segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Um romance de geração

Entrevista | Fernando Bonassi

Um romance de geração

Em novo livro, escritor Fernando Bonassi faz uma radiografia da ascenção e queda de uma classe social pela via do consumo

Luiz Rebinski e Marcio Renato dos Santos

Há 5 anos, Fernando Bonassi começou a elaborar uma narrativa a respeito do Brasil, “país que se deitou embriagado, sonhou um pesadelo previsível, sem graça, e acordou sufocado, endividado até o pescoço”. O resultado acaba de se materializar no romance Luxúria que, de acordo com o autor, trata “dessa confusão entre cidadania e consumo e endividamento, típica do que aconteceu nos últimos anos. Transformamos os desgraçados em consumidores sem que se tornassem cidadãos.” Luxúria apresenta a ruína de uma família, de um operário que pretende construir uma piscina no quintal de sua casa. Mas o livro trata, simultaneamente, de várias questões, entre as quais, o tempo. “O tempo é a substância básica de Luxúria. O tempo vendido e comprado, o tempo usado, o tempo jogado fora, mal aproveitado, arremessado na cara de quem não tem por aquele que é o seu dono, seu feitor, o tempo que eu roubo de você para que sobre tempo para mim”, diz o autor que, nesta entrevista, também fala sobre a sua trajetória, que inclui outras obras literárias e roteiros para TV e cinema, como os longas-metragens Cazuza — O tempo não para (2004) e Carandiru (2003). “Reconheço que estraguei algumas boas ideias de romance, novela ou conto para escrever uma sinopse de afogadilho, cenas banais de seriados e de longas-metragens. Às vezes as necessidades da sobrevivência te obrigam a dispor de forma leviana de algo muito querido e acalentado. Mas a vida é isso também. Estou disponível pro jogo. Sem mágoas”, afirma Bonassi, 53 anos.

Quando, em que momento, você teve o insight, o ponto de partida, para elaborar Luxúria? Desse primeiro momento até entregar o arquivo para a editora, quanto tempo se passou? Reescreveu quantas vezes? Colegas leram, deram algumas sugestões? Como foi, enfim, o processo de idealizar e escrever o romance?
Eu andava com vontade de escrever algo sobre a profunda frustração que viveu a minha geração. Eu me refiro àquelas pessoas que nasceram na primeira metade dos anos 1960 e que assistiram às várias promessas de civilização que foram sendo feitas e traídas pela venalidade cotidiana do nosso violento, autodestrutivo e autodepreciativo, fazer político: tentamos eleger um presidente de maneira direta, mas a ditadura só nos permitiu o colégio eleitoral; o menos ruim daqueles que concorreram ao colégio eleitoral venceu, mas teve o mal gosto de morrer antes de assumir, vivemos a era Sarney, as funestas e cosméticas presenças de Collor e de Itamar Franco, depois assistimos a cinco mandatos de governos eleitos pelo povo alienarem os seus mais caros ideais democráticos e de igualdade social e governarem reféns dos partidos derrotados, em alianças de bandidos num congresso de criminosos retroalimentado pelo tesão de permanecer no Estado... É um paisinho de merda, não é, parceiro? Também queria tratar dessa confusão entre cidadania e consumo e endividamento, típica do que aconteceu nos últimos anos. Transformamos os desgraçados em consumidores sem que se tornassem cidadãos. Também fui operário, minha antiga atividade (ajustagem mecânica), por exemplo, entrou em extinção faz tempo: as máquinas realizam melhor o serviço do que o melhor dos operários. Os homens são desnecessários, e nunca houve tanto conforto disponível. Fácil, falso, mas disponível, e todos acreditaram. Queria tratar de um país que se deitou embriagado, sonhou um pesadelo previsível, sem graça, e acordou sufocado, endividado até o pescoço. A desgraça de um operário que tenta construir uma piscina em sua casa e é vencido pela insurreição dos elementos de seu mundo, me pareceu um maravilhoso microcosmo, grotesco, do que fizemos de nós próprios. É uma literatura do que está acontecendo, embora o romance tenha começado a ser escrito faz 5 anos. A história tornou-se tristemente atual, isso é indiscutível. Luiz Ruffato foi o único leitor do original e deu sugestões importantes, que eu usei nas várias vezes em que reescrevi a narrativa. O livro teve umas boas cinco versões, com mudanças substantivas em cada uma delas, até chegar a esta última.

Há quem diga que a primeira frase deve definir, sintetizar o romance e, em Luxúria, a narração começa da seguinte maneira: “É um momento histórico de prosperidade num país acostumado a viver na merda.” Para quem ainda não leu e mesmo para quem já conhece, considera que a primeira frase faz uma apresentação da proposta de Luxúria?
Acho que sim. Neste sentido a frase é uma ótima síntese. O romance trata justamente da construção desse imaginário que nos envolveu e embriagou nos últimos tempos. Vivemos a falsa ilusão de que tínhamos resolvido tudo porque os miseráveis estavam comprando carro popular e viajando de avião. É claro que é maravilhoso que todos os cidadãos brasileiros disponham de bens e vivam os prazeres e lazeres de uma viagem. No entanto, não conseguimos superar esta fase infantil de nosso pseudodesenvolvimento. Os governos de esquerda não realizaram a promessa de redução das diferenças em níveis consideráveis. Governaram como governou desde sempre a direita, apresentando resultados práticos, mantendo a injustiça social perto do intolerável, jogando no lixo os valores que os levaram ao poder. Na hora em que sobrevém a crise e o desemprego, sobram dívidas, quando deveria ter havido educação integral e de qualidade e compreensão cultural das coisas do mundo em que vivemos, antes. Ademais a imprensa e o governo estão cagando para os livros. Luxúria também trata disso.

Luxúria apresenta uma família que, a partir das possibilidades do crédito fácil, vai flertar com a sugestão de paraíso, via consumo, e, em seguida, pagar a conta. Como foi criar esses personagens, o pai operário, a esposa dependente de antidepressivos e o filho adolescente? Elaborou a partir de pesquisa e observação?
Digo que o livro é lamentavelmente sobre pessoas e acontecimentos reais e não minto. Percebi cedo que vinha de uma cepa de vermes preguiçosos, estelionatários e puxa-sacos que sempre preferiram encostar-se num sofá, de preferência com um copo de cachaça, a ler um livro, gente que sempre olhou a ousadia e o progresso, com desconfiança e medo. Observo estas péssimas qualidades por onde ando, também, especialmente entre os paulistanos à minha volta, na violência de nossa polícia e do trânsito da cidade de São Paulo, nas cadeias administradas pelo crime organizado na cidade mais rica do país, na cegueira cultural, histórica e política do cidadão comum. O desleixo de alunos e professores com o verdadeiro ensino. Livre, em tempo integral, laico... Estamos um traste. E não é preciso pesquisar muito para notar estes personagens: basta abrir os olhos e os ouvidos. Nossa degradação é progressiva, insistente, inexorável até a burrice final.

Ao comprar uma piscina, a vida do operário ferramenteiro, o super- -herói do relato, vai mudar, para sempre. A tentativa de instalação da piscina no quintal da casa vai ocupar parte significativa deLuxúria. O livro traz informações detalhadas, por exemplo, o que se lê na página 273: “A malha de aço, a portuguesa, mas quadrada, ou retangular, num rococó reto e definido por ângulos recortados. Cada quatro ferros de oito e cada estribo de quatro milímetros são amarrados quatro vezes entre eles, em cada ângulo reto da junção. Cada figura se gruda numa outra, gêmea, espelhada. Do mesmo tamanho.” Você pesquisou sobre o assunto? Consultou manuais? Entrevistou profissionais da área? A ideia foi provocar um efeito irônico?
O mundo do trabalho não requereu pesquisa nenhuma, pois fiz o curso de ajustagem mecânica numa unidade do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), numa fábrica de engrenagens do ABC paulista (A ZF de São Caetano) em meados dos anos 1970, além de conviver numa família de operários metalúrgicos reacionários, brutos e semialfabetizados (sabiam contar dinheiro e calcular ângulos simples nos tornos, nada mais). Já a construção de piscinas, seus tipos e seu funcionamento, isso sim me interessou pesquisar e colhi algumas pastas de dados. Descobri coisas engraçadas e aterradoras. Usei muita coisa.

O capítulo 12 — “Recorde de acessos na semana” — traz praticamente a descrição de um vídeo, a decupagem de um audiovisual. Neste caso, você se valeu do seu conhecimento de com TV e cinema para incluir a linguagem de roteiro dentro do romance?
Sou um escritor que teve a vantagem de viver num momento histórico em que há diversas mídias que ainda necessitam desta coisa antiga, mas sofisticadíssima, que é a dramaturgia, a literatura, enfim. Roteiro e livro tem naturezas diferentes, mas brincar com as conexões entre as suas linguagens específicas, é parte do meu prazer e interesse estético, desde sempre. Posso fazer você “visualizar uma cena” num livro; ou fazer o espectador ouvir determinado texto, viver certa emoção literária num filme. São questões que cada modalidade de arte impõe aos verdadeiros criadores todos os dias, aliás.

Antes do fim do livro, há uma sequência de capítulos com linguagens diferentes entre si, mas que, de maneira geral, funcionam — o efeito, para o leitor, é surpreendente. O capítulo 71 traz a narração presente em grande parte de Luxúria, o narrador em terceira pessoa apresentando uma situação dramática. Já o capítulo 72, a exemplo do que foi perguntado na questão anterior, mostra quase a decupagem de um audiovisual. O capítulo 73 é uma carta de demissão. A sua estratégia, para conduzir Luxúria, foi, enfim, fazer uma mistura, uma mescla, de opções narrativas?
Aprecio a ideia de narrar usando documentos (como a carta de demissão, por exemplo), que substituem, ou melhor, que incluem em si próprios, uma narrativa. O fato de os capítulos representarem abordagens diferentes, tem à ver com o meu gosto pelas diversas linguagens que compõem a arte e a vida. Sempre gostei de cinema, troço cosmopolita em essência, e de cultura pop em geral. Aprendi filosofia com a Nouvelle Vague, política com Eisenstein e o Cinema Novo, geografia e história com o Rock´n´Roll e assim por diante.

Em Luxúria há, na falta de palavra/ expressão mais precisa, alguns núcleos: a casa da família, a empresa, a escola, a rua e a igreja. Esses são, ou podem ser, os espaços, os cenários, em que personagens da realidade — em diálogo com os personagens que aparecem no livro — circulam neste Brasil onde teve crédito fácil em tempos recentes?
Na verdade, meus personagens são, tragicamente, “limitados” por estes núcleos/ cenários. A vida da maioria dos meus sempre foi um deslocamento entre o trabalho, lugar de sofrimento, e a casa, lugar de solidão. A religião é triste e punitiva. O serviço a prestar uma repetição tola e infinita. Os prazeres sexuais e gastronômicos limitados, a insegurança material e espiritual constante. Culpa, cobrança, inveja, desprezo pela liberdade, mesquinhez, desalento. A impressão generalizada é que se recebe pouco por andar dentro da lei. É um caldo de cultura péssimo este em que estamos submersos, e que vai nos levar à autodestruição em poucas décadas, é quase certo.

O tempo é uma questão em Luxúria: “Na fábrica o relógio anda para trás, na escola o relógio não anda e em casa o relógio anda para o lado.” (Sem mencionar a última, e arrebatadora frase do romance) os personagens de Luxúria são engolidos pelo tempo?
O tempo é a substância básica de Luxúria. O tempo vendido e comprado, o tempo usado, o tempo jogado fora, mal aproveitado, arremessado na cara de quem não tem por aquele que é o seu dono, seu feitor, o tempo que eu roubo de você para que sobre tempo para mim. As relações de trabalho, em países pobres, burros e violentos como o nosso, são extremamente danosas para quem não estudou e ganha pouco. O tempo dessas pessoas é um tempo inferior ao dos outros, os que acham que podem fazer o que querem... Mas esta destruição do tempo, essa banalização do tempo, no livro, é uma de suas partes artísticas mais bem-sucedidas, na minha opinião. Acho verdadeiro aquilo que está lá, conheço bem a perversidade, vivi e fui vivido por aquilo, fui humilhado e humilhei dentro daqueles moldes.

A relação entre os personagens de Luxúria é marcada pela tensão, há hostilidade e violência no convívio, seja entre os membros da família ou outros personagens. Os brasileiros, os humanos, são violentos? Essa é a característica que pode nos definir?
Violência é o traço de convivência que define sociedades e países que desprezam a cultura, o ensino que aproxima o aprendizado das várias gerações e os valores civilizatórios em geral, como é o caso do Brasil, em que educação é merda até para os altos burocratas pau-mandados da educação privada que, em São Paulo, por exemplo, advogam o ensino técnico. Eu pergunto: quem vai dizer ao jovem: pare de conhecer, de se interessar e ampliar seus horizontes e vá para a primeira linha de montagem que o aceitar, apertar parafusos? Ridículos estes homens de poder, são ridículos e jurássicos todos eles...

Thor, o cachorro de estimação da família do operário ferramenteiro, tem espaço, e destaque, em Luxúria. Um dos mercados que mais crescem entre as micro e pequenas empresas é o dos pet shops. Há pensatas sobre a relação entre cachorro e ser humano no romance. A relevância dos cães é cada vez mais no Brasil contemporâneo?
Fiz a experiência de tentar doar um cão na Internet e quase fui linchado. Os cães domésticos costumam preencher o vazio moral, sexual e amoroso dos seus proprietários e este livro apenas esboça um quadro, muito tênue, disso. Nada demais.

Você estreou com o livro de poesia Fibra ótica, ainda nos anos 1980. Desde então, escreveu coletâneas de contos, romances, histórias infantojuvenis, peças de teatro e roteiros para o cinema e a TV. Como você entrou e se adaptou a tantos gêneros, que, apesar de utilizarem a mesma matriz — a palavra — são idiossincraticamente diferentes?
Como já anotei, faço parte de uma geração em que as mídias se abriram para o texto. Vindo de um ambiente operário eu sabia que devia fazer algo que me permitisse pagar as contas. A ideia e a vontade de vender meu texto, de entrar em embates criativos com a indústria cultural, me levou a me interessar e praticar diversas linguagens. Estar preparado para enfrentar as encomendas sem sofrer, mas produzindo o melhor possível.

Em alguns de seus projetos, seja na literatura ou no teatro, há uma clara tentativa de subverter a linguagem, mas, ao mesmo tempo, sempre com o objetivo de “contar” uma história. Como você dosa a vontade de transgredir, inerente a maior parte dos escritores, com o princípio básico da literatura, que é a narrativa?
A melhor solução de prosa, portanto estamos no campo da narrativa, para mim, é aquela que contempla a linguagem, que apresenta o que há para ser expresso sob uma forma que determina seu conteúdo, que o torna muito específico, e único, e ao mesmo tempo, dotada de beleza e força poética, de verdade ficcional, em todos os seus detalhes. Parece teórico. E não é muito simples mesmo. Arte é originalidade. Foda de alcançar.

Você se envolveu com roteiro de cinema e TV, algo que consome tempo e ideias. E também não é um escritor apenas de livros, trafega em outras linguagens. Isso, de alguma forma, atrapalhou sua carreira como ficcionista (contista e romancista)?
Sim, atrapalhou. Hoje, com 53 anos a agilidade mental não é a mesma, reconheço que estraguei algumas boas ideias de romance, novela ou conto para escrever uma sinopse de afogadilho, cenas banais de seriados e de longas-metragens. Às vezes as necessidades da sobrevivência te obrigam a dispor de forma leviana de algo muito querido e acalentado. Mas a vida é isso também. Estou disponível pro jogo. Sem mágoas.

Até a década de 1980, o escritor, em geral, se tornava jornalista, professor ou funcionário público para ganhar a vida. Hoje há muitas outras possibilidades, como a produção audiovisual, a internet, etc. Para você, a televisão (e o cinema, em menor medida) é apenas uma forma de ganhar a vida ou é uma atividade que também te completa como criador?
É uma atividade para ganhar a vida que amoleceu e tornou muito mais versátil o meu texto literário.

Vários de seus livros falam sobre a periferia. Mas uma periferia menos miserável, pelo menos economicamente, se comparada aos morros cariocas. É a classe média baixa, o trabalhador com emprego, mas que ganha pouco. Praticamente o mesmo tema dos livros do escritor Luiz Ruffato. Vê semelhanças entre a sua produção e a dele?
Nossas literaturas, com todas as nossas diferenças formais, políticas, pessoais e estilísticas, abordam este mesmo lugar e tempo, que foi a transformação do Brasil do século XX, aquele país em que se “amarrava cachorro com linguiça”, neste em que vivemos agora, de alta tecnologia e alta miséria em permanente coexistência. O Ruffato leu isto com uma voz e uma poética incomuns. Eles eram muitos cavalos é grande, é porrada, já tem o seu lugar na História.

Você e Marçal Aquino foram parceiros em diversos projetos, por exemplo, na série Força tarefa, da TV Globo. Ele é o escritor com quem tem mais afinidade? Como surgiu essa parceria?
Marçal Aquino e eu formamos uma dupla de criação em que o respeito mútuo e a prevalência do que é melhor, guia o trabalho. Trabalhamos ombro a ombro na casa dele (tenho duas filhas pequenas e um tanto barulhentas, na minha casa, no momento), decidindo a cada passo o que é melhor e mais original para o que escrevemos, nas condições e para o público que almejamos. Marçal tem um repertório e memória incríveis. Dá muito conforto trabalhar com um artista assim. Eu faço o que eu gosto; me divirto fabulando, inventando, e depois encontrando palavras para descrevê-lo. Não é ruim.

E falando de geração, que avaliação você faz da sua própria geração e, em geral, do cenário literário brasileiro? Além dos meios de publicação, o que mudou dos anos 1980 pra cá em termos literários?
Minha geração... Cacete, o que é isso? Quem somos? Bem, há certa diversidade, pelo menos. E uma impressão de leitor/escritor que fomos um tanto inúteis, nos rendemos aos prazeres fáceis da indústria cultural, da conivência com uma política de criminosos, não retratamos o que fizemos de nós todos e o que todos nós fizemos do país, dos sonhos, dos pesadelos e dos abortos... Eu gostaria de dizer “fomos considerados indigestos pelos autoritários e ousados diante dos poderosos”, mas não acho que seja o nosso caso. Hoje em dia, de todo modo, é bem mais fácil publicar. O livro ficou barato. E há os incentivos fiscais, os prêmios... Os blogs, que permitem exercício permanente. A tecnologia foi madrinha disso, felizmente. Os caras acima de 50, como eu, sabem que era mais complicado antes.

Para finalizar, você tem algum hábito diário, além de ler e escrever. Por exemplo, caminha? Vai em algum lugar olhar o movimento? Fica parado pensando? Um hábito que se repete e que você não abre mão? Caso sim, o que é?
Ando uma hora por dia, leio bons livros, vejo bons filmes e procuro me manter estimulado, artisticamente, conhecendo ou revisitando a obra de gente que me toca, me desafia, me incomoda, me tira de minha mesquinhez e do ramerrão cotidianos. Não é hábito, mas uma certa disciplina criativa: escrever um punhado de literatura, nem que seja um tiquinho, todos os dias.

(Cândido, Jornal da Biblioteca Pública do Paraná, dezembro de 2015)
http://www.candido.bpp.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=1009

domingo, 31 de janeiro de 2016

Oración

Miguel de Cervantes Saavedra

A Ti me vuelvo, gran Señor, que alzaste,
a costa de tu sangre y de tu vida,
la mísera de Adán primer caída
y adonde él nos perdió, Tú nos cobraste.

A Ti, Pastor bendito, que buscaste
de las cien ovejuelas, la perdida
y hallándola del lobo perseguida,
sobre tus hombros santos te la echaste.

A Ti me vuelvo en mi aflicción amarga
y a Ti toca, Señor, el darme ayuda,
que soy cordera de tu aprisco ausente

y temo que a carrera corta o larga,
cuando a mi daño tu favor no acuda
me ha de alcanzar esta infernal serpiente.
Fragmento de obra de teatro La Gran Sultana doña Catalina de Oviedo


Biblioteca Digital Ciudad Seva
“Acredito que as pessoas aprendem com os próprios erros e com o tempo. Acredito também que quem traiu uma vez e foi perdoado vai trair de novo. Acredito que aquelas pessoas que vivem falando mal dos outros vão falar mal de você com esses outros. Acredito que as pessoas só mudam por vontade própria e nunca pelo pedido de outra pessoa. Acredito que tudo que eu acredito hoje vai mudar com o tempo. E que, no futuro, talvez, eu acredite em menos coisas. Ou em nada mais.”

— Clarice Lispector.

Adam Przeworski

Adam Przeworski (pronúncia em polonês: [pʂɛˈvɔrskʲi]; 1940- ) é um cientista político e professor da Universidade de Chicago nascido na Polônia.

Seu método procura conciliar as análises macroestruturais com um individualismo metodológico e considera as ações dos indivíduos como dotadas de sentido racional. Isso significa que as práticas dos sujeitos não são condicionadas por forças estruturantes (economia, Estado, ideologia, classe social, etc) . Essa visão transformava os sujeitos sociais em massa de manipulação das estruturas - o político, o econômico e o ideológico.

Para Adam Przeworski, a prática desses atores sociais não parte de determinação estrutural, mas de escolhas entre alternativas disponíveis, o que caracteriza a teoria da escolha racional. Esse método tornou possível (e foi tornado possível por) o estudo de realidades em que suas condições estruturais haviam partido de acordos ou compromissos entre as distintas classes sociais e não de imposição de uma delas.

Tem o tema democracia como principal eixo de reflexão, em torno do qual não escapam estudos sobre o Estado, a social-democracia, representatividade, eleições, etc.
É autor da obra "Estado e Economia no Capitalismo", possuindo tradução para o português de Argelina Cheibud Figueiredo e Pedro Paulo Zahluth Bastos pela editora Relume Dumará - Rio de Janeiro.


Quando Nietzsche Chorou

“Eis um homem tão oprimido pela gravidade - sua cultura, sua posição, sua família -, que jamais conheceu sua própria vontade. Tão preso à conformidade, que parece espantado quando falo de escolha, como se estivesse falando uma língua estrangeira. Quando o confronto com o fato de que permitiu que sua vida fosse um acidente, ele nega a possibilidade de escolha. Ele me diz que ninguém imerso em uma cultura dispõe de escolha.
É curioso como ele teve o conceito ao seu alcance em uma idade precoce, mas nunca desenvolveu a visão para enxergá-lo Ele era o “rapaz infinitamente promissor” - como todos nós somos -, mas nunca entendeu a natureza de sua promissão. Ele nunca compreendeu que seu dever era aperfeiçoar a natureza, superar a si mesmo, sua cultura, sua família, seu desejo, sua natureza animalesca brutal, para se tornar quem ele foi. o que ele foi. Ele nunca cresceu, ele nunca se desvencilhou de sua primeira pele: ele confundiu a promissão com a realização de objetivos materiais e profissionais. E quando alcançou esses objetivos sem jamais ter aquietado a voz que dizia “Torna-te quem tu és”, recaiu no desespero e invectivou a peça nele pregada. Mesmo agora ele não capta a verdade!
Existe esperança para ele? Ele ao menos pensa sobre as questões corretas e não recorre a embustes religiosos. Mas é medroso demais. Como lhe ensinar a se tornar rijo? Ele uma vez contou que banhos frios ajudam a enrijar a pele. Haverá uma receita para enrijar a determinação? Ele chegou à percepção de que somos regidos não pelo desejo divino, mas pelo desejo do tempo. Ele percebe que a vontade é impotente contra o “assim se deu”. Terei a habilidade de lhe ensinar a transmutar o “assim se deu” no “assim o quis”?”

— Irvin Yalom, 

sábado, 30 de janeiro de 2016

não devemos jamais confundir politica e religião para não sermos cúmplices na disseminação de fobias assassinas.Jamais confundiremos as criticas e a luta contra as politicas do Estado de Israel com o judaísmo e os judeus. Não passarão de contrabando na militância qualquer ataque contra os povos do Livro.Lutar pelo ecumenismo sem deixar de lutar pela justiça , os direitos humanos e o direito Internacional que não está com os governos de Israel. ser judeu não é dar carta branca aos abusos cometidos por israelenses. 

Wilson Nogueira
Ricardo Costa de Oliveira_________________A política nepotista do Paraná é uma das mais podres do Brasil e ninguém importante nunca foi preso nos últimos vinte anos de imensos escândalos institucionais. Eu não confio mesmo no trabalho paranaense desses gestores da Lava Jato desde a mega fraude do Banestado. Muitas imposturas espetaculosas. A lexicografia indiana é curiosa e formou conceitos muito aplicáveis ao Brasil. Nababo, marajá e mogul são termos indianos apropriados aos subpoderes do sistema judicial brasileiro. Qualquer pesquisador crítico minimamente informado sabe das imensas vantagens e privilégios corporativos de certos setores do ministério público e da justiça no país. Sua seletividade estrutural, seus pontos cegos, suas redes de conexões elitizadas, com poucas boas exceções, sempre representaram grandes fatores no atraso político no Brasil. A grande mídia familiar projetada, criada, alimentada e enriquecida durante a ditadura militar, sempre com baixíssimo nível cultural, funciona em esquemas de grandes interesses corruptos, que deixariam qualquer Citizen Kane, ou Rupert Murdoch Australian media mogul como meros amadores. Acabamos com o AI-5, mas muitos filhotes da ditadura, como dizia Brizola, continuam se arrastando por aí no sistema judicial oportunista e na mídia. A modernização da sociedade os afetou. Perseguir o Lula, a Dilma e deixar um acusado como Eduardo Cunha impune. Cadê os tesoureiros dos outros partidos de direita e suas arrecadações não investigadas ? O roubo e o saque gigantesco da privataria e reeleição de FHC ? Estes setores atrasados, unidos na sincronia do seu subdesenvolvimento histórico, agora querem atacar o Lula porque pelas ideias e pelo voto sempre foram derrotados. Para a manipulação agora só restam as chicanas jurídicas, as acusações inquisitorialescas, prende-se para se arrancar somente a delação interessada e as costumeiras falsificações midiáticas como recursos apelativos. Os partidários desta direita enrustida serão derrotados de novo pela força do povo.

Lucinéa Dobrychlop___________________ Jorge Bernardi publicou um livro ano passado sobre esse assunto. Comente sobre ele com Cynthia Werpachowskki. Ela estava lendo.
Antonio Carlos Prof. Ricardo Costa de Oliveira parabéns pelo texto e pela sua coragem na defesa da ética. Pois, enquanto esse grupo tenta, por todos os meios, encurralar o Lula, esse mesmo grupo agora sai em defesa da permanência do Cunha na presidência da Câmara Federal. E, esse mesmo juiz conduziu a investigação da corrupção no Banestado, no qual estavam envolvidos políticos do PSDB como o FHC, Gustavo Franco, ex-prefeito de São Paulo, Ricardo Sérgio de Oliveira, arrecadador de fundos para campanhas de FHC, José Serra, cujo operador do esquema era o mesmo doleiro Youssef. Quantos foram presos? Nenhum! Por que será? Mais ainda, a esposa desse juiz é advogada do PSDB. Então, eticamente, poderia ele julgar algum caso que envolva partido opositor do PSDB? Eticamente ele estaria impedido, visto que dorme com alguém que tem interesse em tal julgamento. www.acslogos.com

Dinalva Rosa Neves Maurício______________ É verdade, Professor Ricardo. A lava jato é uma farsa corroborada por uma mídia irresponsável e criminosa. Todos fazem parte de uma direita rancorosa e retrógrada que não aceita, de forma alguma, os avanços sociais dos governos trabalhistas. A única meta desse pessoal é incriminar o Lula a qualquer custo e impedir a sua candidatura. O bem estar do povo não é importante para os filhotes da ditadura. Irão até as últimas consequências, infelizmente.

Fabiano Luis___________________________ Acompanho sua pesquisa tem anos jah professor... e me pergunto desde então... Como acabar com isso?

Ricardo Costa de Oliveira_________________ A nossa parte investigativa, sociológica e política está sendo feita ! Mais educação, consciência e cidadania. Sejamos otimistas porque um dia as coisas mudarão com a nossa participação !

Célio Gallotti Guimarães ____________________Aprendi, muito cedo, com os meus avós (descendo de antigas oligarquias), que o Brasil era assim e que eu tinha que estar sempre ao lado do poder. Assim como o Fabiano, também me pergunto....até quando a sociedade brasileira vai se dar conta de toda esta engrenagem? Como acabar com isto?

Sergio Amaral_____________________________ Ótima abordagem professor...Um tema que deve ser amplamente difundido e discutido...Se faz necessário que nossa sociedade como um todo, lute contra este verdadeiro atraso em nosso desenvolvimento...

Maurício Munhoz____________________________ Vivemos num país que moeda tem apenas um lado, é o da coroa....a cara é a do povo que num aparece essa face.

Marilena Wolf De Mello Braga ____________________De 1 a 10 dou 7. O 3 que falta é pela omissão em reconhecer a corrupção predatória dos últimos anos, uma estratégia de desfalque público que nunca imaginei testemunhar. E se Lula não sabia, é mais tolo do que eu, que votei nele cinco vezes.
Ricardo Costa de Oliveira Sete está aprovado e sem prova final. Os outros presidentes, os dos outros partidos e seus candidatos foram muito piores, bem piores, foram reprovados e com notas muito baixas.
Marilena Wolf De Mello Braga Os "outros" presidentes inclui também Itamar Franco, que criou uma moeda a que nós, brasileiros, devemos uma razoável estabilidade. Se tudo rolar por água abaixo agora (para forçar uma igualdade social e financeira falaciosa) vamos assinar embaixo por ultrapassar o "limite da irresponsabilidade", como disse aquele ministro babaca do FHC, quando privatizaram as telecomunicações. Ser partidário é uma coisa. fechar os olhos é outra.

Ricardo Costa de Oliveira________________________ Itamar Franco não foi eleito presidente diretamente pelo voto direto. Era um vice de um esquema corrupto e que se prolongou com os tucanos e suas privatizações. A privataria irresponsável também começou com ele. Eu era oposição naquele período. Temos que assumir nossas posições e escolhas. No PSDB eu não voto e nunca votaria pelo desastre que este partido sempre faz na educação, em qualquer nível, veja as monstruosidades do Richa.

Maurício Munhoz ______________________________Vivemos num país que moeda tem apenas um lado, é o da coroa....a cara é a do povo que não aparece essa face.

Ricardo Costa de Oliveira http://sindijuspr.com.br/.../juizes-do-parana-gastam.../7673
Juízes do Paraná gastam R$ 10 milhões com lanches e serviços de garçons

 ( de Francisco Costa);


Preocupados com o “triplex do Lula,” comprado em prestações (depois Lula desistiu, quando a cooperativa não teve como continuar com as obras, e foi ressarcido, conforme consta nas suas declarações do imposto de renda) e avaliado em 1,8 milhão, não comentam sobre o de Joaquim Barbosa, comprado a vista e avaliado em 4,2 milhões, duas vezes e meia o valor do “triplex do Lula”, ou o de Fernando Henrique Cardoso, também comprado a vista e avaliado em 44,2 milhões, vinte e quatro vezes e meia mais caro que o “triplex do Lula”.
Mas voltando ao “sítio do Lula” e comparando-o à fazenda de FHC: o sítio do Lula tem 17 hectares, a fazenda de FHC, 1 046 hectares, é quase sessenta e duas vezes maior; o “sítio do Lula” nunca esteve ou está no nome dele, a fazenda de FHC esteve no nome dele, em sociedade com o nome de Sérgio Mota, que venderam para o empresário Luiz Carlos Figueiredo; Lula está sendo acusado de ter sido beneficiário de obras feitas pela Odebrecht-OAS, sem que nada tenha sido apurado até agora, a empreiteira Camargo Correa construiu, GRACIOSAMENTE, um aeroporto, na fazenda de FHC, conforme assumido pela própria empreiteira, aeroporto esse que tem uma pista de 1 300 metros, do tamanho da pista do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, e que serve à ponte aérea Rio-São Paulo, sendo capaz de receber boeings de grande porte; “coincidentemente”, a Camargo Correa venceu praticamente todas as licitações, para obras públicas, em Brasília e outros locais, nos governos FHC.
Na lata, na tampa, na mosca, este texto de Malu Aires. (Não consigo marcar, sigam essa garota, crianças, ela escreve muito bem!)
O que a gente tá assistindo, estes últimos instantes de agonia dessa imprensa ridícula, tá me revoltando um tanto que vocês nem imaginam como anda esse meu pobre coração.
O barco do Lula, uma embarcação pra pescar tilápia no lago, de alumínio (imagina encostar naquilo depois de exposto no sol quente), ser motivo pra essa insanidade vendida em primeira página...
A gente sabe que pra estes 1%, o melhor seria que Lula tivesse morrido daquele câncer na garganta. Proibido até de proferir suas últimas palavras, antes de morto... É tanto ódio que chega a ser crime.
Dona Marisa, Primeira-Dama, no dia da posse, estes mesmos canalhas lançavam manchetes ridicularizando sua simplicidade. Criticando até o fato dela ter usado um cabeleireiro pra ocasião. Seus filhos não podem trabalhar. Fossem traficantes, seriam glamourizados. Nem seus netos são respeitados pelos abutres.
Onde estão os donos e herdeiros da grande mídia, hoje? Seus simples empregados, vendedores de preconceitos e vilanias mil? Em espaçosas coberturas de frente pra cartões-postais. Em iates que consomem milhares de reais em diesel para pequenos passeios em Angra. Em casas cinematográficas irregularmente construídas no meio de reservas ambientais. Cercados de seguranças armados que transformam qualquer espaço público em privado.
Os que atacam Lula hoje e sempre, são os mesmos personagens que enriqueceram com a miséria do nosso povo. Que se fartaram de tudo o que o Brasil produzia, em troca do abandono do nosso povo, do analfabetismo do nosso povo, da pobreza extrema do nosso povo. São os que recebiam prêmios no exterior por reportagens da miséria, da fome, do descaso, da morte. São os que se entopem de cocaína pra fazerem cobertura de troca de tiros entre traficantes e a polícia. São os que contratam pedófilos pras suas emissoras. Os que dão prêmios às propagandas mais machistas. Os que produzem programas racistas. Novelas autodepreciativas. São os promotores do nosso atraso, da nossa esculhambação, de todos os preconceitos na nossa sociedade e são os porta-vozes do escárnio ao Brasil.
Lula não presta como todos nós, povo brasileiro, também não prestamos pra eles. Lula não pode ter apartamento numa praia poluída de SP, assim como os negros não podem frequentar universidades, assim como mulheres não podem ser empoderadas a quilômetros do fogão. Lula não pode ter um barco, nem a remo, assim como os pobres não podem ter carros. Assim como os índios não podem ter terra e água pra pescar e plantar mandioca, assim como, aos camponeses e seus filhos, só o tiro certeiro que os espere desprevenidos. Lula não pode dar palestras, assim como gays e lésbicas não podem exigir respeito, segurança e direito à vida. Lula não pode viajar pelo mundo e receber prêmios pelo combate à fome, assim como crianças pobres não podem ter comida na mesa, assim como pobres não podem andar de avião. Lula não pode ser visto ao lado de gente rica ou que tenha um sítio em Atibaia, assim como os meninos da periferia não podem ir ao shopping ou praia da Zona Sul.

A perseguição ao Lula simboliza a perseguição ao povo brasileiro e suas famílias que hoje podem exercer as mesmas conquistas de diploma, casa própria, carro do ano e viagens pra fora do país. A banalização de privilégios, responsáveis pelo abismo social que fazia de nós 3º mundo no século XVIII, interrompeu os planos da elite que queria deixar o Brasil entrar no século XX, só daqui 500 anos. 

A franqueza é a primeira virtude de um defunto

A franqueza é a primeira virtude de um defunto
Brás Cubas
Talvez espante ao leitor a franqueza com que lhe exponho e realço a minha mediocridade; advirta que a franqueza é a primeira virtude de um defunto. Na vida, o olhar da opinião, o contraste dos interesses, a luta das cobiças obrigam a gente a calar os trapos velhos, a disfarçar os rasgões e os remendos, a não estender ao mundo as revelações que faz à consciência; e o melhor da obrigação é quando, à força de embaçar os outros, embaça-se um homem a si mesmo, porque em tal caso poupa-se o vexame, que é uma sensação penosa, e a hipocrisia, que é um vício hediondo. Mas, na morte, que diferença! que desabafo! que liberdade! Como a gente pode sacudir fora a capa, deitar ao fosso as lentejoulas, despregar-se, despintar-se, desafeitar-se, confessar lisamente o que foi e o que deixou de ser! Porque, em suma, já não há vizinhos, nem amigos, nem inimigos, nem conhecidos, nem estranhos; não há platéia. O olhar da opinião, esse olhar agudo e judicial, perde a virtude, logo que pisamos o território da morte; não digo que ele se não estenda para cá, e nos não examine e julgue; mas a nós é que não se nos dá do exame nem do julgamento. Senhores vivos, não há nada tão incomensurável como o desdém dos finados.

Machado de Assis, CAPÍTULO XXIV "Curto, mas alegre", Memórias Póstumas de Brás Cubas


Carta a Christine Lagarde Directora del Fondo Monetario Internacional (FMI)


Señora:

Justo cuando millones de arruinados por las políticas del FMI en Grecia, Portugal, España e Italia se enteraban de su gloriosa subida de sueldo en un 11%, quedando así con ingresos anuales de 323.485 euros, más una contrapartida de 57.912 euros libres de impuestos y de justificación, salvo la exigencia de respeto a “estándares éticos” que nadie sabe en qué consisten, justo en ese momento llegan sus muchachos a España con un rosario de nuevas exigencias salvadoras de la economía española.

Sus emisarios son portadores de esos “estándares éticos”, los mismos que arruinaron a Grecia mediante informes antojadizos, fraudulentos, inexactos y perversos, tal como usted misma reconoció en un informe “confidencial” publicado por The Wall Street Jornal el pasado 5 de junio, en el que de la manera más fría, vil y cobarde, es decir con el lenguaje propio del espolón del capitalismo en su expresión más inhumana, porque eso es precisamente el FMI que usted dirige, aludía a los no previstos daños que la políticas de austeridad impuestas causarían a la economía griega. Hundir un país y pedir aplausos. En eso consisten los “estándares éticos” del FMI.

Y ahora sus muchachos, como los magos de los peores circos, sacan de la chistera una serie de medidas para aumentar aún más el padecimiento y la pobreza de millones de españoles. Bajo el eufemismo de “aumentar la flexibilidad interna” el FMI propone “el uso de nuevos instrumentos para que las empresas se ajusten modificando las condiciones laborales y no mediante despidos”. Los más de seis millones de parados de España le dan las gracias, señora Lagarde, pero no pretenda que también le besen la mano por la indicación de reducir salarios y de pervertir cada vez más la naturaleza de los contratos.

Para “mejorar la competencia o competitividad” el FMI propone y dispone “una ley de unidad de mercado ambiciosa y reducir las barreras regulatorias que impiden el crecimiento de las empresas”. Es decir, menos presencia del Estado, mayores facilidades para la evasión fiscal de los empresarios, menos seguridad laboral, menos prestaciones sociales. Señora, esto se llama capitalismo puro y duro, y nos retrotrae a los tiempos de la acumulación capitalista primitiva que, como usted debe saber, genera contradicciones sociales que solamente se resuelven con revoluciones.

Como novedad a sus imposiciones para “mejorar la competitividad” agregan un “eliminar la indexación de los precios públicos”. Supongo señora, que cuando los genios a su mando inventaron el verbo “indexar” una ola de orgasmos sacudió hasta los cimientos del FMI. Era más simple decir “no sacar a bolsa los precios públicos”, porque usted, los suyos, y los millones de jodidos por sus políticas de dominación imperialistas sabemos que la bolsa no es un reflejo fiel de la economía. La bolsa solamente refleja los niveles de pérdidas y ganancias de los intereses capitalistas que representa. ¿Y cuáles son esos precios públicos? Señora, usted, los suyos y los jodidos sabemos que el FMI está haciendo referencia al valor del conjunto de bienes estatales que conforman, por ejemplo, la infraestructura sanitaria de un Estado. Al “desindexar” estos precios públicos el FMI pretende reducir a cero el valor de todos los hospitales e infraestructura sanitaria de un país, y de esa manera se privatiza la salud, o la educación, para “salvarlas” porque no valen nada.

Sus muchachos, señora Lagarde, sacan de la chistera un “pacto por el empleo” que básicamente consiste en : los empresarios se comprometen a crear empleo a cambio de la aceptación por los sindicatos de una “significativa moderación salarial”. Esto, señora, se llama lisa y llanamente chantaje. O trabajan por menos o no hay trabajo. Pero está bien pensado conforme a las intenciones no dichas por el FMI: si después de congelaciones salariales y de pensiones, de rebajas de salarios y pensiones, de eliminación de los décimo tercer y décimo cuarto sueldo, de subidas del impuesto a los salarios, los sindicatos aceptaran otra “moderación salarial” perderían toda su razón de ser, desaparecerían como organizaciones de clase, y como usted, los suyos, yo y los jodidos sabemos, ése es uno de los grandes objetivos del FMI o Internacional de los Patrones.

Sus muchachos, señora Lagarde, son inagotables, con una frenética obsesión similar a la febril animación sexual que caracterizó a su predecesor en el cargo, Dominique Strauss Kahn, sacan de la chistera joyas como la aprobación de incentivos fiscales a los empresarios, manifestadas en rebajas a la seguridad social –pensiones señora Lagarde- que serían compensadas por incrementos del IVA a medio plazo. Es decir, una vez más todo el peso de las “reformas” caería sobre los ciudadanos, sobre los trabajadores, sobre los más vulnerables.

Y cuando sus muchachos sacan pecho es al afirmar que “ el organismo (FMI) aplaude la propuesta del comité de expertos (del FMI) que prevé pensiones más bajas si no se buscan nuevas vías de ingreso para la seguridad social”. Señora; usted gana casi medio millón de euros al año y a los suyos tampoco les va mal, así que es incomprensible que todavía no entiendan que no se necesita ningún comité de expertos para saber que la única vía de ingresos de la seguridad social se da a través del trabajo, es fruto directo del trabajo. A ese “aplauso” sólo le faltó indicar que se convertirá en ovación en día en que, sin ningún eufemismo identifiquen “las otras vías de ingresos”, y que se llama privatización de los sistemas de pensiones.

Señora, soy uno de tantos que trabaja y paga sus impuestos por una cuestión de solidaridad social. No percibo como es su caso una cantidad nada despreciable de casi sesenta mil euros libres de impuestos como un extra a su defensa cerril del capitalismo en su expresión más feroz. Tampoco cobro una jugosa pensión, como sucede con el inefable “DSK”, y mi “estandar ético” consiste en hacer bien mi trabajo sin explotar a nadie, no como otro de los altos ex directivos del FMI, Rodrigo Rato, cuya experiencia en la organización que usted dirige le sirvió para hundir al mayor banco español, Bankia, y de paso estafar a cientos de miles de pequeños ahorradores que vieron convertidas sus libretas de ahorros en acciones fraudulentas pese a la valoración que hizo de éstas el “index”. Por todo esto tengo autoridad para escribirle esta carta y exigirle que saque a sus muchachos de España, Portugal, Grecia, Italia, que los saque de toda América Latina y de África, pues si no se van voluntariamente y para siempre, los sacaremos a patadas.


Luis Sepúlveda

20 de junio de 2013

fonte : le Monde Diplomatique . Chile

O ataque da mídia contra Lula

Otto Leopoldo Winck..... Espanta-me que muita gente esclarecida caia na esparrela da mídia. Como em 1954. Como em 1964. Não aprenderam? É o mesma novela. Se não fosse real daria tédio. Esta mídia nunca esteve do lado do Brasil.

Clóvis Manfrini Souto Calado.... Pior que caem. É impressionante o poder da grande mídia, não só aqui na republiqueta brasiliana, mas em todo mundo. Por isso numa Revolução, o primeiro grande ato não é na questão econômica, é o confisco dessa mídia das mãos podres da burguesia. Censurar a burguesia é um dever revolucionário, se não for feito isso de nada serve o Poder Revolucionário.

Otto Leopoldo Winck Pois é, não há democracia quando há monopólio da informação. Se democracia é o poder do povo, este povo deve ter livre acesso à informação.

Clóvis Manfrini Souto Calado..... A Comunicação, assim como educação, saúde, transportes e segurança pública, devem ser públicos, isso em qualquer sistema (mesmo no capitalismo). Fazer dessas áreas mercado é fazer com que monopólios se criem. Marx, Engels, Lênin e até mesmo Stálin, não tinham ideia da força nefasta desse aparelho ideológico que é a comunicação nas mãos privadas. Eu prefiro mil vezes um industrial com centenas de fábricas do que um único dono de uma rádio de interior vomitando mentiras a todo momento. Hoje aqui no Brasil o nosso maior inimigo não é o PSDB, latifundiários, burgueses reacionários, nosso maior inimigo se chama a grande mídia. E ela tá conseguindo nos vencer nessa batalha desigual. Enquanto eles usam bomba H, nós estamos com estilingues...

Otto Leopoldo Winck ....Ainda mais, Clovis, que no Brasil não há nenhuma lei que coíba as arbitrariedades da mídia, como em países "civilizados", como Portugal, Suécia, Inglaterra...

Clóvis Manfrini Souto Calado.... Sim, isso mostra nosso capitalismo um antro de atraso. Nosso capitalismo veio capenga e sempre que ele tenta avançar e se modernizar vem umas antas de São Paulo travar esse desenvolvimento. Foram os cafeicultores paulistas que barraram o ensaio de desenvolvimento desse pobre país ainda na época de Pedro II (lembrem o que passou o Barão de Mauá), aí vem uma comédia bufa como a tal "revolução constitucionalista" de 1932, promovida e patrocinada pelas classes altas da Paulista (sem falar que acabaram com o movimento tenentista de 1924), depois o Golpe contra Getúlio em 1945 quando as forças paulistas foram líderes nesse processo que culminou mais dois golpes (1954 e 1964). O câncer do Brasil tem nome e endereço: a elite reacionária de São Paulo.

Otto Leopoldo Winck.... Cara, esse comentário vale um post. É isso mesmo. Agora Fiesp & Cia (de repente literalmente a CIA mesmo) lideram o auê golpista.


"Sabes que o capital esmaga o operário. Entre nós o operário e o mujique suportam todo o peso do trabalho e, por mais que façam, não podem fugir ao seu estado, permanecendo sempre bestas de carga. Todo o benefício, tudo o que permitiria aos trabalhadores melhorar sua sorte, e dar-lhes algum prazer e educação, tudo isso lhe ė roubado pelos capitalistas. 

(TOLSTÓI. Ana Karenina, 1870)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

1 - Bom, a Argentina não precisa mais de REVOLUÇÃO COLORIDA ou de PRIMAVERA ARGENTINA, pois o objetivo de colocar o neolonialismo no poder foi alcançado pelas eleições. Então, o 2001 DA ARGENTINA está recomeçando! A virada do milênio foi muito dolorosa para os argentinos, na ressaca do PLANO CAVALLO. Pois bem! Acho que este plano foi apenas um pequeno ensaio do que está por vir pela frente. MACRI, o AÉCIO ARGENTINO, é uma luz no túnel para a solução dos problemas principalmente dos ingleses e dos americanos, pois, suas empresas poderão ter acesso a commodities baratas, a um mercado de consumo fácil e com isso recuperar suas economias cambaliantes da atualidade, pelo menos em parte; se dispusessem do Brasil, nas mesmas condições, acho que já teria resolvido seus problemas econômicos. Mas, a que custo? A custo da piora da situação dos nativos, é claro! E os nativos são sempre as maiorias pobres que se empobrecem mais ainda.

2 - Por isso é preciso reprimir qualquer forma de reação ao entreguismo. Acho que a Argentina vai entrar numa fase sem precedentes em sua história. Se ela resolver colocar bases norte-americanas em seu território, contrariando os acordos da UNASUL, então representará um perigo bélico para o Brasil e será hora de agir.


3 - Acho que isso não está muito longe, pois RICOS SÓ EXISTEM ENQUANTO ESTIVEREM EXPLORANDO POBRES, ou seja, TRABALHANDO PARA ELES POR SALÁRIOS DE FOME. Alguns não gostam desta linguagem áspera e prefiram dizer que as classes menos favorecidas pelo destino têm que colaborar com as mais abastadas para garantirem o seu ganha-pão e não morrer de fome, e que há dignidade nisso, inclusive religiosa. As duas linguagens falam a mesma coisa e a distinção é que a primeira revela a realidade e a segunda a esconde. A primeira leva à luta pela melhoria das condições de vida e, obviamente, à diminuição dos lucros dos outros; a segunda leva à conformação da consciência à realidade dada e a busca de uma redenção eterna depois da vida - a fé e a esperança de uma vida melhor no além.

Protásio Vargas
“Fornovo, 29 de abril de 1945. O hipomóvel e arcaico Exército Alemão se rende à totalmente mecanizada e motorizada Força Expedicionária Brasileira: "Para todos, mas em especial para os admiradores da eficiência militar alemã, deve ter sido paradoxal perceber que, mesmo ao final da guerra, o exército que criou o conceito da Blitzkrieg ainda dependia, em larga escala, de carroças e carretas tracionadas a cavalo, para transporte e tração de material de guerra e logístico. Oficialmente, a artilharia do Exército Alemão era quase toda hipomóvel, bem como praticamente todas divisões de infantaria. Mesmo ao final da Segunda Guerra Mundial, em sua maior parte, o Exército Alemão era exatamente como quase todas unidades do Exército Brasileiro, antes da guerra: hipomóveis. A modernidade da Blitzkrieg, entre os alemães, sempre teve que coexistir com vários dos métodos e recursos da Primeira Guerra Mundial, sendo necessário empregar centenas de milhares de cavalos para deslocar toda logística e boa parte do material de guerra de suas divisões de infantaria".

 Pg. 156 do livro "Extermine o Inimigo: Blindados Brasileiros na Segunda Guerra Mundial" de Dennison de Oliveira disponível em https://www.jurua.com.br/shop_item.asp?id=24316 Acervo do OCIAA no US National Archives .


(…) La denominada «teoría de la estratificación social» –clase alta, media y baja, con sus estratos intermedios– que constituye el núcleo duro de Sociología, sólo puede dar cuenta de los cambios externos provocados por las previas subidas o bajadas de los salarios, pero en modo alguno puede, primero, establecer la dependencia de los salarios con respecto a las contradicciones socioeconómicas y a incidencia determinante de la lucha de clases, y segundo y dependiendo de ello, relacionar los comportamientos sociopolíticos de las «clases medias», o sea, los cambios en su conciencia política, elemento este vital en la teoría marxista de las clases sociales. Por ejemplo, Engels realizó durante nada menos que veintiún meses un estudio muy riguroso y extenso sobre la clase obrera inglesa, publicado en marzo de 1845. En la Introducción el autor hace una directa referencia al egoísmo de «la clase media inglesa», que pretende hacer pasar sus intereses particulares como los verdaderos intereses nacionales, aunque no lo consiga(…)

Autor Iñaki Gil de San Vicente marxista europeo


Link; https://borrokagaraia.wordpress.com/2014/02/17/clases-y-pueblos-sobre-el-sujeto-revolucionario/

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Para entender hoje o Paraná e o Brasil. O nosso novo livro, uma coletânea, do Núcleo de Estudos Paranaenses sobre Mulheres, Política, Famílias e Nepotismo. Parte da minha conclusão: Podemos responder a seguinte indagação sociológica – O que acontece com as famílias e descendentes dos novos atores sociais, econômicos e políticos estudados ? Os emergentes e seus descendentes muitas vezes casam com famílias já estabelecidas, com velhas genealogias e com vínculos mais antigos na classe dominante tradicional, operando a absorção dos novos e a continuidade da classe dominante. Mulheres formam alianças matrimoniais decisivas. A ascensão do bacharel, do mulato, do filho do imigrante espanhol, libanês, do empresário, do político, também passa pelos casamentos, alianças e conexões com famílias estabelecidas das antigas elites da classe dominante tradicional. Estas famílias antigas foram escravistas e possuem as suas histórias familiares conhecidas e estudadas nas genealogias tradicionais. Abdon Batista e Teresa, a mulher da família Oliveira (classe dominante tradicional de São Francisco do Sul, Joinville). Moisés Lupion e Hermínia, a mulher da família Borba Rolim (classe dominante tradicional de Tibagi). Aníbal Curi e a mulher da família Saboia (classe dominante tradicional dos Rios Iguaçu e Negro). Beto Richa e Fernanda Vieira (Banco Bamerindus e classe dominante tradicional Junqueira). O papel e o protagonismo das mulheres são muito importantes nestas formas de metamorfose burguesa. Não há apenas o novo e novas rupturas, mas continuidades e conciliações entre as novas dinâmicas e as velhas tradições. A desigualdade social, a concentração de terras, rendas, riquezas e de poderes também são fenômenos genealógicos de longa duração. Não houve e nem ocorreu uma “Revolução Burguesa” no Brasil porque o “Antigo Regime” persistiu, sobreviveu, se associou e mesmo se casou com muitos dos novos componentes do que seria a modernização social, econômica e política. A metamorfose burguesa explica, em termos de uma sociologia histórica e política, qual o papel das mulheres tradicionais e estabelecidas na reprodução da ordem social.

Ricardo Costa de Oliveira

Os negros só entraram na universidade pela primeira vez, nos estados do sul dos Estados Unidos, em 1958, sob proteção policial, para não serem linchados pelos estudantes brancos -- há fotos e filmes que registram esse fato. Até meados da década de 1960, usavam banheiros separados dos brancos e sentavam em lados diferentes no ônibus. Leis contra casamento e sexo interraciais estiveram em vigor nos EUA a partir do século XVII até 1967. O direito de voto para os negros só foi consolidado em 1965. Os negros recebiam salários menores que os trabalhadores brancos e não tinham os mesmos direitos políticos e sociais. No Brasil, a escravidão terminou há pouco mais de cem anos (embora ainda haja trabalho escravo em fazendas como as de Ronaldo Caiado) e os negros não receberam nenhuma reparação por séculos de cativeiro, tortura, trabalho não-remunerado, abuso sexual e exclusão social. Antes da política de cotas, os negros estavam praticamente excluídos da universidade e dos melhores postos de trabalho -- pouco mais de cem anos não foi tempo suficiente para que eles conseguissem a igualdade de direitos em relação aos brancos. Os afrodescendentes são a maioria da população brasileira e garantir o seu pleno direito de cidadania significa JUSTIÇA. Não exclui ninguém, nem brancos, nem índios, nem orientais, apenas democratiza a sociedade brasileira.

Claudio Daniel

Ocaso

"Ele cai, ele afunda" — zombam vocês agora;
A verdade é que ele desce até vocês!
Sua felicidade excessiva foi para ele desgraça,
Sua luz excessiva busca a escuridão que os rodeia.
Sem Inveja
Sim, não há inveja em seu olhar: e vocês o louvam por isso?
Ele não olha em torno, à procura de seus louvores;
Ele tem o olhar de águia, visa o que está longe,
Ele não os enxerga! — vê apenas astros e estrelas.


— Friedrich Wilhelm Nietzsche, in prelúdio de A Gaia Ciência - poemas 47 e 40.
 “Existem alturas da alma, de onde o mesmo a tragédia deixa de ser trágica; e, se as dores do mundo fossem juntadas numa só, quem poderia ousar dizer que a visão dela nos iria necessariamente seduzir e obrigar a compaixão, e desse modo à compaixão, e desse modo à duplicação da dor?… O que serve de alimento ou de bálsamo para o tipo superior de homem, deve ser quase veneno para um tipo bem diverso e menor. As virtudes de um homem vulgar talvez significassem fraqueza e vício num filósofo; é possível que um homem de alta linhagem, acontecendo ele degenerar e sucumbir, só então adquirisse as qualidades que o levariam a ser venerado como um santo, no mundo inferior a que teria descido. Há livros que têm valor inverso para a alma e a saúde, a depender de quem os utiliza, se uma alma ignóbil, uma baixa força vital, ou uma superior e mais potente; no primeiro caso são livros perigosos, desagregadores, dissolventes, no outro são gritos de arauto, que incitam os mais valentes a mostrar o seu valor. Livros de todo mundo sempre são livros malcheirosos: o odor da gente pequena adere a eles. Ali onde o povo come e bebe, e mesmo onde venera, o ar costuma feder. Não se deve frequentar igrejas, quando se deseja respirar ar puro.”


— Friedrich Nietzsche.

Lições de sociologia política para leigos:



Burguês é o detentor dos meios de produção. No popular, é o patrão. Mas não o dono da vendinha ou da loja da esquina não. É principalmente a entidade anônima que comanda as transnacionais. Proletário é aquele que de si só tem sua força de trabalho e por isso é obrigado a vendê-la no mercado. Mas tem também o 'prole-otário'. É o cabra que é proleta também mas se acha burguês e por isso vive defendendo os privilégios da burguesia. Se liga, meu irmão!

Otto Leopoldo Winck

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

 “Encontro fugidio e breve foi o nosso. Belo também da beleza que permanece na memória para além dos dias. Algures tu és, aqui eu sou.Porque imprecisa, a distância se resolve na certeza vaga de existirmos num como e num onde. Tanto basta. [pergunta ou afirmação?] Não há passos que nos aproximem no impreciso e no vago. O nosso reencontro está só na certeza vaga de existirmos com outros, sob o mesmo sol. Melhor assim.”

(Roland Barthes)

El silencio

Leónidas Andréiev

I

Una noche clara de mayo en la que cantaban los ruiseñores, en el estudio del pope1 Ignacio penetró su mujer. En su rostro se dibujaba un aire de pena, y la lamparita temblaba en su mano. Se acercó a su marido y, tocándole con la mano, le dijo con lágrimas en los ojos:

-¡Pope, vamos a ver a nuestra hijita Vera!

Sin volver siquiera la cabeza, el pope miró fija y largamente a su mujer por encima de sus lentes, y no dijo nada. Ella hizo un gesto de desesperación y se sentó sobre una otomana.

-¡Los dos son tan... impiadosos! -exclamó y su cara de buena mujer, algo inflada, se contrajo en una mueca de dolor, como si con aquella mueca quisiera dar a entender el grado de crueldad de su esposo y de su hija.

Él sonrió y se levantó. Cerró su libro, se quitó los lentes, los metió en un estuche y se sumió en profundas reflexiones. Su larga barba, de hilillos de plata, le cubría el pecho.

-Bueno; vamos allá -dijo al fin.

Olga Stepanevna se incorporó presurosa y le suplicó con voz tímida:

-Pero no hay que reñirle... Sabes que es muy sensible...

La habitación de Vera se hallaba arriba. La angosta escalera de madera se cimbreaba bajo los pasos del pope Ignacio, alto y grueso. Estaba de mal humor. Sabía que su conversación con Vera no conduciría a nada.

-¿Qué pasa? -preguntó Vera, sorprendida, al verlos entrar.

Estaba en la cama. Con una mano se cubría la frente; la otra reposaba sobre el lecho, y era tan blanca y transparente, que apenas se distinguía sobre la blanca sábana.

-¡Vera, niña mía! -murmuró el padre, tratando de dar a su voz dura y severa notas más dulces-. Dinos, ¿qué tienes?

Vera guardó silencio.

-Pero, veamos, Vera. ¿Es que tu madre y yo no somos dignos de tu confianza? ¿Es que no te amamos? No hay en el mundo quién te ame más que nosotros. Dinos por qué sufres, y se desahogará tu corazón, lo cual te hará bien. Créeme, pues conozco la vida y tengo experiencia. También a nosotros nos hará bien eso. Mira cómo sufre tu madre...

-¡Verita! -suplicó la madre.

-Y yo también -continuó el padre, con voz temblorosa, como si algo se hubiera roto en él-. ¿Crees que soy dichoso viéndote así? Sé que sufres, pero, ¿por qué? Yo, tu padre, no sé nada. ¿Crees que eso es justo?...

Vera seguía sin decir nada. Dominando la furia que le subía a la garganta, prosiguió él:

-Te fuiste a Petersburgo contra mi voluntad; pero, así y todo, no rechacé a la hija desobediente; te mandé dinero. He sido siempre un buen padre para ti. ¡Habla! ¿Por qué no dices nada? ¡He aquí tu Petersburgo!...

Se imaginaba enormes masas de piedras, llenas de peligros desconocidos, y gentes indiferentes, frías, sin corazón. Esa ciudad inhospitalaria de granito es la que ha hecho sufrir tanto a Vera, débil, aislada, solitaria, sin defensa. Es esa ciudad la que la había perdido. El pope Ignacio sentía un odio mortal por Petersburgo y una tremenda cólera contra su hija, que no quería decir nada.

-Petersburgo no tiene nada que ver aquí -dijo al fin Vera cerrando los ojos-. Además, no tengo nada. Es mejor que se acuesten; es tarde.

-¡Verita mía, mi niña querida! -gemía la madre-. ¡Ábreme tu corazón!

-Dejemos eso, mamá -replicó Vera, con impaciencia.

El pope Ignacio se sentó en una silla y soltó una risa áspera y seca.

-¿Nada, pues? -preguntó, con ironía.

-Escucha, padre -dijo con firmeza Vera, incorporándose un poco sobre el lecho-. Sabes que los amo, a ti y a mamaíta. Pero... no hay nada, lo aseguro. Me aburro, eso es todo. Ya pasará. De verdad; váyanse a acostar. También yo tengo sueño. Ya hablaremos... mañana o un día de estos...

El pope Ignacio se levantó de manera tan brusca que la silla chocó contra la pared; cogió a su mujer por la mano.

-¡Vámonos!

-¡Verita mía!

-¡Vámonos, te digo! -gritó el pope-. Si ha olvidado al Dios bueno, no somos nada para ella.

Condujo a Olga Stepanovna casi a la fuerza. Cuando estaban en la escalera, ella le gritó, iracunda:

-¡La culpa es tuya! Tiene tu carácter. ¡Tú responderás de ella ante Dios! ¡Qué desgraciada soy!

Lloraba. Las lágrimas la impedían ver los peldaños de la escalera y andaba como si ante sus pies se hubiera abierto un abismo.

A partir de aquel día, el pope Ignacio no le dirigió la palabra a su hija. Diríase que esta no lo veía; seguía guardando cama o paseándose por su cuarto, frotándose a cada instante los ojos, como si hubiera algo que se los tapara. Y la madre, que gustaba de reír y de bromear, perdía la cabeza desesperada, entre el marido y la hija, siempre taciturnos.

Vera, a veces, salía. Una semana después de la conversación que hemos referido, salió, como de costumbre, por la noche. Y ya no se le volvió a ver viva: aquella noche se arrojó bajo el tren, que la cortó en dos pedazos.

El mismo pope Ignacio presidió la ceremonia de los funerales. Su mujer no asistió porque, al recibir la noticia de la muerte de Vera, fue acometida de una parálisis. Sus brazos, sus piernas y su lengua quedaron paralizados, y permaneció inmóvil en su cuarto, medio a oscuras, mientras, muy cerca, en el campanario, las campanas tocaban a muerto.

Oía a la gente salir de la iglesia, oía cantar a los sochantres ante el ataúd, e intentaba levantar la mano para hacer la señal de la cruz. Pero la mano no le obedecía. Quería decir: "¡Adiós, Vera!" Pero tenía la lengua pesada como una masa inerte. Seguía sin moverse, tan quieta que se diría estaba reposando. Solamente sus ojos estaban abiertos.

Durante la ceremonia fúnebre, la iglesia estaba llena de gente. Todos, hasta los que no conocían a Vera, se compadecían de la suerte de aquella muchacha que había tenido muerte tan trágica. Miraban al pope Ignacio buscando en su rostro la expresión del sufrimiento y el dolor. No lo amaban porque era severo y altivo, aborrecía a los pecadores y no los perdonaba, y, porque ávido amante del dinero, se hacía pagar caro los servicios religiosos. Y querían verle sufrir, abatido, comprendiendo su doble responsabilidad en la muerte de su hija: como padre cruel, y como pope, que no supo conducir a su hija por los senderos del bien. Todos lo espiaban con la mirada, y él, advirtiendo esta curiosidad hostil, trataba de mantener erguida su ancha espalda y no mostrarse demasiado abatido. Pensaba más en esto que en la muerte de su hija. Así, erguido, con aire altivo, acompañó a Vera al cementerio y volvió a su casa. Al llegar a la puerta, su espalda se curvó un poco; pero era porque tenía la talla demasiado elevada y las puertas eran demasiado bajas para él.

Entró en el cuarto de su esposa, y no pudo ver bien su rostro; pero, después de examinarlo más de cerca, quedó sorprendido al verla completamente tranquila, sin lágrimas. Sus ojos no tenían ninguna expresión: estaban mudos, como todo el cuerpo inerte.

-¿Cómo te encuentras?

Ella no se movió. El pope Ignacio le puso la mano en la frente: estaba helada y húmeda. Los ojos de la vieja, profundos y grises, no expresaban ni dolor ni cólera.

-Me voy a mi cuarto -dijo el pope Ignacio, que sentía algún malestar.

Pasó al salón, donde todo estaba muy limpio, como siempre, y donde los sillones, cubiertos con tundas blancas, parecían muertos envueltos en sudarios. En una ventana había colgada una jaula, pero su puertecita estaba vacía y abierta.

-¡Nastasia! -gritó con voz fuerte, y al oírla, se asustó-. Nastasia -llamó más bajo-. ¿Dónde está el canario?

La cocinera que, de tanto llorar, tenia la nariz roja e hinchada, contestó gravemente:

-¡El canario ha volado!

-¿Por qué has abierto la jaula? -interrogó el pope, frunciendo las cejas.

Ella se echó a llorar de nuevo y respondió, enjugándose las lágrimas con la punta del delantal:

-Era el alma de la pobre señorita... No me atreví a detenerla.

Al pope Ignacio le pareció que el pequeño canario amarillo, que cantaba tan maravillosamente, era en verdad el alma de Vera, y que, si no hubiera volado, no podría estar seguro de la muerte de su hija.

-¡Vete! -exclamó iracundo-. ¡Qué bestia eres!...



II

En la casita reinaba el silencio. No la tranquilidad, que solo es la ausencia de cuidados y preocupaciones, sino el silencio; los que podrían hablar, no quieren decir nada.

Al entrar en el cuarto de su mujer, el pope Ignacio encontró en ella una mirada tan densa como si la atmósfera fuese de plomo y pesara enormemente sobre la cabeza y los hombros. Examinó largo tiempo los cuadernos de Música de Vera, sus libros y su retrato en color, que trajo ella de Petersburgo. Recordaba el arañazo que vio en la mejilla de su hija cuando la hallaron muerta, y cuyo origen no podía comprender: el tren que la mató, dejó intacta su cabeza; de otro modo, la hubiera destrozado por completo.

¿De dónde procedía aquel arañazo? Pero hacía un esfuerzo para no pensar en la muerte de Vera, y en el retrato escrutaba sus ojos. Eran bellos, negros, con grandes párpados que los envolvían en la sombra, como si estuvieran encerrados en un marco negro. El pintor desconocido, pero de talento, le había dado una expresión extraña: diríase que entre los ojos y los objetos hacia los cuales miraban, había un velo opaco. Aquellos ojos lo seguían con la mirada por todas partes, pero también guardaban silencio. Se diría que hasta podría oírse aquel silencio. Por lo menos, al pope Ignacio le parecía oírlo.

Todas las mañanas, después de la misa, se dirigía al salón y examinaba rápidamente la jaula vacía y toda la habitación, se sentaba en una silla, cerraba los ojos y escuchaba el silencio de la casa. La jaula guardaba un silencio dulce y tierno, lleno de dolor, de lágrimas y de una como lejana risa extinguida.

El silencio de su mujer era terco, pesado, como el plomo, y tan terrible que el pope Ignacio, a pesar del calor, sintió frío. El silencio de Vera fue interminable, glacial y misterioso como la tumba. Aguzaba los oídos con la esperanza de captar un ruido cualquiera; luego, avergonzado de su debilidad, se incorporaba bruscamente y murmuraba:

-¡Esas son tonterías!

Miraba por la ventana la plaza inundada de sol y el muro de piedra de un cobertizo sin ventanas. En un rincón estaba parado un cochero; parecía una estatua de barro, y no se comprendía por qué estaba allí todo el santo día, en un sitio donde nunca había nadie.


III

Fuera de la casa, el pope Ignacio hablaba mucho con el clero y los feligreses; en ocasiones, con conocidos, en cuyas casas solía jugar a las cartas. Mas cuando volvía a casa, le parecía que no había pronunciado una sola palabra en todo el día. Esto era porque no podía hablar con nadie de lo que más le importaba, de lo que era objeto de sus pensamientos: ¿por qué se suicidó Vera?

No podía, ni quería, comprender que ya era tarde para conocer los motivos de aquella muerte. Todas las noches recordaba el momento en que él y su mujer, junto al lecho de Vera, le suplicaban que les dijera lo que tenía y cerraba los ojos y se le representaba a Vera incorporada en su cama, diciendo: Pero no dijo la única palabra que aclarase el misterio de su suicidio. Parecíale al pope Ignacio que, aguzando los oídos, conteniendo los latidos de su corazón, podría tal vez oír aquella palabra misteriosa. Y saltando de la cama, tendía las manos suplicante:

-¡Vera!

El silencio respondía.

Una noche entró en el cuarto de su mujer, a la que hacía una semana que no veía; se sentó a su cabecera y, evitando su densa mirada, le dijo:

-Escucha, quiero hablarte de Vera. ¿Me oyes?

Ella callaba. Entonces, levantando la voz, le habló con tono severo, como a los que venían a su casa a confesarse:

-Ya sé que tú no eres culpable de la muerte de Vera. Pero reflexiona: ¿es que yo no la quería tanto como tú? Razonas extrañamente. Sí, yo era severo; pero eso no le impedía hacer su antojo. Sacrifiqué mi amor propio de padre y accedí a que se marchara a Petersburgo. Pero ¿es que tú no le habías suplicado que se quedara, que renunciara a aquel viaje? No he sido yo quien la hizo tan impía. Siempre le inspiré el amor de Dios y las virtudes cristianas...

Miró a los ojos de su mujer y volvió la cabeza.

-¿Qué podía yo hacer cuando ella no nos quería decir lo que tenía? He ordenado, he suplicado, he implorado. ¿O acaso debí arrodillarme ante aquella chiquilla y llorar como una vieja? ¿Sabía yo lo que ella tenía en la cabeza? ¡Hija cruel, sin corazón!

Se golpeó una rodilla con el puño.

-Era el amor lo que le faltaba. Confesemos que no me podía querer, porque yo era un tirano. Pero, ¿a ti? Ella te quería. Tú, que te humillabas ante ella, le implorabas...

Rió nerviosamente.

-¡Bien claro se ve cómo te quería! Fue por ti por lo que buscó una muerte tan atroz y vergonzosa... la muerte en el lodo, como un perro.

Su voz temblaba colérica.

-¡Me da vergüenza! -continuó-. Me da vergüenza dejarme ver en la calle. Me avergüenzo ante Dios y ante los hombres. ¡Hija cruel, indigna! Mereces ser maldita en tu tumba...

Cuando el pope Ignacio miró a su mujer, esta yacía desvanecida sobre el lecho. Tardó unas horas en recobrar el conocimiento, y no se sabía si recordaba las palabras de su marido.

Aquella misma noche, una noche clara y serena de julio, el pope Ignacio subió, de puntillas, al cuarto de Vera. No habían abierto la ventana desde su muerte, y el ambiente era allí cálido y seco. La luna iluminaba el suelo, los rincones y la cama blanca, con sus dos almohadas, una grande y otra pequeña.

El pope Ignacio abrió la ventana, y en la habitación entró el aire fresco, con el olor del polvo, del río próximo y del tilo en flor. Se oía una canción; probablemente cantaban en alguna barca.

Procurando no hacer ruido, se acercó al lecho, se arrodilló y dejó caer la cabeza sobre las almohadas, apoyando los labios en el sitio donde reposaba la cabeza de Vera. Permaneció largo tiempo así. Allá, en el río, la canción se había hecho más vigorosa y sonora; luego se extinguió. Siguió arrodillado, esparcidos sus cabellos por los hombros, y por el lecho.

La luna se había ocultado y el cuarto quedó sumido en oscuridad completa, El pope Ignacio levantó la cabeza y comenzó a murmurar entre dientes, con voz conmovida por amor largo tiempo contenido, como si Vera pudiera oírle:

-¡Hija mía, querida! ¿Comprendes el significado de estas palabras: "¡hija mía!"? Tú eres mi corazón, mi sangre, mi vida. Es tu viejo padre quien te lo dice...

Sacudían sus hombros los sollozos, y prosiguió hablando, como a un niño:

-Es tu viejo padre quien te suplica, te implora, Verita mía. Él, que jamás conoció las lágrimas, ahora llora. Tu dolor es el mío, tus sufrimientos son más que míos. No son ni los sufrimientos ni la muerte lo que me asusta. Pero tú, que eras tan tierna, tan frágil, tan débil, tan mansa, tan tímida... ¿Te acuerdas, una vez que te pinchaste tu dedito, cómo llorabas a lágrima viva? ¡Nena mía querida! Bien sé que me quieres. Todas las mañanas me besas la mano. Dime por qué sufres, y yo aplastaré tu dolor con mis manos. Todavía son fuertes mis manos...

Levantó los ojos implorantes.

-¡Dilo!

Tendió los brazos como en plegaria

-¡Dilo!

Pero en la habitación reinaba un silencio profundo. Se oía, a lo lejos, el silbido prolongado de una locomotora.

El pope Ignacio se incorporó y, retrocediendo hasta la puerta, repitió, una vez más:

-¡Dilo!

Y la respuesta fue un silencio de muerte.


IV

Al día siguiente, después del solitario desayuno, fue al cementerio por primera vez después de la muerte de Vera. Hacía calor. El cementerio estaba desierto y tranquilo, como si no fuera de día, sino de noche. El pope Ignacio caminaba erguido, y miraba serenamente en torno suyo, no queriendo comprender que no era ya el mismo, que sus piernas se habían vuelto más débiles, que su larga barba era ya completamente blanca; como nevada.

La tumba de Vera estaba en el extremo del cementerio, donde ya no había senderos de arena. El pope Ignacio se perdía casi entre las colinas verdes, que eran tumbas abandonadas, olvidadas. De vez en cuando, veía monumentos descuidados, rejas abismadas y grandes lápidas sepulcrales, hundidas hasta la mitad en la tierra.

Una de aquellas lápidas cubría la tumba de Vera. Estaba oculta por un montecillo amarillento; pero, en torno suyo, todo verdeaba. Dos árboles mezclaban su follaje en lo alto de la tumba.

Sentado sobre una tumba vecina, el pope Ignacio miró al cielo, donde, inmóvil, estaba suspenso el disco solar, y sintió el silencio profundo, incomparable, que reina en los cementerios cuando no sopla el viento. Este silencio lo inundaba todo, traspasaba los muros e invadía la ciudad.

El pope Ignacio miró la tumba de Vera, la hierba que había crecido allí, y su imaginación se negaba a creer que allí, bajo aquella hierba, a dos pasos de él, estaba su hija. Aquella proximidad parecíale inconcebible; le turbaba profundamente. La que creía desaparecida para siempre, en las profundidades misteriosas del infinito, estaba allí, muy cerca. A pesar de eso, no existía ya ni existiría nunca. Creía que si hallaba la palabra mágica, ella saldría de su tumba, bella, grande, como él la había conocido. No solo ella, sino todos los muertos saldrían de sus tumbas.

Se quitó el sombrero negro, de anchas alas, se alzó los cabellos y susurró:

-¡Vera!

Tuvo miedo de que le hubiese oído alguien y, poniéndose de pie sobre la tumba, miró en torno suyo. No había nadie. Entonces, repitió más alto:

-¡Vera!

Su voz era dura, autoritaria y le parecía extraño que no le respondiera nadie.

-¡Vera!

Llamaba cada vez con mayor insistencia y, cuando callaba, por instantes parecía que alguien, muy bajito, le contestaba. Se echó sobre la tumba, aplicando el oído a la tierra.

-¡Vera, habla!

Y notó, con pavor, que su oído se llenaba de un frío de sepulcro que le helaba el cerebro, y que Vera hablaba con su silencio mismo. Este silencio se hizo cada vez más espantoso, y, cuando el pope Ignacio alzó la cabeza, parecíale que, conturbada, vibraba toda la atmósfera, como si por encima del camposanto hubiera pasado una tempestad. El silencio lo sofocaba, lo hacía temblar, le erizaba los cabellos. Se estremeció, se levantó lentamente haciendo un esfuerzo penoso para mantenerse erecto. Sacudió el polvo de sus rodillas, se puso el sombrero, hizo la señal de la cruz tres veces sobre la tumba y se marchó con paso firme. Pero no conocía el camino en los estrechos senderos.

-¡Me he perdido! -murmuró con triste sonrisa.

Se detuvo un instante y, sin saber por qué, tomó la izquierda. No se atrevió a quedarse mucho tiempo allí. El silencio lo empujaba; el silencio que surgía de las tumbas verdes, de las cruces grises, de los poros de la tierra llena de cadáveres.

El pope Ignacio alargó el paso. No sabía ya adónde iba, volvía por los mismos senderos, saltaba por encima de las tumbas, tropezaba con las rejas y las coronas metálicas, desgarrándose las vestiduras. No tenia, ahora, más que un solo pensamiento: salir de allí. En desorden el traje y los cabellos, huyó a todo correr. Si alguien lo hubiera visto en aquel momento, se hubiera asustado más que si topara con un muerto salido de su tumba; tan crispado por el terror estaba el rostro del pope Ignacio.

Sofocado, ahogándose, ganó al fin el calvero donde estaba la iglesia del cementerio. Cerca de la puerta dormitaba un viejecito sobre un banco, y dos mendigos disputaban.

Cuando el pope Ignacio entró en su casa, en el cuarto de su mujer había luz. Vestido como estaba, cubierto de polvo, desgarradas las ropas, entró en el cuarto de su mujer y cayó de rodillas.

-Olga, Olguita... Querida mía... ¡Ten piedad de mí! ¡Me vuelvo loco!...

Y comenzó a golpearse la cabeza contra la cama y a llorar violentamente, como hombre que llora por vez primera en su vida. Después, alzó la cabeza, con la certidumbre de que esta vez el milagro iba por fin a cumplirse, y su mujer, llena de compasión, le iba a decir algo.

-¡Mi querida esposa!...

Lleno de esperanza, se inclinó sobre ella... y se encontró con la mirada de sus ojos grises. No expresaban ni cólera ni dolor. Tal vez se apiadaba de él, tal vez lo perdonaba; pero sus ojos no decían nada: guardaban silencio.

**************************

Y el silencio reinaba en toda la casa, triste y desierta.

FIN

1. Pope: Sacerdote de la Iglesia ortodoxa griega. 




Biblioteca Digital Ciudad Seva
Nem todos gostam de serem identificados como de direita e de classe alta no Brasil. São critérios "objetivos" em muitos casos. A classe A brasileira começa a partir de uma renda familiar de 15 mil reais. Uma família consolidada e com renda superior a 20 mil reais (classe alta-baixa) deverá ter empregada doméstica, faxineira, habitação com mais de cinco banheiros ou mais, casa na praia, dois carros ou mais, férias ou viagens para a Europa, Estados Unidos, assinatura da Veja, etc. Uma família com renda mensal superior a 140 mil (classe alta-alta), 3 entre cada mil os que declaram o IR, já vive com todos os luxos internacionais se quiser. Pode ter barcos, haras-cavalos, carros de luxo, ter muitos caprichos que o dinheiro paga. A família com 20 mil pagaria 40 Reais de CPMF (0,2% da renda) e a de 140 mil pagaria 280 Reais mensais. A análise sociológica da classe dominante tradicional informa que um alto funcionário público, um Oficial General das Forças Armadas, um Desembargador, ou qualquer alto burocrata aposentado e sua esposa, com algumas heranças recebidas, são muito mais representativos da velha tradição e das redes sociais do passado do que um emergente empresário "self-made-man", um novo-rico enriquecido em novos negócios na periferia, ou no interior e com dez vezes mais renda, mas ainda sem as conexões políticas, culturais, sem o nepotismo e o ethos desta nossa velha elite genealógica. Todos têm que pagar mais impostos. Não vai doer para diminuir a pobreza e a desigualdade no Brasil em relação ao que se ganhou e se ganha. Vai comprar um óculos barato a menos em Miami ou um perfuminho a menos em Paris.

Ricardo Costa de Oliveira
"El lenguaje no es sólo un vehículo de interacción e intercomunicación o una herramienta práctica puesta al servicio de la administración del estado desde tiempos antiguos. Es también un vehículo cargado de valor simbólico. Mediante la adopción de una lengua determinada, una determinada población o un determinado grupo de la sociedad manifiesta qué identidad desea mostrarse a sí misma y qué identidad desea mostrar al resto del mundo."


Itamar Even-Zohar, 'Conflicto lingüístico e identidade nacional'.