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sábado, 9 de fevereiro de 2019

O metrônomo




Quem bate
Uma frase de língua
Ao vento do jogo

Neuma do metro
O balancim confia
O tempo à dicção

Ritmo limiar é preciso
Que uma porta de palavras
seja aberta e fechada

Longa breve e pausa
O tempo passa
Ele repassará

Há como no ser
Um ar de família um ar de nada

A corrente de ares
vira as páginas
isso não faz um vinco
mas cinco

Só mais um momento
Senhor leitor
O tempo de uma palavra nua
Entre duas viradas

O que me canta
…….dobra-se
Aos calibres das cores
.

Michel Deguy, trad Marcos Siscar

sábado, 1 de julho de 2017

O amor é mais forte que a morte vocês diziam
Mas a vida é mais forte que o amor e
A indiferente mais forte que a vida — A vida
Minha ou sua e nossa de alguma maneira
É em conjunto a única seqüência de
metamorfoses
(O neotênico converte-se em herói sexuado
Depois no barrigudo careca que apodrece como
um deus)
E banhos-duchas no Letes todos os meses
Lutos laqueados, renascimentos frágeis,
amnésias
E um velho mudo dentro de nós há tanto
tempo
Sobrevive sem dor ao ossuário das crianças
(45° Oeste 60° Norte)
.
L’amour est plus fort que la mort disiez-vous
Mais la vie est plus forte que l’amour et
L’indifférente plus forte que la vie – La vie
Mienne ou tienne et nôtre en quelque manière
Est ensemble la seule séquence de
métamorphoses
(Le néoténique se mue en héros à sexe
Plus tard en ventru chauve pourrissant comme
un dieu)
Et bains-douches au Lhété tons les mois
Deuils laqués, renaissances frêles, amnèses
Et un vieillard muet en nous depois longtemps
Survit sans douleur au charnier des enfants
(40° Ouest 60° Nord)

– Michel Deguy, {tradução Marcos Siscar}. em “A rosa das línguas”. [organização e tradução de Paula Glenadel e Marcos Siscar]. São Paulo: Cosac & Naify; Rio de Janeiro, 7 Letras; 2004.

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