades para vender facilidades, nos levaram a optar por pagamentos indevidos a agentes públicos”.
Mas será que Joesley teve que realmente se corromper? E para quê, já que é tão bem sucedido mundialmente? Ele foi forçado a violar seus princípios éticos para obter mais lucros e ficar ainda mais rico?

Por Raphael Silva Fagundes, doutorando do Programa de Pós-Graduação em História Política da UERJ e professor da rede municipal do Rio de Janeiro e de Itaguaí.


Fonte : Le Monde Diplomatique Brasil

1947: É anunciado o Plano Marshall


INSTANTÂNEOS: NAZIFASCISMO E 2ª GUERRA MUNDIAL1933: 

Brecht foge da Alemanha1933: Repressão ao Partido Comunista da Alemanha1933: Aprovação da Lei Plenipotenciária1933: UFA demitia funcionários judeus1933: Grande queima de livros pelos nazistas1933: DVP e DNVP se dissolvem1933: Hitler controlava a imprensa falada1933: Alemanha deixa a Liga das Nações1934: Hitler manda executar Ernst Röhm1934: Nazistas assassinam ditador da Áustria1934: Regime nazista começou a intervir na Justiça1935: Nazistas retiram a cidadania alemã de escritores e oposicionistas1936: Abertura dos Jogos Olímpicos de Berlim1936: Constituição do Eixo Berlim-Roma1936: Thomas Mann é expatriado1938: O pogrom da "Noite dos Cristais"1939: Assinado o Pacto de Não-Agressão1939: Eslováquia torna-se independente1939: Alemanha invade a Polônia1939: Programa nazista de extermínio1939: Soviéticos invadem a Polônia1939: Primeiro atentado contra Hitler1940: Alemanha inicia ofensiva ocidental1940: Armistício de Compiègne1940: Estreia do filme "O judeu Süss"1940: Crianças alemãs refugiam-se dos bombardeios1941: Selada aliança entre Londres e Moscou1941: EUA decidem construir a bomba atômica1941: Aberto o campo de concentração de Theresienstadt1942: Começa a Conferência de Wannsee, que consolidou o Holocausto1942: Genocídio dos judeus poloneses1942: Judeus proibidos de ter animais domésticos1942: Ofensiva dos Aliados em El Alamein1942: Anne Frank inicia seu diário1942: Batalha de Tobruk1942: Panfletos da resistência antinazista "Rosa Branca"1942: Pedagogo Janusz Korczak é deportado para Treblinka1942: Fracassa primeiro desembarque na Normandia1942: Tropas alemãs invadem o sul da França1943: Goebbels declara guerra total

Em 5 de junho de 1947, o secretário de Estado dos EUA, George Marshall, anunciou a ajuda à Europa do pós-guerra. O ponto central do Plano Marshall era a reconstrução da economia e o combate à fome e à pobreza.

George C. Marshall: 'Política dos EUA é contra a fome, a pobreza, o desespero e o caos'

As rações de pão, de uma fina fatia por dia, eram constrangedoras, anunciava o jornal londrino News Chronicle a partir do Estado alemão da Renânia do Norte-Vestfália. Sindicatos da capital estadual, Düsseldorf, advertiam para distúrbios.

Havia protestos e greves não só na zona britânica da Alemanha então dividida, mas também na região ocupada pelos norte-americanos. A catástrofe de fome ameaçava afundar grande parte da Alemanha numa crise, em meados de 1947.

Também por causa do inverno, que havia sido especialmente rigoroso, a imprensa dava manchetes, diariamente, sobre famintos e regelados. A taxa de suicídio era alta. As pessoas tentavam se ajudar roubando carvão dos trens para o aquecimento, apesar da rigorosa proibição. As cidades maiores, como Berlim e Hamburgo, anunciavam o colapso de suas reservas econômicas e morais.

Na região industrial do Ruhr, no oeste da Alemanha, zona ocupada pelo Reino Unido, o lorde Francis A. Pakenham observava a miséria pessoalmente. Ele disse ao ministro da Agricultura, Heinrich Lübke, que mais tarde tornou-se presidente da Alemanha: "O senhor sabe que os marinheiros estão aí para o transporte de cereais, os navios estão aí e os famintos também. O que está faltando são as pessoas certas no lugar certo, com o poder na mão".

A pessoa certa no lugar certo

Um homem no posto certo em Washington usou deste poder: George Catlett Marshall, ex-organizador do Estado-maior da maquinaria de guerra dos Estados Unidos e então secretário de Estado. Com um discurso memorável, no dia 5 de junho de 1947, na Universidade de Harvard, em Nova York, ele delineou a política de estabilização e fortalecimento das forças de resistência econômica e política dos países da Europa Ocidental.

"A política dos Estados Unidos não é dirigida contra um país ou uma ideologia", esclareceu Marshall, "mas contra a fome, a pobreza, o desespero e o caos." E acrescentou: "Quem tentar bloquear a reconstrução de outros países não pode esperar ajuda". Ele se referiu com isso ao bloco comunista do Leste Europeu, que realmente foi excluído da ajuda ao exterior, aprovada em 3 de abril de 1948.

Dólares para reconstrução da Alemanha

A partir daí, a ajuda financiada pelo Plano Marshall não aconteceu apenas na Alemanha. Até 1952, outros países europeus ocidentais necessitados receberam adubo, matérias-primas, combustíveis, máquinas e medicamentos no valor aproximado de 13 bilhões de dólares. Da ajuda americana de quase 3,3 bilhões de dólares no pós-guerra, o governo de Bonn pagou mais de um bilhão de dólares até meados de 1978, como previa o acordo.

O resto foi depositado pelos importadores alemães em moeda nacional (marco) no chamado fundo de compensação que, conforme o acordo assinado em dezembro, reunia o chamado recurso especial ERP. Este dinheiro ficava separado dos demais recursos federais e também do orçamento da União alemã. Ele era usado para empréstimos de longo prazo e juros favorecidos às empresas, principalmente para as pequenas e médias.

Novo "Plano Marshall" para o Leste alemão

A transação bancária desses créditos era feita pelo Instituto de Crédito para Reconstrução e pelo Banco Alemão de Compensação. Isso não foi nenhuma ninharia, pois a cornucópia do Plano Marshall rendeu quase 120 bilhões de marcos, de 1949 a 1993.

Uma quantia aproximada fluiu para os estados da antiga República Democrática Alemã desde a unificação da Alemanha em 1990, especialmente para a criação de empresas, ampliação e modernização das existentes e para a proteção do meio ambiente.

Mais tarde, Marshall seria homenageado com o Prêmio Nobel da Paz e o Prêmio Carlos Magno, concedido pela cidade alemã de Aachen.

Autoria Norbert Nürnberger (ef)

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domingo, 21 de maio de 2017

Carta Aberta ao Senhor Joesley Batista


Prezado Senhor,

tomei a liberdade de escrever para o senhor mesmo sabendo que o senhor não me conhece, mas isto não vem ao caso. O não vem ao caso, com certeza lhe permitirá concluir que estou escrevendo de Curitiba, pois não vem ao caso é uma expressão muito usada por vizinhos ilustres e outras pessoas na cidade, principalmente aquelas que usam camiseta preta e estão acampadas numa praça, também pertinho de minha casa.
Vou lhe falar um pouco deles antes de entrar no assunto dessa missiva .
Os acampados não estão na praça porque pertencem ao MST, nem são moradores de rua, portanto fique tranquilo. São gente de classe média que se reveza no acampamento e estão lá porque apoiam uma famosa operação, que virou pó de traque (to traindo minha origem, desculpe senhor) depois que a Globo publicou suas conversas com um senador e o presidente da república.
Fico observando os que se revezam na praça e poderia lhe dizer que são rapazes fortões, com braço grosso (já pensou eles trabalhando no seu frigorífico, com certeza fariam bonito). As moças quase todas loiras de óculos escuros, corpos malhados e sapatos de salto alto(também fariam bonito trabalhando em suas empresas). Além dessa juventude linda, tem uns velhos com cara de aposentados, senhoras mães de família, gente portanto muito respeitável. Com certeza são ou foram todos trabalhadores e agora honestamente lutam pelo bem da republica de curitiba e do brasil, diante de tantas denúncias de corrupção. Esse brasil dos paranaenses, dos goianos e dos mineiros. Eu tô fora, eu sou gaúcho, e gostava muito do Seu Brizola, de mais a mais meu pai sempre me ensinou que a gente tem que ser honesto. Seu pai com certeza lhe disse isto muitas vezes e por isto o senhor é o empresário de sucesso que é. Deus salve seus esforços e cumule o senhor de bençãos.
Como gaúcho do interior que sou, queria lhe dizer que ando meio apertado, sem dinheiro para coisinhas básicas, como pagar as despesas com veterinário para meus gatos, comprar jornal velho para forrar o chão e a caixa de areia dos bichanos e também para comprar ração, não tem o que chegue para os dois. Como vi o senhor falando de sua generosidade, distribuindo um baita dinheiro até para desconhecidos, quem sabe o senhor me arruma uns pilas para cobrir essas pequenas despesas? Se não for pedir demais, gostaria que o Senhor pagasse o conserto das válvulas dos banheiros do Congresso e dos palácios do Planalto e do Jaburu, porque o cheiro tá brabo, dá pra sentir de longe. Deus lhe recompensaria com muitas graças por este pedido.
um grande abraço e que deus mantenha o senhor sempre em boa saúde, e com a guaiaca cheia, pois como o senhor sabe os homens generosos estão cada vez mais raros. Na espera de sua oferta me despeço com o coração saindo pela boca.

José Miguel Rasia

Antes que llamara

Antes que llamara y la carne me abriese,
que mis líquidas manos golpearan en el vientre,
yo, que era entonces informe como el agua
que formaba el Jordán junto a mi casa
era hermano de la hija de Mnetha
y hermana del gusano que gestaba la vida.

Yo que era sordo ante la primavera y el verano,
que no sabía los nombres de la luna y el sol,
ya sentía el latido bajo la armadura de mi carne,
aunque existía solo en forma de infusorio,
veía las plomizas estrellas, el martillo lluvioso
que mi padre balanceaba en su cúpula.

Conocía el mensaje del invierno,
los dardos del granizo y la nieve pueril
y el viento era mi hermana pretendiente;
en mí saltaba el viento, el rocío infernal;
y mis venas fluían con los climas de oriente;
antes que me engendraran supe el día y la noche.

Antes que me engendraran ya por cierto sufría;
el potro de tortura de los sueños
enroscaba mi osamenta de lirio
en una cifra viva,
la carne era cortada para cruzar los bordes
de las horcas en cruces sobre el hígado
y las zarzas de los cerebros estrujados.

Mi garganta conocía la sed antes de la estructura
de vena y piel alrededor del pozo
donde palabras y agua se entremezclan
sin pausa alguna, hasta pudrir la sangre,
mi corazón conocía el amor, mi vientre el hambre;
al gusano yo olía entre mis propias heces.

Después el tiempo envió a mi mortal criatura
a derivar o ahogarse en los océanos
habituados a la aventura de la sal
en las mareas que jamás tocan las orillas.
Yo que era rico, me hice más rico aún
sorbiendo poco a poco el vino de los días.

Nacido del espectro y la carne, no era espectro
ni hombre, sino espectro mortal.
Y luego me abatió la pluma de la muerte.
Fui mortal hasta el último suspiro prolongado
que llevó hacia mi padre
el mensaje de su agónico cristo.

Tú que te inclinas en la cruz y el altar
acuérdate de mí y apiádate de Aquel
que mi carne y mi sangre tomó por armadura
y llegó a traicionar el vientre de mi madre.

DYLAN THOMAS
Biblioteca Digital Ciudad Seva


sábado, 20 de maio de 2017

“O modelo cívico brasileiro é herdado da escravidão, tanto o modelo cívico cultural como o modelo cívico político. A escravidão marcou o território, marcou os espíritos e marca ainda hoje as relações sociais deste país. Mas é também um modelo cívico subordinado à economia, uma das desgraças deste país”
.

- Milton Santos, em "As cidadanias mutiladas". In______. O preconceito (vários autores). São Paulo. IMESP, 1996-1997, p. 135.
A grande imigração polonesa para Curitiba e região produziu excelentes resultados. Quantas chácaras e pequenos sítios no Abranches, Santa Cândida, Orleans, Riviere e Campina do Siqueira, no atual Bairro do Seminário



RCO
Quando setores da Igreja Católica participam abertamente da oposição é porque chegamos ao fundo do poço das trevas. A Igreja participou ativamente na derrota da ditadura militar, na grande surra eleitoral da ARENA, o partido da direita ditatorial em 1974 e na mobilização crítica aos torturadores de Herzog em 1975. Agora interesses estrangeiros com Temer, Ilan Goldfajn, Moro, Skaf, Richa e outros levam a Igreja a ficar junto do seu Povo Brasileiro novamente, tal como ficou contra Geisel. A prática da Igreja muitas vezes esteve com as causas populares, nas insurreições populares contra autoritários, tiranos, déspotas estrangeiros e contra a dominação do seu Povo. Lembremos também no passado distante as Ordens da Igreja apoiando as grandes causas populares, como na insurreição contra a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, o Nativismo Brasileiro Cristão em Guararapes - 1648, a Restauração Nacionalista em 1640. Bem antes nas nossas origens estatais o grande Levante Popular, Povo, Nobreza e Igreja contra a dominação islâmica, contra invasores árabes e mouros. São Tiago Maior, Santiago Patrono da Ibéria contra os Mouros "surgiria imaginariamente" em inúmeras batalhas medievais. Os nossos antepassados Oliveira, Costa, Gomes, Silva, Sousa, Pereira, hoje sobrenomes de milhões de pessoas, por dezenas de séculos se emocionaram, riram, choraram, se batizaram, casaram, morreram e se consolaram sob a proteção da sua Igreja e do atual Papa Francisco, ainda hoje orando e politicamente presentes ao lado do seu Povo, pela Democracia, nas causas progressistas !

RCO
De maneira equivocada Curitiba vive um pequeno e informal "(mini)estado de sítio" não declarado. Ruas e quase um bairro inteiro "fechado" para uma injustiça federal partidarizada e politizada como prepotente, agora fui informado do cancelamento de uma palestra acadêmica, que eu proferiria e marcada há muitos meses, porque vão fechar o prédio educacional perto da Praça Osório. Moro deixou de ser juiz há tempos e se tornou animador de torcida, chefe de um bando faccioso. Se repetirem a violência de 29 de abril de 2015, ou pior, passará a ser outro pária como Beto Richa, sempre a se esconder do público, como Richa fugiu o tempo todo dos eleitores nas eleições do ano passado e desonrando a imagem da polícia convertida em uma milícia privada de jagunços do seu mandonismo autoritário, com os seus comandantes depois demitidos, enxovalhados, humilhados e forçados a assumirem a culpa e responsabilidade pelo massacre de civis desarmados, manifestantes jovens, mulheres, professores idosos, trabalhadores e povo protestando contra a crise do desgoverno golpista, contra o desemprego, o arrocho salarial, cortes nos recursos da educação, saúde e da própria segurança, além da tentativa de roubo das aposentadorias de todo mundo que trabalha, tudo em uma justiça aparelhada e autoritária, servindo a poucos foras da lei momentaneamente no poder.

RCO
Montei hoje a genealogia política básica de Rosangela Maria Wolff de Quadros Moro, a mulher do juiz Sergio Moro. Só podia ser da grande família do Centro Cívico porque a classe dominante do Paraná tradicional é uma grande estrutura de parentesco, quase sempre com as mesmas famílias da elite estatal ocupando simultaneamente os poderes executivo, legislativo e judiciário. Vocês sabiam que Rosangela é prima do prefeito Rafael Greca de Macedo ? Ambos descendem do Capitão Manoel Ribeiro de Macedo, preso pelo primeiro presidente do Paraná por acusações de corrupção e desvio de bens públicos em instalações estatais. A grande teia de nepotismo e familismo explica muito do atraso, falta de justiça e desigualdades no Paraná e Curitiba, locais em que famílias com mentalidades políticas do Antigo Regime ainda mandam e dominam. Moro e Wolff são famílias de origem imigrante, que conseguiram entrar para o poder judiciário, famílias com parentes desembargadores, do lado Wolff os desembargadores Haroldo Bernardo da Silva Wolff e Fernando Paulino da Silva Wolff Filho, do lado da família Moro o desembargador Hildebrando Moro. Outro parente influente de Rosangela é Luiz Fernando Wolff de Carvalho, do grupo Triunfo, bastante ativo nas atividades empresariais e na política regional, sempre envolvido com problemas jurídicos. A família Wolff dominou por muitos anos a prefeitura de São Mateus do Sul, no interior do Paraná. Essas famílias de origem imigrante passaram a formar parte do estamento burocrático com seus privilégios e poderes, muitas vezes se associando na grande e antiga teia de nepotismo, de escravidão, exclusão social e coronelismo das antigas e sempre atuais oligarquias familiares da classe dominante paranaense.

RCO
Os operadores da Lava a Jato são membros e representantes do 0,1% mais rico no Brasil, a elite mais tradicional e conservadora do sistema judicial. Quase todos operadores da Lava a Jato representam um forte poder hereditário de dentro do Estado. Os pais tiveram carreiras estatais durante o período de autoritarismo da ditadura militar. O procurador Deltan Dallagnol, o coordenador, é filho do procurador de justiça Agenor Dallagnol e pertence a seita religiosa. Carlos Fernando dos Santos Lima, procurador e estrategista, é filho do deputado estadual da ARENA Osvaldo dos Santos Lima, promotor, do partido de apoio à ditadura, foi presidente da Assembleia Legislativa do Paraná no auge da repressão, em 1973. Santos Lima é outra típica família do poder local tradicional da Genealogia Paranaense, como já demonstramos em outras mensagens. A esposa de Carlos Fernando, Vera Lúcia, era funcionária do Banestado durante a crise e escândalo do banco. O mais novo dos procuradores da Lava Jato é Diogo Castor de Mattos, que também apresenta notável rede familiar de poder na sua família. É filho do falecido procurador de justiça Delivar Tadeu de Mattos e de Maria Cristina Jobim Castor de Mattos, irmã do falecido Belmiro Jobim Castor, ex-diretor do Bamerindus, secretário de Estado várias vezes no Paraná nos anos 70-80 e do Conselho Superior da Associação Comercial do Paraná. O escritório de advocacia Delivar de Mattos & Castor é dos mais conhecidos do Paraná, com os irmãos Rodrigo Castor de Mattos e Analice Castor de Mattos. Qualquer sociedade para manter politicamente, ideologicamente e juridicamente a absurda concentração de renda brasileira precisa desses tipos de atores e de sistema judicial familiar e arcaico, mais associado ao Antigo Regime e sua nobreza togada. No Brasil os mais altos operadores jurídicos dentro do Estado, ou nos escritórios de advocacia, ganham remunerações formidáveis e fantásticas se comparadas com as médias brasileiras. Criam problemas para eles mesmos resolverem lucrativamente.

RCO
Durante muitos anos trabalhei com avaliações na "opinião pública" sobre debates político-eleitorais, exatamente o que aconteceu ontem entre Lula e Moro. Lula ganhou por larga margem o debate e ganhou de maneira ainda mais consistente as representações feitas no dia seguinte. Os apoiadores de Lula, do PT e da Democracia também ganharam quantitativamente e qualitativamente o debate ontem em Curitiba, ao ocuparem e se manifestarem massivamente, ordeiramente e pacificamente, revelando o absurdo do maior esquema policial já montado no Paraná para um debate político, uma estrutura caríssima no governo falido de Richa, com milhares de policiais, helicópteros, atiradores, infiltrados e brucutus, que não aparecem para combater o crime em dias normais, Curitiba está entre as 50 cidades mais violentas do mundo, só para verem a imensa procissão popular e pacífica dos apoiadores de Lula desfilarem e vencerem por larga escala os corações e mentes em Curitiba, desmoralizando os autoritários e fascistas locais. A tal "República direitosa de Curitiba" foi moralmente batida, vencida e desmoralizada exatamente no dia em que pretendiam humilhar Lula. Setores da burguesia local, com seus extremistas de direita, foram profundamente humilhados pela humildade de Lula e seus apoiadores do povão brasileiro, trabalhadores, camponeses, professores e gente vinda de todo país depois de dias de viagem. Os apoiadores do juiz e de seu sistema político perderam até mesmo no número baixíssimo de bandeiras nas janelas dessa vez, até mesmo porque a maioria dos moradores curitibanos já percebeu que o tal golpe do sistema só colocou os mais corruptos no poder, um golpe dos mais corruptos, para os mais corruptos, com apoio do grande empresariado, da grande mídia e do sistema judicial de marajás, o que só aumentou a crise social e econômica, retirou recursos da educação, saúde e os infelizes patos serão terceirizados, vão perder a carteira de trabalho,13º salário, férias porque os paladinos do golpe vão lhes roubar também anos de aposentadoria, de modo que quase nenhuma bandeirinha foi colocada nas janelas em apoio do juiz & cúmplices golpistas..

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Quem deu o golpe no Brasil ?


Quem deu o golpe no Brasil ? Como cerca de 71 mil pessoas, o meio milésimo (0,05%) mais rico, se apropriam de 8,5% de toda a renda nacional? Super-ricos são os que tiveram renda média mensal tributável superior a R$ 135 mil em 2015, o que equivale a apenas 0,1% das declarações do Imposto de Renda. Basta analisar a estrutura de concentração de renda no país, única em escala mundial pela sua imensa perversidade exploratória, cada vez mais concentracionista depois do golpe. 10% mais ricos controlando mais de metade (52%) da renda, 1% mais ricos com quase um quarto (23,2%), 0,1% com mais de um décimo (10,6%) e apenas 0,05% mais ricos com 8,5% da renda total, o que significa uma sistemática engenharia social, econômica, cultural e política de exploração, enganação industrial para manter o "status quo" e reforçar ainda mais as desigualdades no ano do golpe. Riqueza e poder quase sempre são estruturas genealógicas e familiares. O 0,05% mais rico é composto por banqueiros, midiocratas, grandes empresários, grandes proprietários rurais e urbanos, rentistas, toda uma plutocracia assistida, servida e alimentada por uma camada subsequente de políticos, altos funcionários públicos, administradores, executivos e burocratas no sistema privado e agora centralmente no sistema judicial, por alguns tipos de magistrados, juízes, procuradores, jornalistas, comunicadores e marketeiros com altíssimas remunerações para operarem a ideologia do golpe. Super-ricos pagam 9% de imposto e ricos 12%, diz Receita, até nisso são serviçais do grande capital. Hoje os partidos políticos convencionais do golpe, o PMDB, PSDB, DEM, PPS se afundaram completamente no embate, todos passam por profunda crise política e decadência moral, de modo que o golpe precisou novamente colocar na linha de frente as suas reservas funcionais de partidos plutocráticos na luta defensiva: golpistas da magistratura, do ministério público, das TVs, jornais, rádios e grandes mídias, que também estão sendo sistematicamente derrotados, desmoralizados e acuados pela forte oposição popular ao primeiro ano do golpe de 2016. O resumo da ópera: o golpe foi produzido pelos mais corruptos políticos e empresários, pelos mais ricos e funciona como uma máquina de produção de desigualdades sociais, de retirada de direitos dos trabalhadores, lubrificada nas suas engrenagens por suas togas e jornalistas de aluguel.

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O lugar de fala dos críticos de Lula. Não é Lula quem está sendo atacado e julgado levianamente em tribunal de exceção, mas sim toda a incipiente democracia brasileira. Sabe-se que um golpe sempre está necessariamente no gerúndio para existir, um golpe só existe golpeando permanentemente os direitos e as instituições. Na última vez criaram uma sucessão de atos institucionais para fazerem o serviço sujo que Moro e a justiça fazem atualmente contra Lula no caso do triplex. Críticas contra Lula partem de bases sociais bem definidas. Quase toda classe dominante sempre o desprezou de maneira sarcástica. Parcelas da classe média baixa e trabalhadores servis aos grandes interesses burgueses, os criados e funcionários domésticos favoritos do capital, bem como alguns comentaristas e servos de gleba da mídia, os que esperavam subir individualmente no clientelismo dos poderosos, é que nutrem profundos ódios por Lula. Preferem criticar Lula do que os desastres de Temer e do PSDB para manter a aprovação e aceitação da tribo dos privilegiados e ganharem recursos das associações empresariais de direita. Lula é criticado pelas suas origens, como pode um pau-de-arara querer viajar de jato, ter uma residência que não seja da Cohab, querer ter e frequentar um "habitus de classe" que nunca deveria lhe pertencer, como ousa o peão nordestino ter não somente afrontado verbalmente e politicamente os bem nascidos politiqueiros das elites sulistas, ter questionado direitos hereditários de mando e de poder político já destinados por nascimento aos grupos dominantes, mas tê-los vencidos em quatro eleições presidenciais diretas, ter governado com avanços em todos os índices sociais, com inclusões e melhorias sociais para todos no meio de problemas estruturais. Lula pode repetir uma nova sólida vitória presidencial no voto depois de todo circo judicial persecutório. O antagonismo contra Lula em boa parte foi o mesmo contra o Getúlio de 1954 e será amanhã o mesmo antagonismo do "Antigo Regime Brasileiro" contra qualquer candidato crítico com potencial de vitória. Enquanto houver Lula um Ciro Gomes, PSOL, PSTU são completamente inofensivos porque não perigam ganhar nada, não vencem nenhuma eleição presidencial para serem atingidos diretamente pelas forças do atraso no Brasil. Lula é a democracia brasileira, um projeto nacional contra colonizados e quem não gosta de Lula pode disputar o voto livre e democrático em eleições limpas e diretas, daí o maior medo e pavor dos anti-Lulas de todas as matrizes e espectros - Lula é favorito no voto, com a força do povo, de novo ! Contra Lula querem destruir a democracia brasileira e as garantias de direitos pela justiça de exceção golpista em novos atos institucionais envergonhados.

RCO
 Curitiba como campo de investigação da sociologia política só pode ser analisada a partir de suas famílias do poder, o que eu desenvolvi no meu livro "O Silêncio dos Vencedores", a partir de minha tese de doutorado. Na minha pesquisa de doutorado discuti o livro de Wilson Martins, "O Brasil Diferente", com a visão crítica de Octavio Ianni, "As Metamorfoses do Escravo", ambos autores eram "imigrantes" no sentido de outsiders, que desconheciam as estruturas sociais profundas de Curitiba. Ianni ainda se referia a uma antiga sociedade de castas, de certa maneira se prolongando muito mais do que se imagina. Compreender o exótico em familiar e o familiar em exótico, ter dialeticamente ao mesmo tempo uma visão cosmopolita e uma visão local, ser não-nativo e nativo, olhar Curitiba de dentro de suas tradições familiares provincianas e de fora das capitais mais centrais e nacionais, eis um percurso sociológico. 

Ricardo Costa de Oliveira

Diretas Já em breve !

Quanto mais tempo Temer insistir em permanecer na presidência maior será o estrago e prejuízo para seus apoiadores do PMDB e PSDB. Temer apodreceu e apodrecerá todos perto dele. Fica Temer para afundar e apodrecer bastante a direita golpista ainda mais e preparar o país para as novas Diretas Já em breve !

RCO

Ferve Brasil !

No caso do golpista Temer é denúncia criminal gravíssima, total crime de responsabilidade, comprovado com a mala do Rodriguinho Rocha Loures, o pagador da "República do Paraná", aqui a oligarquia se cumpre. Caiu a ficha de vez para os mais ingênuos eleitores dos golpistas, que sempre apoiaram o bandido de estimação deles e candidato derrotado Aécio Neves, cuja irmã Andrea e primo Fred Pacheco já estão presos. Por muito menos o senador Delcídio foi afastado e preso, somente o pedigree de Aécio Neves e de Rodrigo Rocha Loures ainda evita o mesmo destino porque ambos pertencem às mais tradicionais oligarquias familiares do país. Além disso a fala do dono da JBS, Joesley Batista, com Temer revela dramaticamente e criminalmente as podres entranhas golpistas do judiciário da "farsa a jato", quando declarou estar "segurando" dois juízes e que conseguiu uma pessoa "dentro da força-tarefa" ? Quais os nomes dessas estrelas midiáticas do ativismo judicial ? No caso de graves denúncias criminais a Procuradoria Geral da República deve encaminhar imediatamente a denúncia ao Congresso para a autorização do processo contra o golpista Temer por dois terços dos deputados, ou 342 votos. A pressão popular vai aumentar. Ferve Brasil !

RCO

Já raiou a Liberdade no horizonte do Brasil !

Já raiou a Liberdade no horizonte do Brasil ! Quando eu era jovem em 1984 e derrotamos e derrubamos a ditadura militar muitos torciam, com a momentânea derrota das Diretas Já, para mais um golpe militar da direita dentro do golpe de 64, com os Generais Newton Cruz e Octávio de Medeiros ainda em 1984, pensando na continuidade da ditadura militar em mais um governo ditatorial sucedendo o General Figueiredo. Seria a queda total, incondicional e irrestrita da ditadura e suas forças. A esperteza e salvação da direita foi uma grande conciliação, com Tancredo e Sarney, para poupar e proteger os muitos interesses dos aliados civis da ditadura. Mudança real mesma só poderia vir com a queda total da ditadura sem a transição da conciliação transada. Eu calculava no começo do golpe contra a Presidenta legítima eleita Dilma, há uma ano, que o governo golpista de Temer e cúmplices logo estaria, depois de um ano, próximo dos mesmos índices negativos e repudiados do final do governo da ditadura militar de Figueiredo em 1984, da baixíssima popularidade de Sarney em 1989, de Collor em 1992, de FHC em 2002. Dessa vez não será necessária apenas outra vitória sobre pontos, mas o nocaute total desse bloco golpista de direita. Se Temer ficar o governo golpista e todo o seu bloco de apoio se aproximam do volume morto e provocarão outra oportunidade histórica de um governo de salvação nacional reformista ou revolucionário, legitimamente eleito em uma chapa presidencial sem a direita, um governo que finalmente realize o que é necessário em uma agenda de mudanças. A democracia, a cidadania, a modernidade e a liberdade só serão conquistadas com uma derrota completa, acachapante e total do bloco conservador de direita no Brasil. Mais uma vez se abre esta janela de oportunidade histórica no Brasil, tal qual antes e o país não avançará antes de se livrar de todo grande entulho autoritário do "Antigo Regime", o que prejudica o desenvolvimento nacional desde o Movimento de 1930 e nunca se cumpre como transformação nas conjunturas de inflexões, como a que começamos a viver novamente. Diretas Já e que se realizem as metas sociais, cidadãs e democráticas plenas da Constituição de 1988 ou uma nova Constituinte a ser convocada em novas eleições.

RCO

1970: Mao Tse-tung declara apoio a Pol Pot


No dia 20 de maio de 1970, o líder chinês manifestou seu apoio ao príncipe cambojano derrubado, Sihanouk, e a Pol Pot. Pequim começou a desempenhar um papel ativo no conflito do Camboja.


 1960: Mao Zedong known as Mao Tse-tung (1893 - 1976) the communist leader and first chairman of the People's Republic from 1949. (Photo by Hulton Archive/Getty Images)

Mao Zedong Mao Tse-tung China 1960

Desde 1964, o governo cambojano vinha enfrentando uma rebelião comunista em seu território, com o surgimento do Khmer Vermelho, o que tornara difícil manter o país à margem da Guerra do Vietnã. A China, que sempre combatera a Guerra Fria, apoiava o Vietnã do Norte (comunista) no conflito contra os Estados Unidos.

A utilização do território cambojano como refúgio das tropas norte-vietnamitas e dos guerrilheiros comunistas do Vietnã do Sul levara os EUA a frequentes bombardeios no país. Segundo o perito Heinz Kotte, os norte-americanos lançaram sobre o Camboja uma carga de explosivos cinco vezes mais potente do que as bombas de Hiroshima.

O rei Norodom Sihanouk, líder do partido Comunidade Socialista Popular, insistiu na neutralidade do Camboja e foi deposto, a 20 de março de 1970, pelo marechal Lon Nol, seu antigo primeiro-ministro. Nol era uma perfeita marionete dos Estados Unidos, que tramaram o golpe.

A decisão de Mao Tse-tung de socorrer Sihanouk não significou uma abertura ideológica do regime comunista chinês. Também não era fruto da simpatia de Mao com o Terceiro Mundo, mas, antes, de uma mudança no cenário político internacional. Um ano antes, haviam ocorrido violentos conflitos de fronteira, com centenas de mortos, entre a União Soviética e a China, o que abalou as relações entre as duas potências ideologicamente irmãs.

Formação de alianças estratégicas

Em 1970, o Vietnã do Norte precisava urgentemente dos mísseis soviéticos para combater os bombardeiros B-52 dos EUA. Essa forte dependência implicava também a aproximação ideológica com a União Soviética. Após a morte de Ho Chi Minh, em 1969, líderes pró-soviéticos assumiram o poder no Vietnã.
Para contrabalançar o eixo vietnamita-soviético, Pequim buscou uma aliança com o Camboja. Segundo o perito Kotte, a "China ganhou pontos no plano internacional ao apoiar Sihanouk. O rei era tido como representante do Camboja nos países ocidentais que não seguiam rigorosamente a linha norte-americana".

A China concedeu asilo político a Sihanouk que, em parceria com o Khmer, formou em Pequim o Governo Real de União Nacional do Camboja (Grunc), logo reconhecido por mais de 20 países. Convencido de haver encontrado em Sihanouk e no movimento guerrilheiro do Khmer Vermelho os parceiros certos, Mao desafiou, pela última vez, os EUA, afirmando que o governo de Richard Nixon estava isolado internacionalmente.

Em 1972, Pequim estabeleceu relações diplomáticas com os Estados Unidos para formar um contrapeso a Moscou. No Camboja, o Khmer Vermelho tomou o poder, implantando um regime totalitário e sangrento, responsável pelo extermínio de 3,7 milhões de cambojanos. No dia 20 de maio de 1970, Mao Tse-tung ainda havia conclamado os povos do mundo a se unirem "para combater os agressores norte-americanos e todos os seus lacaios".

Em janeiro de 1976, o nome do Camboja foi mudado para Kampuchea Democrático. Em abril daquele ano, Pol Pot – líder máximo do Khmer Vermelho – tornou-se primeiro-ministro. No ano seguinte, o regime comunista cambojano intensificou sua aproximação com a China e adotou uma política agressiva em relação ao Vietnã, oficialmente reunificado em julho de 1976, dois meses antes da morte de Mao Tse-tung.

Autoria Shin Ming (gh)


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sábado, 13 de maio de 2017

O socialismo é uma doutrina triunfante



"O socialismo é uma doutrina totalmente triunfante no mundo. E não é paradoxo. O que é o socialismo? É o irmão-gêmeo do capitalismo, nasceram juntos, na revolução industrial. É indescritível o que era a indústria no começo. Os operários ingleses dormiam debaixo da máquina e eram acordados de madrugada com o chicote do contramestre. Isso era a indústria. Aí começou a aparecer o socialismo. Chamo de socialismo todas as tendências que dizem que o homem tem que caminhar para a igualdade e ele é o criador de riquezas e não pode ser explorado. Comunismo, socialismo democrático, anarquismo, solidarismo, cristianismo social, cooperativismo… tudo isso. Esse pessoal começou a lutar, para o operário não ser mais chicoteado, depois para não trabalhar mais que doze horas, depois para não trabalhar mais que dez, oito; para a mulher grávida não ter que trabalhar, para os trabalhadores terem férias, para ter escola para as crianças. Coisas que hoje são banais. Conversando com um antigo aluno meu, que é um rapaz rico, industrial, ele disse: 'o senhor não pode negar que o capitalismo tem uma face humana'. O capitalismo não tem face humana nenhuma. O capitalismo é baseado na mais-valia e no exército de reserva, como Marx definiu. É preciso ter sempre miseráveis para tirar o excesso que o capital precisar. E a mais-valia não tem limite. Marx diz na 'Ideologia alemã': as necessidades humanas são cumulativas e irreversíveis. Quando você anda descalço, você anda descalço. Quando você descobre a sandália, não quer mais andar descalço. Quando descobre o sapato, não quer mais a sandália. Quando descobre a meia, quer sapato com meia e por aí não tem mais fim. E o capitalismo está baseado nisso. O que se pensa que é face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele com suor, lágrimas e sangue. Hoje é normal o operário trabalhar oito horas, ter férias… tudo é conquista do socialismo."

ANTONIO CANDIDO (1918-2017), em entrevista ao jornal Brasil de Fato, 8 de agosto de 2011, "O socialismo é uma doutrina triunfante", por Joana Tavares.