terça-feira, 28 de agosto de 2018


O poder judiciário no Brasil só pode ser entendido como negócio de famílias político-jurídicas. Ainda discutem sobre "a proibição de que juízes julguem processos nos quais atuem escritórios de advocacia de cônjuges ou familiares" ! "A ação, que ainda não tem data para ser julgada, está sob relatoria do ministro Edson Fachin", cuja família também possui um escritório de advocacia. Um sistema judicial moderno e com maior imparcialidade jamais permitiria que familiares de magistrados e procuradores atuassem com ricos escritórios de advocacia no sistema judicial. O velho nepotismo e suas múltiplas roupagens e poderosos códigos nos bastidores.
RCO

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

As teses sobre o conceito de história


"A presa, como sempre de costume, é conduzida no cortejo triunfante. Chamam-na bens culturais. Eles terão que contar, no materialismo histórico, com um observador distanciado, pois o que ele, com seu olhar, abarca como bens culturais atesta, sem exceção, uma proveniência que ele não pode considerar sem horror. Sua existência não se deve somente ao esforço dos grandes gênios, seus criadores, mas também à corveia sem nome de seus contemporâneos. Nunca há um documento da cultura que não seja, ao mesmo tempo, um documento da barbárie."

Walter Benjamin, tese VII de "As teses sobre o conceito de história".

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

O amor é um cão dos diabos




(o pior e o melhor)

o pior e o melhor
nos hospitais e nas cadeias
está o pior
nos hospícios
está o pior
nas coberturas
está o pior
nas leituras de poesia
nos concertos de rock
nos shows beneficentes para os inválidos
está o pior
nos funerais
nos casamentos
está o pior
nas paradas
nos rinques de patinação
nas orgias sexuais
está o pior
à meia-noite
às 3 da manhã
às 5h45 da tarde
está o pior

pelotões de fuzilamento
rasgando o céu
isto é o melhor

pensar na Índia
olhando para as carrocinhas de pipoca
assistindo ao touro pegar o matador
isto é o melhor

lâmpadas encaixotadas
um velho cão se coçando
amendoins em um saquinho
isto é o melhor

jogar inseticida nas baratas
um par de meias limpas
coragem natural vencendo o talento natural
isto é o melhor

de frente para pelotões de fuzilamento
lançar pedaços de pão às gaivotas
fatiar tomates
isto é o melhor
tapetes com marcas de cigarro
fendas nas calçadas
garçonetes que mantém a sanidade
isto é o melhor

minhas mãos mortas
meu coração morto
silêncio
adágio de pedras
o mundo em chamas isto é o melhor
para mim.




A MULHER NA HISTÓRIA



“O DESTINO DA MULHER E DA MENINA NUMA PERSPECTIVA HISTÓRICA”
PERSPECTIVA HISTÓRICA & TRADIÇÃO, Ideologia & Geografia (TRECHOS)

O peso das tradições judaico-cristãs: Durante séculos, o direito religioso presidiu à vida social e familiar!

A BÍBLIA E O TALMUD
Na Bíblia, a mulher é a propriedade de um homem: o pai, o marido ou o tutor. E da família… Tem um valor comercial flutuante, não goza do valor moral intrínseco absoluto que atribuímos idealmente ao homem.
Um casamento é, por conseguinte, uma transação comercial e as meninas constituem um capital. Uma antiga tradição semítica situava a idade mínima para o casamento as meninas de três anos e um dia e Moisés Maimonide, um médico que viveu no século XII, reafirmou que uma criança de sexo feminino com a idade de três anos e um dia podia ser noiva por copulação desde que houvesse autorização do pai. Uma menina com mais de 12 anos era considerada muito idosa para se casar.
Durante séculos, a diferença entre compromisso e casamento não foi muito marcada: ambos eram tornados válidos pela copulação. “Já que as relações heterossexuais eram fundadas sobre uma transação comercial (…) a violação era um crime equivalente ao furto, e o pagamento de uma multa e o casamento podiam legitimar.” (Fl. Rush: 1983)
Um princípio bastante específico invalidava as atividades sexuais com crianças abaixo de certa idade, que se aplicava às crianças dos dois sexos: os meninos menores de 9 anos e as meninas com menos de 3 anos não eram considerados como pessoas no plano sexual. Copular com criancinhas não era ilegal, mas “inválido”. Legalmente, a menina permanecia virgem e, por conseguinte, o autor das sevícias não podia nem ser perseguido nem punido.

O PODER DO PAI
Na lei hebraica (herdeira dos códigos babilônicos e assírios) tão constrangedora na vida diária, o que parece surpreendente, é que o poder do pai seja tão grande. Não o poder do homem, mas o do pai! Em nenhum momento, a lei o constrangia: aconselha-o, ou até desaprova-o, mas nunca o submete a esta lei dado que a lei é ele… O poder do pai é total! Tem assim direito de vida e de morte sobre a mulher e seus filhos. Possui o direito de prostituir legitimamente a sua filha no âmbito de uma transação monetária legal. Se ela se prostituir por sua própria iniciativa, ela comete um crime capital que era punido de morte, queimada ou lapidada!… Se tivesse menos de doze anos, esperava-se o seu aniversário para proceder à execução!
“A Bíblia não comporta proibição à prostituição: o único crime que reconhece nesta matéria é o da criança que desafia a autoridade paterna.” (Fl. Rush - 1983, p. 39 à 112)
As leis e costumes fundamentais relativos às relações sexuais são as que duraram mais. Permanecerão inalteradas com a chegada ao poder da Igreja católica na Europa.

A IGREJA CATÓLICA ROMANA
Durante a era cristã, cavaleiros cristãos, nobres, cruzados e os príncipes da Igreja seqüestravam regularmente mulheres e crianças e os casamentos de crianças serviam correntemente de base nas transações comerciais ou políticas. “O direito Canônico proibia em teoria os casamentos de crianças (12 anos para as meninas, 14 anos para os rapazes), mas as exceções possíveis ao impedimento eram tão freqüentes que a regra oficial perdia seu significado: os Pais da Igreja consideravam que extrema juventude era um estado passageiro, a pequena noiva terminaria por atingir a maioridade… (passagem à idade adulta aos 7 anos!)” (Fl. Rush - 1983, pp. 39 à 112)

CASAMENTO VÁLIDO
“O Judaísmo tinha determinado que se podia adquirir uma noiva legalmente quer por contrato, quer comprando-a, quer numa relação sexual com ela. Dado o despeito da Igreja por tudo o que era material, as relações sexuais tornaram-se o elemento determinante de validação. ” (Fl. Rush - 1983, p. 39 - 112)
A partir do século V, o papa Gregório decretou que “qualquer mulher que copulasse com um homem a ele pertencia, bem como à família” e mesmo se se tratasse de uma violação, após sequestro, por exemplo. No século XII, o papa Alexandre III declarou que a copulação dava ao casamento um caráter eterno e que este não podia ser dissolvido. Como na tradição hebraica (onde as relações sexuais com uma menina de três anos eram nulas e não existentes), a Igreja considerava que as atividades sexuais com menores de sete anos eram sem consequências. E “o impedimento por afinidade” (ou seja o incesto) não cabia no caso de uma menor de sete anos. “O que é impressionante, é que direito canônico cristão não se preocupa tanto pelo fato que um homem adulto copule com uma criança senão a partir do MOMENTO em que a coisa se produziu!” (Fl. Rush - 1983, p. 39 - 112)
No caso de incesto, o problema levantado não era a preocupação com o destino das crianças mas, simplesmente, para saber se “o impedimento de afinidade” era ou não violado.
NA INGLATERRA
O crime de violação evoluiu de um ponto de vista legal a partir do século XIII quando da separação do direito civil do direito religioso (Tratado de Westminster). Mas é necessário esperar o século XVI para que a violação de uma criança menor de 10 anos se torne um crime, o de uma menina entre o 10 e 12 anos permaneceu apenas um delito. A acusação podia ser retida apenas se se pudesse provar a idade da vítima, o que na época não existia nenhum procedimento oficial de registro. Esta acusação era fonte de tanto suspeita e embaraço para denunciante e se traduzia por uma punição tão leve que poucas vítimas utilizavam o procedimento legal. O direito canônico conservava ainda toda a sua potência no que se referia às relações sexuais com uma menor de sete anos: a violação destas crianças permanecia sempre sem objeto aos olhos da lei.

O PAI ESPIRITUAL
Grandes eram os privilégios dos quais gozavam os membros do clero…
A partir da idade de 16 anos, o destino de uma menina estava selado: o casamento ou o mosteiro implicavam a renúncia a todos os bens terrestres… Os pais ou os tutores legais pronunciavam os votos invés das crianças! No século XII, quis-se proibir esta prática tanto os conventos estavam lotados de noviças, mas esta diretiva foi ignorada. Contrariamente ao que se passa hoje, a carreira eclesiástica era mais raramente uma escolha espiritual e resultava frequentemente de uma decisão não pessoal de caráter econômico ou político. No início do século XVIII, a abadessa do convento de Santa Catherina di Pisola declarou abertamente que os monges e padres tratavam as religiosas e noviças como mulheres e que estas se calavam “pela ameaça de excomunhão que brandiam os seus pais espirituais.” (Fl. Rush - 1983, p. 39 - 112)
“Ainda no século XIX e ainda que os testemunhos conservados livravam apenas um mínimo de informação, a metade das acusações de sevícias sexuais relativas ao clero têm como origem as instituições educativas.” (Fl. Rush - 1983, p. 39 - 112)
A Igreja evitará todo escândalo e o enfraquecimento do seu poder, e passa a ser quase impossível de levar adiante uma acusação ou condenar um membro do clero… Os Pais da Igreja ainda precisaram, ”além disso, são as próprias mulheres, as sedutoras”. (Idem)
Esta ideia vai atingir o seu paroxismo entre os séculos XV e o XVI na Europa, na época da grande caça às bruxas…

A CAÇA ÀS BRUXAS
“Em 1484, o papa Inocente VIII publicou uma bula pontifical que dava poder à Inquisição (braço judicial da Igreja católica romana) de procurar, encarcerar, investigar, torturar e fazer executar as bruxas. (...) O Malleus Malificarum, documento que passou a ser o manual da caça às bruxas, podia fazer de qualquer mulher que preenchesse o seu papel tradicional, uma bruxa.” (Idem): nenhuma mulher, pela sua essência, tinha renunciado nem às piores abominações nem aos excessos mais terríveis, indo mesmo até a copular com o demônio… Acusava-se vinte mulheres para um homem. A bruxaria era, sobretudo um crime de caráter sexual cometido pelas mulheres. Os homens em geral eram preservados deste crime, as crianças não o eram,… sobretudo não as pequenas meninas!!!!
No entanto, “Jean Bodin, monge Carmel e professor de Direito canônico vivo, no século XVI, decretou que as medidas legais comuns mostravam-se insuficientes para desenraizar a heresia: as pequenas meninas de 6 anos (idade legal nessa época para consentir a uma atividade sexual na França) estavam em condições de copular com o diabo e, por conseguinte, bem grandes para sofrer um processo”!!! (Idem)… e os suplícios e punições reservados às crianças eram os mesmos que os praticados em adultos.
De acordo com “… a descrição feita “do demônio” pelas pequenas vítimas, pode-se ver que se assemelha a qualquer homem e que ele engravida, que transmite doenças venéreas e que as feridas provocadas pelo coito muitas vezes custaram a vida da denunciante. Mas a ideia aceita na época era que uma criança demasiado pequena para suportar um homem “adaptasse-se do demônio”. Idem”

A INGLATERRA E A EUROPA VICTORIENNE
CULTO DA PEQUENA MENINA E DESENVOLVIMENTO DA PROSTITUIÇÃO
No século XIX, assistimos ao desenvolvimento da ciência e da indústria. É também a época em que se manifesta sem retenção o gosto/culto da pequena menina, sob duas formas: por um lado, deificação e, por outro lado, as sevícias sexuais, a violação, a prostituição. A nova invenção da fotografia muito contribuirá para o desenvolvimento da pornografia infantil.
O século XIX é igualmente a época do desenvolvimento das novas escolas de psicologia e comportamento humano: ainda assim continua-se dizendo que, “… as mulheres eram desprovidas de impulsos sexuais e era ofensivo supor que os tivessem.” Do mesmo modo, as pequenas meninas, se fossem violadas, não sofreriam nenhum dano pois não compreendiam o que o seu agressor lhes fazia. Em contrapartida, os impulsos sexuais do homem eram a fonte do progresso e da civilização. Tratava-se de uma energia necessária, o instinto criativo do macho. E este instinto, pela sua essência, deve infligir sofrimento… Ideia do homem conquistando a natureza,… a mulher representando o papel da natureza!…
Os autores franceses não eram os últimos a defender este ponto de vista. De acordo com Honoré de Balzac: “A mulher é uma propriedade que se adquire por contrato; é móvel porque possessão vale título; e mais, a mulher, propriamente falando, é apenas um anexo do homem; ora, cortem, roam, elas lhes pertencem a todos os títulos. Não se preocupem em nada com os seus murmúrios, os seus gritos, as suas dores. A natureza as fez para o nosso uso e para carregar todos os fardos: crianças, tristezas, golpes e penalidades do homem.” (Fl.Rush - 1983, p. 119 - 120)
Como estes impulsos são impossíveis de dominar (sem os quais o homem não seria mais um homem), assiste-se a um desenvolvimento alarmante da prostituição.
“A literatura da época vitoriana pulula de histórias de gentlemen deflorando virgens,… sempre uma pequena menina!” (Idem)
Ver a série de histórias publicadas sob o título RELATOS DA MINHA AVÓ E O AMOR: onde se vê a jovem Kate, pré-adolecente, descrever “os esforços e os golpes de bastão até ocorrer a crise final em que o seu seio era invadido pelo dilúvio do esperma paterno”.
Seduzir as meninas do povo era considerado como um direito dos herdeiros da classe possuidora e cultivada. Os homens amadores de ninfetas estavam prontos a pagar um bom preço para obter o que desejavam: crianças tiradas dos pardieiros das grandes cidades com freqüência pelo sistema de seqüestro conhecido sob o nome de tráfico de brancos. Do comércio local, passaram ao tráfico nacional seguido pelo internacional.
“Uma estimativa feita em Londres no meio do século XIX chega à conclusão que cerca de 400 pessoas ganhavam a vida recrutando meninas entre 11 e 15 anos.” (Idem)
Foi necessária a intervenção da Sociedade das Nações Unidas e depois as Nações Unidas para a adoção de medidas contra o tráfico internacional de mulheres e crianças para que cessasse o tráfico de brancos.

SITUAÇÃO DE ESCRAVAS
A criança raptada ou vendida era levada para longe de casa e colocada em situação de dependência total. Ver “A casa da escravidão” (The House of Bondage, Kauffman, 1910 - EUA): Ela poderia pensar que era brutalizada pelos seus raptores, mas acabava depressa constatando que eram eles quem a mantinham em vida, é desta maneira que se torna escrava… Revoltar-se, como, o que fazer? Partir, para ir aonde? Quem vai cuidar de mim? Quem de mim gostará? Falar, quem vai acreditar? Submissão = silêncio. Este processo posto em evidência é completamente aplicável à situação de incesto pai-filha…

PROSTITUIÇÃO: JUSTIFICAÇÃO DA EXPLORAÇÃO SEXUAL
“Definindo a prostituição como um mal necessário (80% das prostitutas são vítimas de incesto - nota acrescentada), a sociedade chegava a convencer-se que a exploração sexual era justificada pelo fato de que as mulheres perdidas ou decaídas, qualquer que fosse sua idade ou a causa, eram ninfomaníacas e pecadoras e que nada, nem ninguém as podia salvar. Não mereciam outra coisa senão realizar a existência que escolheram.” (Idem)
É sempre o mesmo discurso hoje: a mulher violada levanta suspeita na opinião pública. “Procurou-o, tem aquilo que merece!” - “Ela gosta, é ela que quer!” E o pai, que violou a sua filha, dirá: “Ela sabia o que ia lhe acontecer!… Era tão carinhosa, foi ela quem me seduziu!”
“Podemos pensar que estamos muito longe do universo dos nossos antepassados, mas a ideia de que as mulheres são propriedade sexual dos homens persiste, no entanto. Consideram ainda que um homem não pode violar a sua mulher pois não há abuso sexual contra algo que lhe pertence.” Esta ideia é muito difundida entre os pais abusadores em relação a sua filha!

A LUTA CONTRA OS ABUSOS SEXUAIS NO SÉCULO XIX
Mulheres como Joséphine BUTLER, nascida no Reino Unido, em 1828, revelaram e denunciaram as práticas sexuais do seu tempo. Prostitutas eram ameaçadas, insultadas de maneira obscena, incomodadas pela polícia e cafetões de casas fechadas que alugavam os serviços de vadios para as atacar.
O Exmo. Senhor James STANSFIELD, membro eminente do Parliament, juntou-se às suas filas. William STEAD, editor do Pall Mall Gazette, juntou-se também as filas dos que lutavam contra a exploração sexual. Fez a experiência de adquirir uma menina de 13 anos para provar aos seus leitores que era possível: o Parliament foi forçado a criar a idade do consentimento aos 16 anos para o Reino Unido. Graças a estes pioneiros, as Nações Unidas adotaram as medidas contra o tráfico internacional de mulheres e crianças.

HOJE
É certo que redes existem que fornecem “adolescentes às redes européias de prostituição, principalmente, meninas entre 14 à 17 anos, provenientes das Filipinas ou da Tailândia. Os países asiáticos são as principais vítimas da prostituição infantil. Recenseia-se, hoje, mais de cem mil prostituídas menores de 16 anos.”
No Iémen, Arábia Saudita, Etiópia, Sudão, a excisão de meninas ainda é prática; a operação é frequente na Jordânia, Síria, Costa de Marfim, Dogons da Nigéria e é obrigatória em numerosas tribos africanas. No Sudão, Somália, Namíbia, Jibuti, Etiópia, África Preta pratica-se muito, além disso, a dolorosa infibulação* (órgãos genitais costurados ou cauterizados).
Em julho de 1974, o professor Pierre Henry, especialista em erotismo africano, tentava justificar a excisão nestes termos: “A excisão é uma tentativa consequente para favorecer a integração sexual da mulher em função de critérios estritamente sociais. A vocação da mulher guineense é a maternidade. A excisão suprime o órgão do prazer estéril, por conseguinte, associal, para deixar subsistir apenas o órgão do prazer fértil, por conseguinte, social”…
O. Boissier Trabalho de graduação em CIÊNCIA SOCIAL do TRABALHO - 1984/88 (Le Louvière)
Tradução Mirian Giannella
*As práticas da mutilação feminina
As mutilações dos genitais femininos, chamadas também de circuncisão feminina, compreendem vários tipos de práticas.
• A abscisão consiste no corte parcial ou total do clitóris. A abscisão pode ser realizada logo após o nascimento da menina, depois de meses ou anos, ou na entrada da puberdade. É sempre praticada por mulheres anciãs com algo cortante que pode ser navalha, faca ou pedaço de vidro, sem preocupações com a assepsia.
• A labiotomia é a extirpação dos grandes e/ou pequenos lábios, muito praticada na Somália, onde se estima que 98% das mulheres foram submetidas a esse procedimento doloroso. Está difundida também na Eritréia, Etiópia, Serra Leoa, Sudão, Quênia, Mali e Burkina Faso. Embora sejam países de maioria islâmica, a prática não é ligada a preceitos corânicos que prescrevem somente a circuncisão masculina. Existem documentos que indicariam como essa tradição já era praticada há mais de 6 mil anos.
• A infibulação é o procedimento em que a vagina vem quase totalmente costurada, deixando somente uma apertura para o escoamento da urina e do sangue menstrual. Em algumas tribos, se introduz um pequeno canudinho – fíbula – para manter a abertura. Muitas vezes com a abscisão do clitóris, a infibulação é realizada na puberdade e pode ser efetuada outras vezes durante a vida da mulher. Antes do casamento, mulheres anciãs reabrem a sutura para propiciar o ato sexual e o parto.
A repetição da infibulação provoca distúrbios psíquicos além de hemorragias e infecções na região genital, que podem conduzir à esterilidade, infecção e morte da mulher.
Fonte: Feridas para sempre, Revista Mundo e Missão:
http://www.pime.org.br/mundoemissao/mulhersempre.htm

Stop-FGM. Stop às mutilações genitais femininas”, campanha lançada pela Associação italiana de mulheres para o desenvolvimento (Aidos), em colaboração com a Associação das mulheres da Tanzânia (Tamwa) e com a “Organização não há paz sem justiça”. Para acessar: www.stopfmg.org

***
É uma indecência imoral totalmente indigna como eles invertem as lógicas para culpabilizar crianças indefesas! É esta a transmissão que nos ocultam? Esta a violência selvagem a que, ainda, estamos submetidos? Os filhos não são propriedade do pai e a mulher não é propriedade dos homens. Até quando, conviveremos com esta barbárie? Morte ao pai onipotente!
Queremos nossos direitos!

Postado por Mirian Magia às 09:14



sexta-feira, 17 de agosto de 2018


Impressionante manifestação popular em Brasília acontecendo agora. Somente Lula, o PT, o MST, os partidos aliados, os movimentos sociais diversos, todos juntos, conseguem florir e colorir Brasília com as rubras cores da democracia e das lutas sociais em plena Esplanada ressequida de agosto, em plena Brasília seca com o golpe e com os arbítrios da ditadura judicial. O povo brasileiro sedento de justiça vencerá e reconquistará a sua democracia e confiança novamente !
RCO


O Brasil não tem um projeto de comunismo nos partidos de centro, centro esquerda e mesmo de esquerda, ler que o PT, o Lula, defensores da liberdade do ex presidente são ideólogos do comunismo é de dar dó! Em 14 anos de mandato consecutivo de Lula e Dilma, o Brasil permaneceu com a mesma constituição e uma República Democrática. No Governo Temer o desemprego aumentou 600%, esse é o mesmo projeto de tucanos, Bolsonaro, democratas, pmdebistas nacionais e a elite empresarial desse país, ao qual infelizmente também apoiada pelo bancada BBB (Bíblia, Bola e Bunda). Bolsonaro já declarou apoio a Ratinho Júnior no Estado do Paraná, não preciso falar muito sobre isso, pois Bolsonaro e aliados são farinha do mesmo saco, recheados de um vazio operacional impressionante. Tem gente babando ovo de Juiz, isso mesmo, Juiz, como Sérgio Moro, que de justiça não conhece nada, não julga com lisura, parcimônia e principalmente com provas, muito pelo contrário, é partidário da escória Tucana que assombra junto com Temer e Bolsonaro esse país. Para além disso, 92% da população brasileira ganha menos que o auxílio moradia de um Juiz e curiosamente não ouvi mais panelas batendo. Um país que promove cortes de pesquisa, fomento de conhecimento, mas perdoa dívida de bancos, isso mesmo meu nobre, Bancos, recorre a uma prática de suicídio do desenvolvimento e da reprodução da mesma corja que apodrece os três poderes dessa nação. Por fim, num país imposto é palavra de ordem, políticas sociais populares também deveriam ser, viva as bolsas, vales, e tudo que é direito da dignidade do povo! Não a Alckmin, não a Bolsonaro, não a Temer, não a Moro, não a MBL, não a Tucanos e sim a prosperidade do Brasil, longe do câncer que vem nos consumindo.
Demétrio Janz Labida

Debate de clichês no Paraná. Falam que poucas famílias políticas dominam o Estado e sabem que as maiores candidaturas são das mesmas famílias. A pior e mais grave ofensa no debate para governador é associar Ratinho e Cida Borghetti ao Beto Richa, pânico geral, o que repetiu o mesmo pavor anterior de ser associado ao governo impopular de direita de Lerner. Muita midia training para robotizar respostas pasteurizadas e um idílico Paraná, terra moderna do futuro, o que repete ideologias e mitos presentes desde o século XIX e início do XX, sem apontarem as contradições sociais (trabalhadores pobres, negros, índios, mulheres subalternas) do presente. João Arruda, golpista convicto e apoiador hardcore de Eduardo Cunha e de Temer, sobrinho do Senador Requião e genro do megaempresário e suplente de Senador de Álvaro Dias, Joel Malucelli, tentando dar uma de "requiãozinho" sem sucesso. Puxou os defeitos e não as qualidades do clã. Ogier Buchi teve bom desempenho como experiente apresentador de TV, mais um típico político brasileiro que é liberal de direita e amante do Estado, sempre procurando estar dentro de cargos estatais porque não existem privilégios no mercado sem forte blindagem estatal garantindo a riqueza de poucos adeptos da livre iniciativa. Ogier se destacou como refúgio para perguntas das maiores candidaturas e como pode ser excluído da campanha teve bastante tempo nas perguntas. Rosinha representou bem e defendeu o PT e Lula, político experiente e que sonha em repetir desempenhos anteriores associados à grande popularidade de Lula nas pesquisas de opinião. Piva também teve atuação bastante crítica aos donos do poder locais e sonha em poder contribuir na eleição dos primeiros parlamentares regionais do PSOL, sonho ainda distante. Seria uma eleição muito favorável para Osmar Dias, mas como sabemos que quem decide a política paranaense são as famílias e não os partidos políticos, Osmar foi sabotado pelo irmão Álvaro Dias em seu projeto nacional pelo Phodemos. Fez falta o candidato Jorge Bernardi, impedido de comparecer. Só cochilei um pouquinho no penúltimo bloco
RCO


O Ministério Público é o maior fracasso democrático da Constituição de 1988 porque não adianta instituição nova com mentalidades autoritárias velhas. Podem observar o número de atuais procuradores, ativistas políticos de direita, com vínculos familiares da época da ditadura por lá. É o caso da procuradora-geral Raquel Elias Ferreira Dodge, filha do subprocurador-geral José Rodrigues Ferreira. Ganhou o cargo para defender o golpista Temer e o establishment golpista. República hereditária do golpismo e da antidemocracia, antipopular e antimodernidade, ideologias que ainda dominam o sistema judicial brasileiro.
RCO

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Juíza da Casa


Quando falamos que as teias do nepotismo são iguais e semelhantes no Brasil inteiro. Fato social. A magistratura à vontade na grande mídia e casada com filhos de funcionários das mais atrasadas oligarquias familiares políticas da região. Pensou no Paraná ? Mesma realidade do Maranhão. ["A juíza Anelise Reginato, que determinou a inelegibilidade do governador Flávio Dino, apagou há pouco sua conta no Facebook após o Blog ter publicado o print de uma publicação em que a magistrada em 2012 estava no sistema Mirante de Comunicação e disse que estava em casa na TV de Sarney. No dia 7 de setembro de 2012, a juíza fez check in na rede social após passagem na TV. “Nada como se sentir em casa, bem à vontade, sem chinelo… ah…”, diz a juíza na postagem. Anelise Reginato é casada com Márcio Fontenele, filho do radialista Herbert Fontenele, falecido em 2015, e ex-funcionário por muitos anos do Sistema Mirante.Tal como no poema de Carlos Drummond de Andrade, as relações entre os personagens por trás da decisão da juíza Anelise Reginato são evidentes e revelam um ciclo vicioso: A juíza de Coroatá é casada com o filho do ex-funcionário da Mirante, sistema de comunicação de propriedade da família Sarney, que tenta eleger Roseana Sarney, ex-governadora que tinha como principal secretário Ricardo Murad, casado com a ex-prefeita de Coroatá Teresa Murad, que perdeu as eleições em 2016 e moveu ação contra Flávio Dino que foi acolhida por quem? Pela juíza eleitoral de Coroatá!"]
RCO




- Cabo Daciolo é o produto dos últimos 5 anos da política carioca e das ultrajornadas de 2013, a síntese da construção partidária do PSOL, o neopentecostalismo negocial de direita e a falência das forças de segurança. O antipetismo e antilulismo radicais podem produzir monstros assim.
- Bolsonaro mostrou suas fragilidades em debates e foi abotoado pelo Cabo Daciolo como o candidato-destaque mais aloprado da direita.
- Alvaro Dias é a cara artificial, hipócrita e ridícula da direita paranaense e do descarado aparelhamento político e partidário da farsa a jato. Espancador de professores.
- Marina é uma tartaruga sem casca e sem rede. Saiu do PV para se coligar com o mesmo PV em mais uma fracassada aliança oportunista.
- Alckmin só acertou quando em ato falho falou pertencer a outra linhagem, a do nepotismo do PSDB, revelando o seu elitismo e tucanismo como candidato enrustido do governo e do bloco golpista de temer.
- Meirelles entrou como espantalho e saiu como saco de pancadas com um nome a zerar.
- Ciro Gomes foi razoável e continua querendo se equilibrar entre esquerda e direita, sempre corre o risco de acabar desagradando os dois campos, o que fez nos últimos 40 anos.
- Boulos foi o melhor do debate e passou a imagem de ser um Lula dos anos 80, o que para ele é um tremendo elogio.
- Lula venceu porque desmascarou a censura, a prisão política e como candidato muito na frente das pesquisas de opinião não pode e não precisou se expor ao pinga-fogo das críticas no debate sem ter tempo para responder lá.
RCO


O culto aa personalidade


Uma das piores coisas que o culto aa personalidade de Lula (qualquer que seja nosso grau de simpatia por ele e pelo que ele simboliza e representa) causou foi essa ilusão de ótica de que o Brasil tende ao bipartidarismo e aa polarização entre PSDB e PT. Além da analise ser superficial, essa eh a principal causa pela qual o sistema partidário brasileiro esta cada vez pior, cada vez mais fragmentado e com cada vez mais parlamentares de partidos fisiológicos e de centro direita nos diferentes níveis de representação. Personalidades (e anti-personalidades) fortes e partidos fracos, estes são os motivos pelos quais nossos índices de confiança mas instituições se assemelham ao do Haiti, e nossos custos de gestão da coalizão estão entre os maiores do planeta. E o pior e que tende a piorar cada vez mais...E pensar que a solução do problema eh tão simples.
Sérgio Soares Braga

Mais uma vez a direita paranaense vira motivo de chacota nacional. Cobrar masculinidade em concurso policial é um "atributo social" que quem tem não precisa provar, nem haverá dúvida ou questionamento tão ridículo neste sentido. Uma sociedade moderna deve respeitar a todos comportamentos. Da mesma maneira a popularidade é para quem tem, como Lula, que mesmo preso político pela ditadura judicial, não precisa provar que tem muita popularidade e que as mentiras e farsas locais nunca afetaram a grande popularidade de Lula. E adivinhem em que estado aparentemente inventaram primeiro o besteirol da tal Ursal, senão no pensamento de direita do Paraná

RCO

terça-feira, 31 de julho de 2018

POR QUE PRENDERAM LULA?


ERIC NEPOMUCENO




A última vez em que estive com o presidente Lula foi na sexta-feira, 16 de março, num ato em São Paulo. Três semanas depois ele foi preso.

Naquela sexta-feira foi lançado o livro A verdade prevalecerá, uma minuciosa e contundente entrevista feita a Lula pela editora da Boitempo, Ivana Jinkings, uma dupla luminosa de jornalistas, Juca Kfouri e Maria Inês Nassif, e o professor de relações internacionais Gilberto Maringoni.

A pedido da editora, escrevi um perfil de Lula para o livro, e por isso fui a São Paulo para o lançamento, no Sindicato dos Químicos, no bairro paulistano cujo nome não poderia ser mais apropriado: Liberdade.

Lula tinha se comprometido a autografar cem exemplares do livro quando o lançamento terminasse. Haveria um sorteio para escolher quem levaria o autógrafo.

Como não poderia deixar de ser, aquele não foi um lançamento convencional. Lula falou para um auditório abarrotado. Afiadíssimo, comoveu a plateia com um discurso contundente e emocionado.

Para os autógrafos foi reservada uma sala ampla, no segundo andar do Sindicato. Findo o ato, Lula tomou meu braço na saída do palco e disse: “vem comigo, depressa”. Passamos por um labirinto de corredores e escadas e chegamos ao tal salão.

Lula, então, pediu café, água e disse que precisava de quinze minutos para relaxar, enquanto fora da sala os cem sorteados eram organizados em fila indiana.

Quando fiz menção de sair para deixá-lo sossegado, me disse: “Não, não, você fica, quero apoio para essa questão de autógrafo.” Respondi, surpreso, que ele com certeza tinha dado autógrafos um milhão de vezes mais que eu. Rindo, Lula rebateu: “Em livros, não”.

Durante os tais minutos pudemos conversar a sós. Sabia eu, sabia ele, que a ordem de prisão viria logo. Perguntei o que faria: se apresentar na Polícia Federal, para evitar a imagem dele sendo preso, evidente sonho de consumo dos adversários? Esperar ser preso e dar a imagem de presente para a Globo?

Com o mesmo sorriso pícaro que eu havia visto muitas vezes ao longo dos anos, a resposta foi típica de Luiz Inácio Lula da Silva: “E se eu der a imagem de presente para mim?”

Três semanas depois, no sábado 7 de abril, quando faltavam treze minutos para as sete da noite e haviam se passado quase duas horas do ultimato disparado pela Polícia Federal, Lula – depois de dois dias dentro do Sindicado dos Metalúrgicos de São Paulo, em São Bernardo do Campo, cercado por milhares de apoiadores que impediam a entrada dos agentes federais – se entregou.

Antes, porém, negociou. Queria um ato religioso em memória de sua companheira Marisa Letícia.

Sabia, claro, que era uma oportunidade única de se despedir antes da prisão. Falou para umas vinte mil pessoas. A Globo não teve essa imagem. Aliás, nem chegou perto do Sindicato: apropriou-se da imagem pela TVT, a Televisão dos Trabalhadores.

Depois de ter retornado para dentro do Sindicato, Lula enfim apareceu para ser preso. Passou por um corredor de correligionários caminhando como sempre: de cabeça erguida.

A fotografia do ato de horas antes, quando ele tinha acabado de falar para a multidão, feita do alto por um jovem chamado Francisco Poner, de 18 anos, mostra Lula sendo carregado em ombros anônimos. O que se vê é uma figura apenas reconhecível flutuando num mar de gente. Essa imagem foi publicada e republicada mundo afora. Nas redes sociais, foi vista milhões de vezes. Ganhou a capa do jornal mexicano La Jornada e meia página do The New York Times, e apareceu em revistas, jornais e noticiários de televisão de dezenas de países.

Era a imagem que a Globo queria ter e não teve. A imagem que Lula quis e soube ter.

É por causa dessa intuição, essa sensibilidade, essa capacidade de traçar estratégias, de negociar, que, na presidência, Lua fez o que fez para mudar parte substancial deste país perverso, de mazelas e abandonos, de desigualdades de abismo.

É também por essa intuição, essa sensibilidade, por tudo isso, que ele foi preso.

Porque solto, Lula é um perigo para os tratam este país como feudo próprio. E uma esperança concreta e iluminada para os abandonados de sempre, que com ele viram que é possível alcançar uma outra realidade, que lhes foi negada ao longo dos tempos.

LULA LIVRE/LULA LIVRO - Palavras contra a farsa



Faz 54 anos que eventos ocorrendo em 31/04/1964 culminam em 1/04/1964 no Golpe (civil/empresarial-militar)que nos levou a uma ditadura, retirando do poder o presidente João Goulart. Repressão, autoritarismo, mortes, tortura, corrupção escondida, vigilância dos vizinhos, a desigualdade aumentou sim, vão ler... e só em 2011 tivemos a instalação da Comissão da Verdade.
É para lembrar.
É para entender que esconderam os efeitos nocivos desse período, que não se produziu vergonha coletiva pelas ações da ditadura, é para lembrar que se escondiam cadáveres, que censuravam informações, lembrar do AI 5 que cassou mandatos e acabou com garantias do habeas corpus... teve muita perseguição àqueles que pensavam diferente e que mostrou a mesquinharia das delações, muitas , muitas vezes não verdadeiras, mas agradavam a versão da SNI ( Serviço Nacional de Informações da Ditadura)...
Ditadura nunca mais!
A exemplo da Argentina era isso que deveríamos estar lembrando, tortura nunca mais, ditadura nunca mais, extermínio nunca mais...
Mas para um país que tem dificuldade de aceitar as consequências nefastas da escravidão até hoje, do genocídio indígena, imagina refletir sobre ditadura ...

Louise  Ronconi de Nazareno


A ignorância, a parvoíce, a falta de cultura de um Jair Bolsonaro, características de iletrados convictos, autoritários, apoiadores de torturadores e fascistas, devem ser explicadas sociologicamente. As origens sociais estão nas regiões de emigração da Itália, bases políticas do fascismo do pré-guerra, reforçadas no interior de São Paulo, em áreas pobres como Eldorado-Xiririca  e pouco elaboradas nas escolas e academias militares, todos locais sem o desenvolvimento e aperfeiçoamento das dimensões elevadas do espírito humano por conteúdos humanísticos, científicos, artísticos e culturais superiores. Bolsonaro é mais uma das lucrativas famílias políticas formadas pelo nepotismo estrutural do nosso sistema político. Autores italianos investigaram este fenômeno nas origens do fascismo: ["Durante o ano de 1921 e os primeiros meses de 1922, Gramsci manteve-se empenhado em produzir uma caracterização teórica e política do fascismo, definindo-o, afinal, como um movimento reacionário com forte enraizamento nos segmentos subalternos da sociedade italiana. Como se lê em um de seus artigos no L’Ordine Nuovo, de abril de 1921, o fascismo era um movimento político aderido aos costumes e identificado “com a psicologia bárbara e antissocial de alguns estratos do povo italiano ainda não modificados por uma nova tradição, pela escola [...]; basta recordar que a Itália tinha o primado em homicídios e assassinatos; que as mães educavam os filhos pequenos dando-lhes tamancadas na cabeça; [...] que em algumas regiões da Itália parecia natural [...] colocar uma focinheira nos vindimadores para que não comessem as uvas; que os proprietários trancavam seus empregados à chave para impedi-los de se reunirem ou de estudarem à noite”. A eficácia do fascismo derivava, pois, dessa aderência à ética social pre-dominante na Itália, arrastando demagogicamente até setores populares na sua voragem. E, numa evidente objetivação daquela dolorosíssima experiência, Gramsci denuncia a incapacidade dos dirigentes socialistas, mesmo os “revolucionários”, de se ligarem organicamente às massas e estancarem o avanço reacionário."] –
RCO
Ratinho Jr é parte de uma oligarquia por que “É oligarquia porque opera em rede familiar empresarial e política, com muito dinheiro, capitais e recursos de pai para filho, dentro da mídia, de partidos e do parlamento.”

P.S . A ciência investiga e conhece o real, o que já é extremamente difícil e complexo. Quem propõem a transformação é a práxis coletiva de mudança. Não seria apenas uma pequena vanguarda científica que pode mudar a sociedade e sim grandes forças sociais dela mesma, quando chegar o momento e a conjuntura. Conhecer já é um grande primeiro passo para quem quer mudar e transformar a sociedade.


sexta-feira, 13 de julho de 2018

NÃO QUERO CHORO NEM VELA, APENAS FORA CRIVELA


Helio Fernandes
Seu impeachment está difícil. Pelos crimes praticados, antes e depois
da posse, a impressão é que negociaria uma reunião sem punição. 17
vereadores assinaram a suspensão do recesso, ele entrou em campo
negociando, mas para distribuir favores e privilégios, que antes
negava, tudo era para os" lideres" da sua igreja.

Ontem a manifestação publica foi um fracasso.
Esperemos que a votação que pode começar hoje, não se transforme numa
vitória desse trapalhão paspalhão, que jamais poderia ter sido elei

O "Antigo Regime" continua nos privilégios hereditários do judiciário


O "Antigo Regime" continua nos privilégios hereditários do judiciário e dessa maneira é incompatível com a modernidade, a cidadania e a democracia: Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz. Presidente TRF4. Desembargador. Filho de Mariza Thompson Flores, diplomada em letras e professora de Inglês do Curso Médio, casada com o Dr. Otmar Lens, Juiz do Trabalho. Neto do Ministro do STF Carlos Thompson Flores, a quem elaborou a genealogia: “Aos 26 de janeiro de 1911, há cem anos, nasceu Carlos Thompson Flores na cidade de Montenegro, no Estado do Rio Grande do Sul. Filho do político e advogado Luiz Carlos Reis Flores e de Dona Francisca Abbott Borges Fortes Flores, foram os seus avôs paternos o Desembargador Carlos Thompson Flores e Dona Luíza Elvira Reis Flores, filha do Barão de Camaquã, um dos comandantes militares da Guerra do Paraguai; pelo lado materno, o Dr. João Pereira da Silva Borges Fortes, político e magistrado no Império, e Dona Ofélia Abbott Borges Fortes, irmã do ex-Ministro da República e ex-governador, Dr. Fernando Abbott. O Ministro Carlos Thompson Flores é descendente de algumas das mais ilustres e antigas famílias do Brasil que forneceram ao nosso país políticos do mais alto relevo, como o Marechal Hermes Rodrigues da Fonseca, Presidente da República, diplomatas como o embaixador Carlos Martins Thompson Flores, médicos como o Conselheiro do Império Dr. Jonathas Abbott, considerado por muitos o maior luminar da ciência médica brasileira no século XIX. Destacam-se, ainda, o Coronel Thomaz Thompson Flores, herói da Guerra de Canudos, cujos feitos são relatados por Euclides da Cunha na obra clássica "Os Sertões"; o Ministro Francisco, Thompson Flores, Ministro do Tribunal de Contas da União que, em 1937, como relator das contas do Presidente. Getúlio Vargas, levou a Corte de Contas a manifestar-se pela rejeição das contas do Presidente da República, em decisão sem precedentes na história daquele Tribunal. É descendente direto do bandeirante Raposo Tavares, um dos fundadores do Brasil, e de Dionísio Rodrigues Mendes, um dos primeiros povoadores do Rio Grande do Sul, cuja fazenda, em meados do século XVIII, situava-se em terras onde hoje se localiza o Município de Porto Alegre. Uma das fazendas de seu bisavô, o Dr. João Pereira da Silva Borges Fortes, notável político do segundo reinado, hospedou o Imperador D. Pedro II e toda a sua comitiva, no ano de 1865, em São Gabriel, quando de sua visita à Província de São Pedro. Corre em suas veias o nobre sangue da família Leme, de São Paulo, que deu ao Brasil homens como o Cardeal D. Sebastião Leme,que desempenhou papel decisivo para o favorável desfecho da Revolução de 1930, ao convencer o Presidente deposto Washington Luís Pereira de Sousa a partir para o exílio. São, ainda, seus primos o Almirante Diogo Borges Fortes, Ministro e Presidente do Superior Tribunal Militar, o General Carlos Flores de Paiva Chaves, o primeiro militar brasileiro a comandar tropas da ONU-comandou a Faixa de Gaza nos anos cinquenta -, o Almirante Joaquim Flores do Rêgo Monteiro, formado em Engenharia Naval na Inglaterra e um dos pioneiros no país nessa importante modalidade de engenharia e o Embaixador Francisco Thompson Flores, um dos responsáveis pela criação e instalação do Mercosul, quando embaixador em Buenos Aires. Essas, em apertada síntese, são as origens familiares de Carlos Thompson Flores. O homem, disse-o Antonio Joaquim Ribas, em sua biografia de Campos Salles, é um ser sucessivo, cuja alma contém, algumas vezes, as virtudes de cem gerações. Como nos minerais e vegetais, prossegue o notável biógrafo, a natureza elabora, longa e surdamente, as suas obras-primas na humanidade. Eis por que assinalamos que nos seus antepassados já se revelavam as altas virtudes que, aperfeiçoadas pelo estudo e meditação, destinaram no às mais elevadas posições na administração da nossa Nação. A l'origine d'une vocation, recorda Roger Martín Du Gard, il y a presque toujours un exemple. No exemplo de seus ancestrais, colheu a inspiração e o estímulo que lhe serviram de motivação na escolha de sua vocação, a magistratura, cujo exercício consumiu toda a sua existência. ”
RCO


quinta-feira, 12 de julho de 2018


Imaginar-se como elemento necessário na ordem do universo equivale, para nós, gente de boas leituras, àquilo que é a superstição para os iletrados. Não se muda o mundo com ideias. As pessoas com poucas ideias estão menos sujeitas ao erro, seguem aquilo que todos fazem, não incomodam ninguém, têm sucesso, enriquecem e alcançam boas posições, como deputados, condecorados, homens de letras renomados, acadêmicos, jornalistas. Pode-se ser idiota quando se cuida tão bem dos próprios interesses? O idiota sou eu, que quis lutar contra moinhos de vento."

Umberto Eco, 'O cemitério de Praga, p.194-195.


Jesus nasceu sem teto, trabalhou como carpinteiro




Jesus nasceu sem teto, trabalhou como carpinteiro numa humilde aldeia da Galileia, periferia da Palestina. Em seu ministério, conviveu com ladrões, corruptos e prostitutas. Não ligava muito para os preceitos religiosos, pois "trabalhava" no sábado, curando os aflitos e oprimidos. Por fim, condenado pelo Império, é executado entre dois ladrões, na ignomínia de uma cruz. Agora, dizer-se seguidor desse cara e ser intolerante para com toda diferença, é uma contradição que nunca vai entrar na minha cabeça.

Otto Leopoldo Winck

Ser escritor não é vocação


Ser escritor não é vocação, chamado divino ou destino. Ser escritor é decisão. Em determinado momento da vida, geralmente depois da leitura de livros ou de um livro em especial, alguém decide ser escritor. E em cima dessa decisão, outras decisões são tomadas: um certa disciplina de leituras, estudo de línguas, determinada faculdade ou profissão -- tudo em função de favorecer a opção fundamental: tornar-se escritor. O escritor poderá a vir trabalhar como publicitário, jornalista, professor, advogado, o escambau, mas essa 'profissão' sempre será subsidiária diante da decisão maior de ser escritor. Ele pode até passar anos sem escrever, mas estará sempre acumulando forças para o grande livro que escreverá um dia. Mesmo quando ele está vivendo, ele não vive simplesmente pela vida. Ele vive para acumular experiências para enriquecer sua escritura. Nesse sentido ele vampiriza-se a si mesmo e aos outros. Ele pode estar na maior fossa, sozinho num quarto de hotel ou numa estação deserta, depois que seu amor o deixou -- e mesmo em meio a dor ele estará pensando: como posso transformar isso num poema ou na cena de um romance?
Assim, tornar-se escritor não é necessariamente decidir-se a escrever livros, mas orientar a sua vida de tal maneira que o objetivo de vir a escrever livros não seja prejudicado. Boa parte da energia libidinal do escritor será canalizada para este objetivo, às vezes a tal ponto que faltará energia para outras áreas vitais. Não é que o escritor esteja condenado a ser um fracassado na vida, mas suas energias estão voltadas de tal maneira para sua decisão que chegam a faltar em outras áreas, muitas vezes mais necessárias na luta cotidiana pela vida. Quem não entende isso, não sente isso, pode até escrever livros e ser reconhecido socialmente como escritor, mas nunca o será de fato. Muitos podem alegar que há aqui uma certa herança do cristianismo e de suas ideias de sacrifício e abnegação. Não nego. A literatura não é um evento solto no ar da não-história. A literatura é fruto de uma longa construção histórica que teve suas raízes lá na Grécia antiga e cuja configuração atual se determinou em algum momento entre os séculos XIX e XX. Faz parte dessa construção a ideia de que o escritor é um santo sem fé num mundo sem deuses cujo último sucedâneo do sagrado não é necessariamente o fetichismo do livro literário mas o própria decisão de tornar-se escritor. E se a literatura perdeu sua relevância no mundo contemporâneo, este gesto só se reveste de maior heroísmo ainda. E só o herói é belo.

Otto Leopoldo Winck


Ditadura judicial


Ditadura judicial escancarada depois dos salamaleques político-jurídicos de Moro hoje, em férias e no exterior. O crime anterior e nunca punido da interceptação telefônica fez pós-graduação e aumentou de escala golpista. O poder judiciário foi integralmente sequestrado pela gangue de Moro. As manobras e atos discricionários de Moro e Gebran hoje foram mais rasteiros, autoritários e personalizados do que em qualquer outro momento da história jurídica brasileira. Os atos institucionais da última ditadura do Chico Ciência, Francisco Campos, pelo menos se revestiam de formas de golpismo mais institucionalizado que o do bando de tiranetes chicaneiros e rábulas de direito(a) que assaltaram o judiciário contemporâneo. O golpismo judicial aberto afundará ainda mais a crise política.

RCO

Novo Ministro do Trabalho do governo golpista


Caio Luiz de Almeida Vieira de Mello - Novo Ministro do Trabalho do governo golpista de Temer. Rodei a teoria do nepotismo rapidamente para ver quais os vínculos familiares do Desembargador Aposentado do Trabalho, Caio Luiz de Almeida Vieira de Mello , ex-vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais. Filho do ex-ministro do Tribunal Superior do Trabalho, Desembargador Luiz Philippe Vieira de Mello, Caio Luiz de Mello começou a trabalhar no Tribunal do Trabalho aos 19 anos, já nascem trabalhando nas instituições dos pais pelo nepotismo e chegou a vice-presidente do órgão. Irmão de Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, atual Ministro do Tribunal Superior do Trabalho. Neto do Dr. Accácio de Almeida, figura de grande projeção em Caxambu – MG, primo do Vereador de Caxambu, Clóvis de Almeida. O novo Ministro do Trabalho operava como consultor do poderoso escritório jurídico Sérgio Bermudes, o mesmo de Guiomar Feitosa Lima Mendes, mulher do ministro do STF, Gilmar Mendes e da antiga oligarquia Feitosa do Ceará. O que eu falo, a sobrevivência do golpista Temer se deu pelo apoio da classe dominante tradicional e suas oligarquias familiares regionais aptas ao bom extrativismo estatal neste governo golpista.

RCO

O nazifascismo tinha seus deputados


O nazifascismo tinha seus deputados, jornalistas, juristas, policiais, militares e empresários, mas a grande narrativa original que fica sempre é a da universidade e da teoria crítica. Para um golpe não adianta ter somente o apoio e o discurso ideológico superficial de políticos, da mídia, do judiciário, de policiais, de associações comerciais e de academias de lutadores. Quem define o que é um golpe é a universidade nas suas áreas centrais das humanidades e educação. Não foram juristas e magistrados alemães, como o juiz Roland Freisler, um tipo reforçado de juiz Moro, que definiram o golpe e o regime, mas sim os cientistas sociais de grupos como a “Escola de Frankfurt”, que alertaram e denunciaram a inevitável queda e ruína das falsas ilusões do projeto antidemocrático dos golpistas. Como as mentiras de um projeto de salvação nacional de direita sempre acabam no mais corrupto e tirânico regime até serem derrubados, mais cedo ou mais tarde, pelas forças progressistas e democráticas da verdade e da liberdade.

RCO


Faz 54 anos que eventos ocorrendo em 31/04/1964 culminam em 1/04/1964 no Golpe (civil/empresarial-militar)que nos levou a uma ditadura, retirando do poder o presidente João Goulart. Repressão, autoritarismo, mortes, tortura, corrupção escondida, vigilância dos vizinhos, a desigualdade aumentou sim, vão ler... e só em 2011 tivemos a instalação da Comissão da Verdade.
É para lembrar.
É para entender que esconderam os efeitos nocivos desse período, que não se produziu vergonha coletiva pelas ações da ditadura, é para lembrar que se escondiam cadáveres, que censuravam informações, lembrar do AI 5 que cassou mandatos e acabou com garantias do habeas corpus... teve muita perseguição àqueles que pensavam diferente e que mostrou a mesquinharia das delações, muitas , muitas vezes não verdadeiras, mas agradavam a versão da SNI ( Serviço Nacional de Informações da Ditadura)...
Ditadura nunca mais!
A exemplo da Argentina era isso que deveríamos estar lembrando, tortura nunca mais, ditadura nunca mais, extermínio nunca mais...
Mas para um país que tem dificuldade de aceitar as consequências nefastas da escravidão até hoje, do genocídio indígena, imagina refletir sobre ditadura ...

Louise Ronconi de Nazareno

segunda-feira, 2 de julho de 2018


Para cada jogo da Copa podemos rememorar fatos históricos. Parabéns para a Rússia. Poucos sabem que o ditador Franco enviou tropas ibéricas para combaterem a União Soviética na Segunda Guerra Mundial. A Divisão Azul era composta por dezenas de milhares de fanáticos de direita, fascistas espanhóis e alguns portugueses. Participaram das ações armadas na ofensiva de 1941 e de 42. Lá não encontraram um povo desorganizado, nem civis amadores e desarmados, sem liderança centralizada, como na Guerra Civil Espanhola. Quando a resistência russa aumentou o ditador Franco covardemente retirou as suas tropas ainda em meados de 1943. Nem saiu o ataque contra os britânicos em Gibraltar. O franquismo sobreviveria ao nazifascismo até os anos 1970, com apoio das potências ocidentais na "Guerra Fria".

RCO

O México teve uma das primeiras revoluções inconclusas do século XX em 1910


O México teve uma das primeiras revoluções inconclusas do século XX em 1910. A vitória histórica de Andrés Manuel López Obrador (AMLO) abre um novo e desafiador ciclo político no México. A formação do movimento-partido MORENA em 2014 representou uma novidade que permitiu a vitória do veterano Obrador. As vitórias na Presidência, na Cidade do México e em outros governos, sem uma maioria absoluta do MORENA no legislativo, apontam para velhas questões e alianças nas perspectivas e limites da esquerda reformista latino-americana. Como setores reacionários da classe dominante, mídia e do empresariado não estão acostumados a perderem eleições. A direita não tem o que entregar e somente tem a retirar direitos e renda dos trabalhadores na região. A direita sempre aprofunda as crises e a desigualdade. O déficit de revoluções históricas. A proximidade com os Estados Unidos e milhões de imigrantes mexicanos por lá, a desigualdade social, a violência do narcotráfico serão grandes desafios. A esquerda sai muito fortalecida e o golpe no Brasil segue cada vez mais enfraquecido, perdido e sem apoios eleitorais em função dos péssimos resultados de dois anos de golpismo no poder. Enquanto não ocorrer o retorno da democracia ao Brasil, o México equilibra o jogo político na região e se destaca pela democracia. As lutas sociais podem significar o retorno da esquerda no Brasil e na Argentina, se a democracia se mantiver, até mesmo pela falência da direita no poder em ambos países. O Brasil tem algumas semelhanças e muitas diferenças sociais, políticas e históricas em relação ao México. O Brasil é uma sociedade maior, com fronteiras, com desigualdade ainda mais brutal e uma classe dominante tão atrasada como a mexicana. América Latina de história lenta, "Eppur si muove" (No entanto, se move) e surpresas podem acontecer para os próximos anos.

RCO


Ah... e a cada garfada de veneno


"Ah... e a cada garfada de veneno, cada colherada de papinha envenenada pro teu filhinho, lembre-se do quanto você foi injusto e ingrato com quem, com sol na moleira, com as mãos calejadas da enxada, levou alimentação saudável e sem veneno pra tua mesa, chamando-os de 'vagabundos do MST'.
O veneno que saiu da tua boa, até hoje, um dia iria voltar e nós avisamos."

Malu Aires


"Nos demais,
todo mundo sabe,
o coração tem moradia certa,
fica bem aqui no meio do peito,
mas comigo a anatomia ficou louca,
sou todo coração."

Maiakóvski

"A ideologia alemã"


"As ideias da classe dominante são, em todas as épocas, as ideias dominantes, ou seja, a classe que é o poder material dominante da sociedade é, ao mesmo tempo, o seu poder espiritual dominante. A classe que tem à sua disposição os meios para a produção material dispõe assim, ao mesmo tempo, dos meios para a produção espiritual, pelo que lhe estão assim, ao mesmo tempo, submetidas em média as ideias daqueles a quem faltam os meios para a produção espiritual. As ideias dominantes não são mais do que a expressão ideal das relações materiais dominantes, as relações materiais dominantes concebidas como ideias; portanto, das relações que precisamente tornam dominante uma classe, portanto as ideias do seu domínio. Os indivíduos que constituem a classe dominante também têm, entre outras coisas, consciência, e daí que pensem; na medida, portanto, em que dominam como classe e determinam todo o conteúdo de uma época histórica, é evidente que o fazem em toda a sua extensão, e portanto, entre outras coisas, dominam também como pensadores, como produtores de ideias, regulam a produção e a distribuição de ideias do seu tempo; que, portanto, as suas ideias são as ideias dominantes da época."

Karl Marx e Friedrich Engels, "A ideologia alemã"


Jânio Quadros e JK nos legaram um precioso ensinamento para a compreensão da politica brasileira: treino eh treino, jogo eh jogo. dessa forma, pode-se ganhar uma eleição com relativa facilidade e se fazer um péssimo governo. Assim como uma eleição apertada pode dar origem a um governo nunca antes visto na historia desse pais. Tudo depende da capacidade de composição e negociação da agenda com os pares. Uma boa negociação de agenda com os lideres partidários eh melhor antidoto contra o populismo, fisiologismo e clientelismo rastaquera que assolam o pais. Por outro lado, uma vitória eleitoral com estratégia discursiva de péssimo nível pode-se converter facilmente numa vitória de Pirro. Foi este o caso da doutora Dilma em 2014 a meu ver... Janaina Pascoal eh uma espécie de espelho de narciso as avessas desse processo. Se conseguirmos evitar que 2018 seja uma repetição de 2014 já está de ótimo tamanho para nossa precária democracia. Os petistas e tucanos deveriam estudar mais nossa história politica e extrair lições dela, para além das teses acadêmicas defendidas por jovenzinhos de classe media nos anos 70, que nunca puseram um pé num parlamento ou num órgão governamental de verdade...
Sérgio Braga

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Luiz Edson Fachin nunca mudou


Para quem estuda há muitos anos a política paranaense, o judiciário e a UFPR, posso afirmar que Luiz Edson Fachin nunca mudou, sempre foi a mesma coisa e a sua trajetória pode ser explicada pela sociologia de mais um "parvenu" oportunista dentro das nossas instituições pré-modernas, atrasadas, patrimonialistas e repletas de poderes pessoais arbitrários. Como já demonstramos em várias pesquisas e comunicações, o sistema judicial e todas as outras instituições políticas no Paraná e no Brasil são formadas e atravessadas por fortes interesses familiares, não basta analisar apenas um ator, mas sempre devemos investigar as famílias e suas inserções políticas dentro dos diversos campos. O judiciário é uma atividade essencialmente política e só sobe no campo quem tem o "pedigree" certo, ou então porque trilha certas regras de interesse e atende às suas expectativas fisiológicas e corporativistas. O Fachin pretendeu ser de "esquerda" quando foi conveniente para subir na carreira e agora é de "direita" ao sabor das oportunidades do campo político-jurídico em que está inserido. Para quem tem uma esposa desembargadora pelo quinto constitucional no Tribunal de Justiça do Paraná, para quem tem um escritório de advocacia na família, conexões empresariais da filha com a família do genro na empresa de carnes dos célebres irmãos Batista, o jogo político está entendido. Fachin se tornou a ponta superior do golpe e do arbítrio autoritário e discricionário dos interesses persecutórios da farsa a jato no STF. Não vão conseguir destruir a democracia na prisão política de exceção de Lula, sem provas, só mantida pelas chicanas e atos institucionais arbitrários destes magistrados oportunistas de direita. Não destruirão as garantias constitucionais. A consequência política dos juristas paranaenses da farsa a jato foi a instrumentalização política da justiça, o aparelhamento do judiciário promovendo o aumento da crise e da rapina na existência e proteção dos governos extremamente corruptos em Brasília, com Temer e quadrilhas, e em Curitiba, com Beto Richa e asseclas, agora em fim de ciclo e fim de jogo. A democracia sempre é o melhor detergente para estes esquemas farsantes e por isso temem tanto as livres eleições com Lula !
RCO

terça-feira, 26 de junho de 2018

No Brasil, a autorregulamentação publicitária é ineficiente


20/07/2011



Artigo comenta os desrespeitos do Conar em relação às propagandas destinadas ao público infantil e a falta de eficiência da autorregulamentação da publicidade

Por Gabriela Vuolo



As propostas de regulação da publicidade dirigida ao público infantil têm sido amplamente debatidas por representantes dos poderes Executivo e Legislativo junto com mercado, movimentos sociais e instituições que defendem os direitos das crianças frente às relações de consumo.  De alguns anos para cá, essa discussão avançou bastante no Brasil com proposições como o Projeto de Lei 5.921/2001, que tramita na Câmara Federal, seguindo uma tendência mundial em busca de regras claras para proteger crianças menores de 12 anos dos apelos comerciais.

Em muitas democracias consolidadas a regulação da publicidade já se deu de diversas formas. Na Suécia, por exemplo, é proibido direcionar esse tipo de mensagem para crianças menores de 12 anos. Na Inglaterra, a publicidade de alimentos com alto teor de açúcar, sódio e gorduras é vetada durante programação focada em um público menor de 16 anos. Até os EUA, berço da sociedade de consumo, impõe restrições para esse assunto.

Porém, no Brasil, o mercado publicitário, apoiado pelos conglomerados de comunicação e pelas empresas anunciantes, resiste a qualquer tipo de política pública que tenha como objetivo criar regras para a atividade da comunicação mercadológica. O primeiro argumento contrário às tentativas de regulação é o medo da censura. O segundo é que a autorregulamentação seria suficiente para zelar pela ética na publicidade.

Falar em censura quando na realidade se quer garantir a proteção da criança é no mínimo uma distorção. Impor restrições aos abusos não é censurar. Anunciar brinquedos, alimentos, celulares e até carros para crianças fere o próprio Código de Defesa do Consumidor, que trata como abusiva (e portanto ilegal) a publicidade que se aproveita da vulnerabilidade infantil. Toda criança está em processo de desenvolvimento e não tem o senso crítico formado para compreender o caráter persuasivo da publicidade.

Assim, a atuação do mercado deve ter limites no momento em que ameaça ferir direitos que estão acima das relações comerciais — como é o caso dos direitos das crianças, consideradas prioridade por nossa Constituição Federal.

Já as iniciativas de autorregulamentação são muito importantes, especialmente para a solução de conflitos de concorrência e para estabelecer modelos corporativos de responsabilidade socioambiental. Mas claramente não são suficientes para defender temas de interesse público, como coibir os abusos do mercado. Temos dois exemplos recentes que comprovam essa tese.

No fim de junho, um parecer do Conar (Conselho de Autorregulamentação Publicitária) sobre uma denúncia feita pelo Instituto Alana contra uma campanha do McDonald’s causou perplexidade. O teor do parecer, assinado por um conselheiro do Conar e acolhido por unanimidade por duas câmaras da entidade, debochou do Alana com frases como  “bruxa Alana, que odeia criancinhas” e “bruxa Alana — antroposófica, esverdeada e termogênica”. O documento ainda desconsiderou iniciativas relevantes no cenário da autorregulamentação ao se eximir de avaliar o descumprimento da empresa denunciada ao seu próprio Código de Ética e ao acordo assinado junto com outras 23 empresas do setor de alimentos para restringir publicidade para crianças menores de 12 anos.

O parecer do Conar também satirizou a preocupação do Alana com os altos índices de obesidade infantil no país, que já atinge 15% das crianças. O relator limitou-se a dizer: “Da mesma forma que Suécia e Dinamarca tem por base evitar que suas crianças de olhos azuis fiquem gordinhas, o Brasil tem por base acabar com a desnutrição dos nossos meninos moreninhos”. Além de ser preconceitusa e lamentável, a declaração ignora por completo o impacto da publicidade de alimentos no problema da obesidade.

O episódio levou o Instituto Alana a cortar relações institucionais com o Conar, não reconhecendo mais a entidade como um representante legítimo na fiscalização da ética na publicidade. A gravidade do caso fez com que o Conar reabrisse a denúncia do Alana, prometendo dessa vez uma avaliação mais séria. Já é tarde. A falta de compromisso e o deboche não atingiram só o Alana e sim todos os cidadãos que também defendem o não direcionamento da publicidade para o público infantil.

Outro exemplo da ineficiência da autorregulamentação é o não cumprimento desse acordo de autorregulamentação firmado por 24 empresas do setor de alimentos com a ABIA (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos) e a ABA (Associação Brasileira dos Anunciantes). Assinado em 2009, o acordo prevê que essas empresas restrinjam a publicidade de produtos com alto teor de açúcar, gorduras e sódio para crianças menores de 12 anos. As empresas deveriam se adequar às regras até janeiro de 2010. No entanto,  até março daquele ano apenas 7 das 24 empresas haviam cumprido os prazos.

Os argumentos de censura e liberdade de atuação simbolizam a mentalidade empresarial que ainda impera no país. Embora tenham se empenhado em assimilar o discurso da responsabilidade socioambiental nas ações de marketing, as empresas colocam o ganho financeiro como prioridade absoluta, mesmo que para isso tenham que abrir mão da ética e muitas vezes passar por cima de direitos.

Está na hora de mudar e de uma vez por todas entender que a democracia se faz com discussões de igual para igual. E não com manipulação de informação.


Gabriela Vuolo é coordenadora de Mobilização do Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana

Fonte : Caros Amigos



quarta-feira, 20 de junho de 2018


"O lugar insignificante que ocupo é tão minúsculo em comparação com o resto do espaço em que não estou e onde não se importam comigo. A parcela de tempo que hei de viver é tão ridícula em face da eternidade, onde nunca estive e nunca estarei... Neste átomo, neste ponto matemático, o sangue circula, o cérebro trabalha e quer alguma coisa... Que estupidez! Que inutilidade!"

Turgueniev, "Pais e filhos'

terça-feira, 19 de junho de 2018

Cinzas dos corações



Projeção e tenro sabor
Ao sul

Como dialética
Ferve, serve e dispõe
O que sonha,
Sonhara

Prenhe de sonhos
Dilacera o ventre ao dar
A luz, douta besta onírica

E reverbera a matiz

Chora, ora, hora sim,
Hora talvez

Não, semiótica ou
Semântica sintática
Porque errática literatura
Sem revez

"Não voltarei ao centro
De mim"

Serei como o vento
Outra vez
ACM


Oferta de nuvens




Semente de dor plantada
Em solo de clichês

E tanto e dias em novelos
Que com zelo ou sem zelo
Nasce ao sul

Uma nau de mistério
Em meu olhar, dualidade
Não "global".

Aos ventos as manhãs
Eleutérias por horizontes
De sudoreses não sensuais

Refizeram-me bolos torpes
Ou não

Que ao meu verso a cadência
Latente
Sigo em frente

Sou.
ACM

terça-feira, 12 de junho de 2018

La mendiga de Locarno



Heinrich von Kleist

En Locarno, en la Italia superior, al pie de los Alpes, se hallaba un palacio antiguo perteneciente a un marqués, y que en la actualidad, viniendo del San Gotardo, puede verse en ruinas y escombros: un palacio con grandes y espaciosas estancias, en una de las cuales antaño fue alojada por compasión, sobre un montón de paja, una vieja mujer enferma, a la que el ama de llaves encontró pidiendo limosna ante la puerta. El marqués, que al volver de la caza entró casualmente en la estancia donde solía dejar los fusiles, ordenó malhumorado a la mujer que se levantase del rincón donde estaba acurrucada y que se pusiese detrás de la estufa. La mujer, al incorporarse, resbaló con su muleta y cayó al suelo, de forma que se golpeó la espalda. A duras penas pudo levantarse y, tal como le habían ordenado, salió de la habitación, y entre ayes y lamentos se hundió y desapareció detrás de la estufa.
Muchos años después en que el marqués, debido a las guerras y a su inactividad, se encontraba en una situación precaria, un caballero florentino se dirigió a él con la intención de comprar el palacio, cuya situación le agradaba. El marqués, que tenía gran interés en que la venta se efectuase, ordenó a su esposa que alojara al huésped en la ya mencionada estancia vacía, que estaba muy bien amueblada. Pero cuál no sería la sorpresa del matrimonio cuando el caballero, a media noche, pálido y turbado, apareció jurando y perjurando que había fantasmas en la habitación y que alguien invisible se movía en un rincón de la estancia, como si estuviese sobre paja, y que se podían percibir pasos lentos y vacilantes que la atravesaban y cesaban al llegar a la estufa, entre ayes y lamentos.

El marqués quedó aterrado; sin saber por qué, se echó a reír con una risa forzada y dijo al caballero que, para mayor tranquilidad, pasaría la noche con él en la habitación. Pero el caballero suplicó que le permitiese dormir en un sillón en su alcoba, y cuando amaneció mandó ensillar, se despidió y emprendió el viaje.

Este suceso, que causó sensación, asustó mucho a los compradores, lo que incomodó extraordinariamente al marqués, tanto así que incluso entre los moradores del castillo se propagó el absurdo e incomprensible rumor de que eso sucedía en la estancia a las doce de la noche, por lo cual decidió él mismo terminar con la situación e investigar en persona la próxima noche. Así, pues, nada más empezar a atardecer, ordenó que le pusieran la cama en la susodicha estancia y permaneció sin dormir hasta la media noche. Pero cuál no sería su impresión cuando al sonar las campanadas de medianoche percibió el extraño murmullo; era como si un ser humano se levantase de la paja, que crujía, y atravesase la habitación, para desaparecer tras la estufa entre suspiros y gemidos.

A la mañana siguiente, la marquesa, cuando él apareció, le preguntó qué tal había transcurrido todo; y como él, con mirada temerosa e inquieta, después de haber cerrado la puerta, le asegurase que era cosa de fantasmas, ella se asustó como nunca se había asustado en su vida y le suplicó que antes de hacer pública la cosa volviese a someterse, y esta vez con ella, a otra prueba. Y, en efecto, la noche siguiente, acompañados de un fiel servidor, escucharon el rumor extraño y fantasmal: y sólo obligados por el intenso deseo que sentían de vender el castillo, supieron disimular ante el sirviente el espanto que les poseía, atribuyendo el suceso a motivos casuales y sin importancia alguna. Al llegar la noche del tercer día, ambos, para salir de dudas y hacer averiguaciones a fondo, latiéndoles el corazón, volvieron a subir las escaleras que les conducían a la habitación de los huéspedes, y como se encontraron al perro ante la puerta, que se había soltado de la cadena, lo llevaron consigo con la secreta intención, aunque no se lo dijeron entre sí, de entrar en la habitación acompañados de otro ser vivo.

El matrimonio, después de haber depositado dos luces sobre la mesa, la marquesa sin desvestirse, el marqués con la daga y las pistolas, que había sacado de un cajón, puestas a un lado, hacia eso de las once se tumbaron en la cama; y mientras trataban de entretenerse conversando, el perro se tumbó en medio de la habitación, acurrucado con la cabeza entre las patas. Y he aquí que justo al llegar la media noche se oyó el espantoso rumor; alguien invisible se levantó del rincón de la habitación apoyándose en unas muletas, se oyó ruido de paja, y cuando comenzó a andar: tap, tap, se despertó el perro y de pronto se levantó del suelo, enderezando las orejas, y comenzó a ladrar y a gruñir, como si alguien con paso desigual se acercase, y fue retrocediendo hacia la estufa. Al ver esto, la marquesa, con el cabello erizado, salió de la habitación, y mientras el marqués, con la daga desenvainada, gritaba: «¿Quién va?», como nadie respondiese y él se agitara como un loco furioso que trata de encontrar aire para respirar, ella mandó ensillar decidida a salir hacia la ciudad. Pero antes de que corriese hacia la puerta con algunas cosas que había recogido precipitadamente, pudo ver el castillo prendido en llamas. El marqués, preso de pánico, había cogido una vela y cansado como estaba de vivir, había prendido fuego a la habitación, toda revestida de madera. En vano la marquesa envió gente para salvar al infortunado; éste encontró una muerte horrible, y todavía hoy sus huesos, recogidos por la gente del lugar, están en el rincón de la habitación donde él ordenó a la mendiga de Locarno que se levantase.

FIN



sexta-feira, 8 de junho de 2018

Pesquisadora investiga produção audiovisual da virada do séc. 19



Folha de S. Paulo - 28/1/2006 - por Cássio Starling Carlos


Descrever a produção audiovisual da virada do século 19 para o 20, analisar sua construção e interpretar o significado dessa prática e de seu consumo no conjunto sociocultural de então é a tarefa a que se dedicou a pesquisadora Flávia Cesarino Costa. O Primeiro Cinema - Espetáculo, Narração, Domesticação (Azougue Editorial, 255 pp., R$ 37) é o excelente resultado de seu trabalho, que consiste não só em decodificar os filmes para um olhar totalmente desacostumado. O livro reúne também uma suma das pesquisas, debates e posicionamentos teóricos que vêm sendo realizados desde os anos 70. Sem precisar tomar partido de um ou de outro dos principais teóricos (o americano Tom Gunning, o canadense André Gaudreault e o francês Noel Burch), a autora refaz o percurso de 1894 a 1908, período entre o advento do invento dos irmãos Lumière e de seus congêneres e o início de sua domesticação, ou seja, de consolidação de uma linguagem caracterizada por uma gramática relativamente uniformizada e capaz de ser compreendida e consumida por um público de massa. Antes disso, como ela mostra, predominam exercícios livres de pressões formais e jogos de invenção isentos da sobrecarga de alcançar o status de arte. 

Fonte : Publishnews
trecho

A arte do crime



Folha de S. Paulo - 28/1/2006 - por Julián Fuks

Alguns anos antes do meio do caminho de sua vida, Dante Alighieri se viu imbuído em resolver um mistério menos transcendental do que os que lhe eram habituais. Ainda não chegara a hora de atravessar o primeiro, o segundo ou o quinto dos Infernos, que dirá o Purgatório e o Paraíso. Mas fora assassinado um grande artista de Florença e cabia a ele, prior da cidade naquele ano de 1.300, desvendar as tramas e os dramas que o crime escondia. Não, não se trata da descoberta de uma empoeirada e antiga ata policial, tampouco das conclusões de algum novo e polêmico biógrafo. É ficção, mesmo, mais especificamente a que parte da profícua mente do escritor italiano Giulio Leoni, autor de Os Crimes do Mosaico (Planeta, 384 pp., R$ 39,90, trad. Gian Bruno Grosso), o primeiro, de quatro romances que tomam o sumo poeta italiano como detetive a chegar às livrarias brasileiras. A repercussão que o livro tem obtido, tornando-se best-seller na Itália e tendo seus direitos vendidos a 28 países, reflete o sucesso comumente alcançado pelos livros policiais. E um pacote deles está sendo lançado neste mês no Brasil, reunindo autores como o consagrado espanhol Manuel Vázquez Montalbán e o norte-americano John Dunning. 

Fonte : publishnews.
trecho

Variações sobre o livro e a internet



O Estado de S. Paulo - 28/1/2006 - por Miguel Reale*

Ouço, freqüentemente, que o futuro do livro está marcado pela sua próxima ou recente substituição pelo site da internet. Penso, ao contrário, que, por mais que se desenvolva esta, com o seu oceano de perguntas e de respostas, o livro continuará a existir na sua missão perene. É claro que a internet, com os milagres do computador, registrará os livros por inteiro, mas os substituirá por inteiro, não os anulando. Nada há de mais profundo e de criador do que uma nova idéia a gotejar na ponta de uma caneta. Por mais que o computador enriqueça a internet, o livro continuará sendo um ente essencial e necessário, exatamente por sua unidade sistemática, que é um valor autônomo. O mal da internet está, insisto, na falta de seleção do que informa, de maneira que o livro existe sempre como algo que foi trabalhado e armazenado. Sob esse ângulo, dir-se-ia que é através do livro que a internet consegue selecionar, não podendo, pois, desprezá-lo. Ou, por outras palavras, a mesma presteza informativa a internet precisa ter com os livros que ela registra. Restam muitos problemas a resolver a propósito do tema "internet/livro", bastando dizer que, com isso, se assegure o direito de autor, que corre o risco de desaparecer com a infinita projeção da internet. É inadmissível que o direito de autor não contenha o justo preço de uma idéia criadora, seja existente no plano das ciências ou das letras. Há quem sustente que com a internet deixa de haver direito de autor, o que me parece absurdo.


* Jurista, filósofo, membro da ABL


Fonte : publishnews

P.S. trecho

quinta-feira, 24 de maio de 2018

"O problema da paz é um problema de fundo: a paz é o bem absoluto , a condição necessária para a efetivação de todos os outros valores ."

Norberto Bobbio. Em autobiografia



quarta-feira, 23 de maio de 2018

ERRO


De Machado de Assis,



Erro é teu. Amei-te um dia
Com esse amor passageiro
Que nasce na fantasia
E não chega ao coração;
Nem foi amor, foi apenas
Uma ligeira impressão;
Um querer indiferente,
Em tua presença, vivo,
Morto, se estavas ausente,
E se ora me vês esquivo,
Se, como outrora, não vês
Meus incensos de poeta
Ir eu queimar a teus pés,
É que, como obra de um dia,
Passou-me essa fantasia.

Para eu amar-te devias
Outra ser e não como eras.
Tuas frívolas quimeras,
Teu vão amor de ti mesma,
Essa pêndula gelada
Que chamavas coração,
Eram bem fracos liames
Para que a alma enamorada
Me conseguissem prender;
Foram baldados tentames,
Saiu contra ti o azar,
E embora pouca, perdeste
A glória de me arrastar
Ao teu carro... Vãs quimeras!
Para eu amar-te devias
Outra ser e não como eras...


Entre u'a novela e outra.Pausa para o comercial telejornal.no mercado do entretenimento a noticia é show.mercadoria embalada a ouro de tolos alimentando de pedras de luz a angustia de mergulhar no vazio;alugando o tempo à névoa densa da ideologia onde a reflexão não encontra os próprios pés e segue informa(ta)da,fidelizada manada de consumidores tocada pelos apelos do carisma do olho luminoso da tele-visão, do galã e da mocinha.O IBOPE atesta a audiência da hipnótica força do dogma do verossímil travestido de verdade, na máscara do sorriso fácil ou da calculada expressão de seriedade .Seguimos contudo a desligar a caixa de ilusões e procuramos aquela edição do Hommo Videns de Giuseppe Sartori e caímos a larga na Sociedade do espetáculo mais uma vez .
Wilson Roberto Nogueira