quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Soneto

De Eugénio de Castro


Tua frieza aumenta o meu desejo:
Fecho os meus olhos para te esquecer,
Mas quanto mais procuro não te ver,
Quanto mais fecho os olhos mais te vejo.

Humildemente, atrás de ti rastejo,
Humildemente , sem twe convencer,
Enquanto sinto para mim crescer
Dos teus desdéns o frígido cortejo.

Sei que jamais hei de possuir-te, sei
Que outro, ditoso como um rei,
Enlaçará teu corpo em flor.

Meu coração no entanto não de cansa:
Amam metade os que amamcom esp´rança,
Amar sem esp´rança é o verdadeiro amor.


                

síndrome de Ford


Tentei aprender tudo que me ensinaram
mas do pouco que foi dito
foi difícil demais de engolir

quero ir bem além dos horizontes fechados
das mentiras e propagandas enlatadas
dos modismos massificados

fast food, Ford e Hollywood
não tem nada a ver
seus brinquedos não me iludem
sua venda não me cega não!!!

Nenhum punhado de moedas
irá comprar minha mente
nem as promessas vazias
dos santos fabricados
conseguirão comprar minha alma
ninguém me envenena não!!!

corromperam o i ching
do preto e do branco
formaram matizes de um mundo
mudo e acinzentado
mas eu sei bem de que lado estou

vivo em um mundo paranóico
cercado de exércitos, bombas e fome
misérias, fortunas e favelas

lado a lado a razão e a loucura
como o óleo e a água
agitadas na mesma garrafa

paredes invisíveis separam as massas
em tribos e castas, cores e raças
dentro deste mundo cheio de mundos

eu sou o neurótico, passional e inconstante
Lunático, utópico , insano e sonhador

pode ser que eu seja
mas minha alma não esta a venda
enxergo através da venda
e da cortina de fumaça
das linhas de produção de mentalidade.

Elcyr Carreira da Costa  

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contos, crônicas, poesias e artes plásticas
prestigie essa literatura, leia um artista que
faz arte por amor a arte e ao poder da arte

beijo do vagabundo


BELLA CONTRARIADA



Noche de dolor
Noches de lágrimas
Amarguras templadas
Falsas sonrisas tendidas
Llantos llenando cantaros
Requiebres desdibujando
Rostros desencajados
La bella anegada en lo insólito
Calles distracciones fingidas
Oscuridad trágame ¡ya ya ya!
Zapatos por la borda huyéndose
Un cuerpo y las sabanas húmedas
¡No de amor sólo de llantos!
Inverosímil tan joven y guapa
Graciosa pero huérfana de amor
Solitaria en el concierto de tangos
Yendo su cuerpo por el boulevard
Su mente en el espacio nebuloso
Dejando ir su figura al vaivén de la noche
Frunciendo su piel en su cara opacada
Ni en la tristeza ella pierde el brillo
Ese el de su rostro que sobrevive
Pero la duda carcome su firmeza
¡No encuentra explicación a la desdicha!
Yo desde este sitio le persigo asombrado
¿Por qué un ser tan bello solitario?
¡No atisbo más sólo absorto quedo!
Y ella transitoria - me digo sigue-
¡Quizás no por mucho tiempo!
Es un sueño tan sólo un sueño
Ella virara hacia su horizonte
¡Un chispazo de pronto y ahí el amor!
Le atrapara sin el menor chance…

Guevarachamorrojoseabraham@


A MOÇA DO CEMITÉRIO



Em Porto Alegre, num ponto de taxi que fica na rua Otto Niemayer, esquina Cavalhada, às vezes aparece uma moça loira, lindíssima, usando sempre um vestido vermelho, muito bonito e chamativo. E sempre à noite. Ela toma um taxi e manda tocar para um lugar qualquer que passe pelo cemitério da Vila Nova mas, ao passar por este, ela simplesmente desaparece! Vários motoristas porto-alegrenses, muitos dos quais vivos até hoje, transportaram a moça-fantasma e repetem a mesma história.



Jones De Oliveira Borges            Fonte: Lendas gaúchas

O Lago Morto


Emily Brontë
(Tradução de Lúcio Cardoso)

O lago morto, o céu cinzento ao luar;
Pálida, lutando, coberta pelas nuvens,
A lua;
O murmúrio obstinado que cochicha e passa
(Dir-se-ia que tem medo de falar em alta voz).

Tão tristes agora,
Recaem sobre meu coração,
Onde a alegria morre como um rio deserto.

Minhas pobres alegrias...
Não as toqueis,
Floridas e sorridentes.


Lentamente, a raiz acaba de morrer.

Pastoral



Quando, por demasia,
a saudade de Jonathan me perturba
eu vou pra roça.
Nas ruas de café,
entre canas de milho e folhas de bugre lustrosas,
sua presença anímica me acalma.
O cheiro dele é resinas, sua doçura,
escondida em cupins, cascas de pau,
mel que nunca provei.
Meu coração implora à ordem amorosa do mundo:
vem, Jonathan. E aparece um besouro
com o mesmo jeito dele caminhar.
Descubro que passarinhos
só fazem o que lhes dá gosto
e me incitam do bambual:
Você também, pequena mulher,
deve cumprir seu destino.
Há um sacramento chamado
da Presença Santíssima, um coração
dizendo o mesmo que o meu:
vem, vem, vem.
Conheci a cólera de Deus,
agora, seu vigilante ciúme.
Até a raiz das touceiras,
até onde vejo e não vejo,
rastro imperceptível de formigas,
Ele, Jonathan, e eu,
faca, doçura e gozo,
dor que não deserta de mim.




 Adélia Prado 

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

1945: Fundação do FMI e do Banco Mundial


Em 27 de dezembro de 1945, foi assinada em Bretton Woods a ata de criação do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, instituições com papéis e perfis de financiamento distintos.

  
As tropas aliadas mal haviam desembarcado na Normandia quando, a 30 de junho de 1944, dois trens especiais dirigiram-se para Bretton Woods, no estado norte-americano de New Hampshire. Vindos, um de Washington, outro de Atlantic City, eles traziam a bordo 730 renomados politólogos, economistas, líderes políticos e altos funcionários governamentais de 45 países. Entre eles, também o famoso economista britânico John Maynard Keynes.

O presidente norte-americano Franklin Roosevelt reservou o grande Mount Washington Hotel e entregou aos participantes do encontro a tarefa de elaborar uma nova ordem econômica mundial para o período do pós-guerra.

Keynes não conseguiu impor sua proposta de que se criasse uma união monetária dos países industrializados da época. Em vez disso, o resultado foi a fundação do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, como sugerido pelo subsecretário de Finanças dos Estados Unidos, Harry Dexter White.

Em 27 de dezembro de 1945, foram assinadas as atas de criação dos dois organismos. Juntamente com suas instituições afiliadas, o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird), pertencente ao Banco Mundial, tornou-se o principal órgão de financiamento dos chamados países em desenvolvimento.

Já o FMI ficou responsável pela estabilidade do câmbio e manutenção dos acordos monetários. Mais tarde viria a receber também a incumbência de combater a pobreza no Terceiro Mundo, o que marcaria uma mudança em sua política e também na relação entre ele e o Banco Mundial.

Ajuda desenvolvimentista é tarefa central

Na verdade, o combate à pobreza no Terceiro Mundo, ou seja, a ajuda ao desenvolvimento, é a tarefa central do Banco Mundial, através da Associação Internacional de Desenvolvimento (AID). Os países mais pobres recebem dela até empréstimos de longo prazo sem juros. Nesses casos, o Banco Mundial não só financia como também avalia a orientação desenvolvimentista das medidas planejadas.

Com seu fundo fiduciário, o Bird também é a instituição-chave, em se tratando do perdão das dívidas para os países mais pobres. Enquanto o Banco Mundial capta a maior parte de seus recursos no mercado financeiro internacional, o FMI se mantém com as contribuições de seus países-membros, calculadas com base nos respectivos poder econômico e intensidade de relações de comércio exterior.

A cooperação no âmbito do FMI objetiva criar condições para um crescimento equilibrado do comércio e da economia mundiais. Focaliza especialmente a superação e, se necessário, financiamento de déficits na balança comercial, a garantia de relações cambiais ordenadas e a harmonização da política econômica entre os países-membros.

Em situações de crise, o FMI tem a função de um corpo de bombeiros. Foi esse o caso na crise da dívida externa da América Latina, no início da década de 1980, na crise asiática do final dos anos 1990, ou em resposta à crise econômica global em 2008.

Autoria Karl Zawadzky (gh)


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quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Há umas duas semanas envolvi-me em uma pequena polêmica com um fervoroso católico.



Ele dizia que a inquisição ocorreu SEM o conhecimento do Vaticano - ou, pelo menos, sem a aquiescência papal. Desafiou-me a mostrar minhas fontes e ainda perguntou a qual inquisição eu referia-me, à católica ou à protestante.

Foi um desafio interessante. Eu não conhecia a expressão "inquisição protestante", de modo que foi um verdadeiro aprendizado. Da mesma forma, fui atrás de fontes sobre a inquisição católica - outro verdadeiro aprendizado.

Após estudar esses temas, fiquei chocado: é espantoso, é escandaloso que alguém possa dizer, com seriedade, que o Vaticano não conhecia e/ou não autorizava o funcionamento da Inquisição, fosse em sua versão original, do século XII, fosse em sua versão absolutamente fanática, do século XV.

Desde o início o papado apoiou e incentivou a inquisição. É claro que diferentes papas conferiram diferentes ênfases ao tribunal, em alguns casos restringindo sua ação - mas em outros casos estimulando-a.

O sinal mais simples de que o papado apoiava a inquisição é o fato de que o mais ativo iniciador do tribunal criou uma ordem religiosa e depois foi santificado: Domingos de Gusmão, depois São Domingos, fundador dos frades pregadores, ou dominicanos. Aliás, os mais furiosos e fanáticos diretores da inquisição espanhola eram dominicanos (como Torquemada e seu sucessor).

Dito isso, não sei o que precisamente há por trás da afirmação inicial de que o papado não apoiava a inquisição. Seria um desejo de "inocentar" a igreja católica? De diminuir suas responsabilidades? De transferir a atenção de seus crimes e seus fanatismos, do catolicismo para os protestantes (que, de fato, não ficaram atrás dos católicos, embora sejam bem menos conhecidos)?

Em todo caso, não me parece haver aí desconhecimento ou ignorância; o que parece haver é desinformação, isto é, o desejo consciente de propagar informações erradas. Isso é muito sério e preocupante.

(Uma estratégia semelhante pode ser vista da parte justamente de um dos mais ativos denunciadores atuais da desinformação esquerdista - Olavo de Carvalho. Aliás, desinformação com prepotência.)

Gustavo Biscaia de Lacerda



Quando os cientistas políticos dizem que criamos no Brasil uma plutocracia política nas últimas décadas

Quando os cientistas políticos dizem que criamos no Brasil uma plutocracia política nas últimas décadas, isso fica mais claro nos gráficos ao lado. Trata-se da média e do intervalo de 95% de IC (o que exclui os outliers que distorcem a média) do patrimônio declarado por todos os candidatos que disputaram as últimas três eleições nacionais (2006, 2010 e 2014). As médias estão separadas entre candidatos derrotados e eleitos.
Perceba que em 2006 o patrimônio médio dos derrotados fica abaixo de R$ 1 milhão e dos eleitos acima de R$ 1,5 milhão. O intervalo entre os dois grupos se cruza, ou seja, os derrotados mais ricos tinham o mesmo patrimônio que os eleitos mais pobres.
Isso deixa de acontecer em 2010, quando o patrimônio médio dos derrotados mantém-se abaixo de R$ 1 milhão. Mas a média dos eleitos se aproxima de R$ 2 milhões e os intervalos já não mais se tocam. E em 2014 há o grande salto. Os derrotados continuam abaixo de R$ 1 milhão de média de patrimônio e os eleitos quase chegam a R$ 3 milhões, com uma variação maior. Apesar disso, os intervalos se distanciam ainda mais.
Se considerarmos a inflação do período (os valores são os declarados em cada ano eleitoral), é provável que o valor médio do patrimônio dos derrotados tenha caído.
Também é preciso considerar que a melhor qualidade nos controles da justiça eleitoral possa ter "estimulado" os candidatos a fazerem declarações de bens mais "precisas". No entanto, isso parece não valer para os derrotados.
É minha gente, criamos uma geração de políticos ricos com mais mandatos. E Políticos com mandato cada vez mais ricos.
Isso explica muita coisa, viu.


Emerson Urizzi Cervi

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Al nacimiento de Cristo


Repastaban sus ganados
a las espaldas de un monte
de la torre de Belén
los soñolientos pastores,

alrededor de los troncos
de unos encendidos robles,
que, restallando a los aires,
daban claridad al bosque.

En los nudosos rediles
las ovejuelas se encojen,
la escarcha en la hierba helada
beben pensando que comen.

No lejos los lobos fieros,
con los aullidos feroces,
desafían los mastines,
que adonde suenan, responden.

Cuando las escuras nubes,
de sol coronado, rompe
un Capitán celestial
de sus ejércitos nobles,

atónitos se derriban
de sí mismos los pastores,
y por la lumbre las manos
sobre los ojos se ponen.

Los perros alzan las frentes,
y las ovejuelas corren
unas por otras turbadas
con balidos desconformes.

Cuando el nuncio soberano
las plumas de oro descoje,
y enamorando los aires,
les dice tales razones:

«Gloria a Dios en las alturas,
paz en la tierra a los hombres,
Dios ha nacido en Belén
en esta dichosa noche.

»Nació de una pura Virgen;
buscalde, pues sabéis donde,
que en sus brazos le hallaréis
envuelto en mantillas pobres».

Dijo, y las celestes aves
en un aplauso conformes
acompañando su vuelo
dieron al aire colores.

Los pastores, convocando
con dulces y alegres voces
toda la sierra, derriban
palmas y laureles nobles.

Ramos en las manos llevan,
y coronados de flores,
por la nieve forman sendas
cantando alegres canciones.

Llegan al portal dichoso
y aunque juntos le coronen
racimos de serafines,
quieren que laurel le adorne.

La pura y hermosa Virgen
hallan diciéndole amores
al niño recién nacido,
que Hombre y Dios tiene por nombre.

El santo viejo los lleva
adonde los pies le adoren,
que por las cortas mantillas
los mostraba el Niño entonces.

Todos lloran de placer,
pero ¿qué mucho que lloren
lágrimas de gloria y pena,
si llora el Sol por dos soles?

El santo Niño los mira,
y para que se enamoren,
se ríe en medio del llanto,
y ellos le ofrecen sus dones.

Alma, ofrecelde los vuestros,
y porque el Niño los tome,
sabed que se envuelve bien
en telas de corazones.

 LOPE DE VEGA


Biblioteca Digital Ciudad Seva

Liberdade


(Tradução de Carlos Drumonnd de Andrade e Manuel Bandeira)
Nos meus cadernos de escola
Nesta carteira nas árvores
Nas areias e na neve
Escrevo teu nome
Em toda página lida
Em toda página branca
Pedra sangue papel cinza
Escrevo teu nome
Nas imagens redouradas
Na armadura dos guerreiros
E na coroa dos reis
Escrevo teu nome
Nas jungles e no deserto
Nos ninhos e nas giestas
No céu da minha infância
Escrevo teu nome
Nas maravilhas das noites
No pão branco da alvorada
Nas estações enlaçadas
Escrevo teu nome
Nos meus farrapos de azul
No tanque sol que mofou
No lago lua vivendo
Escrevo teu nome
Nas campinas do horizonte
Nas asas dos passarinhos
E no moinho das sombras
Escrevo teu nome
Em cada sopro de aurora
Na água do mar nos navios
Na serrania demente
Escrevo teu nome
Até na espuma das nuvens
No suor das tempestades
Na chuva insípida e espessa
Escrevo teu nome
Nas formas resplandecentes
Nos sinos das sete cores
E na física verdade
Escrevo teu nome
Nas veredas acordadas
E nos caminhos abertos
Nas praças que regurgitam
Escrevo teu nome
Na lâmpada que se acende
Na lâmpada que se apaga
Em minhas casas reunidas
Escrevo teu nome
No fruto partido em dois
de meu espelho e meu quarto
Na cama concha vazia
Escrevo teu nome
Em meu cão guloso e meigo
Em suas orelhas fitas
Em sua pata canhestra
Escrevo teu nome
No trampolim desta porta
Nos objetos familiares
Na língua do fogo puro
Escrevo teu nome
Em toda carne possuída
Na fronte de meus amigos
Em cada mão que se estende
Escrevo teu nome
Na vidraça das surpresas
Nos lábios que estão atentos
Bem acima do silêncio
Escrevo teu nome
Em meus refúgios destruídos
Em meus faróis desabados
Nas paredes do meu tédio
Escrevo teu nome
Na ausência sem mais desejos
Na solidão despojada
E nas escadas da morte
Escrevo teu nome
Na saúde recobrada
No perigo dissipado
Na esperança sem memórias
Escrevo teu nome
E ao poder de uma palavra
Recomeço minha vida
Nasci pra te conhecer
E te chamar
Liberdade

Paul Eluard 

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Instituições não contam. (WGS).Percebe-se claramente dando uma zapeada pelo Facebook como o Brasil é um país com pouca tradição na defesa dos direitos fundamentais dos cidadãos, especialmente suas classes médias supostamente civilizadas. Uma evidência disso: quando os direitos fundamentais de seu adversário político são violados (seja Temer, Lula, Cabral, Aécio etc.) você apóia; quando ocorre o contrário, há a denúncia do arbítrio. Esta a meu ver é uma das principais causas de termos chegado ao Estado em que chegamos, como diria o Barão de Itararé

. O pessoal fica perdendo tempo medindo distância de capital, contando MP, lendo Regimento Interno, comentando pesquisa, contando deputado reaça, etc., quando só há uma descoberta realmente importante na ciência política moderna: os países e regiões mais democráticos, mais tolerantes, com maior IDH, qualidade de vida, mais estáveis, melhor desempenho educacional, menor índice de corrupção etc. etc., são aqueles que apresentam grandes bancadas de partidos de centro-esquerda em vários níveis de representação parlamentar (especialmente partidos social-democratas, trabalhistas e socialistas). Deve haver alguma razão para isso né, gênti, já que correlação não é causalidade...

Sérgio Braga

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

poema nos meus 43 anos

( Charles Bukowski)

terminar sozinho

no túmulo de um quarto

sem cigarros

nem bebida-

careca como uma lâmpada,

barrigudo,

grisalho,

e feliz por ter um quarto.

...de manhã

eles estão lá fora

ganhando dinheiro:

juízes, carpinteiros,

encanadores , médicos,

jornaleiros, guardas,

barbeiros, lavadores de carro,

dentistas, floristas,

garçonetes, cozinheiros,

motoristas de táxi...

e você se vira

para o lado pra pegar o sol

nas costas e não

direto nos olhos.




Figures


FIGURES (Jules Supervielle)

Je bats comme des cartes
Malgré moi des visages,
Et, tous, ils me sont chers.
Parfois l'un tombe à terre
Et j'ai beau le chercher
La carte a disparu.
Je n'en sais rien de plus.
C'était un beau visage
Pourtant, que j'aimais bien.
Je bats les autres cartes.
L'inquiet de ma chambre,
Je veux dire mon coeur,
Continue à brûler
Mais non pour cette carte
Q'une autre a remplacée :
C'est nouveau visage,
Le jeu reste complet
Mais toujours mutilé.
C'est tout ce que je sais,
Nul n'en sait d'avantage.

ROSTOS (Jules Supervielle / trad.: Carlos Drummond de Andrade)

Baralho a contragosto
Como cartas os rostos,
E todos me são caros.
Às vezes algum tomba,
Inútil procurá-lo.
Desaparece a carta.
Nada sei a respeito.
Entretanto era um rosto
Que eu amava, e tão belo.
Baralho as outras cartas.
O inquieto do meu quarto,
Ou seja, o coração,
A arder continua,
Não já por essa carta,
Por outra em seu lugar.
É um novo semblante.
E o baralho, completo,
Mas sempre desfalcado.
Eis tudo quanto sei,
E ninguém sabe mais.



segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Métricas de fator de impacto e seus efeitos. Antigamente as lideranças políticas surgiam de greves, enfrentamentos heroicos com a policia, organização das classes populares da periferia, militância em associações de classe e outras entidades naturais ou supranaturais etc. Hoje em dia, surgem de comentários e curtidas no Facebook, reverberações nas redes digitais e "presença na mídia". Resultado: em caso de exclusão de Lula, praticamente um dinossauro pelos padrões atuais, o segundo turno estará embolado entre Luciano Huck e Pedro Cardoso, com Bolsonaro e Fábio Porchat ou aquele-outro-que-esqueci-o-nome correndo por fora...

Sérgio Braga



Qualidade da democracia. Às vezes penso que o PSDB deveria deixar de ser um partido e se transformar num think thank. Isso porque o site do Instituto FHC é bem melhor que o do Instituto Lula, Lá se discute de tudo: China, feminismo, discurso do ódio, privatizações, infraestrutura, piruzaço pós-modernoso, dentre vários outros assuntos de interesse público. É claro que tudo se debate ao estilo massa-cheirosa catanhedista, mas eles não se limitam a tecer loas ao soberano, programas de sucesso da gestão PSDB como o bolsa família etc. .., e sabem como politizar o eleitor conservador inteligente.. Fica a dica para os cumpanheiro de como produzir ideologia o tempo todo sem se transformarem em doutrinadores baratos ou mascates de ilusões.
Sérgio Braga


O golpe de 2016 e o golpe de 1964 também podem ser explicados pela genealogia institucional da Faculdade de Direito da USP. Sem uma matriz de pensamento político e jurídico golpista, ainda que dissimulada e mesmo abertamente tramada nos bastidores, uma cultura golpista não pode surgir e prosperar. Michel Temer não apresenta genealogia familiar política golpista e sim uma genealogia institucional política golpista, uma genealogia em parte derivada da histórica Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, do Largo São Francisco – a Sanfran. O golpista Temer foi apenas mais um dos golpistas históricos daquela instituição, ao lado de gente como Luís Antônio da Gama e Silva, reitor da USP, ministro, redator e locutor do ditatorial Ato Institucional n° 5, em dezembro de 1968. Um dos primeiros cronistas daquele mundo jurídico, nas Arcadas, foi o próprio escritor Álvares de Azevedo, um mundo social desenhado pela pilantragem social e pelo golpismo político. A faculdade foi criada junto com a Independência e o Estado Nacional Imperial. Dos seus professores, diretores e pensadores resultam caminhos por algumas das mais profundas correntezas das famílias da classe dominante tradicional brasileira, situação observada em qualquer outra instituição brasileira tradicional de direito, muitas vezes aliando as leis, os privilégios, as falcatruas legalizadas, com o golpismo político, pelo menos uma vez a cada geração. Como pensar alguns dos egressos da Sanfran como Aloysio Nunes, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Luciano Huck e o próprio Temer sem reconhecer um padrão político, uma mentalidade baixa, certo “habitus de classe” dentro do Brasil golpista, reprodutor dos privilégios e desigualdades sociais na nossa atual lama e miséria política ? Espero que o novo diretor da Faculdade, eleito há poucos dias, Floriano Peixoto de Azevedo Marques Neto, possa superar um pouco da cultura político-jurídica do golpismo naquele ambiente. Os diretores representam, em boa parte, outra aula sobre a genealogia de famílias antigas no Brasil. Eu sou parente do novo diretor pelo Capitão-Mor Manoel de Azevedo Marques, meu 6° avô e pela parentela do Visconde de Guaratinguetá, pelo ramo Oliveira Borges, de São Francisco do Sul. Um dos mais importantes diretores daquela faculdade foi o meu 4° tio-avô, Carlos Carneiro de Campos, 3° Visconde de Caravelas, de modo que não podemos pensar e entender essa instituição, sua cultura política, suas mazelas, que são as mazelas estatais do Brasil, sem o conhecimento crítico das genealogias.

RCO


sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Todo apoio aos técnicos e servidores ! Todos devem lutar agora pela universidade !

Nunca vi nenhum honrado dirigente universitário democraticamente eleito trair o seu compromisso com os princípios e bases da universidade pública. Nenhum reitor, diretor, chefe ou gestor anterior, desde que minimamente progressista, jamais entregou voluntariamente listas sobre participantes de movimentos grevistas em defesa das universidades. Ninguém ético e responsável deve obedecer irracionalmente ordens autoritárias e ilegítimas vindas de golpistas criminosos. Hannah Arendt já escreveu muito sobre se um gestor de boa fé deve apenas obedecer à hierarquia desconhecendo ordens da banalidade do mal, ordens ilegítimas e arbitrárias, de instâncias superiores. Negociar, sim, enfrentar, sim, dedurar, jamais. Cumprir ordens injustas e ilegítimas sem questioná-las apenas para subir na carreira burocrática, ou agradar os momentaneamente superiores, sempre terá consequências pessoais pesadas. Sempre ocorreram pressões de governos descompromissados com a educação e sempre foram derrotados no final. As universidades públicas sempre foram bastiões da mais alta qualidade acadêmica, da democracia e das lutas sociais pela inclusão. Há 35 anos como estudante e docente no sistema federal, desde a crise final da ditadura militar, conheço bem os espaços de resistência e como cientista social observo as greves, legítimas e legais, como manifestações essenciais da vida universitária contra a falta de recursos, o desmonte, a privatização e a tirania de políticos irresponsáveis em Brasília. Finalmente estamos entrando em um novo ciclo de lutas esperadas e necessárias para a sobrevivência das instituições universitárias. Quem tem mais de 20 anos de universidade se lembra do famigerado ministro Paulo Renato do impopular final de governo de FHC, do PSDB, quando Gilmar Mendes era da AGU, e como tentaram cortar o ponto de toda comunidade e quem teve que tirar habeas corpus preventivo foi o ministro tucano da deseducação. Hoje o nível da justiça brasileira é muito pior do que há 20 anos, mas as lutas e resistências ocorrerão. Vão ter que afastar todos os dirigentes democráticos de base e não terão a quem colocar nos lugares, ainda mais em um desgoverno golpista com a mais alta impopularidade e em clima de final de feira e de xepa desses golpistas. Todo apoio aos técnicos e servidores ! Todos devem lutar agora pela universidade !

RCO


1890: Criação da primeira central sindical da Alemanha


Após anos de proibição, em 1890 o imperador Guilherme 2º liberou a atividade sindical. Em 17 de novembro daquele ano, líderes operários aprovaram a criação de uma união sindical, fundada dois anos mais tarde.



No ano de 1878, o chanceler Otto von Bismarck promulgou as chamadas leis antissocialistas, após dois atentados contra o imperador Guilherme 1º e por temer uma revolução. Embora a validade dessa "lei contra os perigosos propósitos da socialdemocracia" tenha sido em princípio limitada a dois anos, sua vigência acabou por ser prorrogada diversas vezes.
Nesse período, foram proibidas também todas as atividades sindicais no país. Quem não podia ou não queria atuar ilegalmente, estava fadado ao exílio. Este foi o caso de Adolph Johannes von Elm, um exemplo típico de sindicalista social-democrata alemão do século 19. Ele emigrou para os Estados Unidos, onde viveu por 12 anos.

Fim da ilegalidade

Em 1890, a situação política na Alemanha mudou radicalmente em poucos meses. O novo imperador, Guilherme 2º, não estava mais disposto a tolerar um chanceler que pretendesse dar curso a sua própria política e promulgou, contra a vontade de Bismarck, leis de proteção ao trabalhador nos chamados Decretos de Fevereiro. Pouco depois, a 20 de março de 1890, quando a vigência das leis antissocialistas não foi mais prorrogada, Bismarck renunciou ao cargo.
Com a queda dessas leis, ficou relegado ao passado o tempo de ilegalidade dos sindicatos e das perseguições aos líderes operários. Mesmo assim, a discriminação social era grande em relação aos sindicalistas e social-democratas. Ainda no início do século 20, eles eram considerados na Alemanha "cidadãos sem amor à pátria". Apesar de sua atitude, o imperador não tinha qualquer simpatia pelo movimento trabalhista, o que ficava claro em seus pronunciamentos.

Em 1891, Guilherme 2º discursou aos recrutas de um regimento de guarda em Potsdam: "Há para vocês apenas um inimigo, e este é meu inimigo. Considerando as manobras socialistas em curso, pode acontecer que eu venha a ordenar que vocês atirem em seus parentes, irmãos ou pais. Que Deus não permita que isso aconteça, mas se for o caso vocês têm que obedecer sem reclamar".
Congresso de sindicalistas

O ano de 1890 foi o ano da arrancada da social-democracia e do sindicalismo na Alemanha. Pela primeira vez na história, sindicalistas puderam trabalhar livremente e sem medo de perseguições. Como vários outros, também Adolph Johannes von Elm voltou do exílio e retomou suas atividades políticas, tendo participado do primeiro congresso de sindicatos livres, realizado em novembro daquele ano na Alemanha.

Nos anos da ilegalidade, eram pequenas representações locais que lutavam pelos direitos dos trabalhadores. Essas associações de torneiros, marceneiros e pedreiros, entre outros, enviaram seus representantes para o primeiro congresso de sindicalistas, que aconteceu em Berlim. Também o movimento das mulheres trabalhadoras esteve presente ao encontro, através de sua representante Emma Ihrer, da cidade de Velten.

O principal ponto de discórdia girava em torno da estrutura da futura união sindical. Questionava-se se o melhor seria continuar trabalhando em pequenas associações locais de profissionais, ou se a melhor alternativa seria unir-se em uma grande organização central. No dia 17 de novembro, quando o congresso chegou a uma resolução final, os defensores da união haviam prevalecido.

A resolução definia: "Considerando que a organização local não corresponde mais às relações de produção e que a situação econômica de emergência dos trabalhadores requer a concentração de todas as forças, a conferência declara que a forma de organização centralizada apresenta-se no momento como a correta. A conferência aconselha por isso todas as associações locais a unirem-se à organização central em questão".

No entanto, a disputa entre centralistas e defensores das estruturas descentralizadas não foi com isso encerrada. Dé cadas se passaram até que fosse aceita a posição de que exatamente uma associação de trabalhadores necessita de uma união nacional forte e unida.

Para finalizar o encontro, foi formada uma comissão, que passou a ser responsável pela organização do próximo congresso: "A conferência elege uma comissão de sete membros que deverá elaborar as premissas do próximo congresso, definir seu local e data, bem como convocar os trabalhadores para dele participarem".

Entre esses sete membros, estava o representante dos trabalhadores em fábricas de cigarros, Adolph Johannes von Elm, e o presidente da Associação Nacional de Torneiros, Carl Legien, que se tornaria dois anos mais tarde presidente da primeira união sindical alemã.
LEIA MAIS

1892: Primeiro Congresso Sindical Alemão

No dia 14 de março de 1892, começou em Halberstadt, o Primeiro Congresso Sindical Alemão.
1878: A lei anti-socialista de Bismarck

No dia 18 de outubro de 1878, o chanceler imperial Otto von Bismarck aprovou uma lei proibindo os partidos social-democrata, socialista e comunista

Autoria Dirk Kaufmann (sv)


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quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Las cañas




Subías por el cañaveral
Tu cabello entrenzado
Tus ojos morunos
Tu boca de grana

Yo escondido entre las cañas
Miraba tus andares de sultana
El aire me envolvía con tu gracia sevillana
Nos abrazábamos, juntado tu mirada y mi mirada

Escondidos entre las cañas
Tus manos mis cabellos acariciaban
Yo satisfecho feliz contigo gozaba
Nuestra fuerza sexual compensada

Después nos bañábamos en el Guadalquivir
Sevilla nos embrujaba su cielo nos contemplaba
Sombreaban las cañas enamoradas
El rio alegre cantaba mientras nos acariciaba

Tú partías a tu casa tus hijos y marido te esperaban
En mi camino mis hijos aguardaban al colegio los acercaba
Así paso nuestra vida con pasión no apagada
Un día te espere con tu ausencia quede

Moría de dolor sin verte, de valor me arme
A tu casa me acerque, vestida de negro te encontré
La vergüenza me hizo bajar la cabeza
Sin palabras quede, gire la espalda, marche

Subía el sendero hacia mi casa ahogado de dolor
En la puerta, Elvira mi mujer con dulzura me abrazo
Me arrodillé y a sus pies solloce, ella me levanto
Me beso, me acompaño al portal, allí me confeso

Siempre te he amado Marcos has sido mi Dios
Mire sus ojos en lagrimados sin reproches
Los míos turbados indignos de su amor
Mi sangre negra como el carbón pedía perdón

Por la mañana me levante en el espejo me mire
Mis cabellos plateaban mis manos temblaban
Mi alma atormentada, toda una vida, Elvira engañada
Se terminó mi egoísmo era Elvira el ángel que se quedaría conmigo

Dolores Jurado 

DJ martes, 02 de agosto de 2011 9:45 h


segunda-feira, 13 de novembro de 2017

A quem representam e de quem recebem

A grande mídia brasileira recruta, produz e financia verdadeiras aberrações profissionais, políticas e éticas. Tipos como Waack e agora um tal de Mario Vitor Rodrigues, ilustre desconhecido antes de ameaçar matar Lula ! Mais um crime da mídia semanal, a mesma que premiou as aberrações do judiciário, legislativo e executivo golpistas no ano passado. Como a teoria do nepotismo sempre explica quase tudo na nefasta política brasileira, o Mario Vitor Rodrigues é neto do jornalista Nelson Rodrigues, que pelo menos foi teatrólogo iconoclasta antes de virar a múmia reacionária de que se orgulharia. Cada semana um absurdo criminoso, preconceituoso, racista, excludente, violento, vindo da mídia golpista no Brasil, uma das pérfidas colunas de sustentação do "status quo" do golpe. A velha música dos Titãs, "bichos escrotos", explica a disputa na extrema direita entre jornalistas, publicitários e gente da mídia lutando diariamente para continuarem bem remunerados no "circo dos horrores" do Brasil golpista. Eles têm a desvantagem de não poderem aparelhar o judiciário e mamarem acima do teto, nem a caneta do orçamento, como as aberrações no legislativo e no executivo, logo devem ganhar, mês a mês, semana a semana, a vida pela sua capacidade de rasgar a ética do jornalismo e da vida social, para sempre internalizarem os valores e falas dos "podres poderes", a quem representam e de quem recebem muito dinheiro.
RCO


sexta-feira, 3 de novembro de 2017

And my soul from out that shadow that lies floating on the floor shall 
be lifted - nevermore!

E a minha alma, de fora, a sombra que flutua no chão, será levantada, nunca mais!

Edgard Allan Poe

Lament for Syria

 by Amineh Abou Kerech

Syrian doves croon above my head
their call cries in my eyes.
I’m trying to design a country
that will go with my poetry
and not get in the way when I’m thinking,
where soldiers don’t walk over my face.
I’m trying to design a country
which will be worthy of me if I’m ever a poet
and make allowances if I burst into tears.
I’m trying to design a City
of Love, Peace, Concord and Virtue,
free of mess, war, wreckage and misery.

*

Oh Syria, my love
I hear your moaning
in the cries of the doves.
I hear your screaming cry.
I left your land and merciful soil
And your fragrance of jasmine
My wing is broken like your wing.

*

I am from Syria
From a land where people pick up a discarded piece of bread
So that it does not get trampled on
From a place where a mother teaches her son not to step on an ant at the end of the day.
From a place where a teenager hides his cigarette from his old brother out of respect.
From a place where old ladies would water jasmine trees at dawn.
From the neighbours’ coffee in the morning
From: after you, aunt; as you wish, uncle; with pleasure, sister…
From a place which endured, which waited, which is still waiting for relief.

*

Syria.
I will not write poetry for anyone else.

*

Can anyone teach me
how to make a homeland?
Heartfelt thanks if you can,
heartiest thanks,
from the house-sparrows,
the apple-trees of Syria,
and yours very sincerely.

https://www.theguardian.com/books/2017/oct/01/the-13-year-old-syrian-refugee-prizewinning-poet-amineh-abou-kerech-betjeman-prize

The hollow men

Somos homens vazios
Somos homens empalhados
uns nos outros apoiados
cabeça cheia de palha, ai !
Forma sem feitio, sombra sem cor,
Paralisada força, gesto sem ação...

T.S. Elliot

Passeio a primeira neve

Passeio a primeira neve,
No coração os lírios forças inflamam,
A noite fixa azul
única estrela no caminho
Não sei se luz ou trevas ?
vento ou galo vibra adágio a floresta?
Em vez talvez do inverno nos campos
Serão cisnes tingindo verdes prados
Bonito que és, branco espelho de neve !
ferve-me o sangue a leve geada.
Desejo de apertar contra a pele
O seio em carne viva das bétulas
Ò bruma espessa da floresta !
Ó fresta dos trigais em neve !
Desejo de possuir pelo braço
o selvagem quadril das tílias.

Serguei A Essênin

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Eu achava que a política era a segunda profissão mais antiga. Hoje vejo que ela se parece muito com a primeira.


Ronald Reagan
Afirma-se que o pós-modernismo tem nos Shopping Centers as suas catedrais; suas igrejas são as Bolsas de Valores; os Bancos, suas capelas. Seus rituais são os grandes , multitudinários e milhardários concertos de rock. Seu latim é o inglês. Seus celebrantes são os cantores-instrumentistas, ajudados pelos coroinhas-engenheiros de som e luz. Seus mecenas são as grandes empresas multinacionais. Seus santos são Madonna e São Michael Jackson e Santa Lady Gaga. Esperam-se milagres para santificar a padroeira dos drogados, Santa Amy do Vinho Sagrado.


Raul Machado   

CRAVEIRA



Não deixa amor que o meçam, antes mede,
Incorrupto juiz que tudo afere
Na craveira da sua desmedida.
Chamados todos somos: só elege
Quantos de nós soubermos converter
Em chama vertical a hora consumida,
Em mãos de dar os dedos de reter.

José Saramago

fragmento 166

166. (Bernardo Soares, heterônimo de Fernando Pessoa)

"Se considero com atenção a vida que os homens vivem, nada encontro nela que a diference da vida que vivem os animais. Uns e outros são lançados inconscientemente através das coisas e do mundo; uns e outros se entretêm com intervalos; uns e outros percorrem diariamente o mesmo percurso orgânico; uns e outros não pensam para além do que pensam, nem vivem para além do que vivem. O gato espoja-se ao sol e dorme ali. O homem espoja-se à vida, com todas as suas complexidades, e dorme ali. Nem um nem outro se liberta da lei fatal de ser como é. [...]

"Serei sempre, em verso ou prosa, empregado de carteira. Serei sempre no místico ou no não-místico, local e submisso, servo das minhas sensações e da hora em que as ter. Serei sempre, sob o grande pálio azul do céu mudo, pajem num rito incompreendido, vestido de vida para cumpri-lo, e executando, sem saber porquê, gestos e passos, posições e maneiras, até que a festa acabe, ou o meu papel nela, e eu possa ir comer coisas de gala nas grandes barracas que estão, dizem, lá em baixo ao fundo do jardim."


trecho do fragmento 166, do seu "Livro do desassossego", sob a alcunha de Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa:
"Não acredito em literatura latino-americana, acho este termo muito colonialista. Mas cada país do continente tem sua literatura, muito boa, por sinal."


Obs.: Quando de sua participação no júri do prêmio União Latina, em 1991. [ Jorge Amado ]

Eu, petista? Deus me livre!



O Temer baixou uma portaria que facilita o trabalho escravo, mas se você reclamar é petista. O Dória quer dar ração para crianças em creches e escolas, mas se questionar é petista. O Aécio disse que ia matar e foi salvo, mas é claro, se achar ruim é petista. As terras da Amazônia sendo entregues para os gringos e se for contra? Petista! Greve de professores? Greve dos correios? Dos bancários? Defesa da reforma agrária? Direitos das mulheres? Defesa da aposentadoria, então? Tudo petista.

Primeiro criaram o ódio ao PT, depois associaram o exercício da cidadania, o direito de questionar, de protestar e reclamar a "coisa de petista". Agora, fazem o que querem, roubam e compram deputados com bilhões e bilhões de reais do povo tranquilamente, legalizam a escravidão, perdoam dívidas de bancos e fazendeiros, entregam o petróleo, ferram com os trabalhadores sem nenhum pudor, pois no final das contas, ninguém quer ser "petista".

Diney Lenon


Acordo Sykes-Picot na origem do caos no Oriente Médio


Divisão entre franceses e britânicos de territórios do antigo Império Otomano firmada há cem anos, durante a Primeira Guerra Mundial, gerou tensões e conflitos que só se agravaram com a passagem das décadas.

Os cem anos do acordo Sykes-Picot

Há exatos cem anos, em 16 de maio de 1916, em plena Primeira Guerra Mundial, a França e o Reino Unido partilharam entre si vastas áreas do Império Otomano, já antecipando a própria vitória e sem qualquer consulta aos habitantes da região. O tratado secreto dessa partilha ficou conhecido como Sykes-Picot, em alusão aos diplomatas que o negociaram, o inglês Mark Sykes e o francês François Georges-Picot.

Aos franceses caberia um território do sudeste da atual Turquia até o Líbano, passando pelo norte do Iraque e pela Síria. Os britânicos regeriam o sul e o centro do Iraque. As terras contidas entre esses dois territórios – englobando a atual Síria, a Jordânia, o Iraque ocidental e o nordeste da Península Árabe – seriam um reino árabe sob mandato anglo-francês.

Também a Alemanha desempenhou um papel pouco louvável nessa negociata. Aliada do Império Otomano, ela queria enfraquecer por meios militares os seus inimigos na Primeira Guerra. Juntamente com o califa de Istambul, autoridade religiosa suprema dos sunitas, os alemães conclamaram os árabes à jihad, a "guerra santa" contra os britânicos.

Estes, em contrapartida, selaram uma aliança com o xarife Hussein bin Ali, segunda maior autoridade religiosa depois do califa, na qualidade de guardião das cidades sagradas de Meca e Medina, na atual Arábia Saudita.

Domínio anglo-francês sob fachada árabe

Em outubro de 1915, Henry McMahon, alto comissário da Grã-Bretanha no Egito, fez uma oferta sedutora ao xarife Hussein: se os árabes apoiassem seu país, este os ajudaria a fundar seu próprio reino. "A Grã-Bretanha está pronta a reconhecer e apoiar a independência dos árabes dentro dos territórios nos limites e fronteiras propostos pelo xarife de Meca", declarava McMahon numa carta.

A aliança foi firmada. O líder dos árabes era o filho do xarife, Faiçal bin Hussein. Apoiado pelo agente britânico Thomas Edward Lawrence – conhecido como "Lawrence da Arábia" – ele conseguiu forçar a retirada dos otomanos.

Após o fim da Primeira Guerra, a nova ordem geopolítica no Oriente Médio foi negociada na Conferência de Paz de Paris, em 1919. Engajado pela causa árabe, Faiçal comentaria: "Estou confiante de que as grandes potências colocarão o bem-estar do povo árabe acima de seus próprios interesses materiais."
No entanto, ele se enganava. A França e a Grã-Bretanha se aferraram à divisão territorial já acordada: deveria haver Estados árabes, sim, mas sob influência anglo-francesa.

Como comentou o então ministro do Exterior britânico, George Curzon, a questão era ocultar os interesses econômicos de seu país atrás de uma "fachada árabe", "governada e administrada sob direção britânica, controlada por um maometano nato e, se possível, por uma equipe árabe".


 Mapa original do acordo secreto Sykes-Picot


Novos Estados, futuros conflitos

A importância dos pactos firmados durante a Conferência de Paris foi abrangente e de longo alcance. Além de resultar na fundação da Síria e do Iraque, um mandato da Liga das Nações ratificado em 1923 confirmava a criação de um novo Estado, o Líbano.
Outro mandato previa "o estabelecimento de um Lar Nacional para o povo judaico na Palestina", base para o futuro Estado de Israel. Em Paris, Faiçal declarara: "Eu asseguro que nós, árabes, não guardamos qualquer ressentimento étnico ou religioso contra os judeus, como o que infelizmente predomina em outras partes do mundo." Contudo, essa boa vontade logo fracassaria diante de uma realidade cruel.

Também em 1923, a Grã-Bretanha separou a Transjordânia da Palestina, criando as bases para a atual Jordânia. Já em 1899 os ingleses haviam transformado o Kuwait em seu protetorado. Após o fim da Primeira Guerra, o declararam "emirado independente sob proteção britânica".

Reflexos atuais

O resultado final de tais reviravoltas geopolíticas na região foi a série de guerras e conflitos que perdura até hoje: a crescente tensão entre israelenses e palestinos, ocasionalmente explodindo em guerras; a guerra civil libanesa de 1975 a 1990; a Guerra do Golfo; os choques, igualmente com características bélicas, nos territórios curdos da Turquia e do Iraque, mais tarde também na Síria.

Tudo isso culminou na fatal invasão do Iraque pelos Estados Unidos, em 2003. A má gestão que se seguiu endureceu os fronts de caráter religioso, redundando no nascimento da organização terrorista "Estado Islâmico" (EI). Além de ocupar territórios iraquianos, o EI se alastrou para a Síria, dilacerada pela guerra civil.

A rigor, nem todos esses desdobramentos remontam exclusivamente à divisão do Oriente Médio no início da década de 1920. No entanto, nessa época foi lançado o fundamento de uma nova ordem regional que se mostrou solo fértil para tensões geopolíticas, revoltas e guerras.



1917: Apoio britânico ao movimento sionista


Na chamada Declaração de Balfour, de 2 de novembro de 1917, o governo britânico dá aos representantes do judaísmo sionista apoio para a constituição de uma "pátria nacional" judaica na Palestina.


 Frankreich Geschichte Weltkrieg Friedensvertrag von Versailles (ullstein bild - histopics)

"Caro Lorde Rothschild, alegro-me em poder comunicar-lhe, em nome do governo de Sua Majestade, a seguinte declaração de simpatia pelo movimento judaico-sionista, apresentada e aprovada pelo gabinete oficial: A construção de uma pátria para os judeus na Palestina é vista pelo governo de Sua Majestade com bons olhos.

Sua Majestade fará tudo o que for de seu alcance para facilitar os caminhos rumo a esse objetivo. Deve-se ressaltar, no entanto, que nada deve ser feito no sentido de prejudicar os direitos civis e religiosos dos povos não judeus que vivem na Palestina, ou de prejudicar os direitos e a situação política de judeus em algum outro país."

Esta carta, datada de 2 de novembro de 1917 e assinada pelo então ministro britânico do Exterior, Arthur James Balfour, prevê uma série de consequências para o Oriente Médio. Mas Lorde Rothschild e outros dirigentes da comunidade judaica, entre eles principalmente os sionistas no Reino Unido, esperavam ainda mais.

Há, no mínimo, 19 anos – desde o Congresso dos Sionistas em Basileia, em 1898 – eles ansiavam por uma promessa que assegurasse aos judeus o direito a seu próprio Estado, como havia planejado Theodor Herzl no seu livro O Estado Judeu.

Povo, não apenas comunidade religiosa

O sionismo político idealizado por Herzl partia do princípio de que os judeus são um povo e não apenas uma comunidade religiosa e de que as repetidas perseguições, pressões e desvantagens sofridas por esse povo poderiam ser evitadas com a fundação de um Estado judeu.

A localização desse Estado era ainda considerada de segunda ordem: cogitava-se a hipótese de enviar os judeus à Argentina, ou o chamado Projeto Uganda, que previa a fundação de um Estado judeu no território da Uganda, então administrado pelo Reino Unido.

Entretanto, a Palestina sempre voltava ao centro da discussão: a terra originária dos judeus, onde os representantes da comunidade judaica começaram a comprar terras e a estabelecer-se, a partir do fim do século 19. Em 1914, no início da Primeira Guerra Mundial, os judeus formavam apenas 15% da população da Palestina, na época de 690 mil habitantes. Destes, 535 mil eram muçulmanos, 70 mil cristãos e 85 mil de origem judaica.

A carta do chanceler Balfour refletia, porém, muito mais os interesses geopolíticos de Londres na região do que um apoio sem reservas do Reino Unido ao movimento sionista. A Primeira Guerra Mundial tinha eclodido, e a Inglaterra contava com o apoio dos judeus – tanto dos que viviam na Palestina, quanto dos que estavam espalhados por outros países do mundo – na luta contra o Império Otomano.

Por isso, Londres prometeu algo que não estava em condições de realizar: uma pátria para os judeus numa região que ainda não estava sob o seu controle.
Resistência palestina

A responsabilidade sobre o território palestino foi transferida para o Reino Unido somente no dia 24 de julho de 1922, sob a forma de um mandato da Liga das Nações. Parte da Declaração de Balfour pertencia ao preâmbulo do contrato que regia o mandato, o que se transformou logo num grande empecilho para a administração da região. A resistência dos palestinos árabes à imigração de judeus já tinha começado há algum tempo, crescia paulatinamente e levava, entre outros, a campanhas antijudaicas.

O Reino Unido, situado entre as duas frentes, tentava evitar a violência dos dois lados e limitar cada vez mais a imigração judaica para a região. Em 1939, ficou estabelecido que somente mais 75 mil judeus poderiam instalar-se na Palestina. Na época do Holocausto nazista, tratava-se de uma decisão completamente fora da realidade. A partir de 1944, o estabelecimento de judeus na Palestina foi oficialmente vetado, a fim de assegurar aos Aliados o apoio dos palestinos árabes na guerra.

Antes da transferência do mandato da Liga das Nações, em junho de 1922, o Reino Unido deixara claro que a Declaração de Balfour nunca fora uma resposta positiva à criação de um Estado judeu. O então ministro das Colônias, Winston Churchill, observou que a declaração não se referia a toda a região histórica chamada Palestina, mas apenas à margem ocidental do Rio Jordão (a Cisjordânia).

Churchill acentuou ainda que os ingleses nunca tinham pensado em conceder aos judeus o poder sobre os outros habitantes da região. A comunidade judaica que ali vivia deveria apenas poder desenvolver-se livremente.

Tais posições não puderam ser sustentadas por Londres durante muito mais tempo, uma vez que os conflitos entre árabes e judeus tornavam-se cada mais frequentes. Em 1947, a ONU deliberou a divisão da Palestina em dois Estados: um para os judeus e outro para os árabes. O Reino Unido abdicou do seu mandato em maio de 1948, quando foi proclamado o Estado de Israel.

Autoria Peter Philipp (sv)


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1938: Pânico após transmissão de "Guerra dos mundos"

No dia 30 de outubro de 1938, um programa de rádio simulando uma invasão extraterrestre desencadeou pânico na costa leste dos Estados Unidos.



Orson Welles ao microfone

Parecia uma noite normal naquele 30 de outubro de 1938, até que a rede de rádio CBS (Columbia Broadcasting System) interrompeu sua programação musical para noticiar uma suposta invasão de marcianos. A "notícia em edição extraordinária", na verdade, era o começo de uma peça de radioteatro, que não só ajudou a CBS a bater a emissora concorrente (NBC), como também desencadeou pânico em várias cidades norte-americanas. "A invasão dos marcianos" durou apenas uma hora, mas marcou definitivamente a história do rádio.

Dramatizando o livro de ficção científica A Guerra dos Mundos, do escritor inglês Herbert George Wells, o programa relatou a chegada de centenas de marcianos a bordo de naves extraterrestres à cidade de Grover's Mill, no estado de Nova Jersey. Os méritos da genial adaptação, produção e direção da peça eram do então jovem e quase desconhecido ator e diretor de cinema norte-americano Orson Welles. O jornal Daily News resumiu na manchete do dia seguinte a reação ao programa: "Guerra falsa no rádio espalha terror pelos Estados Unidos".

Pânico coletivo

A dramatização, transmitida às vésperas do Halloween (dia das bruxas) em forma de programa jornalístico, tinha todas as características do radiojornalismo da época, às quais os ouvintes estavam acostumados. Reportagens externas, entrevistas com testemunhas que estariam vivenciando o acontecimento, opiniões de peritos e autoridades, efeitos sonoros, sons ambientes, gritos, a emoção dos supostos repórteres e comentaristas. Tudo dava impressão de o fato estar sendo transmitido ao vivo. Era o 17º programa da série semanal de adaptações radiofônicas realizadas no Radioteatro Mercury por Orson Welles.

A CBS calculou, na época, que o programa foi ouvido por cerca de seis milhões de pessoas, das quais metade o sintonizou quando já havia começado, perdendo a introdução que informava tratar-se do radioteatro semanal. Pelo menos 1,2 milhão de pessoas acreditou ser um fato real. Dessas, meio milhão teve certeza de que o perigo era iminente, entrando em pânico, sobrecarregando linhas telefônicas, com aglomerações nas ruas e congestionamentos causados por ouvintes apavorados tentando fugir do perigo.

O medo paralisou três cidades e houve pânico principalmente em localidades próximas a Nova Jersey, de onde a CBS emitia e onde Welles ambientou sua história. Houve fuga em massa e reações desesperadas de moradores também em Newark e Nova York. A peça radiofônica, de autoria de Howard Koch, com a colaboração de Paul Stewart e baseada na obra de Wells (1866-1946), ficou conhecida também como "rádio do pânico".

Precursor da ficção científica moderna

O roteiro fora reescrito pelo próprio Welles (1915-1985). Na peça, ele fazia o papel de professor da Universidade de Princeton, que liderava a resistência à invasão marciana. Orson Welles combinou elementos específicos do radioteatro com os dos noticiários da época (a realidade convertida em relato).

Herbert George Wells, por sua vez, foi um dos precursores da literatura de ficção científica. O livro A Guerra dos Mundos, publicado em 1898, era uma de suas obras mais conhecidas, tendo Londres como cenário. Ele escreveu num estilo bastante jornalístico e tecnologicamente atualizado para sua época. A transmissão de A Guerra dos Mundos foi também um alerta para o próprio meio de comunicação "rádio".
Ficou evidente que sua influência era tão forte a ponto de poder causar reações imprevisíveis nos ouvintes. A invasão dos marcianos não só tornou Orson Welles mundialmente famoso como é, segundo cientistas de comunicação, "o programa que mais marcou a história da mídia no século 20".

Autoria Jens Teschke (gh)



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