sábado, 13 de setembro de 2014

Havia um homem que corria pelo orvalho dentro.
O orvalho da muita manhã.
Corria de noite, como no meio da alegria,
Pelo orvalho parado da noite.
Luzia no orvalho. Levava uma flecha
pelo orvalho dentro, como se estivesse a ser caçado
loucamente
por um caçador de que nada se sabia.
E era pelo orvalho dentro.
Brilhava.

Não havia animal que no seu pelo brilhasse
assim na morte,
batendo nas ervas extasiadas por uma morte
tão bela.
Porque as ervas têm pálpebras abertas
sobre estas imagens tremendamente puras.

Pelo orvalho dentro.
De dia. De noite.
A sua cara batia nas candeias.
Batia nas coisas gerais da manhã.
Havia um homem que ia admiravelmente perseguido.
Tomava alegria no pensamento.
do orvalho. Corria.

Ouvi dizer que os mortos respiram com luzes transformadas.
Que têm os olhos cegos como sangue.
Este corria, assombrado.
Os mortos devem ser puros.
Ouvi dizer que respiram.
Correm pelo orvalho dentro, e depois
estendem-se. Ajudam os vivos.
São doces equivalências, luzes, ideias puras.
Vejo que a morte é como romper uma palavra e passar



— a morte é passar, como rompendo uma palavra,
através da porta,
para uma nova palavra. E vejo
o mesmo ritmo geral. Como morte e ressurreição
através das portas de outros corpos.
Como uma qualidade ardente de uma coisa para
outra coisa, como os dedos passam fogo
à criação inteira, e o pensamento
para e escurece

— como no meio do orvalho o amor é total.
Havia um homem que ficou deitado
com uma flecha na fantasia.
A sua água era antiga. Estava
tão morto que vivia unicamente.
Dentro dele batiam as portas, e ele corria
pelas portas dentro, de dia, de noite.
Passava para todos os corpos.
Como em alegria, batia nos olhos das ervas
que fixam estas coisas puras.
Renascia.



Herberto Helder

we are welcome to elsinore



Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsinor

E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar


Mário Cesariny

A Perna Esquerda de Paris

"Um poema não é uma coisa que se coloca sobre o teu dia como um condimento sobre o teu almoço. A vida de uma pessoa não tem material semelhante a nada que conheças. Existir é feito de peças impossíveis de copiar. E a poesia não entra nesse material único - a vida de uma pessoa - como o avião no ar ou o acidente do avião na terra dura. Um poema não é manso nem meigo, não é mau nem ilegal.
Os homens não se medem pelos poemas que leram, mas talvez fosse melhor. O que é a fita métrica comparada com algo intenso? Há poemas que explicam trinta graus de uma vida e poemas que são um ofício de demolição completa: o edifício é trocado por outro, como se um edifício fosse uma camisa. Muda de vida ou, claro, muda de poema."


Gonçalo M. Tavares, in 'A Perna Esquerda de Paris'

Círculos infinitos.


Por Juan Brian Doyle

Una piedra cae al agua
Y los círculos se expanden
Avanzan hacia el infinito
Y en ese infinito se pierden
Una vida nueva llega
Y sus círculos se expanden
Mientras busca el infinito
En ese infinito se pierde.
Un instante aquí estamos
Abrazados en el amor
Ese instante es nuestro infinito

Donde nunca nada se pierde.

Estepario



Aquí estoy de nuevo como lobo de estepa
que no sabe si la frontera de la soledad es la sombra lumbre
sobre heridas hermanadas sobre naipes fríos corazones
las sienes aúllan en la creencia de la calma
me sostengo en la arquitectura de las tripas
con las entrañas pasmadas en los ojos del buitre
sin encontrar explicación en la estocada
haciendo irreconocible la luz que espanta al espectro
por viejos dialectos por brazos gibosos de péndulos
frondosas las ruinas se reconstruyen
brillando en el sumiso tránsito del hambriento
y cada mañana deambulo abierto a la belleza
de la lluvia barrote que suena detrás de la ventana
como látigo sangrante con su esqueleto.

Giovanni Collazos Carrasco

Uma trágica orgia de abelhas


Vi como uma orgia de abelhas
entrava na tua boca
e as sombras deixavam de estar erectas.
O meu coração perdeu a sua elasticidade.
A chuva de ouro
que deixaste no meu estômago
é ácido numa ferida
que nunca vi.
Agora és uma constelação
híbrida, congelada, cujo brilho
me provoca cataratas.
Tiveste a oportunidade de ver
como engendrava uma estação
com árvores alimentadas
de pirilampos,
um paraíso sem noites de sol,
pelo menos no teu sonho.
Agora o teu corpo fissurado pode ser
urinado pelos anjos.
A tua sombra deixou os seus genitais
para correr feridas de luz
no meu coração.
Vieram os gatos para cuidarem de ti,
mordendo as tuas bochechas inchadas,
não deixando que os gusanos
comam o inverno
que masturbou os nossos estômagos
olvidados numa árvore de outono.
Sim, as nossas vísceras ficaram
agarradas a uma árvore alimentada por pirilampos.
Lamento, cometi o erro de deixar que isto fosse
um sonho de um adolescente
que aprende a estudar astrologia
nas minhas feridas feitas
por uma faca de cortar oxidada.
As abelhas continuam a sua infância
na tua boca já masturbada pela noite de sol.

Patrícia Úbeda
(tradução de Alberto Augusto Miranda)

Editorial de O Globo. O velho e bom racismo de classe

Adriano Codato
Editorial de O Globo. O velho e bom racismo de classe. Ao menos eles descobriram o óbvio. O que, para a imprensa brasileira, já é uma revolução intelectual:
" O mesmo fenômeno ocorreu com o PSDB, nos tempos de Planalto. O poder do Executivo federal é tamanho na distribuição de recursos para estados e municípios, e no assistencialismo, que a população dessas regiões, dependente de bolsas, é sempre governista. Por isso são petistas."
O editorialista quer fazer uma teoria geral sobre o perfil do eleitorado do PT olhando apenas para as intenções de voto em Dilma segundo pesquisas eleitorais de 2014. A realidade, naturalmente, é muito mais complexa. Por um lado, o PT governa os seis maiores municípios da região metropolitana de São Paulo. Por outro lado, os eleitores do que o editorialista chama de "grotões" não votam apenas para presidente, votam também para governador, prefeito etc. Será que o PT predomina nas intenções de voto desses locais, para esses níveis de governo? Será que a "lógica" do voto identificada pelo editorialista é tão sui generis que só funciona no voto dado para um partido (no caso o PT) e para um cargo (no caso, as eleições presidenciais)? Claro está que o buraco analítico é bem mais embaixo.


Guilherme Simões Reis Hilária a interpretação de que o "voto dos grotões" no PT tem o mesmo significado do que era dado na ARENA/PDS. Igualar isso ignora politicas públicas.

Animal de Silêncios

3
No céu apenas duas
Nuvens ao rés da terra e sem destino
certo, uma extensão do pó, sem medida,
as bisnagas, tão somente cinco plantas
espargidas no monte magro,
uma lebre assombrosa, um veado
talvez, e a tarântula, o escorpião
astuto, as formigas gigantes,
os coiotes, os animais pobres
puxados pelo avanço teimoso
dos homens até o limite
último, a vida, este cobre
deserto na memória, a luz
que, feita metal, delira. Meio-dia
sem fronteira, seco, duro,
um vento e este pó decisivos.
Aí estou eu, feito um torrão
do tempo, com a garganta a punhaladas
ardida. A lua é um coiote
cego. Afundo o arado neste terra
irada. Extraio ervas, minerais
certos. Os fósseis tragados
pelo âmbar, o sangue e sua corrente
de papoula. Aqui faz a morte,
mas nasce o idioma, está aqui
o espanhol, suas consoantes,
a suave voz sussurro, o poema
San Juan, essas cores ávidas
do Greco, todas as letras fricativas,
a lua palatal, o tempo, o sacrifício.
Em cima, nas montanhas, as águas turbulentas,
dominadas. Embaixo está a luz aos borbotões,
dura. Aproxima a hora do panal,
o dia do lavrador, o vaticínio
exato e o vinhedo,
a risonha floração da abelha.
Quando a tarde então se reclina
na nuvem mortal, quando em meu quarto
se estaciona um crepúsculo antigo
e ronda um tigre pela cama opaca
e acossa minha garganta, a memória
trai, descubro-te na minha sombra,
busco teu centro vegetal, noturno,
afundo o arado nesta terra amada.
Quando esse tigre, então, se apresenta
com sua boca tremenda, destruidora,
quando mastiga o corpo magro
do veado, ele, implacável, só,
em metade deste planalto de cobalto,
edifica um pleno dia, sob este sol
salobro, uma imagem noturna
da morte. Talvez então
suas estrelas puras brilhem um pouco mais
com esse sangue. Embaixo está o silêncio,
a estrutura cristal dos objetos.
Porque tudo se agita em uma pressa
de puras carniças. E os diamantes
mesmos, por assim dizer, apodrece
e o ferro se derrete ou grasna.
Apareces então no eco de outro
eco perdido, já em mim recobrado.
Tão ausente teu sorriso, tão longe
tu toda, tão longe. Eu mesmo
o cervo devorado, eu esse tigre
também de luz e de fadiga.
Já não posso dormir. Ergo-me,
frio. Quando a cama, pois,
a cama mesma é um leito de cactos
e se escuta na rua o pavor
de mandíbulas e eu só recordo
aquele sol, sua chaga certa,
quando a cama toda se levanta
comigo, porque o próprio insone
a rebela, quero tocar-te
entre a luz e o pó, como uma abelha
azul, e é impossível.
A luz do ocidente e a tarântula,
as formigas guerreiras que desarmam
os élitros do grilo ou o olho seco
da mosca que vê dez vezes dez
o mesmo objeto, refugiam-se dentro
de suas covas, quando o silêncio
então se retira dentro dos cactos
do deserto, e o tigre dorme
junto à carne seca de sua vítima,
aí, nesse mesmo espaço aberto
pelos ventos, estou também,
enterrando o arado, tocando-te
sensual, furiosamente, mastigando,
uma, mil vezes, mil vezes mil
mil vezes trabalhar e viver,
mil vezes mil mil vezes, mil.

Jaime Labastida / As quatro estações / Animal de Silêncios

trad. Hermenegildo José Bastos


A política não é o império do mal; nem muito menos a religião expressa o bem absoluto



77. http://www.espacoacademico.com.br/052/52pol.htm


"A política não é o império do mal; nem muito menos a religião expressa o bem absoluto. Se a primeira instrumentaliza o mal e o bem e, neste sentido, sacraliza-se; a segunda, na medida em que não pode se ausentar completamente do mundo real, institucionaliza-se e têm interesses materiais a defender, politiza-se. Nisso, ambas utilizam o discurso do bem e do mal. Política e religião são manifestações sociais legítimas; podem referenciar ações humanas que mantém ou transformam a sociedade – e uma se apóia na outra em seus objetivos. Porém, quando prisioneiras de raciocínios maniqueístas, tendem a gerar fanatismo e intolerância. Nestes casos, à ingenuidade e ignorância soma-se a cegueira. Também aqui, temos muito a aprender com a história; uma história que não se resume à identificação de mocinhos e bandidos, do bem e do mal..."

Prof. Antonio Ozaí da Silva - Universidade Estadual de Maringá

O solitário



Para mim é odioso seguir e também guiar.
Obedecer? Não! E tampouco – governar!
Quem não é terrível para si, a ninguém inspira terror:
E somente quem inspira terror é capaz de comandar.
Para mim já é odioso comandar a mim mesmo!
Gosto, como os animiais da floresta e do mar,
De por algum tempo me perder,
De permanecer num amável recanto a cismar,
E enfim me chamar pela distância,
Seduzindo-me para – voltar a mim.

.

[Friedrich Nietzsche. In: A Gaia Ciência]

Marina caiu e Dilma subiu


Marina caiu e Dilma subiu. Mesmo a pesquisa do ibope de hoje (12/09) revela a aceleração do derretimento de Marina. O Instituto Marina Silva financiado pela Neca (da família do Banco Itaú) e a ideia de Banco Central independente derrubaram Marina. A esperança da direita desesperada para ressuscitar Aécio Neves não funcionou. Denúncias de última hora apócrifas e eleitoreiras na Petrobras não surtiram efeitos, ainda que sejam simulacros a serem investigados, mas não são denúncias oficialmente comprovadas e de fonte confiável. Qual a fonte e a origem das denúncias ? Ninguém acreditaria na hipótese de uma fonte de dentro da Polícia Federal em Curitiba, uma fonte aparelhada por uma revista e por grupos políticos histéricos de oposição e que não conseguiriam modificar o cenário político-eleitoral.

 http://g1.globo.com/politica/eleicoes/2014/noticia/2014/09/ibope-mostra-dilma-com-39-marina-com-31-e-aecio-com-15.html

Ibope mostra Dilma com 39%, Marina com 31% e Aécio com 15%

Na simulação de segundo turno, Marina tem 43% e Dilma, 42%. Instituto ouviu 2.002 eleitores entre as últimas sexta (5) e segunda (8).

Ricardo Costa de Oliveira

Câmara de Curitiba aprova divisão de custos de obras públicas com moradores

Câmara de Curitiba aprova divisão de custos de obras públicas com moradores | Gazeta do Povo
Com emendas, proposta volta à pauta na sessão da próxima segunda-feira (15) para votação em redação final

GAZETADOPOVO.COM.BR

Gustavo Biscaia de Lacerda ..Prefeito Gustavo Fruet: tenha a decência de vetar essa lei ridícula e vergonhosa.

J.c. Cardoso... Tão vergonhosa que nunca me passou pela cabeça que um dia em alguma cidade do Brasil isso seria proposto.


Vandixon Richard DeLemos... Na verdade já existe há muito tempo um instituto constitucional e tributário com o mesmo fim: CONTRIBUIÇÃO DE MELHORIA, elencada pelo artigo 145, inciso III, da Constituição Federal, combinado com os artigos 81 e 82 do Código Tributário Nacional. Mas é muito pouco aplicado pleas administrações públicas devido à exigência legal de publicação do orçamento da obra, e porque o contribuinte tem o direito de impugnar o respectivo valor. Então, para implementar a medida da Contribuição de Melhoria, os processos de licitação, formação de preço e demais itens contratuais necessitam de uma relevante transparência, o que não é muito conveniente para as empreiteiras de obras públicas e para os governos.

A taça


Uma taça cheia, bem lavrada,
Segurava e apertava nas mãos ambas,
Ávido sorvia do seu bordo doce vinho
Para, a um tempo, afogar mágoa e cuidado.
Entrou o Amor e achou-me sentado,
E sorriu discreto e sábio,
Como que lamentando o insensato:
«Amigo, eu conheço um vaso inda mais belo,
Digno de nele mergulhar a alma toda;
Que prometes, se eu to conceder
E to encher de outro néctar?»
E com que amizade ele cumpriu a palavra!
Pois ele, Lida, com suave vénia
Te concedeu a mim, há tanto desejoso.
Quando estreito o teu amado corpo
E provo dos teus lábios fidelíssimos
O bálsamo de amor longo tempo guardado,
Feliz digo eu então ao meu espírito:
Não, um vaso tal, a não ser o Amor,
Nenhum deus o formou ou possuiu!
Formas assim não as forja Vulcano
Cos martelos finos e sensíveis!
Pode Lieu em frondosos outeiros
P'los seus faunos mais velhos e sagazes
Fazer pisar as uvas escolhidas
E ele mesmo presidir ao fermentar secreto:
Bebida assim não há desvelo que lha dê!

- Johann Wolfgang von Goethe, em "Canções". in: "Poemas" Goethe (Antologia).. [tradução de Paulo Quintela]. Coimbra: Universidade de Coimbra, 1958.

Der Becher

Einen wohlgeschnitzten vollen Becher
Hielt ich drückend in den beyden Händen,
Sog begierig süßen Wein vom Rande,
Gram und Sorg’ auf Einmal zu vertrinken.
Amor trat herein und fand mich sitzen,
Und er lächelte bescheidenweise,
Als den Unverständigen bedauernd.
„Freund, ich kenn’ ein schöneres Gefäße,
Werth die ganze Seele drein zu senken;
Was gelobst du, wenn ich dir es gönne,
Es mit anderm Nektar dir erfülle?“
O wie freundlich hat er Wort gehalten,
Da er, Lida, dich mit sanfter Neigung
Mir, dem lange sehnenden, geeignet!
Wenn ich deinen lieben Leib umfasse,
Und von deinen einzig treuen Lippen
Langbewahrter Liebe Balsam koste,
Selig sprech’ ich dann zu meinem Geiste:
Nein, ein solch Gefäß hat außer Amorn
Nie ein Gott gebildet noch besessen!
Solche Formen treibet nicht Vulcanus
Mit den sinnbegabten, feinen Hämmern!
Auf belaubten Hügeln mag Lyäus
Durch die ältste, klügste seiner Faunen
Ausgesuchte Trauben keltern lassen,
Selbst geheimnißvoller Gährung vorstehn:
Solchen Trank verschafft ihm keine Sorgfalt!

- Johann Wolfgang von Goethe, in "Goethes Schriften". Achter Band, G. J. Göschen. 1789.


http://www.elfikurten.com.br/2014/07/johann-wolfgang-von-goethe.html

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Um olhar chamado Tejo



Sem que ninguém suspeite
trago prodígios no olhar,
reflexos ondulados
e lonjuras de azul debruado...
de tão longe!

Sem que ninguém suspeite
trago um rio inteiro no peito
e um risco alado
para navegar...
tantas margens!

António Patrício



La construcción social de la sociedad,


https://mega.co.nz/#!l5MG1ZzK!GD9V63yjrjhiji9Q_8ZRqwIissaeeanhFU29BnoGO3c

En el desarrollo de su teoría Berger y Luckmann utilizan un contraste no del todo nuevo pero no por eso poco fecundo, que es aquél entre la significación subjetiva del individuo y las estructuras sociales de la sociedad. Con eso quieren decir que por un lado el individuo adquiere la realidad que por otro lado está producido por todos los individuos. Durante la explicación necesaria de esta relación compleja los autores se sirven de muchas clásicas, entre otros la del interaccionismo simbólico de George Herbert Mead. La significación se entiende como tendencia de actuaciones, es decir que los hombres se comportan para con “cosas” a base de la significación que tienen para ellos. “Cosas” son denominadas todo lo que el hombre es capaz de percibir, por ejemplo objetos, seres humanos, instituciones, ideales, acciones de otros hombres etcétera. La significación nace o se deduce de la interacción social que se consiente en los prójimos. En un proceso interpretativo las significaciones son aplicadas a las cosas actuales y La construcción social de la realidad 4 además manejadas y modificadas. “La construcción social de la realidad” está fundada también en las teorías de Max Weber (Handlungstheorie) y Alfred Schuetz (Phaenomenologie).

PETER L. BERGER Y THOMAS LUCKMANN

O rio


Ser como o rio que deflui
Silencioso dentro da noite.
Não temer as trevas da noite.
Se há estrelas no céu, refleti-las
E se os céus se pejam de nuvens,
Como o rio as nuvens são água,
Refleti-las também sem mágoa
Nas profundidades tranquilas.
- Manuel Bandeira, em "Belo belo", 1948.


http://www.elfikurten.com.br/2011/02/manuel-bandeira-estrela-da-vida-inteira.html

A voz do amor


Nessa pupila rútila e molhada,
Refúgio arcano e sacro da Ternura,
A ampla noite do gozo e da loucura
Se desenrola, quente e embalsamada.
E quando a ansiosa vista desvairada
Embebo às vezes nessa noite escura,
Dela rompe uma voz, que, entrecortada
De soluços e cânticos, murmura...
É a voz do Amor, que, em teu olhar falando,
Num concerto de súplicas e gritos
Conta a história de todos os amores;
E vêm por ela, rindo e blasfemando,
Almas serenas, corações aflitos,
Tempestades de lágrimas e flores...

BILAC, Olavo. Antologia: Poesias. São Paulo: Martin Claret, 2002. 'Alma Inquieta'. (Coleção a obra-prima de cada autor).


A palavra destino


Deixai vir a mim
a palavra destino.
Manhã de surpresas, lascívia e gema.
Acasos felizes, deslizes.
Ovo dentro da ave dentro do ovo.
Palavra folha e flor.
Deixai vir a mim palavra
e seus versos, reversos:
metamorfose,

Deixai vir a mim
a palavra pão-de-consolo.
Livre de ataduras, esparadrapos,
choques elétricos
e sutis guardanapos em seco engolidos socos.
Deixai vir a mim
a palavra intumescida pelo desejo .
a palavra em alvoroço sutil, ardil
e ave na folhagem da memória.
A palavra estremecida entre a palavra.
A palavra entre o som
mas entre o silêncio do som.
Deixai vir a mim
a palavra entre homem e homem.
E a palavra entre o homem
e seu coração posto à prova
na liberdade da palavra coração.
Deixai vir a mim
a palavra destino.
- Lindolf Bell, em "O Código das Águas”. 1ª ed., São Paulo: Global editora, 1984.

Mistério

Mistério
Alumbram ares, alumbra
o meio-dia, relumbra,
e não vejo o sol.
Já de presença em presença
tudo se me transparenta,
e não vejo o sol.
Perdido nas transparências
vou de reflexo a fulgor,
e não vejo o sol.
E ele na luz se desnuda
e a cada esplendor pergunta,
e não vê o sol.
- Octavio Paz, em “Transblanco: em Torno a Blanco de Octavio Paz”. [tradução Haroldo de Campos]. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986.

Misterio
Relumbra el aire, relumbra,
el mediodía relumbra,
pero no veo al sol.
Y de presencia en presencia
todo se me transparenta,
pero no veo al sol.
Perdido en las transparencias
voy de reflejo a fulgor,
pero no veo al sol.
Y él en la luz se desnuda
y a cada esplendor pregunta,
pero no ve al sol.
- Octavio Paz

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Sibir


gostaria de ler a doutrina do tsahal em inglês ou francês. Penso que a meta, a prioridade não é mais eliminar a capacidade bélica do inimigo (a existência de uma ameaça externa sobre-dimensionada é útil politicamente ) e sim atingir a motivação (no caso árabe , a estreita relação entre famílias, clãs ...usando para isso a prisões arbitrárias, tortura -comum em todo o OM ,bombardeamentos de infra-estruturas, residencias onde haja alguém tido como inimigo de Israel -avisando minuto antes para pularem a janela.Em suma quebrar a espinha do inimigo. Para isso as leis democráticas de Israel não devem ser aplicadas em territórios ocupados em vias de anexação ou prisões a céu aberto.(terrorismo de Estado ?)Leis militares se aplicam nesses territórios contra tropas sem fardas , terroristas (o que diz a convenção de Genebra numa situação dessas .1)Israel não declarou guerra a Palestina , está só se defendendo de grupos criminosos fortemente armados por potencias estrangeiras e tendo que enfrentar uma imprensa hostil a Israel . "esses góis pró  filistin, insistem em ficar nos locais onde nossos mísseis estão limpando Israel dessas ervas daninhas, nossas espadas são para defender-nos. Não haverá um novo nosso holocausto "disse um sionista .

Wilson Roberto Nogueira

Solemnia Verba


Disse ao meu coração: Olha por quantos
Caminhos vãos andámos! Considera
Agora, desta altura, fria e austera,
Os ermos que regaram nossos prantos...
Pó e cinzas, onde houve flor e encantos!
E a noite, onde foi luz a Primavera!
Olha a teus pés o mundo e desespera,
Semeador de sombras e quebrantos!
Porém o coração, feito valente
Na escola da tortura repetida,
E no uso do pensar tornado crente,
Respondeu: Desta altura vejo o Amor!
Viver não foi em vão, se isto é vida,
Nem foi demais o desengano e a dor.


Antero de Quental, in "Sonetos

A la guerra me lleva


Miguel de Cervantes Saavedra

A la guerra me lleva
mi necesidad;
si tuviera dineros
no fuera en verdad.

A la guerra me lleva

Aventura interior

"Para que público de crianças ferozes estava eu a executar exercícios tão perigosos? Via as molduras descontínuas passando por todas as cores do espectro, chaminés de mármore branco, acordeões e , alternativamente, o granizo, as plantas ciliadas e a ave-lira. Esperai, naufrágios; suspirai, trombetas marinhas ao som das quais serei um dia recebido pelo meu irmão, aquele encantador molusco que tem a propriedade de voar debaixo de água."


*da página 133.Bretton, André. Aventura interior
Andréia Carvalho Gavita

domingo, 7 de setembro de 2014

Violoncelo


Chorai arcadas
Do violoncelo!
Convulsionadas,
Pontes aladas
De pesadelo...
De que esvoaçam,
Brancos, os arcos...
Por baixo passam,
Se despedaçam,
No rio, os barcos.
Fundas, soluçam
Caudais de choro...
Que ruínas, (ouçam)!
Se se debruçam,
Que sorvedouro!...
Trêmulos astros,
Soidões lacustres...
_ Lemes e mastros...
E os alabastros
Dos balaústres!
Urnas quebradas!
Blocos de gelo...
_ Chorai arcadas,
Despedaçadas,
Do violoncelo.
Camilo Pessanha, in 'Clepsidra'


Camilo de Almeida Pessanha (Coimbra, 7 de Setembro de 1867 — Macau, 1 de Março de 1926), poeta português, que se encontra muito esquecido.

Государыня


Государыня,
Помнишь ли, как строили дом -
Всем он был хорош, но пустой;
Столько лет
Шили по снегу серебром,
Боялись прикоснуть кислотой;
Столько лет
Пели до седьмых петухов,
Пели, но боялись сказать.
Государыня,
Ведь если ты хотела врагов,
Кто же тебе смел отказать?
Так что же мы
До сих пор все пьем эту дрянь,
Цапаем чертей за бока?
Ведь нам же сказано,
Что утро не возьмет свою дань,
Обещано, что ноша легка;
Так полно, зря ли мы
Столько лет все строили дом -
Наша ли вина, что пустой?
Зато теперь
Мы знаем, каково с серебром;
Посмотрим, каково с кислотой



o suporte da música


o suporte da música pode ser a relação
entre um homem e uma mulher, a pauta
dos seus gestos tocando-se, ou dos seus
olhares encontrando-se, ou das suas
vogais adivinhando-se abertas e recíprocas,
ou dos seus obscuros sinais de entendimento,
crescendo como trepadeiras entre eles.
o suporte da música pode ser uma apetência
dos seus ouvidos e do olfacto, de tudo o que se
ramifica entre os timbres, os perfumes,
mas é também um ritmo interior, uma parcela
do cosmos, e eles sabem-no, perpassando
por uns frágeis momentos, concentrado
num ponto minúsculo, intensamente luminoso,
que a música, desvendando-se, desdobra,
entre conhecimento e cúmplice harmonia.


Vasco Graça Moura, in "Antologia dos Sessenta Anos"
A Embaixada norte-americana adotou um perfil muito discreto nas eleições, mas isso não deve se confundir com o fato de estarem alheios ao que acontece. Quando o Aécio fica fora do jogo, os Estados Unidos se inclinam para a Marina, por pragmatismo e porque ela representa o oposto ao PT. Além disso, é alguém sem quadros próprios e, segundo dizem, tem bons contatos nos Estados Unidos, e que demonstrou estar aberta para desmontar o Estado, reduzir sua capacidade e autonomia internacional. Interessa aos Estados Unidos que o Mercosul sejam desmontado e que projetos da era tucana sejam retomados, não nos enganemos: nestas eleições, está em jogo a retomada do processo privatizador, parcial ou total, da Petrobras, do Banco do Brasil e do BNDES'

de Samuel Pinheiro Guimarães, via Carta Maior 

onda política ou maremoto



Não se trata de nenhuma singularidade extraordinária do nome de Marina Silva, mas qualquer um surfaria na mesma "onda política" ou "maremoto". Caso fosse um Joaquim Barbosa, um empresário vivo qualquer como José Ermírio de Moraes (no melhor estilo Piñera do Chile), um Sílvio Santos, um médico rico qualquer (menos o tal Abdelmassih) e mesmo um Tiririca ou Bozo, desde que assumissem e reunissem as mínimas características para ocupar o mesmo lugar contra o governo redistributivista do PT e receber o sincero, carinhoso apoio dos mais ricos, dos velhinhos do Clube Militar (que apoiaram a tortura na ditadura também corrupta), dos pastores evangélicos neopentecostais milionários, dos tradicionais membros sensíveis da classe média-alta udenista-lacerdista e principalmente ganhar o apoio da base social mais popular dos jovens da "classe C" (incluindo os populares "coxinhas" de junho de 2013). Marina é util porque foi pobre, periférica, do Partido Revolucionário Comunista e é ambientalista para se adaptar a todos os ambientes neoliberais do capital financeiro com Neca do Banco Itaú. A onda não precisa de partido político ou instituições. O motor formador e promovedor da "onda política" é a mídia brasileira dominante. Segmentos da mídia no Brasil formam um dos principais pilares da classe dominante tradicional, trata-se de uma mídia oligárquica e familiar enraizada nos privilégios do passado. Muitas famílias da mídia estão nas listas das famílias mais ricas do Brasil desde a ditadura e a maioria dos bons jornalistas tem que aceitar ou driblar o padrão editorial conservador para preservarem os seus empregos. Bons jornalistas precisam de "autonomia" profissional. Algumas TVs, rádios, revistas e os jornais brasileiros representam a voz, os interesses políticos de seus donos e formam o principal partido de oposição, com muita ideologia e manipulação informativa (nenhuma novidade aí). Parte da mídia brasileira é murdochiana. Para obterem e inventarem qualquer notícia ou factoide eleitoral é um completo vale tudo com Cachoeiras, réus presos e qualquer ilicitude disponível, que fariam de Murdoch apenas um jornalista amador de província. Deve-se debater se as regulações e leis existentes nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Europa Ocidental já teriam impactos modernizadores neste setor e será uma agenda política inevitável para o pós-onda, seja em 2015 ou em 2019.
Ricardo Costa de Oliveira

sábado, 6 de setembro de 2014

Canção de Muito Longe

De Mario Quintana.

Foi por cau-sa-do-bar-quei-ro
E todas as noites, sob o velho céu arqueado de bugigangas,
A mesma canção jubilosa se erguia.
A canoooavirou
Quemfez elavirar? uma voz perguntava.
Os luares extáticos...
A noite parada...
Foi por causa do barqueiro,

Que não soube remar.

El Hombre Imaginario


El hombre imaginario
vive en una mansión imaginaria
rodeada de árboles imaginarios
a la orilla de un río imaginario
De los muros que son imaginarios
penden antiguos cuadros imaginarios
irreparables grietas imaginarias
que representan hechos imaginarios
ocurridos en mundos imaginarios
en lugares y tiempos imaginarios
Todas las tardes imaginarias
sube las escaleras imaginarias
y se asoma al balcón imaginario
a mirar el paisaje imaginario
que consiste en un valle imaginario
circundado de cerros imaginarios
Sombras imaginarias
vienen por el camino imaginario
entonando canciones imaginarias
a la muerte del sol imaginario
Y en las noches de luna imaginaria
sueña con la mujer imaginaria
que le brindó su amor imaginario
vuelve a sentir ese mismo dolor
ese mismo placer imaginario
y vuelve a palpitar

el corazón del hombre imaginario

Nicanor Parra

Moscow - what a giant.


М.И. Цветаева. "Москва! Какой огромный...". Стихотворение. Автограф в тетради. Ф.1190. Оп.2. Ед.хр.1. РГАЛИ

Marina Tsvetaeva 'Moscow - what a giant...'. Poem. Autograph. F.1190. Ind.2. Folder 1. RGALI

Москва! Какой огромный
Странноприимный дом!
Всяк на Руси — бездомный.
Мы все к тебе придём.
Клеймо позорит плечи,
За голенищем — нож.
Издалека -далече —
Ты всё же позовёшь.
На каторжные клейма,
На всякую болесть —
Младенец Пантелеймон
У нас, целитель, есть.
А вон за тою дверцей,
Куда народ валит, —
Там Иверское сердце,
Червонное, горит.
И льётся аллилуйя
На смуглые поля.
— Я в грудь тебя целую,
Московская земля!
1916
Из цикла «Стихи о Москве»
Moscow - what a giant
And strangely-mannered home!
In Russia all are homeless.
We all to you will come.
A knife behind a boot-leg,
A shoulder brand in shame.
From far away us all
You will call all the same.
Upon the penal brandings,
On every kind of ill -
A baby Panteleimon
We have, O man who heals,
And there behind that door,
Where all the people pour -
There the fine golden heart
Is burning of Iver.
And "Halleluiah" pours
Upon the fields grown tan.
I kiss you in the bosom,
O the Moscow land!
translated by Ilya Shambat

‪#‎Tsvetaeva_rgali

fonte : Russian State Archive of Literature and Art

Cogito


eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível
eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora
eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim
eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranqüilamente
todas as horas do fim.
- Torquato Neto, em "Os cem melhores poemas brasileiros do século", [seleção e organização Ítalo Moriconi]. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, p. 269.

trecho "Morte e Vida Severina".

"...E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
mesmo quando é uma explosão
como a de há pouco, franzina;
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina."
- João Cabral de Melo Neto, trecho "Morte e Vida Severina".

CANSAÇO


O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...
9-10-1934

Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993). - 64.

Canto I - Fundação da Ilha


I
Um barão assinalado
sem brasão, sem gume e fama
cumpre apenas o seu fado:
amar, louvar sua dama,
dia e noite navegar,
que é de aquém e de além-mar
a ilha que busca e amor que ama.
Nobre apenas de memórias,
vai lembrado de seus dias,
dias que são histórias,
histórias que são porfias
de passados e futuros,
naufrágios e outros apuros,
descobertas e alegrias.
Alegrias descobertas
ou mesmo achadas, lá vão
a todas as naus alertas
de vária mastreação,
mastros que apontam caminhos
a países de outros vinhos.
Esta é a ébria embarcação.
Barão ébrio, mas barão,
de manchas condecorado;
entre o mar, o céu e o chão
fala sem ser escutado
a peixes, homens e aves,
bocas e bicos, com chaves,
e ele sem chaves na mão.
- Jorge de Lima, em "Invenção de Orfeu". Rio de Janeiro: Record, 2005, p. 27.
http://www.elfikurten.com.br/2014/03/jorge-de-lima.html