quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Me llamo barro aunque Miguel me llame.


Me llamo barro aunque Miguel me llame.
Barro es mi profesión y mi destino
que mancha con su lengua cuanto lame.

Soy un triste instrumento del camino.
Soy una lengua dulcemente infame
a los pies que idolatro desplegada.

Como un nocturno buey de agua y barbecho
que quiere ser criatura idolatrada
embisto a tus zapatos y a sus alrededores,
y hecho de alfombras y de besos hecho
tu talón que me injuria beso y siembro de flores.

Coloco relicarios de mi especie
a tu talón mordiente, a tu pisada,
y siempre a tu pisada me adelanto
para que tu impasible pie desprecie
todo el amor que hacia tu pie levanto.

Más mojado que el rostro de mi llanto,
cuando el vidrio lanar del hielo bala,
cuando el invi erno tu ventana cierra
bajo a tus pies un gavilán de ala,
de ala manchada y corazón de tierra.
Bajo a tus pies un ramo derretido
de humilde miel pataleada y sola,
un despreciado corazón caído
en forma de alga y en figura de ola.

Barro en vano me invisto de amapola,
barro en vano vertiendo voy mis brazos,
barro en vano te muerdo los talones,
dándote a malheridos aletazos
sapos como convulsos corazones.

Apenas si me pisas, si me pones
la imagen de tu huella sobre encima,
se despedaza y rompe la armadura
de arrope bipartido que me ciñe la boca
en carne viva y pura,
pidiéndote a pedazos que la oprima
siempre tu pie de liebre libre y loca.

Su taciturna nata se arracima,
los sollozos agitan su arboleda
de lana cerebral bajo tu paso.

Y pasas, y se queda
incendiando su cera de invierno ante el ocaso,
mártir, alhaja y p asto de la rueda.
Harto de someterse a los puñales
circulantes del carro y la pezuña,
teme del barro un parto de animales
de corrosiva piel y vengativa uña.

Teme que el barro crezca en un momento,
teme que crezca y suba y cubra tierna,
tierna y celosamente
tu tobillo de junco, mi tormento,
teme que inunde el nardo de tu pierna
y crezca más y ascienda hasta tu frente.

Teme que se levante huracanado
del blando territorio del invierno
y estalle y truene y caiga diluviado
sobre tu sangre duramente tierno.

Teme un asalto de ofendida espuma
y teme un amoroso cataclismo.

Antes que la sequía lo consuma
el barro ha de volverte de lo mismo.

Miguel Hernández© 


Fuente: http://aracelifoto.blogspot.com/2011/05/micky-molina.html

segunda-feira, 17 de setembro de 2018


Uma eleição presidencial com chapas competitivas e democráticas só é possível com as famosas listas de apoiadores nas universidades, na intelligentsia, na ciência, na tecnologia, nas artes, no jornalismo, na pesquisa e principalmente nas mais sofisticadas áreas de alta cultura, nos intelectuais das humanidades e ciências sociais. O PT sempre teve muitos intelectuais como apoiadores e simpatizantes, desde sua fundação. Na última eleição Aécio Neves e o PSDB até conseguiram reunir uma extensa lista, hoje formada por grandes envergonhados arrependidos e que procuram esconder isto no seu passado. Na atual eleição o PT e Haddad continuam a ter boa parte dos apoiadores com o título de Doutorado, Haddad mesmo é o único Doutor com perfil mais elaborado. Boulos, Ciro, Marina e Alckmin também reúnem algum apoio. O candidato de extrema direita Bolso é o que mais dificuldades apresenta neste quesito pelo seu manifesto anti-intelectualismo e truculência, por ser um ignorante completo no meio dos mais ignorantes, desconhecendo o que é uma grande universidade crítica e jamais conseguiria reunir extensas listas qualificadas de apoios no campo intelectual, cultural, artístico e científico, pelos seus horríveis preconceitos fascistas contra mulheres, negros, índios, LGBTs e visão de mundo autoritária, rasa, tosca, superficial, brucutu e troglodita sobre as complexidades do mundo. Outro grande diferencial nesta eleição.
RCO


Na aula passada causei uma grande crise de risos na aula da pós em sociologia, quando entramos justamente na lição do Judiciário e Sistema Judicial no Brasil. Imaginem alguém falar que é um poder moderno, isento, neutro, equitativo, transparente, com uma burocracia weberiana, racional-legal, com processos, ritos, remunerações e auxílios codificados e na forma das mesmas lei vigentes para outros ramos do Estado, tudo isso com seus membros meritocráticos preferencialmente recrutados na classe média renovadora e com padrões de carreiras estruturados, nos quais todos podem alcançar as hierarquias superiores independentemente de suas origens familiares, de classe e redes sociais ! O mundo real é muito diferente. Vamos conhecer as suas genealogias familiares político-jurídicas para entendermos aspectos do comportamento de suas atuações. Como esperado Gilmar Mendes soltou a família Richa e seus associados menores. Lula segue como preso político nos tribunais de exceção. O judiciário brasileiro é mais uma instituição completamente pré-moderna e o que sempre valeu é:
1- Excessivo poder pessoal. Escolher privadamente agendas, cronogramas, velocidades. Proteger e blindar alguns, perseguir e punir excessivamente outros.
2 - Ter pedigree, ou seja, ter uma genealogia política familiar como o índice de atuação político-jurídico e de sucesso na carreira.
3 - Não basta ter sólidas provas sem ter convicção para prender. O que vale é não ter provas e ter somente convicção para prender adversários e inimigos de classe.
4 - Resquícios da velha "nobreza togada" do Antigo Regime. Luxo e privilégios nas instalações, ambiente e convivência.
5 - Seletividade estrutural e política para escolher politicamente as formas de ação.
6 - Total falta de controle externo e total corporativismo.
7 - Ação sincronizada entre os poderes executivos, legislativos, judiciários, tribunais de contas, mídias e empresariado para manter e preservar a atrasada cultura política dos golpes, com modus operandi pré-moderno e estilo de vida arcaico, elitista e antidemocrático.
RCO


O ser social determina a consciência. Quando lemos que a folha de pagamento do judiciário cresceu mais de 8 bilhões, no meio da crise, quando um general de pijamas candidato declara que uma constituição não precisa de eleição, quando oligarquias políticas familiares continuam dominando o legislativo e o executivo, quando a mídia brasileira é uma das mais atrasadas e manipuladoras no mundo todo. O Brasil do Golpe é a contínua ação de classe dos setores mais reacionários e oligárquicos do nosso "Antigo Regime". Muitos magistrados, militares, políticos, jornalistas e empresários do bloco golpista formam um grande consórcio do atraso e da reação permanente, agora em crise. Nunca foram modernizados, nunca foram desalojados do seu tradicional poder autoritário e arcaico, sempre monitorando e controlando todas as nossas instituições políticas pelo familismo e nepotismo. A democracia só conseguirá se instalar nesse ambiente se estiver bem preparada para firmes lutas políticas contra essa velha classe dominante, contra esses interesses sociais e materiais arcaicos dentro do Estado e que sempre causaram o grande atraso e subdesenvolvimento no Brasil.
RCO

quinta-feira, 13 de setembro de 2018


Até a falta de luz tem brilhos para quem enxerga com a alma.
Ivan Justen Santana


Não existe segredos para escrever bem. Escrever bem é sobretudo re-escrever: retocar, apagar, recomeçar... Como Sísifo. (Já falei disso alhures, rs.) Quem não está disposto a abrir mão de parcelas consideráveis da vida para escrever não é escritor. Quem não está disposto a 'morrer' pelo que escreve não é escritor. O verdadeiro escritor não tem glamour. Foge dos holofotes. Dos rapapés. Escrever é uma espécie de suicídio programado e gradativo. Só interessa ao escritor sua obra. O resto -- o nome, a fama, o dinheiro, a felicidade -- é perfumaria.

Otto Leopold Winck


“Colocar no mesmo plano moral o comunismo russo e o nazifascismo, como sendo ambos totalitários, no melhor dos casos é superficialidade, no pior dos casos é fascismo. Quem insiste nessa equiparação pode bem considerar-se democrático, mas na verdade e no fundo do coração já é, na realidade, fascista, e certamente apenas de modo aparente e não sincero combaterá o fascismo, enquanto reservará todo o seu ódio ao comunismo.”

Thomas Mann

2018 É O ANO DA NÃO-ELEIÇÃO.



As pessoas se dividem entre dois não-candidatos.
Um está preso (sem entrar no mérito se por justiça ou não). Não pode disputar. Nunca teve condição para participar da campanha física.
Outro está na UTI (sem entrar na discussão se por justiça ou não). Tentaram antecipar a saída dele do tratamento com alimentação via oral e teve que passar por cirurgia de emergência 24 horas depois. Não tem e não terá condições física para participar da campanha.
Mas o eleitor medianamente informado e interessado na campanha só pensa, sonha, fala, defende, ataca, julga, demoniza ou endeusa um dos dois.
Vocês lembram que eleição é para escolher um presidente, não um semideus?
Que tal começar a campanha de fato e usar as próximas três semanas para considerar as alternativas viáveis - física e legalmente - para o próximo presidente do País.
Não para o próximo exterminador de comunistas ou para o solucionador de todos os outros problemas, salvando os comunistas (sic!). Vocês são melhores. Sei que são.
Emerson Urizzi Cervi

19



Banir a Mim - de Mim -
Fosse eu Capaz -
Fortim inacessível
Ao Eu Audaz -

Mas se meu Eu - Me assalta -
Como ter paz
Salvo se a Consciência
Submissa jaz?

E se ambos somos Rei
Que outro Fim
Salvo abdicar-
Me de Mim?


De Emily Dickinson, um seu poema em trad. de Augusto de Campos:

quarta-feira, 12 de setembro de 2018


É injusto vocês só falarem da prisão do Beto.
Como fica o candidato à presidência, Alvaro Dias, que vem se apresentando como refundador da república, contra corrupção, etc. O primeiro suplente dele no senado, atual presidente do diretório estadual do Podemos no Paraná, empresário J. Malucelli, teve pedido de prisão decretada. Igualzinho o Beto. Como fica o discurso do Alvaro agora?!
E olha que nem estou fazendo julgamento de mérito das denúncias. Pouco importa para a estratégia de marketing de Alvaro Dias se o Ministério Público tem ou não razão em pedir prisões temporárias.
A questão aqui é o telhado de vidro gigantesco do candidato do Podemos.
Isso sem falar no candidato ao senado pelo partido de Álvaro e JMalucelli, o prof. Oriovisto, que também é do Podemos e se apresenta como o novo na campanha. E sem falar que JMalucelli foi eleito 1º suplente de senador em 2014 filiado ao PSD. E o PSD tem candidato ao governo do Paraná, que é apoiado pelo Podemos.
Gente, os impactos são bem mais profundos que simplesmente engaiolar o "piloto" por alguns dias, viu.
Emerson UrizziCervi


Pessoal fala que os petistas são patéticos seguidores de um líder. Ora, o PT é o único exemplo de dialética simbiótica entre liderança e bases (sendo o único que tem militância volumosa e histórica). Votar em Ciro ou Marina (a não ser em caso de segundo turno, quando alianças se formam) seria, isso sim, de um personalismo pouco politizado, pois não têm base, quadros, relação orgânica com uma militância diversificada. Seria tão personalista quanto votar no Bozo e sua legenda de aluguel. Confiar numa pessoa e não numa instituição. Voto em Haddad pois ele é PT (mais do que por ser o indicado do Lula), e, mais ainda, por ele estar com Manuela, a única feminista/comunista do pleito. Voto em Haddad por ser o candidato da educação (só o fato de ter ajudado a trazer a História Geral da África ao Brasil já seria suficiente para mim), da retomada do combate à desigualdade social e da ideia da democracia como prerrogativa para um país melhor.
Ricardo Pedrosa Alves

Vocês não devem se lembrar,



Mas, entre fim de 2013 e início de 2014, ainda no primeiro mandato, o então governador Richa entrou em rota de colisão com o GAECO. O secretário de segurança da época ameaçou tirar todos os policiais militares cedidos ao grupo do Ministério Público. Depois de muita gritaria do ministério público, o governador falou que ia haver um rodízio de PMs no GAECO. Os promotores vieram a público e disseram que o rodízio inviabilizaria as investigações.
Até que entrou a turma do "deixa-disso" no meio e o procurador geral do Estado conseguiu convencer o governador a não fazer rodízio de PMs por lá.
Richa aceitou abrir mão do rodízio, mas ele mesmo passou a assinar as autorizações para ceder PMs ao GAECO. Antes isso era só um procedimento burocrático - não político - feito pelo secretário de segurança.
Enfim, só pensei em reavivar a memória de vocês.
Emerson Urizzi Cervi


Não, a pobreza, a desigualdade social, os preconceitos, a corrupção, os sobrenomes políticos que se repetem pela cultura do nepotismo não são fenômenos "naturais", fatos sociais "normais", mas são realidades produzidas e reproduzidas pelas políticas existentes do Estado e pela estrutura social dos privilégios da classe dominante cuidadosamente confeccionadas a cada conjuntura e geração.
RCO

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Pela Defesa da Democracia.


Na última ditadura houve a célebre frase arrependida do Vice-Presidente Pedro Aleixo quando da envergonhada edição do AI-5: O problema é o guarda da esquina ! Os pequenos poderes autoritários e ditatoriais contra os direitos democráticos de todos assustavam o experiente político mineiro. Agora verificamos com preocupação colocações na justiça querendo censurar o nome de Lula em candidaturas presidenciais, uma entrevista militar ameaçando os livres resultados eleitorais e a posse legítima dos eleitos para governarem, os casos de Edna Dantas e Renato Freitas, jovens candidatos negros e periféricos do PT, em Curitiba, sendo presos em manifestações do livre direito de expressão e agressões, que devem ser rigorosamente investigadas e apuradas. Todo apoio à Democracia ! Viva o Estado de Direito Democrático !


RCO

Tutti in Famiglia


A prisão da família Richa, uma vez que a política tradicional paranaense é operada por famílias, representa mais um cálculo do partido político do judiciário e das fases da Lava Jato. Muito tarde e muito pouco. Já deveriam ter sidos presos há vários anos, pelo menos desde o massacre dos professores. A notícia da prisão de Beto Richa, Fernanda Richa e de José Richa Filho, o Pepe, super-secretários na gestão anterior, beneficia diretamente a candidatura senatorial de Flávio Arns, aliado próximo de Rosângela Moro, esposa do juiz Sérgio Moro e também ofusca as manchetes políticas do dia sobre Haddad e Lula, em Curitiba, em um momento em que Haddad precisa de visibilidade para subir nas pesquisas ao lado de Lula. Como sempre é uma jogada política muito bem pensada e calculada na sua data, cronograma e no seu impacto midiático, o que continua a revelar o forte ativismo político e eleitoral do judiciário nesta conjuntura.

RCO

sábado, 8 de setembro de 2018


Observando a entrevista de Mourão na Globo e a falta que o ensino de sociologia provoca nos preconceitos contra índios, negros, mulheres e contra a própria ideia de cultura. A pior parte foi a ausência de críticas contra Ustra, que nunca foi um combatente militar e sim um covarde torturador de presos sob custódia do Estado, uma gritante diferença em termos de tratados internacionais imprescritíveis. Vergonha. Como podem militares que se tornaram o que são apenas por causa da educação em instituições públicas e estatais, com a vida profissional inteira no Estado, quererem privatizar empresas nacionais estratégicas. Por que esses militares privatistas não seguiram uma carreira privada anterior ? Quem é funcionário público serve ao interesse público e não ao lucro privado de um patrão, servidores públicos servem à sociedade e não à lógica privada do capital, eis a grande diferença. Se gostam tanto da iniciativa privada por que não trabalharam na segurança privada e se aposentaram por lá ? Acredito que boa parte das Forças Armadas passa uma profunda vergonha com a dupla desses candidatos ex-militares revelando profunda ignorância sobre a realidade brasileira, um grande desconhecimento teórico e científico sobre os principais conceitos e estudos que preparariam militares em uma sociedade moderna, democrática e com soberania nacional. O Mourão mostrou ler e concordar com a visão ideológica neoliberal dos funcionários da Globo, o que mostrou a concordância e não a oposição de ideias, como na entrevista com Haddad, que com vários cursos na universidade, é muito melhor preparado e capacitado em termos de cultura, economia e formação educacional. Isso que não perguntaram sobre o combate à fome, ao desemprego, à desigualdade e sobre quem criou mais universidades e inclusão social no Brasil !

RCO

CIRO GOMES DESMONTOU BOLSONARO



Helio Fernandes

O presidenciável do PDT acertou em cheio o capitão da reserva.Entrevistado na tv, tinha 1 minuto pata dar sua ultima palavra. Falou:"Vou fazer uma revelação, não haverá segundo turno,serei eleito no primeiro, com mais de 50% ds votos".

O candidato do PDT respondeu:"Bolsonaro não é ignorante ele é um ditador em potencial".Rigorosamente verdadeiro. Ele já está convidando pessoas para formar ou anunciar seu ministério,logo no dia 8 de outubro.

Em primeiro lugar o economista Paulo Guedes,que se autoproclamou o líder, orientador e executor da politica econômica do governo Bolsonaro. È quem tem trazido dos EUA, as ordens que Bolsonaro garante
cumprir seguramente. Falta "combinar com os russos",perdão, com o cidadão-contribuinte-eleitor.




No horário GRATUITO de radio e tv,o cidadão gasta FORTUNA para ver e ouvir



HELIO FERNANDES

Liguei na Globo não para assistir o decadente JN, e sim por causa da Maria Julia Coutinho. Queria vê-la anunciar que hoje a temperatura estará no Rio em 34 graus sem chuva, o chamado "verão no inverno". Dou
de cara com o advogado do capitão da reserva, pedindo a cassação do Lula. Esse é seu programa: eliminar da disputa o candidato que está á sua frente em todas as pesquisas. Finge não entender que os que votam
nele, sonhando com a intervenção militar, não são suficientes para o segundo turno.Perde para todos, até Alckmin ganha dele.

E a seguir tem que ver e ouvir(não de corpo presente) o ex-governador ataca-lo duramente.Desde o inicio fixado em quarto lugar, Alckmin tenta dar o indispensável pulo para o segundo lugar. Escolheu o adversário errado, corre o risco de ir para o quinto lugar,ultrapassado por Alvaro Dias, muito melhor candidato do que ele.

Do apogeu do 1 por cento fixo nas pesquisas,Meirelles não se decepciona nem reclama do "mercado".Está gastando milhões para financiar deputados e senadores, acredita que votarão nele. Perde tempo exibindo ufanismo vazio. Insiste que salvou o governo de Lula,nos 8 anos do BC, apregoa," a importância do meu trabalho no Ministério da Fazenda". Esquece que comandou o Conselho de Administração dos bandidos Batista, foi lá que conheceu o vice usurpador, se tornou seu Ministro da Fazenda.

Marina e Ciro, de forma construtiva, engrandecem a campanha. Só se irritaram, justamente, uma vez cada. Ciro, atacado pelo capitão da reserva, respondeu, massacrando-o. Foi a primeira vez que alguém informou, "ele não é ignorante, é um Hitlezinho tropical perigoso". No resto, sua campanha é com propostas e programas.

Idem, idem, para Marina. Foi dura com os apresentadores Renata e Bonner. Conhece muito bem os problemas e tenta conquistar o eleitorado feminino, com sucesso. Não deixavam que ela falasse no JN, reagiu como devia.

PS- Até agora, Ciro e Marina se credenciam para ganhar do capitão da
reserva, facil no segundo turno.
PS2- Alteração, só vindo do que chamei de INCOGNITA Lula e muitos repetem.


Mi prima me odia



Felipe Trigo

Habremos de almorzar en casa de los primos de mi mujer. Pero yo he llegado antes; mi mujer no está todavía, y no está más que la mujer de mi primo. Y la mujer de mi primo, es decir, del primo de mi mujer (mi prima si os place, mi bella prima, arrogantísima) ha huido del salón, al sentirme, refugiándose en el gabinete.

Es terrible esta prima mía, tan rubia. Es tremendo que mi boda haya venido a convertirme inesperadamente, desde hace meses, en pariente de mi antigua enemiga cordial del tranvía, de mi antigua y desconocida enemiga mortal de por esas calles.

Pero es preciso terminar esta situación de una vez, y me resuelvo. Entro en el gabinete.

¿La he sorprendido? ¿La he asustado?… El libro cae de sus manos a la alfombra. Yo, me siento. Ve en mi cara una osada decisión, y su orgullo y su altivez la obligan a callar, mirándome, mientras la contemplo. Es lista, y adivina que va a hablarle su antiguo enigma odioso de otro tiempo.

—Vaya, prima, seamos francos: usted me odia con todo su corazón.

—¿Yo?… ¡Qué escucho!

—Sí. Usted me detesta, me aborrece.

—Se engaña usted, querido primo.

—Principalmente desde que el azar nos ha ligado en parentesco, su odio a mí se ha vuelto intolerable, prima, así obligada a verme y soportarme.

—¡Por Dios!

—Mi presencia y mi conversación la irritan, y quisiera usted, sin duda, poder causarme algún daño, en forma tal que nadie sino yo supiese que usted me lo causaba… puesto que su odio es íntimo y absurdo y secreto entre los dos, de alma a alma.

—¡Mi odio!… Acaso es usted un poco fatuo.

—Tal vez.

—Desde que se casó habremos hablado seis veces, entre gentes, como extraños; y antes ni le conocía siquiera. A lo sumo pudiera haber de mí hacia usted simpatía o… antipatía: eso que instintivamente nos inspira toda nueva relación. Pero ¿odio?, ¿por qué? ¿No piensa usted que el odio es un honor que no puede concedérsele a cualquiera?

—Razón por la cual, de usted, yo tenía el orgullo de ser el hombre más odiado del mundo.

—No comprendo esa ilusión.

—Pues es raro, porque dicen que tiene usted talento.

—Gracias. También dicen que lo tiene usted.

—Solo, pues, los dos, ignoramos mutua y directamente esto que dicen. ¿Quiere que intentemos convencernos?

—Bien.

—Hablemos, entonces, por primera vez. Las otras seis no sirven para nada. Hablemos… con franqueza. ¿Usted es capaz?

—¿Por qué no, querido primo?

—¡Oh, no… no es usted capaz!… ¡Siéndolo, habría dicho… odiado primo!

—Le encuentro testarudo, a más de fatuo.

—Menos mal. Ya con eso empieza a serme franca. Correspondo, y digo que usted no era sincera al afirmar que no me conocía antes de casarme. Me conoció usted en el tranvía. Hace lo menos dos años.

—No recuerdo. ¿Quiere tener la bondad?…

—Con mucho agrado. Noche mala, de viento, de lluvia, y tranvía de Salamanca, de este barrio. Un poco tarde, y solo yo en el tranvía. Una dama que lo para al poco, y que sube: era usted. Iba usted elegantísima: abrigo de piel café, gran sombrero y plumas de color de pensamiento, terciopelo pensamiento…

—¡Ah, sí!

—¿Recuerda ahora?

—No. Solo recuerdo que tuve esas prendas.

—Además, tan perfumada, que el olor de sus esencias hízome levantar los ojos del periódico. Fui sin leer un momento, absorto por la gentileza de usted… Y usted, a lo largo del coche vacío, había entrado a sentarse en un ángulo de la delantera, diagonalmente opuesto al que ocupaba yo. Tomó usted, con rapidísima ojeada, nota de mi admiración, y la desdeñó en seguida… volviéndose a mirar por el cristal de la plataforma… Yo persistí en mirarla, absorto por su arrogancia y su belleza…

—Gracias, otra vez.

—Usted volvió a advertir mi atención, y la despreció más, volviéndome la espalda.

—¿Sí?

—Era, prima mía, amiga mía, el odio que usted empezaba a concederme, por demás…

—¿Por demás… qué?

—Por demás… generosamente. Y sonreí.

—Bueno, ya lo dije; usted es algo fatuo. Cualquiera otro que no lo hubiera sido, únicamente habría visto en mi desdén… el que conviene a los tenorios de tranvía.

—Si me perdona, prima, yo le diría a usted que les conviene mejor la indiferencia. El desdén así marcado es ya una pequeña entrega de atención… Y yo sonreí, sonreí… por eso… formé mi juicio de usted… y volví a enfrascarme en mi lectura; por no volver a mirarla… ¡Qué tormento entonces! ¡Qué rabia para usted!… ¿Se acuerda?… Es verdad, no se acuerda. Yo sí, en cambio; solos, solos siempre en el tranvía; el viaje, largo… En la Cibeles, usted habría dado no sé qué porque yo volviese a mirarla. En Colón, ¡y nadie entraba!, había usted tosido tres veces, dejando caer dos el pañuelo, y hablando con el cobrador para que oyese el abismado lector imperturbable su voz seductora… Una voz divina, clara, que yo oí bien… pues lo que menos me importaba era el periódico, todo empeñado en hacer rabiar a usted con mi indiferencia… porque le diré también, si usted me lo consiente, que es la indiferencia el mejor castigo contra las desdeñosas del tranvía. En fin, usted bajó; tenía yo tan tendidos los pies, que tuvo usted que pedirme al pasar: —¿Permite usted?— ¡Horror, mi odiada prima!… ¿se acuerda?… Yo recogí los pies sin contestarle, sin alzar los ojos del Heraldo, cuya «lectura» no interrumpí…

—¡Falso!… ¡Usted me miró; y de tal manera, que aun volvía por el vidrio la cabeza cuando yo avanzaba hacia mi casa!

—¿Cómo? ¿Eso sí lo recuerda?

—Lo recuerdo. ¡Vea usted lo que son las cosas!

—¿Y no recuerda asimismo que otras noches desde entonces nos volvimos a encontrar en el tranvía, con más gente, con menos gente, y que siempre yo… leía el Heraldo?

—¿Y no recuerda usted, odiado primo, que en el tranvía y en la calle, dondequiera que nos volvimos a encontrar, yo cuidaba hacerle advertir la primera mi desprecio?

—Su odio.

—¡Sea! ¡Mi odio!

—Un odio de mujer. Amor inverso.

—¿Cree usted?…

—Tanto, que le temía a esta inevitable explicación, como a una declaración… amorosa.

—¡¡Señor mío!!

—¡Qué!

—Que yo no puedo consentir… ¡Schist!, ¡mi marido!

Entra el marido, me saluda.

Sale el marido a dejar el abrigo y el bastón.

Hay un silencio.

—¿Decía usted?… Siga, siga.

—Decía que usted verá si para dejar de odiarme le conviene amarme… no hay otra manera. Por mi parte, siento muchas veces la intención de darle un beso.

—¡Oh, pero usted se me rinde, infeliz! ¿No ha previsto que desvanece mi odio, suponiendo que lo tuve, al confesarme su mañoso interés en sus lecturas del Heraldo? Usted, la intención de darme un beso; yo, la voluntad de negarlo, y heme aquí vengada, curada de mi odio… radicalísimamente.

—No, porque yo diré en seguida que no me importa que me lo niegue… y usted me seguirá odiando.

—¿Como usted a mí por consecuencia?

—El odio es amor inverso. No renuncio al orgullo de su odio. Le digo, prima, que no quedan más caminos que odiar… o amar.

—Queda otro. Confesarles nuestro mutuo odio inextinguible a su mujer, a mi marido… y no vernos más. Es lo prudente.

—Tiene usted razón: es lo prudente. No hay motivo alguno para que nos sigamos soportando.

—¡Ahí viene mi marido!

—¡Y mi mujer!

Mi bella y blonda prima se levanta, vacila… vuelve a mí desde la puerta.

—¡No les diga nada aún! —me advierte.

—¡Pues jure que me odia con toda el alma!

—¡¡Con toda el alma!!

Sale, y yo permanezco un instante respirando sus esencias, sacudidas al vuelo de sus sedas.

Mi prima me odia.

Tiene talento mi prima, ¡qué diablo!

FIN

Cuentos ingenuos, 1920

Biblioteca Digital Ciudad Seva

El español Felipe Trigo (1864-1916) fue rechazado durante su época por otros autores que lo describían como "corruptor" o "pornográfico" porque escribía cuentos sutilmente eróticos. Para esta semana he seleccionado uno de ellos, "Mi prima me odia", en el que Trigo juega con la delicada línea que separa al amor del odio.


¡Quédate!



Gabriele D’Annunzio

¡Quédate! Descansa
Junto a mí.
No te vayas.
Yo te cuidaré siempre.
Te arrepentirás de todo
Excepto de venir a mí,
libremente, con orgullo.
Te amo. No tengo ningún pensamiento
que no seas tú;
No llevo en la sangre un deseo
que no sea para ti.
Lo sabes.
No veo en mi vida otra compañera,
No veo otra alegría.
Quédate.
Descansa. No te preocupes de nada.
En mi corazón. Duerme esta noche.

Biblioteca Digital Ciudad Seva



SEMPER EADEM


 - Charles Baudelaire

"De onde te vem, responde, essa tristeza infinda
Que galga, como o mar, o negro e nu rochedo?"
- Quando no coração nossa colheita finda,
viver é um mal. Ninguém ignora este segredo.

Uma dor muito simples, nada misteriosa,
A todos familiar, como tua alegria.
Nada queiras saber, minha bela curiosa!
E, embora a voz te seja afável, silencia!

Cala-te, tola! alma de tudo embevecida!
Boca de riso ingênuo! Ainda mais que a Vida,
A Morte nos enlaça em seus sutis idílios.

Deixa-me o coração confiar no que suponho,
Dentro em teus olhos mergulhar como num sonho,
E dormir longo tempo à sombra de teus cílios!

Tradução: Ivan Junqueira


domingo, 2 de setembro de 2018


 “Para dores de amor, nada melhor do que leite de magnésia (…). Na maior parte das vezes, os chamados males de amor, etcétera, são distúrbios digestivos, feijões duros que não digerem, peixe estragado, entupimento. Um bom purgante fulmina a loucura do amor.”

Mario Vargas Llosa, “Tia Júlia e o escrevinhador”.

COM O SUPREMO, COM TUDO




"Permitindo a terceirização irrestrita, o Supremo deu seu aval a mais uma etapa da desproteção total da classe trabalhadora no Brasil - um projeto central do golpe.

Quatro dos sete ministros que viabilizaram este ataque brutal aos direitos do trabalho chegaram à corte por nomeação de governos de um partido dos trabalhadores. É só um lembrete de que a política de menor atrito com os interesses dominantes pode evitar problemas no curso prazo, mas os multiplica depois."

Luis Felipe Miguel


"Luís Roberto Barroso merece ser estudado. Não por ele próprio, mas como uma trajetória emblemática daquilo que leva ao sucesso no campo jurídico-político brasileiro atual.

Por um lado, ele é uma demonstração quase caricata dos atributos do nosso renitente bacharelismo. A vaidade gigantesca e indisfarçável. O discurso pomposo, arrogante e vazio de ideias. O gosto pelas palavras altissonantes. Até mesmo o jeito de torcer a boca para pronunciar nomes estrangeiros.

Barroso também é ilustração perfeita da tese, no entanto controversa, do caráter fake de nossos valores políticos dominantes. Ostenta a toga de herói do liberalismo, mas não esconde seu desprezo pelos direitos e horror a qualquer forma de igualdade. Posa de iluminista, mas é guardião das trevas. Paladino intransigente da moral, defende com unhas e dentes benefícios imorais para o seu grupo e o vale-tudo contra os adversários.

Visto por outro ângulo, ele pode ilustrar a ideia de 'neoliberalismo progressista', colocada em circulação por Nancy Fraser. Há uma adesão a teses progressistas no âmbito da vida privada, que lhe permite manter uma fachada de homem de seu tempo, mas que se combina ao reforço de uma estrutura social extremamente excludente e autoritária.

O mais interessante, porém, é pensar por que, com tantos candidatos ao posto na política eleitoral (está aí o Álvaro Dias que não me deixa mentir), o espírito do lacerdismo decidiu reencarnar em um político togado. Desconfio que isso nos diz bastante coisa sobre a dinâmica recente da política brasileira."

Luis Felipe Miguel

De onde saiu o Barroso ?


Genealogia política e estatal de Luís Roberto Barroso, Ministro do STF. Barroso, natural de Vassouras, Rio de Janeiro, é filho de Roberto Bernardes Barroso e de Judith Luna Soriano. A mãe era advogada e de família de imigrantes de origem sefardita de Salônica. O pai, Roberto Bernardes Barroso, pertencia às principais oligarquias de Vassouras como advogado pela Faculdade Nacional de Direito, vereador e presidente da Câmara Municipal de Vassouras pela UDN. Depois entrou no Ministério Público e foi procurador de justiça. Como mostramos no nosso artigo sobre a Prosopografia dos operadores da Lava Jato, há forte correlação entre conservadorismo e hereditariedade no sistema judicial, mentalidades retrógradas e quase uma casta hereditária jurídica, em vários casos. A esposa de Luís Roberto Barroso é Tereza Cristina Van Brussel Barroso, com notícias de offshore em vários blogs. O avô paterno foi Jorge Coulomb Barroso, também prefeito de Vassouras, filho do Coronel João Antonio Teixeira Barroso, grande fazendeiro e de Francisca Adelia Coulomb. A avó paterna de Luís Roberto Barroso, Haydea Bernardes Barroso, era filha do Coronel Manoel Bernardes Junior - Coletor Federal em Vassouras e residente em Paty do Alferes, um dos principais chefes políticos da região no tempo do coronelismo, com várias denúncias de fraudes e irregularidades eleitorais na Coleção de Anais da Câmara dos Deputados, 16/10/1906 (419) . Estas famílias formam as principais oligarquias políticas familiares da região do período Imperial até hoje. O atual prefeito de Paty do Alferes é o primo Eurico Pinheiro Bernardes Neto, filho do atual deputado federal Eurico Pinheiro Bernardes Junior, que também foi vereador, dirigente da Ceasa e prefeito de Paty do Alferes e de Vassouras. A família do Coronel da Guarda Nacional Manoel Francisco Bernardes, sua esposa Joaquina Maria de Mello Bernardes e familiares possuíram várias grandes fazendas, como a Retiro, a Quindins e representavam muito bem o passado senhorial arcaico das casas grandes, das grandes propriedades das famílias latifundiárias e escravocratas daquela região cafeeira. Vassouras teve quatro ministros do STF, inclusive Sebastião Lacerda, que também foi Ministro de Estado, deputado, pai de Maurício de Lacerda, prefeito de Vassouras e avô de Carlos Lacerda, o Corvo, todos símbolos do antigo prestígio latifundiário, escravista e da mentalidade conservadora, autoritária e golpista de muitos políticos com genealogia naquela região. O mesmo esquema familiar de reprodução com outras formas de nepotismo acontece no Brasil inteiro. Do quilombo de Manuel Congo e das antigas senzalas dos excluídos, em Paty do Alferes e Vassouras, a desigualdade social no Centro-Sul do Estado do Rio de Janeiro a tornou uma das regiões mais pobres e menos dinâmicas, depois de ter sido uma das regiões mais ricas do Brasil escravista do café. A responsabilidade do atraso também é de suas elites políticas e jurídicas, elites provenientes da classe dominante tradicional, socialmente originária do século XIX e de muito antes. A genealogia do ministro do STF Barroso mostra bem quais grupos e classes sociais históricas, quais interesses dominantes, deram o golpe de 2016-2018, para perseguirem modernas lideranças populares e atacarem a democracia com a sua nefasta ditadura judicial do "Antigo Regime", o poder arbitrário, discricionário e pessoal - Poderes sempre associados às velhas oligarquias políticas familiares e suas práticas bacharelescas, arcaicas, patrimonialistas, autoritárias, persecutórias e golpistas.
RCO



Helena de Carlos




O crepitar da resina no bosque dos abetos. O arquejo do milho abafado no porão do navio. O murmúrio dos anfíbios na época da posta. Bagas e mel, açafrão brilhante e pérolas. A colisão estrepitosa das galáxias. O assovio do trem atravessando os laranjais. O adejo do ventilador na casa de Wilsnackerstraβe. O rumor do tempo na caixa do relógio. O derramar do vinho no cálice consagrado: a tigela cheia de espuma, o espelho e a navalha. Os guinchos dos coelhos nas gaiolas do jardim.

Os mergulhos dos pelicanos nas águas doces. A viagem calada do pólen pelo mar do ar. O chamariz agudo do passarinheiro. O ranger de umas pás despedaçadas. O latido do cão quando vislumbra a presa. A viração que infla as velas. O ricochete e o eco das contas ao se espalhar pelo chão. Cartografias do som, matéria de harmonias ocultas, musgo do fonema, câmara do silêncio.

Joan Navarro, “Magrana | Romã”. Tradução para o português: Veronika Paulics. (No prelo, Selo Demônio Negro).

http://zunai.com.br/…/1771547…/torre-de-babel-4-joan-navarro

(DESERTO)




Cada qual com sua voz

ou com seu deserto.

A areia do tempo pede

mais oásis. O regresso

da realidade como miragem

é outra prova especular.

Adolfo Montejo Navas



Olhando o início do horário eleitoral, se não fosse eleição, mas uma novela mexicana, o enredo bem que poderia girar em torno de irmãos gêmeos que foram separados na maternidade: NOVO e PSTU.
O último foi criado pela família do operário de chão de fábrica, enquanto o primeiro, pela família dos donos da empresa, com investimentos em diferentes setores da economia.
Tirando a origem social, os estímulos psicológicos e comportamentos de ambos remetem a uma identidade quase umbilical entre eles.
São contra tudo o que está aí.
Não acreditam na política e querem mudar o mundo todo.
Se não fosse eleição, no dia 7 de outubro os dois descobririam que são irmãos de sangue, depois de passar a campanha toda usando o discurso de que estão cansados, são eternamente explorados - um pelo Estado que cobra impostos escorchantes, outro pela burguesia, que é escorchante por imposição.
Também está presente nos discursos deles, o fato de sentirem-se traídos pelos integrantes do sistema político tradicional.
Até aqui, a grande diferença é a cor da embalagem do discurso e o ponto de partida da revolução que eles defendem. Um crê na revolução de cima para baixo e outro na de baixo para cima para acabar com tudo o que está aí.
Já imaginou a audiência que daria uma novela dessas, bicho?
Só falta o nome.

Emerson Urizzi Cervi

O apoio de jovens à Bolsonaro


Walmir Braga Júnior_________________O apoio de tantos jovens a Bolsonaro é um fenômeno sinistro e misterioso. Penso que é uma hipótese interessante considerar que parte significativa desse jovem eleitorado é formada por quem vivenciou e vivencia mais intimamente os deslocamentos na balança do poder que ocorreram dos anos 2000 pra cá. Flagrados desse ângulo, os jovens eleitores de Bolsonaro coincidem amplamente com a chamada “geração canguru”. Não por acaso esta é formada majoritariamente por homens (60,2%), que tendem a ser mais escolarizados do que os da mesma faixa etária que moram sozinhos, e vivem sobretudo no sudeste (dados da Síntese dos Indicadores Sociais – 2016 – do IBGE). Jovens pessoas que pertencem a certas frações da classe média, e cresceram testemunhando a mudança nas relações de força entre gerações e também na sua mesma geração. Entre gerações porque, devido à inflação dos diplomas, tiveram que continuar morando com a família. Isso frustrou desejos gestados desde a infância e os fez experimentar o aumento do poder dos pais sobre eles, sendo obrigados a prolongar os estudos não por escolha, mas sim necessidade. Na mesma geração porque também foram os mais atingidos pela quebra do quase monopólio que a classe média exercia sobre o capital cultural, sendo os mais envolvidos – e sempre os mais vulneráveis – nas disputas com um outro jovem segmento. Embora pertença à mesma geração, esse segundo é seu diametral oposto, forma uma base importante de apoio as esquerdas, e se constituiu no entrelugar formado entre a classe trabalhadora e a classe média. Uma jovem geração marcada pela mescla entre as duas classes, acumulando o capital cultural recentemente acessado e um dos poucos capitais que a socialização na classe trabalhadora oportuniza: a capacidade de se esforçar árdua e obstinadamente (o que nas disputas contra todo um segmento criado a leite com pera tem lá suas vantagens). São esses recursos contra os diplomas e as redes de parentesco e amizade (ora mais amplas e diversificadas, ora menos) do primeiro segmento que, por sua vez, tem suas frustrações e angústias canalizadas no ódio orquestrado pela extrema direita contra o PT, os direitos humanos, a soberania popular, a cidadania, a constituição cidadã e a justiça social. (Ódio também alimentado por dealers, mídia e judiciário, por tudo o que fizeram assumidamente ou não nos últimos anos, e pela falta de visão de longo prazo e responsabilidade desses atores). A eleição do presidente é um episódio e não o fim de um conflito significativo para se entender o Brasil atual.

Paulo Cintra____________ Acho também Walmir Braga Júnior, que está geração ascendeu a uma classe social sem uma consciência da luta de classes, da real emancipação, apenas de olho nos bens de consumo. Além do fascínio e poder que exerce o porte de armas para os adolescentes das classes populares... apresentado pelo Bolsonaro.


sábado, 1 de setembro de 2018


Aníbal Bragança

Ontem, o que se viu no Tribunal Superior Eleitoral foi meia dúzia de excelências jurídicas justificando um ato político, como se estivessem cumprindo a lei, retirando os direitos políticos não de apenas um cidadão, Luiz Inácio Lula da Silva, mas de milhões de brasileiros que querem votar nele para ser o próximo presidente da República. Meia dúzia de privilegiados a serviço de 1% muito rico da população brasileira, usando seu status para impedir o avanço da democracia e da redução da desigualdade neste país.. Não se poderia esperar outra coisa dessa corja que aumentou seus próprios salários, já polpudos, quando os demais servidores - e os trabalhadores em geral - tem seus salários congelados. Dia muito triste na história das nossas instituições jurídicas.


“A história de todas as sociedades que existiram até nossos dias tem sido a história das lutas das classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, senhor e servo, mestre de corporação e oficial, numa palavra, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora disfarçada, uma guerra que termina sempre, ou por uma transformação evolucionária da sociedade inteira, ou pela destruição das suas classes em luta”.

Marx e Engels, in Manifesto Comunista, 1848

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

A tradição militar política brasileira do século XX


A tradição militar política brasileira do século XX foi forjada no Colégio Militar de Porto Alegre, o "Colégio dos Presidentes". Sete presidentes da república passaram por lá: Getúlio Vargas, Eurico Gaspar Dutra, Humberto de Alencar Castelo Branco, Artur da Costa e Silva, Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Baptista de Oliveira Figueiredo. Esta tradição autoritária e militar de Estado Nacional-Desenvolvimentista se encerrou definitivamente com as pesadas derrotas eleitorais da Arena e do PDS na virada da década de 70-80. A atual mistura bastarda entre neoliberalismo, autoritarismo e militarismo nunca encontrou raízes históricas na nossa tradição luso-brasileira. Por isso é que só podia vir de São Paulo, de certa origem nefasta associada aos derrotados em 1842, em 1932 e nas últimas quatro eleições presidenciais, em que a política paulista e as oligarquias políticas familiares do atraso nacional foram derrotadas pelo voto popular nacional. A derrota da cultura do PSDB privatizante que governa São Paulo há muito tempo, hoje passa para a extrema direita, com gente lá criada e como consequências de imigrações estrangeiras associadas ao fascismo italiano, movimento produzido na política de ex-militares exóticos, banidos do Exército e completamente dissociados da tradição brasileira anterior. Trata-se de fenômeno mais afim ao militarismo hispânico do Cone Sul, a mistura entre ditadura militar cucaracha associada com Chicago Boys, cujo pior exemplo foi o golpe de Pinochet e também aspectos da ditadura militar argentina, quando verdadeiras máfias de rapinas dentro de organizações militares promoviam o saque, banditismo e intensa repressão contra a sociedade, episódios pouco vistos na ditadura militar brasileira, fora os elementos que passaram para o jogo do bicho, a contravenção e o contrabando no Rio de Janeiro, sendo inclusive desmantelados pelo próprio Exército, na ação do meu parente, o Coronel Aloísio Alves Borges. O modelo corrupto de um Pinochet só pode operar com intensa violência, saque e rapina promovidos por bandos criminosos associando dominação internacional, neoliberalismo, autoritarismo e militarismo, todos profundamente incompatíveis com a democracia, a nação e com a intelligentsia nacional nas universidades, na cultura, na mídia, nas artes e na vida civilizada mais elaborada. Pelo voto jamais chegariam no poder com este coquetel de parvoíces da extrema direita.

RCO

A manobra do TSE


"A manobra do TSE que ameaça impedir a campanha de Lula na TV - uma candidatura registrada e, até o momento, perfeitamente regular, já que não houve julgamento do pedido de impugnação - mostra o grau de desespero do golpismo. Não há nenhuma intenção sequer de manter as aparências. Se depender deles, a eleição de outubro será algo parecido com as eleições indiretas da ditadura militar: um mero ritual, desprovido de qualquer capacidade de legitimar um novo governo."

Luis Felipe Miguel

quarta-feira, 29 de agosto de 2018


Domingo de sol e friozinho em Curitiba. Como fazemos há décadas fomos ao maior restaurante de massas, polenta e frango em Santa Felicidade.Trânsito engarrafado e logo na entrada dos restaurantes um grande comitê da Vic, deputada estadual, filha da governadora Cida e do ex-ministro da falta de saúde golpista, o deputado federal Ricardo Barros - dois anos de golpe e aumento da mortalidade infantil. Na entrada militantes de candidatos da extrema direita estatal, egressos da bancada da segurança, sempre falando mal do Estado quando tem uma vida inteira dentro do Estado e sem produzirem nada de relevante em termos de projetos, políticas públicas e cultura, só produzem discursos vazios, preconceituosos e depois de dois anos sabem que vão perder as eleições. Neste tipo de restaurante, com mesas próximas, acabamos tendo de escutar parte da conversa das pessoas do lado. Nesta conjuntura as famílias conversam sobre as eleições no almoço do domingo. Sempre impressiona a ignorância convicta e fascistóide de muitos discursos ao redor, vale como análise do discurso, ouvir os horrores e limitações mentais, políticas e ideológicas. Estão em pânico ao saberem que Lula está bem na frente da presidência e Requião na frente do senado. Sempre é um alívio quando os que falam mais alto terminam e saem ! No salão do café fomos todos interrompidos por um trabalhador humilde e suas crianças, falou que tinha vindo de São Paulo procurar parentes e não conseguiu nada, estava com fome, frio e precisava desesperadamente de ajuda. Demos um dinheiro e mais uma vez a grave crise social do golpe entra nas vidas da classe média e alta curitibana em seu café. A família pobre, depois andava no meio de carrões, era mais uma grave lembrança de como aumentou a pobreza, a desigualdade social e o fascismo com o golpe dos mais ricos em 2016 e as tendências antidemocráticas de uma gente profundamente ignara e inculta, com mais recursos econômicos, mas incapazes de viver em uma sociedade moderna e incapazes de almoçarem em paz.
RCO



O poder judiciário no Brasil só pode ser entendido como negócio de famílias político-jurídicas. Ainda discutem sobre "a proibição de que juízes julguem processos nos quais atuem escritórios de advocacia de cônjuges ou familiares" ! "A ação, que ainda não tem data para ser julgada, está sob relatoria do ministro Edson Fachin", cuja família também possui um escritório de advocacia. Um sistema judicial moderno e com maior imparcialidade jamais permitiria que familiares de magistrados e procuradores atuassem com ricos escritórios de advocacia no sistema judicial. O velho nepotismo e suas múltiplas roupagens e poderosos códigos nos bastidores.
RCO

Novo que é velhíssimo


Novamente oligarquias velhas ocultas ! Genealogia política dentro do Estado do candidato neoliberal João Dionisio Filgueira Barreto Amoedo, filho de Armando Rocha Amoedo, médico radiologista pediátrico e funcionário público federal, do Pará, radicado no Rio de Janeiro e de Maria Elisa Souto Filgueira Barreto Amoedo, família citada nas conexões plutocráticas do Panama Papers e das principais oligarquias políticas familiares do Rio Grande do Norte. O casamento de Armando Amoedo e de Maria Elisa foi no Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro, em 1961, tendo o ex-Presidente e senador Juscelino Kubitschek de Oliveira e sua esposa, como padrinhos da noiva. João Amoedo é neto materno de Ciro Barreto de Paiva, advogado, grande empresário nos ramos da hotelaria, construção civil e investimentos no RN e no RJ e de Maria Luiza Souto Filgueira Barreto. Ciro Barreto também foi funcionário público e começou a sua escalada quando foi presidente da Caixa de Aposentadoria e Pensões dos Servidores Públicos no Rio Grande do Norte. Ciro Barreto de Paiva era filho do Desembargador Horácio Barreto de Paiva Cavalcanti, presidente do Tribunal de Justiça do RN e de Ubaldina Diógenes Barreto, neto do Cel. João Bernardino de Paiva Cavalcanti, deputado estadual e de Inácia de Albuquerque Barreto de Paiva, das mais antigas oligarquias familiares do Nordeste. O candidato presidencial João Dionisio Filgueira Barreto Amoedo é bisneto (o pai da avó materna) do também Desembargador João Dionísio Filgueira, de quem herda o nome, ex-presidente do tribunal de Justiça do RN, ex-deputado estadual, vice-governador do RN, assumiu o governo várias vezes e de Eliza Souto, ambos também das antigas oligarquias políticas da região. O irmãos da mãe, tios maternos, todos importantes na política regional: Luiz Sérgio Souto Filgueira Barreto foi presidente da CIDA (Companhia integrada de Desenvolvimento Agropecuário) e casou com Aldanira Ramalho Pereira, filha do Governador do RN, Radir Pereira. Alvaro Alberto Souto Filgueira Barreto foi presidente da Associação Brasileira de Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança, suplente do senador Agripino Maia. Depois na Companhia Hipotecária Brasileira. Elias Antonio Souto Filgueira Barreto casou com Luciana Pessoa Queiroz, da família do ex-presidente da República Velha, Epitácio Pessoa. Uma das lojas mais luxuosas e caras em Natal é de Tereza e de Maria Isabel Tinoco Souto Filgueira Barreto, a Bebel, da loja Tereza Tinoco, esposa de Mario Roberto Souto Filgueira Barreto. Como podemos analisar por esta breve análise genealógico-política, trata-se de mais uma das típicas famílias brasileiras do poder regional incrustadas historicamente no Estado ao longo dos séculos, desde antepassados na grande propriedade rural escravista do Antigo Regime, fazendo política o tempo todo dentro do extrativismo estatal, sempre usando o Estado e os cargos públicos ao máximo para enriquecerem e concentrarem renda, cada vez mais ricos, como João Amoedo declarou patrimônio de 425 milhões de reais, cerca de 220 milhões em aplicações ou fundos de renda fixa, muitas vezes aplicando em fundos públicos ligados ao mesmo Estado que querem diminuir para os outros - tudo para pregarem o (Estado)mínimo para os trabalhadores pobres e as maiorias historicamente excluídas da cidadania, os sem educação, saúde, segurança, justamente pela ação dessas oligarquias políticas familiares do atraso político e do neoliberalismo promotor de desigualdades sociais.
RCO

terça-feira, 28 de agosto de 2018


O poder judiciário no Brasil só pode ser entendido como negócio de famílias político-jurídicas. Ainda discutem sobre "a proibição de que juízes julguem processos nos quais atuem escritórios de advocacia de cônjuges ou familiares" ! "A ação, que ainda não tem data para ser julgada, está sob relatoria do ministro Edson Fachin", cuja família também possui um escritório de advocacia. Um sistema judicial moderno e com maior imparcialidade jamais permitiria que familiares de magistrados e procuradores atuassem com ricos escritórios de advocacia no sistema judicial. O velho nepotismo e suas múltiplas roupagens e poderosos códigos nos bastidores.
RCO

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

As teses sobre o conceito de história


"A presa, como sempre de costume, é conduzida no cortejo triunfante. Chamam-na bens culturais. Eles terão que contar, no materialismo histórico, com um observador distanciado, pois o que ele, com seu olhar, abarca como bens culturais atesta, sem exceção, uma proveniência que ele não pode considerar sem horror. Sua existência não se deve somente ao esforço dos grandes gênios, seus criadores, mas também à corveia sem nome de seus contemporâneos. Nunca há um documento da cultura que não seja, ao mesmo tempo, um documento da barbárie."

Walter Benjamin, tese VII de "As teses sobre o conceito de história".

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

O amor é um cão dos diabos




(o pior e o melhor)

o pior e o melhor
nos hospitais e nas cadeias
está o pior
nos hospícios
está o pior
nas coberturas
está o pior
nas leituras de poesia
nos concertos de rock
nos shows beneficentes para os inválidos
está o pior
nos funerais
nos casamentos
está o pior
nas paradas
nos rinques de patinação
nas orgias sexuais
está o pior
à meia-noite
às 3 da manhã
às 5h45 da tarde
está o pior

pelotões de fuzilamento
rasgando o céu
isto é o melhor

pensar na Índia
olhando para as carrocinhas de pipoca
assistindo ao touro pegar o matador
isto é o melhor

lâmpadas encaixotadas
um velho cão se coçando
amendoins em um saquinho
isto é o melhor

jogar inseticida nas baratas
um par de meias limpas
coragem natural vencendo o talento natural
isto é o melhor

de frente para pelotões de fuzilamento
lançar pedaços de pão às gaivotas
fatiar tomates
isto é o melhor
tapetes com marcas de cigarro
fendas nas calçadas
garçonetes que mantém a sanidade
isto é o melhor

minhas mãos mortas
meu coração morto
silêncio
adágio de pedras
o mundo em chamas isto é o melhor
para mim.




A MULHER NA HISTÓRIA



“O DESTINO DA MULHER E DA MENINA NUMA PERSPECTIVA HISTÓRICA”
PERSPECTIVA HISTÓRICA & TRADIÇÃO, Ideologia & Geografia (TRECHOS)

O peso das tradições judaico-cristãs: Durante séculos, o direito religioso presidiu à vida social e familiar!

A BÍBLIA E O TALMUD
Na Bíblia, a mulher é a propriedade de um homem: o pai, o marido ou o tutor. E da família… Tem um valor comercial flutuante, não goza do valor moral intrínseco absoluto que atribuímos idealmente ao homem.
Um casamento é, por conseguinte, uma transação comercial e as meninas constituem um capital. Uma antiga tradição semítica situava a idade mínima para o casamento as meninas de três anos e um dia e Moisés Maimonide, um médico que viveu no século XII, reafirmou que uma criança de sexo feminino com a idade de três anos e um dia podia ser noiva por copulação desde que houvesse autorização do pai. Uma menina com mais de 12 anos era considerada muito idosa para se casar.
Durante séculos, a diferença entre compromisso e casamento não foi muito marcada: ambos eram tornados válidos pela copulação. “Já que as relações heterossexuais eram fundadas sobre uma transação comercial (…) a violação era um crime equivalente ao furto, e o pagamento de uma multa e o casamento podiam legitimar.” (Fl. Rush: 1983)
Um princípio bastante específico invalidava as atividades sexuais com crianças abaixo de certa idade, que se aplicava às crianças dos dois sexos: os meninos menores de 9 anos e as meninas com menos de 3 anos não eram considerados como pessoas no plano sexual. Copular com criancinhas não era ilegal, mas “inválido”. Legalmente, a menina permanecia virgem e, por conseguinte, o autor das sevícias não podia nem ser perseguido nem punido.

O PODER DO PAI
Na lei hebraica (herdeira dos códigos babilônicos e assírios) tão constrangedora na vida diária, o que parece surpreendente, é que o poder do pai seja tão grande. Não o poder do homem, mas o do pai! Em nenhum momento, a lei o constrangia: aconselha-o, ou até desaprova-o, mas nunca o submete a esta lei dado que a lei é ele… O poder do pai é total! Tem assim direito de vida e de morte sobre a mulher e seus filhos. Possui o direito de prostituir legitimamente a sua filha no âmbito de uma transação monetária legal. Se ela se prostituir por sua própria iniciativa, ela comete um crime capital que era punido de morte, queimada ou lapidada!… Se tivesse menos de doze anos, esperava-se o seu aniversário para proceder à execução!
“A Bíblia não comporta proibição à prostituição: o único crime que reconhece nesta matéria é o da criança que desafia a autoridade paterna.” (Fl. Rush - 1983, p. 39 à 112)
As leis e costumes fundamentais relativos às relações sexuais são as que duraram mais. Permanecerão inalteradas com a chegada ao poder da Igreja católica na Europa.

A IGREJA CATÓLICA ROMANA
Durante a era cristã, cavaleiros cristãos, nobres, cruzados e os príncipes da Igreja seqüestravam regularmente mulheres e crianças e os casamentos de crianças serviam correntemente de base nas transações comerciais ou políticas. “O direito Canônico proibia em teoria os casamentos de crianças (12 anos para as meninas, 14 anos para os rapazes), mas as exceções possíveis ao impedimento eram tão freqüentes que a regra oficial perdia seu significado: os Pais da Igreja consideravam que extrema juventude era um estado passageiro, a pequena noiva terminaria por atingir a maioridade… (passagem à idade adulta aos 7 anos!)” (Fl. Rush - 1983, pp. 39 à 112)

CASAMENTO VÁLIDO
“O Judaísmo tinha determinado que se podia adquirir uma noiva legalmente quer por contrato, quer comprando-a, quer numa relação sexual com ela. Dado o despeito da Igreja por tudo o que era material, as relações sexuais tornaram-se o elemento determinante de validação. ” (Fl. Rush - 1983, p. 39 - 112)
A partir do século V, o papa Gregório decretou que “qualquer mulher que copulasse com um homem a ele pertencia, bem como à família” e mesmo se se tratasse de uma violação, após sequestro, por exemplo. No século XII, o papa Alexandre III declarou que a copulação dava ao casamento um caráter eterno e que este não podia ser dissolvido. Como na tradição hebraica (onde as relações sexuais com uma menina de três anos eram nulas e não existentes), a Igreja considerava que as atividades sexuais com menores de sete anos eram sem consequências. E “o impedimento por afinidade” (ou seja o incesto) não cabia no caso de uma menor de sete anos. “O que é impressionante, é que direito canônico cristão não se preocupa tanto pelo fato que um homem adulto copule com uma criança senão a partir do MOMENTO em que a coisa se produziu!” (Fl. Rush - 1983, p. 39 - 112)
No caso de incesto, o problema levantado não era a preocupação com o destino das crianças mas, simplesmente, para saber se “o impedimento de afinidade” era ou não violado.
NA INGLATERRA
O crime de violação evoluiu de um ponto de vista legal a partir do século XIII quando da separação do direito civil do direito religioso (Tratado de Westminster). Mas é necessário esperar o século XVI para que a violação de uma criança menor de 10 anos se torne um crime, o de uma menina entre o 10 e 12 anos permaneceu apenas um delito. A acusação podia ser retida apenas se se pudesse provar a idade da vítima, o que na época não existia nenhum procedimento oficial de registro. Esta acusação era fonte de tanto suspeita e embaraço para denunciante e se traduzia por uma punição tão leve que poucas vítimas utilizavam o procedimento legal. O direito canônico conservava ainda toda a sua potência no que se referia às relações sexuais com uma menor de sete anos: a violação destas crianças permanecia sempre sem objeto aos olhos da lei.

O PAI ESPIRITUAL
Grandes eram os privilégios dos quais gozavam os membros do clero…
A partir da idade de 16 anos, o destino de uma menina estava selado: o casamento ou o mosteiro implicavam a renúncia a todos os bens terrestres… Os pais ou os tutores legais pronunciavam os votos invés das crianças! No século XII, quis-se proibir esta prática tanto os conventos estavam lotados de noviças, mas esta diretiva foi ignorada. Contrariamente ao que se passa hoje, a carreira eclesiástica era mais raramente uma escolha espiritual e resultava frequentemente de uma decisão não pessoal de caráter econômico ou político. No início do século XVIII, a abadessa do convento de Santa Catherina di Pisola declarou abertamente que os monges e padres tratavam as religiosas e noviças como mulheres e que estas se calavam “pela ameaça de excomunhão que brandiam os seus pais espirituais.” (Fl. Rush - 1983, p. 39 - 112)
“Ainda no século XIX e ainda que os testemunhos conservados livravam apenas um mínimo de informação, a metade das acusações de sevícias sexuais relativas ao clero têm como origem as instituições educativas.” (Fl. Rush - 1983, p. 39 - 112)
A Igreja evitará todo escândalo e o enfraquecimento do seu poder, e passa a ser quase impossível de levar adiante uma acusação ou condenar um membro do clero… Os Pais da Igreja ainda precisaram, ”além disso, são as próprias mulheres, as sedutoras”. (Idem)
Esta ideia vai atingir o seu paroxismo entre os séculos XV e o XVI na Europa, na época da grande caça às bruxas…

A CAÇA ÀS BRUXAS
“Em 1484, o papa Inocente VIII publicou uma bula pontifical que dava poder à Inquisição (braço judicial da Igreja católica romana) de procurar, encarcerar, investigar, torturar e fazer executar as bruxas. (...) O Malleus Malificarum, documento que passou a ser o manual da caça às bruxas, podia fazer de qualquer mulher que preenchesse o seu papel tradicional, uma bruxa.” (Idem): nenhuma mulher, pela sua essência, tinha renunciado nem às piores abominações nem aos excessos mais terríveis, indo mesmo até a copular com o demônio… Acusava-se vinte mulheres para um homem. A bruxaria era, sobretudo um crime de caráter sexual cometido pelas mulheres. Os homens em geral eram preservados deste crime, as crianças não o eram,… sobretudo não as pequenas meninas!!!!
No entanto, “Jean Bodin, monge Carmel e professor de Direito canônico vivo, no século XVI, decretou que as medidas legais comuns mostravam-se insuficientes para desenraizar a heresia: as pequenas meninas de 6 anos (idade legal nessa época para consentir a uma atividade sexual na França) estavam em condições de copular com o diabo e, por conseguinte, bem grandes para sofrer um processo”!!! (Idem)… e os suplícios e punições reservados às crianças eram os mesmos que os praticados em adultos.
De acordo com “… a descrição feita “do demônio” pelas pequenas vítimas, pode-se ver que se assemelha a qualquer homem e que ele engravida, que transmite doenças venéreas e que as feridas provocadas pelo coito muitas vezes custaram a vida da denunciante. Mas a ideia aceita na época era que uma criança demasiado pequena para suportar um homem “adaptasse-se do demônio”. Idem”

A INGLATERRA E A EUROPA VICTORIENNE
CULTO DA PEQUENA MENINA E DESENVOLVIMENTO DA PROSTITUIÇÃO
No século XIX, assistimos ao desenvolvimento da ciência e da indústria. É também a época em que se manifesta sem retenção o gosto/culto da pequena menina, sob duas formas: por um lado, deificação e, por outro lado, as sevícias sexuais, a violação, a prostituição. A nova invenção da fotografia muito contribuirá para o desenvolvimento da pornografia infantil.
O século XIX é igualmente a época do desenvolvimento das novas escolas de psicologia e comportamento humano: ainda assim continua-se dizendo que, “… as mulheres eram desprovidas de impulsos sexuais e era ofensivo supor que os tivessem.” Do mesmo modo, as pequenas meninas, se fossem violadas, não sofreriam nenhum dano pois não compreendiam o que o seu agressor lhes fazia. Em contrapartida, os impulsos sexuais do homem eram a fonte do progresso e da civilização. Tratava-se de uma energia necessária, o instinto criativo do macho. E este instinto, pela sua essência, deve infligir sofrimento… Ideia do homem conquistando a natureza,… a mulher representando o papel da natureza!…
Os autores franceses não eram os últimos a defender este ponto de vista. De acordo com Honoré de Balzac: “A mulher é uma propriedade que se adquire por contrato; é móvel porque possessão vale título; e mais, a mulher, propriamente falando, é apenas um anexo do homem; ora, cortem, roam, elas lhes pertencem a todos os títulos. Não se preocupem em nada com os seus murmúrios, os seus gritos, as suas dores. A natureza as fez para o nosso uso e para carregar todos os fardos: crianças, tristezas, golpes e penalidades do homem.” (Fl.Rush - 1983, p. 119 - 120)
Como estes impulsos são impossíveis de dominar (sem os quais o homem não seria mais um homem), assiste-se a um desenvolvimento alarmante da prostituição.
“A literatura da época vitoriana pulula de histórias de gentlemen deflorando virgens,… sempre uma pequena menina!” (Idem)
Ver a série de histórias publicadas sob o título RELATOS DA MINHA AVÓ E O AMOR: onde se vê a jovem Kate, pré-adolecente, descrever “os esforços e os golpes de bastão até ocorrer a crise final em que o seu seio era invadido pelo dilúvio do esperma paterno”.
Seduzir as meninas do povo era considerado como um direito dos herdeiros da classe possuidora e cultivada. Os homens amadores de ninfetas estavam prontos a pagar um bom preço para obter o que desejavam: crianças tiradas dos pardieiros das grandes cidades com freqüência pelo sistema de seqüestro conhecido sob o nome de tráfico de brancos. Do comércio local, passaram ao tráfico nacional seguido pelo internacional.
“Uma estimativa feita em Londres no meio do século XIX chega à conclusão que cerca de 400 pessoas ganhavam a vida recrutando meninas entre 11 e 15 anos.” (Idem)
Foi necessária a intervenção da Sociedade das Nações Unidas e depois as Nações Unidas para a adoção de medidas contra o tráfico internacional de mulheres e crianças para que cessasse o tráfico de brancos.

SITUAÇÃO DE ESCRAVAS
A criança raptada ou vendida era levada para longe de casa e colocada em situação de dependência total. Ver “A casa da escravidão” (The House of Bondage, Kauffman, 1910 - EUA): Ela poderia pensar que era brutalizada pelos seus raptores, mas acabava depressa constatando que eram eles quem a mantinham em vida, é desta maneira que se torna escrava… Revoltar-se, como, o que fazer? Partir, para ir aonde? Quem vai cuidar de mim? Quem de mim gostará? Falar, quem vai acreditar? Submissão = silêncio. Este processo posto em evidência é completamente aplicável à situação de incesto pai-filha…

PROSTITUIÇÃO: JUSTIFICAÇÃO DA EXPLORAÇÃO SEXUAL
“Definindo a prostituição como um mal necessário (80% das prostitutas são vítimas de incesto - nota acrescentada), a sociedade chegava a convencer-se que a exploração sexual era justificada pelo fato de que as mulheres perdidas ou decaídas, qualquer que fosse sua idade ou a causa, eram ninfomaníacas e pecadoras e que nada, nem ninguém as podia salvar. Não mereciam outra coisa senão realizar a existência que escolheram.” (Idem)
É sempre o mesmo discurso hoje: a mulher violada levanta suspeita na opinião pública. “Procurou-o, tem aquilo que merece!” - “Ela gosta, é ela que quer!” E o pai, que violou a sua filha, dirá: “Ela sabia o que ia lhe acontecer!… Era tão carinhosa, foi ela quem me seduziu!”
“Podemos pensar que estamos muito longe do universo dos nossos antepassados, mas a ideia de que as mulheres são propriedade sexual dos homens persiste, no entanto. Consideram ainda que um homem não pode violar a sua mulher pois não há abuso sexual contra algo que lhe pertence.” Esta ideia é muito difundida entre os pais abusadores em relação a sua filha!

A LUTA CONTRA OS ABUSOS SEXUAIS NO SÉCULO XIX
Mulheres como Joséphine BUTLER, nascida no Reino Unido, em 1828, revelaram e denunciaram as práticas sexuais do seu tempo. Prostitutas eram ameaçadas, insultadas de maneira obscena, incomodadas pela polícia e cafetões de casas fechadas que alugavam os serviços de vadios para as atacar.
O Exmo. Senhor James STANSFIELD, membro eminente do Parliament, juntou-se às suas filas. William STEAD, editor do Pall Mall Gazette, juntou-se também as filas dos que lutavam contra a exploração sexual. Fez a experiência de adquirir uma menina de 13 anos para provar aos seus leitores que era possível: o Parliament foi forçado a criar a idade do consentimento aos 16 anos para o Reino Unido. Graças a estes pioneiros, as Nações Unidas adotaram as medidas contra o tráfico internacional de mulheres e crianças.

HOJE
É certo que redes existem que fornecem “adolescentes às redes européias de prostituição, principalmente, meninas entre 14 à 17 anos, provenientes das Filipinas ou da Tailândia. Os países asiáticos são as principais vítimas da prostituição infantil. Recenseia-se, hoje, mais de cem mil prostituídas menores de 16 anos.”
No Iémen, Arábia Saudita, Etiópia, Sudão, a excisão de meninas ainda é prática; a operação é frequente na Jordânia, Síria, Costa de Marfim, Dogons da Nigéria e é obrigatória em numerosas tribos africanas. No Sudão, Somália, Namíbia, Jibuti, Etiópia, África Preta pratica-se muito, além disso, a dolorosa infibulação* (órgãos genitais costurados ou cauterizados).
Em julho de 1974, o professor Pierre Henry, especialista em erotismo africano, tentava justificar a excisão nestes termos: “A excisão é uma tentativa consequente para favorecer a integração sexual da mulher em função de critérios estritamente sociais. A vocação da mulher guineense é a maternidade. A excisão suprime o órgão do prazer estéril, por conseguinte, associal, para deixar subsistir apenas o órgão do prazer fértil, por conseguinte, social”…
O. Boissier Trabalho de graduação em CIÊNCIA SOCIAL do TRABALHO - 1984/88 (Le Louvière)
Tradução Mirian Giannella
*As práticas da mutilação feminina
As mutilações dos genitais femininos, chamadas também de circuncisão feminina, compreendem vários tipos de práticas.
• A abscisão consiste no corte parcial ou total do clitóris. A abscisão pode ser realizada logo após o nascimento da menina, depois de meses ou anos, ou na entrada da puberdade. É sempre praticada por mulheres anciãs com algo cortante que pode ser navalha, faca ou pedaço de vidro, sem preocupações com a assepsia.
• A labiotomia é a extirpação dos grandes e/ou pequenos lábios, muito praticada na Somália, onde se estima que 98% das mulheres foram submetidas a esse procedimento doloroso. Está difundida também na Eritréia, Etiópia, Serra Leoa, Sudão, Quênia, Mali e Burkina Faso. Embora sejam países de maioria islâmica, a prática não é ligada a preceitos corânicos que prescrevem somente a circuncisão masculina. Existem documentos que indicariam como essa tradição já era praticada há mais de 6 mil anos.
• A infibulação é o procedimento em que a vagina vem quase totalmente costurada, deixando somente uma apertura para o escoamento da urina e do sangue menstrual. Em algumas tribos, se introduz um pequeno canudinho – fíbula – para manter a abertura. Muitas vezes com a abscisão do clitóris, a infibulação é realizada na puberdade e pode ser efetuada outras vezes durante a vida da mulher. Antes do casamento, mulheres anciãs reabrem a sutura para propiciar o ato sexual e o parto.
A repetição da infibulação provoca distúrbios psíquicos além de hemorragias e infecções na região genital, que podem conduzir à esterilidade, infecção e morte da mulher.
Fonte: Feridas para sempre, Revista Mundo e Missão:
http://www.pime.org.br/mundoemissao/mulhersempre.htm

Stop-FGM. Stop às mutilações genitais femininas”, campanha lançada pela Associação italiana de mulheres para o desenvolvimento (Aidos), em colaboração com a Associação das mulheres da Tanzânia (Tamwa) e com a “Organização não há paz sem justiça”. Para acessar: www.stopfmg.org

***
É uma indecência imoral totalmente indigna como eles invertem as lógicas para culpabilizar crianças indefesas! É esta a transmissão que nos ocultam? Esta a violência selvagem a que, ainda, estamos submetidos? Os filhos não são propriedade do pai e a mulher não é propriedade dos homens. Até quando, conviveremos com esta barbárie? Morte ao pai onipotente!
Queremos nossos direitos!

Postado por Mirian Magia às 09:14



sexta-feira, 17 de agosto de 2018


Impressionante manifestação popular em Brasília acontecendo agora. Somente Lula, o PT, o MST, os partidos aliados, os movimentos sociais diversos, todos juntos, conseguem florir e colorir Brasília com as rubras cores da democracia e das lutas sociais em plena Esplanada ressequida de agosto, em plena Brasília seca com o golpe e com os arbítrios da ditadura judicial. O povo brasileiro sedento de justiça vencerá e reconquistará a sua democracia e confiança novamente !
RCO


O Brasil não tem um projeto de comunismo nos partidos de centro, centro esquerda e mesmo de esquerda, ler que o PT, o Lula, defensores da liberdade do ex presidente são ideólogos do comunismo é de dar dó! Em 14 anos de mandato consecutivo de Lula e Dilma, o Brasil permaneceu com a mesma constituição e uma República Democrática. No Governo Temer o desemprego aumentou 600%, esse é o mesmo projeto de tucanos, Bolsonaro, democratas, pmdebistas nacionais e a elite empresarial desse país, ao qual infelizmente também apoiada pelo bancada BBB (Bíblia, Bola e Bunda). Bolsonaro já declarou apoio a Ratinho Júnior no Estado do Paraná, não preciso falar muito sobre isso, pois Bolsonaro e aliados são farinha do mesmo saco, recheados de um vazio operacional impressionante. Tem gente babando ovo de Juiz, isso mesmo, Juiz, como Sérgio Moro, que de justiça não conhece nada, não julga com lisura, parcimônia e principalmente com provas, muito pelo contrário, é partidário da escória Tucana que assombra junto com Temer e Bolsonaro esse país. Para além disso, 92% da população brasileira ganha menos que o auxílio moradia de um Juiz e curiosamente não ouvi mais panelas batendo. Um país que promove cortes de pesquisa, fomento de conhecimento, mas perdoa dívida de bancos, isso mesmo meu nobre, Bancos, recorre a uma prática de suicídio do desenvolvimento e da reprodução da mesma corja que apodrece os três poderes dessa nação. Por fim, num país imposto é palavra de ordem, políticas sociais populares também deveriam ser, viva as bolsas, vales, e tudo que é direito da dignidade do povo! Não a Alckmin, não a Bolsonaro, não a Temer, não a Moro, não a MBL, não a Tucanos e sim a prosperidade do Brasil, longe do câncer que vem nos consumindo.
Demétrio Janz Labida

Debate de clichês no Paraná. Falam que poucas famílias políticas dominam o Estado e sabem que as maiores candidaturas são das mesmas famílias. A pior e mais grave ofensa no debate para governador é associar Ratinho e Cida Borghetti ao Beto Richa, pânico geral, o que repetiu o mesmo pavor anterior de ser associado ao governo impopular de direita de Lerner. Muita midia training para robotizar respostas pasteurizadas e um idílico Paraná, terra moderna do futuro, o que repete ideologias e mitos presentes desde o século XIX e início do XX, sem apontarem as contradições sociais (trabalhadores pobres, negros, índios, mulheres subalternas) do presente. João Arruda, golpista convicto e apoiador hardcore de Eduardo Cunha e de Temer, sobrinho do Senador Requião e genro do megaempresário e suplente de Senador de Álvaro Dias, Joel Malucelli, tentando dar uma de "requiãozinho" sem sucesso. Puxou os defeitos e não as qualidades do clã. Ogier Buchi teve bom desempenho como experiente apresentador de TV, mais um típico político brasileiro que é liberal de direita e amante do Estado, sempre procurando estar dentro de cargos estatais porque não existem privilégios no mercado sem forte blindagem estatal garantindo a riqueza de poucos adeptos da livre iniciativa. Ogier se destacou como refúgio para perguntas das maiores candidaturas e como pode ser excluído da campanha teve bastante tempo nas perguntas. Rosinha representou bem e defendeu o PT e Lula, político experiente e que sonha em repetir desempenhos anteriores associados à grande popularidade de Lula nas pesquisas de opinião. Piva também teve atuação bastante crítica aos donos do poder locais e sonha em poder contribuir na eleição dos primeiros parlamentares regionais do PSOL, sonho ainda distante. Seria uma eleição muito favorável para Osmar Dias, mas como sabemos que quem decide a política paranaense são as famílias e não os partidos políticos, Osmar foi sabotado pelo irmão Álvaro Dias em seu projeto nacional pelo Phodemos. Fez falta o candidato Jorge Bernardi, impedido de comparecer. Só cochilei um pouquinho no penúltimo bloco
RCO


O Ministério Público é o maior fracasso democrático da Constituição de 1988 porque não adianta instituição nova com mentalidades autoritárias velhas. Podem observar o número de atuais procuradores, ativistas políticos de direita, com vínculos familiares da época da ditadura por lá. É o caso da procuradora-geral Raquel Elias Ferreira Dodge, filha do subprocurador-geral José Rodrigues Ferreira. Ganhou o cargo para defender o golpista Temer e o establishment golpista. República hereditária do golpismo e da antidemocracia, antipopular e antimodernidade, ideologias que ainda dominam o sistema judicial brasileiro.
RCO