domingo, 2 de julho de 2017

Das Nothend



»Ich muß zu Feld, mein Töchterlein,
Und Böses dräut der Sterne Schein,
Drum schaff du mir ein Notgewand,
Du Jungfrau, mit der zarten Hand!«

»Mein Vater! willst du Schlachtgewand
Von eines Mägdleins schwacher Hand?
Noch schlug ich nie den harten Stahl,
Ich spinn und web im Frauensaal.«

»Ja, spinne, Kind, in heil’ger Nacht,
Den Faden weih der höllischen Macht!
Draus web ein Hemde, lang und weit!
Das wahret mich im blut’gen Streit.«

In heil’ger Nacht, im Vollmondschein,
Da spinnt die Maid im Saal allein.
»In der Hölle Namen!« spricht sie leis,
Die Spindel rollt in feurigem Kreis.

Dann tritt sie an den Webestuhl
Und wirft mit zager Hand die Spul;
Es rauscht und saust in wilder Hast,
Als wöben Geisterhände zu Gast.

Als nun das Heer ausritt zur Schlacht,
Da trägt der Herzog sondre Tracht:
Mit Bildern, Zeichen, schaurig, fremd,
Ein weißes, weites, wallendes Hemd.

Ihm weicht der Feind wie einem Geist:
Wer böt es ihm, wer stellt’ ihn dreist,
An dem das härteste Schwert zerschellt,
Von dem der Pfeil auf den Schützen prellt!

Ein Jüngling sprengt ihm vors Gesicht:
»Halt, Würger, halt! mich schreckst du nicht.
Nicht rettet dich die Höllenkunst,
Dein Werk ist tot, dein Zauber Dunst.«

Sie treffen sich und treffen gut,
Des Herzogs Nothemd trieft von Blut;
Sie haun und haun sich in den Sand,
Und jeder flucht des andern Hand.

Die Tochter steigt hinab ins Feld:
»Wo liegt der herzogliche Held?«
Sie find’t die todeswunden zwei,
Da hebt sie wildes Klaggeschrei.

»Bist du’s, mein Kind? Unsel’ge Maid!
Wie spannest du das falsche Kleid?
Hast du die Hölle nicht genannt?
War nicht jungfräulich deine Hand?«

»Die Hölle hab ich wohl genannt,
Doch nicht jungfräulich war die Hand,
Der dich erschlug, ist mir nicht fremd,
So spannt ich, weh! dein Totenhemd.«

A cota de malha

– Filha, eu vou para a batalha;
No céu atina a má estrela:
Quero uma cota de malha
De tuas mãos de donzela.

– Pai, estarias seguro
Pelas mãos de uma mocinha?
Não sei forjar ferro duro;
Só entendo de agulha e linha.

– À noite, oferte o tecido
Ao Inferno! E com arremate,
Eu estarei protegido
Nesse cruento combate.

Lua-cheia em noite santa,
E sozinha ela urde a trama:
– Invoco o Inferno! E se espanta:
O fuso gira e se inflama.

Quando ela retira a linha
Daquele tear terrível,
Ele torna e redemoinha
Como por mão invisível.

Tão logo a armada se arranca,
O duque salta à vanguarda:
Sob a sua heráldica branca,
A cota de malha guarda.

Dele o inimigo se afasta;
Contra ele ninguém avança.
Despedaçando toda a hasta,
Quebra seta, sabre e lança.

E um infante o atalha no ato:
– Pára, homem sanguinolento!
De nada vale teu pacto:
É desfeito o encantamento.

A refrega os incendeia.
Eis rasgada e tinta a cota…
E ambos rolam pela areia,
Amaldiçoando a derrota…

A filha invade o sangrento
Campo. – Onde, o Duque? E depois,
Reconhece com lamento
A pugna horrenda dos dois.

– Minha filha, tu forjaste
A cota como as demais?
O Inferno não invocaste,
Ou não tens mãos virginais?

– Invoquei o Inferno, mas
A mão que teceu tua malha
Pertencera a esse rapaz…
Pai, eu teci tua mortalha!
Johann Ludwig Uhland
Wagner Schadeck é poeta e tradutor.

Jornal Opção
Otto Leopoldo Winck

O Estado sempre esteve a serviço das classes dominantes. No caso do capitalismo, a serviço da burguesia. A diferença entre a democracia burguesa e os regimes anteriores -- absolutismo, feudalismo etc -- é que na democracia burguesa há uma ideologia de igualdade perante a lei. E ideologia nada mais é que ideologia, isto é, uma visão distorcida da realidade. A diferença gritante de tratamento ontem pelo STF apenas escancara isso. Alguns, conforme a coloração política, mofam anos no cércere apenas com base em delações. Outros, com malas de dinheiro, helicópteros e aviões repletos de pasta base de cocaína, ficam livres ou nem sequer são presos. Isso não se muda com boa vontade, conversão das pessoas etc. Isso se muda com uma mudança estrutural profunda da sociedade: a essa mudança chamamos revolução.


Otto Leopoldo Winck

O negócio é o seguinte: o cara morreu de fome no Nordeste ou por conta da violência racial nos EUA a culpa é da seca ou do racismo (como se o racismo fosse uma coisa pessoal, nunca estrutural). O cara morreu de unha encravada na Ucrânia em 1930 a culpa é do comunismo.

Se colocássemos na conta do capitalismo todas a mortes das guerras por mercado, por fome, por más condições de vida, por culpa do imperialismo e do (neo)colonialismo, as mortes superdimensionadas atribuídas a Stálin seriam fichinhas.

sábado, 1 de julho de 2017

1943: Judeus alemães submetidos a vigilância policial


Em 1º de julho de 1943, a perseguição aos judeus no Terceiro Reich chegou a um novo clímax. Por decreto, eles passaram a ser assunto da polícia nazista. A partir de então, ficaram juridicamente sem qualquer proteção.


"Vocês sabem do que se trata, mas mantenham sigilo. Talvez mais tarde se possa ponderar se foi conveniente ou não termos revelado mais detalhes sobre isso ao povo alemão. Acredito ser melhor nós todos suportarmos isso pelo nosso povo, assumirmos a responsabilidade e, então, levarmos o segredo para o túmulo." Estas palavras foram ditas no outono europeu de 1943 por Heinrich Himmler, chefe da SS e operador de uma máquina mortífera, diante das lideranças nacionais e distritais do partido nazista, sobre sua intenção de "dar a solução final ao problema judeu".

Dez anos antes, com a vitória do nazismo, o antissemitismo tornara-se doutrina oficial na Alemanha. A crescente perseguição passou pelo boicote a empresas e estabelecimentos comerciais de judeus, em abril de 1933 intensificou-se com a discriminação dos judeus no meio profissional, em universidades, escolas, teatros, e chegou ao auge com a completa marginalização social pelas "Leis de Nurembergue" de 1935.
Fogões lacrados

Hans-Oskar Löwenstein relembra: "Os nazistas confiscaram quase todos os pertences dos judeus: telefones, rádios, toca-discos, máquinas fotográficas. O único equipamento que se podia usar eram os óculos. A água quente foi bloqueada, assim como o acesso aos elevadores e às sacadas de frente para a avenida Kurfürstendamm [em Berlim]. Nas cozinhas, os fogões a gás e elétricos foram lacrados.

À disposição dos judeus residentes no nosso edifício ficaram apenas dois fogões a gás e dois fervedores elétricos. Era, portanto, uma situação terrível. Peixes dourados de aquário, flores, plantas ornamentais, tudo foi proibido aos judeus. Aquilo realmente não era mais vida."

Seguiram-se ainda outras chicanas e leis discriminatórias. Hitler não escondia mais sua intenção de eliminar os "inimigos judeus e bolcheviques". O ditador: "Evito profecias precipitadas, mas essa guerra não vai terminar da maneira como os judeus imaginam, com o extermínio dos povos arianos da Europa. Pelo contrário, o resultado dessa guerra será o aniquilamento do judaísmo".
Judeus eram conhecidos

O ex-piloto da Força Aérea alemã Heinrich Graf von Einsiedel chegou a admitir abertamente: "O povo alemão, na época, era basicamente antissemita. Sabia-se quem era judeu. Entre os alemães, não se perguntava quem era católico, protestante ou qualquer outra coisa. Mas, se alguém era judeu, isso era conhecido".

A máquina de propaganda contra os judeus funcionava a todo vapor. O incêndio das sinagogas, no pogrom de novembro de 1938, foi seguido de desapropriações e atos de violência. Na Conferência de Wannsee (Berlim), em 1941, foi planejado o extermínio dos judeus em todos os territórios dominados pela Alemanha. As humilhações públicas e degradações encenadas tornaram-se rotineiras. O ódio contra os judeus era ensinado também aos jovens alemães.

No início do regime nazista, viviam na Alemanha cerca de 500 mil de judeus, metade dos quais emigrou até o início da Segunda Guerra Mundial. O confinamento em guetos, as deportações e execuções faziam parte do cotidiano. A partir do outono de 1941, começaram os fuzilamentos em massa no território da atual Belarus.

Nessa época, os guetos foram fechados e seus moradores enviados para os campos de concentração de Auschwitz e Treblinka. A minoria judaica ainda residente no Terceiro Reich perdeu o que lhe restava de direitos através de dois decretos: todos os judeus com mais de seis anos de idade foram obrigados a portar visivelmente a estrela de Davi (símbolo do judaísmo) e, a partir de 1º de julho de 1943, foram fichados na polícia e submetidos a constante vigilância policial. Com isso, não podiam mais recorrer a qualquer instância jurídica alemã. Era a sentença de morte para os judeus.

Autoria Doris Bulau (gh)


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O amor é mais forte que a morte vocês diziam
Mas a vida é mais forte que o amor e
A indiferente mais forte que a vida — A vida
Minha ou sua e nossa de alguma maneira
É em conjunto a única seqüência de
metamorfoses
(O neotênico converte-se em herói sexuado
Depois no barrigudo careca que apodrece como
um deus)
E banhos-duchas no Letes todos os meses
Lutos laqueados, renascimentos frágeis,
amnésias
E um velho mudo dentro de nós há tanto
tempo
Sobrevive sem dor ao ossuário das crianças
(45° Oeste 60° Norte)
.
L’amour est plus fort que la mort disiez-vous
Mais la vie est plus forte que l’amour et
L’indifférente plus forte que la vie – La vie
Mienne ou tienne et nôtre en quelque manière
Est ensemble la seule séquence de
métamorphoses
(Le néoténique se mue en héros à sexe
Plus tard en ventru chauve pourrissant comme
un dieu)
Et bains-douches au Lhété tons les mois
Deuils laqués, renaissances frêles, amnèses
Et un vieillard muet en nous depois longtemps
Survit sans douleur au charnier des enfants
(40° Ouest 60° Nord)

– Michel Deguy, {tradução Marcos Siscar}. em “A rosa das línguas”. [organização e tradução de Paula Glenadel e Marcos Siscar]. São Paulo: Cosac & Naify; Rio de Janeiro, 7 Letras; 2004.

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A infância


O menino cantava; sua mãe, no leito, agonizava,
Extenuada, a sua fronte na sombra pendia;
E sobre ela, a morte numa nuvem vagueava;
E eu ouvia a canção e escutava a agonia.
Tinha cinco anos o menino, e junto à janela,
Um claro som de riso e de jogos se erguia;
E a mãe, ao lado da criança doce e bela
Que todo o dia cantava, toda noite tossia,
A mãe sob as lajes do claustro foi dormir;
E o menino voltou a cantar…
A dor é um fruto que Deus não faz surgir
Num ramo frágil demais para o suportar.
.
L’enfance
L’enfant chantait; la mère au lit, exténuée,
Agonisait, beau front dans l’ombre se penchant;
La mort au-dessus d’elle errait dans la nuée;
Et j’écoutais ce râle, et j’entendais ce chant.
L’enfant avait cinq ans, et près de la fenêtre
Ses rires et ses jeux faisaient un charmant bruit;
Et la mère, à côté de ce pauvre doux être
Qui chantait tout le jour, toussait toute la nuit.
La mère alla dormir sous les dalles du cloître;
Et le petit enfant se remit à chanter… —
La douleur est un fruit ; Dieu ne le fait pas croître
Sur la branche trop faible encor pour le porter.
(Paris, Janeiro de 1835).
– Victor Hugo, em “Poemas: Victor Hugo”. [seleção e tradução Manuela Parreira da Silva]. Lisboa: Editora Assirio & Alvim, 2002.

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Mais uma vez me sinto dividido em como analisar os diferentes movimentos da conjuntura. De um lado, a decisão do Marco Aurélio Melo é tecnicamente correta. A constituição não fala em suspensão de mandato e dar a um ministro do STF a prerrogativa de suspender liminarmente um mandato de senador é um equívoco. Lembro que a deterioração da conjuntura política começou quando o ministro Teori fez o mesmo em relação ao senador Delcídio do Amaral, Ali como agora, houve uma armação do Janot que queria radicalizar a conjuntura. Nunca ficou provado que aquela conversa com o filho do Cerveró foi mais do que uma bravata. Nunca se investigou se havia um plano de fuga em elaboração. Prendeu-se um banqueiro e quase se destruiu um Banco com base na conversa de uma terceira pessoa sobre o banqueiro e nenhuma prova direta coletada. Continuo achando que o Janot é um dos grandes inimigos da divisão e equilíbrio entre os poderes e da estabilização política no Brasil hoje.
Dito tudo isso vale lembrar que os crimes que o Aécio cometeu tem provas assim como os do Temer, ao passo que Sérgio Moro continua condenando a partir do novo código penal que ele instituiu m Curitiba. Neste sentido, foi importante o revés que ele sofreu esta semana no TRF da quarta região. A saída da conjuntura está na volta do garantismo e das regras do código penal.

Leonardo Avritzer

Cenários... Seleção de grandes previsões de nossos brazilianistas sobre a volátil conjuntura política autóctone:


0) Enfim descoberta a Pedra Filosofal das poliarquias de latinoamerica e del caribe. Presidencialismo de coalizão + neodesenvolvimentismo social é a fórmula da estabilidade política e social em países da periferia do capitalismo. Qualidade das poliarquias em alta...
1) "Jornadas" de junho de 2013, cujas causas são a "demanda da sociedade civil por participação", são o início da renovação ética da política brasileira;
2) Haverá uma rebelião das massas durante a Copa de 2014, contra o neoliberalismo lulista;
3) A melhor estratégia para ganhar a eleição a qualquer custo é forçar uma polarização com o PSDB no segundo turno e desconstruir o Aécio, com os recursos de marketing que estiverem à mão;
4) Dilma não será impedida mesmo sem negociar com o PMDB e os "achacadores" fisiológicos de costume;
5) Cunha será julgado pelo STF e preso antes da votação do impeachment, devido à forte influência política republicana do ministro Cardoso;
6) Haverá resistência maciça do povo ao "Golpe"!!; [única previsão com direito a maiúscula e ponto de exclamação]
7) A Lava Jato não acaba nem perde força após o impeachment de Dilma, pois trata-se de uma operação republicana liderada por uma elite corporativa com valores éticos e apartidária, e apoiada pelo cidadão de bem, idem;
8) Aliança PSDB-PMDB não tem futuro, pois a ética de uma moderna economia de mercado é incompatível com o assistencialismo-fisiológico interiorano de nosso "average citizen";
9) Temer não dura dois dias no governo com a oposição da Globo, da PGR e dos MEMEs da internet. Renúncia é iminente.
10) Lula não será preso nem terá seus direitos políticos cassados devido ao "acordão contra a Lava Jato" e sairá fortalecido e quicando para 2018;
11) Candidatura Lula em 2018 e fracasso do governo Temer serão capazes de provocar um renascimento do PT e a preservação de sua hegemonia na esquerda, sem necessidade de renovação, autocrítica ou algo que se assemelhe a isso;
12) Retornaremos ao ponto 0 da dinâmica do presidencialismo de coalizão. Estabilidade cum crescimento econômico e "políticas sociais" universalistas eficazes. Qualidade da poliarquia brasileira em alta...
Escreva a sua sequencia...
Sérgio Braga


A grande esperteza do capitalismo foi convencer gente,
inclusive gente de esquerda, que:
>>> a culpa dos defeitos do capitalismo é das pessoas.
>>> a culpa dos defeitos do comunismo é do sistema.

by Roberto Pereira

sexta-feira, 30 de junho de 2017

A decisão de Marco Aurélio confirma a tese de que o PSDB segue ileso. O mais problemático é que mostra o quanto o STF é uma instituição seletiva. Suas decisões apenas ratificam o comportamento de uma elite que está também envolvida nos processos que alimentam uma República do privilégio, da impunidade, quando se trata principalmente de envolvidos em crimes pertencentes a fatia mais rica deste país. O STF age de acordo com os interesses da classe que representa. Crimes de colarinho branco quase sempre que foram e chegaram a ser julgados por esta corte foram absolvidos. Esta é uma corte que envergonha o país. Se alguém ainda acha que a saída desta crise e a justiça virá desta corte está completamente enganado. Desde que começou a operação Lava Jato, alguém sabe me informar quantos foram condenados pelo STF? O STF é um corte de privilégios, que alimenta, por suas práticas, injustiças sociais e desigualdades, além de práticas criminosas por sujeitos envolvidos em atos ilícitos. Esta é a corte que condena, provavelmente, alguém ao roubar alimento; e muito provavelmente não condenará aquele que trafica pasta base em aviões. A justiça tem partido e assume posturas condizentes com os valores da classe que representa. A justiça não é neutra e muito menos imparcial. O STF é a corte que tem legitimado práticas e os cortes promovidos por um governo envolvido em diversos atos de corrupção.

Marciano Monteiro
Uma das funções da Justiça é personificar o sentimento de frustração da sociedade. Quando a Justiça inocenta alguém que juramos ser culpado, essa suposta culpa passa para um segundo plano. Já não mais dizemos "aquele criminoso merece cadeia", mas sim "essa é a Justiça desse país", ou "juiz comprado", entre outros maldizeres. O sentimento acusador fica difuso, perde força. O crime que antes víamos com clareza se torna quase uma miragem. O dedo que apontava para o investigado, denunciado ou réu, passa a ser direcionado para a Justiça. Vale dizer, para o nada, já que a Justiça é uma entidade distante em tudo, inclusive nas roupas que usa e na língua que fala. Eis mais um motivo para Aécio e Rocha Loures brindarem o dia de hoje com seus vinhos preferidos.

Marcelo Amorim

1934: Regime nazista começou a intervir na Justiça




No dia 5 de dezembro de 1934, Hitler mandou fechar as secretarias estaduais da Justiça, iniciando a perseguição dos juristas e a imposição dos ditames nazistas.


 Deutschland Richter am Volksgerichtshof Hitlergruß (picture-alliance/akg-images)
A transformação da Justiça liberal e soberana da República de Weimar em instrumento dos detentores do poder do Terceiro Reich começou logo depois que os nazistas assumiram o governo alemão. A perseguição de juízes de origem judaica e funcionários do Judiciário foi apenas o começo.

No dia 22 de abril de 1933, o advogado Hans Frank foi nomeado "comissário do Reich para a submissão da Justiça nos Estados e para a renovação da ordem de Direito". Uma de suas primeiras medidas atingiu os representantes do próprio Judiciário, substituindo as associações existentes pela Aliança dos Juristas Nacional-Socialistas Alemães.

O controle da Justiça pelo regime de Hitler visava principalmente os juízes, que a partir deste momento tinham que representar a causa nazista. Grande parte dos juristas, cuja maioria era de origem burguesa conservadora, adaptou-se aos ditames do governo. Mesmo assim, houve muitas demissões, perseguições e proibições de exercer a profissão por motivos políticos e racistas.

Direito instrumentalizado pela repressão

Apenas os homens possuíam permissão para trabalhar no aparelho do Judiciário. Para as mulheres, a atividade profissional no setor virou tabu. A ordem jurídica do Estado foi adaptada às imposições nazistas e Hitler era o líder supremo de um sistema que alegava defender "a ordem, o Direito e a liberdade". O Direito acabou virando instrumento de repressão contra as minorias étnicas e a oposição.

A prova de força decisiva aconteceu em junho de 1934, quando Adolf Hitler decidiu acabar radicalmente com o poder da SA (Sturmabteilung). A tropa de choque organizada e comandada por Ernst Röhm era uma espécie de força paramilitar privada de Hitler.

Para tranquilizar as Forças Armadas, preocupadas com o poder paralelo, Hitler concordou com a eliminação de Röhm e de seus principais auxiliares no massacre que ficou conhecido como "a noite dos longos punhais".

No final do ano de 1935, estava encerrado o processo de vinculação da Justiça ao Estado nazista. Ainda em 1934, havia sido criado em Leipzig o Volksgerichtshof (Tribunal Popular), que se tornou um importante instrumento de terror na Segunda Guerra, a partir de 1939.


1934: Hitler manda executar Ernst Röhm
No dia 30 de junho de 1934, foi preso Ernst Röhm, um ex-colaborador de Hitler. Ele queria transformar a SA (Tropa de Assalto) num exército, sob seu poder. 

Autoria Sabine Kinkartz (rw)


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1920: Nacional-socialistas criam tropa de segurança


A tropa de segurança do NSDAP (Partido Nacional Socialista Alemão dos Trabalhadores) foi criada no dia 12 de novembro de 1920, transformando-se mais tarde na SA (Seção de Assalto) da organização.

Seção de assalto, suporte do terror nazista

Gritando palavras de ordem, uniformizados e usando coturnos pesados, os integrantes da tropa de segurança do NSDAP (Partido Nacional Socialista Alemão dos Trabalhadores, o partido nazista) marchavam pelas ruas das cidades alemãs. Na sua maioria, eram recrutados entre os jovens desempregados, para os quais a nova República de Weimar não tinha mais qualquer sentido.

A Alemanha tinha sido derrotada na Primeira Guerra Mundial. O desemprego era catastrófico. Quinhentos quatrilhões de marcos estavam em circulação, mas as pessoas não tinham dinheiro suficiente no bolso – nem mesmo para comprar manteiga para o pão.

A situação era propícia para um demagogo como Adolf Hitler, que pôde facilmente incutir nos jovens inseguros e insatisfeitos a sua ideologia, da mesma forma como os convencia a vestir as camisas marrons, que tinham sido o uniforme das tropas imperiais alemãs na África oriental. A tropa de segurança do NSDAP foi criada no dia 12 de novembro de 1920, transformando-se mais tarde na SA (Seção de Assalto) da organização.

"Camaradas, agora vamos juntar até a última força. O coração tremendo, o peito erguido, o punho cerrado, o sangue fervendo. O ódio e a raiva nos movem. Nós temos de vencer. O inimigo tem de ser derrotado. Nós nos mantemos coesos: homem por homem", ditava o juramento de lealdade dessa tropa armada de combate, segurança e propaganda.

Assembleias em cervejarias

O berço da posterior organização de massa nazista foi Munique. O partido de Adolf Hitler começou a promover assembleias cada vez mais concorridas nas cervejarias da cidade. E, como os outros partidos, necessitava de uma tropa de segurança para fazer frente aos que perturbavam as reuniões. Desde o seu início, a SA foi um dos suportes do terror nazista. Tumultos, agitações de caráter antissemita, badernas na rua e em espaços fechados, lutas contra comunistas e social-democratas e até homicídios eram as armas da organização.

Conluios entre membros da SA e criminosos eram fatos corriqueiros. Em 1930, um líder da organização, Horst Wessel, frequentador assíduo da zona de prostituição de Berlim, foi assassinado a tiros durante uma briga. A SA aproveitou a situação, transformando-o em mártir: "Vamos vingar a morte do nosso Horst Wessel e de todos os que eles tiraram de nossas linhas de combate. Que seu espírito nos guie, para que possamos conseguir aquilo pelo qual eles deram suas vidas."

Em 30 de janeiro de 1933, o dia em que o idoso presidente Paul von Hindenburg passou o poder para as mãos de Adolf Hitler, 300 mil homens usavam as camisas marrons da SA. Daí em diante, o número de membros da organização cresceu vertiginosamente. Mais de quatro milhões de pessoas passaram, com o tempo, a fazer parte da maior organização de massa do Terceiro Reich.

Último líder ativo na política até 1961

Seu tempo de glória, no entanto, já havia passado. Depois que o novo regime se estabeleceu, as camisas marrons tornaram-se uma pedra no caminho dos governantes nazistas. Hitler queria demonstrar seriedade e tentava aproximar-se dos conservadores.

Nesse contexto, não era adequada uma tropa de assalto, que dizia palavras de ordem do tipo: "Mesmo que o inimigo ainda reaja de forma feroz e busque ajuda até do diabo; mesmo que ele se contorça como uma cobra, cuspindo veneno. Nós não nos deixamos enganar: a tempestade começa, o dia amanhece. Milhões de homens, que querem vencer ou morrer, apresentam-se armados para entrar em ação."

Em 1934, Hitler mandou executar o líder da organização, Ernst Röhm. A partir de então, a SA passou a exercer apenas um papel secundário no sistema nazista. Seu último líder, Wilhelm Schepmann, escapou de uma condenação pela Justiça alemã do pós-guerra. Como muitos outros colaboradores menores do regime nazista, ele acabou trabalhando, discretamente, para o governo de Konrad Adenauer, o primeiro eleito democraticamente na Alemanha do pós-guerra.

Talvez Schepmann acreditasse que tinha razão. Pois, afinal, tinha obrigado seus correligionários a jurar: "Então vai chegar de novo o dia da liberdade, em que um novo povo ressurgirá. Canções alemãs ecoarão e as terras alemãs serão libertadas." Ele atuou como político regional do partido BHE, que representava os alemães expulsos da Europa oriental, e só se retirou da política no ano de 1961, quando as críticas a seu passado se tornaram públicas e veementes.

1933: Aprovação da Lei Plenipotenciária
A 23 de março de 1933, o Reichstag aprovou a Lei Plenipotenciária, com a resistência dos social-democratas. Com ela, o regime nazista pôde impor leis sem aprovação prévia do parlamento. Era o início da ditadura.  
1934: Hitler manda executar Ernst Röhm
No dia 30 de junho de 1934, foi preso Ernst Röhm, um ex-colaborador de Hitler. Ele queria transformar a SA (Tropa de Assalto) num exército, sob seu poder. 
1936: Abertura dos Jogos Olímpicos de Berlim
No dia 1º de agosto de 1936, o líder nazista e chanceler do Reich, Adolf Hitler, abria oficialmente os Jogos Olímpicos de Berlim. 
1938: Noite dos Cristais
Em 9 de novembro de 1938, nazistas à paisana mataram 91 judeus, incendiaram 267 sinagogas, saquearam e destruíram lojas e empresas da comunidade e iniciaram o confinamento de 25 mil judeus em campos de concentração. 
1939: Primeiro atentado contra Hitler
No dia 8 de novembro de 1939, Hitler escapou por pouco de um atentado que matou oito pessoas. 
1942: Tropas alemãs invadem o sul da França
A 11 de novembro de 1942, alemães e italianos invadiram o território francês, quebrando o armistício de 1940. Um dia antes, Hitler havia em vão convidado a França a lutar contra ingleses e norte-americanos. 

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Autoria Gerda Gericke (sv)
Redação DW Brasil

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1942: Resistência antinazista "Rosa Branca" distribui panfletos




A partir de 27 de junho de 1942, nas caixas de correio de grandes cidades do sul da Alemanha e da Áustria, começaram a ser distribuídos panfletos contra o regime nazista pelo movimento de resistência "Rosa Branca".

 Os irmãos Hans e Sophie Scholl fundaram o movimento de resistência Rosa Branca
Hans e Sophie Scholl, fundadores do movimento de resistência Rosa Branca
O Rosa Branca (Weisse Rose), atuante em Munique e em Hamburgo, foi o movimento de resistência de jovens alemães mais conhecido durante o Terceiro Reich. Seu núcleo era formado por universitários de 21 a 25 anos de idade, entre ele os irmãos Hans e Sophie Scholl, Alexander Schmorell, Willi Graf e Christoph Probst.
Os panfletos, que começaram a ser distribuídos nas caixas de correio de intelectuais dos grandes centros na Baviera e na Áustria, condenavam a resistência passiva contra a guerra e a opressão intelectual pelos nazistas. Os textos revelavam o alto nível cultural de seus redatores e apelavam a valores religiosos.

Nos quatro primeiros panfletos, distribuídos entre 27 de junho e 12 de julho de 1942, foram usados em profusão trechos apocalípticos da Bíblia. Os dois últimos folhetos, entretanto, tiveram um estilo completamente adverso. Em linguagem direta, apresentavam planos concretos para a Alemanha pós-guerra, dirigindo-se a todas as camadas da população.

Primeira derrota chocou a população alemã

A morte de 300 mil alemães na batalha de Stalingrado, em fevereiro de 1943, representou uma reviravolta na Segunda Guerra Mundial. A primeira derrota alemã alimentou a resistência em todas as cidades europeias ocupadas pelos nazistas e ao mesmo tempo chocou a população do país.

Willi Graf, Alexander Schmorell e Hans Scholl passaram a noite pichando Abaixo Hitler e Liberdade nas paredes da universidade e de prédios vizinhos. O grupo Rosa Branca aproveitou a ocasião, publicando um novo panfleto. A estratégia era redigir os textos em máquinas de escrever, copiá-los e enviá-los pelo correio a partir de cidades diferentes.

Descobertos enquanto depositavam suas mensagens nos corredores do prédio principal da Universidade de Munique, os irmãos Hans e Sophie Scholl foram presos pela Gestapo, a polícia política de Hitler.

Junto com Christoph Probst, foram julgados no dia 22 do mesmo mês. Em pouco mais de três horas de julgamento, foram condenados à morte e executados no mesmo dia. Os demais membros do grupo de resistência Rosa Branca de Munique foram executados após julgamentos sumários, entre abril e outubro de 1943.

Mais indignação que ideologia

O objetivo dos panfletos era abalar a confiança dos alemães no Führer, despertar ao menos um mínimo de dúvidas sobre a veracidade da propaganda feita pelo regime e alimentar eventuais células de resistência no próprio povo alemão. O movimento surgiu menos de uma ideologia política e mais da indignação com a forma como os alemães aceitavam o nazismo e a guerra feita em seu nome.

A coragem dos membros do Rosa Branca ficou conhecida em toda a Alemanha ainda no decorrer da Segunda Guerra. O escritor Thomas Mann reconheceu seus méritos publicamente, num pronunciamento transmitido pela BBC no dia 27 de junho de 1943. Reproduções do último panfleto da resistência estudantil, feitas na Inglaterra, foram jogadas pelos aviões britânicos sobre território alemão.

Durante o segundo semestre de 1943, a Gestapo descobriu em Hamburgo um grupo de resistência que divulgava os panfletos do movimento de Munique. Dos 50 participantes, oito universitários foram condenados à morte: Hans Konrad Leipelt, Greta Rothe, Reinhold Meyer, Frederick Gaussenheimer, Käte Leipelt, Elisabeth Lange, Curt Ledien e Margarete Mrosek.


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1934: Hitler manda executar Ernst Röhm



O capitão Ernst Röhm, organizador da tropa de assalto SA (Sturmabteilung) do partido nazista, não imaginava qual seria seu destino após cair em desgraça com Hitler. O Führer havia decidido matá-lo.
Faltando apenas um dia para o fim das férias coletivas dos integrantes da SA, o próprio chanceler alemão deu início ao massacre de seus ex-aliados, num episódio de incrível brutalidade e traição que ficou conhecido como a Noite dos Longos Punhais.

Röhm, um típico representante da chamada "geração perdida" da Primeira Guerra Mundial, acreditava no ideário nazista quando aderiu ao partido em 1918. Logo no ano seguinte, passou a integrar o privilegiado grupo de amigos pessoais de Hitler.

Ferido três vezes na Primeira Guerra Mundial, lembrava com nostalgia da camaradagem dos soldados nas frentes de batalha. A isso, adicionava-se uma porção de energia criminosa, disfarçada sob a máscara de um nacionalista revolucionário.

Treinos na Bolívia

Ele demonstrava um desprezo profundo pelo que chamava de "farisaísmo e hipocrisia burguesa". Nos primórdios do movimento nazista, revelara-se um organizador talentoso, atraindo um grande número de adeptos para o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores da Alemanha (NSDAP).

Em 1924, elegeu-se para o Reichstag (Parlamento) pelo Partido Liberal Popular Alemão e foi encarregado de organizar o batalhão nazista Frontbann. A partir de 1928 passou dois anos treinando soldados na Bolívia e, em 1930, foi nomeado para o posto de comandante da SA.

Röhm transformou a SA – inicialmente uma espécie de força paramilitar privada de Hitler – numa milícia popular formada por combatentes de rua, capangas e arruaceiros. Do seu ponto de vista, foi "bem sucedido": o número de integrantes da SA subiu de 70 mil para 170 mil em apenas 18 meses.

As fileiras da milícia eram engrossadas, principalmente, por desempregados, mas eram recrutados também ladrões e assassinos. Para Ernst Röhm, esse "exército plebeu" era o núcleo do movimento nazista, "a encarnação e garantia da revolução permanente", baseada no "socialismo de caserna" que ele experimentara durante a Primeira Guerra Mundial.

De fato, a SA desempenhou um papel decisivo na ascensão de Hitler entre 1930 e 1933, através da intimidação de adversários políticos.

Mas em 1933, quando já contava com milhões de integrantes, a organização passou por uma pequena decepção. Seus líderes, que aspiravam à supremacia dos quartéis sobre a classe política, irritavam-se com a crescente burocratização do movimento nazista.

O sonho de Ernst Röhm era ser o comandante supremo de uma enorme força armada, resultante da fusão da SA com o exército regular. Hitler seria então "apenas" o chefe político.

Como comandante da SA, ministro sem pasta e secretário estadual na Baviera, Röhm ocupava cargos de destaque no final de 1933, mas desperdiçou todos os seus trunfos.

Empecilho aos planos de Hitler

Ele se opunha ao plano de Hitler de realizar uma revolução sob o manto da legalidade e passou a falar publicamente de um iminente golpe de Estado. Sua demagogia populista era rejeitada pela classe média e preocupava os militares e industriais, que formavam a base do regime nazista. A reivindicação de Röhm de transformar a SA numa milícia autônoma alarmou os generais, indispensáveis para os planos de longo prazo de Hitler.

Como o chanceler demorasse a agir, o Exército lhe deu um ultimato, dizendo que, se uma medida enérgica não fosse tomada, um golpe de Estado militar tiraria os nazistas do poder. Foi aí que Hitler decidiu liquidar "Röhm e seus rebeldes".

Sem a menor suspeita da chacina que estava sendo tramada, Röhm foi preso na noite de 30 de junho de 1934 num hotel junto ao lago Tegernsee (Baviera), onde festejava com outros líderes da SA.
Levado para a prisão de Stadelheim, negou-se a cometer suicídio e foi fuzilado dois dias depois. Na chamada Noite dos Longos Punhais, os nazistas executaram sumariamente 85 pessoas, muitas delas sem qualquer ligação com Röhm.

Oficialmente, o governo alemão alegou que a SA estava preparando um golpe contra o Reich. Na prática, porém, Hitler concretizava apenas mais uma de suas estratégias de poder: após o massacre, ele não tinha mais rivais e podia celebrar o domínio absoluto sobre o partido nazista.

Data 30.06.2017

Autoria Doris Bulau (gh)

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O próximo passo é Rocha Loures, Aécio e Temer pedirem vultosas indenizações por terem suas límpidas imagens de pessoas idôneas, com morais ilibadas e reputações irrepreensíveis atingidas levianamente no episódio das malas ! Com esse judiciário devem receber muitos milhões de compensações por terem seus direitos de roubarem sido questionados momentaneamente. Agora todos ministros do STF e todos políticos do governo golpista podem usufruir suas deliciosas e luxuosas férias de julho, quase sempre em boas companhias empresariais, em viagens, resorts, condomínios e ambientes caríssimos, no país e no exterior, gastando as polpudas remunerações obtidas do extrativismo estatal semestral, enquanto milhões de trabalhadores brasileiros se consomem com salários miseráveis, em ônibus lotadíssimos de passagens caríssimas, nas pobres periferias miseráveis e violentas, tudo sob a guarda e jurisdição desses podres poderes políticos e jurídicos hereditários. Gira mundo.

RCO

sábado, 24 de junho de 2017

RECEITA INFALÍVEL


1. Fale sobre matar alguém antes que este alguém pense em delatar
2. Peça dinheiro sujo a um mega empresário - em malas de dinheiro previamente preparadas
3. Utilize um parente, de preferência um primo, para pegar o dinheiro sujo
4. Use a própria irmã como testa de ferro de crimes múltiplos
5. Faça tudo isso e de preferência com gravações da áudio e vídeo que circulem por todo o território nacional
Quem cumprir com essa receita poderá dormir tranquilamente e ser absolvido de forma sumária no Senado Federal.
Este país de Aécio, Cunha e Temer virou de fato um pária internacional.

Diogo Costa
Não há nada mais raso que o homem bem-sucedido. Ele tem dinheiro, ele tem um Camaro na garagem, ele tem fotos de Istambul, Qatar e Orlando no seu Facebook. Ele só não tem profundidade. Quando abre a boca só sai vantagens. Pois pra ele a vida se resume a acumular milhas, mulheres e vantagens. Ele nada sabe dos lobos que uivam. Ele nada sabe da solidão das estrelas. Ele nada sabe dos mistérios da vida. Pra ele a vida é só epiderme. Só aquilo que pode ser fotografado e postado. Só aquilo que pode ser acumulado e contabilizado. Não, não há nada mais raso que o homem bem sucedido. Comparável a ele só mesmo a mulher bem-sucedida.

OLW
As Ordenações já afirmavam que pessoas do estatuto de Aécio não podem mesmo ser presas assim. O que define poder e prisão no Brasil são os capitais sociais familiares e sua genealogia. Quem os têm não vai preso com muitos motivos e quem não os têm vai preso sem nenhum motivo. Enquanto o Brasil continuar nessa lógica do "Antigo Regime", esses absurdos de castas e classes do passado continuarão a condenar os indivíduos independentemente de provas ou méritos.

RCO

quinta-feira, 22 de junho de 2017

O que é que a esposa do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a secretária de Estado e primeira-dama do Estado do Paraná, o presidente anterior da Sociedade Rural Brasileira e os maiores latifundiários devastadores da Amazônia possuem em comum ? Luzia Helena Junqueira Pamplona Skaf, Fernanda Vieira Richa, Gustavo Diniz Junqueira e os Junqueira Vilela são descendentes da família Junqueira, originalmente de Minas Gerais, se espalhando por São Paulo e pelo país. Mais uma das inúmeras e típicas genealogias da classe dominante rural brasileira do século XVIII. Eu calculei, no meu doutorado, cerca de 500 dessas famílias históricas derivadas do período colonial em todo o Brasil. Observem que atravessam todas as regiões, indústria e agricultura, política e empresariado, público e privado, moderno e arcaico, ao incorporarem ao seu "ethos e habitus de classe" os imigrantes ascendentes, no caso da imigração libanesa (Skaf e Richa). Atuam dos bairros mais ricos de São Paulo até as fronteiras do desmatamento e das condições análogas à escravidão da Amazônia. Boa parte da elite empresarial e política brasileira ainda reproduz os velhos valores golpistas da classe dominante tradicional pela sua cultura política, práticas e casamentos.


RCO