sábado, 30 de janeiro de 2016

O ataque da mídia contra Lula

Otto Leopoldo Winck..... Espanta-me que muita gente esclarecida caia na esparrela da mídia. Como em 1954. Como em 1964. Não aprenderam? É o mesma novela. Se não fosse real daria tédio. Esta mídia nunca esteve do lado do Brasil.

Clóvis Manfrini Souto Calado.... Pior que caem. É impressionante o poder da grande mídia, não só aqui na republiqueta brasiliana, mas em todo mundo. Por isso numa Revolução, o primeiro grande ato não é na questão econômica, é o confisco dessa mídia das mãos podres da burguesia. Censurar a burguesia é um dever revolucionário, se não for feito isso de nada serve o Poder Revolucionário.

Otto Leopoldo Winck Pois é, não há democracia quando há monopólio da informação. Se democracia é o poder do povo, este povo deve ter livre acesso à informação.

Clóvis Manfrini Souto Calado..... A Comunicação, assim como educação, saúde, transportes e segurança pública, devem ser públicos, isso em qualquer sistema (mesmo no capitalismo). Fazer dessas áreas mercado é fazer com que monopólios se criem. Marx, Engels, Lênin e até mesmo Stálin, não tinham ideia da força nefasta desse aparelho ideológico que é a comunicação nas mãos privadas. Eu prefiro mil vezes um industrial com centenas de fábricas do que um único dono de uma rádio de interior vomitando mentiras a todo momento. Hoje aqui no Brasil o nosso maior inimigo não é o PSDB, latifundiários, burgueses reacionários, nosso maior inimigo se chama a grande mídia. E ela tá conseguindo nos vencer nessa batalha desigual. Enquanto eles usam bomba H, nós estamos com estilingues...

Otto Leopoldo Winck ....Ainda mais, Clovis, que no Brasil não há nenhuma lei que coíba as arbitrariedades da mídia, como em países "civilizados", como Portugal, Suécia, Inglaterra...

Clóvis Manfrini Souto Calado.... Sim, isso mostra nosso capitalismo um antro de atraso. Nosso capitalismo veio capenga e sempre que ele tenta avançar e se modernizar vem umas antas de São Paulo travar esse desenvolvimento. Foram os cafeicultores paulistas que barraram o ensaio de desenvolvimento desse pobre país ainda na época de Pedro II (lembrem o que passou o Barão de Mauá), aí vem uma comédia bufa como a tal "revolução constitucionalista" de 1932, promovida e patrocinada pelas classes altas da Paulista (sem falar que acabaram com o movimento tenentista de 1924), depois o Golpe contra Getúlio em 1945 quando as forças paulistas foram líderes nesse processo que culminou mais dois golpes (1954 e 1964). O câncer do Brasil tem nome e endereço: a elite reacionária de São Paulo.

Otto Leopoldo Winck.... Cara, esse comentário vale um post. É isso mesmo. Agora Fiesp & Cia (de repente literalmente a CIA mesmo) lideram o auê golpista.


"Sabes que o capital esmaga o operário. Entre nós o operário e o mujique suportam todo o peso do trabalho e, por mais que façam, não podem fugir ao seu estado, permanecendo sempre bestas de carga. Todo o benefício, tudo o que permitiria aos trabalhadores melhorar sua sorte, e dar-lhes algum prazer e educação, tudo isso lhe ė roubado pelos capitalistas. 

(TOLSTÓI. Ana Karenina, 1870)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

1 - Bom, a Argentina não precisa mais de REVOLUÇÃO COLORIDA ou de PRIMAVERA ARGENTINA, pois o objetivo de colocar o neolonialismo no poder foi alcançado pelas eleições. Então, o 2001 DA ARGENTINA está recomeçando! A virada do milênio foi muito dolorosa para os argentinos, na ressaca do PLANO CAVALLO. Pois bem! Acho que este plano foi apenas um pequeno ensaio do que está por vir pela frente. MACRI, o AÉCIO ARGENTINO, é uma luz no túnel para a solução dos problemas principalmente dos ingleses e dos americanos, pois, suas empresas poderão ter acesso a commodities baratas, a um mercado de consumo fácil e com isso recuperar suas economias cambaliantes da atualidade, pelo menos em parte; se dispusessem do Brasil, nas mesmas condições, acho que já teria resolvido seus problemas econômicos. Mas, a que custo? A custo da piora da situação dos nativos, é claro! E os nativos são sempre as maiorias pobres que se empobrecem mais ainda.

2 - Por isso é preciso reprimir qualquer forma de reação ao entreguismo. Acho que a Argentina vai entrar numa fase sem precedentes em sua história. Se ela resolver colocar bases norte-americanas em seu território, contrariando os acordos da UNASUL, então representará um perigo bélico para o Brasil e será hora de agir.


3 - Acho que isso não está muito longe, pois RICOS SÓ EXISTEM ENQUANTO ESTIVEREM EXPLORANDO POBRES, ou seja, TRABALHANDO PARA ELES POR SALÁRIOS DE FOME. Alguns não gostam desta linguagem áspera e prefiram dizer que as classes menos favorecidas pelo destino têm que colaborar com as mais abastadas para garantirem o seu ganha-pão e não morrer de fome, e que há dignidade nisso, inclusive religiosa. As duas linguagens falam a mesma coisa e a distinção é que a primeira revela a realidade e a segunda a esconde. A primeira leva à luta pela melhoria das condições de vida e, obviamente, à diminuição dos lucros dos outros; a segunda leva à conformação da consciência à realidade dada e a busca de uma redenção eterna depois da vida - a fé e a esperança de uma vida melhor no além.

Protásio Vargas
“Fornovo, 29 de abril de 1945. O hipomóvel e arcaico Exército Alemão se rende à totalmente mecanizada e motorizada Força Expedicionária Brasileira: "Para todos, mas em especial para os admiradores da eficiência militar alemã, deve ter sido paradoxal perceber que, mesmo ao final da guerra, o exército que criou o conceito da Blitzkrieg ainda dependia, em larga escala, de carroças e carretas tracionadas a cavalo, para transporte e tração de material de guerra e logístico. Oficialmente, a artilharia do Exército Alemão era quase toda hipomóvel, bem como praticamente todas divisões de infantaria. Mesmo ao final da Segunda Guerra Mundial, em sua maior parte, o Exército Alemão era exatamente como quase todas unidades do Exército Brasileiro, antes da guerra: hipomóveis. A modernidade da Blitzkrieg, entre os alemães, sempre teve que coexistir com vários dos métodos e recursos da Primeira Guerra Mundial, sendo necessário empregar centenas de milhares de cavalos para deslocar toda logística e boa parte do material de guerra de suas divisões de infantaria".

 Pg. 156 do livro "Extermine o Inimigo: Blindados Brasileiros na Segunda Guerra Mundial" de Dennison de Oliveira disponível em https://www.jurua.com.br/shop_item.asp?id=24316 Acervo do OCIAA no US National Archives .


(…) La denominada «teoría de la estratificación social» –clase alta, media y baja, con sus estratos intermedios– que constituye el núcleo duro de Sociología, sólo puede dar cuenta de los cambios externos provocados por las previas subidas o bajadas de los salarios, pero en modo alguno puede, primero, establecer la dependencia de los salarios con respecto a las contradicciones socioeconómicas y a incidencia determinante de la lucha de clases, y segundo y dependiendo de ello, relacionar los comportamientos sociopolíticos de las «clases medias», o sea, los cambios en su conciencia política, elemento este vital en la teoría marxista de las clases sociales. Por ejemplo, Engels realizó durante nada menos que veintiún meses un estudio muy riguroso y extenso sobre la clase obrera inglesa, publicado en marzo de 1845. En la Introducción el autor hace una directa referencia al egoísmo de «la clase media inglesa», que pretende hacer pasar sus intereses particulares como los verdaderos intereses nacionales, aunque no lo consiga(…)

Autor Iñaki Gil de San Vicente marxista europeo


Link; https://borrokagaraia.wordpress.com/2014/02/17/clases-y-pueblos-sobre-el-sujeto-revolucionario/

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Para entender hoje o Paraná e o Brasil. O nosso novo livro, uma coletânea, do Núcleo de Estudos Paranaenses sobre Mulheres, Política, Famílias e Nepotismo. Parte da minha conclusão: Podemos responder a seguinte indagação sociológica – O que acontece com as famílias e descendentes dos novos atores sociais, econômicos e políticos estudados ? Os emergentes e seus descendentes muitas vezes casam com famílias já estabelecidas, com velhas genealogias e com vínculos mais antigos na classe dominante tradicional, operando a absorção dos novos e a continuidade da classe dominante. Mulheres formam alianças matrimoniais decisivas. A ascensão do bacharel, do mulato, do filho do imigrante espanhol, libanês, do empresário, do político, também passa pelos casamentos, alianças e conexões com famílias estabelecidas das antigas elites da classe dominante tradicional. Estas famílias antigas foram escravistas e possuem as suas histórias familiares conhecidas e estudadas nas genealogias tradicionais. Abdon Batista e Teresa, a mulher da família Oliveira (classe dominante tradicional de São Francisco do Sul, Joinville). Moisés Lupion e Hermínia, a mulher da família Borba Rolim (classe dominante tradicional de Tibagi). Aníbal Curi e a mulher da família Saboia (classe dominante tradicional dos Rios Iguaçu e Negro). Beto Richa e Fernanda Vieira (Banco Bamerindus e classe dominante tradicional Junqueira). O papel e o protagonismo das mulheres são muito importantes nestas formas de metamorfose burguesa. Não há apenas o novo e novas rupturas, mas continuidades e conciliações entre as novas dinâmicas e as velhas tradições. A desigualdade social, a concentração de terras, rendas, riquezas e de poderes também são fenômenos genealógicos de longa duração. Não houve e nem ocorreu uma “Revolução Burguesa” no Brasil porque o “Antigo Regime” persistiu, sobreviveu, se associou e mesmo se casou com muitos dos novos componentes do que seria a modernização social, econômica e política. A metamorfose burguesa explica, em termos de uma sociologia histórica e política, qual o papel das mulheres tradicionais e estabelecidas na reprodução da ordem social.

Ricardo Costa de Oliveira

Os negros só entraram na universidade pela primeira vez, nos estados do sul dos Estados Unidos, em 1958, sob proteção policial, para não serem linchados pelos estudantes brancos -- há fotos e filmes que registram esse fato. Até meados da década de 1960, usavam banheiros separados dos brancos e sentavam em lados diferentes no ônibus. Leis contra casamento e sexo interraciais estiveram em vigor nos EUA a partir do século XVII até 1967. O direito de voto para os negros só foi consolidado em 1965. Os negros recebiam salários menores que os trabalhadores brancos e não tinham os mesmos direitos políticos e sociais. No Brasil, a escravidão terminou há pouco mais de cem anos (embora ainda haja trabalho escravo em fazendas como as de Ronaldo Caiado) e os negros não receberam nenhuma reparação por séculos de cativeiro, tortura, trabalho não-remunerado, abuso sexual e exclusão social. Antes da política de cotas, os negros estavam praticamente excluídos da universidade e dos melhores postos de trabalho -- pouco mais de cem anos não foi tempo suficiente para que eles conseguissem a igualdade de direitos em relação aos brancos. Os afrodescendentes são a maioria da população brasileira e garantir o seu pleno direito de cidadania significa JUSTIÇA. Não exclui ninguém, nem brancos, nem índios, nem orientais, apenas democratiza a sociedade brasileira.

Claudio Daniel

Ocaso

"Ele cai, ele afunda" — zombam vocês agora;
A verdade é que ele desce até vocês!
Sua felicidade excessiva foi para ele desgraça,
Sua luz excessiva busca a escuridão que os rodeia.
Sem Inveja
Sim, não há inveja em seu olhar: e vocês o louvam por isso?
Ele não olha em torno, à procura de seus louvores;
Ele tem o olhar de águia, visa o que está longe,
Ele não os enxerga! — vê apenas astros e estrelas.


— Friedrich Wilhelm Nietzsche, in prelúdio de A Gaia Ciência - poemas 47 e 40.
 “Existem alturas da alma, de onde o mesmo a tragédia deixa de ser trágica; e, se as dores do mundo fossem juntadas numa só, quem poderia ousar dizer que a visão dela nos iria necessariamente seduzir e obrigar a compaixão, e desse modo à compaixão, e desse modo à duplicação da dor?… O que serve de alimento ou de bálsamo para o tipo superior de homem, deve ser quase veneno para um tipo bem diverso e menor. As virtudes de um homem vulgar talvez significassem fraqueza e vício num filósofo; é possível que um homem de alta linhagem, acontecendo ele degenerar e sucumbir, só então adquirisse as qualidades que o levariam a ser venerado como um santo, no mundo inferior a que teria descido. Há livros que têm valor inverso para a alma e a saúde, a depender de quem os utiliza, se uma alma ignóbil, uma baixa força vital, ou uma superior e mais potente; no primeiro caso são livros perigosos, desagregadores, dissolventes, no outro são gritos de arauto, que incitam os mais valentes a mostrar o seu valor. Livros de todo mundo sempre são livros malcheirosos: o odor da gente pequena adere a eles. Ali onde o povo come e bebe, e mesmo onde venera, o ar costuma feder. Não se deve frequentar igrejas, quando se deseja respirar ar puro.”


— Friedrich Nietzsche.

Lições de sociologia política para leigos:



Burguês é o detentor dos meios de produção. No popular, é o patrão. Mas não o dono da vendinha ou da loja da esquina não. É principalmente a entidade anônima que comanda as transnacionais. Proletário é aquele que de si só tem sua força de trabalho e por isso é obrigado a vendê-la no mercado. Mas tem também o 'prole-otário'. É o cabra que é proleta também mas se acha burguês e por isso vive defendendo os privilégios da burguesia. Se liga, meu irmão!

Otto Leopoldo Winck

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

 “Encontro fugidio e breve foi o nosso. Belo também da beleza que permanece na memória para além dos dias. Algures tu és, aqui eu sou.Porque imprecisa, a distância se resolve na certeza vaga de existirmos num como e num onde. Tanto basta. [pergunta ou afirmação?] Não há passos que nos aproximem no impreciso e no vago. O nosso reencontro está só na certeza vaga de existirmos com outros, sob o mesmo sol. Melhor assim.”

(Roland Barthes)

El silencio

Leónidas Andréiev

I

Una noche clara de mayo en la que cantaban los ruiseñores, en el estudio del pope1 Ignacio penetró su mujer. En su rostro se dibujaba un aire de pena, y la lamparita temblaba en su mano. Se acercó a su marido y, tocándole con la mano, le dijo con lágrimas en los ojos:

-¡Pope, vamos a ver a nuestra hijita Vera!

Sin volver siquiera la cabeza, el pope miró fija y largamente a su mujer por encima de sus lentes, y no dijo nada. Ella hizo un gesto de desesperación y se sentó sobre una otomana.

-¡Los dos son tan... impiadosos! -exclamó y su cara de buena mujer, algo inflada, se contrajo en una mueca de dolor, como si con aquella mueca quisiera dar a entender el grado de crueldad de su esposo y de su hija.

Él sonrió y se levantó. Cerró su libro, se quitó los lentes, los metió en un estuche y se sumió en profundas reflexiones. Su larga barba, de hilillos de plata, le cubría el pecho.

-Bueno; vamos allá -dijo al fin.

Olga Stepanevna se incorporó presurosa y le suplicó con voz tímida:

-Pero no hay que reñirle... Sabes que es muy sensible...

La habitación de Vera se hallaba arriba. La angosta escalera de madera se cimbreaba bajo los pasos del pope Ignacio, alto y grueso. Estaba de mal humor. Sabía que su conversación con Vera no conduciría a nada.

-¿Qué pasa? -preguntó Vera, sorprendida, al verlos entrar.

Estaba en la cama. Con una mano se cubría la frente; la otra reposaba sobre el lecho, y era tan blanca y transparente, que apenas se distinguía sobre la blanca sábana.

-¡Vera, niña mía! -murmuró el padre, tratando de dar a su voz dura y severa notas más dulces-. Dinos, ¿qué tienes?

Vera guardó silencio.

-Pero, veamos, Vera. ¿Es que tu madre y yo no somos dignos de tu confianza? ¿Es que no te amamos? No hay en el mundo quién te ame más que nosotros. Dinos por qué sufres, y se desahogará tu corazón, lo cual te hará bien. Créeme, pues conozco la vida y tengo experiencia. También a nosotros nos hará bien eso. Mira cómo sufre tu madre...

-¡Verita! -suplicó la madre.

-Y yo también -continuó el padre, con voz temblorosa, como si algo se hubiera roto en él-. ¿Crees que soy dichoso viéndote así? Sé que sufres, pero, ¿por qué? Yo, tu padre, no sé nada. ¿Crees que eso es justo?...

Vera seguía sin decir nada. Dominando la furia que le subía a la garganta, prosiguió él:

-Te fuiste a Petersburgo contra mi voluntad; pero, así y todo, no rechacé a la hija desobediente; te mandé dinero. He sido siempre un buen padre para ti. ¡Habla! ¿Por qué no dices nada? ¡He aquí tu Petersburgo!...

Se imaginaba enormes masas de piedras, llenas de peligros desconocidos, y gentes indiferentes, frías, sin corazón. Esa ciudad inhospitalaria de granito es la que ha hecho sufrir tanto a Vera, débil, aislada, solitaria, sin defensa. Es esa ciudad la que la había perdido. El pope Ignacio sentía un odio mortal por Petersburgo y una tremenda cólera contra su hija, que no quería decir nada.

-Petersburgo no tiene nada que ver aquí -dijo al fin Vera cerrando los ojos-. Además, no tengo nada. Es mejor que se acuesten; es tarde.

-¡Verita mía, mi niña querida! -gemía la madre-. ¡Ábreme tu corazón!

-Dejemos eso, mamá -replicó Vera, con impaciencia.

El pope Ignacio se sentó en una silla y soltó una risa áspera y seca.

-¿Nada, pues? -preguntó, con ironía.

-Escucha, padre -dijo con firmeza Vera, incorporándose un poco sobre el lecho-. Sabes que los amo, a ti y a mamaíta. Pero... no hay nada, lo aseguro. Me aburro, eso es todo. Ya pasará. De verdad; váyanse a acostar. También yo tengo sueño. Ya hablaremos... mañana o un día de estos...

El pope Ignacio se levantó de manera tan brusca que la silla chocó contra la pared; cogió a su mujer por la mano.

-¡Vámonos!

-¡Verita mía!

-¡Vámonos, te digo! -gritó el pope-. Si ha olvidado al Dios bueno, no somos nada para ella.

Condujo a Olga Stepanovna casi a la fuerza. Cuando estaban en la escalera, ella le gritó, iracunda:

-¡La culpa es tuya! Tiene tu carácter. ¡Tú responderás de ella ante Dios! ¡Qué desgraciada soy!

Lloraba. Las lágrimas la impedían ver los peldaños de la escalera y andaba como si ante sus pies se hubiera abierto un abismo.

A partir de aquel día, el pope Ignacio no le dirigió la palabra a su hija. Diríase que esta no lo veía; seguía guardando cama o paseándose por su cuarto, frotándose a cada instante los ojos, como si hubiera algo que se los tapara. Y la madre, que gustaba de reír y de bromear, perdía la cabeza desesperada, entre el marido y la hija, siempre taciturnos.

Vera, a veces, salía. Una semana después de la conversación que hemos referido, salió, como de costumbre, por la noche. Y ya no se le volvió a ver viva: aquella noche se arrojó bajo el tren, que la cortó en dos pedazos.

El mismo pope Ignacio presidió la ceremonia de los funerales. Su mujer no asistió porque, al recibir la noticia de la muerte de Vera, fue acometida de una parálisis. Sus brazos, sus piernas y su lengua quedaron paralizados, y permaneció inmóvil en su cuarto, medio a oscuras, mientras, muy cerca, en el campanario, las campanas tocaban a muerto.

Oía a la gente salir de la iglesia, oía cantar a los sochantres ante el ataúd, e intentaba levantar la mano para hacer la señal de la cruz. Pero la mano no le obedecía. Quería decir: "¡Adiós, Vera!" Pero tenía la lengua pesada como una masa inerte. Seguía sin moverse, tan quieta que se diría estaba reposando. Solamente sus ojos estaban abiertos.

Durante la ceremonia fúnebre, la iglesia estaba llena de gente. Todos, hasta los que no conocían a Vera, se compadecían de la suerte de aquella muchacha que había tenido muerte tan trágica. Miraban al pope Ignacio buscando en su rostro la expresión del sufrimiento y el dolor. No lo amaban porque era severo y altivo, aborrecía a los pecadores y no los perdonaba, y, porque ávido amante del dinero, se hacía pagar caro los servicios religiosos. Y querían verle sufrir, abatido, comprendiendo su doble responsabilidad en la muerte de su hija: como padre cruel, y como pope, que no supo conducir a su hija por los senderos del bien. Todos lo espiaban con la mirada, y él, advirtiendo esta curiosidad hostil, trataba de mantener erguida su ancha espalda y no mostrarse demasiado abatido. Pensaba más en esto que en la muerte de su hija. Así, erguido, con aire altivo, acompañó a Vera al cementerio y volvió a su casa. Al llegar a la puerta, su espalda se curvó un poco; pero era porque tenía la talla demasiado elevada y las puertas eran demasiado bajas para él.

Entró en el cuarto de su esposa, y no pudo ver bien su rostro; pero, después de examinarlo más de cerca, quedó sorprendido al verla completamente tranquila, sin lágrimas. Sus ojos no tenían ninguna expresión: estaban mudos, como todo el cuerpo inerte.

-¿Cómo te encuentras?

Ella no se movió. El pope Ignacio le puso la mano en la frente: estaba helada y húmeda. Los ojos de la vieja, profundos y grises, no expresaban ni dolor ni cólera.

-Me voy a mi cuarto -dijo el pope Ignacio, que sentía algún malestar.

Pasó al salón, donde todo estaba muy limpio, como siempre, y donde los sillones, cubiertos con tundas blancas, parecían muertos envueltos en sudarios. En una ventana había colgada una jaula, pero su puertecita estaba vacía y abierta.

-¡Nastasia! -gritó con voz fuerte, y al oírla, se asustó-. Nastasia -llamó más bajo-. ¿Dónde está el canario?

La cocinera que, de tanto llorar, tenia la nariz roja e hinchada, contestó gravemente:

-¡El canario ha volado!

-¿Por qué has abierto la jaula? -interrogó el pope, frunciendo las cejas.

Ella se echó a llorar de nuevo y respondió, enjugándose las lágrimas con la punta del delantal:

-Era el alma de la pobre señorita... No me atreví a detenerla.

Al pope Ignacio le pareció que el pequeño canario amarillo, que cantaba tan maravillosamente, era en verdad el alma de Vera, y que, si no hubiera volado, no podría estar seguro de la muerte de su hija.

-¡Vete! -exclamó iracundo-. ¡Qué bestia eres!...



II

En la casita reinaba el silencio. No la tranquilidad, que solo es la ausencia de cuidados y preocupaciones, sino el silencio; los que podrían hablar, no quieren decir nada.

Al entrar en el cuarto de su mujer, el pope Ignacio encontró en ella una mirada tan densa como si la atmósfera fuese de plomo y pesara enormemente sobre la cabeza y los hombros. Examinó largo tiempo los cuadernos de Música de Vera, sus libros y su retrato en color, que trajo ella de Petersburgo. Recordaba el arañazo que vio en la mejilla de su hija cuando la hallaron muerta, y cuyo origen no podía comprender: el tren que la mató, dejó intacta su cabeza; de otro modo, la hubiera destrozado por completo.

¿De dónde procedía aquel arañazo? Pero hacía un esfuerzo para no pensar en la muerte de Vera, y en el retrato escrutaba sus ojos. Eran bellos, negros, con grandes párpados que los envolvían en la sombra, como si estuvieran encerrados en un marco negro. El pintor desconocido, pero de talento, le había dado una expresión extraña: diríase que entre los ojos y los objetos hacia los cuales miraban, había un velo opaco. Aquellos ojos lo seguían con la mirada por todas partes, pero también guardaban silencio. Se diría que hasta podría oírse aquel silencio. Por lo menos, al pope Ignacio le parecía oírlo.

Todas las mañanas, después de la misa, se dirigía al salón y examinaba rápidamente la jaula vacía y toda la habitación, se sentaba en una silla, cerraba los ojos y escuchaba el silencio de la casa. La jaula guardaba un silencio dulce y tierno, lleno de dolor, de lágrimas y de una como lejana risa extinguida.

El silencio de su mujer era terco, pesado, como el plomo, y tan terrible que el pope Ignacio, a pesar del calor, sintió frío. El silencio de Vera fue interminable, glacial y misterioso como la tumba. Aguzaba los oídos con la esperanza de captar un ruido cualquiera; luego, avergonzado de su debilidad, se incorporaba bruscamente y murmuraba:

-¡Esas son tonterías!

Miraba por la ventana la plaza inundada de sol y el muro de piedra de un cobertizo sin ventanas. En un rincón estaba parado un cochero; parecía una estatua de barro, y no se comprendía por qué estaba allí todo el santo día, en un sitio donde nunca había nadie.


III

Fuera de la casa, el pope Ignacio hablaba mucho con el clero y los feligreses; en ocasiones, con conocidos, en cuyas casas solía jugar a las cartas. Mas cuando volvía a casa, le parecía que no había pronunciado una sola palabra en todo el día. Esto era porque no podía hablar con nadie de lo que más le importaba, de lo que era objeto de sus pensamientos: ¿por qué se suicidó Vera?

No podía, ni quería, comprender que ya era tarde para conocer los motivos de aquella muerte. Todas las noches recordaba el momento en que él y su mujer, junto al lecho de Vera, le suplicaban que les dijera lo que tenía y cerraba los ojos y se le representaba a Vera incorporada en su cama, diciendo: Pero no dijo la única palabra que aclarase el misterio de su suicidio. Parecíale al pope Ignacio que, aguzando los oídos, conteniendo los latidos de su corazón, podría tal vez oír aquella palabra misteriosa. Y saltando de la cama, tendía las manos suplicante:

-¡Vera!

El silencio respondía.

Una noche entró en el cuarto de su mujer, a la que hacía una semana que no veía; se sentó a su cabecera y, evitando su densa mirada, le dijo:

-Escucha, quiero hablarte de Vera. ¿Me oyes?

Ella callaba. Entonces, levantando la voz, le habló con tono severo, como a los que venían a su casa a confesarse:

-Ya sé que tú no eres culpable de la muerte de Vera. Pero reflexiona: ¿es que yo no la quería tanto como tú? Razonas extrañamente. Sí, yo era severo; pero eso no le impedía hacer su antojo. Sacrifiqué mi amor propio de padre y accedí a que se marchara a Petersburgo. Pero ¿es que tú no le habías suplicado que se quedara, que renunciara a aquel viaje? No he sido yo quien la hizo tan impía. Siempre le inspiré el amor de Dios y las virtudes cristianas...

Miró a los ojos de su mujer y volvió la cabeza.

-¿Qué podía yo hacer cuando ella no nos quería decir lo que tenía? He ordenado, he suplicado, he implorado. ¿O acaso debí arrodillarme ante aquella chiquilla y llorar como una vieja? ¿Sabía yo lo que ella tenía en la cabeza? ¡Hija cruel, sin corazón!

Se golpeó una rodilla con el puño.

-Era el amor lo que le faltaba. Confesemos que no me podía querer, porque yo era un tirano. Pero, ¿a ti? Ella te quería. Tú, que te humillabas ante ella, le implorabas...

Rió nerviosamente.

-¡Bien claro se ve cómo te quería! Fue por ti por lo que buscó una muerte tan atroz y vergonzosa... la muerte en el lodo, como un perro.

Su voz temblaba colérica.

-¡Me da vergüenza! -continuó-. Me da vergüenza dejarme ver en la calle. Me avergüenzo ante Dios y ante los hombres. ¡Hija cruel, indigna! Mereces ser maldita en tu tumba...

Cuando el pope Ignacio miró a su mujer, esta yacía desvanecida sobre el lecho. Tardó unas horas en recobrar el conocimiento, y no se sabía si recordaba las palabras de su marido.

Aquella misma noche, una noche clara y serena de julio, el pope Ignacio subió, de puntillas, al cuarto de Vera. No habían abierto la ventana desde su muerte, y el ambiente era allí cálido y seco. La luna iluminaba el suelo, los rincones y la cama blanca, con sus dos almohadas, una grande y otra pequeña.

El pope Ignacio abrió la ventana, y en la habitación entró el aire fresco, con el olor del polvo, del río próximo y del tilo en flor. Se oía una canción; probablemente cantaban en alguna barca.

Procurando no hacer ruido, se acercó al lecho, se arrodilló y dejó caer la cabeza sobre las almohadas, apoyando los labios en el sitio donde reposaba la cabeza de Vera. Permaneció largo tiempo así. Allá, en el río, la canción se había hecho más vigorosa y sonora; luego se extinguió. Siguió arrodillado, esparcidos sus cabellos por los hombros, y por el lecho.

La luna se había ocultado y el cuarto quedó sumido en oscuridad completa, El pope Ignacio levantó la cabeza y comenzó a murmurar entre dientes, con voz conmovida por amor largo tiempo contenido, como si Vera pudiera oírle:

-¡Hija mía, querida! ¿Comprendes el significado de estas palabras: "¡hija mía!"? Tú eres mi corazón, mi sangre, mi vida. Es tu viejo padre quien te lo dice...

Sacudían sus hombros los sollozos, y prosiguió hablando, como a un niño:

-Es tu viejo padre quien te suplica, te implora, Verita mía. Él, que jamás conoció las lágrimas, ahora llora. Tu dolor es el mío, tus sufrimientos son más que míos. No son ni los sufrimientos ni la muerte lo que me asusta. Pero tú, que eras tan tierna, tan frágil, tan débil, tan mansa, tan tímida... ¿Te acuerdas, una vez que te pinchaste tu dedito, cómo llorabas a lágrima viva? ¡Nena mía querida! Bien sé que me quieres. Todas las mañanas me besas la mano. Dime por qué sufres, y yo aplastaré tu dolor con mis manos. Todavía son fuertes mis manos...

Levantó los ojos implorantes.

-¡Dilo!

Tendió los brazos como en plegaria

-¡Dilo!

Pero en la habitación reinaba un silencio profundo. Se oía, a lo lejos, el silbido prolongado de una locomotora.

El pope Ignacio se incorporó y, retrocediendo hasta la puerta, repitió, una vez más:

-¡Dilo!

Y la respuesta fue un silencio de muerte.


IV

Al día siguiente, después del solitario desayuno, fue al cementerio por primera vez después de la muerte de Vera. Hacía calor. El cementerio estaba desierto y tranquilo, como si no fuera de día, sino de noche. El pope Ignacio caminaba erguido, y miraba serenamente en torno suyo, no queriendo comprender que no era ya el mismo, que sus piernas se habían vuelto más débiles, que su larga barba era ya completamente blanca; como nevada.

La tumba de Vera estaba en el extremo del cementerio, donde ya no había senderos de arena. El pope Ignacio se perdía casi entre las colinas verdes, que eran tumbas abandonadas, olvidadas. De vez en cuando, veía monumentos descuidados, rejas abismadas y grandes lápidas sepulcrales, hundidas hasta la mitad en la tierra.

Una de aquellas lápidas cubría la tumba de Vera. Estaba oculta por un montecillo amarillento; pero, en torno suyo, todo verdeaba. Dos árboles mezclaban su follaje en lo alto de la tumba.

Sentado sobre una tumba vecina, el pope Ignacio miró al cielo, donde, inmóvil, estaba suspenso el disco solar, y sintió el silencio profundo, incomparable, que reina en los cementerios cuando no sopla el viento. Este silencio lo inundaba todo, traspasaba los muros e invadía la ciudad.

El pope Ignacio miró la tumba de Vera, la hierba que había crecido allí, y su imaginación se negaba a creer que allí, bajo aquella hierba, a dos pasos de él, estaba su hija. Aquella proximidad parecíale inconcebible; le turbaba profundamente. La que creía desaparecida para siempre, en las profundidades misteriosas del infinito, estaba allí, muy cerca. A pesar de eso, no existía ya ni existiría nunca. Creía que si hallaba la palabra mágica, ella saldría de su tumba, bella, grande, como él la había conocido. No solo ella, sino todos los muertos saldrían de sus tumbas.

Se quitó el sombrero negro, de anchas alas, se alzó los cabellos y susurró:

-¡Vera!

Tuvo miedo de que le hubiese oído alguien y, poniéndose de pie sobre la tumba, miró en torno suyo. No había nadie. Entonces, repitió más alto:

-¡Vera!

Su voz era dura, autoritaria y le parecía extraño que no le respondiera nadie.

-¡Vera!

Llamaba cada vez con mayor insistencia y, cuando callaba, por instantes parecía que alguien, muy bajito, le contestaba. Se echó sobre la tumba, aplicando el oído a la tierra.

-¡Vera, habla!

Y notó, con pavor, que su oído se llenaba de un frío de sepulcro que le helaba el cerebro, y que Vera hablaba con su silencio mismo. Este silencio se hizo cada vez más espantoso, y, cuando el pope Ignacio alzó la cabeza, parecíale que, conturbada, vibraba toda la atmósfera, como si por encima del camposanto hubiera pasado una tempestad. El silencio lo sofocaba, lo hacía temblar, le erizaba los cabellos. Se estremeció, se levantó lentamente haciendo un esfuerzo penoso para mantenerse erecto. Sacudió el polvo de sus rodillas, se puso el sombrero, hizo la señal de la cruz tres veces sobre la tumba y se marchó con paso firme. Pero no conocía el camino en los estrechos senderos.

-¡Me he perdido! -murmuró con triste sonrisa.

Se detuvo un instante y, sin saber por qué, tomó la izquierda. No se atrevió a quedarse mucho tiempo allí. El silencio lo empujaba; el silencio que surgía de las tumbas verdes, de las cruces grises, de los poros de la tierra llena de cadáveres.

El pope Ignacio alargó el paso. No sabía ya adónde iba, volvía por los mismos senderos, saltaba por encima de las tumbas, tropezaba con las rejas y las coronas metálicas, desgarrándose las vestiduras. No tenia, ahora, más que un solo pensamiento: salir de allí. En desorden el traje y los cabellos, huyó a todo correr. Si alguien lo hubiera visto en aquel momento, se hubiera asustado más que si topara con un muerto salido de su tumba; tan crispado por el terror estaba el rostro del pope Ignacio.

Sofocado, ahogándose, ganó al fin el calvero donde estaba la iglesia del cementerio. Cerca de la puerta dormitaba un viejecito sobre un banco, y dos mendigos disputaban.

Cuando el pope Ignacio entró en su casa, en el cuarto de su mujer había luz. Vestido como estaba, cubierto de polvo, desgarradas las ropas, entró en el cuarto de su mujer y cayó de rodillas.

-Olga, Olguita... Querida mía... ¡Ten piedad de mí! ¡Me vuelvo loco!...

Y comenzó a golpearse la cabeza contra la cama y a llorar violentamente, como hombre que llora por vez primera en su vida. Después, alzó la cabeza, con la certidumbre de que esta vez el milagro iba por fin a cumplirse, y su mujer, llena de compasión, le iba a decir algo.

-¡Mi querida esposa!...

Lleno de esperanza, se inclinó sobre ella... y se encontró con la mirada de sus ojos grises. No expresaban ni cólera ni dolor. Tal vez se apiadaba de él, tal vez lo perdonaba; pero sus ojos no decían nada: guardaban silencio.

**************************

Y el silencio reinaba en toda la casa, triste y desierta.

FIN

1. Pope: Sacerdote de la Iglesia ortodoxa griega. 




Biblioteca Digital Ciudad Seva
Nem todos gostam de serem identificados como de direita e de classe alta no Brasil. São critérios "objetivos" em muitos casos. A classe A brasileira começa a partir de uma renda familiar de 15 mil reais. Uma família consolidada e com renda superior a 20 mil reais (classe alta-baixa) deverá ter empregada doméstica, faxineira, habitação com mais de cinco banheiros ou mais, casa na praia, dois carros ou mais, férias ou viagens para a Europa, Estados Unidos, assinatura da Veja, etc. Uma família com renda mensal superior a 140 mil (classe alta-alta), 3 entre cada mil os que declaram o IR, já vive com todos os luxos internacionais se quiser. Pode ter barcos, haras-cavalos, carros de luxo, ter muitos caprichos que o dinheiro paga. A família com 20 mil pagaria 40 Reais de CPMF (0,2% da renda) e a de 140 mil pagaria 280 Reais mensais. A análise sociológica da classe dominante tradicional informa que um alto funcionário público, um Oficial General das Forças Armadas, um Desembargador, ou qualquer alto burocrata aposentado e sua esposa, com algumas heranças recebidas, são muito mais representativos da velha tradição e das redes sociais do passado do que um emergente empresário "self-made-man", um novo-rico enriquecido em novos negócios na periferia, ou no interior e com dez vezes mais renda, mas ainda sem as conexões políticas, culturais, sem o nepotismo e o ethos desta nossa velha elite genealógica. Todos têm que pagar mais impostos. Não vai doer para diminuir a pobreza e a desigualdade no Brasil em relação ao que se ganhou e se ganha. Vai comprar um óculos barato a menos em Miami ou um perfuminho a menos em Paris.

Ricardo Costa de Oliveira
"El lenguaje no es sólo un vehículo de interacción e intercomunicación o una herramienta práctica puesta al servicio de la administración del estado desde tiempos antiguos. Es también un vehículo cargado de valor simbólico. Mediante la adopción de una lengua determinada, una determinada población o un determinado grupo de la sociedad manifiesta qué identidad desea mostrarse a sí misma y qué identidad desea mostrar al resto del mundo."


Itamar Even-Zohar, 'Conflicto lingüístico e identidade nacional'.

domingo, 17 de janeiro de 2016


Existe este muro branco, acima do qual o céu se faz —
Infinito, verde, todo intocável.
Anjos nadam ali, a as estrelas, em indiferença também.
Eles são meu meio. O sol se esvai neste muro, sangrando suas luzes.
Um muro cinza agora, arranhado a sangrento.
Não há como escapar da mente?
Passos atrás de mim espiralam poço adentro.
Não há árvores nem aces neste mundo,
Só existe um azedume.
Este muro vermelho recua continuamente:
Um punho vermelho, abrindo a fechando,
Dois sacos de papel cinza —
É disco que eu sou feita, disco a de um terror
De rodar sob crazes a uma chuva de pietás.
Num muro negro, pássaros inidentificáveis
Giram suas cabeças a gritam.
Não se fala de imortalidade entre eles!
Frios brancos nos alcançam:
Movem-se com pressa.

(XXI POEMAS, Sylvia Plath, tradução de
Ronald Polito e Deisa Chamahum Chaves,

Ed. Livre, Mariana/MG, Brasil, 1994.)

Metáforas


Sou um enigma em nove sílabas,
Um elefante, casa pesada,
Um melão solto sobre dois brotos.
oh fruta rubra, marfim, bons troncos!
Esse pão que cresce fermentando.
Dinheiro novo na bolsa cheia.
Eu sou meio, palco, vaca prenha.
Comi um saco de maçãs verdes,
Tomei o trem do qual não se desce.

(XXI POEMAS, Sylvia Plath, tradução de Ronald Polito e Deisa Chamahum Chaves,

Ed. Livre, Mariana/MG, Brasil, 1994.)

O Rio


Ser como o rio que deflui
Silencioso dentro da noite.
Não temer as trevas da noite.
Se há estrelas nos céus, refleti-las.
E se os céus se pejam de nuvens,
Como o rio as nuvens são água,
Refleti-las também sem mágoa
Nas profundidades tranquilas.


BANDEIRA, Manuel.

 " Belo Belo". In:Antologia Poética. Organização Manuel Bandeira. Coordenação André Seffrin. 6 Ed. Global - 2013. p. 221.

Música

A música vinha duma mansidão de consciência
era como que uma cadeira sentada sem
um não falar de coisa alguma com a palavra por baixo
nada fazia prever que o vento fosse de azul para cima
e que a pose uma nostalgia de movimento deambulante
era-se como se tudo por cima duma vontade de fazer uma asa
nós não movimentamos o espaço mas a vida erige a cifra
constrói por dentro um vocábulo sem se saber
como o que será era um sinal que vinha duma atmosfera simplificante
silêncio como um pássaro caído a falar do comprimento.

- António Gancho, em 'O Ar da Manhã'.


fonte :Elfi Kürten Fenske

TRIBULAÇÕES DE UM METECO


De onde venho, não saberia dizê-lo: nos templos, permaneço sem crença; nas cidades, sem ardor; junto a meus semelhantes, sem curiosidade; sobre a terra, sem certezas. Dê-me um desejo preciso e destruirei o mundo. Livre-me desta vergonha dos atos que me faz interpretar, cada manhã, a comédia da ressurreição e cada tarde a do enterro; no intervalo, nada além deste suplício no sudário do tédio... Sonho com querer e tudo o que quero me parece sem valor. Como um vândalo corroído pela melancolia, dirijo-me sem fim, eu sem eu, na direção de já não sei que canto... para descobrir um deus abandonado, um deus que fosse ele próprio ateu, e adormecer à sombra de suas últimas dúvidas e de seus últimos milagres.

(Emil Cioran, "Breviário de Decomposição")
Escola é um dos problemas centrais da reprodução da desigualdade social. Eu só queria ver tantas escolas nas periferias como essas novas igrejas evangélicas. A responsabilidade pela educação é uma responsabilidade social, estatal, política, partidária e antes de tudo comunitária, familiar e individual. Qualquer brasileiro com mais de cinquenta anos, como eu, viu a vasta construção cultural e material de novas instituições religiosas no Brasil dos últimos quarenta anos. Novas igrejas pentecostais, evangélicas, organizadas, lideradas e motivadas principalmente por setores populares de baixa renda, grupos da classe trabalhadora, principalmente de novos moradores urbanos, muitos pardos e negros, formaram amplas redes de igrejas, algumas das quais bastante suntuosas, bem construídas e equipadas, muito funcionais, abrangentes e com grande capilaridade nas periferias e também nas áreas rurais. Por que este imenso esforço também não foi destinado à construção de escolas e faculdades, por que parte dos recursos não formaram apenas pastores, mas também professores e educadores, com as elevadas captações e remunerações dos dízimos ? Novidade nos subalternos porque grupos de classes média e alta são estabelecidos, dificilmente mudam de religião, ou deixam de investir em educação, como membros do andar de cima. A opção pela deseducação foi uma opção política, societal, de classes sociais e de grupos étnicos ao longo da história. Baixa educação significa baixa produtividade e baixa capacidade cultural crítica, científica e tecnológica. Houve recursos e houve opções. A nossa primeira classe dominante composta principalmente pela conquista e colonização portuguesa formou os grandes latifúndios, as vilas coloniais, a escravidão, mas nunca criou a instituição escola comunitária, com poucas exceções. Quantos dos nossos antepassados se formaram em Coimbra ? Na minha genealogia das famílias mais antigas de Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro, eu só encontro dois Coimbrões, a educação superior só começou a se ampliar no início do século XX. Mesmo nesta classe histórica, com famílias históricas do período colonial, os descendentes dos primeiros povoadores, quem tem bisavôs, avôs, pais com ensino superior no Brasil ? A opção por uma educação pública, gratuita e de qualidade foi uma das grandes lutas políticas dos anos 1950 e 1960. Nos anos 1980 e 1990 houve uma paralisação do setor público e a retomada do setor privado. Nos últimos 15 anos os governos progressistas do PT voltaram a priorizar o setor público, mas o substantivo crescimento orçamentário sempre enfrentou muitas dificuldades e o ritmo de crescimento sempre esteve aquém das imensas necessidades. Um pai e uma mãe conscientes farão o máximo possível para investirem na educação dos filhos, seja nas redes privadas ou nas públicas, em função de suas capacidades. Alunos de baixa renda e periféricos sofrem os dramas sociais prejudiciais à escolarização, mas os melhores alunos nas classes média alta e alta jamais foram definidos apenas pelos critérios da maior renda dentre eles, a partir de certo patamar valem as notas. Um aluno que passe no vestibular de medicina, por exemplo, um vestibular dentro do vestibular porque os últimos colocados na medicina seriam os primeiros nos outros cursos, já demonstra e apresenta uma dinâmica escolar própria, com o mérito socialmente programado e atingido somente por alguns a cada ano. Em qualquer sociedade complexa de classes a seleção dos capitais sociais opera do nascimento à morte. Eu só queria ver tantas creches e escolas laicas nas periferias como igrejas, escolas bem aparelhadas, com ar refrigerado, equipamentos funcionais e professores do ensino básico e médio bem remunerados, nem remunerações tão altas como alguns desses pastores, mas com salários e poder aquisitivo para terem vidas confortáveis, dignas como consumidores de produtos culturais e de livros. Então haveria maciçamente a diferença de quantidade e qualidade que ainda nos falta nas desigualdades sociais da educação.


Ricardo Costa de Oliveira