Mostrando postagens com marcador claudio daniel. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador claudio daniel. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 29 de outubro de 2019


as recentes vitórias eleitorais de partidos de centro-esquerda na Argentina, Bolívia, Uruguai e Colômbia (neste último país, eleições municipais, em que a oposição foi vitoriosa em cidades importantes, como a capital, Bogotá), juntamente com os protestos no Equador, no Haiti e no Chile trazem diversas lições para quem acompanha o cenário político: 1) há um descontentamento em quase toda a América Latina com as políticas econômicas neoliberais, com a tutela do FMI e o autoritarismo semifascista no continente; 2) Donald Trump e #ForaBolsonaro foram os grandes perdedores nessas eleições; 3) os partidos reformistas de centro-esquerda ainda têm a confiança das massas, em oposição à direita golpista; 4) o Mercosul, a Unasul e a Celalc saem fortalecidas (mesmo com a eventual saída do Brasil do Mercosul), e a OEA sai enfraquecida; 5) muda o equilíbrio estratégico na região, a Venezuela terá mais amigos e interlocutores, aliviando os efeitos do bloqueio norte-americano; e 6) a ausência de partidos revolucionários, marxistas-leninistas, com influência de massas impede o surgimento de revoluções socialistas no continente, mas há, sim, uma situação revolucionária em toda a região."

Claudio Daniel

terça-feira, 26 de setembro de 2017



" Piñeyra trabalhou no governo Pinochet.O verniz democrático, não passa disso, sobrevivência e embuste político. Seja no período de excessão ou de abertura democrática a condução de politica economica não se alterou e seus reflexos sociais podem ser vistos na previdência social como agora na educação chilenas.O Chile viveu uma democracia tutelada pelos militares até a eleição de Bachelet, que representou um tapa na cara dos torturadores.A eleição desse homen de negócios representa a recondução do projeto político e sobretudo economico das elites conservadoras chilenas, um pinochetismo repajinado, menos truculento mas não por isso menos segregador de esperanças de toda a nação chilena em especial a classe mais desfavorecida no projeto neoliberal.""

Claudio Daniel 

domingo, 26 de junho de 2016

Os Estados Unidos são o país das liberdades civis? Não exatamente. Após o genocídio da população indígena, o extermínio dos búfalos e a anexação de territórios mexicanos e centro-americanos, que fazem parte da história da fundação do estado norte-americano, a população negra foi submetida a um regime escravocrata que durou até meados do século XIX e, em seguida, a um sistema de apartheid em vigor até a década de 1960: negros e brancos sentavam-se em lados diferentes nos ônibus, usavam banheiros diferentes e não tinham igualdade de condições para o acesso ao estudo, nem os mesmos direitos políticos e trabalhistas que os brancos. Eram comuns, até há poucas décadas, os crimes racistas nos estados do Sul e ainda ocorrem nos dias de hoje, na forma da violência policial ou como o recente atentado em uma igreja que matou nove negros. As mulheres, assim como os negros, não recebiam salário igual ao dos homens brancos e não podiam votar até a década de 1920. Hoje, os Estados Unidos têm políticas de inclusão social, ao mesmo tempo que mantém a maior população carcerária do mundo, com 2,3 milhões de presos, em sua maioria negros, hispânicos, pobres, e continuam desrespeitando os direitos humanos em Guantánamo, no Iraque, na Síria, no Paquistão, no Afeganistão, na Palestina e em diversos outros países e territórios no mundo -- apenas a agressão contra o Iraque matou cerca de um milhão de pessoas. Não: os Estados Unidos NÃO SÃO o país das liberdades civis.

Claudio Daniel

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016


Os negros só entraram na universidade pela primeira vez, nos estados do sul dos Estados Unidos, em 1958, sob proteção policial, para não serem linchados pelos estudantes brancos -- há fotos e filmes que registram esse fato. Até meados da década de 1960, usavam banheiros separados dos brancos e sentavam em lados diferentes no ônibus. Leis contra casamento e sexo interraciais estiveram em vigor nos EUA a partir do século XVII até 1967. O direito de voto para os negros só foi consolidado em 1965. Os negros recebiam salários menores que os trabalhadores brancos e não tinham os mesmos direitos políticos e sociais. No Brasil, a escravidão terminou há pouco mais de cem anos (embora ainda haja trabalho escravo em fazendas como as de Ronaldo Caiado) e os negros não receberam nenhuma reparação por séculos de cativeiro, tortura, trabalho não-remunerado, abuso sexual e exclusão social. Antes da política de cotas, os negros estavam praticamente excluídos da universidade e dos melhores postos de trabalho -- pouco mais de cem anos não foi tempo suficiente para que eles conseguissem a igualdade de direitos em relação aos brancos. Os afrodescendentes são a maioria da população brasileira e garantir o seu pleno direito de cidadania significa JUSTIÇA. Não exclui ninguém, nem brancos, nem índios, nem orientais, apenas democratiza a sociedade brasileira.

Claudio Daniel

sábado, 12 de dezembro de 2015

RESUMO DA REUNIÃO

Ontem, dia 10 de dezembro, foi realizada uma reunião do Comitê Distrital do PCdoB, na região central de São Paulo, para a discussão da conjuntura nacional. Conforme o camarada Nivaldo Santana, vivemos numa situação internacional adversa, com a grave recessão iniciada nos Estados Unidos em 2007, que posteriormente atingiu a Europa e a América Latina. Nesse contexto de crise econômica, que se traduz no crescimento dos índices de inflação e desemprego (apenas no Brasil, foram cortadas 500 mil vagas na construção civil, fato verificado também em outros setores de nossa economia), ocorre também o desgaste dos governos progressistas, que causou a derrota da esquerda na Argentina, na Venezuela e a escalada golpista no Brasil.

O risco de golpe de estado em nosso país é fortalecido pela hegemonia da direita no Congresso Nacional, no Judiciário, pela campanha difamatória diária dos meios de comunicação contra Dilma, Lula e o PT e pelo crescimento da extrema-direita, que fará nova manifestação pró-impeachment no dia 13 de dezembro, mesma data da implantação do AI-5, durante a ditadura militar. A maioria dos empresários brasileiros, hoje, é favorável ao golpe de estado, assim como boa parte da população brasileira, afetada pela crise econômica e desinformada pela mídia.

Os próprios governos de Lula e Dilma colaboraram, indiretamente, para o desenrolar da crise (esta observação é minha, não do camarada Nivaldo), por não conscientizar politicamente os trabalhadores e a juventude nos últimos 13 anos, não investir na organização popular e não regulamentar a mídia, por acreditar, ingenuamente, que ganhar o governo federal significaria conquistar o poder. O Executivo é apenas parte do aparelho de estado e a burguesia conseguiu fazer o cerco ao governo federal a partir das demais instituições, não hegemonizadas pelo PT, como o Ministério Público, a Polícia Federal, o STF etc., que traduzem, dentro do aparelho de estado, os interesses da grande burguesia. O governo Dilma encontra-se fragilizado (aqui, novamente, a interpretação é minha) por ter minoria no Congresso Nacional, mas também por adotar uma política econômica profundamente equivocada, frustrar anseios de mudança e não conseguir dialogar com a sociedade.

A crise é muito grave sim e o seu desfecho é imprevisível. Qualquer aposta hoje seria aposta de alto risco. Uma eventual vitória dos golpistas significaria uma derrota histórica para a classe trabalhadora brasileira e um retrocesso nas conquistas obtidas pela sociedade brasileira nas últimas três décadas de democracia, sobretudo para os mais pobres, as mulheres, os jovens, os negros e os homoafetivos, cujos direitos já são atacados hoje pelas bancadas da bala, do boi e da bíblia no Congresso Nacional.

A vitória dos golpistas no Brasil teria profunda repercussão internacional, sobretudo na América Latina, ameaçando os governos progressistas da região e isolando novamente Cuba. Seria a derrota do MERCOSUL, da Unasul, da Celac e o retorno da OEA (onde os Estados Unidos têm direito de voto e de veto) e fortalecimento da Aliança para o Pacífico, nova versão da ALCA. As empresas públicas brasileiras, a começar pela Petrobrás e Banco do Brasil, seriam privatizadas a troco de banana e a legislação trabalhista, “flexibilizada”, para favorecer ao máximo o lucro dos patrões. Programas sociais como ProUni, FIES, Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida etc. seriam extintos, com previsível escalada de violência da Polícia Militar contra eventuais protestos.

O Brasil se afastaria dos BRICs e da Autoridade Nacional Palestina para cair nos braços dos Estados Unidos e de Israel, alterando a correlação de forças no mundo. Enfim, a situação é gravíssima e não diz respeito apenas ao Brasil, mas às forças progressistas em todo o mundo. O que podemos fazer, nesta situação adversa? Os camaradas presentes na reunião concordam que é preciso investir em todas as frentes – no Congresso Nacional, onde o PCdoB e Jandira Feghali fazem a diferença, no STF e sobretudo nas ruas, nos atos organizados pela Frente Brasil Popular e Frente Brasil sem Medo. Nosso partido jogará toda a sua força para fazermos grandes manifestações no dia 16, em todo o país, contra o golpe de estado e em defesa da democracia. Em tempo: quando for conversar com os seus amigos sobre a crise, não fale apenas da defesa da democracia, que para muita gente é uma coisa abstrata, mas sobretudo da defesa dos programas sociais implementados por Lula e Dilma, ameaçados pelos golpistas.

Claudio Daniel 

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

O Estado brasileiro

O Estado brasileiro -- Congresso, Judiciário, Polícia Federal, órgãos administrativos e de fiscalização -- é profundamente conservador e convive pacificamente, há séculos, com a corrupção, o autoritarismo e a ineficiência. Exatamente por isso ele não aceita as políticas implementadas por Lula e Dilma no sentido de democratizar o Estado, dar transparência às instituições públicas, investigar e punir casos de corrupção e promover o fortalecimento da cidadania e dos direitos sociais. O aparelho do Estado burguês -- que não se resume ao governo federal -- é um dos principais articuladores do golpe, ao lado da mídia, para manter os privilégios da Casa Grande.

Claudio Daniel

domingo, 23 de novembro de 2014

Correlação de forças

A nova equipe ministerial na área econômica não apresenta surpresas e deve manter a mesma politica econômica adotada nos últimos doze anos, desde a vitoria de Lula. É obvio que esse ministério reflete a correlação de forças que existe hoje no Congresso Nacional e na sociedade brasileira. Não vivemos uma situação revolucionaria nem temos forças hoje para uma ruptura com o PMDB. Não se faz politica seria apenas com o coração, mas sobretudo com o cérebro. Sem a aliança com o PMDB, o governo cairia. Simples assim. Se queremos uma guinada a esquerda, precisamos elevar o nível de consciência de classe dos trabalhadores e ampliarmos as manifestações de rua em defesa da reforma politica e demais mudanças politicas e sociais, sobretudo a regulamentação da mídia e a democratização do judiciário.
Claudio Daniel 

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Há resquícios autoritários na democracia brasileira? Sem dúvida, a começar pela ação das polícias militares e pela sobrevivência da Lei de Segurança Nacional. Porém, basta compararmos o Código Civil brasileiro anterior a 1985 com o código vigente para verificarmos conquistas como a igualdade civil entre homens e mulheres -- antes, a mulher era considerada um "ser relativamente incapaz", ao lado das crianças, dos índios e dos loucos. Para citar um único exemplo.
Cláudio Daniel 

sábado, 16 de agosto de 2014

Estado Islâmico do Iraque e do Levante

"O assim chamado "Estado Islâmico do Iraque e do Levante" (ISIS, na sigla em inglês) é um grupo terrorista formado por fundamentalistas islâmicos recrutados em diversos países, como o Paquistão, Chechênia, Líbia, Arábia Saudita e até Estados Unidos e Europa Ocidental. Desde o início, foram financiados, armados e apoiados pelos EUA, Israel e petromonarquias do Golfo Pérsico. Seu objetivo é implantar um "califado" salafista (versão deturpada do Islã praticada na Arábia Saudita) em regiões ocupadas do Iraque e da Síria, expulsando ou assassinando populações cristãs, curdas, xiitas ou sunitas de outros ramos do Islã. Enquanto foi interessante para os EUA, eles apoiaram esses terroristas; agora que eles saíram de seu controle, a Casa Branca mudou de aliado e passou a apoiar os curdos contra o ISIS, mas mantendo o seu mesmo objetivo estratégico: a divisão do Iraque em vários estados -- um curdo, um sunita e outro xiita -- para enfraquecer o país árabe e facilitar o domínio imperialista na região. A mesma estratégia seria implantada na Síria, onde, felizmente, Bashar Al-Assad está vencendo a guerra e expulsando esses criminosos do heroico país árabe. Mais informações a respeito no excelente livro "A segunda guerra fria", do professor Moniz Bandeira."
 ( Claudio Daniel)

domingo, 7 de abril de 2013



Falar em "elite" como sinônimo de burguesia eu acho bastante impreciso, já que qualquer setor especializado da sociedade é uma elite, desde torneiros-mecânicos e serralheiros até especialistas em literatura do sudeste da Tailândia no século V d.C. Quem explora o povo não são as elites culturais ou profissionais, mas os proprietários dos meios de produção -- tecnicamente falando, é a burguesia mesmo.

Cláudio Daniel

domingo, 31 de março de 2013



Os jovens que pedem a volta da ditadura são em geral de classe média-alta, de baixo nível cultural e forte grau de ressentimento. Assumem uma ideologia conservadora, machista, racista, talvez pela ausência de valores, carência afetiva e necessidade de chamarem a atenção, e ainda pelo ódio que sentem ao diferente. Viver numa sociedade em que nordestinos, mulheres, negros e gays têm direitos é para eles o maior dos pesadelos. Pois que se acostumem à nova realidade, ela veio para ficar.

Cláudio Daniel

domingo, 7 de outubro de 2012

NOITE-SEIOS




luazulada
alvíssima
deslinda-
se no céu
finíssima
auréola:
pó de luz
que cintila
nos róseos
mamilos
desnudados
— lua
em luas
refletida,
prata
em prata
lucilada

Cláudio Daniel

Claudio Daniel – 1998

Uma excelente reflexão de Mar Becker sobre a poesia: "Pense em Robert Creeley e Luiza Neto Jorge, cujos poemas instauram um processo de esgotamento da linguagem que passa pelo exercício de se debruçar reflexivamente sobre a natureza das palavras. Títulos como “A linguagem”, que nos convida a ouvir “palavras / e palavras cheias // de buracos / doendo”, e “Sítio lido”, que sugere haver “um dispositivo de silêncio / nos pontos cardiais / desta página”, são bons exemplos nesse contexto.

Outros poetas tomaram um caminho diferente para chegar a esse lugar. No seu “Altazor”, Vicente Huidobro parte para uma aventura poética com o propósito de despojar a linguagem de suas mediações conceituais cotidianas e de seu peso objetivo. O resultado é uma construção textual que se funda na completa extrapolação dos recursos sintático-semânticos com os quais costumamos articular o discurso, desde a estrutura das palavras e a pontuação até a espacialização gráfica.
É no horizonte dessas considerações que conseguimos entender por que o último canto de “Altazor” se desenrola num ambiente de pura fonação: “Al aia aia / ia ia ia aia ui / Tralalí / Lali lalá [...]”.

Não são poucos os nomes que cabem nesse debate. A experiência de tocar os contornos da linguagem, de estar diante do abismo do indizível, é também o ponto de apoio dos poemóbiles de Augusto de Campos e Julio Plaza, que saíram no Brasil pelo selo Demônio Negro (Annablume), e da rosa de Gertrude Stein, do verso “Uma rosa é uma rosa é uma rosa”, que aparece no poema “Sacred Emily”. Em ambos os poetas vemos a necessidade de superar a dicotomia que há entre linguagem e realidade. No primeiro caso, tal necessidade é o que conduz à transformação da palavra em objeto físico (os ‘poemóbiles’). O poema está no mundo, como coisa, como peça que ao se abrir em sua dimensão ontológica transforma-se numa peça que pesa. No segundo caso, tal necessidade é o que conduz à transformação do verso numa tautologia. À medida que se dobra sobre si mesma (repetição), a palavra pode finalmente alcançar a realidade. Conforme observa o escritor Moacyr Scliar, “Gertrude Stein acreditava que a repetição revelava a verdade das coisas e das pessoas”. É uma intuição dessa natureza que Juliano Garcia Pessanha possivelmente considera no seu “Poema da Vida Consumada”: “Quero morrer sozinho ao lado de um córrego, de um córrego de nome estranho, de um córrego de nome córrego. Quero morrer sozinho e que um abutre leve meus olhos e algum animal as vísceras. Quero morrer tão completamente que a minha vida, mera mímesis de uma ordem fria, alcance o esquecimento último no qual o córrego seja restituído ao córrego”.

De um ensaio que escrevi para um futuro livro sobre filosofia da arte"

sábado, 29 de setembro de 2012

LETRA NEGRA



(fragmento)

V

“quando nada mais faz sentido” —
busco o mistério animal,
a ferocidade da noite:
deslizando por meus lábios,
ela se transforma, revoluta,
desentranhada, não me decifra,
não te devoro, abisma fábulas
na desordem dos cabelos;
entre pupilas, expandindo luas,
tensionando a pele, na cegueira dos mamilos.

Claudio Daniel