sexta-feira, 30 de junho de 2017

A decisão de Marco Aurélio confirma a tese de que o PSDB segue ileso. O mais problemático é que mostra o quanto o STF é uma instituição seletiva. Suas decisões apenas ratificam o comportamento de uma elite que está também envolvida nos processos que alimentam uma República do privilégio, da impunidade, quando se trata principalmente de envolvidos em crimes pertencentes a fatia mais rica deste país. O STF age de acordo com os interesses da classe que representa. Crimes de colarinho branco quase sempre que foram e chegaram a ser julgados por esta corte foram absolvidos. Esta é uma corte que envergonha o país. Se alguém ainda acha que a saída desta crise e a justiça virá desta corte está completamente enganado. Desde que começou a operação Lava Jato, alguém sabe me informar quantos foram condenados pelo STF? O STF é um corte de privilégios, que alimenta, por suas práticas, injustiças sociais e desigualdades, além de práticas criminosas por sujeitos envolvidos em atos ilícitos. Esta é a corte que condena, provavelmente, alguém ao roubar alimento; e muito provavelmente não condenará aquele que trafica pasta base em aviões. A justiça tem partido e assume posturas condizentes com os valores da classe que representa. A justiça não é neutra e muito menos imparcial. O STF é a corte que tem legitimado práticas e os cortes promovidos por um governo envolvido em diversos atos de corrupção.

Marciano Monteiro
Uma das funções da Justiça é personificar o sentimento de frustração da sociedade. Quando a Justiça inocenta alguém que juramos ser culpado, essa suposta culpa passa para um segundo plano. Já não mais dizemos "aquele criminoso merece cadeia", mas sim "essa é a Justiça desse país", ou "juiz comprado", entre outros maldizeres. O sentimento acusador fica difuso, perde força. O crime que antes víamos com clareza se torna quase uma miragem. O dedo que apontava para o investigado, denunciado ou réu, passa a ser direcionado para a Justiça. Vale dizer, para o nada, já que a Justiça é uma entidade distante em tudo, inclusive nas roupas que usa e na língua que fala. Eis mais um motivo para Aécio e Rocha Loures brindarem o dia de hoje com seus vinhos preferidos.

Marcelo Amorim

1934: Regime nazista começou a intervir na Justiça




No dia 5 de dezembro de 1934, Hitler mandou fechar as secretarias estaduais da Justiça, iniciando a perseguição dos juristas e a imposição dos ditames nazistas.


 Deutschland Richter am Volksgerichtshof Hitlergruß (picture-alliance/akg-images)
A transformação da Justiça liberal e soberana da República de Weimar em instrumento dos detentores do poder do Terceiro Reich começou logo depois que os nazistas assumiram o governo alemão. A perseguição de juízes de origem judaica e funcionários do Judiciário foi apenas o começo.

No dia 22 de abril de 1933, o advogado Hans Frank foi nomeado "comissário do Reich para a submissão da Justiça nos Estados e para a renovação da ordem de Direito". Uma de suas primeiras medidas atingiu os representantes do próprio Judiciário, substituindo as associações existentes pela Aliança dos Juristas Nacional-Socialistas Alemães.

O controle da Justiça pelo regime de Hitler visava principalmente os juízes, que a partir deste momento tinham que representar a causa nazista. Grande parte dos juristas, cuja maioria era de origem burguesa conservadora, adaptou-se aos ditames do governo. Mesmo assim, houve muitas demissões, perseguições e proibições de exercer a profissão por motivos políticos e racistas.

Direito instrumentalizado pela repressão

Apenas os homens possuíam permissão para trabalhar no aparelho do Judiciário. Para as mulheres, a atividade profissional no setor virou tabu. A ordem jurídica do Estado foi adaptada às imposições nazistas e Hitler era o líder supremo de um sistema que alegava defender "a ordem, o Direito e a liberdade". O Direito acabou virando instrumento de repressão contra as minorias étnicas e a oposição.

A prova de força decisiva aconteceu em junho de 1934, quando Adolf Hitler decidiu acabar radicalmente com o poder da SA (Sturmabteilung). A tropa de choque organizada e comandada por Ernst Röhm era uma espécie de força paramilitar privada de Hitler.

Para tranquilizar as Forças Armadas, preocupadas com o poder paralelo, Hitler concordou com a eliminação de Röhm e de seus principais auxiliares no massacre que ficou conhecido como "a noite dos longos punhais".

No final do ano de 1935, estava encerrado o processo de vinculação da Justiça ao Estado nazista. Ainda em 1934, havia sido criado em Leipzig o Volksgerichtshof (Tribunal Popular), que se tornou um importante instrumento de terror na Segunda Guerra, a partir de 1939.


1934: Hitler manda executar Ernst Röhm
No dia 30 de junho de 1934, foi preso Ernst Röhm, um ex-colaborador de Hitler. Ele queria transformar a SA (Tropa de Assalto) num exército, sob seu poder. 

Autoria Sabine Kinkartz (rw)


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1920: Nacional-socialistas criam tropa de segurança


A tropa de segurança do NSDAP (Partido Nacional Socialista Alemão dos Trabalhadores) foi criada no dia 12 de novembro de 1920, transformando-se mais tarde na SA (Seção de Assalto) da organização.

Seção de assalto, suporte do terror nazista

Gritando palavras de ordem, uniformizados e usando coturnos pesados, os integrantes da tropa de segurança do NSDAP (Partido Nacional Socialista Alemão dos Trabalhadores, o partido nazista) marchavam pelas ruas das cidades alemãs. Na sua maioria, eram recrutados entre os jovens desempregados, para os quais a nova República de Weimar não tinha mais qualquer sentido.

A Alemanha tinha sido derrotada na Primeira Guerra Mundial. O desemprego era catastrófico. Quinhentos quatrilhões de marcos estavam em circulação, mas as pessoas não tinham dinheiro suficiente no bolso – nem mesmo para comprar manteiga para o pão.

A situação era propícia para um demagogo como Adolf Hitler, que pôde facilmente incutir nos jovens inseguros e insatisfeitos a sua ideologia, da mesma forma como os convencia a vestir as camisas marrons, que tinham sido o uniforme das tropas imperiais alemãs na África oriental. A tropa de segurança do NSDAP foi criada no dia 12 de novembro de 1920, transformando-se mais tarde na SA (Seção de Assalto) da organização.

"Camaradas, agora vamos juntar até a última força. O coração tremendo, o peito erguido, o punho cerrado, o sangue fervendo. O ódio e a raiva nos movem. Nós temos de vencer. O inimigo tem de ser derrotado. Nós nos mantemos coesos: homem por homem", ditava o juramento de lealdade dessa tropa armada de combate, segurança e propaganda.

Assembleias em cervejarias

O berço da posterior organização de massa nazista foi Munique. O partido de Adolf Hitler começou a promover assembleias cada vez mais concorridas nas cervejarias da cidade. E, como os outros partidos, necessitava de uma tropa de segurança para fazer frente aos que perturbavam as reuniões. Desde o seu início, a SA foi um dos suportes do terror nazista. Tumultos, agitações de caráter antissemita, badernas na rua e em espaços fechados, lutas contra comunistas e social-democratas e até homicídios eram as armas da organização.

Conluios entre membros da SA e criminosos eram fatos corriqueiros. Em 1930, um líder da organização, Horst Wessel, frequentador assíduo da zona de prostituição de Berlim, foi assassinado a tiros durante uma briga. A SA aproveitou a situação, transformando-o em mártir: "Vamos vingar a morte do nosso Horst Wessel e de todos os que eles tiraram de nossas linhas de combate. Que seu espírito nos guie, para que possamos conseguir aquilo pelo qual eles deram suas vidas."

Em 30 de janeiro de 1933, o dia em que o idoso presidente Paul von Hindenburg passou o poder para as mãos de Adolf Hitler, 300 mil homens usavam as camisas marrons da SA. Daí em diante, o número de membros da organização cresceu vertiginosamente. Mais de quatro milhões de pessoas passaram, com o tempo, a fazer parte da maior organização de massa do Terceiro Reich.

Último líder ativo na política até 1961

Seu tempo de glória, no entanto, já havia passado. Depois que o novo regime se estabeleceu, as camisas marrons tornaram-se uma pedra no caminho dos governantes nazistas. Hitler queria demonstrar seriedade e tentava aproximar-se dos conservadores.

Nesse contexto, não era adequada uma tropa de assalto, que dizia palavras de ordem do tipo: "Mesmo que o inimigo ainda reaja de forma feroz e busque ajuda até do diabo; mesmo que ele se contorça como uma cobra, cuspindo veneno. Nós não nos deixamos enganar: a tempestade começa, o dia amanhece. Milhões de homens, que querem vencer ou morrer, apresentam-se armados para entrar em ação."

Em 1934, Hitler mandou executar o líder da organização, Ernst Röhm. A partir de então, a SA passou a exercer apenas um papel secundário no sistema nazista. Seu último líder, Wilhelm Schepmann, escapou de uma condenação pela Justiça alemã do pós-guerra. Como muitos outros colaboradores menores do regime nazista, ele acabou trabalhando, discretamente, para o governo de Konrad Adenauer, o primeiro eleito democraticamente na Alemanha do pós-guerra.

Talvez Schepmann acreditasse que tinha razão. Pois, afinal, tinha obrigado seus correligionários a jurar: "Então vai chegar de novo o dia da liberdade, em que um novo povo ressurgirá. Canções alemãs ecoarão e as terras alemãs serão libertadas." Ele atuou como político regional do partido BHE, que representava os alemães expulsos da Europa oriental, e só se retirou da política no ano de 1961, quando as críticas a seu passado se tornaram públicas e veementes.

1933: Aprovação da Lei Plenipotenciária
A 23 de março de 1933, o Reichstag aprovou a Lei Plenipotenciária, com a resistência dos social-democratas. Com ela, o regime nazista pôde impor leis sem aprovação prévia do parlamento. Era o início da ditadura.  
1934: Hitler manda executar Ernst Röhm
No dia 30 de junho de 1934, foi preso Ernst Röhm, um ex-colaborador de Hitler. Ele queria transformar a SA (Tropa de Assalto) num exército, sob seu poder. 
1936: Abertura dos Jogos Olímpicos de Berlim
No dia 1º de agosto de 1936, o líder nazista e chanceler do Reich, Adolf Hitler, abria oficialmente os Jogos Olímpicos de Berlim. 
1938: Noite dos Cristais
Em 9 de novembro de 1938, nazistas à paisana mataram 91 judeus, incendiaram 267 sinagogas, saquearam e destruíram lojas e empresas da comunidade e iniciaram o confinamento de 25 mil judeus em campos de concentração. 
1939: Primeiro atentado contra Hitler
No dia 8 de novembro de 1939, Hitler escapou por pouco de um atentado que matou oito pessoas. 
1942: Tropas alemãs invadem o sul da França
A 11 de novembro de 1942, alemães e italianos invadiram o território francês, quebrando o armistício de 1940. Um dia antes, Hitler havia em vão convidado a França a lutar contra ingleses e norte-americanos. 

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Autoria Gerda Gericke (sv)
Redação DW Brasil

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1942: Resistência antinazista "Rosa Branca" distribui panfletos




A partir de 27 de junho de 1942, nas caixas de correio de grandes cidades do sul da Alemanha e da Áustria, começaram a ser distribuídos panfletos contra o regime nazista pelo movimento de resistência "Rosa Branca".

 Os irmãos Hans e Sophie Scholl fundaram o movimento de resistência Rosa Branca
Hans e Sophie Scholl, fundadores do movimento de resistência Rosa Branca
O Rosa Branca (Weisse Rose), atuante em Munique e em Hamburgo, foi o movimento de resistência de jovens alemães mais conhecido durante o Terceiro Reich. Seu núcleo era formado por universitários de 21 a 25 anos de idade, entre ele os irmãos Hans e Sophie Scholl, Alexander Schmorell, Willi Graf e Christoph Probst.
Os panfletos, que começaram a ser distribuídos nas caixas de correio de intelectuais dos grandes centros na Baviera e na Áustria, condenavam a resistência passiva contra a guerra e a opressão intelectual pelos nazistas. Os textos revelavam o alto nível cultural de seus redatores e apelavam a valores religiosos.

Nos quatro primeiros panfletos, distribuídos entre 27 de junho e 12 de julho de 1942, foram usados em profusão trechos apocalípticos da Bíblia. Os dois últimos folhetos, entretanto, tiveram um estilo completamente adverso. Em linguagem direta, apresentavam planos concretos para a Alemanha pós-guerra, dirigindo-se a todas as camadas da população.

Primeira derrota chocou a população alemã

A morte de 300 mil alemães na batalha de Stalingrado, em fevereiro de 1943, representou uma reviravolta na Segunda Guerra Mundial. A primeira derrota alemã alimentou a resistência em todas as cidades europeias ocupadas pelos nazistas e ao mesmo tempo chocou a população do país.

Willi Graf, Alexander Schmorell e Hans Scholl passaram a noite pichando Abaixo Hitler e Liberdade nas paredes da universidade e de prédios vizinhos. O grupo Rosa Branca aproveitou a ocasião, publicando um novo panfleto. A estratégia era redigir os textos em máquinas de escrever, copiá-los e enviá-los pelo correio a partir de cidades diferentes.

Descobertos enquanto depositavam suas mensagens nos corredores do prédio principal da Universidade de Munique, os irmãos Hans e Sophie Scholl foram presos pela Gestapo, a polícia política de Hitler.

Junto com Christoph Probst, foram julgados no dia 22 do mesmo mês. Em pouco mais de três horas de julgamento, foram condenados à morte e executados no mesmo dia. Os demais membros do grupo de resistência Rosa Branca de Munique foram executados após julgamentos sumários, entre abril e outubro de 1943.

Mais indignação que ideologia

O objetivo dos panfletos era abalar a confiança dos alemães no Führer, despertar ao menos um mínimo de dúvidas sobre a veracidade da propaganda feita pelo regime e alimentar eventuais células de resistência no próprio povo alemão. O movimento surgiu menos de uma ideologia política e mais da indignação com a forma como os alemães aceitavam o nazismo e a guerra feita em seu nome.

A coragem dos membros do Rosa Branca ficou conhecida em toda a Alemanha ainda no decorrer da Segunda Guerra. O escritor Thomas Mann reconheceu seus méritos publicamente, num pronunciamento transmitido pela BBC no dia 27 de junho de 1943. Reproduções do último panfleto da resistência estudantil, feitas na Inglaterra, foram jogadas pelos aviões britânicos sobre território alemão.

Durante o segundo semestre de 1943, a Gestapo descobriu em Hamburgo um grupo de resistência que divulgava os panfletos do movimento de Munique. Dos 50 participantes, oito universitários foram condenados à morte: Hans Konrad Leipelt, Greta Rothe, Reinhold Meyer, Frederick Gaussenheimer, Käte Leipelt, Elisabeth Lange, Curt Ledien e Margarete Mrosek.


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1934: Hitler manda executar Ernst Röhm



O capitão Ernst Röhm, organizador da tropa de assalto SA (Sturmabteilung) do partido nazista, não imaginava qual seria seu destino após cair em desgraça com Hitler. O Führer havia decidido matá-lo.
Faltando apenas um dia para o fim das férias coletivas dos integrantes da SA, o próprio chanceler alemão deu início ao massacre de seus ex-aliados, num episódio de incrível brutalidade e traição que ficou conhecido como a Noite dos Longos Punhais.

Röhm, um típico representante da chamada "geração perdida" da Primeira Guerra Mundial, acreditava no ideário nazista quando aderiu ao partido em 1918. Logo no ano seguinte, passou a integrar o privilegiado grupo de amigos pessoais de Hitler.

Ferido três vezes na Primeira Guerra Mundial, lembrava com nostalgia da camaradagem dos soldados nas frentes de batalha. A isso, adicionava-se uma porção de energia criminosa, disfarçada sob a máscara de um nacionalista revolucionário.

Treinos na Bolívia

Ele demonstrava um desprezo profundo pelo que chamava de "farisaísmo e hipocrisia burguesa". Nos primórdios do movimento nazista, revelara-se um organizador talentoso, atraindo um grande número de adeptos para o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores da Alemanha (NSDAP).

Em 1924, elegeu-se para o Reichstag (Parlamento) pelo Partido Liberal Popular Alemão e foi encarregado de organizar o batalhão nazista Frontbann. A partir de 1928 passou dois anos treinando soldados na Bolívia e, em 1930, foi nomeado para o posto de comandante da SA.

Röhm transformou a SA – inicialmente uma espécie de força paramilitar privada de Hitler – numa milícia popular formada por combatentes de rua, capangas e arruaceiros. Do seu ponto de vista, foi "bem sucedido": o número de integrantes da SA subiu de 70 mil para 170 mil em apenas 18 meses.

As fileiras da milícia eram engrossadas, principalmente, por desempregados, mas eram recrutados também ladrões e assassinos. Para Ernst Röhm, esse "exército plebeu" era o núcleo do movimento nazista, "a encarnação e garantia da revolução permanente", baseada no "socialismo de caserna" que ele experimentara durante a Primeira Guerra Mundial.

De fato, a SA desempenhou um papel decisivo na ascensão de Hitler entre 1930 e 1933, através da intimidação de adversários políticos.

Mas em 1933, quando já contava com milhões de integrantes, a organização passou por uma pequena decepção. Seus líderes, que aspiravam à supremacia dos quartéis sobre a classe política, irritavam-se com a crescente burocratização do movimento nazista.

O sonho de Ernst Röhm era ser o comandante supremo de uma enorme força armada, resultante da fusão da SA com o exército regular. Hitler seria então "apenas" o chefe político.

Como comandante da SA, ministro sem pasta e secretário estadual na Baviera, Röhm ocupava cargos de destaque no final de 1933, mas desperdiçou todos os seus trunfos.

Empecilho aos planos de Hitler

Ele se opunha ao plano de Hitler de realizar uma revolução sob o manto da legalidade e passou a falar publicamente de um iminente golpe de Estado. Sua demagogia populista era rejeitada pela classe média e preocupava os militares e industriais, que formavam a base do regime nazista. A reivindicação de Röhm de transformar a SA numa milícia autônoma alarmou os generais, indispensáveis para os planos de longo prazo de Hitler.

Como o chanceler demorasse a agir, o Exército lhe deu um ultimato, dizendo que, se uma medida enérgica não fosse tomada, um golpe de Estado militar tiraria os nazistas do poder. Foi aí que Hitler decidiu liquidar "Röhm e seus rebeldes".

Sem a menor suspeita da chacina que estava sendo tramada, Röhm foi preso na noite de 30 de junho de 1934 num hotel junto ao lago Tegernsee (Baviera), onde festejava com outros líderes da SA.
Levado para a prisão de Stadelheim, negou-se a cometer suicídio e foi fuzilado dois dias depois. Na chamada Noite dos Longos Punhais, os nazistas executaram sumariamente 85 pessoas, muitas delas sem qualquer ligação com Röhm.

Oficialmente, o governo alemão alegou que a SA estava preparando um golpe contra o Reich. Na prática, porém, Hitler concretizava apenas mais uma de suas estratégias de poder: após o massacre, ele não tinha mais rivais e podia celebrar o domínio absoluto sobre o partido nazista.

Data 30.06.2017

Autoria Doris Bulau (gh)

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O próximo passo é Rocha Loures, Aécio e Temer pedirem vultosas indenizações por terem suas límpidas imagens de pessoas idôneas, com morais ilibadas e reputações irrepreensíveis atingidas levianamente no episódio das malas ! Com esse judiciário devem receber muitos milhões de compensações por terem seus direitos de roubarem sido questionados momentaneamente. Agora todos ministros do STF e todos políticos do governo golpista podem usufruir suas deliciosas e luxuosas férias de julho, quase sempre em boas companhias empresariais, em viagens, resorts, condomínios e ambientes caríssimos, no país e no exterior, gastando as polpudas remunerações obtidas do extrativismo estatal semestral, enquanto milhões de trabalhadores brasileiros se consomem com salários miseráveis, em ônibus lotadíssimos de passagens caríssimas, nas pobres periferias miseráveis e violentas, tudo sob a guarda e jurisdição desses podres poderes políticos e jurídicos hereditários. Gira mundo.

RCO

sábado, 24 de junho de 2017

RECEITA INFALÍVEL


1. Fale sobre matar alguém antes que este alguém pense em delatar
2. Peça dinheiro sujo a um mega empresário - em malas de dinheiro previamente preparadas
3. Utilize um parente, de preferência um primo, para pegar o dinheiro sujo
4. Use a própria irmã como testa de ferro de crimes múltiplos
5. Faça tudo isso e de preferência com gravações da áudio e vídeo que circulem por todo o território nacional
Quem cumprir com essa receita poderá dormir tranquilamente e ser absolvido de forma sumária no Senado Federal.
Este país de Aécio, Cunha e Temer virou de fato um pária internacional.

Diogo Costa
Não há nada mais raso que o homem bem-sucedido. Ele tem dinheiro, ele tem um Camaro na garagem, ele tem fotos de Istambul, Qatar e Orlando no seu Facebook. Ele só não tem profundidade. Quando abre a boca só sai vantagens. Pois pra ele a vida se resume a acumular milhas, mulheres e vantagens. Ele nada sabe dos lobos que uivam. Ele nada sabe da solidão das estrelas. Ele nada sabe dos mistérios da vida. Pra ele a vida é só epiderme. Só aquilo que pode ser fotografado e postado. Só aquilo que pode ser acumulado e contabilizado. Não, não há nada mais raso que o homem bem sucedido. Comparável a ele só mesmo a mulher bem-sucedida.

OLW
As Ordenações já afirmavam que pessoas do estatuto de Aécio não podem mesmo ser presas assim. O que define poder e prisão no Brasil são os capitais sociais familiares e sua genealogia. Quem os têm não vai preso com muitos motivos e quem não os têm vai preso sem nenhum motivo. Enquanto o Brasil continuar nessa lógica do "Antigo Regime", esses absurdos de castas e classes do passado continuarão a condenar os indivíduos independentemente de provas ou méritos.

RCO

quinta-feira, 22 de junho de 2017

O que é que a esposa do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a secretária de Estado e primeira-dama do Estado do Paraná, o presidente anterior da Sociedade Rural Brasileira e os maiores latifundiários devastadores da Amazônia possuem em comum ? Luzia Helena Junqueira Pamplona Skaf, Fernanda Vieira Richa, Gustavo Diniz Junqueira e os Junqueira Vilela são descendentes da família Junqueira, originalmente de Minas Gerais, se espalhando por São Paulo e pelo país. Mais uma das inúmeras e típicas genealogias da classe dominante rural brasileira do século XVIII. Eu calculei, no meu doutorado, cerca de 500 dessas famílias históricas derivadas do período colonial em todo o Brasil. Observem que atravessam todas as regiões, indústria e agricultura, política e empresariado, público e privado, moderno e arcaico, ao incorporarem ao seu "ethos e habitus de classe" os imigrantes ascendentes, no caso da imigração libanesa (Skaf e Richa). Atuam dos bairros mais ricos de São Paulo até as fronteiras do desmatamento e das condições análogas à escravidão da Amazônia. Boa parte da elite empresarial e política brasileira ainda reproduz os velhos valores golpistas da classe dominante tradicional pela sua cultura política, práticas e casamentos.


RCO

sábado, 17 de junho de 2017

não se constroem nada num cemitério...

Jessica Alves __________________Te amo Lula, e pt, mas precisamos de um projeto novo de pais. Precisamos de uma ação direta, e que todas as decisões sejam debatidas por toda a população. Não adianta nada vocês entrarem lá pra ter que dançar a musica da corrupção, ter que fazer coligação com partidos conservadores e levar um governo neoliberal centrista. Seu mandato foi um grande passo no caminho da verdadeira independência, porque foram anos de muito investimento em educação. Parabéns!

Jose Luiz da Filho_______________ Jessica, acontece que em lugar nenhum do mundo , nem da história , a política foi feita de cima para baixo.Quando acontece é porque acontece duas coisas: uma indiferença brutal da sociedade em relação ao seu próprio destino , junto com a crença de que só votar define o papel de toda sociedade.Um projeto para o país , necessariamente tem que abarcar o maior numero de atores possíveis ,independentes das ideologias envolvidas.O que deve unir é projeto que coloque o país num rumo de auto-desenvolvimento e seja qual grupo ideológico que vier a controlar o executivo,tenha que seguir aprofundando este projeto.O que acontece no brasil é quase uma sala de jantar no inferno de dante : em nome de um ódio construído em cima do pt ,onde integram pessoas da própria sociedade( irmãos, amigos, inimigos,vizinhos e etc...) permitem se se destruir todos os processos de identidade nacional e internacional que o governo lula e Dilma ,estavam construindo, em nome a um ódio ao pt, as pessoas estão indo a rua, agora ruminando em casa e entre amigos,permitindo todo um desmonte de um país que estava crescendo e favorecendo a todo o cidadão brasileiro (seja lá o que esse termo defina) e tudo isso ostentado sem nenhum projeto de construção de país, mesmo de um ponto de vista conservador.Na verdade a maioria silenciosa do povo brasileiro , estão assistindo bestializadas o enterro de qualquer sonho possível de existir nas décadas vindouras qualquer país decente,sequer soberano.Assistimos assombrados os atores destas tragédias sendo reverenciados como heróis.É importante ressaltar, que não se constroem nada num cemitério...



Teoria da conspiração? Não. Apenas a verdade que a matrix não quer que você veja.


Por Thomas de Toledo:

Quando se observam os golpes de Estado mundo afora, nota-se uma engenharia padrão que começa com protestos difusos e termina com a "mudança de regime". Por detrás deles, estão sempre os Estados Unidos, seus serviços de inteligência (CIA e NSA) e a mala preta bilionária do NED, que financia a oposição. Foi assim nas "revoluções coloridas" de leste europeu, na "primavera árabe". Depois em Honduras, Paraguai e Brasil, combinando o parlamento e o judiciário. Na Síria e na Venezuela, apesar dos fracassos golpistas, a luta se radicalizou. Agora, os Estados Unidos lançam uma operação ousada contra a Rússia. As associações com o Brasil são inevitáveis, vide que até o símbolo do movimento é um pato amarelo. Como em qualquer lugar, os Estados Unidos fabricam seus títeres​. Na Rússia, apostam numa liderança no estilo Macri-Macron-Dória, um blogueiro que como a cubana imperialista Yoanne Sanchez, recebe dinheiro para promover a desmoralização do próprio país. Para realizar esse tipo de golpe, é preciso ter o controle da mídia e das redes sociais para fabricar a narrativa oficiosa. Derrubar o governo é apenas o primeiro passo. Precisa-se, em seguida, controlar os recursos locais através das privatizações e ocupar o território com a construção de bases militares. Segue no alvo todos os países que outrora os Estados Unidos chamavam de "eixo do mal" e aqueles de economia emergente. No entanto, se acha que tudo não passa de conspiração, conheça os documentos dos Estados Unidos que clamam pelo "Full Aspect Dominance", ou "Dominação de Aspecto Total". Leiam as denúncias de Snowden e Assange. Comparem os padrões repetidos em diferentes países e a quais interesses os golpes atendem. Só assim ficará claro que já vivemos uma guerra mundial de 4a geração, na qual se tenta instaurar uma ditadura militar planetária sob o comando estadunidense, para atender aos interesses do grande capital financeiro internacional. Aqueles que têm no topo os 8 homens que sozinhos têm metade da riqueza mundial, mas ainda querem mais.




1773: O Edito da Tolerância da czarina russa


A tolerância a todas as religiões, prevista pelo edito de 17 de junho de 1773, na Rússia, é a imagem de uma monarquia esclarecida e moderna.


Catarina II, a Grande, considerada símbolo do despotismo esclarecido
Catarina 2ª influenciou os rumos da história russa como ninguém. Levando à frente a política expansionista de Pedro, o Grande, esta filha de príncipes alemães transformou a Rússia na maior potência da Europa Oriental. Influenciada pelos pensadores iluministas da Revolução Francesa, Catarina, "a déspota esclarecida", conduziu uma série de reformas na política interna russa.

A 17 de junho de 1773, tornou público seu Edito da Tolerância, que instituiu a liberdade religiosa. Leitora de Montesquieu e Voltaire, a monarca procurava passar uma imagem moderna. Catarina reformou o sistema de educação, dinamizou a vida cultural e atraiu colonos alemães para a região próxima ao Rio Volga. Durante seu reinado, São Petersburgo transformou-se numa das cidades mais bonitas da Europa.

A imperatriz ficou conhecida pela sua perspicácia política e extrema ganância pelo poder. Vários de seus amantes, pertencentes aos círculos nobres russos, tentaram influenciá-la. Em 1762, Catarina conspirou contra seu próprio marido, Pedro 3º, tendo assumido o trono a seguir. O assassinato do czar não foi ordenado por ela, embora nada conste que Catarina tenha feito algo para impedir o fato. Após a morte de Pedro, nenhum obstáculo impediu o domínio absoluto da monarca.

Discípula dos iluministas franceses

Catarina conduziu duas guerras vitoriosas contra o Império Otomano e anexou parte da Polônia à Rússia, que cresceu assustadoramente durante seu reinado.

Ao contrário do que pregava sua imagem de discípula dos iluministas franceses, Catarina governou com punhos de ferro. Apesar de alguns sinais de modernização, suas reformas não trouxeram mudanças essenciais para o conjunto da sociedade russa. Sob seu domínio, as desigualdades sociais tornaram-se ainda mais gritantes.

O regime de servidão foi expandido até a Ucrânia e a política oficial deixou os servos à mercê da nobreza. A rebelião dos agricultores, em protesto contra as condições de miséria absoluta em que viviam, foi sufocada por Catarina no ano de 1774, à custa de muito sangue. O líder da revolta foi executado em praça pública. Além disso, os propósitos da czarina de descentralizar a administração não foram levados à frente.
Voltaire, no entanto, persistiu como um dos grandes admiradores da monarca, alimentando a ilusão de que ela seria a grande defensora dos direitos dos súditos, em nome do Iluminismo. A intenção da imperatriz de realizar uma reforma na legislação foi suficiente para o filósofo francês acreditar que Catarina promovia uma verdadeira revolução iluminista na Rússia.

Um reinado contraditório

A czarina usou de suas boas relações com Voltaire, que se tornou um aliado para seus planos e feitos, enquanto Diderot, que Catarina tentava também convencer de suas boas intenções, não se deixou levar.
O reinado de Catarina foi, em suma, bastante contraditório. Seu Edito da Tolerância, que proibia perseguições religiosas, foi aplicado apenas à parte da Igreja russa ortodoxa, que em meados do século 17 havia se separado oficialmente da Igreja estatal.

Enquanto isso, sob os domínios de Catarina, os judeus foram confinados à parte ocidental do território russo, na distante anexada Polônia. Ritos religiosos judaicos passaram a ser aceitos somente dentro das fronteiras deste território demarcado. A partir de 1791, formaram-se verdadeiros guetos na região.

Também a política expansionista e a ganância pelo poder absoluto da czarina eram contrárias às ideias de Voltaire e do Iluminismo francês. Mas foi exatamente por sua personalidade extremamente ambígua que Catarina, a Grande, tornou-se uma das figuras mais importantes da política mundial.

Autoria Barbara Fischer (am)


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sexta-feira, 16 de junho de 2017

1958: Execução do então primeiro-ministro húngaro Imre Nagy


No dia 16 de junho de 1958 foi executado o primeiro-ministro da Hungria, Imre Nagy. Durante a Revolução Húngara de 1956, ele defendeu a autonomia do país em relação à União Soviética e reformas democráticas.


Nascido em 7 de junho de 1896, o húngaro Imre Nagy participou do movimento revolucionário camponês em seu país, antes de emigrar para a União Soviética em 1929, onde viveu muitos anos.

Em 1944, ingressou no Politburo do Partido Comunista e, de volta à Hungria, assumiu o Ministério da Agricultura, realizando uma reforma agrária radical. Por simbolizar o "novo rumo" do socialismo humano, foi nomeado primeiro-ministro em 1953. Mas ocupou o cargo por pouco tempo: dois anos mais tarde, era derrubado pelos stalinistas.

Estudantes nas ruas

No início de 1956, o presidente soviético Nikita Kruchov condenou os métodos stalinistas, reacendendo as esperanças de maior autonomia nos países do bloco. Os trabalhadores poloneses começaram a protestar. Em solidariedade, estudantes húngaros saíram às ruas em 23 de outubro, derrubando uma enorme estátua de Stalin durante os protestos.
O protesto estudantil desembocou numa rebelião popular contra a ocupação soviética da Hungria. Até as Forças Armadas e a polícia participaram das manifestações. Com a revolução nas ruas, o governo caiu, e Nagy foi recolocado no cargo de premiê. Ele reconheceu a revolução no dia 28 de outubro, formou um governo suprapartidário e passou a defender uma democracia parlamentar e a neutralidade política para a Hungria.

Exército Vermelho reimpõe Pacto de Varsóvia

No começo de novembro, Nagy abriu as fronteiras, extinguiu a censura e anunciou a saída da Hungria do Pacto de Varsóvia, a aliança militar dos países do bloco comunista durante a Guerra Fria. Nesse momento, as tropas da repressão soviética já estavam a caminho de Budapeste. János Kádár, primeiro-secretário do PC húngaro e membro do gabinete de Nagy, começou a negociar com Moscou, revogando os poderes do primeiro-ministro.

A resistência contra o Exército Vermelho durou dois dias e custou a vida de 3 mil pessoas. Em 7 de novembro, Kádár chegou a Budapeste como novo chefe de governo. Nagy e alguns assessores e ministros fugiram para a embaixada da Iugoslávia, onde passaram três semanas cercados por tanques soviéticos. Eles só deixaram a embaixada porque Kádár prometeu que não haveria punição.

A promessa não se cumpriu. Nagy foi preso pela KGB e deportado para a Romênia, por se negar a renunciar ao cargo que ocupava em Budapeste. Num processo sumário, ele e alguns ministros foram condenados e executados em 16 de junho de 1958.

Para que ninguém o venerasse na sepultura, foi enterrado em sigilo. Imre Nagy só foi reabilitado em 1989, após o fim do regime Kádár.

Autoria Gábor Halázs

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1907: Criação da Corte de Haia



No dia 15 de junho de 1907, a segunda Conferência da Paz de Haia decidiu instaurar uma corte permanente para ajudar na resolução de conflitos internacionais.

Palácio da Paz, sede da corte

Já em 1899 o czar Nicolau 2° da Rússia havia convocado 26 países para uma conferência em Haia. Nesta Primeira Conferência da Paz, ele sugeriu a criação de uma corte arbitral, que mediaria conflitos antes que os países pegassem em armas. Neste sentido, uma "corte permanente" assume seus trabalhos em 1902. Mas ela seria insuficiente.

Somente na segunda Conferência da Paz em Haia é que foi decidida a criação de uma instância jurídica superior, que impusesse sentença aos acusados.

O tribunal seria constituído de juízes que representariam os diferentes sistemas jurídicos do mundo. Sua tarefa seria resolver conflitos entre países, baseando-se nos princípios do Direito Internacional.

A conferência de 1907 teve a participação do brasileiro Rui Barbosa, que em virtude de seu pronunciamento em defesa dos direitos dos países menores, propondo a igualdade entre todas as nações, ganhou o apelido de "Águia de Haia".

Criação da Corte Internacional de Justiça

Os trabalhos foram suspensos durante a Primeira Guerra Mundial, sendo retomados em 1922, ano de criação da Liga das Nações. Depois da Segunda Guerra Mundial, a Liga deu lugar à Organização das Nações Unidas, e em 1946 a Corte Internacional de Justiça foi integrada à ONU.

Os temas que ocupam a corte são tão amplos que atingem desde questões legais da ocupação do espaço sideral até a exploração do mar profundo, sem contar a quantidade de leis que regulam o comércio, o transporte e as comunicações internacionais. O tribunal também ocupava-se do julgamento de criminosos de guerra, mas estes ganharam um novo fórum, o Tribunal Penal Internacional (TPI), empossado em março de 2003.

Autora: Catrin Möderler (rw)


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1946: Fim da Liga das Nações


No dia 18 de abril de 1946, foi dissolvida formalmente a Liga (ou Sociedade) das Nações. Surgida em consequência dos horrores da Primeira Guerra Mundial, na prática ela deixara de existir alguns anos antes.


A dissolução da Liga das Nações, no dia 18 de abril de 1946, não passou de uma formalidade. Na prática, ela deixara de existir alguns anos antes. Além disso, a Organização das Nações Unidas (ONU) já havia iniciado suas atividades a 24 de outubro de 1945, como organismo sucessor da Liga.

A Liga (ou Sociedade) das Nações surgiu em consequência dos horrores da Primeira Guerra Mundial e foi a primeira tentativa de consolidar uma organização universal para a paz. Acreditava-se que futuros conflitos só poderiam ser impedidos se fosse criada uma instituição internacional permanente, encarregada de negociar e garantir a paz. O principal precursor da ideia fora o presidente norte-americano Woodrow Wilson (1856–1924).

Proposta do presidente dos EUA

Em janeiro de 1918, Wilson apresentou uma proposta de paz revolucionária, contida em 14 pontos: exigência da eliminação da diplomacia secreta em favor de acordos públicos; liberdade nos mares; abolição das barreiras econômicas entre os países; redução dos armamentos nacionais; redefinição da política colonialista, levando em consideração o interesse dos povos colonizados; e retirada dos exércitos de ocupação da Rússia.

Pretendia também a restauração da independência da Bélgica; restituição da Alsácia e Lorena à França; reformulação das fronteiras italianas; reconhecimento do direito ao desenvolvimento autônomo dos povos da Áustria-Hungria; restauração da Romênia, da Sérvia e de Montenegro, assim como o direito de acesso ao mar para a Sérvia; reconhecimento da autonomia da Turquia a abertura permanente dos estreitos entre o Mar Negro e Mediterrâneo; independência da Polônia; e criação da Liga das Nações (League of Nations).
Após complicadas negociações, sobretudo com a França, que exigia da Alemanha reparações de guerra, foi aprovada em Paris uma versão reformulada do programa de 14 pontos, em 28 de abril de 1919. O estatuto da Liga das Nações foi assinado a 28 de junho do mesmo ano, como parte do Tratado de Versalhes, firmado com a Alemanha. A primeira conferência da nova organização, fundada pelos 32 países vencedores da Primeira Guerra Mundial, foi realizada em 1920, em Genebra.

Razões do fracasso

A Liga das Nações, porém, fracassou por defeitos de origem. Não dispunha de um poder executivo forte, nem contava com representantes da União Soviética e dos Estados Unidos – a nação de seu idealizador. O governo de Moscou não era aceito, e Washington não ingressou na organização por rejeitar o Tratado de Versalhes. Mesmo nos melhores tempos, o número de membros não passou de 50. Já em 1923, tornou-se evidente a fraqueza da Liga, quando os franceses invadiram a região alemã da Renânia, para cobrar reparações de guerra.

Um dos poucos êxitos da organização foi o pacto de segurança firmado entre Alemanha, França, Grã-Bretanha e Bélgica, além da resolução diplomática de alguns conflitos internacionais. Genebra, porém, nada pôde fazer para impedir a crise econômica mundial, no final da década de 20. A miséria geral impulsionou as forças nacionalistas que se opunham ao Tratado de Versalhes.

A invasão da Manchúria pelo Japão, em 1931, foi uma prova do fracasso da Liga das Nações. Condenado um ano e meio depois pelo ato de agressão, o Japão abandonou a organização. A Alemanha seguiu o mesmo caminho a 14 de outubro de 1933. Adolf Hitler, interessado apenas em armar seu país, usou uma série de pretextos para abandonar a conferência de desarmamento e ridicularizar a Liga das Nações.

As invasões da Abissínia pela Itália, em 1935, e da Finlândia, pela União Soviética, em 1939, revelaram que a Liga das Nações não passava de uma organização de fachada. Seu último ato foi expulsar a URSS, que havia sido admitida como membro em 1934. A esta altura, porém, a Segunda Guerra Mundial já estava a pleno caminho, o que frustrou de vez as intenções pacifistas dos idealizadores da Liga das Nações.

Autoria Oliver Ramme (gh)


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1920: Primeira assembleia da Liga das Nações


Em 15 de novembro de 1920, foi realizada em Genebra a primeira assembleia-geral da Liga das Nações – a precursora da ONU – com a presença dos representantes de 42 países.


Impedir as guerras, assegurar a paz, dialogar em vez de atirar, negociar em vez de matar – este era o objetivo principal da Liga das Nações, que se reuniu pela primeira vez no dia 15 de novembro de 1920. Havia terminado pouco antes a Primeira Guerra Mundial, que trouxera fome, sofrimento e destruição.

Em janeiro de 1919, as potências vencedoras do conflito reuniram-se em Versalhes, perto de Paris, para negociar um acordo de paz. Um dos pontos do amplo tratado referiu-se à criação de um grêmio internacional, cujo papel seria o de assegurar a paz.

Foi mais fácil falar do que fazer. O idealizador da Liga das Nações foi o presidente americano Woodrow Wilson. E exatamente os Estados Unidos não puderam participar da agremiação, pois o projeto do seu presidente não obteve a aprovação da maioria de dois terços do Congresso americano. Os republicanos temiam as consequências de uma tarefa de policiamento internacional para os EUA.

Alemanha não foi aceita

Tampouco a União Soviética, recém-fundada, quis participar da Liga das Nações. A Alemanha, clara derrotada da Primeira Guerra Mundial, não foi aceita: as potências vencedoras decidiram que o país teria, primeiro, de provar que merecia filiar-se à organização internacional.

O então ministro alemão do Exterior, Ulrich Graf von Brockdorff-Rantzau, ficou indignado com a decisão: "Os crimes na guerra podem ser imperdoáveis, mas eles ocorrem em busca da vitória, por preocupação com a subsistência nacional, numa paixão que torna insensível a consciência dos povos. Somente se as portas da Liga das Nações estiverem abertas a todos os países de boa vontade é que o objetivo será atingido. Somente assim, os mortos da guerra não terão dado as suas vidas em vão".

Durante seis anos, o governo da Alemanha lutou pela filiação à Liga das Nações. Não tanto para defender a paz e a compreensão dos povos, mas sim para atingir uma revisão dos Tratados de Versalhes, nos quais estava fixado, entre outras coisas, quantos milhões de marcos a Alemanha teria de pagar às potências vencedoras como reparação de guerra. E que o país não poderia mais produzir ou adquirir material bélico. Só em 1926, o país ingressaria na Liga das Nações.

A Liga das Nações obteve êxito especialmente no setor social. Ela se engajou de maneira efetiva pela melhoria das condições de trabalho, deu apoio aos países economicamente mais fracos, criou em Haia a Corte Internacional de Justiça e cuidou do problema dos refugiados. Mas a Liga fracassou inteiramente no tocante à garantia da paz mundial. Em 1932, deveria ser realizada uma grande conferência de desarmamento, com a participação dos EUA e da União Soviética.

Esperança de bom senso

O então chanceler alemão Hermann Brünning, extremamente pressionado pelos nazistas liderados por Adolf Hitler, ainda alimentava esperanças de uma vitória do bom senso: "Pela primeira vez na história, os governos se veem aqui confrontados com a tarefa inevitável de criar um plano sensato, justo e amplo para um completo desarmamento e de assegurar o seu cumprimento."

Mas o sonho não se realizou. Quando a conferência finalmente aconteceu, em 2 de fevereiro de 1933, Adolf Hitler já estava no poder na Alemanha há três dias. Ele queria a guerra e buscou um pretexto para fazer com que a conferência fracassasse: "Se o mundo decidir que determinadas armas terão de ser inteiramente destruídas, nós estaremos dispostos a abrir mão delas. Mas, se o mundo aceitar estas determinadas armas em alguns países, não estaremos dispostos a deixar-nos excluir, como um povo com emancipação limitada".

Em outubro de 1933, a Alemanha retirou-se da Liga das Nações e deu andamento à sua política armamentista, sem qualquer controle estrangeiro – tomando rumo direto à catástrofe da Segunda Guerra Mundial. Ainda no mesmo ano, o Japão seguiu o exemplo da Alemanha. A Itália retirou-se da organização em 1937. A Liga das Nações tornou-se assim um "tigre de papel", que se dissolveu após a fundação da ONU – Organização das Nações Unidas.

Autoria Gerda Gericke (am)


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Matéria da Gazeta do Povo ridicularizando pesquisas na área de sociologia e, principalmente, antropologia.


Ridicularizando por que? apenas pelos títulos serem incomuns ou realmente não compreendidos pelo autor da matéria.
Por exemplo "A estética Funk Carioca: criação e conectividade em Mr. Catra". Esta tese de doutorado fala sobre socialidade, criação do social no Rio de Janeiro. Não é importante saber como, numa sociedade complexa como o Rio, se cria vida em um segmento da população? Eu tenho certeza que esse foi um investimento público muito bem feito.
Fui pesquisar o Lattes do Gabriel de Arruda Castro, o sujeito tem um mestrado em Administração pela University of Pennsylvania e NENHUMA publicação científica. NENHUMA!
Desculpe, mas o sujeito avaliou as pesquisas pelos títulos, não leu. MAS, se tivesse lido também não seria capaz de avaliar a qualidade científica dos trabalhos. Não possui nenhum tipo de formação acadêmica nas áreas de sociologia e antropologia. Administração??? sério! Que vergonha Gazeta do Povo! que vergonha!



 Simone Frigo 
No que se refere a politica tudo é possível e ,num "governo " de gangsteres tudo é passível, inclusive usar os instrumentos do estado para calar a ministra do Supremo, pior, fazê-la elogiá-lo, sabe-mo-lo os brasileiros o quão podre é essa administração e seu capo, que usa o recurso público que nega aos servidores públicos para comprar favores dos parasitas do parlamento. Que um ministro do supremo se presta a advogar em beneficio do golpista mor e depois , como juiz desconsidera as provas e como Minerva mantem o criminoso solto, aliás como soltara outros de menor calibre. Estamos vivendo num estado kafkiano e anômico.

Wilson Roberto Nogueira