"A grandeza de alma é inseparável da grandeza
intelectual, porque implica independência. Mas, sem grandeza intelectual, a
grandeza de alma deveria ser contida, pois cria a desordem, mesmo que tenha a
intenção de proceder bem e de obrar com justiça."
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quinta-feira, 3 de outubro de 2019
sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
“Existem alturas da
alma, de onde o mesmo a tragédia deixa de ser trágica; e, se as dores do mundo
fossem juntadas numa só, quem poderia ousar dizer que a visão dela nos iria
necessariamente seduzir e obrigar a compaixão, e desse modo à compaixão, e
desse modo à duplicação da dor?… O que serve de alimento ou de bálsamo para o
tipo superior de homem, deve ser quase veneno para um tipo bem diverso e menor.
As virtudes de um homem vulgar talvez significassem fraqueza e vício num
filósofo; é possível que um homem de alta linhagem, acontecendo ele degenerar e
sucumbir, só então adquirisse as qualidades que o levariam a ser venerado como
um santo, no mundo inferior a que teria descido. Há livros que têm valor
inverso para a alma e a saúde, a depender de quem os utiliza, se uma alma
ignóbil, uma baixa força vital, ou uma superior e mais potente; no primeiro
caso são livros perigosos, desagregadores, dissolventes, no outro são gritos de
arauto, que incitam os mais valentes a mostrar o seu valor. Livros de todo
mundo sempre são livros malcheirosos: o odor da gente pequena adere a eles. Ali
onde o povo come e bebe, e mesmo onde venera, o ar costuma feder. Não se deve
frequentar igrejas, quando se deseja respirar ar puro.”
— Friedrich Nietzsche.
sábado, 13 de setembro de 2014
O solitário
Para mim é odioso
seguir e também guiar.
Obedecer? Não! E
tampouco – governar!
Quem não é terrível
para si, a ninguém inspira terror:
E somente quem inspira
terror é capaz de comandar.
Para mim já é odioso
comandar a mim mesmo!
Gosto, como os
animiais da floresta e do mar,
De por algum tempo me
perder,
De permanecer num
amável recanto a cismar,
E enfim me chamar pela
distância,
Seduzindo-me para –
voltar a mim.
.
[Friedrich Nietzsche.
In: A Gaia Ciência]
sábado, 16 de agosto de 2014
“A filosofia já não tem razão de ser e, por isso, o homem
moderno, se fosse corajoso e honesto, deveria rejeitá-la e bani-la com palavras
semelhantes àquelas com que Platão expulsou os poetas trágicos do seu Estado.
Ela poderia, sem dúvida, replicar, como também os poetas trágicos retorquiram a
Platão. Se fosse obrigada a falar, poderia, por exemplo, dizer: "Pobre
povo! Será por minha culpa que eu vagueio no teu solo como uma profetiza e que
tenho de me esconder e de me disfarçar, como se fosse uma pecadora e vós os
meus juízes? Olhai a minha irmã, a arte: acontece-lhe como a mim, refugiamo-nos
junto dos Bárbaros e já não sabemos salvar-nos. Aqui, é verdade, já não temos
nenhuma boa razão de ser: mas os juízes, perante os quais encontramos razão,
também vos julgam e hão de vos dizer: "Tende primeiro uma civilização;
depois, aprendereis o que a filosofia quer e pode".
__________________
Friedrich Nietzsche
domingo, 22 de junho de 2014
“O tipo de beleza mais nobre é aquele que não arrebata de
repente, e que não faz ataques impetuosos e inebriantes (esse provoca com
facilidade o tédio), mas que se insinua lentamente, que se carrega consigo
quase sem saber e que um dia, em sonho, se redescobre, mas que, por fim, após
ter ficado modestamente em nosso coração, toma posse completa de nós, enche
nossos olhos de lágrimas, nosso coração de desejo”.
Friedrich Nietzsche, no livro “Humano demasiadamente
humano”.
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
O Eterno Retorno.
''E se um dia ou uma
noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse:
"Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la
ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor
e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente
pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e
sequência - e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do
mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será
sempre virada outra vez, e tu com ela, poeirinha da poeira!". Não te
lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te
falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe
responderias: "Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!" Se esse
pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e
talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: "Quero
isto ainda uma vez e inúmeras vezes?" pesaria como o mais pesado dos pesos
sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a
vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e
chancela?"
F. W. Nietzsche
terça-feira, 17 de setembro de 2013
RELAÇÃO ÍNTIMA
«Todos os impulsos, as emoções, as manifestações
de vontades imagináveis, todas estas contingências da alma humana lançadas pela
razão na imensidade negativa da noção de «sentimento», podem ser expressas por
meio da multidão infinita das melodias possíveis, mas sempre exclusivamente na
generalidade da forma pura, sem a substância, sempre somente como coisa em si,
e não como aparência, de algum modo como a alma da aparência, incorporalmente.
Esta relação íntima, que existe entre a música e a verdadeira essência de todas
as coisas, explica-nos também por que, quando com pretexto de uma cena, de uma
ação, de um evento, de um ambiente qualquer, ressoa uma música adequada, esta
parece revelar-nos a significação mais secreta e afirmar-se como o mais exato e
mais luminoso dos comentários; compreendemos igualmente como é que aquele que
se abandona sem reservas à impressão produzida por uma sinfonia julga ver
desenrolar-se perante os seus olhos todos os acontecimentos imagináveis da vida
e do mundo.»
Nietzsche, 1872
in A Origem da Tragédia
Guimarães Editores, p.130
sábado, 1 de junho de 2013
AO IDEAL
AO IDEAL
A quem como a ti amei eu, ó sombra amada!
Atraí-te a mim, para dentro de mim-- e desde então
quase me fiz eu sombra, e corpo tu.
Todavia os meus olhos não aprendem,
afeitos a ver as coisas fora de si:
pra eles és sempre o eterno "fora de mim".
Ah, estes olhos põem-me fora de mim!"
(F. Nietzsche, "POEMAS", antologia, versão
portuguesa e notas de Paulo Quintela, 2ªed revista, Centelha, Coimbra 1981,
p.191. )
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Che cosa rende eroici? Muovere incontro al proprio
supremo dolore e insieme alla propria suprema speranza.
In che cosa credi? In questo: che i pesi di tutte le
cose devono essere nuovamente determinati.
Che cosa dice la tua coscienza? Devi diventare quello
che sei.
Dove stanno i tuoi più grandi pericoli? Nella
compassione.
Che cosa ami negli altri? Le mie speranze.
Chi chiami cattivo? Chi mira soltanto a incutere
vergogna.
Che cos'è per te la cosa più umana? Risparmiare
vergogna a qualcuno.
Che cos'è il sigillo della raggiunta libertà? Non
provare più vergogna davanti a se stessi".
Friedrich Nietzsche
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
O Que se Pode Prometer
Pode-se prometer ações, mas não sentimentos, pois estes são
involuntários. Quem promete a alguém amá-lo sempre, ou odiá-lo sempre, ou ser-lhe
sempre fiel, promete algo que não está em seu poder; mas o que pode
perfeitamente prometer são aquelas ações que, na verdade, são geralmente as
consequências do amor, do ódio, da fidelidade, mas que também podem emanar de
outras razões, pois a uma ação conduzem diversos caminhos e motivos.
A promessa de amar sempre alguém significa, portanto:
enquanto eu te amar, manifestar-te-ei as ações do amor; se eu já não te amar,
pois, não obstante, receberás para sempre de mim as mesmas ações, ainda que por
outros motivos. De modo que a aparência de que o amor estaria inalterado e
continuaria sendo o mesmo permanece na cabeça das outras pessoas.
Promete-se, por conseguinte, a persistência da aparência do
amor, quando, sem ilusão, se promete a alguém amor perpétuo.
Friedrich Nietzsche, in 'Humano, Demasiado Humano'
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