quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Y la sociedad calla…




Son las manos que tocan espinas
son los pasos que no encuentran sendero,
es el corazón que sangra y que grita
arrancaron vidas, truncaron sueños.

Son las noches de desvelo al pie de la cama
es el tiempo que pasa en silencio,
hijos que crecen bajo tu mirada
y hoy deseas detener el tiempo.

Es el dolor de muchos padres
que hoy no encuentran consuelo,
por qué les enseñas a tomar decisiones
a no callar sus ideales
a luchar por eso que traemos dentro.

Hoy son muchos brazos que se encuentran vacíos
somos muchos padres los que nos dolemos,
¡Que sigue de esta barbarie!
¿Acaso es delito querer ser alguien?
¿Acaso es delito reclamar tus derechos?
la historia está llena de luchas…
pero nada justifica arrancar la vida
de quien como estandarte solo llevaba sus sueños.

Y la sociedad calla…mientras se estremece el cielo
las interrogantes saltan a la vista,
las oraciones no dan consuelo
la incertidumbre invade el aire,
Nada pasa todo es silencio…

Yo en mi estandarte también tengo colgados mis sueños
¡pido paz para México!,
!pido paz para mi tierra!
!pido paz para Guerrero!

Autor: Constantina Gómez García
MORU*S

07/10/2014
Publicado por Poesía Indignada en 20:23

 
 http://www.chiapasparalelo.com/noticias/chiapas/2014/10/justicia-a-normalistas-de-ayotzinapa-exigen-universitarios-de-chiapas/

ARTE DE AMAR


Não faço poemas como quem chora,
nem faço versos como quem morre.
Quem teve esse gosto foi o bardo Bandeira
quando muito moço; achava que tinha
os dias contados pela tísica
e até se acanhava de namorar.
Faço poemas como quem faz amor.
É a mesma luta suave e desvairada
enquanto a rosa orvalhada
se vai entreabrindo devagar.
A gente nem se dá conta, até acha bom,
o imenso trabalho que amor dá para fazer.
Perdão, amor não se faz.
Quando muito, se desfaz.
Fazer amor é um dizer
(a metáfora é falaz)
de quem pretende vestir
com roupa austera a beleza
do corpo da primavera.
O verbo exato é foder.
A palavra fica nua
para todo mundo ver
o corpo amante cantando
a glória do seu poder.


  Thiago de Mello

ORACIÓN


Si el cuerpo que me das para el combate
se desnuda de galas y atavíos.
Si el volumen que irradia entre los ríos
es materia que tiembla y se debate
entre el dolor y el goce, pues su guerra
es membrana o pulmón o dulce espina.
Yo no sé si dejarlo allá en su esquina
tras el alma aferrándose a la tierra.
¿No será el abandono su destino
cuando el alma lo encuentra en los zarzales
con la misma pasión con que lo invoca?
Ese cuerpo que empujas al camino
y al punto se entreteje en sus eriales,
arderá con el eco de tu boca.

©Antonio Arroyo Silva
Твое лицо мне так знакомо,
Как будто ты жила со мной.
В гостях, на улице и дома
Я вижу тонкий профиль твой.
Твои шаги звенят за мною,
Куда я ни войду, ты там,
Не ты ли легкою стопою
За мною ходишь по ночам?
Не ты ль проскальзываешь мимо,
Едва лишь в двери загляну,
Полувоздушна и незрима,
Подобна виденному сну?
Я часто думаю, не ты ли
Среди погоста, за гумном,
Сидела, молча на могиле
В платочке ситцевом своем?
Я приближался - ты сидела,
Я подошел - ты отошла,
Спустилась к речке и запела...
На голос твой колокола
Откликнулись вечерним звоном...
И плакал я, и робко ждал...
Но за вечерним перезвоном
Твой милый голос затихал...
Еще мгновенье - нет ответа,
Платок мелькает за рекой...
Но знаю горестно, что где-то
Еще увидимся с тобой.


Александр Блок. 1908 г.


Mediocridade


No infinito coberto de eternas belezas,
Como átomo perdido, incerto, solitário,
Um planeta chamado Terra, dias contados,
Voa com os seus vermes sobre as profundezas.
Filhos sem cor, febris, ao jugo do trabalho,
Marchando, indiferentes ao grande mistério,
E quando um dos seus é enterrado, já sérios,
Saúdam-no. Do torpor não são arrancados.
Viver, morrer, sem desconfiar da história
Do globo, sua miséria em eterna glória,
Sua agonia futura, o sol moribundo.
Vertigens de universo, todo o seu só festa!
Nada, nada, terão visto. Partem do mundo
Sem visitar sequer o seu próprio planeta.

Jules Laforgue 


Trad.: Régis Bonvicino

A Mulher Ausente

A razão de eu me gostar
Eu gosto da minha forma no mundo
Porque representa uma fagulha,
Porque mostra um instante doce e perverso
Da ideia, do gesto e da realização
De Deus no Universo.
Eu gosto dos erros que pratico
Porque vejo a pureza colocada na minha essência
Desde o Início
Lutar contra todo o mal que em mim existe
E ser tão maior, que sobre a minha miséria
Ela ainda persiste
Eu gosto de espiar
O meu olho direito
Ver o esquerdo chorar,
De sentir a minha garganta se enrolar de dor
Porque em troca de tanta cousa dolorosa
Ele construiu em mim uma cousa gloriosa,
Que é o amor.

- Adalgisa Nery, in: A Mulher Ausente, 1946.


"Descobri cedo que, se você quiser viver de escrever, é preciso ter tenacidade", declarou o escritor Siegfried Lenz, morto nesta terça-feira (07/10), numa entrevista. Genialidade era, para ele, uma qualidade sobrestimada. Ele era também um representante convicto do estilo convencional de narrativa cronológica. "A vida passa cronologicamente, por que deveria ser diferente num romance?", indagava.

Lenz nasceu em 17 de março de 1926 em Lyck, na então Prússia Oriental, na época território alemão. Na Segunda Guerra Mundial, ele caiu em cativeiro britânico e trabalhou como intérprete. Depois da guerra, Lenz começou seus estudos em Hamburgo, mas os interrompeu para se tornar redator do jornal Die Welt. Nessa época, casou-se com Liselotte, uma pintora e ilustradora que morreu em 2006. Em 1951, Lenz passou a viver do seu trabalho como escritor.
Fonte : Deutsche Welle

Queda do Muro

“o colapso da antiga Alemanha Oriental não seria mérito do movimento por direitos civis do país, mas decorrência da fraqueza financeira da União Soviética, segundo o ex-chanceler, que negociou a reunificação alemã com os russos.” do ex-chanceler federal Helmut Kohl, também chamado de "chanceler da Reunificação", é até hoje uma figura cultuada em seu partido, a União Democrata Cristã (CDU),fonte : Deutsche Welle
"O começo de um livro sofre de um grande problema: falta música. Que sorte tem o filme cujo início é apoiado por uma abertura sonora que promete o que posteriormente é cumprido ou não, mas que de qualquer forma atrai imediatamente o espectador."


Heinrich Steinfest, Der Allesforscher. Editora Piper

Puentes, caminos


Los coches van lanzados por el puente
el fulgor dorado de un vidrio en un punto exacto
es el único signo duradero de la existencia
una mujer sola que avanza sonriente
a paso vivo por la acera
lleva marcado ese signo en su rostro
antes del desencanto de la llegada
puentes y caminos unen
y separan
¿qué furtivo microscopio podría vislumbrar
en el cerebro de una hormiga
su intrepidez infinita

ante el graznido ominoso de un cuervo?

 Jüri Talvet......Estonia

domingo, 5 de outubro de 2014

To be a poet — is the same
As when by truth of life
You scar your own tender flesh,
And with the blood of feelings
Caress the souls of others.

To be a poet — to sing freedom,
As you know it best
The song of night gale doesn't hurt him -
His song is always the same.

Canary mimicking someone's voice -
Pitiful and silly bauble
World needs real songs — so sing like only you can
Even if you sound like a frog.

Mohammed has overdone it in Quran
When he forbade strong drink
That is why the poet will not stop
Drinking wine before he goes to the torture

And when a poet goes to his lover,
And finds her lying with another
He, kept by life-sustaining liquid,
Won't send a knife into her heart.

But, burning up with jealous recklessness,
Will whistle on the way back home
"So what, so I will die a vagabond,
On this earth such fate is also known."

Serguei Iessenin


I do not regret, and I do not shed tears,
All, like haze off apple-trees, must pass.
Turning gold, I'm fading, it appears,
I will not be young again, alas.

Having got to know the touch of coolness
I will not feel, as before, so good.
And the land of birch trees, - oh my goodness!-
Cannot make me wander barefoot.

Vagrant's spirit! You do not so often
Stir the fire of my lips these days.
Oh my freshness, that begins to soften!
Oh my lost emotions, vehement gaze!

Presently I do not feel a yearning,
Oh, my life! Have I been sleeping fast?
Well, it feels like early in the morning
On a rosy horse I've galloped past.

We are all to perish, hoping for some favor,
Copper leaves flow slowly down and sway...
May you be redeemed and blessed for ever,
You who came to bloom and pass away...

  Serguei Iessenin
(1924-1925)


Hooligan (1919)



Rain is cleaning with wet brooms
Willows' poop in the meadows
Wind, you can spit armfuls of leaves -
I am a hooligan, just like you

I love it when the blue thickets,
Like bulls with heavy step,
Stomachs wheezing with leaves,
Soil the knees of the tree trunks

Here it is, my red flock!
Who could sing to you better than I?
I can see the twilight licking human footprints...

My Russia, wooden Russia!
I am the only one to sing to you
I have fed with berries and mint
the sadness of my beast's poems

Let the night bring the moon's pitcher
Draw up the milk of the birch grove!
Looks like the church near by
Wants to strangle someone with the hands of its crosses!

Something sinister walks the hills,
Drips thief's spite into our garden
But I myself am a bandit and a cad
And by blood — a horse thief

Who ever saw how boil in the night
Legions of the bird-cherry trees?
I was born to the night in the blue roads
To stalk the dark with my knives

Oh, The yellow bush of my head has withered
I got sucked into the poetry prison
Sentenced to turn the grindstones of the verse
In penal servitude of feelings

But don't fret, crazy wind,
Keep spitting leaves in the meadows
The label "poet" won't erase me,
Even in my songs, I am, like you, a hooligan.

 Serguei  Iessenin
(1921, translated from Russian by Alec Vagapov)


Good-bye Baku



Good-bye, Baku! So, I shall never see you…
And I’m afraid of fate, my southern land.
The heart is under hand and it’s so near.
And now I feel two simple words: my friend.
Good-bye, Baku! Oh, Turkic sky, good-bye!
The blood is very cold, I’m weak, you see…
But I can promise you, I’ll keep in mind
The tender wave of Caspian great sea.
Good-bye, Baku! Good-bye, my simple song…
For the last time I’ll hug my friend, I’ll stroke
His head. It’s like a golden rose. So long
It’ll nod to me in choking lilac smoke…

Serguei Iessenin

1925
(Translated from the Russian by Alexei Artemov)



The Stars




Stars little stars, you're so high and so clear!
What have you got in you, so fascinating?
Stars, deep in thought, so discreet you appear,
What is the power that makes you so tempting?
Stars, little stars, you're so dense and so solid!
What is it that makes you so great and alluring?
How can you, heavenly bodies, afford it?
Stirring a thirst and desire for learning?
Why, as you shine, are you nice and inviting?
Into your wide open arms, on the instant?
Pleasing the heart, so benign and enticing,
Heavenly stars, so remote and so distant!

Serguei Iessenin

1911-1912
(Translated from the Russian by Alec Vagapov)



Tempos sombrios


Bertolt Brecht

Realmente, vivemos tempos sombrios!
A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas
denota insensibilidade. Aquele que ri
ainda não recebeu a terrível notícia
que está para chegar.
Que tempos são estes, em que
é quase um delito
falar de coisas inocentes,
pois implica em silenciar

sobre tantos horrores.

sábado, 4 de outubro de 2014

The irony of fate
 Is frightening in times of change:
Russia has risen from its knees
 But has reared up.

 … And God is watching
, Trembling from fear,
 As the world lies at Russia’s feet
 With its face in the mud.

   Dmitri Bykov
Source: Russia Beyond the Headlines - http://rbth.com/literature/2014/10/01/political_poetry_in_russia_1990s_2000s_40279.html
Extract from a poem by Kirill Medvedev:

 we obtained the right to have an anti-fascist protest but not a march.
 I went with the human rights activist Ponomarev to sort it out at the mayor’s
 office. Ponomarev was very angry. I restrained him a bit.
 I’ll show them what it means to let fascists have rallies, he said.
 I felt that it wasn't going to end well.

   Oleinik, the department’s deputy director for mass rallies
 turned out to be a fat, rosy-cheeked kewpie. 





CHEGO ONDE SOU ESTRANGEIRO


Nada é tão precário quanto viver
Nada quanto ser é tão passageiro
É quase como gelo derreter
E para o vento ser ligeiro
Chego onde sou estrangeiro
.... ....

Louis Aragon

SENTINELA


A cruz da torre assusta uma estrela
O cavalo arfa fumaça
O ferro ringe sonolento
Névoas afogam
Chuvas
Congelam calafrios
Afagam
Sussurram
Você!
Wache
Das Turmkreuz schrickt ein Stern
Der Gaul schnappt Rauch
Eisen klirrt verschlafen
Nebel Streichen
Schauer
Starren Frösteln
Frösteln
Streicheln
Raunen
Du!

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 82-83.

ZONA DE COMBATE


Assombrolhos esquadrinham campos rotos
Acima abaixo
Abaixo acima
O sol
Explode
O sol pedra
E
Desexplode.
Kampfflur
Glotzenschrecke Augen brocken wühles Feld
Auf und nieder
Nieder auf
Brandet
Sonne
Steinet Sonne
Und
Verbrandet.

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 80-81.

TÚMULO DE GUERRA


Estacas imploram braços em cruz
A escrita teme o pálido imprevisto
Flores desafiam
Pós se encolhem
Lágrima
Treme
Espelha
Esquecer.
Krieggrab
Stäbe flehen kreuze Arme
Schrift zagt blasses Unbekannt
Blumen frechen
Staube schüchtern.
Flimmer
Tränet
Glast
Vergessen.

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 78-79.

TEMOR


Os céus pendem
Sombras sequestram nuvens
Medos
Saltam
Estreitam
Estiram
Cavam cavam
Rôta
Bôta
Resiste
A
Cunha
Cova.
Zagen
Die Himmel hangen
Schatten haschen Wolken
Aengste
Hüpfen
Ducken
Recken
Schaufeln schaufeln
Müde
Stumpft
Versträubt
Die
Gehre
Gruft.

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 76-77.

PATRULHA


Pedras pontam
Janela ri traição
Galhos esganam
Montes moitas desfolham sussurros
Guincham
Morte
Patrouille
Die Steine feinden
Fenster grinst Verrat
Aeste würgen
Berge Sträucher blättern raschlig
Gellen
Tod.

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 74-75.

PROJÉTIL


O céu lança nuvens
E estala em fumaça.
Faíscas riscam.
Pés roçam pós.
Olhos casquinam no caos
E
Desesguelham.
Schrapnell
Der Himmel wirft Wolken
Und knattert zu Rauch.
Spitzen blitzen.
Füße wippen stiebig Kiesel.
Augen kichern in die Wirre
Und
Zergehren.

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 72-73.

GUERRA


A dor draga
A espera encara o horror
Parturir estremece
Gestar estira os membros
A hora sangra
A pergunta ergue o olho
O tempo pare
Cansaço
Pro
Cria
A Morte.
Krieg
Wehe wühlt
Harren starrt entsetzt
Kreißen schüttert
Bären spannt die Glieder
Die Stunde blutet
Frage hebt das Auge
Die Zeit gebärt
Erschöpfung
Jüngt
Der
Tod.

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 70-71.

GUARDA


A noite embala as pálpebras
O sono pisca e chispa
O inimigo farisca
O cachimbo
Faísca
E Todos os espaços
Tremem
Miúdos
Mudos.
Wacht
Die Nacht wiegt auf den Lidern
Müdigkeit falckt und neckt
Der Feind verschmiegt
Die Pfeife schmugt
Verloren
Und
Alle Räume
Frösteln
Schrumpfig
Klein.

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 68-69.

CAÍDO


O céu vela o olho
A terra unha a mão
O ar zumbe
Chora
E
Entrelaça
Lagrimulheres
Dentre
Madeixas
Gefallen
Der Himmel flaumt das Auge
Die Erde krallt die Hand
Die Lüfte sumsen
Weinen
Und
Schnüren
Frauenklage
Durch
Das strähne Haar.

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 66-67.

OCASO


O ócio tece
O torpor anoitece
O orar pesa
O sol chaga
Afaga
Você.
Abend
Müde webt
Stumpfen dämmert
Beten lastet
Sonne wundet
Schmeichelt
Du.

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 64-65.

ASSALTO


De todos os ângulos terrores uivam querer
Ácida
Açoita
A vida
Ante
Si
Aqui
A morte arfante
Os céus farrapam
O horror ceifa selvagante os cegos.
Sturmangriff
Aus allen Winkeln gellen Fürchte Wollen
Kreisch
Peitscht
Das Leben
Vor
Sich
Her
Den keuchen Tod
Die Himmel fetzen.
Blinde schlächtert wildum das Entsetzen.

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 62-63.

FERIDA


A terra sangra sob o capacete
Estrelas caem
O universo tacteia.
Calafrios rangem
Rede
Moínham solidões.
Névoa
Chora
Longe
Teu olhar.
Wunde
Die Erde blutet unterm Helmkopf
Sterne fallen
Der Weltraum tastet.
Schauder brausen
Wirbeln
Einsamkeiten.
Nebel
Weinen
Ferne
Deinen Blick.
Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 60-61.

CAMPO DE BATALHA


Torrões moles afrouxam o ferro
Sangues filtram flocos de limo
Crostas migalham
Carnes lamam
Amamentar estua nos destroços
Entrematanças
Chispam
Olhos de crianças.
Schlachtfeld
Schollenmürbe schläfert ein das Eisen
Blute filzen Sickerflecke
Roste krumen
Fleische schleimen
Saugen brünstet um Zerfallen.
Mordesmorde
Blinzen
Kinderblicke.

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 58-59.

ALVORADA


A noite
Geme
Às seivas sonolentas
Beijos.
O ferro ringe opaco.
O ódio se estira
E
Arrasta o sonho entre os sulcos.
Rir pesa
O bosque lanceia as sombras.
No olho choram
Estrelas
E se afogam.
Wecken
Die Nacht
Seufzt
Um die schlafen Schläfen
Küsse.
Eisen klirrt zerfahlen.
Haßt reckt hoch
Und
Schlurrt den Traum durch Furchen.
Wiehern stampft
Schatten lanzt der Wald.
Ins Auge tränen
Sterne
Und
Ertrinken.

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 56-57.

PASSEIO NOTURNO


Na noite declinante
Cala-se o nosso passo
Mãos palor temem um tremor convulso
Luz ceifa sombras em nossa cabeça
Nas sombras
Nós!
Alta reluz a estrela
O álamo pende acima
E
Ergue a terra consigo
A terra em sono abraça o céu desnudo.
Tremes e tramas
Teus lábios molham
O céu beija
E
Nos nasce o beijo!
Abendgang
Durch schmiege Nacht
Schweigt unser Schritt dahin
Die Hände bangen blaß um krampfes Grauen
Der Schein sticht scharf in Schatten unser Haupt
In Schatten
Uns!
Hoch flimmt der Stern
Die Pappel hängt herauf
Und
Hebt die Erde nach
Die schlafe Erde armt den nackten Himmel.
Du schaust und schauerst
Deine Lippen dünsten
Der Himmel küßt
Und
Uns gebärt der Kuß!

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 52-53.

MALDIÇÃO


Vedas e vetas!
Incêndios uivam
Chamas
Queimam!
Nem eu
Nem tu
Nem ti!
A mim!
Mim!
Fluch
Du sträubst und wehrst!
Die Brände heulen
Flammen
Sengen!
Nicht Ich
Nicht Du
Nicht Dich!
Mich!
Mich!

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 50-51.

COMPROMISSO


Teu andar sorri pra mim
E
Toma meu coração.
O aceno prende e afia.
Na sombra do teu vestido
Alça-se
Oscilante
Ameaçador
Murmura!
Ondeias e ondeias.
Meu punho agarra às cegas.
O Sol sorri!
E
Coxeia débeis medos!
Perdido perdido!
Begegnung
Dein Gehen lächelt in mich über
Und
Reißt das Herz.
Das Nicken hakt und spannt.
Im Schatten deines Rocks
Verhaspelt
Schlingern
Schleudert
Klatscht!
Du wiegst und wiegst.
Mein Greifen haschet blind.
Die Sonne lacht!
Und
Blödes Zagen lahmet fort
Beraubt beraubt!

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 48-49.

CREPÚSCULO


O claro acorda o escuro
O escuro aborta a luz
O espaço rompe os espaços
Farrapos afogam-se na solidão!
A alma dança
E
Oscila e oscila
E
Estremece no espaço
Você!
Meus membros buscam-se
Meus membros roçam-se
Meus membros
Oscilam afundam afundam afogam-se
Na
Imensidão
Você!
O claro aborta o escuro
O escuro devora a luz!
O espaço se afoga na solidão
A alma
Ferve
Ferrolha-se
Para!
Meus membros
Giram
Na
Imensidão
Você!
O claro é luz!
A solidão sorve!
A imensidão escorre
Rasga
Me
Em
Você!
Você!
Dämmerung
Hell weckt Dunkel
Dunkel wehrt Schein
Der Raum zersprengt die Räume
Fetzen ertrinken in Einsamkeit!
Die Seele tanzt
Und
Schwingt und schwingt
Und
Bebt im Raum
Du!
Meine Glieder suchen sich
Meine Glieder kosen sich
Meine Glieder
Schwingen sinken sinken ertrinken
In
Unermeßlichkeit
Du!
Hell wehrt Dunkel
Dunkel frißt Schein!
Der Raum ertrinkt in Einsamkeit
Die Seele
Strudelt
Sträubet
Halt!
Meine Glieder
Wirbeln
In
Unermeßlichkeit
Du!
Hell ist Schein!
Einsamkeit schlürft!
Unermeßlichkeit strömt
Zerreißt
Mich
In
Du!
Du!

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 44-47.

REENCONTRO


Teu passo treme
O olho morre no olhar
O vento
Agita
Pálidos panos.
Tu
Te re
Tornas!
O tempo corteja o espaço!
Wiedersehen
Dein Schreiten bebt
In Schauen stirbt der Blick
Der Wind
Spielt
Blasse Bänder.
Du
Wendest
Fort!
Den Raum umwirbt die Zeit!

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 42-43.

DESEJO


Mãos esticam
Rigidez treme
Terra cresce da terra
Teu perto longeia
O passo afunda
O estar persegue o ido
Um olhar
Tem
É!
Vanilusão
Eueja!
Sehnen
Die Hände strecken
Starre bebt
Erde wächst an Erde
Dein Nahen fernt
Der Schritt ertrinkt
Das Stehen jagt vorüber
Ein Blick
Hat
Ist!
Wahnnichtig
Icht!

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 40-41.

INTIMIDADE


O ouvir fala
Brasas fremem
Esgares esguelham
Sangue suspira
Teu joelho dobra
Os rios ferventes
Lavam
Lava
No mar
E
Nossas almas
Mur
Muram
Em
Si.
Heimlichkeit
Das Horchen spricht
Gluten klammen
Schauer schielen
Blut seufzt auf
Dein Knie lehnt still
Die heißen Ströme
Brausen
Heiß
Zu Meere
Und
Unsere Seelen
Rauschen
Ein
In
Sich.

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 38-39.

MELANCOLIA


Trilhar testar
Viver tenta
Estuante estar
Olhares buscam
Expirar cresce
O porvir
Grita!
E
Mude
Ser.
Schwermut
Schreiten Streben
Leben sehnt
Schauern Stehen
Blicke suchen
Sterben wächst
Das Kommen
Schreit!
Tief
Stummen
Wir.

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 36-37.

DESESPERADO


No alto ressoa um seixo agudo
A noite verte vidro
O tempo estaca
Eu
Cascalho
Tu
Te
Vidras!
Verzweifelt
Droben schmettert ein greller Stein
Nacht grant Glas
Die Zeiten stehn
Ich
Steine.
Weit
Glast
Du!

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 34-35.

SONHO


Pelos arbustos estrelas se enroscam
Olhos submergem fumam afundam
Murmuram balbúcios
Flores fendem
Olores instilam
Borrascas inundam
Ventos vagam tragam apagam
Lenços se rasgam
Cair assusta na noite funda.
Traum
Durch die Büsche winden Sterne
Augen tauchen blaken sinken
Flüstern plätschert
Blüten gehren
Düfte spritzen
Schauer stürzen
Winde schnellen prellen schwellen
Tücher reißen
Fallen schrickt in tiefe Nacht.

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 32-33.

PASSAR


A casa faísca nas estrelas
Meu passo para e esfria.
Em teu seio meu cérebro dorme.
Dúvidas me devoram!
Pleno
Sombra teu busto na janela
A espreita me cala
Estrelas roçam ferro em brasa
Meu coração
Carboniza!
Em tua janela
Gela
Cinza de brisa
Os pés arrastam um peso vazio!
Vorübergehn
Das Haus flackt in den Sternen
Mein Schritt verhält und friert.
In deinem Schoße schläft mein Hirn.
Mich fressen Zweifel!
Voll
Schattet deine Büste in dem Fenster
Das Spähen hüllt mich lautlos
Die Sterne streifeln glühes Eisen
Mein Herz
Zerkohlt!
An deinem Fenster
Eist
Ein Windhauch Asche.
Die Füße tragen weiter leere Last!

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 30-31.

INFIEL


Teu riso chora em meu peito
Os lábios irabrasados ferrolham
No hálito farejam murchifolhas!
Teu olhar traicida-se
E
Precipita palavras vociferantes!
Esquecer
Esmigalhar nas mãos!
Livre
Corteja a fímbria do teu vestido
Coleante
Do alto alto!
Untreu
Dein Lächeln weint in meiner Brust
Die glutverbissnen Lippen eisen
Im Atem wittert Laubwelk!
Dein Blick versargt
Und
Hastet polternd Worte drauf.
Vergessen
Bröckeln nach die Hände!
Frei
Buhlt dein Kleidsaum
Schlenkrig
Drüber rüber!

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 28-29.

ENCONTRO


O portão agarra com fitas listras
Meu bastão bate
Retine
No escanchado marco de pedra.
O riso
Aterroriza
No escuro
Ilusexcitante
Em
Tremor cálido
Tropeça
Brusco
O pensamento.
Um beijo negro
Furta arisco porta afora
O lampião
Bruxu
Luz
Atrás
Dele
No beco.
Verabredung
Der Torweg fängt mit streifen Bändern ein
Mein Stock schilt
Klirr
Den frechgespreizten Prellstein.
Das Kichern
Schrickt
Durch Dunkel
Trügeneckend
In
Warmes Beben
Stolpern
Hastig
Die Gedanken.
Ein schwarzer Kuß
Stiehlt scheu zum Tor hinaus
Flirr
Der Laternenschein
Hellt
Nach
Ihm
In die Gasse.

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 26-27.

A CAMINHO DA IGREJA


Montanhas soam
Teu andar vibra sóis
As mãos fulgem
Luzes
Estrelas
A torre da igreja dominga
Murmura
Onde está você
Kirchgang
Die Berge läuten
Dein Gang wippt Sonnen
Die Hände funkeln
Lichten
Sternen
Der Kirchturm sonntagt
Raunt
Wo bist Du.

Poemas-Estalactites, August Stramm, [organização e tradução de Augusto de Campos], Editora Perspectiva, 2009, p. 22-23.

Escrito con Tinta Verde

A tinta verde cria jardins, selvas, prados,
folhagens onde gorjeiam letras,
palavras que são árvores,
frases de verdes constelações.
Deixa que minhas palavras, ó branca, desçam e te cubram
como uma chuva de folhas a um campo de neve,
como a hera à estátua,
como a tinta a esta página.
Braços, cintura, colo, seios,
fronte pura como o mar,
nuca de bosque no outono,
dentes que mordem um talo de grama.
Teu corpo se constela de signos verdes,
renovos num corpo de árvore.
Não te importe tanta miúda cicatriz luminosa:
olha o céu e sua verde tatuagem de estrelas.

- Octavio Paz, em “Transblanco: em Torno a Blanco de Octavio Paz”.
 [tradução Haroldo de Campos]. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986.

Escrito con Tinta Verde
La tinta verde crea jardines, selvas, prados,
follajes donde cantan las letras,
palabras que son árboles,
frases que son verdes constelaciones.
Deja que mis palabras, oh blanca, desciendan y te cubran
como una lluvia de hojas a un campo de nieve,
como la yedra a la estatua,
como la tinta a esta página.
Brazos, cintura, cuello, senos,
la frente pura como el mar,
la nuca de bosque en otoño,
los dientes que muerden una brizna de yerba.
Tu cuerpo se constela de signos verdes
como el cuerpo del árbol de renuevos.
No te importe tanta pequeña cicatriz luminosa:
mira al cielo y su verde tatuaje de estrellas.

- Octavio Paz.


http://www.elfikurten.com.br/2014/08/octavio-paz.html

Elsa

Les Yeux d' Elsa 

Tandis que je parlais le langage des vers
Elle s’est doucement tendrement endormie
Comme une maison d’ombre au creux de notre vie
Une lampe baissée au coeur des myrrhes verts
Sa joue a retrouvé le printemps du repos
Ô corps sans poids posé dans un songe de toile
Ciel formé de ses yeux à l’heure des étoiles
Un jeune sang l’habite au couvert de sa peau
La voila qui reprend le versant de ses fables
Dieu sait obéissant à quels lointains signaux
Et c’est toujours le bal la neige les traîneaux
Elle a rejoint la nuit dans ses bras adorables
Je vois sa main bouger Sa bouche Et je me dis
Qu’elle reste pareille aux marches du silence
Qui m’échappe pourtant de toute son enfance
Dans ce pays secret à mes pas interdit
Je te supplie amour au nom de nous ensemble
De ma suppliciante et folle jalousie
Ne t’en va pas trop loin sur la pente choisie
Je suis auprès de toi comme un saule qui tremble
J’ai peur éperdument du sommeil de tes yeux
Je me ronge le coeur de ce coeur que j’écoute
Amour arrête-toi dans ton rêve et ta route
Rends-moi ta conscience et mon mal merveilleux

Louis Aragon