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quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Poemas de Olavo Bilac




Olavo Bilac (Rio de Janeiro RJ, 1865-1918) começou os cursos de Medicina, no Rio, e Direito, em São Paulo, mas não chegou a concluir nenhuma das faculdades. Em 1884 seu soneto Nero foi publicado na Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro. Em 1887 iniciou carreira de jornalista literário e, em 1888, teve publicado seu primeiro livro, Poesias. Nos anos seguintes, publicaria crônicas, conferências literárias, discursos, livros infantis e didáticos, entre outros. Republicano e nacionalista, escreveu a letra do Hino à Bandeira e fez oposição ao governo de Floriano Peixoto. Foi membro-fundador da Academia Brasileira de Letras, em 1896. Em 1907, foi o primeiro a ser eleito “príncipe dos poetas brasileiros”, pela revista Fon-Fon. De 1915 a 1917, fez campanha cívica nacional pelo serviço militar obrigatório e pela instrução primária. Destaca-se em sua obra poética o livro póstumo Tarde (1919). Parte das crônicas que escreveu em mais de 20 anos de jornalismo está reunida em livros, entre os quais Vossa Insolência (1996). Bilac, autor de alguns dos mais populares poemas brasileiros, é considerado o mais importante de nossos poetas parnasianos. (Fonte)

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Poemas:

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A velhice

O neto:

Vovó, por que não tem dentes?

Por que anda rezando só.

E treme, como os doentes

Quando têm febre, vovó?

Por que é branco o seu cabelo?

Por que se apóia a um bordão?

Vovó, porque, como o gelo,

É tão fria a sua mão?

Por que é tão triste o seu rosto?

Tão trêmula a sua voz?

Vovó, qual é seu desgosto?

Por que não ri como nós?

A Avó:

Meu neto, que és meu encanto,

Tu acabas de nascer...

E eu, tenho vivido tanto

Que estou farta de viver!

Os anos, que vão passando,

Vão nos matando sem dó:

Só tu consegues, falando,

Dar-me alegria, tu só!

O teu sorriso, criança,

Cai sobre os martírios meus,

Como um clarão de esperança,

Como uma benção de Deus!

.

Língua portuguesa

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...

Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: "meu filho!"
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

.

Deixa o olhar do mundo
.
Deixa que o olhar do mundo enfim devasse
Teu grande amor que é teu maior segredo!
Que terias perdido, se, mais cedo,
Todo o afeto que sentes se mostrasse?

Basta de enganos! Mostra-me sem medo
Aos homens, afrontando-os face a face:
Quero que os homens todos, quando eu passe,
Invejosos, apontem-me com o dedo.

Olha: não posso mais! Ando tão cheio
Deste amor, que minh'alma se consome
De te exaltar aos olhos do universo...

Ouço em tudo teu nome, em tudo o leio:
E, fatigado de calar teu nome,
Quase o revelo no final de um verso.

.

Longe de ti

Longe de ti, se escuto, porventura,
Teu nome, que uma boca indiferente
Entre outros nomes de mulher murmura,
Sobe-me o pranto aos olhos, de repente...

Tal aquele, que, mísero, a tortura
Sofre de amargo exílio, e tristemente
A linguagem natal, maviosa e pura,
Ouve falada por estranha gente...

Porque teu nome é para mim o nome
De uma pátria distante e idolatrada,
Cuja saudade ardente me consome:

E ouvi-lo é ver a eterna primavera
E a eterna luz da terra abençoada,
Onde, entre flores, teu amor me espera.

.

O tempo

Sou o Tempo que passa, que passa,
Sem princípio, sem fim, sem medida!
Vou levando a Ventura e a Desgraça,
Vou levando as vaidades da Vida!

A correr, de segundo em segundo,
Vou formando os minutos que correm . . .
Formo as horas que passam no mundo,
Formo os anos que nascem e morrem.

Ninguém pode evitar os meus danos . . .
Vou correndo sereno e constante:
Desse modo, de cem em cem anos
Formo um século, e passo adiante.

Trabalhai, porque a vida é pequena,
E não há para o Tempo demoras!
Não gasteis os minutos sem pena!
Não façais pouco caso das horas!

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Fonte : revista macondo

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

IV - HOMENAGEM A OLAVO BILAC




IV

Como a floresta secular, sombria,
Virgem do passo humano e do machado,
Onde apenas, horrendo, ecoa o brado
Do tigre, e cuja agreste ramaria

Não atravessa nunca a luz do dia,
Assim também, da luz do amor privado,
Tinhas o coração ermo e fechado,
Como a floresta secular, sombria...

Hoje, entre os ramos, a canção sonora
Soltam festivamente os passarinhos.
Tinge o cimo das árvores a aurora...

Palpitam flores, estremecem ninhos, . .
E o sol do amor, que não entrava outrora,
Entra dourando a areia dos caminhos.

Olavo Bilac

1

“Entra dourando a areia dos caminhos”
O sol se transformando em guia e fonte,
Reinando sobre a linha do horizonte
Guiando os tantos pássaros aos ninhos.
Forrando a terra em áurea maravilha
Azulejado céu se torna imenso,
E quando neste brilho paro e penso,
Minha alma em luzes fartas também trilha
Seguindo cada raio na manhã
Deveras tão fantástica que vejo,
Iridescentes lumes num lampejo,
E a vida recomeça o seu afã.
E tendo sob os olhos tal beleza,
Verseja dentro em mim a natureza.

2

“E o sol do amor, que não entrava outrora,”
Ao perceber distante dos meus olhos
Jardim que agora entranha-se em abrolhos
Enquanto esta aridez tudo devora.
Encontro sob os raios deste sol
Sobeja maravilha que, infinita
Deveras transformando uma desdita
Traçando em minha vida, este farol.
Percebo que se emana dentro da alma
Prismático e sem par, raro espetáculo,
Não tendo mais sequer qualquer obstáculo,
Imensa claridade já me acalma,
Excelso dia, eu sinto me tocando,
Num ar suave e manso, claro e brando...

3

“Palpitam flores, estremecem ninhos,”
Envoltos pela intensa claridade
Tornando bem mais bela a realidade,
Não tendo mais meus dias tão sozinhos,
Permito-me sonhar e em cada sonho
Deveras se pressente um Paraíso,
O passo destemido e mais preciso,
Num raro amanhecer que ora componho,
E vendo-te tão bela em luzes fartas,
Rondando a minha mente, fantasias,
E enquanto com prazeres tu me guias
As dores e os temores; já descartas.
Seguindo cada passo rumo à paz
Que amor, sem ter limite; quer e traz.

4

“Tinge o cimo das árvores a aurora’
Derrama sobre a Terra em áureos tons,
E os pássaros entoam vários “C
Enquanto a Natureza se decora.
Pudesse ter deveras a certeza
Do quanto se faz raro este momento,
Teria pelo menos um alento,
Gerando dentro em mim tal fortaleza
Que nada impediria o meu caminho
Aonde se pensara em dor e tédio,
O amor se demonstrando este remédio
Trazendo a paz aonde ora me aninho.
Seguindo cada passo desta luz,
O brilho em teu olhar se reproduz...

5

“Soltam festivamente os passarinhos”
Vagando por diversas direções,
Nos cantos mais fantásticos me expões
Belezas que se espalham nos caminhos,
E quando me percebo mais feliz
Vivendo desta forma, sem temores,
Sabendo em meu canteiro tantas flores
E nelas farto amor que me bendiz.
Tomado por carinhos, sigo em frente
Deixando no passado a dor imensa,
E quando tenho em ti a recompensa,
O mundo se transforma, num repente.
E sinto neste céu tal festival
De um canto mavioso, sem igual...

6

“Hoje, entre os ramos, a canção sonora”
Dos pássaros trazendo na alvorada
A imagem tão sobeja quão dourada
Nesta manhã divina que se aflora.
Mergulho em cada raio fulgurante
Que emana-se tomando todo o espaço
E quando neste sol divino eu traço
Porquanto em tal beleza se agigante
O sonho mais audaz e a divindade
Trazendo para tantos, luz e vida
A história noutras eras já perdida
Agora de esperança enfim se invade.
Tornando bem mais belo o meu jardim,
Derrama maravilhas sobre mim...

7

“Como a floresta secular, sombria”
A vida se mostrara em árdua cor,
E tendo tão somente o desamor,
A sorte a cada corte desafia,
E eu tento vislumbrar alguma sorte
Diversa da que tanto me maltrata,
A vida se por vezes é ingrata
Sem ter sequer quem mesmo nos conforte,
Percebo ainda ao longe num relance
O brilho deste sol que se aproxima
E nele com certeza nova estima
Tocando minha pele em belo alcance.
Lançando o meu olhar neste horizonte
Permito que este amor, novo, desponte...

8

“Tinhas o coração ermo e fechado”
Depois dos vendavais e tempestades,
A vida traz correntes, frias grades,
Porquanto ainda vivo o teu passado,
Mas quando nos meus braços te entregaste
Mudando a direção dos ventos, vi
Que toda esta pujança havia em ti
Gerando com a dor raro contraste,
Bebendo cada gota deste encanto,
Já não se vê mais dores no caminho,
E quando nos teus braços eu me aninho,
Um pássaro liberto, enfim, eu canto.
E sei que tu também segues tranqüila
Na glória que este amor, raro, destila...

9

“Assim também, da luz, o amor privado”
Jamais encontraria amanhecer
E tendo mais distante algum prazer
A dor já dominando rumo e Fado.
Pudesse ter nas mãos a minha sorte
Não haveria tanto sofrimento,
E quando nos teus braços eu me alento
Encontro quem deveras me conforte,
Trazendo lenitivo às tantas dores
Mudando a direção, em paz prossigo,
E tendo neste amor um raro abrigo,
Seguindo cada passo aonde fores,
As flores renascendo no canteiro,
Num sol sobejo e claro, verdadeiro...

10

“Não atravessa nunca a luz do dia,”
A sombra do que fora desamor
Ao mesmo tempo em ti percebo a cor
Que o coração deveras já recria
Matizes tão diversos da emoção
Alheias fantasias do passado,
Agora ao ver meu rumo ensolarado,
Jamais conhecerei a solidão.
Vestindo de ilusão meu peito eu sigo
Enfrentando as tempestas mais vorazes
E quanto mais amor, querida trazes
Maior a sensação de imenso abrigo.
Não deixe que este encanto finde, pois,
É dele ora o futuro de nós dois...

11

“Do tigre, e cuja agreste ramaria”
As garras com os ramos misturados
Caminhos que pensara abençoados
Transformam a beleza em agonia.
A fera se mostrando atocaiada
Floresta impenetrável, desamores,
Aonde se pensara colher flores,
A morte sendo assim anunciada.
Vencido pelo medo, nada tenho
Somente este vazio dentro da alma,
Nem mesmo uma alegria inda me acalma,
Pois sinto quão é frágil tal empenho.
Do tigre, da floresta, do terror,
O fim do que pensara eterno amor...

12

“Onde apenas, horrendo, ecoa o brado”
Da fera que prepara-se em espreita
A sorte malfadada não aceita
Destino pelos deuses já traçado.
O peso do viver se acumulando
Vergastas me cortando dia a dia,
Aonde se pensara em fantasia,
Em tempo mais suave, ameno e brando
Imenso temporal ora aproxima
E deixa em polvorosa a Natureza,
Lutando contra a intensa correnteza,
Sem ter sequer o sonho que redima,
Prepara-se o final da minha história
Deveras dolorida e merencória...

13

“Virgem do passo humano e do machado”
Florestas dentro da alma mais ferozes,
Jamais ouvindo enfim dos sonhos vozes,
Amor há tanto tempo abandonado.
Vivendo sem saber sequer ternura,
O corte se prepara a cada instante,
E o que pudera ser mais deslumbrante
Transforma qualquer brilho na loucura
Que doma e não permite a caminhada
Daquele que se fez um eremita,
A sorte se transforma na desdita,
Jamais reconhecendo uma alvorada,
A negritude imensa do arrebol,
Impede o brilho farto de algum sol.

14

“Como a floresta secular, sombria,”
Minha alma se perdendo em turvas águas
Trazendo tão somente frias mágoas
Do que vivera outrora em fantasia.
Não tendo com certeza a boa sorte
Que tanto desejara quem sonhava,
Apenas nos meus olhos, fogo e lava,
Seguindo cada passo sem suporte.
Pressinto assim o fim do sonho e então
Depois da tempestade sem bonança
Restando algum resquício de esperança,
Quem sabe novos dias me trarão
Após o sofrimento e o desprazer,
O sol num belo e claro amanhecer!


terça-feira, 30 de dezembro de 2014

VELHAS ÁRVORES

 Olavo Bilac

Olha estas velhas árvores, mais belas,
Do que as árvores novas, mais amigas:
Tanto mais belas quanto mais antigas,
Vencedoras da idade e das procelas...
O homem, a fera, e o inseto, à sombra delas
Vivem, livres de fome e fadigas;
E em seus galhos abrigam-se as cantigas
E os amores das aves tagarelas.
Não choremos, amigo, a mocidade!
Envelheçamos rindo! envelheçamos
Como as árvores fortes envelhecem:
Na glória da alegria e da bondade,
Agasalhando os pássaros nos ramos,
Dando sombra e consolo aos que padecem!



quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Sonho


Quantas vezes, em sonho, as asas da saudade
Solto para onde estás, e fico de ti perto!
Como, depois do sonho, é triste a realidade!
Como tudo, sem ti, fica depois deserto!
Sonho... Minha alma voa. O ar gorjeia e soluça.
Noite... A amplidão se estende, iluminada e calma:
De cada estrela de ouro um anjo se debruça,
E abre o olhar espantado, ao ver passar minha alma.
Há por tudo a alegria e o rumor de um noivado.
Em torno a cada ninho anda bailando uma asa.
E, como sobre um leito um alvo cortinado,
Alva, a luz do luar cai sobre a tua casa.
Porém, subitamente, um relâmpago corta
Todo o espaço... O rumor de um salmo se levanta
E, sorrindo, serena, apareces à porta,
Como numa moldura a imagem de uma Santa...


Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (Rio de Janeiro, 16 de Dezembro de 1865 — 28 de Dezembro de 1918), jornalista e poeta, membro fundador da Academia Brasileira de Letras.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A voz do amor


Nessa pupila rútila e molhada,
Refúgio arcano e sacro da Ternura,
A ampla noite do gozo e da loucura
Se desenrola, quente e embalsamada.
E quando a ansiosa vista desvairada
Embebo às vezes nessa noite escura,
Dela rompe uma voz, que, entrecortada
De soluços e cânticos, murmura...
É a voz do Amor, que, em teu olhar falando,
Num concerto de súplicas e gritos
Conta a história de todos os amores;
E vêm por ela, rindo e blasfemando,
Almas serenas, corações aflitos,
Tempestades de lágrimas e flores...

BILAC, Olavo. Antologia: Poesias. São Paulo: Martin Claret, 2002. 'Alma Inquieta'. (Coleção a obra-prima de cada autor).


terça-feira, 15 de abril de 2014

Via-Láctea - XIII

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".


- in 'Via-Láctea - XIII’, 1888. Olavo Bilac. Antologia: Poesias. São Paulo: Martin Claret, 2002. p. 37-55: Via-Láctea. (Coleção a obra-prima de cada autor).

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Dualismo




Não és bom, nem és mau: és triste e humano...
Vives ansiando, em maldições e preces,
Como se, a arder, no coração tivesses
O tumulto e o clamor de um largo oceano.

Pobre, no bem como no mal, padeces;
E, rolando num vórtice vesano,
Oscilas entre a crença e o desengano,
Entre esperanças e desinteresses.

Capaz de horrores e de ações sublimes,
Não ficas das virtudes satisfeito,
Nem te arrependes, infeliz, dos crimes:

E, no perpétuo ideal que te devora,
Residem juntamente no teu peito
Um demônio que ruge e um deus que chora.

- BILAC, Olavo. ‘Tarde’. In: Antologia: Poesias. São Paulo: Martin Claret, 2002. (Coleção a obra-prima de cada autor).

domingo, 30 de setembro de 2012

Língua portuguesa




Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...


Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: "meu filho!"
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

 Olavo Bilac

sábado, 15 de setembro de 2012

Remorso

Às vezes, uma dor me desespera...
Nestas ânsias e dúvidas em que ando.
Cismo e padeço, neste outono, quando
Calculo o que perdi na primavera.

Versos e amores sufoquei calando,
Sem os gozar numa explosão sincera...
Ah! Mais cem vidas! com que ardor quisera
Mais viver, mais penar e amar cantando!

Sinto o que desperdicei na juventude;
Choro, neste começo de velhice,
Mártir da hipocrisia ou da virtude,

Os beijos que não tive por tolice,
Por timidez o que sofrer não pude,
E por pudor os versos que não disse!

Olavo Bilac