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sexta-feira, 6 de junho de 2014

Diário Ontológico III

A vida dos livros não é uma expansão da vida do autor dos livros como pensam muitos por aí, no caso dos bons livros de poesia , que tudo indica serem escritos mais por um não-eu do que mediados pelo ego dos poetas, isto é mais evidente ainda, deve existir um além-nome de onde se originam os grandes poemas e passamos a vida intercambiando palavras a partir de um impessoal-abissal com este além-nome, com este não-eu que pode até ser o Daimon e as Musas ao mesmo tempo, ao mesmo interioridade-exterior do mundo e exterioridade-interior do ser dialogando através das linguagens...Tive uma vez um sonho com Jorge Luís Borges em que eu perguntava a ele o que ele sentia quando via seu nome na capa de um livro e ele me respondia : ' lo mismo que cuando se sueña con mi nombre en las lápidas'


Marcelo Ariel 

domingo, 30 de dezembro de 2012


Sobre a arte e a vida ( 01) Lezama Lima costumava dizer que o trabalho dos verdadeiros artistas equivale a fazer cadeiras de gelo para uso dos mergulhadores, a vida não é fácill para ninguém , mas ela certamente é mais difícil para os artistas, que arriscam tudo por sua arte, me parece que apenas os artistas se ocupam em transformar essa imensa e injusta dificuldade e esse risco em beleza e pensamento. 'Par délicatesse J' ai perdu ma vie' , Rimbaud tinha razão, a maioria dos artista perde a vida por causa da delicadeza, da intensa fragilidade e precariedade de seus modos de vida. Fragilidade, precariedade e intensidade quando encontram a alegria de criar algo para o outro, se convertem em seus contrários, a fragilidade se torna força e a intensidade se converte em coragem e a precariedade se dissolve na alegria de criar...Talvez o preço que os artistas paguem seja mesmo o preço da solidão, um tipo de solidão que não os separa do mundo, mas os distancia das pessoas,principalmente das pessoas que eles mais amam, se existe um triunfo nesse fracasso,os próprios artistas não podem afirmar qual a natureza deste triunfo...

Marcelo Ariel