sexta-feira, 6 de junho de 2014

'To Scherbinin'


Житье тому, любезный друг,
Кто страстью глупою не болен,
Кому влюбиться недосуг,
Кто занят всем и всем доволен;
Кто Наденьку, под вечерок,
За тайным ужином ласкает
И жирный страсбургский пирог
Вином душистым запивает;
Кто, удалив заботы прочь,
Как верный сын пафосской веры,
Проводит набожную ночь
С младой монашенкой Цитеры.
Поутру сладко дремлет он,
Читая листик «Инвалида»;
Весь день веселью посвящен,
А в ночьвновь царствует Киприда.
И мы не так ли дни ведем,
Щербинин, резвый друг забавы,
С Амуром, шалостью, вином,
Покамест молоды и здравы?
Но дни младые пролетят,
Веселье, нега нас покинут,
Желаньям чувства изменят,
Сердца иссохнут и остынут.
Тогдабез песен, без подруг,
Без наслаждений, без желаний,
Найдем отраду, милый друг,
В туманном сне воспоминаний!
Тогда, качая головой,
Скажу тебе у двери гроба:
«Ты помнишь Фанни, милый мой?» —
И тихо улыбнемся оба.

6 июня 1799 года родился Александр Сергеевич Пушкин
А.С. Пушкин. "Щербинину". Стихотворение. Автограф. 9 июля 1819. Ф.1336. Оп.1. Ед.хр.76. РГАЛИ

June 6, 1799 is a birthday of Alexander Pushkin
Alexander Pushkin. 'To Scherbinin'. Poem. Autograph. July 9, 1819. F.1336. Ind.1.Folder 76. RGALI

Fonte : Russian State Archive of Literature and Art


A ma femme endormie


Tu dors en croyant que mes vers
Vont encombrer tout l'univers
De désastres et d'incendies ;
Elles sont si rares pourtant
Mes chansons au soleil couchant
Et mes lointaines mélodies.
Mais si je dérange parfois
La sérénité des cieux froids,
Si des sons d'acier ou de cuivre
Ou d'or, vibrent dans mes chansons,
Pardonne ces hautes façons,
C'est que je me hâte de vivre.
Et puis tu m'aimeras toujours.
Éternelles sont les amours
Dont ma mémoire est le repaire ;
Nos enfants seront de fiers gas
Qui répareront les dégâts,
Oue dans ta vie a faits leur père.
Ils dorment sans rêver à rien,
Dans le nuage aérien
Des cheveux sur leurs fines têtes ;
Et toi, près d'eux, tu dors aussi,
Ayant oublié, le souci
De tout travail, de toutes dettes.
Moi je veille et je fais ces vers
Qui laisseront tout l'univers
Sans désastre et sans incendie ;
Et demain, au soleil montant
Tu souriras en écoutant

Cette tranquille mélodie.

Charles CROS

Mesmo sem guerras, Brasil é o país mais violento do mundo


"apelar somente para políticas repressivas como mecanismo de freio dos níveis de violência, reduzirá drasticamente as chances de resolver o problema em sua raiz, além de seguir alimentando uma cultura política favorável à lógica do castigo. A América Latina, e suas cidades em particular possuem marcas dolorosas do que significa aprofundar esse caminho (...) a melhor maneira de combater o crime é desenhar políticas preventivas, como oferecer oportunidades reais de formação, de atenção básica e de emprego digno para milhares de jovens (...) sem essas políticas, os jovens acabam virando presa fácil para o crime organizado, que, de maneira ilegal, proporciona a essas pessoas bens e serviços que o Estado não dá."
Leia em: http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&langref=PT&cod=80925

Diário Ontológico III

A vida dos livros não é uma expansão da vida do autor dos livros como pensam muitos por aí, no caso dos bons livros de poesia , que tudo indica serem escritos mais por um não-eu do que mediados pelo ego dos poetas, isto é mais evidente ainda, deve existir um além-nome de onde se originam os grandes poemas e passamos a vida intercambiando palavras a partir de um impessoal-abissal com este além-nome, com este não-eu que pode até ser o Daimon e as Musas ao mesmo tempo, ao mesmo interioridade-exterior do mundo e exterioridade-interior do ser dialogando através das linguagens...Tive uma vez um sonho com Jorge Luís Borges em que eu perguntava a ele o que ele sentia quando via seu nome na capa de um livro e ele me respondia : ' lo mismo que cuando se sueña con mi nombre en las lápidas'


Marcelo Ariel 

Amor de Mis Entrañas
Amor de mis entrañas, viva muerte,
en vano espero tu palabra escrita
y pienso, con la flor que se marchita,
que si vivo sin mí quiero perderte.
El aire es inmortal. La piedra inerte
ni conoce la sombra ni la evita.
corazón interior no necesita
la miel helada que la luna vierte.
Pero yo te sufrí. Rasgué mis venas,
tigre y paloma, sobre tu cintura
en duelo de mordiscos y azucenas.
Llena, pues, de palabras mi locura
o déjame vivir en mi serena
noche del alma para siempre oscura.


Federico García Lorca

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Guerra de los Seis Días

5 de junio de 1967

Enfrenta a Israel con una coalición árabe.
Tal día como hoy, el 5 de junio de 1967, comienza la llamada "Guerra de los Seis Días", un conflicto bélico que enfrentó a Israel con una coalición árabe formada por Egipto,Jordania, Iraq y Siria, entre el 5 y el 10 de junio de aquel año.
Estos hechos ocurren dentro del conjunto de guerras libradas entre el pueblo israelita y sus vecinos árabes, tras la creación del pueblo de Israel,en el 1948. Éstos temieron una ofensiva inminente y lanzaron un ataque preventivo contra la fuerza aérea egipcia. Jordania respondió atacando las ciudades de Jerusalén y Netanya.

Estos días suscitaron la atención mundial y fue clave en la geopolítica de la región.Las consecuencias han repercutido hasta hoy en día y posteriores sucesos históricos, como la masacre de Múnich o la Guerra de Yom Kipur, son el resultado de aquel enfrentamiento que complicó aún más la relación árabe-israelí.
reconstruir el mundo
desmigajarlo para
que la palomas sientan
que su vuelo valió
el intento
casi nada
este pan del mundo
en el pico una miga
para seguir girando
su eternidad tan blanca


©Antonio Arroyo Silva
"O hedonismo pós-moderno, fantasiado de livre-escolha, de “se não gostar do programa, então desligue a televisão”, em que parecemos ser reis de tudo aquilo que chega até nós, é, primeiramente, uma condenação da sociedade. Construímos uma sociedade onde o mal-estar se agravou e se delineou em novas importantes categorias psiquiátricas, como a síndrome do pânico e a depressão."

Zygmunt Baumann

Adam Smith (Kirkcaldy, 5 de Junho de 1723 — Edimburgo, 17 de Julho de 1790) filósofo e economista escocês. Teve como cenário a vida o atribulado século das Luzes, o século XVIII.
É o pai da economia moderna, e é considerado o mais importante teórico do liberalismo económico. Autor de "Uma investigação sobre a natureza e a causa da riqueza das nações", a sua obra mais conhecida, e que continua sendo usada como referência para gerações de economistas, na qual procurou demonstrar que a riqueza das nações resultava da actuação de indivíduos que, movidos inclusive (e não apenas exclusivamente) pelo seu próprio interesse (self-interest), promoviam o crescimento económico e a inovação tecnológica.

Assim acreditava que a iniciativa privada deveria agir livremente, com pouca ou nenhuma intervenção governamental. A competição livre entre os diversos fornecedores levaria não só à queda do preço das mercadorias, mas também a constantes inovações tecnológicas, no afã de tornar mais barato o custo de produção e vencer os competidores.

Analisou a divisão do trabalho como um factor evolucionário poderoso a propulsionar a economia. Uma frase de Adam Smith tornou-se famosa: "Assim, o mercador ou comerciante, movido apenas pelo seu próprio interesse egoísta (self-interest), é levado por uma mão invisível a promover algo que nunca fez parte do interesse dele: o bem-estar da sociedade." Como resultado da actuação dessa "mão invisível", o preço das mercadorias deveria descer e os salários deveriam subir.

As doutrinas de Adam Smith exerceram uma rápida e intensa influência na burguesia (comerciantes, industriais e financeiros), que queriam acabar com os direitos feudais e com o mercantilismo.
Adam Smith (Kirkcaldy, 5 de Junho de 1723 — Edimburgo, 17 de Julho de 1790) filósofo e economista escocês. Teve como cenário a vida o atribulado século das Luzes, o século XVIII.

É o pai da economia moderna, e é considerado o mais importante teórico do liberalismo económico. Autor de "Uma investigação sobre a natureza e a causa da riqueza das nações", a sua obra mais conhecida, e que continua sendo usada como referência para gerações de economistas, na qual procurou demonstrar que a riqueza das nações resultava da actuação de indivíduos que, movidos inclusive (e não apenas exclusivamente) pelo seu próprio interesse (self-interest), promoviam o crescimento económico e a inovação tecnológica.

Assim acreditava que a iniciativa privada deveria agir livremente, com pouca ou nenhuma intervenção governamental. A competição livre entre os diversos fornecedores levaria não só à queda do preço das mercadorias, mas também a constantes inovações tecnológicas, no afã de tornar mais barato o custo de produção e vencer os competidores.

Analisou a divisão do trabalho como um factor evolucionário poderoso a propulsionar a economia. Uma frase de Adam Smith tornou-se famosa: "Assim, o mercador ou comerciante, movido apenas pelo seu próprio interesse egoísta (self-interest), é levado por uma mão invisível a promover algo que nunca fez parte do interesse dele: o bem-estar da sociedade." Como resultado da actuação dessa "mão invisível", o preço das mercadorias deveria descer e os salários deveriam subir.

As doutrinas de Adam Smith exerceram uma rápida e intensa influência na burguesia (comerciantes, industriais e financeiros), que queriam acabar com os direitos feudais e com o mercantilismo.

Marisa Soveral

Os Justos


Um homem que cultiva o seu jardim, como queria Voltaire.
O que agradece que na terra haja música.
O que descobre com prazer uma etimologia.
Dois empregados que num café do Sul jogam um silencioso xadrez.
O ceramista que premedita uma cor e uma forma.
O tipógrafo que compõe bem esta página, que talvez não lhe agrade.
Uma mulher e um homem que lêem os tercetos finais de certo canto.
O que acarinha um animal adormecido.
O que justifica ou quer justificar um mal que lhe fizeram.
O que agradece que na terra haja Stevenson.
O que prefere que os outros tenham razão.
Essas pessoas, que se ignoram, estão a salvar o mundo.
- Jorge Luis Borges, em "A Cifra". (tradução de Fernando Pinto do Amaral).

John Maynard Keynes



John Maynard Keynes (Cambridge, 5 de Junho de 1883 — Tilton, East Sussex, 21 de Abril de 1946), economista britânico cujos ideais serviram de influência para a macroeconomia moderna, tanto na teoria quanto na prática. Keynes defendeu uma política económica de Estado intervencionista, através da qual os governos usariam medidas fiscais e monetárias para mitigar os efeitos adversos dos ciclos económicos - recessão, depressão e booms. Suas ideias serviram de base para a escola de pensamento conhecida como economia keynesiana.

Na década de 1930, Keynes iniciou uma revolução no pensamento económico, opondo-se às ideias da economia neoclássica que defendiam que os mercados livres ofereceriam automaticamente empregos aos trabalhadores, contanto que eles fossem flexíveis na sua procura salarial. Após a eclosão da Segunda Guerra Mundial, as ideias económicas de Keynes foram adoptadas pelas principais potências económicas do Ocidente. Durante as décadas de 1950 e 1960, o sucesso da economia keynesiana foi tão retumbante que quase todos os governos capitalistas adoptaram as suas recomendações.

A influência de Keynes na política económica declinou na década de 1970, parcialmente como resultado de problemas que começaram a afligir as economias norte americana e britânica no início da década (como a Crise do Petróleo) e também devido às críticas de Milton Friedman e outros economistas liberais e neoliberais pessimistas em relação à capacidade do Estado de regular o ciclo económico com políticas fiscais. Entretanto, o advento da crise económica global do final da década de 2000 causou um ressurgimento do pensamento keynesiano. A economia keynesiana forneceu a base teórica para os planos do presidente Barack Obama, do primeiro-ministro britânico Gordon Brown e de outros líderes mundiais para aliviar os efeitos da recessão.

Em 1999, a revista Time nomeou Keynes como uma das cem pessoas mais influentes do século XX, dizendo que "sua ideia radical de que os governos devem gastar o dinheiro que não têm pode ter salvado o capitalismo". Keynes é amplamente considerado o pai da macroeconomia moderna e, de acordo com comentaristas como John Sloman, é o economista mais influente do século XX.

Marisa Soveral

Se as minhas mãos pudessem desfolhar


Eu pronuncio teu nome
nas noites escuras,
quando vêm os astros
beber na lua
e dormem nas ramagens
das frondes ocultas.
E eu me sinto oco
de paixão e de música.
Louco relógio que canta
mortas horas antigas.
Eu pronuncio teu nome,
nesta noite escura,
e teu nome me soa
mais distante que nunca.
Mais distante que todas as estrelas
e mais dolente que a mansa chuva.
Amar-te-ei como então
alguma vez? Que culpa
tem meu coração?
Se a névoa se esfuma,
que outra paixão me espera?
Será tranqüila e pura?
Se meus dedos pudessem
desfolhar a lua!!

Federico García Lorca (Fuente Vaqueros, 5 de Junho de 1898 — Granada, 19 de Agosto de 1936)

poeta e dramaturgo, e uma das primeiras vítimas da Guerra Civil Espanhola.

Wallerstein: o jogo geopolítico de Moscou e Pequim


POR IMMANUEL WALLERSTEIN

– ON 05/06/2014

CATEGORIAS: CAPA, GEOPOLÍTICA, MUNDO

Por Immanuel Wallerstein | Tradução: Inês Castilho

Os governos, os políticos e a mídia do mundo “ocidental” parecem incapazes de compreender os jogos políticos representados por outros atores, em outros lugares. Sua análise do acordo recém-proclamado entre Rússia e China é um exemplo espantoso disso.

Em 16 de maio, Rússia e China comunicaram a assinatura de um “tratado de amizade” que duraria “para sempre”, mas que não era uma aliança militar. Simultaneamente, anunciaram uma negociação com gás, segundo a qual os dois países construirão um gasoduto para exportar o gás russo para a China. A China emprestará o dinheiro para construir sua parte do gasoduto. A Gazprom (maior produtora russa de gás e óleo) teria feito algumas concessões de preço à China, um assunto que há algum tempo impedia o acordo.

Os jornais de 15 de maio estavam cheia de artigos explicando por que tal acordo era improvável. Quando, no dia seguinte, o acordo aconteceu, os governos ocidentais, os políticos e meios de comunicação ficaram divididos entre os que pensavam ser uma vitória geopolítica do presidente russo, Vladimir Putin (e deploravam o fato), e aqueles argumentando que o acordo não faria muita diferença geopolítica.

Fica bem claro, a partir das discussões e votos no Conselho de Segurança da ONU nos últimos anos, que Rússia e China partilham a oposição às várias propostas encaminhadas pelos Estados Unidos (frequentemente seguidas por vários países europeus), para autorizar o envolvimento direto (abrindo caminho para o envolvimento militar, em última análise) na disputa civil na Ucrânia e nos múltiplos conflitos do Oriente Médio.

As sanções unilaterais que os Estados Unidos já impuseram à Rússia por causa de seu suposto comportamento na Ucrânia, e a ameaça de ainda mais sanções, sem dúvida apressaram o desejo russo de encontrar saídas adicionais para seu gás e óleo. E isso, por sua vez, levou a muitos comentários sobre um revival da “guerra fria” entre Rússia e Estados Unidos. Mas será esse o verdadeiro ponto do novo tratado Rússia-China?

Parece-me que ambos os países estão realmente interessados em reestruturar as alianças interestatais de modo diferente. O que a Rússia está procurando, verdadeiramente, é um acordo com a Alemanha. E o que a China está querendo, na verdade, é um acordo com os Estados Unidos. E o estratagema dos dois é anunciar uma aliança “eterna” entre si.

A Alemanha está claramente dividida, internamente, sobre a possibilidade de incluir a Rússia na esfera europeia. A vantagem desse arranjo, para a Alemanha, seria consolidar as bases do consumo da Alemanha na Rússia, garantir suas necessidades de energia e incorporar a força militar russa em seu planejamento global de longo prazo. Considerando-se que isso inevitavelmente significaria a criação de uma Europa, pós-OTAN, a ideia encontra oposição não apenas dentro da Alemanha mas, claro, também na Polônia e nos países bálticos. Do ponto de vista russo, o objeto do tratado de amizade Rússia-China é fortalecer a posição daqueles que, na Alemanha, são favoráveis a trabalhar com a Rússia.

A China, por sua vez, está fundamentalmente interessada em refrear os Estados Unidos e reduzir seu papel no Leste asiático. Dito isto, contudo, ela quer fortalecer, e não enfraquecer seus elos com os Estados Unidos. A China procura investir nos Estados Unidos com os preços de barganha que julga estarem agora disponíveis. Quer que os Estados Unidos aceitem sua emergência como poder regional dominante no Leste e Sudeste da Ásia. E que os Estados Unidos usem sua influência para evitar que o Japão e a Coreia do Sul tornem-se potências nucleares.

Claro, o que a China quer não é consoante com a linguagem ideológica que prevalece nos Estados Unidos. A despeito disso, parece haver um apoio silencioso a tal evolução de alianças, dentro dos Estados Unidos – especialmente nas estruturas corporativas principais. Assim como a Rússia deseja usar o tratado de amizade para encorajar certos grupos na Alemanha a se moverem na direção que considera mais útil, a China quer fazer o mesmo com os Estados Unidos.

Esses jogos geopolíticos vão dar certo? É possível, mas não há certeza alguma. De sua própria perspectiva, Rússia e China têm tudo a ganhar e muito pouco a perder, usando tal estratégia. A verdadeira pergunta é: como o debate interno se desenvolverá, no futuro próximo, na Alemanha e nos Estados Unidos. Quanto ao argumento de que o mundo está voltando a uma guerra fria entre os Estados Unidos e a Rússia, penso nele simplesmente como o contra-estratagema daqueles que compreendem o jogo que Rússia e China estão iniciando, e tentam se contrapor a ele.

Immanuel Wallerstein é um dos intelectuais de maior projeção internacional na atualidade. Seus estudos e análises abrangem temas sociólogicos, históricos, políticos, econômicos e das relações internacionais. É professor na Universidade de Yale e autor de dezenas de livros. Mantém um site onde publica seus textos 

BUDISMO MODERNO


Tome, Dr., esta tesoura, e... corte
Minha singularíssima pessoa.
Que importa a mim que a bicharia roa
Todo o meu coração, depois da morte?!
Ah! Um urubu pousou na minha sorte!
Também, das diatomáceas da lagoa
A criptógama cápsula se esbroa
Ao contato de bronca destra forte!
Dissolva-se, portanto, minha vida
Igualmente a uma célula caída
Na aberração de um óvulo infecundo;
Mas o agregado abstrato das saudades
Fique batendo nas perpétuas grades
Do último verso que eu fizer no mundo!

AUGUSTO DOS ANJOS
"Poesia. Acredite na poesia e viva.
E viva ela. Morra por ela se você
se liga, mas por favor, não traia.
O poeta que trai sua poesia é um
infeliz completo e morto.
Resista, criatura.
(...)
Eu, pessoalmente, acredito em
Vampiros. O beijo frio, os dentes
quentes, um gosto de mel."

Torquato Neto
Pena que tantos intelectuais usam a realidade concreta como ponto de partida, mas depois se perdem no céu da teoria e nao completam o movimento dialético do Hegel e do Marx, de retornar para o concreto como síntese de múltiplas determinações abstratas. A teoria parece um fim em si mesmo e não forma de decifrar o real para penetrar nas massas e se tornar força material de transformação da realidade.

Emir Sader

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Levantamos às quatro da manhã para ir a STONEHENGE junto com o nascer do sol e participar de uma cerimonia com um Druida. Choveu Não vimos o sol, mas Stonehenge estava lá com seu mistério de mais de 3000 anos aC. É uma estrutura composta de enormes pedras, algumas superpostas, que formam círculos concêntricos. Chegam a ter cinco metros de altura e um peso de quase 50 toneladas Se sabe que foram trazidas de mais de 30 km, embora sem explicação plausível, assim como as pedras das pirâmides, como Machu Pichu... etc... Por isso as perguntas sobre: quem as trouxe e como? Como foram superpostas ? O quê verdadeiramente significam? Ficam sem uma resposta única. Para uns é um local de cura, para outros um laboratório de astronomia, para outros um relógio de sol, (tem a ver com o Solstício e Equinócio); para outros um local de sacrifícios (há vestígios de cinzas humanas) enfim... ninguém ainda explicou o mistério. A unanimidade é que se trata de um local mistico e é o ponto turistico mais visitado de toda a Grã Bretanha. Hoje não teve sol; tomei chuva durante um cerimonial Druída e nem liguei (apesar do frio de 9 graus) pois meu espírito não se molhou. Não acredito muito nessas coisas, mas essa é uma dessas passagens para refletir mais tarde. Talvez pelo resto da vida, como algumas outras coisas que tenho visto e ouvido. Muita energia nesses locais. Muita energia.

Orlando de Lucca

A magia


Eu venho desse reino generoso,
onde os homens que nascem dos seus verdes
continuam cativos esquecidos
e contudo profundamente irmãos
das coisas poderosas, permanentes
como as águas, os ventos e a esperança.
Vem ver comigo o rio e as suas leis.
Vem aprender a ciência dos rebojos,
vem escutar os cânticos noturnos
no mágico silêncio do igapó
coberto por estrelas de esmeralda.

- Thiago de Mello, em "Mormaço na floresta", 1981.



Amemos burramente

"É um pouco aflitivo pensar nisso, e imaginar que, acima dos gestos e das palavras, o sentimento talvez valha alguma coisa; e que a ternura e o bem-querer devem ter um instinto certo e tocar naquelas zonas indefiníveis da alma em que nem os analistas conseguem explicar nada. Ora, pois; mesmo às cegas, burramente, amemos!"

- Rubem Braga, "Amemos burramente" - Um cartão de Paris.
http://www.elfikurten.com.br/2013/01/rubem-braga-o-cacador-de-ventos-e.html

ACIMA DE QUALQUER SUSPEITA

a poesia está morta
mas juro que não fui eu
eu até que tentei fazer o melhor que podia para salvá-la
imitei diligentemente augusto dos anjos paulo torres car-
los drummond de andrade manuel bandeira murilo
mendes vladimir maiakóvski joão cabral de melo neto
paul éluard oswald de andrade guillaume apollinaire
sosígenes costa bertolt brecht augusto de campos
não adiantou nada
em desespero de causa cheguei a imitar um certo (ou
incerto) josé paulo paes poeta de ribeirãozinho estrada
de ferro araraquarense
porém ribeirãozinho mudou de nome a estrada de ferro
araraquarense foi extinta e josé paulo paes parece
nunca ter existido
nem eu

[josé paulo paes, 1926-199]


03 Poemas de Servidões

fosses tu um grande espaço e eu tacteasse
com todo o meu corpo sôfrego e cego
***
já não tenho tempo para ganhar o amor, a glória ou a Abissínia,
talvez me reste um tiro na cabeça,
e é tão cinematográfico e tão sem número o número dos efeitos especiais,
mas não quero complicar coisas tão simples da terra,
bom seria entrar no sono como num saco maior que o meu tamanho,
e que uns dedos inexplicáveis lhe dessem um nó rude,
e eu de dentro o não pudesse desfazer:
um saco sem qualquer explicação,
que ficasse para ali num sítio ele mesmo num sítio bem amarrado
- não um destino à Rimbaud,
apenas longe, sem barras de ouro, sem amputação de pernas,
esquecido de mim mesmo num saco atado cegamente,
num recanto pela idade fora,
e lá dentro os dias eram à noite bem no fundo,
um saco sem qualquer salvação nos armazéns obscuros
***

rosa esquerda, plantei eu num antigo poema virgem,
e logo ma roubaram,
logo me perderam o pequeno achado,
mas ninguém me rouba a alma,
roubam-me um erro apenas que acertava só comigo,
um umbigo, um nó,
um nome que só em mim era floral e único

Herberto Helder

Tem novo livro de poesia - Artes - DN
'Morte Sem Mestre' tem a chancela da Porto Editora e terá, como habitualmente, apenas uma edição.


DN.PT|POR CONTROLINVESTE
La marea llegaba, hacía su trabajo.
Y el pozo que tanto nos había costado,
inmediatamente se llenaba.
Las huellas se iban sin nosotros,
al igual que la palita, el balde de colores.
A cambio de estas cosas, la marea
nos dejaba piedras, caracoles,
alguna que otra medusa,
una raya muerta. La efervescencia
de la espuma sacudida por la brisa.
Y el sol precipitándose como una moneda
en la alcancía del crepúsculo.
No existía otro tipo de comercio.
Éramos ricos, poderosos.
Todo lo que ahora creemos poseer,
nos faltaba. Y todo aquello que
verdaderamente teníamos y que
parecía tan poco, se fue
perdiendo en las mudanzas.
Será cuestión de hacer otro
pozo en la arena; meternos adentro.

Y esperar.

Gustavo Caso Rosendi

SOBRE A ATITUDE CRÍTICA


A atitude crítica
É para muitos não muito frutífera
Isto porque com sua crítica
Nada conseguem do Estado.
Mas o que neste caso é atitude infrutífera
É apenas uma atitude fraca. Pela crítica armada
Estados podem ser esmagados.
A canalização de um rio
O enxerto de uma árvore
A educação de uma pessoa
A transformação de um Estado
Estes são exemplos de crítica frutífera.
E são também
Exemplos de arte.


BRECHT, Bertold.
In; Poemas 1913 – 1956 – Seleção e tradução de Paulo César de Souza. Editora 34, São Paulo, 2000. p.259.

domingo, 1 de junho de 2014

El acto de prender la llama del calefón,
resulta semejante a encender
el fuego de un poema.
Se debe esperar unos segundos
para que el piloto no se apague.
Y regular, a ojo, la temperatura
que va a tener el agua. Luego
habrá que desnudarse
y meterse en la bañera. Abrir
la ducha y esperar a saber
si lo que hicimos estuvo bien,
o mal. Si la piel tiende más al rojo,
o al azul; o si sigue siendo del color
que tuvo antes. Y, si debajo
de la lluvia se ha producido esa
sensación de bienestar fetal, que,
nunca debiera faltar.
Sentirse limpio. Calmo.
Recién ahí, atrevernos

a cantar.

Gustavo Caso Rosendi

La musique

La musique souvent me prend comme une mer!
Vers ma pâle étoile,
Sous un plafond de brume ou dans un vaste éther,
Je mets à la voile;
La poitrine en avant et les poumons gonflés
Comme la toile,
J'escalade le dos des flots amoncelés
Que la nuit me voile;
Je sens vibrer en moi toutes les passions
D'un vaisseau qui souffre;
Le bon vent, la tempête et ses convulsions
Sur l'immense gouffre
Me bercent. D'autres fois, calme plat, grand miroir
De mon désespoir!


 Charles Baudelaire

Wojciech Jaruzelski

Apenas me había sentado delante del general Wojciech Jaruzelski y ya me lanzó la primera reprimenda: “¡Ya veo que no se ha leído ni uno solo de mis libros”, dijo agitando el papel en el que su secretaria le había adelantado las preguntas que le iba a hacer. Era verano de 2009, y al último líder de la Polonia comunista, enterrado hoy viernes en Varsovia, le quedaban todavía fuerzas para defender su legado: “Con la ley marcial de 1981 evité una invasión de la URSS”.

A Jaruzelski le tocó ser el ‘poli’ malo del derrumbe del telón de acero. Polonia fue uno de los países donde primero prendió la agitación ciudadana y él optó por reprimirla con el ejército y suprimiendo algunas libertades. Esa decisión costó decenas de vidas, tal y como él se temía: "Antes de dictar la ley marcial pensé en suicidarme”, rememoraba en su despacho del centro de Varsovia.
Pero su papel histórico tiene un reverso. Haber facilitado el tránsito hacia la apertura del régimen político polaco. Fue un camino pedregoso, pero acabó bien gracias a que “la democracia fue la anestesia de los dolores del capitalismo”.

Llegaron las primeras elecciones y el comunismo se estrelló, aunque no sólo por la desconfianza hacia Rusia: “No olvide que el Manifiesto Comunista no se escribió a las orillas del Volga sino junto al Rin”. Jaruzelski rechazaba las teorías de los sociólogos que cuestionaban el poso comunista en Polonia: “Para tomar la temperatura del cuerpo se usa un termómetro, pero no existe un artilugio similar para definir cómo es de comunista una sociedad”.

Su propia historia personal fue la de un líder comunista improbable: “Me criaron con un espíritu antirruso y fui deportado a Siberia, donde murió mi padre y viví muchas situaciones difíciles, pero nunca dejé de evolucionar y de pensar en las aspiraciones de Polonia en esa época, y en cómo el comunismo podía acabar con las desigualdades”. Lo mismo le pasó “con la actitud hacia la Iglesia, porque me criaron en una familia muy católica y acabé alejándome de ella, como ateo”.

En la cima del poder lidió con líderes soviéticos muy dispares: “Leonid Brézhnev era de otra época y reflejaba la vieja manera de entender el mundo, en lo que se refiere a su manera de pensar era el equivalente a un fósil”. Aquel líder soviético murió en el poder a los 85 años: “Esas edades eran lo habitual. En esa época contábamos un chiste negro diciendo que en la Plaza Roja había habido una demostración de fuerza consistente en que el líder del partido subió a la tribuna sin ayuda”.

Entonces llegó Gorbachov, y “empezó una nueva era”. Su primera conversación juntos “duró cinco horas y fue un mes después de que llegara al poder”. Fue una charla sin intérpretes, en ruso “y muy honesta, como dos compañeros… antes eso era imposible”. Desde el principio estuvieron de acuerdo en que “había que hacer reformas profundas y encontramos una gran resistencia en la estructura del Gobierno”.

Jaruzelski ha muerto con la sensación de que ni en Occidente ni en Rusia se ha sabido ponderar lo delicado de aquellos últimos años: “Lo que llamaban Guerra Fría era el contraste de dos fuerzas militares; sin suavizar esa guerra fría era imposible que el ambiente se relajase en todo lo demás, y Gorbachov puso en marcha una política muy impopular de reducir el tamaño del ejército, un plan que llevaba mi apellido como nombre”.
El papel de la Iglesia en esta recta final del comunismo en Polonia fue crucial, pero Jaruzelski nunca vio a Juan Pablo II como un enemigo: “¡Tuve hasta ocho entrevistas con el Papa! Pocos obispos pueden decir esto, y poco importa el hecho de que yo sea ateo. Por supuesto, él estaba en contra del comunismo, pero era un gran realista y, al contrario que muchos radicales de la Iglesia, no pensaba que pudiésemos hacer las reformas rápido. Apoyaba nuestra estrategia de ir paso a paso”.

El hecho de que ambos hombres fueran polacos tendió algunos puentes: “En una de nuestras primeras charlas, en 1983, me dijo ‘general, sé que el socialismo es lo que hay, pero debe tener un rostro humano’. Y en 1987 dijo ‘la providencia nos mandó a Gorbachov’. Sobre esto tengo mis dudas como ateo, obviamente”. Al decir esto fue la única vez que Jaruzelski rió durante nuestra entrevista.

Hay algunos políticos que dicen que acabaron con el comunismo con la ayuda del Papa. Pero para Jaruzelski “el comunismo cayó por muchas razones, pero sobre todo por la dificultad de buscar la solución adecuada en la realidad”.

Llegó un momento en el que Jaruzelski se dio cuenta de que el sistema se había colapsado. “Me di cuenta, creo, después del referéndum que organizamos en 1987. Se nos consideraba un país totalitario, ¿pero qué régimen totalitario organiza un referéndum?” Después llegaron las primeras elecciones. Y la mayoría de la gente votó a la oposición, a Solidaridad. El resto de la historia es conocida, aunque el balance es controvertido.

Antes de despedirnos, otra confidencia: “Algunas de las reformas polacas se podrían haber hecho antes pero tuve en mente la máxima de Hipócrates: ‘Primum non nocere’. No quería hacer nada malo contra Gorbachov, porque si él caía se derrumbaría todo el sistema”.


Ria/Novosti 2/6/2014
Ma tête est vide, et c'est charmant :
Le coeur _ lui _ est trop plein!
Mes jours sont de petites vagues
Que je regarde du port.
De trop tendres regards
Dans l'air tendre à peine tiéde,
A peine guérie de l'hiver, déjà
Je suis malade de l'été.


Insomnie et autres poèmes de Marina Tsvetaieva

O NOME DOS GATOS


______________________T.S.Elliot

Tradução: Rodrigo Suzuki Cintra

Dar nome aos gatos é assunto complicado,
Não é apenas um jogo que divirta adolescentes;
Podem pensar, à primeira vista, que sou doido desvairado
Quando eu digo, um gato deve ter TRÊS NOMES DIFERENTES.
Primeiro, temos o nome que a família usa diariamente,
Como Pedro, Augusto, Alonso ou Zé Maria, Como Vitor ou Jonas, Jorge ou Gui Clemente –
Todos nomes sensíveis para o dia-a-dia.
Há nomes mais requintados se pensam que podem soar melhor,
Alguns para os cavalheiros, outros para titia: Como Platão, Demetrius, Electra ou Eleonor –
Mas todos eles são sensíveis nomes de todo dia.
Mas eu digo, um gato precisa ter um nome que é particular,
Um nome que lhe é peculiar, e que muito o dignifica, De outro modo, como poderia manter sua cauda perpendicular,
Ou espreguiçar os bigodes, orgulhar-se de sua estica? Dos nomes deste tipo, posso oferecer um quórum,
Como Munkustrap, Quaxo, ou Coricopato,
Como Bombalurina, ou mesmo Jellylorum –
Nomes que nunca pertencem a mais de um gato.
Mas, acima e para além, ainda existe um nome a suprir,
E este é o nome que você jamais cogitaria;
O nome que nenhuma investigação humana pode descobrir –
Mas O GATO E SOMENTE ELE SABE, e nunca o confessaria.
Se um gato for surpreendido com um olhar de meditação,
A razão, eu lhe digo, é sempre a mesma que o consome:
Sua mente está engajada em uma rápida contemplação
De lembrar, de lembrar, de lembrar qual é o seu nome:
Seu inefável afável
Inefavefável Oculto,

inescrutável e singular Nome.

sábado, 31 de maio de 2014

Árbol azul




Cuando tus ojos se encuentran con mi soledad
El silencio se convierte en frutas
Y el sueño en temporal
Se entreabren puertas prohibidas
Y el agua aprende a sufrir.

Cuando mi soledad se encuentra con tus ojos
El deseo sube y se derrama
A veces marea insolente
Ola que corre sin fin
O savia cayendo gota a gota
Savia más ardiente que un tormento
Comienzo que nunca se cumple.

Cuando tus ojos y mi soledad se encuentran
Me entrego desnuda como la lluvia
Generosa como un seno soñado
Tierna como la viña que madura el sol
Múltiple me entrego
Hasta que nazca el árbol de tu amor
Tan alto y rebelde
Tan rebelde y tan mío
Flecha que vuelve al arco
Palmera azul clavada en mis nubes
Cielo creciente que nada detendré.

© Joumana Haddad
(Traducido por Joumana Haddad)

sexta-feira, 30 de maio de 2014

WATER, IT NO GET ENEMY

To ba fe lo weh omi lo- malo (Yoruba)
If you wan go wash- water you go use

Toba fe sobeh omi lo- malo
If you wan cook soup- water you go use

To ri ba ngbona omi lero lero
If your head be hot- water it cool am

Tomo ba ngagda omi lo- malo
If your child dey grow- water you go use

If water kill your child- water you go use
Tobi ba bwi nao homi lo- malo

Ko sohun tole se ko ma lomi- o
Nothing without water (repeat this couplet)

(CHORUS) WATER, IT NO GET ENEMY - (AFTER EACH LINE)
Oh me a water-o
No go fight am, unless you wan die
I say water No get enemy
No go fight am, unless you wan die
O me a water-o
O they talk of Black-man power
O they talk of Black power, I say
I say water No get enemy
No go fight am, unless you wan die
I say water No get enemy
I say water No get enemy
O me a water-o
O me a water-o

Fela Kuti