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domingo, 17 de janeiro de 2016


Existe este muro branco, acima do qual o céu se faz —
Infinito, verde, todo intocável.
Anjos nadam ali, a as estrelas, em indiferença também.
Eles são meu meio. O sol se esvai neste muro, sangrando suas luzes.
Um muro cinza agora, arranhado a sangrento.
Não há como escapar da mente?
Passos atrás de mim espiralam poço adentro.
Não há árvores nem aces neste mundo,
Só existe um azedume.
Este muro vermelho recua continuamente:
Um punho vermelho, abrindo a fechando,
Dois sacos de papel cinza —
É disco que eu sou feita, disco a de um terror
De rodar sob crazes a uma chuva de pietás.
Num muro negro, pássaros inidentificáveis
Giram suas cabeças a gritam.
Não se fala de imortalidade entre eles!
Frios brancos nos alcançam:
Movem-se com pressa.

(XXI POEMAS, Sylvia Plath, tradução de
Ronald Polito e Deisa Chamahum Chaves,

Ed. Livre, Mariana/MG, Brasil, 1994.)

Metáforas


Sou um enigma em nove sílabas,
Um elefante, casa pesada,
Um melão solto sobre dois brotos.
oh fruta rubra, marfim, bons troncos!
Esse pão que cresce fermentando.
Dinheiro novo na bolsa cheia.
Eu sou meio, palco, vaca prenha.
Comi um saco de maçãs verdes,
Tomei o trem do qual não se desce.

(XXI POEMAS, Sylvia Plath, tradução de Ronald Polito e Deisa Chamahum Chaves,

Ed. Livre, Mariana/MG, Brasil, 1994.)

terça-feira, 23 de julho de 2013

Canção de Amor da Jovem Louca


(SYLVIA PLATH)

Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro
Ergo as pálpebras e tudo volta a renascer
(Acho que te criei no interior da minha mente)

Saem valsando as estrelas, vermelhas e azuis,
Entra a galope a arbitrária escuridão:
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.

Enfeitiçaste-me, em sonhos, para a cama,
Cantaste-me para a loucura; beijaste-me para a insanidade.
(Acho que te criei no interior de minha mente)

Tomba Deus das alturas; abranda-se o fogo do inferno:
Retiram-se os serafins e os homens de Satã:
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.

Imaginei que voltarias como prometeste
Envelheço, porém, e esqueço-me do teu nome.
(Acho que te criei no interior de minha mente)

Deveria, em teu lugar, ter amado um falcão
Pelo menos, com a primavera, retornam com estrondo
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro:
(Acho que te criei no interior de minha mente.)


translated by Maria Luíza Nogueira

(in A REDOMA DE CRISTAL, Ed. Artenova, Brazil, 1971, p. 255)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

PALAVRAS



 SYLVIA PLATH .

Golpes
De machado na madeira,
E os ecos!
Ecos que partem
A galope.

A seiva
Jorra como pranto, como
Água lutando
Para repor seu espelho
Sobre a rocha

Que cai e rola,
Crânio branco
Comido pelas ervas.
Anos depois, na estrada,
Encontro

Essas palavras secas e sem rédeas,
Bater de cascos incansável.
Enquanto do fundo do poço, estrelas fixas
Decidem uma vida.

(tradução de Ana Cristina César, poeta brasileira )

sábado, 29 de dezembro de 2012

Diários.


"Faço parte de tudo que conheci.” Vocês todos, saibam ou não, tendo entrado na trama da minha vida e saído de novo, deixaram uma parte transitória de vocês que eu transformarei em algo. Ainda não há nada, mas haverá uma mudança radical, capaz de gerar uma coisa rica e inesperada. Através de mim, a transmutação! Ah, eu mordo, mordo a vida como uma maça suculenta. Brinco com ela feito um peixe e sou feliz."

Sylvia Plath

domingo, 2 de setembro de 2012

Sou apenas uma gota a mais no imenso mar de matéria, definida, com a capacidade de perceber minha existência. Entre os milhões, ao nascer eu também era tudo, potencialmente. Eu também fui cerceada, bloqueada, deformada por meu ambiente, pela manifestação da hereditariedade. Eu também arranjarei um conjunto de crenças, de padrões pelos quais viverei, e no entanto a própria satisfação de encontrá-los será manchada pelo fato de que terei atingido o ápice em matéria de vida superficial, bidimensional – um conjunto de valores.
Meus Deus, a vida é solidão, apesar de todos os opiáceos, apesar do falso brilho das “festas” alegres sem propósito algum, apesar dos falsos semblantes sorridentes que todos ostentamos. E quando você finalmente encontra uma pessoa com quem sente poder abrir a alma, para chocada com as palavras pronunciadas – são tão ásperas, tão feias, tão desprovidas de significado e tão débeis, por terem ficado presas no pequeno quarto escuro dentro da gente durante tanto tempo. Sim, há alegria, realização e companheirismo – mas a solidão da alma, em sua autoconsciência medonha, é horrível e predominante.

Sylvia Plath
Michèle Grosse

quinta-feira, 7 de junho de 2012

mirror

I am silver and exact. I have no preconceptions.
Whatever I see I swallow immediately
Just as it is, un misted by love or dislike.
I am not cruel, only truthful -
The eye of a little god, four-cornered.

Sylvia Plath, Mirror

Sou prata e exato. Não tenho preconceitos.
Tudo o que vejo engolir imediatamente
Assim como é, un misted de amor ou aversão.
Não sou cruel, apenas verdadeiro -
O olho de um pequeno deus, de quatro cantos.

Sylvia Plath, Mirror