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sábado, 19 de março de 2016

creio que existe um certo glamour em ser de esquerda, um romantismo goliardo que remonta a noites frias em alguma silenciosa estalagem da europa oriental, ou, quem sabe, a associação a um tropicalismo selvagem de charutão na boca e cabelos ao vento - evidentemente, ao som de um bolero. contudo, o tesão mesmo, deve estar na conspiração, claro, não há graça nenhuma em ser revolucionário sem conspirar e ser conspirado, isso sem falar, na possibilidade do exílio, já pensou, ser alçado à categoria de exilado, fazer obras proibidas, impublicáveis e geniais? o contato ontológico com a própria cultura, insulado numa terra estrangeira? mas, também há um certo glamour em ser de direita. grandes festas, viagens, mulheres, carrões, aquele élan dos filmes sobre a guerra fria - ao som de bizet ou puccini, tomando vinhos caros, porque de ferro só a cortina e a margaret thatcher. isso sem falar na espionagem e contraespionagem, claro, que graça há em ser de direita sem espionar e ser espionado? e quem sabe terminar numa embaixada em praga ou paris ou londres, com a sensação cosmopolita de ser de todo lugar e de lugar nenhum.

William Teca

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

todo mundo que gosta de música - e mesmo quem não gosta - teve, tem ou terá uma fase chicobuarquiana (também, não dá pra passar incólume pelo caetano veloso - que eu modestamente prefiro ao chico buarque), há que se admitir que o cara é foda (mas, existem uns outros picas do universo na mpb - e incluo o aldir blanc, entre eles). não há como negar que a ditadura foi um perrengue - eu nasci em 1975, então, me lembro pouco além das aulas de ospb e emc na escola - e mesmo que não vivamos uma democracia plena em direitos civis, há que se perceber que deu uma boa melhorada, o sujeito pode dizer quase tudo o que pensa (ou o que não pensa), mesmo sem a garantia que alguém irá ouvir - no meio de tanto turbilhão sonoro, os ouvidos saturam de ruído. nesse mar de veleidades pseudopolíticas da intelligentsia (sempre ela) surgem tipos como aqueles paspalhos - que francamente desconheço - que produziram lá a celeuma com nosso douto autor e compositor. polêmicas à parte, todo mundo está careca de saber que não simpatizo muito com o pt e muito menos com o psdb e afins (entre o caviar e a coxinha, prefiro o rollmops), não sei se o assunto merece a vênia que lhe foi dada, muito menos que o sobrinho do pai dos burros seja defendido, sobretudo com uma indignação quase impudica. acontece tanta barbaridade neste país que o que aconteceu, na ordem das coisas, não tem absolutamente nenhuma relevância, o melhor era deixar os tontos falando sozinhos. "ah, mas era o chico", bem, nesse caso, sugiro que levantemos todos e entoemos o hino nacional, solenes e vetustos, em honra ao punzinho que o chico pode estar dando, neste momento, claro, porque ele é humano, como eu, você raro leitor, e todos os pobres miseráveis deste país e a quem a polêmica que interessa é a comida na mesa, enquanto brincamos de política.

William Teca

domingo, 29 de novembro de 2015



eu já gostei muito deste cara - lembro quando me fascinei com "a idade da razão", para o qual eu não tinha nem idade e nem razão, para ler - depois veio "a náusea", de camus (que depois perdeu a posição, dentre minhas leituras prediletas, para o monstro graciliano e seu "angústia" - aliás, meu prosador predileto, cá por estas terras); "o ser e o nada" teve uma primeira leitura um tanto atabalhoada por mim, mas, da segunda vez, foi bem mais claro. até arriscaria uma terceira leitura - só que estou me dedicando a outras praias. contudo, confesso que sartre ganhou uma perspectiva nova, depois que li a digníssima e fodástica simone de beauvoir.

William Teca via Colunas Tortas