quinta-feira, 29 de maio de 2014

O Anti-Lázaro


(Nicanor Parra)

Morto não se levante dessa tumba
o que você ganharia ressuscitando?
seria uma façanha
e depois
a rotina de sempre
não lhe convém velho não lhe convém
o orgulho o sangue a avareza
a tirania do desejo sexual
as dores causadas pela mulher
o enigma do tempo
as arbitrariedades do espaço
pense bem morto pense bem
já esqueceu como eram as coisas?
ao menor empecilho você explodia
em xingamentos a torto e a direito
tudo lhe incomodava
você já não aturava
nem a própria sombra por companhia
memória fraca velho memória fraca!
seu coração era um monte de escombros
– estou citando seus próprios escritos –
e não restava nada de sua alma
para que voltar então ao inferno de Dante?
para reprisar toda a comédia?
que divina comédia que nada
fogos de artifício – miragens
isca para ratos gulosos
isso sim seria um disparate
felicidade é isso cadáver felicidade é isso
em seu sepulcro não falta nada
e você pode rir dos peixes coloridos
alô – alô está me ouvindo?
quem não preferiria
o amor da terra
às carícias de uma triste prostituta
ninguém de posse dos 5 sentidos
salvo tenha pacto com o diabo
dorme aí homem dorme aí
sem os aguilhões da dúvida
amo e senhor de seu próprio ataúde
na quietude da noite perfeita
livre da rosa e do espinho
como se nunca tivesse estado desperto
não ressuscite por motivo algum
não tem por que ficar nervoso
como disse o poeta
você tem toda a morte pela frente



Sunrise


On the dark-blue sky
The dawn burst red.
In golden glow, spry
Sun rose from its bed.
When sun-light came back,
By the sky reflected,
It met on its track,
New rays just projected.
And when bright-gold, blended rays
Spilled, suddenly lighting earth’s face,
The blue hue of a new day
Spread around the sky’s surface.


Sergei Yesenin (1895 - 1925)

1453: Constantinopla é tomada pelos turcos


No dia 29 de maio de 1453, as tropas do sultão Mehmed, o Conquistador, tomaram Constantinopla. Ele pretendia transformar a cidade na capital de um império otomano. Mehmed rebatizou o antigo centro da cristandade ortodoxa para Istambul. O cristianismo não foi proibido, mas a religião oficial passou a ser o islamismo.
No ano 395, o império romano se dividiu e sua parte oriental tornou-se o centro do poder. A capital era Bizâncio, um centro comercial da Antiguidade localizado no estreito de Bósforo, que foi rebatizada posteriormente como Constantinopla pelo imperador Constantino, o Grande. O círculo cultural do império bizantino era greco-romano e a religião era a cristã por imposição do imperador, convertido ao cristianismo. Isso durou mais de um milênio. Até que, em 1453, tribos turcas das estepes da Ásia Menor tomaram a cidade.
Paz enganadora
"Os osmanlis eram inicialmente bastante pacíficos e não chamaram a atenção dos bizantinos. Segundo mostram as pesquisas mais recentes, os osmanlis eram até muito úteis aos bizantinos, pois se dedicavam à pecuária e contribuíam para o abastecimento de Constantinopla", conta o professor Peter Schreiner, especialista da Universidade de Colônia.

A paz temporária era enganadora. Para uma cidade medieval, Constantinopla era gigantesca, chegando a ter 300 mil habitantes. Mas a megalópole enfraqueceu-se ao longo dos séculos e sua população caiu para apenas 30 mil habitantes. O império começava a se esfacelar.
Segundo Schreiner, "essas fragilidades foram consequência da tomada de Constantinopla pelos cruzados em 1204: o império bizantino se desfez em inúmeros pequenos impérios, cuja fraqueza militar foi notada pelos osmanlis".

Em 1453, o sultão Mehmed 2° invadiu Constantinopla. Ele sonhava com um império otomano mundial e Constantinopla deveria ser sua capital. Mehmed logrou executar duas ações surpreendentes. Em primeiro lugar, mandou fundir um novo tipo de canhão, os maiores do mundo na época. Com eles, a muralha da cidade foi destruída.

Depois, postou 70 navios de guerra diante do porto. Numa ação noturna, suas tropas levaram os navios do mar para o porto através de uma estreita faixa de terra. O imperador Constantino, descendente do lendário primeiro imperador cristão, viu então sua cidade cair nas mãos dos turcos.
Kritobulos de Imbros descreveu a reação do imperador: "Quando viu que os inimigos o acuavam e entravam gloriosamente na cidade, através das brechas na muralha, ele teria dito suas últimas palavras: 'A cidade está sendo conquistada e eu ainda vivo?' E pulou no meio dos inimigos, sendo massacrado".
Islamismo torna-se religião oficial
Das metrópoles europeias da época – Roma, Veneza e Gênova – não veio qualquer ajuda. Elas estavam inteiramente concentradas em suas próprias querelas, e há muito temp o império bizantino tinha deixado de ser interessante. O sultão Mehmed rebatizou o antigo centro dos cristãos ortodoxos: o que inicialmente era Bizâncio, depois Constantinopla, passou a se chamar Istambul.
A religião cristã não foi proibida, mas o islamismo tornou-se a religião oficial. Logo, os símbolos cristãos nas igrejas foram substituídos por símbolos islâmicos. E é nas igrejas que se pode, ainda hoje, buscar os resquícios daquela época.
Peter Schreiner afirma: "É na Hagia Sophia que se pode encontrar a maioria desses resquícios, pois foi a primeira a ser transformada em mesquita, logo depois da conquista pelos turcos. Nessa igreja existe ainda grande parte da ornamentação da época bizantina" .
O império otomano teve um apogeu que durou um século. E depois, durante cem anos, ele esfacelou-se paulatinamente. Com a Primeira Guerra Mundial, deixou de existir. Foi criada a moderna República da Turquia. O que permaneceu foi sua capital, cuja história registra os três nomes: Bizâncio, Constantinopla, Istambul.

Autoria Catrin Möderler (am)


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Gustavo Caso Rosendi

El verano estaba directamente relacionado
con aquellas mitocondrias.
¿Pero alguien sabía, realmente,
qué cosa era una mitocondria?.
Una verdadera mitocondria,
que se precie de tal, debería
contribuir en la energía,
en la felicidad de las personas.
¿Sería esa la verdadera causa
por la que corríamos sobre
aquel sendero que nos llevaba
a trepar los nísperos?.
Aquellos frutos, se parecían a la tarde.
Y nosotros, comiéndolos,
aprendíamos que otro sabor
existía en el mundo.
Algo indefinible. Algo que se iba.
Y de ninguna manera

podíamos alcanzar.

Quien se queda mucho consigo mismo, se envilece.
Las alturas guían, pero en las alturas.
Han dejado de engañarte, no de quererte. Y te parece que han dejado de quererte.
El mal no lo hacen todos, pero acusa a todos.
Una cosa, hasta no ser toda, es ruido, y toda, es silencio.
Las quimeras vienen solas y se van acompañadas.
El hombre, cuando sabe que es una cosa cómica, no ríe.
Te quiero como eres, pero no me digas cómo eres.
Hay sueños que necesitan reposo.
La confesión de uno humilla a todos.
Cerca de mí no hay más que lejanías.
De lo que tomo, tomo de más o de menos, no tomo lo justo. Lo justo no me sirve.
Cuando no se quiere lo imposible, no se quiere.
Convénceme, pero sin convicciones. Las convicciones ya no me convencen más.
El hombre quisiera ser un dios, sin la cruz.
Tanto universo, tanto universo para hacer funcionar un cerebro, un pobre cerebro.
Donde todos se lamentan, no se oyen lamentos.

Antonio Porchia (Conflenti, Catanzaro, Calabria, 1885- Vicente López, Buenos Aires, 1968), Antonio Porchia, Material de Lectura, Universidad Nacional Autónoma de México, México DF, 1988.


fonte :Antonio Arroyo Silva
Gustavo Caso Rosendi

Uno se lanza a escribir como si se tirara a un río.
Sólo basta una palabra para que el naufragio nos lleve al remolino.
Pero no se trata de saber nadar, sino, de saberse ahogado.

El último manotón es lo que cuenta.
Gustavo Caso Rosendi

Y llegará el día, hijo, en el que pronuncies
nuestros nombres como un bautismo de fuego.
Porque la Justicia irá creciendo desde esta panza;
se pondrá grande, alcanzará nuestra edad, y hasta la sobrepasará. Nombrará a cada víctima junto a su correspondiente asesino.
Estaremos ahí, hijo. Tu voz será más poderosa que una patada en una puerta, que un fusil, una capucha, una picana. Porque nos hemos amado para eso.
Nos hemos armado de vos.

(Para el querido poeta Julián Axat)
Gustavo Caso Rosendi

Llego a la casa. Estás en el suelo.
Te levanto, mientras recuerdo
la vieja película de Samson. Té con leche
y galletitas Lincoln. Era una tarde
lluviosa. Lucías, Lucía, un vestido floreado.
Tus uñas estaban pintadas con el tono
predominante de esas flores. ¿Rosas
chinas? ¿Anaranjadas, quizá?.
Te siento, te pongo un abrigo. Te paro;
se hace tarde. Caminamos con dificultad
de siameses en dirección al auto. Abro
la puerta y te siento. Quisiera tener
el pelo larguísimo, como antes.
Arrancamos. Recuerdo cuando
me cortabas el pelo
y yo lloraba, rabioso. Llegamos.
Alguien nos alcanza una silla de ruedas.
Te levanto y te siento. Te siento.
Esperamos. Nos atienden. Hay que seguir
ese pasillo y tomar el ascensor -sIempre
hay que seguir-.
Te levanto y te acuesto en una camilla
para los rayos x. Me acuerdo de ese
Superman entrado en quilos, al mediodía,
antes de la escuela. La máquina se mueve
y hace extraños sonidos. Vuelvo a levantarte.
Y a sentarte. Tus milanesas fueron
y serán, únicas. Iba a decirte esto,
pero callo. Una fractura. Tenés una fractura
en algún lugar, parece. No necesita
operación. Se cura sola, dijo el traumatólogo.
Pero yo no sé. Hace ya mucho tiempo que no sé.
Salimos. Te levanto y te siento.
Vuelvo a hacer lo mismo cuando, por fin,
llegamos a esa casa que era
nuestro hogar. Te beso y me voy.
Cuando tomo el camino Centenario,
acelero hasta 120 Km/h. Me acuerdo
de Meteoro y su bólido blanco;
me acuerdo del Toddy, que según vos,
me provocaba alergia. Un ojo rojo
me detiene. Miro los álamos
al costado del camino.
Un tren pasa detrás,

aullando como un viejo lobo.
"O face a face obriga a te confrontar com a diferença. Administrá-la com os sentimentos, elaborá-la. Um efeito colateral dessa dissociação é que se perdeu a vontade do trabalho 'bem feito' também nas relações. Perdemos a capacidade de nos relacionarmos com esmero." - Zygmunt Bauman

quarta-feira, 28 de maio de 2014

odes de horácio


"[...]
Prudente do futuro, ocultara um deus
o que há de vir na noite de bruma e breu
e ri se algum mortal se aflige
rumo ao nefasto. Mas tenhas calma
na lida do presente; que o mais se vai
seguindo o fluxo, ora pacífico
no seu canal ao mar Tirreno,
ora entre rochas debilitadas
que arrasta e tronco, gado, até mesmo o lar
num só tormento, e não sem algum clamor
da vizinhança em monte e bosque,
quando a feroz enxurrada irrita
as águas calmas. Há de ter mais poder,
ser mais alegre aquele que ao fim puder
dizer 'Vivi! O Pai já pode
vir pelo céu com as nuvens negras
ou puro sol, mas nunca removerá
aquelas coisas findas que ficarão,
nem poderá tornar desfeito
tudo que a fuga das horas trouxe.'
[...]"



trecho do penúltimo poema, 3.29.
fim de tese, aí vou eu.

trad : Guilherme Gontijo Flores

A relação entre literatura e guerra

A relação entre literatura e guerra é tão antiga quanto a história de cada uma destas manifestações humanas. Um dos textos fundadores da Literatura Ocidental é o relato de uma guerra: A Ilíada, de Homero. Em textos ainda mais antigos que sobreviveram a guerras posteriores – nas quais tudo se queimou, de casas a bibliotecas – escritores celebraram vitórias ou lamentaram derrotas. É o caso de Lamento pela Destruição de Ur, escrito há quatro mil anos e que descreve a devastação de uma das mais antigas cidades do mundo durante uma invasão estrangeira.

O papel do poeta épico era cantar as glórias de sua nação. São conhecidas as histórias de reis que levavam poetas a guerras para que seus feitos fossem imortalizados. No caso de derrotas, os poetas muitas vezes transformavam os acontecimentos em mitos de coragem e bravura, propagandas militaristas de caráter patriótico. No poema The Charge of the Light Brigade, de Alfred Tennyson, por exemplo, o massacre da cavalaria britânica numa batalha da Guerra da Crimeia é alçado a mito.

Essa relação cultural com o caráter bélico de impérios ainda era muito forte no início do século 20, e não foram poucos os autores que se lançaram à Primeira Guerra Mundial com fervor literário e patriótico. É o caso dos poetas britânicos Rupert Brooke e Siegfried Sassoon, do francês Guillaume Apollinaire e do alemão Ernst Stadler, que morreriam no conflito ou por ferimentos decorrentes dele. O filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein, então em Oxford, partiria para as trincheiras acreditando que elas "fariam dele um homem". Era o tempo dos futuristas, que celebravam a guerra como a grande higiene do mundo.
Escrevendo em plena guerra

Nos poemas de Siegfried Sassoon, há uma transformação clara. Seus versos, que foram, desde o princípio, contra a percepção pública do conflito, influenciaram o grande poeta britânico da Primeira Guerra Wilfred Owen. Poemas seus como Dulce et Decorum Est e Anthem for Doomed Youth permanecem como monumentos contra aqueles crimes de megalomania imperial. Owen morreu em novembro de 1918, apenas uma semana antes do armistício.

Outros autores ingleses importantes foram Isaac Rosenberg – que morreu numa batalha também em 1918 e nos deixou textos assombrosos sobre a vida nas trincheiras –, e também Yvor Gurney e David Jones. Uma figura nem sempre associada ao conflito, por ter lutado na África, fez, no entanto, de parte de suas memórias da Primeira Guerra um dos mais conhecidos livros que relatam acontecimentos do período: T.E. Lawrence, o Lawrence da Arábia, e seu Sete Pilares da Sabedoria, publicado em 1922.

Entre os escritores germânicos, a guerra tornou-se a confirmação das profecias de destruição e apocalipse que os autores expressionistas vinham compondo há alguns anos. Gottfried Benn, que serviu na guerra como médico, havia publicado em 1912 seu primeiro livro, intitulado Morgue (Necrotério).

 poetas que lutaram e escreveram de forma desiludida durante o conflito
o austríaco Georg Trakl, também médico e que se suicidou em 1914, e ainda os alemães Ernst Stadler, Alfred Lichtenstein, August Stramm e Kurd Adler, todos mortos entre 1914 e 1916. Dos romances alemães sobre a Primeira Guerra Mundial, o mais conhecido é sem dúvida Im Westen nichts Neues (Nada de novo no front, 1929), de Erich Maria Remarque, que captura a transformação do entusiasmo juvenil de muitos soldados desiludidos com a realidade da guerra.

Em Zurique, os alemães Hugo Ball, Emmy Hennings, Walter Serner e Hans Arp lançaram sua campanha antimilitarista e suas críticas veementes à cultura bélica alemã em meio ao Cabaret Voltaire e ao Dadaísmo. Ludwig Wittgenstein levou à batalha o manuscrito de seu Tractatus Logico-Philosophicus. O texto, projetado inicialmente como um ensaio sobre lógica, ganharia seus questionamentos sobre a natureza do místico e de Deus durante a guerra e seus horrores, escreve a crítica norte-americana Marjorie Perloff no livro Wittgenstein´s Ladder, baseado na biografia monumental de Ray Monk para o pensador austríaco. 
Também neste clima de destruição, mesmo que longe dos campos de batalha, um dos maiores escritores do século 20 produziria textos como A metamorfose e O Processo: Franz Kafka.

O impacto pós-guerra e sua literatura
Muitos historiadores argumentam hoje que não se pode mais falar em Primeira e Segunda Guerra Mundial, mas numa única Grande Guerra. As consequências do conflito entre 1914 e 1918 foram sentidas para além dele. Na Guerra Civil decorrente da Revolução Russa de 1917, por exemplo, um batalhão de refugiados entraria, em muitos casos, numa Alemanha devastada pela guerra e pelas reparações impostas pelo Tratado de Versalhes.


As conturbações políticas da República de Weimar, que logo desembocariam no Regime Nazista e na Segunda Guerra, foram muito bem retratadas no grande romance alemão do período, Berlin Alexanderplatz (1929), de Alfred Döblin, e no trabalho de expressionistas que sobreviveram à Primeira Guerra, como Bertolt Brecht. A morte de vários expoentes das vanguardas europeias durante o conflito teria consequências drásticas para a arte do período entreguerras.

Deutsche Welle
 “A pessoa que sou é única, limitada a um nascer e a um morrer, presente a si mesma e que só à sua face é verdadeira, é autêntica, decide em verdade a autenticidade de tudo quanto realizar. Assim a sua solidão, que persiste sempre talvez como pano de fundo em toda a comunicação, em toda a comunhão, não é 'isolamento'. Porque o isolamento implica um corte com os outros; a solidão implica apenas que toda a voz que a exprima não é puramente uma voz da rua, mas uma voz que ressoa no silêncio final, uma voz que fala do mais fundo de si, que está certa entre os homens como em face do homem só. O isolamento corta com os homens: a solidão não corta com o homem. A voz da solidão difere da voz fácil da fraternidade fácil em ser mais profunda e em estar prevenida."

Virgílio Ferreira

O Estado Novo em Portugal

Em 28 de Maio de 1926, pôs fim à Primeira República portuguesa e implantou a ditadura, que trouxe Salazar e O Estado Novo.
A revolução começou em Braga, comandada pelo general Gomes da Costa, sendo seguida de imediato em outras cidades como Porto, Lisboa, Évora, Coimbra e Santarém. Consumado o triunfo do movimento, a 6 de Junho de 1926, na Avenida da Liberdade, em Lisboa, Gomes da Costa desfila à frente de 13 mil homens, sendo aclamado pelo povo da capital.

Depois de 18 anos anos de uma república atribulada, com governos a sucederem-se a um ritmo alucinante (23 ministérios entre 1920 a 1926), a Primeira Guerra, que foi um desastre para os portugueses e uma grande crise económica.

fonte Marisa Soveral
«PERSONA NON GRATA»

Henry Alfred Kissinger (nascido Heinz Alfred Kissinger; Fürth, 27 de Maio de 1923) diplomata americano, de origem judaica, que teve um papel importante na política estrangeira dos Estados Unidos entre 1968 e 1976.
Kissinger foi conselheiro para a política estrangeira de todos os presidentes dos EUA de Eisenhower a Gerald Ford, sendo o secretário de Estado dos Estados Unidos, conselheiro político e confidente de Richard Nixon.
Em 1973 ganhou, com Le Duc Tho, o Prêmio Nobel da Paz, pelo seu papel na obtenção do acordo de cessar-fogo na Guerra do Vietname. Le Duc Tho recusou o prémio.
Ainda hoje é uma figura polémica e controversa, alguns dos críticos de Kissinger acusam-no de ter cometido crimes de guerra durante a sua longa estadia no governo como dar luz verde para a invasão indonésia de Timor (1975) e a golpes de estado no Chile e no Uruguai (1973). Kissinger usava de uma política tortuosa, em que parecia jogar com um "pau de dois bicos". Apesar de essas alegações ainda não terem sido provadas em uma corte de justiça, considera-se perigoso para Kissinger entrar em diversos países da Europa e da América do Sul.


João Calvino


João Calvino (Noyon, 10 de Julho de 1509 — Genebra, 27 de Maio de 1564,) teólogo cristão francês. Calvino teve uma influência muito grande durante a Reforma Protestante, uma influência que continua até hoje. Esta variante do Protestantismo viria a ser bem sucedida em países como a Suíça (país de origem), Países Baixos, África do Sul (entre os africânderes),Inglaterra, Escócia e Estados Unidos.
Calvino foi inicialmente um humanista. Nunca foi ordenado sacerdote. Depois do seu afastamento da Igreja católica, este intelectual começou a ser visto, gradualmente, como a voz do movimento protestante, pregando em igrejas e acabando por ser reconhecido por muitos como "padre". Vítima das perseguições aos protestantes na França, fugiu para Genebra, onde faleceu em 1564. Genebra tornou-se definitivamente num centro do protestantismo Europeu e João Calvino permanece até hoje uma figura central da história da cidade e da Suíça .
Martinho Lutero escreveu as suas 95 teses em 1517, quando Calvino tinha oito anos de idade. Lutero era dotado de uma retórica mais directa, por vezes grosseira, enquanto que Calvino tinha um estilo de pensamento mais refinado, de uma severidade clássica, que se identifica pela clareza do estilo.


GRANDE DAMA DE LÍNGUA AFIADÍSSIMA



Maria da Conceição Tavares sobre o Brasil

"Há avanço social, mas ele não conta para essa classe média. É verdade que ela não tem sofrido de desemprego. Mas, vendo os pobres se aproximarem da sua condição, ela tem a impressão de que está estagnada, decadente, perdendo posição relativa.

No fundo, estava acostumada a ser elite, e, quando vê os pobres subindo e sendo valorizados com exclusividade pelo discurso do governo, ao mesmo tempo em que ela perde o peso decisório, começa a se achar enxovalhada.

E, aí, a imprensa conservadora surfa. Ela não dá destaque a essas melhorias sociais. Publica quando não pode deixar de publicar, mas não dá destaque! Então, essa classe média, que o PT chama de udenista, se junta com essa grande imprensa.

Só que eles perdem a eleição de novo, o que só aumenta a sua irritação. É uma retórica que mistura preconceito, reacionarismo, incômodo com a manutenção de não ter alternância na marra, de postergação de seus interesses e de sua visão de mundo."

http://www.insightinteligencia.com.br/64/PDFs/pdf1.pdf



dica de Mescla Notícias

Contrastes


Ismael Silva

Existe muita tristeza
Na rua da alegria
Existe muita desordem
Na rua da harmonia

Analisando essa estória
Cada vez mais me embaraço
Quanto mais longe do circo
Mais eu encontro palhaço

Cada vez mais me embaraço
Analisando essa estória
Existe muito fracasso
Dentro do largo da Glória

Analisando essa estória
Cada vez mais me embaraço
Quanto mais longe do circo
Mais eu encontro palhaço


СОНЕТ
Переживи всех.
Переживи вновь,
Словно ониснег,
Пляшущий снег снов.
Переживи углы.
Переживи углом.
Перевяжи узлы
Между добром и злом.
Но переживи миг.
И переживи век.
Переживи крик.
Переживи смех.
Переживи стих.
Переживи всех.
Иосиф Бродский

SONETO

a experiência de todos.
Experimente outra vez, como se eles estão dançando, neve neve neve.
Experimente os cantos.
Canto de experiência.
Bandagem nós entre o bem e o mal.
Mas o MiG experiência.
Experiência e idade.
O grito de experiência.
Experiência do riso.
O verso de experiência.
Experiência de todos.


Joseph Brodsky 

Rainha Vitória


Vitória (Londres, 24 de Maio de 1819 – East Cowes, 22 de Janeiro de 1901), oriunda da Casa de Hanôver, foi rainha do Reino Unido de 1837 até a morte, sucedendo ao tio, o rei Guilherme IV. A incorporação da Índia ao Império Britânico em 1877 conferiu a Vitória o título de Imperatriz da Índia.
Vitória era filha do príncipe Eduardo, Duque de Kent e Strathearn, o quarto filho do rei Jorge III. Tanto o Duque de Kent como o rei morreram em 1820, fazendo com que Vitória fosse criada sob a supervisão da sua mãe alemã, a princesa Vitória de Saxe-Coburgo-Saalfeld.
Herdou o trono aos dezoito anos, depois de os três tios paternos terem morrido sem descendência legítima. O Reino Unido era já uma monarquia constitucional estabelecida, na qual o soberano tinha relativamente poucos poderes políticos directos. Em privado, Vitória tentou influenciar o governo e a nomeação de ministros. Em público tornou-se um ícone nacional e a figura que encarnava o modelo de valores rigorosos e moral pessoal.
Casou-se com o seu primo direito, o príncipe Alberto de Saxe-Coburgo-Gota, em 1840. Os seus nove filhos e vinte e seis dos seus quarenta e dois netos casaram-se com outros membros da realeza e famílias nobres por todo o continente europeu, unindo-as entre si, o que lhe valeu a alcunha de "a avó da Europa".
Após a morte de Alberto em 1861, Vitória entrou num período de luto profundo durante o qual evitou aparecer em público. Como resultado do seu isolamento, o republicanismo ganhou força durante algum tempo, mas na segunda metade do seu reinado, a popularidade da rainha voltou a aumentar.

O seu reinado de 63 anos e 7 meses foi o mais longo, até à data, da história do Reino Unido e ficou conhecido como a Era Vitoriana. Foi um período de mudança industrial, cultural, política, científica e militar e ficou marcado pela expansão do Império Britânico.

O TERRORISTA, ELE OBSERVA


A bomba vai explodir no bar às treze e vinte.
Agora são só treze e dezesseis.
Alguns ainda terão tempo de entrar.
Alguns de sair.
O terrorista já cruzou para o outro lado da rua.
A distância o protege de qualquer perigo
e a vista, bom, é como no cinema:
Uma mulher de casaco amarelo, ela entra.
Um homem de óculos escuros, ele sai.
Uns jovens de jeans, eles conversam.
Treze e dezessete e quatro segundos.
Aquele cara mais baixo tem sorte, sai de lambreta,
Aquele mais alto entra.
Treze e dezessete e quarenta segundos.
Uma moça, ela passa com uma fita verde no cabelo.
Só que o ônibus a encobre de repente.
Treze e dezoito.
A moça sumiu.
Se foi tola de entrar ou não
vai se saber quando os carregarem para fora.
Treze e dezenove.
Parece que ninguém mais entra.
Aliás, um gordo careca sai.
Remexe os bolsos como se procurasse algo
e faltando dez segundos para as treze e vinte
volta para buscar a droga das luvas que perdeu.
São treze e vinte.
O tempo, como ele voa.
Deve ser agora.
Ainda não.
É agora.
A bomba, ela explode.
Wislawa Szymborska

Poeta polonesa, traduzida por Regina Przybycien

Poema publicado na revista Coyote #18

Quem estiver procurando este e outros números da revista encontra aqui:

http://www.zonabranca.com.br/?page_id=297

''Confesso que, de minha parte, acho-a uma delícia. Adoro imensamente a democracia. Ela é incomparavelmente idiota e, por isto, tão divertida. Ela não exalta os parvos, os covardes, os oportunistas, os pilantras e os blefes? Sim, mas a tortura de vê-los subir na vida é compensada pela alegria de vê-los cair do galho. A democracia não é perdulária, extravagante e desonesta? É, como qualquer outra forma de governo: todas são inimigas dos homens decentes. Não são os velhacos que a dirigem? Sim, mas temos suportado esta velhacaria desde 1776 e continuamos sobrevivendo. A longo prazo, pode ser que que a velhacaria seja uma necessidade inerradicável de qualquer governo e até da própria civilização - ou que, no fundo, a civilização não passa de um colossal calote. Não sei. Só sei que, quando os sangue-sugas estão se dando bem, o espetáculo fica hilariante. Mas talvez eu seja um homem malicioso: quando se trata de sangue-sugas, minha simpatia por eles tende a ser tímida. O que me intriga é como um homem que é a favor deles e se sente como eles pode acreditar em democracia, e até se compadece quando os vê expostos como um bando de sacanas. Como um homem que é sinceramente democrata pode ser democrata?''
__H. L. Mencken; O Livro dos insultos.



Cuando el ahogo venía
él me visitaba, con su cara
ya gastada, irreconocible.
"Soy yo, no te asustes"
decía, mientras acariciaba
mi pelo transpirado.
Pero la bronca de los bronquios
no se apaciguaba.
-Existe una estrecha relación
entre la persona asmática
y lo injusto.-
Cuando al fin pude decirle
de que no volviera,
que las cosas eran así;
que aprendería a ser,
más o menos, un buen padre,
él ya no vino más.
Hasta que llegó el día
en que pude conocerlo.
"Soy yo, no te asustes"
le dije
acariciándole el pelo de la foto.
Un viento fresquísimo
atravesó el pinar

y sopló en la piedra.

Gustavo Caso Rosendi

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Henrik Johan Ibsen

Henrik Johan Ibsen (Skien, 20 de Março de 1828 — Cristiânia, 23 de Maio de 1906) dramaturgo norueguês, considerado um dos criadores do teatro realista moderno. Foi o maior dramaturgo norueguês do Século XIX. Foi também poeta e director teatral, sendo considerado um dos fundadores do modernismo no teatro . Entre os seus maiores trabalhos destacam-se Brand, Peer Gynt, Um Inimigo do Povo, Imperador e Galileu, Casa de Bonecas, Hedda Gabler, Espectros, O Pato Selvagem e Rosmersholm.

Marisa Soveral

NADA RETIENE BAJO SU LUZ



Ningún camino me pertenece
ni yo soy suyo para nada. ¿Quién atesora
migraciones de nubes a la orilla del viento?
Abro los días por la puerta del mar
y en las corrientes planto mi casa, bebo
los torbellinos.
La luna me comprende con estaciones de intimidad
y luego vamos cada quien, ella creciendo
con mi lumbre por dentro, yo con la capa
de los jinetes a pleno sueño.
Ondulaciones en la hierba, sé sus andanzas
de lluvia o sol, y el vencimiento de los árboles
muertos por hacha, y el corazón
abierto de las piedras.
Nada retiene bajo su luz, y así mi abrazo
rodea las cinturas de las espumas
y cuando nazco de raíz pienso en el aire
y el horizonte sobre mi mano.
Se me vuelve un tesoro
los días del universo.
Sus regalos destellan
por el instante de mi voz
y pronuncio la fuga de las arenas en mi puño
con júbilo las estrellas

y hago silencio.


ELEAZAR LEÓN (VENEZUELA, 1946-2009)
É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!
Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.
Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo.

"Fernando Pessoa"

EU E UMA VELHA NEGRA LUXURIOSA


Anos atrás uma haitiana
durante uma consulta de vudu
em Guantánamo
disse que voava sobre minha casa
através das noites
em forma de coruja
E assim foi
a partir daquele dia
ao longo de muitos anos
uma coruja sobrevoava minha casa
cantava tetricamente
e seguia voando apressada
Também começaram a aparecer extraterrestres
que durante as noites banhavam-se no mar em frente de casa
De vez em quando invadiam meu quarto
e a sala da vizinha
Até apareceu um deles
com o corpo de mexicano de Sonora
Nessa época descobri que minha mulher
Era uma bêbada insaciável e belicosa
e que eu também era um bêbado violento
com paixão assassina até às balas e punhais
Também descobri que não gosto de Shakespeare
e nada que seja canônico ou sirva de modelo
Detesto os teóricos da literatura
com suas normas e classificações bem ordenadas
Muito menos suporto a vida de casado
nem os governos autoritários e repressores
nem as sessões dos Alcoólicos Anônimos
Descobri que a vida é perigosa
quando se tem princípios próprios
sobretudo
quando se tem princípios próprios demais
e que minha geração sobrevive
agarrada ao desencanto e à fúria
e o melhor que se pode fazer é distanciar-se de tudo
e viver
numa pequena casa de frente para o mar
Uma casinha de madeira
onde o vento assobie pelas frestas
acompanhado de uma negra velha e luxuriosa
pervertida e desenfreada
Assim poderia chegar a um final aceitável
(nem pensar num final feliz)
De frente para o mar
com uma negra velha
suja e meio louca
como eu.
Pedro Juan Gutiérrez

poeta e escritor cubano
traduzido por Marcos Losnak
Poema publicado na revista Coyote #5
Quem estiver procurando este e outros números da revista encontra aqui:

ABISMO


Não vejo a flor. A flor exala perfume. O perfume desabrocha. Ali eu cavo a minha cova. Também não vejo a cova. Dentro da cova que não vejo sento-me. Deito-me. Novamente a flor exala perfume. A flor, não a vejo. O perfume desabrocha. Esqueço e mais uma vez cavo a minha cova ali. Não vejo a cova. Entro na cova que não vejo esquecendo-me da flor por um lapso. Deito-me de verdade. Aaah. Novamente a flor exala perfume. A flor que nem vejo, a flor que nem vejo.

Yi Sang
Poeta coreano, traduzido por Yun Jung Im
Poema publicado na revista Coyote #8
Quem estiver procurando este e outros números da revista encontra aqui:


VIDA EM RETIRO : ÚLTIMO OUTONO


lugar ermo : nenhuma pegada
de poucos me despeço : na entrada
dedos do poente : medito a sós
o coração rebrota : degustando a paz
jardim pleno : sem varrer : outono
na mão sopeso : galho de glicínias
em retiro : tantas folhas secas
piso minhas lembranças : ecos amarelos

Po Chü-i
tradução de Maurício Arruda Mendonça

na revista Coyote #5.

y el mundo--
qué sería del mundo
sin la naranja
que abajo le llora entre los eucaliptos
qué sería del mundo
sin que estés corriendo la cortina
para decirle adiós
y contigo se vaya a destejer el hilo
de los estambres
una noche cualquiera

©Antonio Arroyo Silva
III
Te fuiste con la niebla a engañar a tus ojos
buscando otra mirada.
Te fuiste con la luz a cazar mariposas
y cazaste tus ojos.
Felonía de ser: asumir el fulgor:
renegar de la sombra.

Antonio Arroyo Silva 

Caballo de la luz, El Vigía Editora, Santa Cruz de Tenerife, 2010.
Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma tranquilidade lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.
- Álvaro de Campos [Heterônimo de Fernando Pessoa], (escrito em 24.06.1935), In Poesia, Assírio e Alvim, ed. Teresa Rita Lopes, 2002.
http://www.elfikurten.com.br/2013/01/fernando-pessoa-o-poeta-de-multiplos-eus_30.html

I love a Russian birch

I love a Russian birch.
Sometimes she's light,
but at other times she's sad.
In the white sundress,
kerchiefs in her pockets,
with beautiful clasps
and green earrings.
I love her standing over the river
in her festive mantle.
Sometimes she is bright and exuberant;
sometimes she's sad and crying.
I love the Russian birch.
She's always with her girlfriends
dancing in the spring
and kissing, as it happens.
She goes to where she'd want to
and sings at places nobody else does.
In the wind, she bows to her feet,
and bends, but does not break!


Alexander Prokofiev (1900 — 1971)

domingo, 18 de maio de 2014



¿Te acordás cuando me decías
que el río era muy peligroso
mientras yo me tiraba en ese pozón
y me aguantaba tanto ahí abajo
que te llevaba a pensar que no saldría
y vos mirabas hacia todos los lados
del remolino y te desesperabas
como si mi actitud hiciera de algún modo
de que nunca hubieras sido madre
más que de una espuma amarillenta
que se iba disolviendo en la corriente?
¿Y te acordás, mamá, cuando salía
como un pez que nunca antes nadie
hubiera visto y mis escamas de sol
reflejaban tu belleza
y vos te veías maquillada por el sauce
y eras tan feliz porque
no me habías perdido?
¿Te acordás, mamá,
cuando ibas en busca de una toalla
y me envolvías?


Gustavo Caso Rosendi


Quem nos ouvisse

"Quem nos ouvisse


"Seria preciso dizer que, no limite, um escritor escreve para os leitores, ou seja, "para uso de", "dirigido a". Um escritor escreve "para uso dos leitores". Mas o escritor também escreve pelos não-leitores, ou seja, "no lugar de" e não "para uso de". Escreve-se pois "para uso de" e "no lugar de". Artaud escreveu páginas que todo mundo conhece. "Escrevo pelos analfabetos, pelos idiotas". Faulkner escreve pelos idiotas. Ou seja, não para os idiotas, os analfabetos, para que os idiotas, os analfabetos o leiam, mas no lugar dos analfabetos, dos idiotas. "Escrevo no lugar dos selvagens, escrevo no lugar dos bichos". O que isso quer dizer? Por que se diz uma coisa dessas? "Escrevo no lugar dos analfabetos, dos idiotas, dos bichos".
É isso que se faz, literalmente, quando se escreve. Quando se escreve, não se trata de história privada. São realmente uns imbecis. É a abominação, a mediocridade literária de todos as épocas, mas, em particular, atualmente, que faz com que se acredite que para fazer um romance, basta uma historinha privada, sua historinha privada, sua avó que morreu de câncer, sua história de amor, e então se faz um romance. É uma vergonha dizer coisas desse tipo. Escrever não é assunto privado de alguém. É se lançar, realmente, em uma história universal e seja o romance ou a filosofia, e o que isso quer dizer...
É escrever "para" e "pelo", ou seja, "para uso de" e "no lugar de". É o que disse em Mil platôs, sobre Chandos e Hofmannsthal: "O escritor é um bruxo, pois vive o animal como a única população frente à qual é responsável".
É isso. É por uma razão simples, acredito que seja bem simples. Não é uma declaração literária a que você leu de Hofmannsthal. É outra coisa. Escrever é, necessariamente, forçar a linguagem, a sintaxe, porque a linguagem é a sintaxe, forçar a sintaxe até um certo limite, limite que se pode exprimir de várias maneiras. É tanto o limite que separa a linguagem do silêncio, quanto o limite que separa a linguagem da música, que separa a linguagem de algo que seria... o piar, o piar doloroso.
CP: Mas de jeito algum o latido?

GD: Não, o latido não. E, quem sabe, poderia haver um escritor que conseguisse. O piar doloroso, todos dizem, bem, sim, Kafka. Kafka é A metamorfose, o gerente que grita: "ouviram, parece um animal". Piar doloroso de Gregor ou o povo dos camundongos, Kafka escreveu pelo povo dos camundongos, pelo povo dos ratos que morrem." (Gilles Deleuze)

sexta-feira, 16 de maio de 2014

COXINHA

COXINHA= (s.m) gente que está se iniciando em preocupações políticas e protesta indignadamente contra tudo o que está aí no mundo, mas manifesta objetivos demasiadamente vagos e desprovidos de qualquer meta e método, acredita e replica tudo o que a mídia (e os liberal-conservadores veteranos) afirmam, crê em soluções “mágicas” rápidas e fáceis para problemas historicamente profundos e deixa sua “politização” ser guiada pela emoção, e ainda está em dúvida sobre se existem ou não opiniões neutras, tem uma dificuldade imensa de entender o que é preconceito e adora humor do tipo retaliação.
Inspirado em consciencia.blog.br Achei essa parte do coxinha importante no texto, não concordo com tudo, mas fica a dúvida.

Louise Nazareno

quarta-feira, 7 de maio de 2014

LA SIERVA


Ella arrojó lejos su azada
y avanzó hacia él diciendo:
no derroches demasiados años en la piedra inconmovible de tu obstinación.
Demórate alguna vez con mi corazón en el rocio y escucha al zorzal y al cuchillo.
Pronto nos encontrará el sol del crepúsculo lo suficientemente viejos
para que lo sigamos para siempre cuando se acuesta detrás de las colinas.



Harry Martinson (Jämshög, 6 de Maio de 1904 – Estocolmo, 11 de Fevereiro de 1978), escritor e poeta sueco, originário da província de Blekinge no sudeste da Suécia.

naufrágio

naufrágio
esta ilha:
um peito oco
cheio de ecos
impassível
ante nossos ais
o horizonte
nos desaprende
aturdida
confias aos peixes
pormenores
de tuas reinações
há outonos
ornando lírios
em nossos fios
damascos de jaspe
ruborizando
nossos mantos
mas ninguém ouvirá
a desolação
de nossos ossos
e é musgo
o que nos cobre

as têmporas.

Camillo José.4 de maio  · Recife ·

sábado, 3 de maio de 2014

Ponderações sobre um fratrícidio eslavo

Aqui no Paraná a comunidade (seus voceros intelectuais e políticos e a militância cultural é pró EuroMaidan)passam por cima do direito internacional porque internalizaram uma russofobia e citam o Holodmor como genocídio perpetrado pelos russos contra os ucranianos além dos crimes dos bolsheviques russos contra as famílias , a religião e a propriedade ucranianas.n alguns hão vêem os ucranianos dessas regiões como ucranianos e sim russos ucranianos ou o que é pior ucranianos russificados.A independência deu aos partidários do ocidente (as áreas que no passado pertenceram a Polônia e Áustria-Hungria) livrarem-se dos russos e reeducar os russificados com doses cavalares de nacionalismo (fazendo releituras da participação de colaboracionistas no período 41-45).vai piorar muito antes de melhorar e as provocações (para engolfar a Rússia no conflito ) também .Incrível mas os republicanos parecem ser mais sensatos com sua Realpolitik .A guerra matará a paz? Penso que se os eua não precisar mandar seus soldados corre-se o risco do Fratrícidio acontecer...Quero estar errado.


 Não é só o "imperialismo russo" essa é uma leitura simplista . O Território da moderna Ucrania faz parte das entranhas da alma russa. está no inconsciente coletivo russo também . parte indissociável de sua própria identidade eslava . E isso não é discurso pan-eslavista do século xix .Como separar o sangue ucraniano derramado pela Rússia sendo a Rússia maior que o povo russo ?Das guerras contra os tártaros, os turcos , os teutônicos,os poloneses,suecos, franceses e alemães ucranianos se bateram ao lado de russos e de outros povos eslavos contra os invasores.E agora querem reescrever em suas faculdades com a tinta do ódio e do revanchismo o período em que não só a Ucrania mas toda a Rússia sofreu sob as ações brutais de Stálin e mesmo antes dele com a situação de guerra civil e intervenções estrangeiras que pretendiam estrangular o comunismo de comunistas não só russos mas também ucranianos ? A paz e a concórdia , diálogo e fraternidade não os olhos rubros de sangue russo ou ucraniano nas estepes pois o sangue beberá sem distinção se é russo, russificado ou ucraniano pró ocidental. irmãos eslavos, paz .E cuidado .Como dizia aquele velho judeu : "Quando dois brigam sempre tem um terceiro para roubar os dois ".E não é a Rússia nem a Ucrânia.O que interessa é que não derramem sangue do povo para que vermes banqueiros em Berlin ,Washington enriqueçam .Os trabalhadores , as pessoas comuns ucranianas assistiram a que peça de teatro .Morreram pessoas de uma mesma família , uma contra as outras e os ladrões antigos ,os gatunos apareceram com novas roupagens e viajaram mais à Paris e Viena com suas contas nos paraísos fiscais . E quando sem emprego os ucranianos tentarem a sorte em Berlin ou outra terra prometida da União européia serão tratados como cães como o são romenos e búlgaros , isso se escaparem dos skins.Bom esses que eu sitei em sua maioria eram ciganos vindos desses países . Essa aposta , que serão integrados plenamente como europeus que são será subsidiado com os empregos e os horizontes cada vez mais estreitos da juventude desses nativos da Dourada Sampa européia . Bem vindo retirantes da Fronteira da civilização. Quem tem sangue nordestino sabe o garrote do preconceito agora os orgulhosos ucranianos russofobos poderão sentir na Bem Amada e rica União Européia.Claro que estou errado .

Wilson Roberto Nogueira

ESQUERDA E DIREITA DIANTE DA ÉTICA CONTEMPORÂNEA


Livro recente sugere: mesmo torturadores, ou especuladores financeiros, precisam amparar-se em valores considerados legítimos. Alguns destes ainda reforçam obediência, autoridade e tradição religiosa
Por Ladislau Dowbor
http://wp.me/p15fon-5rd



Homem chora sentado sobre escombros do incêndio que ocorreu em Odessa na sexta-feira. No pescoço, ele carrega uma medalha de São Jorge, símbolo associado aos protestos pró-Rússia na UcrâniaGleb Garanich / Reuters

Tarás Chevtchenko, o Poeta da Ucrânia

Poesia

Tarás Chevtchenko, o Poeta da Ucrânia

Redação e coautoria de Mariano Czaikowski. Edição independente, 162 págs., R$ 40. Vendas pelo telefone (41) 3335-1220.

“É-me Indiferente”

Já não me importa... É-me indiferente

Que eu morra na Ucrânia, ou algures,

Que alguém me lembre, ou olvide

Sozinho entre as neves do exílio,

Aí, não me importa, não me importa!

Cresci no exílio, como escravo,

Pois, exilado morrerei

E tudo levarei comigo.

Não deixo nem um rasto leve

Em nossa Ucrânia tão gloriosa,

Em nossa pátria escravizada.

Não lembrará o pai ao filho,

Não lhe dirá: “Aí, reze, filho,

Pois, pelo amor que teve à Ucrânia,

Outrora, foi sacrificado...”

E não me importa que esse filho

Reze, ou não reze por min´alma.

O que me dói é que homens maus

A Ucrânia embalam, com mentiras

E um dia acorde, o incêndio e o roubo.

Aí, isso, sim é que me importa!

Tradução: Wira Selanski e Helena Kolody.

Foi mais do que oportuna a publicação de Tarás Chevtchenko, o Poeta da Ucrânia neste ano de seu bicentenário de nascimento – que coincidiu com o tenso momento por que passa seu país, dividido entre as influências europeia e russa.

O poeta, morto em 1861, é considerado o autor e pintor inaugural de um nacionalismo realista ucraniano, escrevendo em sua língua materna numa época de opressão pelos czares russos. Conforme o relato apresentado pelo livro, seus escritos ajudaram a resgatar o sentimento nacional entre camponeses reduzidos a servos de glebas doadas a amigos do império. Em Curitiba, o símbolo de sua relevância entre imigrantes é a grande estátua dedicada ao artista, situada na Praça da Ucrânia.

“Tudo o que ele sofreu e pregou hoje está sendo um manual de atuação do verdadeiro patriota ucraniano”, emociona-se Mariano Chevtchenko, organizador da obra que integra a terceira geração de ucranianos no Paraná. “Temos que lutar e não aceitar a dominação. Estão querendo oprimir um país, então, precisa de tudo aquilo de novo.”

“Leiam Chevtchenko, pois lá está criada para vocês a completa revelação, história e alma do povo ucraniano. E enquanto nosso povo estiver lutando pela sua libertação, até então esse filho de servos estará diante dos nossos olhos”, escreveu Vassyl Stefanyk, escritor ucraniano morto em 1936.

A dedicação de Chev­tchenko à luta pela liberdade do país lhe custou caro. Preso em posse de manuscritos em que insultava a família do czar e pregava a revolução armada, foi enviado ao exílio na cidade de Orenburg, na Rússia, por dez anos. Pior do que as tarefas humilhantes a que era submetido, a proibição de escrever e pintar, sua expressão artística inicial, foi o mais duro de enfrentar.

Poemas

A relação entre a vida e a obra de Chevtchenko é o cerne da obra recentemente publicada, que reúne textos editados anteriormente, agora numa só edição, pela primeira vez bilíngue, feita por iniciativa da Representação Central Ucraniano-Brasileira. Dividido em três partes, o livro traz uma biografia (escrita por Mariano Czaikowski), um ensaio sobre a relação do poeta ucraniano com a obra do brasileiro Castro Alves e poemas traduzidos por Wira Selanski em parceria com a poeta Helena Kolody (1912-2004), que versificou a obra. Helena contava, em suas memórias de família, que um dos livros de cabeceira da mãe era de poesias de Chevtchenko.

Os onze poemas apresentados no livro foram escritos entre 1837 e 1861 e reúnem trabalhos nacionalistas românticos, criados em São Petersburgo; realistas; marcados pelo exílio de dez anos e, no final da vida do poeta, escritos de uma fase lírica.

Ainda que em algumas poesias ele exalte as belezas naturais de seu país e a infância simples, a maior parte é dedicada à revolta contra a opressão. O poeta faz isso usando, com frequência, narrativas – pequenas histórias que ele conta nos versos retrabalhados em português por Helena Kolody.

Há espaço ainda para temas realistas classificados como comédia: “E eu, boa gente?/ Dia e noite só festejo/ Triste ou contente./ As censuras não me atingem/ Ergo o copo cheio,/ Pois eu bebo o próprio sangue/ Não sangue alheio”.


DESTERRADOS

HISTÓRIA


Os exilados da Sibéria brasileira
Após as revoltas da Vacina e da Chibata, no início do século 20, milhares de “criminosos” foram banidos do Rio e enviados ao Acre

Publicado em 03/05/2014 | DIEGO ANTONELLI

Mais de duas mil pessoas tiveram suas vidas profundamente alteradas pelo governo brasileiro durante as revoltas da Vacina (1904) e da Chibata (1910). Desterrados, ou seja, banidos à revelia do Rio de Janeiro para o Acre, muitos desses exilados foram tachados de criminosos políticos, apesar de não existir condenação judicial alguma. Foi assim que crianças, mulheres e homens pobres se viram ao léu a mais de quatro mil quilômetros de distância de sua terra natal.

A pesquisa sobre o tema é do historiador da Universidade Federal do Acre (UFAC) Francisco Bento da Silva, que realizou uma tese de doutorado sobre o assunto pela Universidade Federal do Paraná em 2010 e, no ano passado, lançou o livro Acre, a Sibéria Tropical. Ele conta que, nos dois casos (1904 e 1910), a motivação para a expulsão dessas pessoas das terras fluminenses envolviam variáveis complexas.

TRATADO

O estado do Acre virou parte do Brasil em 1903, quando foi assinado o Tratado de Petrópolis com a Bolívia. Mesmo quando ainda pertencia ao país vizinho, a região já vinha sendo ocupada paulatinamente por brasileiros. O território era rico em borracha natural, isolado e vazio demograficamente.

PESQUISA

O historiador Francisco Bento da Silva relata que teve um primeiro contato mais efetivo com a história dos desterrados quando em um jornal antigo do Acre leu uma matéria falando sobre a chegada de “quebra lampiões” (outro termo genérico para se referir aos revoltosos) na região. “Em 2004, ocorreu um boom de publicações e matérias sobre a Revolta da Vacina, que de maneira muito simplificada falavam de pessoas desterradas para o Acre. Passei então a pesquisar cada vez mais sobre o assunto”. Em 2013, ele adaptou a tese de doutorado para o livro Acre, a Sibéria tropical. Informações chicobento_ac@yahoo.com.br.

REPÚBLICA

Governo autoritário anistiou só “gente graúda”

O pesquisador Francisco Bento da Silva afirma que o autoritarismo foi uma marca muito presente durante a Primeira República no Brasil, período também conhecido como República Velha. Ele explica que a nação era um país recém-saído da escravidão, com distinções de classe e cor muito visíveis, somada à falta de cidadania e direitos sociais às camadas mais pobres da população.

A própria adoção de sucessivos estados de sítio, instrumento que permitia o desterro, era um ato presidencial e a posterior anistia só atingiu gente graúda (militares de alta patente, jornalistas e políticos), as chamadas “canas miúdas” foram esquecidas no Acre após terem sido desterradas e não houve nenhuma ação para o regresso dessas pessoas aos seus locais de origem”, explica Bento.

Mesmo quem foi tecnicamente anistiado ficou à deriva. “O governo que fretou navios para desterrá-los não providenciou os seus regressos e nem deseja que voltassem. Os poucos que voltaram vieram por conta própria e com a ajuda de parentes e terceiros”, ressalta. Assim, a grande maioria jamais mais regressou ao Rio de Janeiro.

Entre elas, destacam-se as questões de ordem disciplinar, inadequações às normas sociais, como jogatinas, prostituição até a prática da capoeira, delitos leves, trabalhos informais e a vida nos cortiços. Além, é claro, dos aspectos políticos e econômicos, que levaram muitas pessoas a participarem das duas revoltas.

Segundo Bento, os desterrados formavam um grupo menor dos envolvidos nos dois conflitos. “Algumas pessoas até foram desterradas sem terem participação nas revoltas, como foi o caso dos prisioneiros recolhidos na Casa de Detenção do Rio de Janeiro”, explica. A versão oficial na época foi que os desterros serviram para tirar da então capital nacional os “vagabundos e criminosos irrecuperáveis, que em muitos momentos eram manipulados por adversários políticos do governo com intuito de golpe ou fragilização da ordem estabelecida”.

O desterro dessas pessoas foi utilizado para dar um exemplo de como o governo agia e agiria diante de quaisquer revoltas”, explica o pesquisador. Todas embarcavam em navios para desembarcar na Região Amazônica.

Sem adversários

Ao ser incorporado ao Brasil em 1903, o Acre passou a ser o único território federal brasileiro administrado diretamente pela União. “Desta forma, o governo federal não teve que negociar com autoridades locais ou adversários políticos regionais”, explica Bento. Além dessa questão de ordem política, havia outros aspectos simbólicos. “O Acre era visto com a terra da riqueza da borracha, que precisava de braços para o trabalho extrativo. Além de ser um local tomado pelo vazio demográfico e de morte pelas doenças tropicais endêmicas, com uma fronteira política tensionada”, salienta o pesquisador.

A recepção dos nativos acrianos aos desterrados não foi das mais calorosas, pois a notícias na época davam conta da chegada de vagabundos e criminosos. “Essas pessoas já chegaram com forte rejeição. Foram tratadas com desconfiança e temor. Muitos certamente tiveram que, nos anos seguintes, refazer suas identidades e esconder o passado de desterrados.”

Capital era palco dos protestos

Foram duas revoltas que envolveram múltiplos sujeitos e interesses. A chamada Revolta da Vacina ocorreu em novembro de 1904, tendo como estopim o projeto de lei que regulamentava a obrigatoriedade da vacinação antivariólica na então capital da República, o Rio de Janeiro. “A obrigatoriedade afetava o cotidiano de inúmeras pessoas que tinham aversão à vacinação por descrença na sua efetividade, por questões de ordem moral, religiosa e até princípios filosóficos, como era o caso dos positivistas”, diz o historiador Francisco Bento.

Ele afirma também que essa antipatia foi aproveitada pelos adversários políticos do então presidente Rodrigues Alves para insuflar a população insatisfeita com inflação alta, falta de moradias, transtornos das reformas urbanas, política de repressão aos cortiços, prostituição, vagabundagem, trabalhadores informais, entre outros.

Assim como a Revolta da Vacina não ocorreu só pela questão da vacina, a Revolta da Chibata não foi algo que ocorreu só pela questão do uso dos castigos físicos contra marinheiros, isso foi também o estopim”, afirma Bento. Em 1910, quando os marinheiros se rebelaram contra seus superiores na Armada Nacional, traziam insatisfações de longa data. Os marinheiros eram geralmente homens pobres, ampla maioria de negros e mestiços, que eram alistados à força desde o fim do Império e no início da República.

Quando os marinheiros tomaram os navios e ameaçaram bombardear a capital federal, o governo ficou acuado e negociou, para depois se vingar prendendo e matando muitos revoltosos.


Ao declarar nos dois episódios o estado de sítio, o governo teve em suas mãos amplos poderes extraconstitucionais que permitiam prisões sem mandados, provas contundentes e realizando desterros para fora da capital”, completa Bento.

Fonte : Gazeta do Povo