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quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Democratizar es desmercantilizar


El Estado es un espacio de lucha hegemónica entre la esfera pública y la esfera mercantil, pudiendo ser tanto un Estado financierizado, cuanto un Estado refundado alrededor de la esfera pública. En el Estado, decía Pierre Bourdieu, siempre hay una mano derecha y una mano izquierda.
El neoliberalismo destroza al Estado e intenta imponernos la opción entre estatal y privado. Es decir, entre un Estado desarticulado por ellos o el mercado, que es lo se esconde detrás de lo que ellos llaman espacio privado.
Mientras que la disyuntiva es distinta: donde el neoliberalismo habla de esfera privada, lo que hay es la esfera mercantil. Y la esfera contrapuesta no es la esfera estatal, sino la esfera pública. La polarización que articula el campo teórico en la era neoliberal es la que se da entre esfera pública y esfera mercantil.
Democratizar nuestras sociedades es desmercantilizarlas, es transferir de la esfera mercantil hacia la esfera pública, la educación, la salud, la cultura, el trasporte, la habitación, es rescatar como derechos lo que el neoliberalismo impuso como mercancía.

Esa es la mayor batalla de la era neoliberal: la afirmación hegemónica de la esfera pública en contra de la esfera mercantil. Una sociedad justa es una sociedad centrada en la esfera pública, en la universalización de los derechos, en los ciudadanos, como sujetos de derecho; objetivos de los gobiernos posneoliberales.

EMIR SADER

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Pena que tantos intelectuais usam a realidade concreta como ponto de partida, mas depois se perdem no céu da teoria e nao completam o movimento dialético do Hegel e do Marx, de retornar para o concreto como síntese de múltiplas determinações abstratas. A teoria parece um fim em si mesmo e não forma de decifrar o real para penetrar nas massas e se tornar força material de transformação da realidade.

Emir Sader

domingo, 2 de setembro de 2012

Galeano - 28 de agosto
- "Eu tenho um sonho"

Neste dia de 1963, diante de uma imensa multidão que cobria as ruas de Washington, o pastor Martin Luther King sonhou em voz alta:
- Sonho que algum dia meus filhos näo serão julgados pela cor da sua pele, sonho que algum dia toda planície se elevará e toda montanha encolherá...
Naquela altura, o FBI determinou que King "era o negro mais perigoso para o futuro dessa nação", e numerosos espiões perseguiam passo a passo seus dias e suas noites.
Mas ele continuou denunciando a humilhação racial e a guerra do Vietnã, que transformava os negros em bucha de canhão, e sem meias palavras dizia que seu país era "o maior fornecedor de violência do mundo".
E 1968, uma bala partiu seu rosto.
Galeano - 17 de agosto -
Mulher perigosa

Em 1893 nasceu Mae West, carne de pecado, vampira voraz.
Em 1927 foi parar na cadeia, com todo seu elenco por ter encenado um convite ao prazer, sutilmente chamado de Sex, num teatro da Broadway.
Quando acabou de purgar seu "delito de obscenidade pública", decidiu mudar-se da Broadway para Hollywood, do teatro para o cinema, achando que chegava ao reino da liberdade.
Mas o governo dos Estados Unidos impôs a Hollywood um certificado de correção moral, que durante trinta e oito anos foi imprescindível para autorizar a estreia de qualquer filme.
O código Hays proibiu que o cinema mostrasse nudez, danças sugestivas, beijos lascivos, adultérios, homossexualidades e outras perversões que atentassem contra a santidade do matrimonio e do lar. Nem os filmes de Tarzan conseguiram se salvar, e Betty Boop foi obrigada a usar vestido comprido. E Mae West continuou se metendo em confusões.