quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

todo mundo que gosta de música - e mesmo quem não gosta - teve, tem ou terá uma fase chicobuarquiana (também, não dá pra passar incólume pelo caetano veloso - que eu modestamente prefiro ao chico buarque), há que se admitir que o cara é foda (mas, existem uns outros picas do universo na mpb - e incluo o aldir blanc, entre eles). não há como negar que a ditadura foi um perrengue - eu nasci em 1975, então, me lembro pouco além das aulas de ospb e emc na escola - e mesmo que não vivamos uma democracia plena em direitos civis, há que se perceber que deu uma boa melhorada, o sujeito pode dizer quase tudo o que pensa (ou o que não pensa), mesmo sem a garantia que alguém irá ouvir - no meio de tanto turbilhão sonoro, os ouvidos saturam de ruído. nesse mar de veleidades pseudopolíticas da intelligentsia (sempre ela) surgem tipos como aqueles paspalhos - que francamente desconheço - que produziram lá a celeuma com nosso douto autor e compositor. polêmicas à parte, todo mundo está careca de saber que não simpatizo muito com o pt e muito menos com o psdb e afins (entre o caviar e a coxinha, prefiro o rollmops), não sei se o assunto merece a vênia que lhe foi dada, muito menos que o sobrinho do pai dos burros seja defendido, sobretudo com uma indignação quase impudica. acontece tanta barbaridade neste país que o que aconteceu, na ordem das coisas, não tem absolutamente nenhuma relevância, o melhor era deixar os tontos falando sozinhos. "ah, mas era o chico", bem, nesse caso, sugiro que levantemos todos e entoemos o hino nacional, solenes e vetustos, em honra ao punzinho que o chico pode estar dando, neste momento, claro, porque ele é humano, como eu, você raro leitor, e todos os pobres miseráveis deste país e a quem a polêmica que interessa é a comida na mesa, enquanto brincamos de política.

William Teca

A justificativa para o golpe que destituiu o então presidente de Honduras, Manuel Zelaya, em 2009, foi ter convocado um plebiscito popular para decidir sobre uma Assembleia Constituinte. A oposição, com apoio da Suprema Corte, o acusou de crime contra a pátria.
No Paraguai, o motivo da deposição de Lugo, em 2012, que ocorreu em 24 horas no parlamento, foi o de má administração, após um conflito armado pelo empresário Blás Riquelme e opositores colorados para gerar um banho de sangue de policiais e camponeses na região de Curuguaty.
Três elementos são importantes nesses casos, que precisamos ter atenção:
1) Não houve sequer possibilidade de defesa aos presidentes e os parlamentos agiram sumariamente (em Honduras forjaram, inclusive, uma carta de renúncia de Zelaya), violentando princípios constitucionais dessas nações.
2) A motivação real do golpe, em ambos os casos, foi estritamente política, após uma propaganda sistemática de desmoralização dos presidentes na opinião publicada pela grande mídia e uma maioria opositora no parlamento.
3) Os presidentes foram destituídos com efetivo apoio de partidos governistas, assumindo em seus lugares supostos aliados dos presidentes depostos.

O Brasil não é Honduras ou o Paraguai, mas precisamos ter a consciência que também temos uma oposição que não tem qualquer apego à democracia e aliados governistas (PMDB, em especial) bem disponíveis para o golpe.

André Castelo Branco Machado

A INDÚSTRIA CULTURAL NA FORMAÇÃO DA OPINIÃO


“É da opinião que vem a desgraça dos homens.” (Gilles Deleuze).

A indústria cultural é uma expressão que designa a produção da cultura segundo os padrões e os interesses do capitalismo, para consumo de massa, no esforço para definir o que todos querem ler, os filmes que preferem, as músicas da moda etc. E, as respostas já vem prontas, como nos livros de autoajuda.
Já a opinião é um pensamento subjetivo, uma ideia vaga sobre a realidade, que não tem fundamentação na realidade e na maioria das vezes nem pode ser explicada. Assim, utiliza-se quase sempre da emoção para apresentá-la.
É comum, por exemplo, alguém dizer que é contra ou a favor de determinada situação sem um motivo concreto, talvez por uma ideia aligeirada, por superstição ou crença absorvida sem ponderação.
Por isso, é muito fácil manipular as opiniões; exemplos não faltam, seja através da religião, da mídia, da escola etc.
No caso dos meios de comunicação, estes fabricam ideias e desejos por meio da propaganda e de sua grade de programação.

Não é à toa que muitos políticos ganharam o público como agentes da comunicação. São os ditos formadores de opinião, quem exercem grande influência sobre o modo de pensar da sociedade e podem mudar as opiniões alheias.

"Christmas Eve: Nearing Midnight In New York"

Langston Hughes


The Christmas trees are almost all sold
And the ones that are left go cheap
The children almost all over town
Have almost gone to sleep.
The skyscraper lights on Christmas Eve
Have almost all gone out
There’s very little traffic
Almost no one about.
Our town’s almost as quiet
As Bethlehem must have been
Before a sudden angel chorus
Sang PEACE ON EARTH
GOOD WILL TO MEN!
Our old Statue of Liberty
Looks down almost with a smile
As the Island of Manhattan

Awaits the morning of the Child.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Fogo da Língua

A língua portuguesa nasceu no fogo da guerra dos humildes, oprimidos e periféricos do Noroeste Ibérico. Língua com raízes romano-célticas, temperada com o povo local da Lusitania e Galécia, mais suevos, alanos e Borgonha, criando uma nova sociedade, um novo Estado na luta incessante contra invasores e suas línguas opressoras. Cada fogo somente a torna mais poderosa porque expressa uma comunidade, na luta e defesa da sua língua e vida social. Historicamente a língua portuguesa só cresceu quando os fatores democráticos e populares conseguiram triunfar. As Gentes Cristãs do Minho a tentar sobreviver. Na Criação de Portugal contra almorávidas, almoádas, mouros e árabes. Na Crise de 1383-1385 contra castelhanos. Na Guerra de Restauração, depois de 1641, em grande guerra mundial pela sua sobrevivência contra Holanda e Espanha. Nas Guerras Napoleônicas forjando a unidade brasileira. A língua portuguesa foi capilarizada, ampliada e miscigenada na conquista e colonização do Brasil pelos seus falantes, os antepassados dos brasileiros coloniais, nossos antepassados, marinheiros, fazendeiros, bandeirantes, pioneiros e povoadores, juntos com todos aqui reunidos, de uma maneira ou de outra. Índios destribalizados e violentados nas suas origens. Africanos vendidos e banidos das suas origens. Europeus expulsos e afastados de suas origens. Nativos, escravos, migrantes e outros recuperam suas vozes e identidades com a mesma língua e a influenciam ativamente. Quer o destino novamente que se torne língua de luta de expressão de direitos políticos, agora no século XXI, de imensa massa ainda sem voz na metade da América do Sul, para realizarem mais uma vez o seu destino glorioso surgido a partir do fogo das lutas populares, tal como há mil anos nos confrontos dos fogos da existência.

Ricardo Costa de Oliveira
Por seguir tras de su huella
yo bebí incansablemente
en mi copa de dolor,
pero nadie comprendía
que si todo yo lo daba,
en cada vuelta dejaba
pedazos de corazón.
Ahora solo (triste) en la pendiente,
solitario y ya vencido
yo me quiero confesar:
Si aquella boca mentía
el amor que me ofrecía,
por aquellos ojos brujos

yo habría dado siempre más...

 Gardel 
“Há um radar coletivo que os pobres têm, e que os ricos não têm, tanto que estão levando o mundo para a própria destruição deles: a classe rica vai ser destruída pela próxima movimentação da Terra. Eles perderam o faro, perderam a sensibilidade porque a morte para eles é uma coisa que não existe”.
(Henfil)
Dilma ganhou, Cunha perdeu, Renan assume protagonismo, Temer recua, Fachin derrotado por Barroso – a preliminar do julgamento do impeachment foi narrada pela mídia como se fosse o primeiro tempo de uma partida de futebol, que começou antes do Natal e só vai terminar depois do Carnaval .
(Alberto Dines)

Vivo de amor tan libre



Vivo de amor tan libre, y he vivido,
que voluntario pruebo su dolencia,
dando ejercicio a tanta resistencia
como huelga en mi pecho endurecido.

Miro la llama a la distancia asido, 
siendo costumbre libre y no prudencia,
que a beldad, donde es alma la apariencia
harto le sirve el riesgo de un sentido.

Huya del mar el que en seguro suelo
los claros riesgos vio del anegado; 
no tiente el mar en fe de luz divina.

Que las piedades las reserva el cielo
para quien gime a su ruina atado,
no para aquel que labra su ruina.
Volver a poemas de Gabriel Bocángel

 Gabriel Bocángel


Biblioteca Digital Ciudad Seva

El sueño



Jorge Luis Borges

Si el sueño fuera (como dicen) una
tregua, un puro reposo de la mente,
¿por qué, si te despiertan bruscamente,
sientes que te han robado una fortuna?

¿Por qué es tan triste madrugar? La hora
nos despoja de un don inconcebible,
tan íntimo que solo es traducible
en un sopor que la vigilia dora

de sueños, que bien pueden ser reflejos
truncos de los tesoros de la sombra,
de un orbe intemporal que no se nombra

y que el día deforma en sus espejos.
¿Quién serás esta noche en el oscuro
sueño, del otro lado de su muro?
Volver a poemas de Jorge Luis Borges




Biblioteca Digital Ciudad Seva

domingo, 20 de dezembro de 2015

Até quando Gilmar vai abusar da nossa paciência?

 Por Paulo Nogueira


Até quando nossa paciência vai aguentar o ministro Gilmar Mendes? A grande sentença de Cícero contra o conspirador Catilina lembrada esta semana na operação da PF que enfim deu um tranco em Eduardo Cunha se aplica a Gilmar. Até quando vamos aturá-lo? O Brasil está se reconstruindo. Haverá lugar para um juiz que toma decisões políticas, sem nenhum pudor, e não técnicas? Para um juiz que vai de microfone a microfone na mídia amiga para fazer pronunciamentos políticos? Há tempos Gilmar age de maneira incompatível com a dignidade de um juiz, mas esta semana ele escalou degraus. Na sessão do STF que definiu o procedimento do impeachment, seu voto foi uma torrente de insultos ao governo. Ninguém mais fez isso. Mesmo os que voltaram com ele se detiveram em sua interpretação da Constituição. Não bastasse isso, num protesto patético num homem de sua idade, saiu no meio dos debates sob a alegação de que teria que viajar. Ora, ora, ora. Que viagem seria tão importante assim para ele abandonar o plenário num momento de tamanha relevância para o país? O mais provável é que ele tivesse ficado revoltado ao ver que o voto de Fachin, que ele endossou, fora surpreendentemente atropelado depois da divergência de Barroso, este sim um exemplo de compostura. Não foi tudo. No dia seguinte, numa entrevista à Jovem Pan, Gilmar desqualificou seus pares ao dizer que o STF foi cooptado pelo governo. Ele usou, mais uma vez, a palavra bolivarianismo, que para ele simboliza uma Justiça que se pauta pela política. De novo: ora, ora, ora. Que juiz é mais bolivariano que Gilmar? Ele faz do STF uma tribuna política desde sempre. Quem o indicou foi FHC, que promoveu um aparelhamento terrível da Justiça. Num perfil louvatório escrito para uma revista da Folha anos atrás, Eliane Cantanhede citou as ligações de Gilmar com o PSDB. Repare. Eu escrevi citou, e não acusou. Também ela pertencente ao Planeta Tucano, Eliane não se deu conta da gravidade do que escrevera num texto em que as adulações não se limitaram a Gilmar e se estenderam para sua mulher. A semana da infâmia de Gilmar se completou com uma entrevista dada à jornalista Mariana Godoy. Ele chamou Dilma de poste, sem nenhuma hesitação. Mariana ficou desconcertada. Tudo isso posto, até quando vamos ter que aturá-lo? Há uma evidente quebra de decoro no comportamento de Gilmar. Juízes não podem agir assim. Tente encontrar em sociedades avançadas um juiz como ele. Impossível. Num Brasil melhor, não cabem Gilmares. Não estou dizendo que um juiz não possa ser conservador como ele. Pode. É do jogo. Mas é inaceitável que aja como um torcedor de futebol, como um bolivariano exaltado e tolo. Quebra de decoro num juiz do STF pode resultar em processo e afastamento, diz a Constituição. É uma decisão que caberia, na etapa final, ao Senado. Está escrito. É crime de responsabilidade, num juiz, “proceder de modo incompatível com a honra, a dignidade e decoro de suas funções”. Alguém tem definição melhor para o que Gilmar vem fazendo?
Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência?
Por quanto tempo a tua loucura há de zombar de nós?
A que extremos se há de precipitar a tua desenfreada audácia?
Nem a guarda do Palatino, nem a ronda noturna da cidade,
nem o temor do povo, nem a afluência de todos os homens de bem,
nem este local tão bem protegido para a reunião do Senado,
nem a expressão do voto destas pessoas, nada disto conseguiu perturbar-te?
Não te dás conta que os teus planos foram descobertos?
Não vês que a tua conspiração a têm já dominada todos estes que a conhecem?
Quem, dentre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, onde estiveste, com quem te encontraste, que decisão tomaste?

Oh tempos, oh costumes!
"“Há uma dimensão totalitária quanto à linguagem e a instrumentalização da linguagem política. Não vejo como a esquerda possa reagir diante dessa ofensiva totalitária da mídia”, diz Laymert. “Snowden e Assange entenderam que o poder está na informação. Mais do que isso, entenderam que, ao contrário do Facebook, que fornece mais do mesmo e satisfaz o narcisismo das pessoas, o que importa é a informação que não se vê, que está oculta. No mundo atual, a informação real é a que não é exposta.”

Diante da sistemática ofensiva do oligopólio de comunicação, “não existe mais” cobertura (jornalística), no sentido de processar informações reais. “A mídia é parte ativa na criação de versões e ficções sobre o que acontece. O que é de fato real soçobra.”

Entre os veículos de comunicação que fazem parte da campanha contra o governo petista de Dilma Rousseff, Laymert considera a Folha de S. Paulo o mais sofisticado e eficiente na construção do discurso da negatividade.

“A Folha é a mais elaborada, porque eles estão há mais de 30 anos elaborando o discurso do ressentimento. Sempre, em qualquer momento em que há uma positividade, o discurso é negativo. Se a notícia é boa, existe o recurso: ‘mas…’”

A operação que se desenvolveu nos últimos meses para proteger o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que poderia ser o condutor do impeachment desejado pela direita do país, para o sociólogo, é absurda.

“Ele (Cunha) está apodrecendo todos os dias e não cai. Como é possível construir essas redes de proteção? Os ladrões estão gritando ‘pega ladrão’ para quem não é ladrão.”

O grande problema, para Laymert, é que “o outro lado não consiga responder”. Segundo a análise, “estamos vivendo um fenômeno complicado para o qual a esquerda não tem respostas”.

Ele diz que desde os anos 1980 observa a dificuldade da esquerda em compreender a questão midiática.

Um dos principais erros de líderes petistas foi acreditar que, quando o PT chegasse ao poder, haveria uma “troca de sinal” e os meios de comunicação passariam a ser mais benevolentes com os esquerdistas. Mas o que se viu foi o contrário. “Uma vez no poder, a esquerda tem uma atitude ao mesmo tempo de submissão e fascínio pelos meios de comunicação.”"

Laymert Garcia dos Santos

sábado, 19 de dezembro de 2015

Sussurros - A vida privada na Rússia de Stálin

"Sussurros revela as histórias ocultas de famílias soviéticas comuns que viveram sob a tirania de Stálin. Muitos livros descrevem os aspectos externos desse período - as prisões e os julgamentos, as escravizações e os assassinatos no Gulag -, mas este é o primeiro a explorar com profundidade sua influência na vida de quem sofreu as opressões stalinistas. Como o povo soviético conduzia sua vida privada durante o governo de Stálin? O que as pessoas realmente pensavam e sentiam? Que tipo de cotidiano era possível nos apartamentos comunais abarrotados, onde quartos eram divididos por uma família inteira- às vezes até por mais de uma- e as conversas podiam ser ouvidas no cômodo ao lado? O que significava a vida privada quando o Estado controlava quase todos os aspectos dela por meio da legislação, da vigilância e da ideologia?"

Sussurros - A vida privada na Rússia de Stálin

Autor: Orlando Figes - Editora Record
Quando vejo as críticas e solicitações referentes à existência do bolsa-família:eu penso: o que podem fazer 70 e poucos reais para resolver o problema de segurança alimentar? Aí acrescento ao raciocínio iniciado, a seguinte questão: quem come três ou quatro vezes ou cinco ou dez, por obra de deus ou do pai não presente ou da mãe chata: não valoriza segurança e não deve entender o que é alimentar. Quem passou restrições e de alguma forma(como comigo aconteceu) superou uma ou outra ou outras dificuldades, poderia questionar: devem fazer como eu fiz. É neste exato momento que eu penso: ruminar pequenezas nos faz grandes? Leio notícias de países nórdicos pensando: Daremos um salário(em euros) para nosso povo e eles vão decidir e trabalhar.e por não comer couve e arrotar faisão:eu considero e considero e admiro: que com a barriguinha cheia de arroz e feijão, grande da população esquecida, sobrepujada e coberta de humilhação:sempre vá adiante. e não é só no nordeste e norte e adjacências:há muita desigualdade e miséria superada aqui no sul também. Desigualdade social é um presente do capitalismo, não importa a região.



 Julio Urrutiaga Almada


Complicado analisar a substituição de Joaquim Levy por Nelson Barbosa. Isso, porque a economia é uma ciência difícil, que não está ao alcance da grande maioria - e também porque as crises econômicas acabam sabe-se lá por quê. Difícil, na maior parte dos casos, dizer que acabaram porque foi feita a "lição de casa" (ortodoxia: cortes, recessão supostamente produzida e de curto prazo, algum desemprego) ou porque se apostou no consumo (heterodoxia: Keynes, distributivismo, mais despesas estatais). Há histórias de sucesso (heterodoxia: Lula) e de fracasso para sustentar qualquer das teses.
Honra se faça a Levy. Veio para um governo do qual discordava (teve simpatia por Aécio), tentar consertar uma economia que se estava quebrada não era por sua culpa. Aguentou um ano, ouviu o que quis e não quis. Do pouco contato que tive com ele e do que li e ouvi, digo que foi leal, e isso num momento difícil. Não sei quanto isso lhe custou pessoalmente.
Para os que vão "acusá-lo" de tucano, lembrem que foi menos tucano do que Henrique Meireles, que Lula colocou em seu governo e que era sugerido para o lugar de Levy.
O problema é que, passado um ano, a economia não melhorou. Isso foi por excesso ou falta de Levy? Precisava de mais ortodoxia - ou de nenhuma? A economia não é uma ciência tão exata que permita uma resposta definitiva.
Nelson Barbosa: está sendo atacado. Mas não é gastador. Sua vantagem é que tem conhecimento de dentro do governo. Sabe, sobre as políticas públicas, quais vai custar mais caro abolir do que manter. Falta dinheiro, ele sabe disso, não liberava fácil para o MEC (na minha experiência). Mas, quando realmente precisava, se esforçava por ter o dinheiro.

Porque, em certos casos, você cortar sai contraproducente. P ex, se o Mais Médicos/expansão de vagas nas universidades federais está todo pronto, mas falta contratar um certo número de professores, precisa contratá-los, se não vc esteriliza o dinheiro já investido.

Renato Janine Ribeiro

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Se quisermos entender o comportamento de Joaquim Barbosa e de Fachin, Ministros indicados ao STF pelo PT, precisamos entender a dimensão do "câmbio moral" de algumas pessoas, com origens subalternas, em suas trajetórias de ascensão social, política e institucional. Esta é a problemática desenvolvida plenamente nos romances de Machado de Assis. Todas as pessoas e personagens iniciais atravessam fronteiras sociais e aceitam o jogo da dissimulação, para serem aceitas nas esferas superiores da mesma sociedade, dentro das regras sociais e institucionais dos dominantes.

Ricardo Costa de Oliveira 


A próxima vez que alguém me vier falar em meritocracia vou mandar nascer em Soweto, Capão Redondo ou Vidigal na década de 60 e se tornar médico, engenheiro nuclear ou Steve Jobs em 25 anos.

Otto Leopoldo Winck
"Vocês ficam criticando a PM porque ela diz que tinha menos pessoas do que pudemos ver nas manifestações. Absurdo. Até parece que vocês não sabem que o conceito de 'pessoa' que a PM admite é bem, bem restrito. Gente de camiseta vermelha ou falando em democracia, por exemplo, não conta - não é "pessoa" no sentido pleno. É alvo." 

Tarso de Melo

Dia da Hipocrisia


Dia 15 de outubro é o famoso dia dos professores. Um dia que é mais comemorado pelos alunos e professores por não ser um dia de trabalho na escola do que por qualquer outra coisa. Um dia que serve mais para a sociedade mandar mensagens de apoio aos professores do que realmente valorizar a profissão. Isso significa que o dia dos professores é mais uma valorização da boca pra fora do que uma valorização efetiva. Pois é mais fácil criar um dia dos professores do que dar estrutura adequada para uma escola, assim como é mais fácil mandar uma mensagem de apoio por ano do que prestar atenção na aula do professor ou realizar as atividades propostas por ele. Daí que o dia 15 de outubro é também o dia da hipocrisia.
Mas qual é causa desta hipocrisia? No Brasil, o professor não é valorizado porque a busca pelo conhecimento não é valorizada. De modo geral, a busca de conhecimento é a busca pelo domínio de conceitos e técnicas mais eficazes para resolver os problemas que nos aparecem, seja eles de ordem conceitual ou de ordem prática. Por exemplo, a busca pelo conhecimento serve: para decidir se a liberdade é mais importante que a igualdade dentro de uma sociedade; para saber se determinada espécie animal pode ser considera em processo de extinção, para decidir se a soja transgênica é mais rentável que a soja orgânica, para decidir se o tempo de um semáforo deve ser maior para pedestres do que para carros e bicicletas, etc. Pode ser entre amigos, pode ser na Assembléia Legislativa ou numa empresa, a busca pelo conhecimento é vista como algo desnecessário e aborrecedor. Assim, sempre que precisamos fazer escolhas, o conhecimento é sempre considerado algo secundário.
Numa roda de conversa entre amigos ou entre colegas de trabalho, muitas vezes em que a conversa tende a ser mais sofisticada e razoável, insatisfações são manifestadas. Isso porque a busca pelo conhecimento é inseparável da critica e controvérsia, de modo que a conversa ou o debate é mais trabalhoso e difícil. Mas a insatisfação não ocorre apenas pela dificuldade, mas também porque é considerada inútil. É comum dizer que tais conversas não “levam à nada”.
Nos gabinetes, câmaras e assembleias políticas, quase todas ações em prol do ensino são condicionadas à falta de urgências em prol de outras áreas. Por exemplo,  só constrói mais salas de aula ou contrata mais professores se não tiver urgências para a Secretaria de Meio Ambiente ou de Minas e Energia. Entre reformar uma escola e doar dinheiro para uma ONG que apoia um político ou governo é óbvio que a ONG tem preferência. Entre manter um ministro competente para o cargo e colocar um companheiro de luta política, a segunda opção é a eleita.
Até mesmo nas escolas a busca pelo conhecimento não é prioridade. Entre escolher se o notebook da escola vai ser usado em sala de aula para os professores utilizarem o data show ou se vai ser usado pela direção, a escolha sempre é para o uso da direção. Este ano em muitas escolas estaduais do Paraná, para citar outro exemplo, a comunidade escolar (inclusive professores) escolheu implantar a sexta aula para readequar o calendário após o período de greve. A justificativa foi as matrículas universitárias dos alunos de terceiro ano e a manutenção das férias, não foi a qualidade do ensino. Se as escolas estaduais não têm condições de ter cinco aulas, devido as péssimas condições de trabalho, tem menos condição ainda de ter seis aulas.
Estes casos mostram também que nós professores e comunidade escolar como um todo não fazemos escolhas melhores que as dos políticos. Muitas vezes é difícil julgar qual caminho tomar, e, no calor das circunstâncias, tendemos a tomar o caminho mais fácil. É assim que subvertemos prioridades. Nem todas as ações dos políticos brasileiros são resultado de má fé. Devido às circunstâncias, como pessoas falíveis e com necessidades particulares, os políticos acabam optando por ações que marginalizam a busca pelo conhecimento, assim como nós também marginalizamos a busca pelo conhecimento.
Ora, se a busca pelo conhecimento não é valorizada, o profissional desta atividade também não será valorizado. Se hoje é inútil utilizar uma máquina de escrever, também é inútil a necessidade de datilógrafos. A questão é que o mundo inteiro valoriza a busca pelo conhecimento, tendo a necessidade de valorizar os profissionais desta área. Mais que um folclore ou devoção religiosa, a valorização dos professores é uma necessidade social. Por isso, não basta tratar o dia do professor como se trata do dia do Papai Noel ou se trata do dia de uma entidade divina. Mais que admirações, devoções e preservação de costume, a profissão docente precisa ter suas funções e seus objetivos respeitados. Quem está disposto a respeitar?

Thiago Melo