sábado, 19 de março de 2016

(15/03) - Vladimir Safatle: daí sim, né, Luciana Genro?!?!

Excerto da entrevista:

"[...]
UOL - Mesmo com toda a instabilidade, há quem diga que este é o momento mais democrático pelo qual o Brasil já passou, olhando sob a perspectiva histórica. O que o senhor acha?
SAFATLE - De fato, do ponto de vista do funcionamento democrático, pode parecer que já passamos por situações piores. Claro que não podemos comparar o momento atual com a ditadura, que é a antipolítica por excelência.
Dentro da experiência democrática brasileira, comparando com o período entre 1945 e 1964, entretanto, esta é a primeira vez que a população brasileira olha para o futuro e não vê algo possivelmente diferente do que ela viu até agora. Entre 45 e 64 havia um processo em massa, apesar dos conflitos brutais e tentativas de golpe. Havia a expectativa de uma tomada democrática do poder, de uma implementação de reformas. Havia um projeto que pensava no futuro. De 1985 para cá, houve algo parecido, em dois projetos de modernização nacional. O problema é que esses dois projetos acabaram. Pela primeira vez na política brasileira temos mais de que uma crise de representação, mas o vazio de atores políticos. Ninguém consegue mobilizar a população brasileira. Nesse contexto, a situação atual brasileira é de fato a pior possível.
Esse tipo de situação, em que países dão menos de que podem dar, cria uma depressão política, econômica e social, e os países ficam menores de que eles são. Não tem nada pior. Nem mesmo durante a ditadura havia uma depressão sociocultural como temos hoje, pois existia uma força de contraposição, que aumentava gradativamente.

[...]"

Monica De Castro

quinta-feira, 17 de março de 2016

14 de março às 06:31 ·

Moradora do Centro de Curitiba, ontem ouvi, infelizmente, mais de uma vez, as piores grosserias generalizadas e dirigidas não apenas à Presidente da nação, eleita pelo voto em uma dita democracia.
Ouvi xingamentos para minorias, em especial a população carente do País. Triste demais!
Se era para ser uma manifestação contra a corrupção, acabou sendo um episódio lamentável onde todo o preconceito latente ficou bem claro.
Presenciei o absurdo de um grupo de senhoras muito bem vestidas vindas da direção da Batel, mandarem uma senhora que é pedinte contumaz da Emiliano, portadora de necessidades especiais, a levantar a bunda da cadeira para tomar um banho e trabalhar ...
Não sei onde vai parar, gostaria que fosse por um Brasil melhor, governado para o bem de todo o povo e não por grandes corporações .... mas ...

É uma vergonha saber que somos formados também por uma população de humanos tão pequenos e mesquinhos, dormindo em edredons macios enquanto acreditam que os menos favorecidos devem se sentir satisfeitos com uma caixa de papelão e um chinelo de dedo sem meias no frio ....

Barbara Kirchner

A delação de Delcídio e a ovelha de Rodrigo Hilbert

André Castelo Branco Machado

Entre na política e faça diferente. É a única saída. Não adianta indignação seletiva, personificação do bem ou do mal e uma surpresa pueril sobre como as instituições funcionam. É assim e só vai mudar com nossa participação, através dos partidos políticos, da disputa institucional e da militância política.
Mesmo que a delação do Delcídio precise ser provada, e a palavra deste homem não tenha muito valor (opinião que sempre tive), acredito fundamental a reflexão da Professora do curso de Direito da UFPR, 
Eneida Desiree Salgado:

"A delação de Delcídio e a ovelha de Rodrigo Hilbert


As discussões da semana giram em torno de duas "revelações": a política brasileira se faz pelo tráfico de interesses nada republicanos e é preciso matar um animal para que a gente possa comer carne. Não são exatamente novidades, mas a maioria das pessoas preferia ignorar esses fatos, apesar de viver da política (de maneira direta ou indireta - como todos vivemos) e ser carnívoro. Tudo bem consumir os produtos, desde que não se saiba como eles são produzidos. Junte-se aí uma capacidade impressionante de negar fatos (de um lado e de outro e principalmente da imprensa), os admiradores do Rodrigo Hilbert e do PT ("tá, a gente sabia que algumas pessoas faziam assim, mas até ele?") e estamos diante de um público estupefato consigo mesmo. Espero que a "surpresa" passe e comece um debate sério sobre os temas: é possível fazer política de maneira diferente? é um problema de desenho institucional ou de mau-caratismo dos políticos que estão aí? a demonização da política e da classe política agrava ou resolve a questão? devemos esperar um animal morrer sozinho para só então comermos sua carne? O que não dá é apenas protestar em homenagem à pobre ovelha sacrificada em um programa de televisão e esquecer de todos os outros animais que são mortos todos os dias para nos alimentar. Ou achar que é só prender os "petralhas", tirar o PT do poder, e tudo vai melhorar. Não vai: vai continuar como antes, só que isso não estará sendo esfregado na nossa cara. Podemos voltar a ignorar os fatos ou virar vegetariano e entrar na política para fazer diferente. Para (re)fundar a República, apenas a segunda alternativa é válida".

As pessoas têm o direito de achar que o Lula é o pior dos bandidos. Mas não podem concluir que ele é bandido só porque acham isso dele.

Ele está sob investigação. Pode vir a ser réu ou não. Pode ser condenado ou não. Mas, na condição de investigado, ele não é culpado de nenhum crime e, logo, não está impedido de ser nomeado como Ministro da Dilma. Se é moralmente certo ou errado, fica a critério de cada um avaliar. Mas, ninguém é obrigado a avaliar o mesmo que você, sob a pena de ser considerado um conivente com o banditismo somente por pensar diferente. Calma lá.

Os áudios vazados ilegalmente pelo Moro para a Rede Globo também não atestam nenhum crime, mesmo que a emissora queira dar essa conotação.

Deste modo, qual é o problema de fundo?

Na realidade, algumas pessoas não toleram que o Lula assuma a Casa Civil por dois motivos:

Primeiro, porque não querem, desde o dia 27 de outubro de 2014, que a Dilma governe e encontre um caminho para seu governo (se o Lula será esse caminho ou não, é outra história). Ela é a presidente eleita, mesmo que a oposição não reconheça e já pedisse seu impeachment no segundo mês de governo. Ela tem a obrigação de apontar a solução para superar a crise econômica e política do Brasil. Não dá pra aceitar o "quanto pior, melhor". Se ela acha que o Lula é parte desta solução, tem legitimidade para fazer.

Segundo, porque querem que o Lula seja preso, independente de qualquer prova objetiva que o incrimine, pois já o condenaram previamente nas suas cabeças. "O Lula é um bandido" e pronto. Não tem nem conversa, não tem razão ou argumento. São justiceiros e tem a verdade absoluta, inquestionável. E sabem, com razão, que o Sergio Moro vai prender o Lula, mesmo que não tenha provas. O problema é que creem que isso é fazer justiça, afinal são convictos de que o Lula "é bandido".

Mas isso, sinto dizer, não é justiça. Mesmo que o Lula, ao aceitar ser Ministro, estivesse fugindo do Moro, como a oposição o acusa, as ações do juiz somente justificariam esse suposto temor do ex-presidente, já que ninguém quer ser vítima de uma injustiça.

Lembro que a investigação do Lula será conduzida pelo STF, que julgou e condenou o Dirceu e o Genoíno, do PT. Esse papo que ele vai livrar a cara é somente para agitar os ânimos das pessoas para paralisar o país.

O que talvez não ocorra, para o bem da democracia, é a parceria que o Moro estabeleceu com a Rede Globo e uma certeza de condenação prévia. Afinal, o que se espera no Estado democrático de direito é um julgamento justo, o amplo direito à defesa, do contraditório e, o mais importante, que ninguém seja previamente culpado. Isso serve para mim, para o meu melhor amigo e para o meu pior inimigo.

André Castelo Branco Machado

Diante da avalanche de informações (informações manipuladas com muita arte, diga-se de passagem) e quaisquer que sejam as consequências políticas (que certamente serão graves, ou gravíssimas), só me resta dizer o seguinte: embora não tenha vivido as maquinações contra Getúlio e contra Jango, duvido que tenham atingido o grau das que há mais de dez anos atingem o PT. E que hoje atingiram o auge, ou ainda não.

Que ingenuidade achar que podemos ter amigos a torto e a direito, à esquerda e à direita, que podemos contentar a todos! Que besteira! As feras mostram sua verdadeira face a cada dia, a cada minuto. A questão é saber se vamos ser ovelhinhas aguardando o momento do sacrifício , ou se vamos optar por ser feras ainda mais terríveis, prontas para defender cada centímetro de território.

Roberto Elias Salomão
Meus amigos, a situação ganha contornos preocupantes no país. Há depredação às organizações de trabalhadores e violência contra qualquer pessoa identificada com a esquerda nas ruas. Estão insuflando uma massa desorganizada e autoritária, que age com uma convicção absoluta de sua missão purificadora. E não estão limpando nada. Estão apenas criando as condições para a deposição da Dilma e a imposição de um governo reacionário da maioria corrupta desse congresso. Torna-se urgente que as pessoas de bom senso percebam as consequências desastrosas desse processo e saiam às ruas amanhã para defender a democracia.

André Castelo Branco Machado
Marcelo Semer: Presidente a Associação de Juristas pela Democracia, argumenta agora na USP.
O caminho para o Estado Policial está sendo cimentado. Prisões provisórias de pessoas pobres, jovens e negras das periferias são uma realidade. A Lava Jato, por sua vez, cria novas formas de prisão e de desrespeito à CF e quem imagina que a supressão de direitos para aí, não conhece a PF e o judiciário brasileiro. A espetacularização do processo judicial chegou às raias do insuportável. Hoje jornalistas do Brasil passaram o dia repercutindo conversas privadas obtidas ilegalmente.
Podemos até escolher entrar num Estado Policial, mas não podemos escolher quando sair dele. Devemos participar da resistência democrática. Quando um juiz ouve a voz das ruas, apenas ela, e silencia a Constituição, está criado o Estado Policial.Estado Policial é sempre seletivo; é rigoroso com alguns, enquanto outros se beneficiam dele.

Fonte : Valéria Arias


Não está morto quem peleja, afirma o ditado político Sulista. Lula ressurgiu no poder mais uma vez, depois dos adversários já terem comemorado a sua suposta prisão ilegal há alguns dias. A extrema-direita, nos editoriais jornalísticos conservadores e a ultra-esquerda, nas análises trotsquistas, erraram feio ao decretarem o fim precoce do Lulismo. Ainda não sabemos se este será um último capítulo, ou se será mais um de inúmeros volumes a serem escritos, na vida e trajetória deste polêmico gigante politico, sempre surpreendente. Lula com seus muitos apoiadores estão mais do que vivos nas lutas políticas e os seus detratores acuados sentiram o movimento. Fora da democracia e das instituições não há salvação. A indicação de Lula era a única alternativa legítima do Governo Dilma para superar as crises políticas e econômicas, com uma nova fase. Lula poderá ser melhor investigado pelas cortes superiores de justiça e não pela tendenciosidade, facciosismo e manipulação seletiva das rasteiras nas primeiras instâncias politizadas. O japa da PF, herói da direita, já caiu ontem no recurso condenado pelo STJ ! Viva a Democracia e o campo político tremeria de qualquer maneira, com ou sem Lula...

Sérgio Salomão Shecaria questiona super poderes POLÍTICOS de Sergio Moro, "ex-assessor de Rosa Weber, a quem parece controlar: como esse Senhor não conseguiu chegar a nenhuma conclusão no caso Bancop? Como age ao arrepio da lei? O judiciário está acovardado". Evento Juristas pela Legalidade e pela Democracia. Faculdade de Direito da USP. Largo de São Francisco.

Ricardo Costa de Oliveira
As instituições serão acionadas na forma da Lei 9.296, de 1996. Interceptação de comunicações telefônicas fora da lei é crime. Qualquer juiz agindo na ilegalidade, caso comprovado o vazamento para a Globo, deverá ser processado e afastado por justa causa. Será que o juiz quer tentar se tornar um Capriles ou Leopoldo Lopez brasileiro, o que parece ser o principal objetivo político do ativista militante, em sua tentativa de venezuelizar o processo político brasileiro com a ajuda da grande mídia. Acredito que o Conselho Nacional de Justiça, o Supremo Tribunal Federal e a Presidência da República debelarão o golpe jurídico-midiático. Vazamentos ilegais e completamente apócrifos não terão maiores fundamentos jurídicos, afora a mobilização de setores de extrema direita e sem nenhuma razão legal neste caso.
LEI Nº 9.296, DE 24 DE JULHO DE 1996.
Art. 8° A interceptação de comunicação telefônica, de qualquer natureza, ocorrerá em autos apartados, apensados aos autos do inquérito policial ou do processo criminal, preservando-se o sigilo das diligências, gravações e transcrições respectivas.
Art. 9° A gravação que não interessar à prova será inutilizada por decisão judicial, durante o inquérito, a instrução processual ou após esta, em virtude de requerimento do Ministério Público ou da parte interessada.
Parágrafo único. O incidente de inutilização será assistido pelo Ministério Público, sendo facultada a presença do acusado ou de seu representante legal.
Art. 10. Constitui crime realizar interceptação de comunicações telefônicas, de informática ou telemática, ou quebrar segredo da Justiça, sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei.
Pena: reclusão, de dois a quatro anos, e multa.

Ricardo Costa de Oliveira


O Brasil é mesmo uma sociedade muito desigual e ainda dominada pelo seu passado lento. Os papeis políticos de substantivas partes do judiciário e da mídia ainda obedecem às vozes dos seus velhos donos. Neles os mesmos valores retrógrados de 1964 foram preservados. Eppur si muove ! Para não ficarmos pessimistas pensemos no que já mudou ? A universidade brasileira é uma instituição completamente diferente dos anos 60. Uma mudança quantitativa e principalmente qualitativa, tanto no social como nos conhecimentos. Ao contrário do sistema judicial, com suas mesmas reproduções, a universidade foi uma instituição com imensa renovação e democratização em todos os sentidos, ainda que muito tenha que ser feito para se criar uma nova inteligência nacional. A Universidade do Paraná é um exemplo. Uma das poucas universidades do mundo criada por um indvíiduo ainda possuidor de escravos nas suas origens, a Universidade se modernizou e avançou na ciência, tecnologia e alta cultura, apesar de alguns dos reitores. Hoje em dia é muito difícil encontrar algum professor doutor com parentes na mesma universidade nos anos 60 e muito mais difícil ainda encontrarmos universitários com o seu sobrenome na Genealogia Paranaense, por exemplo, nas raízes da velha ordem senhorial. Estes novos atores, mulheres, negros, pobres, hoje nas universidades, com ou sem cotas, farão as mudanças necessárias no Brasil do século XXI.



 Ricardo Costa de Oliveira

LULA!

Silva, você é apenas um Silva, não é um Neves, Alckimin ou Richa, não tem berço, não é de família politica tradicional Você não passa de um nordestino pobre que por sorte do destino chegou a presidente. Não importa, ter dado acesso aos negros e pobres ao curso superior se você não tem o seu diploma, e é uma pessoa inferior. Na ganancia do capitalismo ter tirado milhões da miséria, é uma afronta as pessoas de bem, de boas posses. Além disso, Silva ,você é feio, não tem pinta de galã e nem de intelectual.. Se fosse um Neves estaria no paraíso fiscal impune, se fosse um Alckmin poderia se fartar do desvio das verbas da merenda das crianças, e se fosse um Richa construiria um império com tijolos da desconstrução dos colégios do Estado. Você com sua mão aleijada de um dedo assinou leis de programas sociais para Silvas iguais a você. Mas você é uma aberração para a natureza politica. Silva você apenas um Silva.

Julio Damásio 

NEUTRALIDADE, O QUÊ?

Nem na ciência, muito menos na justiça, existe neutralidade; todos e tudo possuem seu lado.
Também não se defende o maniqueísmo, que é coisa de gente de mentalidade escrava (Nietzsche).

O que se afirma é a crítica ao senso comum, espezinhado pelo capital, que transforma em seu capacho e joguete.

Luiz Antonio Sypriano

A DEMOCRACIA DOS MOVIMENTOS

No sentido clássico, democracia quer dizer a participação cidadãos das coisas públicas.
Porém, em uma sociedade desigual e hegemônica de uma classe social que se mantém no poder econômico, será difícil, o senso republicano.
A classe que vive do capital, dificilmente irá socializar os meios de produção e, por conseguinte, a riqueza produzida.
O que faz, contudo, é tratar uma população como "boi de piranha", ou aqueles que carregam "o piano", para o seu bel prazer.

Então, o povo é prisioneiro de um en passant pela burguesia.

Luiz Antonio Sypriano

Hybris

Hybris (do grego ὕϐρις) é um conceito que pode ser traduzido como "tudo que passa da medida, descomedimento". Geralmente alude a uma confiança exagerada, um orgulho excessivo, presunção, arrogância ou insolência, que com frequência acaba em desgraça e opróbrio. Foi o que houve com Moro. Não teve o sangue frio necessário. A CIA errou de homem.

"Os deuses enlouquecem a quem querem destruir." Eurípedes

Otto Leopoldo Winck

ANÁLISE DA CONJUNTURA

A classe que vive do capital, que não detém o seu símbolo do poder político - que é o Estado -, que detém o privilégio da economia (os maiores lucros auferidos foram para os banqueiros, dos latifundiários e dos grandes empresários). Não é à toa que esta classe, hegemonicamente constituída, procurar tomar o Estado, custe o que custar. Para tanto, financia todos os eventos que lhe são favoráveis. Pois, os proprietários dos meios de produção, não vão se dispor a ficar de pé em manifestações.



 Luiz Antonio Sypriano

O NACIONALISMO DESSES MOVIMENTOS

Já se sabe que o capital não tem pátria nem mãe. Assim, esse movimento de cunho nacionalista nada mais são do que sustentáculo do capital, a nível internacional, que procuram defender o seu regime econômico.

Entretanto, a imbecilidade da população, não consegue visualizar a geopolítica do capital. Uma vez que este se esconde, manifestando-se apenas em sua moral, via população empobrecida.

Luiz Antonio Sypriano

1942: Genocídio dos judeus poloneses

INSTANTÂNEOS: NAZIFASCISMO E 2ª GUERRA MUNDIAL
1933:
 Brecht foge da Alemanha : Repressão ao Partido Comunista da Alemanha: Aprovação da Lei Plenipotenciária : UFA demite funcionários judeus: Grande queima de livros pelos nazistas: DVP e DNVP se dissolvem: Hitler controlava a imprensa falada: Alemanha deixa a Liga das Nações

1934:
 Hitler manda executar Ernst Röhm: Nazistas assassinam ditador da Áustria: Regime nazista intervém na Justiça 

1935: Nazistas retiram a cidadania alemã de escritores e oposicionistas

1936: Abertura dos Jogos Olímpicos de Berlim: Constituição do Eixo Berlim-Roma: Thomas Mann é expatriado

1938: O pogrom da "Noite dos Cristais"

1939: Assinado o Pacto de Não-Agressão: Eslováquia torna-se independente: Alemanha invade a Polônia9: Programa nazista de extermínio: Soviéticos invadem a Polônia: Primeiro atentado contra Hitler

1940: Alemanha inicia ofensiva ocidental: Armistício de Compiègne: Estreia do filme "O judeu Süss": Crianças alemãs refugiam-se dos bombardeios

1941: Selada aliança entre Londres e Moscou : EUA decidem construir a bomba atômica : Aberto o campo de concentração de Theresienstadt

 1942: A Conferência de Wannsee: Genocídio dos judeus poloneses: Judeus proibidos de ter animais domésticos: Ofensiva dos Aliados em El Alamein: Anne Frank inicia seu diário : Batalha de Tobruk: Panfletos da resistência antinazista "Rosa Branca": Pedagogo Janusz Korczak é deportado para Treblinka: Fracassa primeiro desembarque na Normandia: Tropas alemãs invadem o sul da França

1943: Goebbels declara guerra total

No dia 17 de março de 1942, começou a Operação Reinhard, que levou ao assassinato de mais de 2 milhões de judeus.

Deportação de judeus do Gueto de Varsóvia

O projeto de genocídio foi comandado pelo líder da SS e chefe da polícia de Liubliana, Odilo Globocnik. Tanto ele como o seu grande número de colaboradores eram austríacos. Nos três grandes centros de aniquilamento com câmaras de gás (Belzec, Sobibor e Treblinka), foram executados mais de 1,5 milhão de judeus e 50 mil ciganos entre março de 1942 e novembro de 1943. Ao todo, a operação levou à morte de mais de 2 milhões de judeus.

Os preparativos para a operação já haviam começado no final do ano de 1941, mas somente em meados de 1942 ela recebeu o nome de Reinhard Heydrich, que morreu num atentado em junho deste ano. Seu objetivo: o genocídio sistemático dos judeus poloneses e o confisco de seus bens.

Construção de campos de extermínio

O general Himmler havia encarregado Globocnik e outros cem homens de implementarem a operação (o grupo já havia participado das mortes por eutanásia na Alemanha nazista). No âmbito da operação, foram construídos três campos de extermínio: Belzec, Sobibor e Treblinka. A cada dia, os campos de extermínio recebiam um trem com 60 vagões lotados de passageiros destinados às câmaras de gás.

Os alemães abusavam da brutalidade: idosos, doentes e crianças geralmente já eram executados a tiros diretamente nos guetos. Os judeus iam direto para as câmaras da morte. Os três campos usavam monóxido de carbono, que matava em 20 minutos. Da chegada do trem até a completa remoção dos cadáveres, demorava de 60 a 90 minutos.

Os corpos eram depositados em enormes valas. Somente um ano depois, quando começaram a ser removidos os vestígios dos assassinatos, é que os cadáveres foram exumados e queimados. A Operação Reinhard foi encerrada em novembro de 1943, com um saldo de mais de 2 milhões de judeus mortos.

Autoria Rachel Gessat (rw)

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segunda-feira, 14 de março de 2016


Manifestações de 13 de março

Luiz Carlos Bresser-Pereira


Podemos interpretar de várias maneiras as grandes manifestações de ontem. Em primeiro lugar, a mais óbvia e justa: como sinal da indignação dos brasileiros com o grande escândalo em torno da Petrobrás que soma valores astronômicos, envolvendo políticos e empresas. Segundo, como a demanda do impeachment da presidente Dilma Rousseff, cujo partido se envolveu tristemente na corrupção - uma demanda que não se justifica porque não há nada contra sua honestidade pessoal. Terceiro, como a vitória de uma elite conservadora, que com seus intelectuais e sua imprensa, mostrou-se inconformada com o fato de o Brasil ser governado pela primeira vez na história por um partido de esquerda que fez acordos, mas não se deixou cooptar. Quarto, podemos interpretar as manifestações de ontem como uma vitória da direita determinada a reduzir os ganhos sociais que os pobres tiveram desde a transição democrática e principalmente nos últimos 13 anos. Quinto, como uma vitória do deputado Eduardo Cunha, que reúne de maneira exemplar as qualidades da direita e da corrupção. Sexto, uma derrota de uma esquerda que, no governo, logrou reduzir a desigualdade, mas foi vítima da corrupção e não soube garantir o desenvolvimento econômico.
A sétima interpretação, porém, é a que mais me preocupa. As manifestações de ontem foram a vitória da judicialização da política; foram especificamente a vitória da operação Mãos Limpas e do juiz, Sergio Moro, o herói de ontem. Originalmente, essa operação representou um grande avanço ao detectar o escândalo, processar os principais responsáveis, e condená-los.
Mas neste ano ela se transformou em uma campanha pela moralização a qualquer preço que é incompatível com a democracia e a garantia dos direitos individuais. Através da escolha da data de mais um “vazamento” – o da delação de Delcídio Amaral – e do constrangimento policial do ex-presidente Lula para depor justificado em nota da sua “força-tarefa”, a operação Lava Jato fez renascer a campanha pelo impeachment, da qual se transformou na principal campeã. Nessa nota, a força-tarefa afirmou que Lula é “um dos principais beneficiários da corrupção” sem apresentar outra “evidência” senão a de um apartamento que não comprou e um sítio que equivocadamente utilizou, quando o escândalo envolveu quase 15 bilhões de reais. Ora, é incompatível com a democracia e os princípios do Direito o poder judiciário engajar-se em campanhas. Estes princípios nos dizem que o poder judiciário deve agir sine ira ac studio (sem ódio nem parcialidade), mas não é isto que estamos vendo hoje por parte do juiz e do conjunto de promotores engajados nessa campanha.


No dia seguinte. Manifestações são importantes, mas governos continuam governando e a correlação de forças políticas se atualiza. Dilma possui poder, autoridade democrática e mandato popular pelo fato de ter vencido as eleições com 54 milhões de voto. Nenhum crime de responsabilidade dela foi encontrado após anos de rigorosas investigações. A primeira grande manifestação do ano passado foi o teto do ano inteiro, todas as outras tiveram bem menos participantes. Manifestações são caras, custosas e complexas de serem organizadas, ainda mais com tantos interesses divergentes surgindo depois de ontem. O PSDB terá dificuldades em ajudar a organizar, financiar e liberar o metrô em uma próxima manif, depois dos seus próceres terem sido escorraçados sem poderem discursar. Moro não sairá candidato pelos mesmos motivos que Joaquim Barbosa desistiu, um juiz-candidato não resiste ao desmascaramento no primeiro debate. Bolsonaro é e sempre será candidatura nanica, além do seu círculo social limitadíssimo. A melhor notícia para o governo no sábado foi que o PMDB continua PMDB, logo continua no governo e ninguém entregou nenhum cargo ou ministério depois da convenção, ainda mais em ano eleitoral e sem financiamentos privados abundantes. O tempo caminha a favor de Dilma e do PT porque as eleições municipais se aproximam e não há nenhuma alternativa de nome aceita por todos os diversos interesses dos manifestantes para substituí-la, muito menos pelos muitos milhões que votaram nela, não participaram ontem e votam compactos na melhor proposta de esquerda competitiva, apta a derrotar a direita e vencer as eleições. Fazer manifestações é a parte fácil, complicada é a construção de propostas e candidaturas, ainda mais com Lula livre. Quem quer o poder precisa ganhar eleições antes e nisso a manifestação de ontem não produziu candidaturas. O jogo político democrático continua disputado.

"A 14 de Março, um quarto para as três da tarde, o maior pensador vivo deixou de pensar. Deixado só dois minutos apenas, ao chegar, encontrámo-lo tranquilamente adormecido na sua poltrona — mas para sempre.
[...]
Marx foi o homem mais odiado e mais caluniado do seu tempo. Governos, tanto absolutos como republicanos, expulsaram-no; burgueses, tanto conservadores como democratas extremos, inventaram ao desafio difamações acerca dele. Ele punha tudo isso de lado, como teias de aranha, sem lhes prestar atenção, e só respondia se houvesse extrema necessidade. E morreu honrado, amado, chorado, por milhões de companheiros operários revolucionários, que vivem desde as minas da Sibéria, ao longo de toda a Europa e América, até à Califórnia; e posso atrever-me a dizê-lo: muitos adversários ainda poderia ter, mas não tinha um só inimigo pessoal.
O seu nome continuará a viver pelos séculos, e a sua obra também!"

Discurso pronunciado em inglês por Engels no cemitério de Highgate em Londres, em 17 de Março de 1883.
"Não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda."

(Paulo Freire)
Ver o Aécio ser expulso da própria manifestação que ajudou a convocar é , de fato, incrível. Mas isso não significa que o ato foi implacável com "todos", como circula na rede. Bolsonaro, por exemplo, foi muito bem recebido. Ele já foi citado na Lava Jato pelo doleiro Alberto Youssef, mas isso não criou nenhum constrangimento ao deputado. Isso porque o que se expressa é o crescimento de uma cultura autoritária. O Bolsonaro se torna, nesse caldo, realmente o ícone dos manifestantes: um "mito", como foi chamado pelos seus espectadores de hoje. Uma figura medíocre e perigosa, que propõe o justiçamento como método e defende a intervenção dos militares, como pediam as faixas que circulavam nas ruas. Bolsonaro é o que tem de pior na sociedade, representando as políticas ultra-reacionárias contra as liberdades civis, a soberania nacional e os direitos de trabalhadores e jovens pobres.

As pessoas que foram às ruas hoje não expulsaram o Bolsonaro, e isso é o mais sintomático, pois ele é o espelho de suas consciências. Estamos diante ao ovo da serpente e a democracia está em por um fio.

André Castelo Branco Machado

domingo, 13 de março de 2016


PORQUE ODEIO O PT

Sirlei Fernandes

PORQUE ODEIO O PT

Odeio o PT por excluir dos livros didáticos a rotina do sociólogo e politico brasileiro dedicado a leituras de Sartre ao sabor de um café cheiroso nas boulevards parisienses.
O PT jamais deverá ser perdoado pela irresponsabilidade do fechamento da Daslu, ponto da moda chic paulistana frequentada por mulheres ricas elegantes e bem nascidas.
Odeio o PT por cortar o embalo das tardes acaloradas de Londrina frequentadas pelas mais altas autoridades paranaenses , movidas ao som das corridas de Kart e estouro de champagne.
Odeio o PT pela verve em colocar homens de bem na cadeia pertencentes a partidos e empresas sem mácula.
Como perdoar um partido que ousa importar médicos negros comunistas para tomar o lugar dos competentes e assíduos profissionais brasileiros.
Odeio o PT pela insistência em congestionar os corredores das universidades com gente sem preparo intelectual para o ensino vigente.
O PT merece repulsa pelo gasto excessivo do Bolsa Família, programa criado para perpetuar vadios dependentes do erário.
Mais ódio ainda do PT pelo desconforto nas filas dos aeroportos amontoadas de malas sem grife Louis Vuiton.
Odeio o PT.

E vou odiar mais ainda por fazer da solidariedade, justiça; por fazer da justiça, igualdade; por fazer da igualdade, democracia.

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Profundamente envergonhado desse dia que infelizmente terei de assistir. Com um sentimento que nem consigo expressar por todos aqueles que morreram por nosso país, que deram suas vidas para nos transformarmos em outro. Com muita pena de quem não consegue enxergar que aquilo que se deseja implantar a partir de hoje, é na realidade o mono partidarismo, e que por isso, nem de fachada viveremos se tudo der certo para os revoltosos, uma pseudo democracia. Estão nos empurrando goela abaixo uma nova ditadura, e nem isso é comentado ou admitido por quem quer que seja, porque todos ainda acreditam, creem, que ditaduras só nascem quando militares participam dela.

Mas como poderia ser diferente ? Nunca, nossa constituição de 1988, a dita cidadã, que muitos ainda a defendem, e que não nos protege de nada, nem tão menos nosso país, foi toda definida pela concessão de rádios e tvs que o PMDB que ontem anunciou, sairia do governo, concedia para a concretizar.

Fernando Macedo‎
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A mesma praça, o mesmo banco, a mesma gente do ano passado. Perfil social tendencialmente elitizado, brancos, muitos de meia-idade, classes média e alta, moradores nas áreas centrais privilegiadas, próximas aos locais dos atos, perfis sociais e ideológicos relativamente homogêneos e claramente definidos, com poucas exceções. Alguns eleitores majoritariamente da direita do PSDB, DEM e até a TFP sentiu afinidade naquele ambiente e reapareceu desta vez ! Não conseguiram superar em quantidade e qualidade os mesmos movimentos do ano passado, nos mesmos lugares e com as mesmas gentes. O impasse continua porque os muitos milhões, que não querem golpes de direita e não comparecem nestas manifestações, continuam nas mesmas posições consolidadas. A grande diferença e a grande mudança em relação ao ano passado serão as eleições municipais. O calendário eleitoral poderá desafogar a crise política pelas próprias definições e escolhas eleitorais. Nas eleições vale o voto de todos e a soberania popular plena, não apenas a televisionada e manipulada. A periferia, os sertões, os negros, os pobres também são os maiores protagonistas na democracia eleitoral. O voto da babá negra equivale ao da patroa enfatiotada de hoje.

Ricardo Costa de Oliveira
" 'Balança que essa quenga cai'. 'Prisão é pouco, fuzilamento já'. 'O PT vai sangrar'. A mãe que exibe orgulhosa o desenho do filho, aparentemente uma criança bem pequena, dois bonecos com a legenda "morra Lula - morra Dilma". Saudações nazistas.
A agressividade dos protestos da direita é impressionante.
Lembro das passeatas pelo impeachment de Collor. Não foi nenhum espetáculo de consciência política, o discurso em geral era raso, pipocavam refrões sexistas ('Rosane, sua galinha/Foi o PC que pagou sua calcinha'). Mas não se via na rua uma fração do ódio que hoje é ostentado.
O mesmo para os protestos de Fora FHC. Ou, recuando, para as manifestações das Diretas. Queríamos o fim da ditadura. Ninguém queria enforcar toda a cúpula das forças armadas.
Na verdade, acho que nem as manifestações anticomunistas que precederam o golpe de 1964 verbalizaram um ódio assim tão escancarado.
Isso é o mais assustador: o avanço de uma mentalidade claramente fascista, que se orgulha de sê-lo, que nem disfarça mais.

Luis Felipe Miguel
"Ser coxinha é ter uma dupla moral. É protestar contra a corrupção do PT, mas apoiar a corrupção do PSDB. É acusar o comunismo de matar milhões, mas nunca mencionar que o capitalismo segue matando bilhões. É dizer que é contra a Copa no Brasil, mas protestar com a camisa da CBF. É falar que é patriota, mas nunca se posicionar contra a entrega do petróleo brasileiro às multinacionais estangeiras. É dizer que é contra o aborto, mas a favor da pena de morte. É dizer que defende a moral da família, mas não perde a chance de fotografar as mulheres peladas do impeachment. É ser pobre, endividado e assalariado, mas desfilar junto com os que acredita serem ricos a fim de agradar o patrão. É acreditar que o Brasil nunca vai dar certo e que é melhor lavar prato em Miami do quer ser engenheiro aqui. Isto é ser coxinha: crer na Globo e na Veja e de vez em quando ler a Folha e o Estadão para aprender 'argumentos contra o governo'. É bater panela com o bucho cheio de comida, comendo frango e arrotando faisão."

Thomas de Toledo

Radicalização ameaça democracia brasileira, diz especialista



Sociólogo Fernando Lattman-Weltman afirma que atual acirramento dos ânimos é alarmante. "Os dois lados consolidaram posições, e tudo que o outro faz só reforça a convicção de que é uma guerra. A situação é muito grave."

Em novembro, manifestantes pró- e anti-governo se enfrentaram em Brasília

A radicalização e a polarização política colocam em risco a estabilidade das instituições e da democracia brasileira, afirma o sociólogo e cientista político Fernando Lattman-Weltman.

"Existe ameaça, porque todos os poderes da República estão submetidos a essa dinâmica de radicalização. Mesmo o Poder Judiciário, que deveria ser o mais neutro, já está na berlinda. Há fortes críticas e suspeitas à lisura e funcionamento de setores do Judiciário", diz o professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Segundo Weltman, que desenvolve pesquisa sobre a relação entre as mídias sociais, imprensa e radicalização no Brasil, bem como sobre a estabilidade dos regimes, o atual acirramento dos ânimos é alarmante. Ele menciona os recentes confrontos entre manifestantes contra e a favor do PT e se diz preocupado com possíveis embates nos protestos de domingo (13/03), organizados por movimentos pró-impeachment.

"O processo de radicalização, quando vira esse ciclo vicioso de ação, reação e provocação, torna-se autônomo e se retroalimenta", explica. "Os dois lados consolidaram posições, e tudo que o outro faz só reforça essa convicção de que é uma guerra."

DW: O Brasil vive um processo de radicalização e polarização?

Fernando Lattman-Weltman: Sem dúvida nenhuma. É uma radicalização porque há um partido que ganhou e quer governar, e uma oposição que quer inviabilizar esse governo e acha que tem argumentos justos para isso. Um lado não tolera o outro, não há espaço de negociação ou diálogo. É uma disputa de poder. No meio disso, também existe uma polarização de caráter ideológico. Certos grupos pró-PT defendem determinada linha política, que, para eles, estaria condenada se outro partido assumisse. Da mesma forma, outros partidos podem culpar as políticas econômicas de esquerda por tudo que deu errado. Então tem radicalização e polarização, as duas coisas juntas. É difícil separar uma da outra, mas é preciso, porque elas requerem soluções diferentes.

A radicalização é sempre negativa para a sociedade?

Isso depende da perspectiva. Para quem acha que a democracia e a estabilidade das instituições são um valor em si mesmo, algo pelo qual lutamos muito, evidentemente que essa radicalização é alarmante. Já para quem acha que essa crise indica uma contradição mais profunda da sociedade, que não vai se resolver sem uma transformação violenta, a radicalização pode ser boa. O mesmo vale para os partidários de processos revolucionários ou regimes autoritários. Mas, para a maioria das pessoas, preocupadas com a situação social e econômica, esse agravamento é ruim, independentemente das suas posições políticas.

O senhor acha que esse radicalismo ameaça a estabilidade da nossa democracia e das nossas instituições?

Eu acho que sim, infelizmente. A situação é hoje muito grave. Todos os poderes da República estão submetidos a essa dinâmica de radicalização. Mesmo o poder que deveria ser o mais neutro, o Judiciário, já entrou na berlinda. Há fortes críticas e suspeitas à lisura e funcionamento de setores do Judiciário ou do sistema de Justiça mais amplo, que inclui a Polícia Federal e o Ministério Público. Até supostas soluções, como o projeto de adoção a toque de caixa do parlamentarismo, só aumentam a instabilidade. Não vou entrar no mérito desse sistema, mas propostas assim, nesse contexto, só jogam mais lenha na fogueira. Projetos assim certamente serão interpretados como golpe, mesmo que essa não seja a intenção. Se a gente abrir a porteira para soluções extraordinárias, qual é o limite?

E qual é o papel da imprensa nesse processo?

É um papel muito preocupante, porque ela pré-julga e seleciona. Por conta da crise que está vivendo, também ligada às novas tecnologias, a imprensa parece estar querendo fidelizar o seu público através da radicalização partidária.
E as mídias sociais, como elas influenciam a radicalização?
Elas têm um lado muito positivo de democratizar o acesso à informação, mas também geram uma exacerbação. Há mecanismos das redes que fazem com que as pessoas se entusiasmem com a exposição e coloquem argumentos só para gerar determinadas reações. E há uma dinâmica perversa desses algoritmos, que fazem com que o usuário veja cada vez mais aquilo que buscou, sempre mais do mesmo. Isso gera uma falsa sensação de que há uma multidão que pensa igual a ele, mas talvez sejam só algumas pessoas. Para quem se sentia isolado ou excluído, as redes oferecem esse pertencimento, que é positivo. Mas elas também contribuem para acirrar os ânimos.

E radicalização em geral aumenta a adesão aos protestos de domingo?

Sem dúvida nenhuma. E há um risco muito grande de confronto. Os movimentos sociais ligados ao PT decidiram não convocar manifestações no domingo, o que eu acho uma medida responsável. Quanto mais se puder evitar confronto, melhor.

E o pedido de prisão do Lula só piora essa radicalização...

Só aumenta. Do ponto de vista de quem está na esquerda, isso é uma perseguição política para inviabilizar o governo e uma candidatura do Lula em 2018. E é muito difícil convencer alguém da esquerda de que não é assim. Da mesma forma, para a direita, a Lava Jato é apenas uma investigação natural, que está desmontando a máquina de corrupção e poder do PT – um partido que, no fundo, queria instalar um sistema bolivariano no Brasil. E ninguém os convence do contrário. A radicalização chegou a esse ponto. Os dois lados consolidaram posições, e tudo que o outro faz só reforça a convicção de que é uma guerra. Há um ano o país está sendo preparado para esse conflito. Não que alguém tenha manipulado os cordéis para isso. O processo de radicalização começou nas eleições, se acelerou no ano passado e chegou a esse confronto.
O que o senhor acha que poderia ser feito na esfera pública para diminuir essa radicalização?

O processo de radicalização, quando vira esse ciclo vicioso de ação, reação e provocação, torna-se autônomo e se retroalimenta. Não adianta tentar dialogar, porque você não vai encontrar bom senso em ambos os lados. O pessoal não vai depor as armas e sentar para conversar. A única saída é romper com o outro círculo vicioso, da crise econômica e política. O governo tenta há um ano, de maneira mais ou menos desastrada, fazer isso e governar. A rede pode estar radicalizada, mas as lideranças da sociedade civil, dos trabalhadores, das associações, dos empresários, do Poder Judiciário, do Congresso, precisam se articular para tentar achar uma saída para a crise.

Fonte Deutsche Welle
 “O bom senso é a coisa do mundo mais bem distribuída, porquanto cada um acredita estar tão bem provido dele que, mesmo aqueles que são os mais difíceis de contentar em qualquer outra coisa, não costumam desejar tê-lo mais do que já o têm.”

 (DESCARTES )

1848: Revolução de Março na Áustria



No dia 13 de março de 1848, burgueses, trabalhadores e universitários de Viena rebelaram-se contra o poder da dinastia dos Habsburg. Dois dias mais tarde, imperador Ferdinando teve que reconhecer sua derrota.


Príncipe Metternich foi obrigado a renunciar

No ano de 1848 ocorreram várias revoluções na Europa. A 24 de fevereiro, em Paris, artesãos, universitários, trabalhadores e a Guarda Nacional haviam se rebelado contra a miséria e destituído o rei para proclamar a Segunda República. A revolta seguinte começou em 13 de março, em Viena. Trabalhadores e universitários se revoltaram contra 30 anos de opressão, censura e perseguição do conservador príncipe austríaco Klemens Wenzel Metternich.

Desde o Congresso de Viena, em 1815, ele era o homem mais poderoso nos países da Aliança Alemã. Mas o povo estava cansado da opressão e reuniu-se em Viena para protestar, em primeiro plano, contra a censura. A violência escalou depois que os militares dispararam contra a multidão, causando várias vítimas fatais.

Os manifestantes foram às barricadas, enquanto a rebelião eclodia também nos bairros operários. Em toda a cidade ouviam-se tiroteios e estabelecimentos comerciais eram saqueados. Como o governo não estivesse preparado para tanta disposição de luta dos manifestantes, dois dias mais tarde mandou recolher as tropas aos quartéis.

No dia 15 de março de 1848, o imperador Ferdinando aprovou a liberdade de imprensa, garantiu uma nova Constituição e a formação de uma guarnição civil armada, atendendo, assim, às "exigências de março" dos manifestantes. A consequência foi a composição de uma comissão de cidadãos, formada por 24 burgueses que ocuparam a administração de Viena.

Paris e Viena contagiam Berlim

Sem condições de governar, o imperador Ferdinando foi retirado de Viena; o príncipe Metternich renunciou e se exilou na Inglaterra. As revoltas em Paris e Viena contagiaram Berlim. A 18 de março de 1848, o povo reunido diante do palácio do rei Frederico Guilherme 4º exigiu liberdade de imprensa e de opinião, o fim da censura e a constituição de um Parlamento prussiano.

A violência escalou da mesma maneira como em Viena. Cerca de 4 mil manifestantes com armas rudimentares foram confrontados com um contingente de 15 mil militares fortemente armados. Mas venceram. Quatro dias depois, o imperador recolheu suas tropas e reconheceu a vitória dos revolucionários. Humilhado, foi obrigado a honrar no palácio os 230 mortos na revolução. No dia 21 de março, anunciou então a unidade nacional.

Sua medida seguinte foi a composição de um gabinete liberal e o anúncio de uma Assembleia Nacional dois meses depois. A Prússia, que junto a Rússia e Áustria havia fomentado a rebelião, deveria tornar-se monarquia constitucional. A revolução alemã, que foi apenas parte de um fenômeno pan-europeu, havia sido vitoriosa. No dia 18 de maio foi empossada a Assembleia Nacional, com 649 deputados das 39 províncias, inclusive a Prússia e a Áustria.

Sua tarefa era redigir uma Constituição democrática para todo o território alemão, introduzindo um sistema de governo centralizado. A nova carta magna, divulgada em dezembro do mesmo ano, é considerada pelo historiador alemão Wolfgang Mommsen como "mais moderna do que os direitos fundamentais de Weimar e, eventualmente, que a Lei Fundamental de 1949, afinal, inspirada na de 1848".

Autoria Frank Gerstenberg


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sábado, 12 de março de 2016

"Lula, aqui tá Russell, melhor você Voltaire pra casa, bater um Platão, tomar um Schopenhauer e ir Montaigne um plano infalível para convencer o tal juiz. Descartes a ideia de entrar para um ministério porque vai pegar Mao. O Dirceu já se Foucault com isso. Se baterem na sua porta com um mandado de prisão, manda enfiar no Hegel. E reza pro seu Engels da guarda te proteger. Não Marx toca. Deleuze?"

Leo Gonçalves


PENSE




A CRISE ECONÔMICA É MUNDIAL. O MAIS RECENTE CAPÍTULO DA CRISE POLÍTICA (TENTATIVA DE GOLPE) BRASILEIRA. NÃO VEJO QUALQUER SOMBRA DE JUSTIÇA EM OPÇÕES DE ENFRENTAMENTO A ELAS NAS QUAIS O POVO TENHA QUE APERTAR AINDA MAIS O CINTO QUE LHE SUSTENTA OS ANDRAJOS PARA QUE BANQUEIROS, INVESTIDORES, EMPRESÁRIOS CORRUPTOS, EMISSORAS DE TELE-MANIPULAÇÃO E TELE-IMBECILIZACAO, POLÍTICOS FISIOLÓGICOS E TODOS AQUELES QUE ORBITAM AO SEUS REDORES MANTENHAM SEUS PRIVILÉGIOS. EXCESSÃO AO FATO DE QUE EU ME IGUALE A ELES (E, NESSE SENTIDO, NÃO SEJA ALGUÉM SUFICIENTEMENTE ÉTICO PARA RECRIMINAR A CORRUPÇÃO NO MEU PAÍS), OU, QUE ACEITE PASSIVAMENTE O PAPEL DE FANTOCHE, MARIONETE, MASSA DE MANOBRA A SERVIÇO DOS SEUS INTERESSES.

Will Coutinho Hamon

Derradeiro Baile dos Romanov

Um grande baile de fantasia aconteceu em fevereiro de 1903 no Palácio do Inverno, em São Petersburgo. Hoje, o espaço onde foi celebrado o último baile imperial abriga o museu Hermitage.
Alexander kororiov para a Gazeta Russa
Um grande baile de fantasia aconteceu em fevereiro de 1903 no Palácio do Inverno, em São Petersburgo. Hoje, o espaço onde foi celebrado o último baile imperial abriga o museu Hermitage.
Um grande baile de fantasia aconteceu em fevereiro de 1903 no Palácio do Inverno, em São Petersburgo. Hoje, o espaço onde foi celebrado o último baile imperial abriga o museu Hermitage.
Um grande baile de fantasia aconteceu em fevereiro de 1903 no Palácio do Inverno, em São Petersburgo. Hoje, o espaço onde foi celebrado o último baile imperial abriga o museu Hermitage.
Um grande baile de fantasia aconteceu em fevereiro de 1903 no Palácio do Inverno, em São Petersburgo. Hoje, o espaço onde foi celebrado o último baile imperial abriga o museu Hermitage.
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fevereiro de 1903 no Palácio do Inverno

Um grande baile de fantasia aconteceu em fevereiro de 1903 no Palácio do Inverno, em São Petersburgo. Hoje, o espaço onde foi celebrado o último baile imperial abriga o museu Hermitage.


La guerra de los mil años


Alain Gresh

Le Monde Diplomatique

Irak arde. Pueden verse allí las consecuencias de la ignorancia estadounidense sobre el campo de batalla -Faluya poco se parece a una ciudad de Texas, mucho menos a Marsella o a Tolón, liberadas en 1944- o de la arrogancia de una gran potencia. Más profundamente, sin embargo, este chasco es consecuencia directa del concepto de "guerra contra el terrorismo" lanzado por el presidente George W. Bush, después del 11 de septiembre.

En este marco de pensamiento, cada incidente en Irak se ordena lógicamente: los ataques en el "triángulo suní" sólo pueden ser producto de nostálgicos del régimen de Sadam Hussein o de terroristas internacionales vinculados a Al Qaeda; la resistencia de Moqtada Al-Sadr, el resultado de la influencia iraní, uno de los miembros del Eje del Mal; toda acción armada, la prueba de que "ellos" odian los valores occidentales. Tal como lo explica ingenuamente un cabo estadounidense en Irak: "Debemos matar a los malos (1)". Pero cuantos más "malos" mata Estados Unidos, más malos surgen de las ruinas de cada inmueble bombardeado, de cada aldea sometida a allanamientos sistemáticos.

El drama iraquí también podría comprenderse de manera diferente y mucho más simple. Contentos por haberse librado de una dictadura particularmente odiosa y haber acabado con sanciones que durante 13 años vaciaron al país de su sustancia, los iraquíes aspiran simplemente a vivir mejor, libres e independientes. No se ha cumplido ninguna de las promesas de la reconstrucción, la electricidad se corta a menudo, la inseguridad perdura, la miseria se extiende. Las tropas estadounidenses perpetraron el último ataque brutal contra un Estado ya debilitado por los múltiples embargos, dejando que los ministerios ardieran y disolviendo el ejército, según el modelo que habían aplicado en 1945 en... Japón. Por otra parte, los iraquíes no quieren vivir bajo el yugo de un ocupante, cuyos únicos intereses -sospechan- son petroleros y estratégicos. El tiempo de la colonización ha terminado. En Irak, la revuelta de los años veinte contra el ocupante británico, celebrada desde hace décadas, dejó en la memoria de todos una marca tan indeleble como la Resistencia o la Liberación en Francia. Los iraquíes comparten esta aspiración a la independencia con los demás pueblos y no es necesario sondear su "psicología" o su "alma", someter el Corán y el islam a complejas exégesis para comprenderla. Tampoco es necesario ver en ese país un puesto de avanzada de la cruzada contra el "terrorismo internacional". El comportamiento de los iraquíes es absolutamente racional y la única solución es una retirada rápida de las tropas estadounidenses y el retorno del país a la plenitud de su soberanía.

La manera en que los dirigentes de una gran potencia interpretan un hecho acontecido en una región del mundo determina sus decisiones estratégicas y diplomáticas: ¿Qué beneficios obtendremos? ¿Qué harán nuestros enemigos? ¿Q uiénes son nuestros aliados? Durante varias décadas, la "Guerra Fría" sirvió de paradigma para explicar la evolución planetaria. Al producirse un cambio en una lejana comarca, los estrategas de ambos bandos, los investigadores y los periodistas se preguntaban: ¿Es bueno para la URSS? ¿Es bueno para Estados Unidos? Las consecuencias de esta visión en blanco y negro pudieron medirse a propósito de dos conflictos de los años setenta y ochenta, el de Nicaragua y el de Afganistán.

En julio de 1979, los sandinistas toman el poder en Managua, tras una larga lucha armada que pone fin a la dictadura de la familia Somoza. Lanzan un programa de audaces reformas sociales, especialmente en materia agraria. Se respetan las libertades fundamentales y se permiten los partidos políticos de oposición. Surge la posibilidad de sacar al país de la pobreza y el subdesarrollo. Pero el gobierno estadounidense no lo entiende así. Para él, esta derrota de uno de los aliados de Estados Unidos se reduce a un avance del comunismo y la URSS en su "coto de caza" centroamericano. La CIA provee de armamento a viejos soldados somocistas. Desde Honduras, estos "combatientes de la libertad" libran una guerra a ultranza, sin dudar en la utilización del terrorismo contra el régimen, mientras que Washington intenta movilizar a la opinión pública y a sus aliados contra el peligro totalitario en América Central. La Habana, y en menor medida Moscú, intensifican su ayuda a los sandinistas. Desde entonces, Nicaragua se ve atrapada en el enfrentamiento Este-Oeste. La presión permanente de Estados Unidos, el empobrecimiento del país como consecuencia de sanciones económicas, desembocarán finalmente en la derrota de los sandinistas en las elecciones del 25 de febrero de 1990. De un día para otro, Washington dejará de interesarse en Nicaragua y abandonará a sus antiguos protegidos. El país se hundirá en la miseria, pero nunca será "comunista".

El caso de Afganistán es aún más emblemático. En abril de 1978, aunque aliado de la URSS, el régimen es derrocado por un golpe de Estado comunista. El nuevo poder lleva a cabo, de manera brutal, reformas radicales en este país conservador y se enfrenta a una fuerte oposición, especialmente en las regiones rurales. Washington comienza a armar a los muyahidin. En diciembre de 1979, el ejército soviético invade Afganistán, cambia la dirección del país: una operación de tipo colonial condenada por la comunidad internacional. Pero Estados Unidos y Occidente quieren ver en ello la prueba de la voluntad hegemónica de los soviéticos, la confirmación de las intenciones seculares del Kremlin de proyectarse hacia "los mares cálidos", hacia el Golfo. La nueva administración Reagan encuentra allí la oportunidad de "hacer sangrar" al ejército rojo, incluso al precio de una alianza con el diablo. Con la ayuda de los servicios secretos pakistaníes y saudíes, armará a los fundamentalistas más radicales, en detrimento de la oposición moderada. Se opondrá a todos los intentos de acuerdo político y diplomático apadrinados por Naciones Unidas, y prolongará deliberadamente el conflicto (2). Ya se sabe cuál fue el resultado. Los soviéticos deciden retirarse de Afganistán pero, tras su victoria, Estados Unidos se desentiende del destino del país y de las redes islamistas radicales que contribuyeron a instalar con la ayuda de un tal Osama Ben Laden. Abandonado, Afganistán se hunde primero en la guerra civil, antes de caer, en 1996, en manos de los talibanes.

Ahora se sabe que, lejos de corresponder a un gran proyecto de expansión, la decisión soviética de intervenir en Afganistán fue tomada por una dirección política dividida, preocupada ante todo por evitar que un país fronterizo, tradicionalmente aliado, cayera en manos de islamistas extremistas. Se sabe también que, pese a sus apariencias de potencia militar, la URSS era incapaz de amenazar al mundo y menos aún de dominarlo. Sin embargo, en Occidente se agitó continuamente el fantasma de la amenaza soviética para movilizar a la opinión pública. En 1983, dos años antes de la llegada de Mijail Gorbachov al poder en Moscú, Jean-François Revel, siempre perspicaz, anunciaba el fin de las democracias incapaces de luchar contra "el más temible de estos enemigos externos, el comunismo, variante actual y modelo acabado del totalitarismo (3)"... Este "modelo acabado" tenía sólo unos años de vida.

Por supuesto, la clave de lectura "Este-Oeste" era pertinente. Tanto Estados Unidos como la URSS defendían sus intereses de grandes potencias, pero la vida política de cada país no se reducía a un gran tablero de ajedrez en el cual se enfrentaban la Casa Blanca y el Kremlin, la primera apoyando sin remordimientos dictaduras latinoamericanas o la Indonesia de Suharto, el segundo interviniendo brutalmente en Hungría (1956) o en Checoslovaquia (1968). Este simplismo llevaba a subestimar las realidades nacionales, no tan fác ilmente reductibles, y todos los demás desafíos planteados a la humanidad: deterioro medioambiental, pobreza crónica, proliferación de nuevas enfermedades -especialmente el sida-, etc. El mundo salió finalmente de la guerra fría, Estados Unidos ganó, pero los desafíos continúan. Y las causas de la inestabilidad también.

En busca de un enemigo

El fin de la Unión Soviética dejó huérfanos no sólo a los militares y a los servicios de inteligencia estadounidenses (y por extensión occidentales) -privados de un enemigo que justificaba su existencia y su presupuesto ilimitado-, sino también a todos los centros de investigación estratégicos que habían señalado seriamente la superioridad estratégica de Moscú, incluso pronosticado una invasión soviética de Europa Occidental. Pero, ¿con qué podía reemplazarse el "imperio del mal?"

A comienzos de los años noventa, la teoría del "fin de la historia" lanzada por el académico estadounidense Francis Fukuyama, que proclam aba la victoria definitiva del liberalismo occidental condenado a extenderse por todo el planeta, sólo tuvo un éxito limitado. Una fracción de la derecha conservadora, la misma que se había opuesto a distender las relaciones con la URSS y a todo acuerdo con Mijail Gorbachov, buscaba en cambio "un nuevo enemigo estratégico". Anunció que Estados Unidos, aunque sin rival, era ahora amenazado por fuerzas oscuras, aún más peligrosas que el comunismo: el terrorismo, los Estados canallas, las armas de destrucción masiva. Paralelamente, cada vez más pensadores y periodistas diagnosticaban el ascenso en potencia de un nuevo adversario, el islam, que disponía a la vez de una "fuerte ideología" y de una base potencial de más de 1.000 millones de seres humanos.

En 1993, el estadounidense Samuel Huntington popularizó el "choque de civilizaciones (4)". "Mi hipótesis -escribía el profesor estadounidense- es que en el nuevo mundo, los conflictos no tendrán esencialmente como origen l a ideología o la economía. Las grandes causas de divisiones de la humanidad y las principales fuentes de conflictos serán culturales. Los Estados-Naciones continuarán desempeñando el papel principal en los asuntos internacionales, pero los principales conflictos políticos mundiales enfrentarán a naciones y grupos que pertenecen a civilizaciones diferentes. El choque de civilizaciones dominará la política mundial".

Pero estábamos todavía en el campo de la especulación, ninguna de estas doctrinas tuvo consenso entre las elites. Hubo que esperar al 11 de septiembre para que se instalara la idea de que Occidente estaba nuevamente comprometido en una guerra mundial, que sucedía a la guerra fría y a la II Guerra Mundial. Traumatizada por los ataques contra el World Trade Center y el Pentágono, la opinión pública estadounidense se sumó a la "guerra contra el terrorismo", una guerra en la cual "quien no está con nosotros está en contra de nosotros". Sin embargo, ¿quién es est e nuevo enemigo que reemplaza al comunismo y al nazismo? ¿El terrorismo? Pero el terrorismo no es una ideología sino apenas un método de acción, y resulta difícil percibir qué vínculo une a los independentistas corsos, los del IRA y Al Qaeda. ¿Al Qaeda? Pero el combate contra esta organización peligrosa corresponde a los servicios policiales, no a la movilización guerrera (ver el artículo de Olivier Roy, págs. 24 y 25). ¿Los Estados canallas? Si es abusivo incluir en el mismo Eje del Mal a Corea de Norte e Irán, también es difícil ubicar las amenazas que esos Estados ejercen regionalmente en el mismo nivel que hasta hace poco representaba la Unión Soviética.

Sin embargo, lo que se perfila cada día con más nitidez, a través de los objetivos designados y de las campañas ideológicas, es un choque entre dos civilizaciones, islam y Occidente. Con excepción de Corea del Norte y Cuba, los países en el punto de mira de Estados Unidos -Irak, Irán, Siria, Sudán- son todos musul manes; la ayuda incondicional de Washington al gobierno de Ariel Sharon confirma esta posición tomada. La "civilización" está en guerra contra la "barbarie", proclama el presidente Bush. "El mundo se ha dividido en dos bandos, responde Osama Ben Laden, uno tras la bandera de la cruz, tal como dijo el jefe de los infieles Bush, y otro tras la bandera del islam".

Ellos y nosotros

Si esta teoría es verdadera, ningún acuerdo es entonces posible ya que "ellos" nos odian, no a causa de lo que hacemos, sino porque rechazan nuestros ideales de libertad y democracia; es inútil pues decidir una prioridad a la solución de tal o cual injusticia que afecta al mundo musulmán. Por otra parte, esta concepción induce a una estrategia de guerra. Implica inscribir cada enfrentamiento en un conflicto de civilizaciones, un conflicto eterno, sin solución: la lucha de los palestinos, un atentado terrorista en Java, la resistencia en Irak, un incidente antisemita en un liceo parisin o, un motín en los suburbios, son percibidos como elementos de una ofensiva general del islamismo. Estamos inmersos, en todos los frentes, incluido el frente interno, en una guerra mundial.

El general William G. "Jerry" Boykin, un ex integrante de las fuerzas Delta (unidad de intervención antiterrorista del ejército estadounidense) fue designado, en junio de 2003, subsecretario adjunto de inteligencia del Departamento de Defensa de Estados Unidos. Es un cristiano evangélico, que declaraba en Oregón que los radicales islámicos odiaban a Estados Unidos "porque somos una nación cristiana, porque nuestros cimientos y nuestras raíces son judeocristianos. Y el enemigo es un tipo que se llama Satán (5)". En otra ocasión, proclamaba: "Nosotros, el ejército de Dios, en la casa de Dios, en el reino de Dios, hemos sido educados para esta misión"; y, a propósito de la guerra en Somalia contra los jefes de guerra musulmanes: "Sabía que mi Dios era más grande que el suyo, sabía que mi Dios era un verdadero Dios y el suyo un ídolo (6)". Tras estas declaraciones, el general pidió disculpas, conservó su puesto y pudo mostrar su talento "exportando" a Irak el sistema carcelario instalado en Guantánamo, con los resultados conocidos en materia de torturas (7). Si bien el secretario de Defensa Donald Rumsfeld primero lo defendió, Condoleezza Rice, la asesora de Seguridad Nacional, debió aclarar: "Esta no es una guerra entre religiones". Sin embargo, cuesta creerla al leer los testimonios de los torturados en Irak, que eran obligados a abjurar de su religión o a comer cerdo (8).

Numerosos medios de comunicación estadounidenses, o a veces europeos, no ocultan tampoco su islamofobia. Ann Coulter es una de las más populares comentaristas de la derecha estadounidense, cuyos libros son best sellers; con frecuencia es invitada a programas de las grandes cadenas informativas de televisión y radio, desde Good Morning America hasta The O'Reilly Factor. Según el la, dentro de 10 años los musulmanes habrán tomado el poder en Francia. "Cuando combatíamos el comunismo -explica- había asesinos y gulags, está bien, pero eran blancos y estaban en su sano juicio. Ahora, estamos en guerra contra verdaderos salvajes". Y precisa: "Sufrimos los ataques de musulmanes salvajes y fanáticos desde hace 20 años. No es Al Qaeda quien tomó rehenes de nuestro país en Irán. No fue Al Qaeda la que puso una bomba en una discoteca de Berlín-Oeste, la que llevó a Ronald Reagan a bombardear Libia". Pero Libia no es islamita. "Usted puede sostener ese argumento, pero yo sigo viendo musulmanes que matan gente (9)".

"Deberíamos ser conscientes de la superioridad de nuestra civilización, señalaba satisfecho el primer ministro italiano Silvio Berlusconi, el 26 de septiembre de 2001, (...) un sistema de valores que ha brindado a todos los países que lo adoptaron una gran prosperidad que garantiza el respeto de los derechos humanos y las libertades religiosa s". El presidente del Consejo Italiano estimó que debido a la "superioridad de los valores occidentales", éstos iban a "conquistar nuevos pueblos", precisando que esto "ya se había producido con el mundo comunista y una parte del mundo islámico, pero que, desgraciadamente, una parte de éste último quedó 1.400 años atrás (10)".

Jean-François Revel, en su libro La obsesión antiamericana: dinámica, causas e incongruencias, se alegra del hecho de que George W. Bush y varios dirigentes europeos hayan acudido a mezquitas después del 11 de septiembre, para evitar especialmente en Estados Unidos que los árabe-estadunidenses se convirtieran en blancos de "represalias indignas". Y afirma: "Este escrúpulo democrático honra a estadunidenses y europeos, pero no debe cegarles ante el odio por Occidente de la mayoría de los musulmanes que viven entre nosotros (11)". Está escrito con todas las letras, la "mayoría de los musulmanes". Se ignora si el filósofo propone expulsarlos...

Estas declaraciones tienen eco en la opinión pública. La guerra fría, especialmente en los años ochenta, movilizó poco y fue sobre todo una cuestión de estados mayores; el comunismo ya había perdido gran parte de su fuerza de atracción y el espantajo rojo ya no suscitaba grandes cazas de brujas. La guerra contra el terrorismo evoca otras resonancias: una parte de la opinión pública occidental y musulmana está dispuesta a creer que los conflictos actuales encubren un choque entre civilizaciones. El mundo ya no se dividiría entonces en fuertes y débiles, ricos y pobres, pudientes y desposeídos, sino en "ellos" y "nosotros". Cada país occidental renunciaría al concepto trasnochado de la "lucha de clases" para alistarse en las filas de la "lucha contra el otro". Se libraría entonces una guerra de mil años cuyo único resultado sería afianzar el desorden establecido.


NOTAS:

(1) Citado en "GI's in Iraq are asking: Why are we here?", International Herald Trib une, 12-08-04.

(2) Diego Cordovez, Selig S. Harrison, Out of Afghanistan. The Inside Story of the Soviet Withdrawal, Oxford University Press, Oxford, 1995.

(3) Jean-François Revel, Comment les démocraties finissent, Grasset, 1983.

(4) Samuel Huntington, "The Clash of Civilizations", Foreign Affairs, vol. 72, N° 3, 1993.

(5) Los Angeles Times, 16-10-03.

(6) Ibid.

(7) Sidney Blumenthal, "The religious warrior of Abu Ghraib", The Guardian, Londres, 20-05-04.

(8) "New images amplify abuse at Iraq prison", Reuters, 21-05-04.

(9) The Independent, Londres, 16-08-04.

(10) Le Monde, 28-09-01.

(11) Jean-François Revel, La obsesión antiamericana: dinámica, causas e incongruencias, Ediciones Urano, Barcelona, 2003.

"A libertação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores"

   Karl Marx


Já fracassou politicamente o protesto de amanhã 13/03 porque conseguiram afastar qualquer pessoa racional do centro político, com radicalismos de extrema direita. Uma base social de autoritários contra a democracia e as eleições, composta também por fascistas, sectários de direita, funcionários da Globo, do PIG e de partidos de direita, bolsonaretes, empresários neoliberais, pastores milionários fundamentalistas e integralistas não é representativa para horizontes mais amplos. A movimentação nas redes sociais indica um número bem menor do que nas maiores movimentações do ano passado. Mesmo que em alguns lugares a concentração possa se parecer com eventos de Nuremberg, com a ajuda do foco dirigido pela mídia engajada de extrema direita golpista, a perda do centro político já selou o fracasso deste movimento aos extremos da direita. Sem o apoio do centro político não se desloca o poder no Brasil.

Ricardo Costa de Oliveira
Carlos Ruggi

No fim da ditadura, Ulysses Guimarães chamava a Constituição escrita pelos militares de “A Carta dos 3 patetas”. Essa petição contra Lula é a petição dos três patetas.

O problema é que há gente na rua disposta a se matar por conta dessa irresponsabilidade jurídica. Daqui a muitos anos, isso será lido nas faculdades de direito como um exemplo de desmoralização das funções públicas de um promotor. Mas, nesse momento, a peça jurídica é um fósforo aceso num paiol de pólvora. E talvez a intenção seja essa mesmo: levar os petistas para rua, provocar o caos. E inflar a marcha do dia 13 da extrema-direita. Da mesma forma que Moro em Curitiba, o promotor Conserino gosta de camisas pretas. na Itália, eram o uniforme dos fascistas de Mussolini.
Fontes na Justiça dizem que dificilmente um juiz acatará pedido tão esdrúxulo. Tenho cá minhas dúvidas. Afinal, estamos em São Paulo e às portas de um golpe jurídico-midiático.


 Curitiba, PR, Brasil ·


The day after: Juiz federal justiceiro suspende atividades da Lava-PT-a-Jato, posto que não é contra a corrupção e seu ator mor torna-se desnecessário; setores do MP: idem; garantias trabalhistas. uma a uma, são derrubadas; Globo renova a concessão e ganha mais contratos milionários; Veja segue sendo a Veja, porém turbinada com dinheiro da propaganda oficial; aposentadorias e salário mínimo congelados; educação pública privatizada e/ou "enxugada" (conforme a região e os interesses locais); Universidades públicas encolhem e nova reforma é realizada; ProUni, naturalmente veio para ficar e deve ser ampliado; blogs progressistas tornam-se alvo da justiça; sindicatos são pulverizados e insistem que negociar com patrão é a melhor forma de "conseguir vitórias"; SUS é desmantelado; Aquíferos e Amazônia seguem a mesma direção do Pré-Sal e haverá Senadores que defendam que no futuro, tal como o petróleo, a água e a biodiversidade não serão tão necessárias; políticas para a diversidade serão extintas pelos novos Ministros da Educação, da Cultura e da Economia, ambos ex-funcionários do World Bank; desemprego atingirá a média confortável de 30%, mantendo massa de reserva e, ao mesmo tempo, garantindo um número controlável de indigentes.

Valéria Arias

A crise da governança da democracia representativa,

Felipe González, ex-presidente do Governo da Espanha (1982-1996), manifestou nesta quinta-feira seu apoio e reafirmou sua amizade com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que na sexta-feira passada foi obrigado pela Polícia Federal a depor sobre sua suposta participação no esquema de corrupção da Petrobras, enquanto realizavam buscas em sua casa e na sede de seu instituto. “Fiquei chocado pela forma como se deu a condução coercitiva e o depoimento de Lula. Não acredito que ele tenha se negado a depor antes, de modo que me pareceu desnecessário o uso da coerção”, disse González, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), em uma entrevista coletiva na Universidade de São Paulo (USP), onde assumiu a cátedra José Bonifácio, do centro Ibero-americano. O socialista alertou sobre o que ele chama de "Governo dos juízes"; ou seja, quando a aplicação da lei pelo Judiciário busca influenciar a política e substituir o Executivo e o Legislativo.

O socialista espanhol acredita que existirá “um antes e um depois” da Operação Lava Jato, “um novo cenário que definirá comportamentos diferentes, tanto de responsabilidades políticas como de responsabilidades empresariais”. 

O ex-mandatário  frisou a importância de que os três poderes da democracia representativa – o Executivo, Legislativo e Judiciário – estejam em equilíbrio. Para ele, o mais sensível é o Judiciário, que precisa ser independente ao aplicar a lei, mas que pode sofrer distorções durante o desenvolvimento democrático. Especialmente quando, segundo ele, existe um “Governo dos juízes”.

“O que vejo é que a política, como em todas as partes, se degradou. Novos atores precisam inclusive se apresentar como antipolíticos. Então os juízes podem acabar se transformando em heróis que representam a emoção e a aspiração das pessoas, e em um poder muito mais importante do que o que emana da vontade popular”, explicou. E acrescentou: “Gosto dos juízes, mas prefiro os que se dirigem às pessoas por meio de sentenças, resoluções e autos judiciais. São os mais sérios e respeitáveis”.

Presunção de inocência

González argumentou que a Justiça “não deve se voltar ao possível acusado, mas à aplicação da lei”. “A Justiça deve ser justa. E se é justa, é exemplar para todos igualmente. Mas quando se fala de exemplaridade, o pensamento é que com alguns deve-se ser mais exemplar do que com outros. E isso não é aplicação da Justiça”. Ao finalizar, relembrou: “Existe uma presunção de inocência sobre a qual se baseia o Estado democrático de direito”.


Felipe González  
"Sempre há três gerações que se sucedem. A primeira descobre um Deus. A segunda levanta um templo estreito e o prende lá dentro. A terceira cai em indigência e retira pedra a pedra da casa de Deus para construir, com esses materiais, miseráveis e sórdidas cabanas".
 (Rilke, no Diário Florentino)
Pelo que li da convenção do PMDB de hoje, o impedimento ainda é evitável. Mas, ou a Dilma adota a "agenda Temer" e joga o PT para escanteio, ou perde o mandato. Estarei equivocado? Veja o artigo do Delfim: "Estamos presos numa armadilha. Sem a perspectiva de equilíbrio fiscal num prazo de três a quatro anos, não haverá a confiança necessária para promover a volta dos investimentos, e com ele, o crescimento e o emprego. E sem a volta do crescimento e do emprego não haverá equilíbrio fiscal. Presidente, reconheça seus erros. Assuma o seu protagonismo. Leve ao Congresso, enquanto é tempo, as propostas de reformas constitucionais e infraconstitucionais que darão funcionalidade à economia brasileira e convoque, como fez na guerra ao Aedes aegypti, a sociedade para apoiá-las.

É hora de enfrentar a esquerdopatia eleitoral oportunista que esconde o corporativismo do PT. É ela que parasita o seu governo e se opõe às mudanças estruturais. Sem isso será impossível cooptar a oposição civilizada para ajudar a reconstruir o desenvolvimento econômico do Brasil." Mais claro, impossível.

Sérgio Braga