domingo, 30 de dezembro de 2018


Luz Selene Garcia Nuñez 
            
Ya se acerca, no necesito mirar el reloj,
ni mirar al cielo para saber
que la noche se acerca.
El crepúsculo, ese hermoso momento
en que el cielo asemeja un incendio,
cuando el declive del sol en el horizonte
hace que los tonos rojos y anaranjados
predominen en el firmamento.
Como una gran explosión de color y pasión
antes de la definitiva llegada de la noche,
sólo unos instantes antes de que la luna
ejerza toda su influencia sobre mí.

Me encanta la noche, la luna y su influjo,
las estrellas como pequeños diamantes
colgados de la nada, como infinitos deseos
y sueños de los amantes.
Se acerca la hora de los sueños.
Esa hora mágica en que me dejo llevar por mis
pensamientos y ellos me llevan de nuevo a tu lado.
Ese momento en que estamos juntos de nuevo.
Ese instante en el que tus besos, tu olor y tu presencia
se hacen tan reales


               
               


A burrice no poder


"A austeridade, para quem não tenha notado, não funciona. Como diz Stiglitz, nunca funcionou. Por uma razão simples: o capitalismo, para se expandir, precisa de produtores, mas também de consumidores. No centro do raciocínio, está a ilusão de que não temos recursos suficientes para incluir os pobres. As políticas sociais e um salário mínimo decente não caberiam na economia, no orçamento, ou na Constituição, segundo os políticos. Façam um cálculo simples: o Brasil produz 6,3 trilhões de reais de bens e serviços, o montante do nosso PIB. Isso dividido por 208 milhões de habitantes nos dá um per capita de 30 mil reais ao ano, ou seja, 10 mil reais por mês por família de 4 pessoas. Isso está longe das ambições de consumo da nossa classe média alta, mas assegura, para o comum dos mortais, o suficiente para uma vida digna e confortável. Nosso problema não é falta de recursos, e sim a burrice na sua distribuição. Na fase do lulismo, a economia cresceu, sendo que a renda dos mais pobres e das regiões mais pobres cresceu mais do que a renda dos mais ricos: todos ganharam, os pobres de maneira mais acelerada, reduzindo a desigualdade. A ascensão dos pobres gerou nos ricos a reação esperada: a mesma que tiveram com Getúlio e com Jango, agora repetida com Dilma e com Lula. Reconhecer que funciona o que sempre denunciaram seria penoso demais. A burrice é muito teimosa. Portugal tem uma experiência simpática: mandou a austeridade às favas, e está indo de vento em popa. Com uma lei absurda de teto de gastos, nós institucionalizamos o aprofundamento da desigualdade. Já se notou que a austeridade recomendada é a dos pobres que têm pouco, e não a dos ricos que têm muito e ainda esbanjam?"


Ladislau Dowbor

22 de dezembro de 2018

(via Wilson Sasso)

sábado, 29 de dezembro de 2018


Descobri em data recente que existe no Brasil uma indústria muito lucrativa: Corrupção S/A. Nela a operações consistem em fingir o combate à corrupção. Só que os atos se restringem aos não sócios corporativos. Os acionistas se encontram em todos os setores do Estado e da Sociedade. Quando " o outro lado" comete deslizes, toda a companhia berra, exige punição exemplar, etc. Mas se é alguém interna corporis reina o silêncio cúmplice. A mesma indústria garante ministérios, cargos outros, verbas. E ademais prisão para os adversários. Recomenda-se ao novo ministro Guedes observar o funcionamento da tal empresa , aplaudida por juízes, promotores e tantos outros camaleões da vida pública . Corrupção S/A : uma forma de ascender social, econômica e politicamente no pobre Brasil . 

Roberto Romano



Os dias que se seguirão serão cáusticos, um caos de cadáver insepulto. A sensação que tenho é de estar num sem-tempo, num antifuturo. Contrariamente olho a minha volta café, signos pelas paredes do quarto, pilha de livros no criado-mudo, perfumes sobre a cômoda, colares pendurados na porta do armário, chapéus e travesseiros. Uma desconformidade, um incômodo desajuste entre luta-conquista-retrocesso, entre luta-liberdade-incerteza. Que tempo é esse que não se cabe nele, em que o quando é - onde?



Rita Alves


Paulo Ferraz

Em 27 de dezembro de 1938, provavelmente, morria Óssip Mandelstam, a caminho de um campo de trabalhos forçados. Segue aqui o famoso poema que está na raiz de sua desgraça, numa tradução que fiz há algum tempo (as imagens abaixo imagino que ilustrem bem o que ele passou nas mãos do Stalin):

&
Sem sentir o país sob os pés, vivemos,
Nossa fala é contida e sem extremos.
Mas onde quer que se cochiche apenas
O montês do Kremlin entrará em cena.
Seus dedos são grossas e gordas larvas
Mas certas, feito o aço, são suas palavras.
O bigode é uma risonha barata
Enquanto o brilho da bota arrebata.

Em meio a uma horda de pescoços finos,
Negaceia com favores aos cretinos.
Quem assobia, quem mia, quem choraminga,
Ele escolhe, balbucia e deixa à míngua.
Como ferraduras faz seus decretos,
Vai na virilha, no olho, no esqueleto,
Lembra execução, mas é uma festa
Que alegra seu largo busto de osseta.

Novembro, 1933




Isaura Accioli__________ O mesmo para a ditadura militar.

Claudio Daniel__________Convém situar o episódio no momento histórico: guerra civil no campo, entre as milícias de fazendeiros ricos e os comunistas, apoiados pelo Exército Vermelho; sabotagens nas fábricas, fomentadas pela oposição, cerco externo do imperialismo, e em seguida agressão nazista. Stalin teve de enfrentar a oposição interna, trotsquista e czarista, e preparar-se para a guerra externa. Óbvio que nesse contexto os opositores, poetas ou não, arcaram com a consequência de seus atos. O pulso firme de Stalin manteve o socialismo na URSS.

Раз Руха ______________a guerra civil terminou muito antes disto. o período é de coletivização forçada, camponeses exterminados em milhares; industrialização da urss por meio de uso de força de trabalho escrava = pres@s dos gulags. veja que hoje em dia, ao contrário do período soviético, é possível ter acesso às fontes históricas, à própria documentação da kgb que foi traduzida para as línguas como inglês ou francês etc. existem publicações que tratam do assunto. hoje em dia, defender o stalinismo ou é extrema ignorância, desconhecimento de fatos históricos, ou apologia aos genocídios. uma pena

Cândido Rolim__________ Stalin foi um traidor. A morte de Trotsky diz tudo

Claudio Daniel__________ Confira a outra versão, não-trotsquista, dos acontecimentos na URSS nas obras de Domenico Losurdo e Ludo Martens.

Paulo Ferraz ____________Há episódios no governo do Stalin que a própria URSS reconheceu que os limites do razoável foram ultrapassados. Não há como negar que o socialismo foi preservado, mas a que preço? Não se trata apenas do Trotsky mas praticamente todos os bolcheviques e outras tantas autoridades que pudessem de algum modo comprometer não o país mas o governo do Stalin (e aí se inclui os milhares de mortos na Ucrânia pela grande fome dos anos 30, deportações de comunidades/minorias étnicas inteiras). Minha impressão é a de que no final dos anos 30 a URSS estava fragilizada, tendo que pactar com a Alemanha e assim evitar uma derrocada. Óbvio que depois de 42 isso muda, e de algum modo devemos a paz depois de 45 ao exército vermelho. Sei lá, minha impressão é a de que um estado persecutório (e de persecutório a inquisitorial) nunca é uma boa solução.

Iuri Pereira____________ E nunca é.

Iuri Pereira _____________Você leu, claro, né Paulo?, mas vale lembrar aquele ótimo A geração que esbanjou seus poetas, do Jakobson.

Paulo Ferraz____________ Sim, Iuri, sim, é uma reflexão essencial sobre o tema, a burocracia estatal, o absurdo das perseguições, a visão tacanha do jdanovismo fez pouco caso de uma das mais importantes literaturas (e arte como um todo, né, pintores, músicos acusados de "formalistas", inimigos do povo) do século XX, nada que veio depois, com exceção de um Bulgakov, se aproxima dessa geração dos anos 10 e 20.

Paulo Ferraz ____________Conhece essa música do Shostakovitch, Iuri? É uma sátira à arte oficial da URSS

Claudio Daniel___________Sim, morreram milhares de fazendeiros ricos e suas milícias fascistas na Ucrânia. Hoje, eles estão no poder e fizeram na Ucrânia um regime neonazista.
 Revolução sem guerra civil e sem mortes não existe.

Paulo Ferraz ____________Talvez aí tenhamos que categorizar até quando vai a guerra civil e o que são fazendeiros ricos. No caso da guerra civil, em meados dos anos 20 os brancos já haviam sido vencidos, na década de 30 o processo de expurgo é dentro do próprio partido; em relação aos ucranianos, bem, fala-se em milhões de mortos, e não creio que fosse todos kulaks. No caso do Mandelstam, que sobre quem o post se referia, ele foi perseguido em razão de um poema, humilhado, torturado física e psicologicamente, foi obrigado a fazer uma ode ao Stalin para se retratar, enfim, até não suportar e morrer. Um poema, apenas um poema. E sabemos que há outros como Babel que tiveram o mesmo fim, ou o Maiakovski ou a Tzvetáieva que não suportaram ver no que seu sonho de comunismo estava se transformando. Mas enfim, debater é bom, já que podemos expor no que acreditamos.

Rubervam Du Nascimento ________Excelente tradução caro Paulo Ferraz. Importante a sua lembrança.Um poema de nossos dias. Um poema necessário para "não esquecer" que tempos piores virão. Veja a parafernália bélica q estão preparando para a posse do cara. Demonstração de força para meter medo na população tupiniquim. De quem não é idiota igual a Elles. Trata-se de uma claro aviso a qualquer tipo de resistência às atrapalhadas do "coiso", que serão muitas, não tenhamos dúvidas. Uma verdadeira merda seô, essa em q nos metemos. É triste! Como disse o Tarso, em 2019 não podemos nos dispersar.

Hilda Freitas Caramba__________ como a censura e a tortura a mordaça se emaranham



sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

El hada triste (Ozna)




Erase una vez , una hada triste, vivía en el mundo de los hielos eternos y no le gustaba, Sabía que existían lugares donde el sol brillaba cada día y donde las flores tenían los colores del arco iris.
Su corazón las añoraba a pesar de nunca haberlas visto , añoraba el calor y el color , añoraba sentir la hierba bajo sus pies descalzos, el vuelo brillante de las mariposas .
Se sentía tan infeliz que no podía pensar en otra cosa y ni siquiera salía a ver sus dominios.
Una noche en la que aún el hada no dormía , un resplandor especial apareció en el cielo , al principio era solo una pequeña mancha luminosa, que creció y creció , pronto todo el espacio se lleno de color, verdes y violetas, azules , amarillos y rojos ,se entremezclaban armoniosamente y su luz arrancaba destellos del suelo helado como de un espejo.El hada miro al cielo y vio estrellas fugaces y luceros ardiendo ,estelas de colores y nubes transparentes.
Por primera vez en mucho tiempo ,el hada se sintió feliz y entendió que aquel era su lugar ,que cada rincón del mundo contiene sorpresas maravillosas ,que le gustaba la aurora boreal y el cielo estrellado de su país de hielo
Comprendió que muchas hadas jamás verían la belleza de la que ella ahora era testigo .
Ya no sentía tristeza por no conocer el color de las flores ,ahora sabía que las estrellas fugaces son como mariposas celestes y que los cometas se llevan lejos las añoranzas de las hadas tristes.

Julia Rubiera


Bellas miradas (ozna)


Julia Rubiera

Bellas miradas que enamoran
bellas miradas que acarician
bellas miradas que dotan
a los versos de palabras
que a nuestros sueños
les concede alas
Bellas miradas que gritan
lo que nuestro silencio guarda
Bellas miradas que dan voz
a nuestra alma
De una mirada nace el amor
con la mirado besamos el corazón
acariciamos el alma
Con una mirada abonamos la tierra
de ilusión, amor y esperanza.

               

Un bello ruiseñor (Ozna)


Julia Rubiera     


En un bosque frondoso
se encontraba un bello ruiseñor
llorando por haber perdido su cante
y de pena fenecería su amada en el nido
al no escuchar sus dulces trinos

¡¡¡ hada del amor ¡¡¡
¡¡¡ apiádate de mi sufrir¡¡¡
¡¡¡ devuélveme mi melodioso trinar¡¡¡
¡¡¡ no permitas que mi amor se muera¡¡¡
¡¡¡ que mi trino es para mi amada
el más bello de los versos¡¡¡ .

La luna y las flores
enamoradas del amor
su llanto convirtieron en viento
los luceros le abrazan
concediéndole su deseo
convirtiendo lo hermoso
en eterno

Se vuelve a escuchar en el bosque
al dulce enamorado ruiseñor
regalando a su amada
su bella y dulce canción
firmando con un beso
su amor eterno .


domingo, 23 de dezembro de 2018


Cada vez que decifro uma dessas anotações,
admiro-me que um vestígio há muito desaparecido
no ar ou na água permaneça visível aqui no papel.
Naquela manhã, quando fechei cuidadosamente a capa
marmórea do diário de bordo, ponderando a
misteriosa sobrevivência da palavra escrita (...)

W. G. Sebald

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018


Escreve-se por excesso ou por lacuna. No primeiro caso, a vida extrapola a vida e é necessário pôr este plus no papel. A vida transborda e este transbordamento vira literatura. É o caso de Rimbaud, de Pagu e Oswald, dos beats... No segundo, escreve-se porque "a vida só não basta", como disse Pessoa. Nesse caso, escreve-se para se criar outros mundos ou para suprir este mundo das coisas que faltam. O melhor exemplo é o próprio Pessoa. Mas todos os românticos e os simbolistas, e boa parte dos modernos, podem ser colocados aí. A vida é pouca, é insuficiente, e se escreve para preencher esta falta, este vazio. Mas tanto num caso como no outro não há coincidência entre vida e literatura. Sempre há uma assimetria, uma não-identidade. Superávit ou déficit. A literatura nasce dessa incontornável dissonância.

Otto Leopoldo Winck

Há de chegar este dia


Na perspectiva da história de longa duração já fomos dominados por tropas de ocupação internas com forças externas algumas vezes. Somos o que somos em termos de Estado, sociedade e território com estes acontecimentos dramáticos, que sempre provocaram nossas reações e grandes saltos de qualidade e quantidade na nossa organização política. Citaria a conquista e ocupação islâmica, árabe e berbere, muito importante, provocando a Reconquista (800-1200) e a formação do primeiro Estado Medieval, o território do Ocidente Ibérico foi o primeiro espaço pós-islâmico e o protótipo de um novo Estado Etnonacional Europeu, Ibérico e Português. Outra ocupação foi a derrota em Alcácer-Quibir e a entrega de 1580, com as posteriores Guerras Holandesas e Espanholas, muito decisivas, nos séculos 17, a conquista do imenso território do Estado do Brasil reconhecido pelo Tratado de Madri, somente em 1750. Outro episódio foram as Guerras Napoleônicas, uma grande onda, a transferência da capital e da monarquia para o Rio de Janeiro, a subsequente Independência depois do lamentável fracasso do Reino Unido. Em todas as ocorrências tivemos chefes políticos e militares com apoio popular para lutas e confrontos longos, desgastantes, incorporando muito dos que nos derrotaram antes e finalmente sendo vitoriosos na derrota dos ocupantes externos e internos, mas vitórias provisórias e com ciclos de novas dependências, que somente serão quebrados com uma verdadeira libertação e emancipação, o que ainda não ocorreu. Darcy Ribeiro nos interpretava como uma "Nova Roma", saqueamos e pilhamos ameríndios, fomos o maior importador e sequestrador de seres humanos da África e somente quando os ex-escravos e seus descendentes assumirem a luta pela liberdade, igualdade e fraternidade nos tornaremos a Grande Nação, com plenos direitos humanos, sociais, políticos, educacionais, culturais e ambientais a que estamos destinados pela nossa grande e longa história no mundo. Há de chegar este dia.
Ricardo Costa de Oliveira

sábado, 24 de novembro de 2018


Na primeira fase da campanha eleitoral, o Paulo Guedes disse que privatizaria todas as estatais. Logo em seguida, depois das pesquisas apontarem que a defesa das privatizações não agradava a maioria do eleitorado, o Bolsonaro foi à publico desmentir e dizer que não privatizaria empresas públicas como o BB e a Caixa, por serem estratégicas. Foi o bastante para uma parte significativa dos funcionários destes bancos, contaminados pelo antipetismo, se alvoroçassem para defender o candidato do PSL. Nas redes sociais, as matérias publicadas pelos sindicatos alertando sobre o plano do Bolsonaro para o BB e a Caixa foram hostilizadas por empregados eleitores do Bolsonaro, que diziam: "mentira, ele não vai privatizar, já afirmou isso". Tolos. Agora, antes mesmo da posse, a verdade vem à tona: "A orientação é eficiência, enxugamento e privatizar o que for possível", disse o Rubem Novaes, futuro presidente do BB, após reunião com a equipe de transição. "Privatizar o que for possível" significa, na prática, vender o "filé mignon" das empresas. Esse é o plano das corporações que atuaram nos bastidores e agora assumirão o comando do futuro governo. Inclusive, será uma continuidade do governo Temer, como os acordos e nomeações deixam evidente. O Bolsonaro? Continuará sendo a caricatura para animar uma plateia de patetas. Os funcionários do BB e da Caixa? Serão tão descartáveis quanto os de todas as empresas privatizadas. Nós avisamos. Agora, espero que entendam o que está no horizonte e se posicionem corretamente ao lado dos sindicatos na defesa dos bancos, porque, do contrário, continuarão como coveiros de seu próprio futuro.


Do André Machado

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

NEGROS DO SUL, AQUI TAMBÉM TEM


Afro-Cena Cultura 


O racismo é um fato, em diferentes setores, camadas sociais, Estado ou Pais. Somos vitimas. Mas muitas vezes nos tornamos consequência dos nossos proprios atos. Pois agimas como racistas, sem perceber e mesmo assim afirmamos que não somos. Uma pessoa nos critica por usar black power, ou as cores da Africa do Sul ou da Jamaica. Dizem serem corres berrantes, chamativas. E quando menos percebemos la estamos nós criticando um irmão, da mesma forma, que fomos criticados, pelo fato desse irmão ter mais melaninas, o tom de pele de ser mais escuro. A partir de que tom, eu posso passar a usar a cor de roupa que eu quiser? A partir de que tom eu tenho mais direito ou menos direito? Infelizmente vivemos num pais que precisa de leis, para ditar direitos aos seus cidadãos. O que é uma vergonha em pleno século XXI! Precisamos de cotas, estatutos, lei 10639, para sanar um sangramento lastimavel. Uma ferida que ja dura séculos! Quem gosta de sentir dor? Quem gosta de não ter direitos? Quem gosta de não ter oportunidades? Você é racista? Você ja foi vitima de racismo? Qual sua opinião a respeito do racismo? Você tem medo de dar sua opinião a respeito? Vocês sabem a historia dos LANCEIROS NEGROS? O que vocês tem a dizer sobre esse fato? Como diz o comercial... A vida é feito de perguntas? Mas toda pergunta tem sua resposta! Instigue-se! Fiquem indignados! solte a voz! Baseado nessas perguntas nós da Afro-Cena lançamos em fevereiro de 2011 o curta 'UM SORRISO NEGRO' ele narra a historia de um garotinho de oito anos que não quer ser negro, porque não vê sua historia ser contada na escola. Apenas vê negros sendo surrados nas paginas dos livros. Histórias de negras que eram estupradas pelos seus senhores. Submissão. Conivencia. O curta tem 14 minutos. É um curta de muitas perguntas! As respostas estarão na sua consciência! Não contentes apenas com o curta, precisavamos de um enredo para integrar o curta ainda mais com a realidade dos dias atuais. Então idealizamos a peça 'UM SORRISO NEGRO'. Onde apresentamos a historia de um homem, um rico empresario, que por seguir as regras ditadas pelo sistema em que vivemos, acaba se distanciando da sua propria realidade, da sua propria identidade. Tornando-se um negro racista, indiferente ao seu proprio eu, sua familia e os sonhos de seu filho um estudante de cênicas e ativista do movimento negro! Até que chega o momento que esse pai é tocado, quando ele se ve diante da sua propria hitória.

UM SORRISO NEGRO

16 de setembro de 2011 

SABEM DO QUE SÃO FEITOS OS DIREITOS, MEUS JOVENS?_




Sentem o seu cheiro?
Os direitos são feitos de suor, de sangue, de carne humana apodrecida nos campos de batalha, queimada em fogueiras!
Quando abro a Constituição no artigo quinto, além dos signos, dos enunciados vertidos em linguagem jurídica, sinto cheiro de sangue velho!
Vejo cabeças rolando de guilhotinas, jovens mutilados, mulheres ardendo nas chamas das fogueiras! Ouço o grito enlouquecido dos empalados.
Deparo-me com crianças famintas, enrijecidas por invernos rigorosos, falecidas às portas das fábricas com os estômagos vazios!
Sufoco-me nas chaminés dos Campos de concentração, expelindo cinzas humanas!
Vejo africanos convulsionando nos porões dos navios negreiros.
Ouço o gemido das mulheres indígenas violentadas.
Os direitos são feitos de fluido vital!
Pra se fazer o direito mais elementar, a liberdade,
gastou-se séculos e milhares de vidas foram tragadas, foram moídas na máquina de se fazer direitos, a revolução!
Tu achavas que os direitos foram feitos pelos janotas que têm assento nos parlamentos e tribunais?
Engana-te! O direito é feito com a carne do povo!
Quando se revoga um direito, desperdiça-se milhares de vidas ...
Os governantes que usurpam direitos, como abutres, alimentam-se dos restos mortais de todos aqueles que morreram para se converterem em direitos!
Quando se concretiza um direito, meus jovens, eterniza-se essas milhares vidas!
Quando concretizamos direitos, damos um sentido à tragédia humana e à nossa própria existência!
O direito e a arte são as únicas evidências de que a odisseia terrena teve algum significado!

_(Raquel Domingues do Amaral, Juíza Federal)_

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

La mañana verde




Cuando el sol se puso, el hombre se acuclilló junto al sendero y preparó una cena frugal y escuchó el crepitar de las llamas mientras se llevaba la comida a la boca y masticaba con aire pensativo. Había sido un día no muy distinto de otros treinta, con muchos hoyos cuidadosamente cavados en las horas del alba, semillas echadas en los hoyos, y agua traída de los brillantes canales. Ahora, con un cansancio de hierro en el cuerpo delgado, yacía de espaldas y observaba cómo el color del cielo pasaba de una oscuridad a otra.
Se llamaba Benjamín Driscoll, tenía treinta y un años, y quería que Marte creciera verde y alto con árboles y follajes, produciendo aire, mucho aire, aire que aumentaría en cada temporada. Los árboles refrescarían las ciudades abrasadas por el verano, los árboles pararían los vientos del invierno. Un árbol podía hacer muchas cosas: dar color, dar sombra, fruta o convertirse en paraíso para los niños; un universo aéreo de escalas y columpios, una arquitectura de alimento y de placer, eso era un árbol. Pero los árboles, ante todo, destilaban un aire helado para los pulmones y un gentil susurro para los oídos, cuando uno está acostado de noche en lechos de nieve y el sonido invita dulcemente a dormir.

Benjamín Driscoll escuchaba cómo la tierra oscura se recogía en sí misma, en espera del sol y las lluvias que aún no habían llegado. Acercaba la oreja al suelo y escuchaba a lo lejos las pisadas de los años e imaginaba los verdes brotes de las semillas sembradas ese día; los brotes buscaban apoyo en el cielo, y echaban rama tras rama hasta que Marte era un bosque vespertino, un huerto brillante.

En las primeras horas de la mañana, cuando el pálido sol se elevase débilmente entre las apretadas colinas, Benjamín Driscoll se levantaría y acabaría en unos pocos minutos con un desayuno ahumado, aplastaría las cenizas de la hoguera y empezaría a trabajar con los sacos a la espalda, probando, cavando, sembrando semillas y bulbos, apisonando levemente la tierra, regando, siguiendo adelante, silbando, mirando el cielo claro cada vez más brillante a medida que pasaba la mañana.

-Necesitas aire -le dijo al fuego nocturno.

El fuego era un rubicundo y vivaz compañero que respondía con un chasquido, y en la noche helada dormía allí cerca, entornando los ojos, sonrosados, soñolientos y tibios.

-Todos necesitamos aire. Hay aire enrarecido aquí en Marte. Se cansa uno tan pronto... Es como vivir en la cima de los Andes. Uno aspira y no consigue nada. No satisface.

Se palpó la caja del tórax. En treinta días, cómo había crecido. Para que entrara más aire había que desarrollar los pulmones o plantar más árboles.

-Para eso estoy aquí -se dijo. El fuego le respondió con un chasquido-. En las escuelas nos contaban la historia de Juanito Semillasdemanzana, que anduvo por Estados Unidos plantando semillas de manzanos. Bueno, pues yo hago más. Yo planto robles, olmos, arces y toda clase de árboles; álamos, cedros y castaños. No pienso sólo en alimentar el estómago con fruta, fabrico aire para los pulmones. Cuando estos árboles crezcan algunos de estos años, ¡cuánto oxígeno darán!

Recordó su llegada a Marte. Como otros mil paseó los ojos por la apacible mañana y se dijo:

-¿Qué haré yo en este mundo? ¿Habrá trabajo para mí?

Luego se había desmayado.

Volvió en sí, tosiendo. Alguien le apretaba contra la nariz un frasco de amoníaco.

-Se sentirá bien en seguida -dijo el médico.

-¿Qué me ha pasado?

-El aire enrarecido. Algunos no pueden adaptarse. Me parece que tendrá que volver a la Tierra.

-¡No!

Se sentó y casi inmediatamente se le oscurecieron los ojos y Marte giró dos veces debajo de él. Respiró con fuerza y obligó a los pulmones a que bebieran en el profundo vacío.

-Ya me estoy acostumbrando. ¡Tengo que quedarme!

Lo dejaron allí, acostado, boqueando horriblemente, como un pez. «Aire, aire, aire -pensaba-. Me mandan de vuelta a causa del aire.» Y volvió la cabeza hacia los campos y colinas marcianos, y cuando se le aclararon los ojos vio en seguida que no había árboles, ningún árbol, ni cerca ni lejos. Era una tierra desnuda, negra, desolada, sin ni siquiera hierbas. Aire, pensó, mientras una sustancia enrarecida le silbaba en la nariz. Aire, aire. Y en la cima de las colinas, en la sombra de las laderas y aun a orillas de los arroyos, ni un árbol, ni una solitaria brizna de hierba. ¡Por supuesto! Sintió que la respuesta no le venía del cerebro, sino de los pulmones y la garganta. Y el pensamiento fue como una repentina ráfaga de oxígeno puro, y lo puso de pie. Hierba y árboles. Se miró las manos, el dorso, las palmas. Sembraría hierba y árboles. Ésa sería su tarea, luchar contra la cosa que le impedía quedarse en Marte. Libraría una privada guerra hortícola contra Marte. Ahí estaba el viejo suelo, y las plantas que habían crecido en él eran tan antiguas que al fin habían desaparecido. Pero ¿y si trajera nuevas especies? Árboles terrestres, grandes mimosas, sauces llorones, magnolias, majestuosos eucaliptos. ¿Qué ocurriría entonces? Quién sabe qué riqueza mineral no ocultaba el suelo, y que no asomaba a la superficie porque los helechos, las flores, los arbustos y los árboles viejos habían muerto de cansancio.

-¡Permítanme levantarme! -gritó-. ¡Quiero ver al coordinador!

Habló con el coordinador de cosas que crecían y eran verdes, toda una mañana. Pasarían meses, o años, antes de que se organizasen las plantaciones. Hasta ahora, los alimentos se traían congelados desde la Tierra, en carámbanos volantes, y unos pocos jardines públicos verdeaban en instalaciones hidropónicas.

-Entretanto, ésta será su tarea -dijo el coordinador-. Le entregaremos todas nuestras semillas; no son muchas. No sobra espacio en los cohetes por ahora. Además, estas primeras ciudades son colectividades mineras, y me temo que sus plantaciones no contarán con muchas simpatías.

-¿Pero me dejarán trabajar?

Lo dejaron. En una simple motocicleta, con la caja llena de semillas y retoños, llegó a este valle solitario, y echó pie a tierra.

Eso había ocurrido hacía treinta días, y nunca había mirado atrás. Mirar atrás hubiera sido descorazonarse para siempre. El tiempo era excesivamente seco, parecía poco probable que las semillas hubiesen germinado. Quizá toda su campaña, esas cuatro semanas en que había cavado encorvado sobre la tierra, estaba perdida. Clavaba los ojos adelante, avanzando poco a poco por el inmenso valle soleado, alejándose de la primera ciudad, aguardando la llegada de las lluvias.

Mientras se cubría los hombros con la manta, vio que las nubes se acumulaban sobre las montañas secas. Todo en Marte era tan imprevisible como el curso del tiempo. Sintió alrededor las calcinadas colinas, que la escarcha de la noche iban empapando, y pensó en la tierra del valle, negra como la tinta, tan negra y lustrosa que parecía arrastrarse y vivir en el hueco de la mano, una tierra fecunda en donde podrían brotar unas habas de larguísimos tallos, de donde caerían quizás unos gigantes de voz enorme, dándose unos golpes que le sacudirían los huesos.

El fuego tembló sobre las cenizas soñolientas. El distante rodar de un carro estremeció el aire tranquilo. Un trueno. Y en seguida un olor a agua.

«Esta noche -pensó. Y extendió la mano para sentir la lluvia-. Esta noche.»

Lo despertó un golpe muy leve en la frente.

El agua le corrió por la nariz hasta los labios. Una gota le cayó en un ojo, nublándolo. Otra le estalló en la barbilla.

La lluvia.

Fresca, dulce y tranquila, caía desde lo alto del cielo como un elíxir mágico que sabía a encantamientos, estrellas y aire, arrastraba un polvo de especias, y se le movía en la lengua como raro jerez liviano.

Se incorporó. Dejó caer la manta y la camisa azul. La lluvia arreciaba en gotas más sólidas. Un animal invisible danzó sobre el fuego y lo pisoteó hasta convertirlo en un humo airado. Caía la lluvia. La gran tapa negra del cielo se dividió en seis trozos de azul pulverizado, como un agrietado y maravilloso esmalte, y se precipitó a tierra. Diez mil millones de diamantes titubearon un momento y la descarga eléctrica se adelantó a fotografiarlos. Luego oscuridad y agua.

Calado hasta los huesos, Benjamín Driscoll se reía y se reía mientras el agua le golpeaba los párpados. Aplaudió, y se incorporó, y dio una vuelta por el pequeño campamento, y era la una de la mañana.

Llovió sin cesar durante dos horas. Luego aparecieron las estrellas, recién lavadas y más brillantes que nunca.

El señor Benjamín Driscoll sacó una muda de ropa de una bolsa de celofán, se cambió, y se durmió con una sonrisa en los labios.

El sol asomó lentamente entre las colinas. Se extendió pacíficamente sobre la tierra y despertó al señor Driscoll.

No se levantó en seguida. Había esperado ese momento durante todo un interminable y caluroso mes de trabajo, y ahora al fin se incorporó y miró hacia atrás.

Era una mañana verde.

Los árboles se erguían contra el cielo, uno tras otro, hasta el horizonte. No un árbol, ni dos, ni una docena, sino todos los que había plantado en semillas y retoños. Y no árboles pequeños, no, ni brotes tiernos, sino árboles grandes, enormes y altos como diez hombres, verdes y verdes, vigorosos y redondos y macizos, árboles de resplandecientes hojas metálicas, árboles susurrantes, árboles alineados sobre las colinas, limoneros, tilos, pinos, mimosas, robles, olmos, álamos, cerezos, arces, fresnos, manzanos, naranjos, eucaliptos, estimulados por la lluvia tumultuosa, alimentados por el suelo mágico y extraño, árboles que ante sus propios ojos echaban nuevas ramas, nuevos brotes.

-¡Imposible! -exclamó el señor Driscoll.

Pero el valle y la mañana eran verdes.

¿Y el aire?

De todas partes, como una corriente móvil, como un río de las montañas, llegaba el aire nuevo, el oxígeno que brotaba de los árboles verdes. Se podía ver brillando en las alturas, en oleadas de cristal. El oxígeno, fresco, puro y verde, el oxígeno frío que transformaba el valle en un delta frondoso. Un instante después las puertas de las casas se abrirían de par en par y la gente se precipitaría en el milagro nuevo del oxígeno, aspirándolo en bocanadas, con mejillas rojas, narices frías, pulmones revividos, corazones agitados, y cuerpos rendidos animados ahora en pasos de baile.

Benjamín Driscoll aspiró profundamente una bocanada de aire verde y húmedo, y se desmayó.

Antes de que despertara de nuevo, otros cinco mil árboles habían subido hacia el sol amarillo.


Ray Bradbury


FIN

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Pessoas com mestrado e doutorado votam preferencialmente no Haddad


Pessoas com mestrado e doutorado votam preferencialmente no Haddad porque estudam mais, conhecem mais, pesquisam mais e debatem mais. Esta categoria concentra extraordinariamente a maior proporção relativa de eleitores do Haddad dentre todas as faixas de escolaridade. Uma pesquisa sobre a escolaridade dos eleitores que não leve este fator em consideração não avaliará corretamente a relação entre níveis educacionais elevados e escolhas políticas progressistas. As opiniões das universidades, institutos de pesquisa e de educação, dos mais diversos grupos intelectuais, educacionais, culturais, científicos, tecnológicos e artísticos expressam claramente o tipo de sociedade, o tipo de candidato que querem e repudiam o que não querem. Nenhum projeto para o Brasil pode prescindir do apoio desse grupo tão estratégico para o progresso nacional. .
RCO

As questões sociais e culturais são fundamentais para entendermos a lógica dos votos


As questões sociais e culturais são fundamentais para entendermos a lógica dos votos. Lembro do choque cultural quando entrei pela primeira vez em uma mesquita islâmica durante uma viagem a Istambul. Também lembro da única vez em que eu entrei em uma igreja evangélica em um casamento de uma pessoa distante relacionada com a minha esposa. Para falar a verdade eu nunca assisti um programa do Ratinho por mais de um minuto e nem nenhum programa popular de violência e assuntos policias inteiro. Os meus canais de rádio e de mídias são diferentes dos radialistas, jornalistas e atores eleitos na lista dos mais votados. Surpreendo-me quando descubro cantores, artistas, atores, páginas, circuitos sociais e políticos na internet, nas redes sociais, com centenas de milhares de curtidas nas quais eu nem sabia que existiam. Há vídeos e clips de fake news no WhatsApp que eu quase não consigo enxergar e que tem gigantescas visualizações. Para entender a lógica cultural e política dos estranhos mais votados é preciso entender outros mundos e circuitos sociais completamente diferentes e distantes dos nossos. Da mesma maneira temos muitas pessoas que nunca tiveram a oportunidade de frequentar uma instituição educacional crítica e de qualidade na sua vida, que nunca entraram e ficaram mais do que cinco minutos em uma biblioteca ou livraria, que nunca leram livros completos com mais densidade e complexidade, enfim, vítimas de uma sociedade extremamente desigual, violenta e alienante para a grande maioria. Os pontos de contato devem passar pelas ameaças aos direitos ainda existentes nas questões do mundo do trabalho, na regulação, salário e nos direitos trabalhistas, na luta pela educação pública, gratuita e de qualidade, na luta pela saúde social e coletiva, na previdência e ter direitos de aposentadoria, ser contra as privatizações do que é social como agenda dos lucros privados dos mais ricos, a necessidade do debate sobre políticas sociais e tributárias para a distribuição de renda, saber que a verdadeira segurança é a social da cidadania, tudo de modo a alertar e conscientizar as pessoas mais simples e desinformadas sobre o grave desastre que os candidatos de extrema direita e os mais ricos trarão para a imensa maioria.
RCO

Não houve renovação política nenhuma e nem voto antissistema no Paraná


Não houve renovação política nenhuma e nem voto antissistema no Paraná. Políticos profissionais, muito experientes e com fortes esquemas estatais, fortes estruturas familiares e de nepotismo, foram eleitos após muitos anos de trajetórias e carreiras com as mesmas práticas oligárquicas, conservadoras e de extrativismo estatal tradicional. Apenas mais do mesmo e uma substituição, uma alteração entre famílias políticas no controle do estado e do governo. O mesmo vale para a continuidade de famílias incrustadas no Estado há décadas, na representação legislativa, no Senado, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa. Muitos dos principais nomes eleitos, com as maiores votações, dependem fortemente de estruturas familiares na sua atuação e reprodução política.

RCO

Breve etnografia do voto no Colégio Estadual Júlia Wanderley


Breve etnografia do voto no Colégio Estadual Júlia Wanderley, no Batel, bairro de classes mais elevadas em Curitiba, na boca de certo eleitorado do Dragão da Maldade. Um dos poucos momentos na vida da maioria dessas pessoas em que entram em uma instituição de educação pública. Fotos da professora homenageada com o nome do Colégio na entrada. Friozinho. Muito poucas camisas amarelas dessa vez, uma grande diminuição das últimas vezes. Uma madame até levou o cachorrinho para a seção eleitoral. Vi um ex-governador, um vereador de direita e candidato a deputado me cumprimentou, se não me enganei. Poucos jovens mais informais e críticos, um broche de arco-íris, um lencinho vermelho, mas o destaque foi um jovem com uma camisa do Pink Floyd - The Wall ! Ganhou o prêmio de protesto musical da manhã por lá ! Vi apenas uma negra conduzindo uma criança branca na mão. O voto no coiso já é um voto muito envergonhado e esses eleitores não querem se associar no visual ao imenso estrago que pode vir daí. Eles tinham mais orgulho do Aécio, do Serra, do Alckimin nas eleições passadas e caíram na real ao os abandonarem, pena que agora mirem o abismo do fascismo. Vamos ver no segundo turno plebiscitário


RCO

São várias as polarizações.




Há um discurso da pós verdade, estratégico, fácil de implantar num país onde por uma geração escolar [de 64 a 83] se fez a desconstrução da crítica nas escolas.
Há o mesmo discurso, mas de parte do povo, que por falta de crítica, comprou o discurso importado e quer o fim da corrupção. Eles não estão errados nisso.
Uma outra parcela do povo que comprou o discurso importado é o que tem síndrome do sr. de engenho. Ou que, com a diminuição das diferenças sociais não se sentiram capazes de se diferenciar e tiveram crise de identidade. Ou aqueles que em busca de ascensão social foram humilhados na dialética patrão/empregado e querem o direito de se vingarem humilhando também, como um processo natural do sistema capitalista.
Há um segundo discurso que é o que vem com a memória histórica clara e que agrega pequenos burgueses e aqueles que se confrontam com uma realidade menos favorecida. Esse discurso é o que quer impedir que o processo iniciado em 64 culmine com a entrega dos recursos nacionais às empresas multinacionais.
Ao mesmo tempo, no processo histórico da politica, a maioria dos caciques brancos desta República das Bananas foram sempre muito vulgares que tornam-se comerciantes chinfrins de interesses. São os que regulamentam as transações dos lobbys que representam em troca de muito dinheiro.
Mas não há dialética quando, por conta duma ignorância mórbida, o sujeito acha que sabe tudo. Cujo saber ele, de tanta incerteza, não questiona.

Ricardo A. Pozzo