quinta-feira, 13 de julho de 2017

Leonardo Avritzer

Acabei de ler a sentença do juiz Sérgio Moro em relação ao ex-presidente Lula. Tenho segurança em afirmar que a peça é um lixo jurídico completo realizado com intenções exclusivamente políticas. Na parte do triplex ele não avança um centímetro em relação à peça do ministério público. Elenca um conjunto de afirmações umas contra as outras a favor da propriedade por Lula e no fim ignora as peças contra e diz que a propriedade foi provada. Quem duvidar olhe. É direito dedutivo com descarte de provas contrárias à opinião do juízo.
Mas o pior é a parte sobre lavagem. O crime de lavagem é descrito como consequência da incapacidade do MP de provar a propriedade. Como a propriedade não ficou comprovada opta-se pela intenção de oculta-la, um raciocínio que está mais para tribunais da época do nacional socialismo do que na boa tradição do direito empírico anglo-saxão. Na sentença não há nenhuma tentativa de traçar uma relação entre atos de ofício ou da presidência ou da Petrobrás e os recursos que a princípio seriam de Lula , como a lei exige. Mas a grande pérola da sentença é a admissão pelo juiz que não houve ato de ofício. Aí ele cita algumas sentenças americanas, diga-se de passagem nenhuma da Suprema Corte nos EUA e uma decisão do STj. Claro que, como lhe convem, ele ignorou a decisão do STF sobre o assunto que diz que é necessário o ato de ofício. Transcrevo para que os incrédulos leiam com seus próprios olhos:
Diz a sentença
"866. Na jurisprudência brasileira, a questão é ainda objeto de
debates, mas os julgados mais recentes inclinam-se no sentido de que a configuração do crime de corrupção não depende da prática do ato de ofício e que não há necessidade de uma determinação precisa dele. Nesse sentido, v.g., decisão
do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, da lavra do eminente Ministro Gurgel de Faria:
"O crime de corrupção passiva é formal e prescinde da efetiva prática do ato de ofício, sendo incabível a alegação de que o ato funcional deveria ser individualizado e indubitavelmente ligado à vantagem recebida, uma vez que a mercancia da função pública se dá de modo difuso, através de uma pluralidade de atos de difícil individualização." (RHC 48400 – Rel.
Min. Gurgel de Faria - 5ª Turma do STJ - un. - j. 17/03/2017)."
Assim, caminha o estado de direito no Brasil. Um juiz medíocre, com uma sentença medíocre feita com base na dedução ou em direito comparado, ignorando a jurisprudência do país.
Mas em tempo não dá para deixar de notar a mudança de atitude de Moro e da Lava Jato. Ele tenta se defender da acusação de parcialidade, ataca o juízo, não decreta a prisão preventiva, que ele deixa para a instância superior. Os dias de Moro como herói parecem estar no fim.


É um país composto por um povo infantil ou doente.

Um país em que se fecham os olhos para troca de dezenas de deputados na CCJ, distribuição de bilhões e reais em emendas parlamentares para alimentar a política de curral eleitoral e a nomeação de centenas de indicados de parlamentares para cargos comissionados com a única justificativa de garantir vitória política do presidente no parlamento;
Um país formado majoritariamente por pobres (inclusive os da classe média) que celebra a decisão de um juiz de primeira instância em condenar um ex-presidente igual a toda elite político, exceto, por ser identificado como porta-voz dos pobres;
É um país composto por um povo infantil ou doente.

Emerson Urizzi Cervi

1841: Segunda Convenção Londrina sobre Império Otomano


No dia 13 de julho de 1841, as potências europeias assinaram um acordo que proibia navios não turcos de navegar pelos estreitos de Dardanelos e de Bósforo.

                                         Türkei Istanbul (DW/S. Huseinovic)

O vice-rei do Egito, Mohammed Ali, levou em duas ocasiões o Império Otomano à beira da dissolução e as grandes potências europeias a uma grave crise internacional. Em 1832, ele anexou a Síria que, como o Egito, era uma província do Império Otomano, e logo avançou com as suas tropas até as portas de Istambul.

Somente uma intervenção da Rússia salvou o governo otomano de uma derrota completa. Em consequência, a Turquia tornou-se praticamente um protetorado da Rússia, que assegurou então aos seus navios de guerra o direito de atravessar os estreitos de Bósforo e de Dardanelos, o que era tradicionalmente proibido aos outros países.

Em 1839, voltou a ocorrer um confronto militar entre o sultão e seu vassalo infiel. E, mais uma vez, Mohammed Ali conseguiu impor-se militarmente. O diplomata prussiano Helmuth von Moltke, atuante na Turquia há vários anos, constatou na época:

"Quem acompanha atentamente o desenrolar dos acontecimentos no Oriente não pode negar que o império turco se precipita no despenhadeiro da ruína com uma velocidade cada vez maior. Considerando as consequências imprevisíveis que um desaparecimento repentino do Império Otomano na comunidade internacional geraria, não se pode censurar a política europeia, que procura adiar o máximo possível tal catástrofe."

Faltou consenso na Europa

Enquanto Prússia, Áustria, Rússia e Inglaterra concordavam que o Império Otomano deveria ser apoiado, a França tomou o partido dos rebeldes egípcios. No segundo trimestre de 1840, as cinco potências tentaram em vão encontrar uma solução, numa conferência em Londres.

Sem apoio da França, as demais quatro potências aprovaram, em julho de 1840, a primeira Convenção Londrina, dando um ultimato para o restabelecimento do poder do sultão na Ásia Menor. Mas somente a intervenção da frota inglesa é que obrigou o vice-rei egípcio à capitulação definitiva e à retirada da Síria.
O chefe do governo francês, muito indignado com essa afronta, viu-se obrigado a ameaçar as outras potências com guerra, por pressão da opinião pública. Contudo, a ameaça era militarmente pouco realista. A França não teria condições de enfrentar sozinha as quatro outras potências no campo de batalha. O rei francês Luís Felipe 1º demitiu seu chefe de governo pouco depois e cedeu na questão.

Sem a participação da Turquia

Em julho de 1841, chegou-se então a um consenso entre todas as potências europeias na Segunda Convenção Londrina, que regulava também a questão dos estreitos marítimos:

Artigo 1º: Sua Alteza o Sultão declara de sua parte que está firmemente decidido a manter no futuro o princípio básico fixo e imutável como velha regra do seu império, por força do qual é proibida em qualquer época aos navios de guerra das potências estrangeiras o cruzamento dos estreitos marítimos de Dardanelos e do Bósforo, e enquanto o governo turco encontrar-se em paz, Sua Alteza não permitirá a entrada de nenhum navio de guerra estrangeiro nos citados estreitos marítimos. E Suas Majestades o imperador da Áustria, o imperador da Rússia, o rei dos franceses, a rainha da Grã-Bretanha e o rei da Prússia unem-se para observar esta resolução do Sultão e para preservar a conformidade com o princípio básico acima mencionado…

Com isso, foi atribuído oficialmente à Turquia o papel de guardiã dos estreitos marítimos. Porém, as duas convenções londrinas, ambas aprovadas sem a participação do governo turco, deixaram uma coisa clara: o antes poderoso Império Otomano tornara-se um fantoche nas mãos das potências europeias.

Mas também as relações de força entre as grandes potências haviam se alterado. A influência russa em Istambul foi enfraquecida pelo documento; a Turquia passou a buscar cada vez mais o apoio da Inglaterra. O bom entendimento entre britânicos e franceses ficou prejudicado, e a reputação da França sofreu arranhões, por seu comportamento durante a crise.

Autoria Rachel Gessat (am)



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Eles fazem o que Querem e os Bobos só olham


Esta frase é de minha irmã de 84 anos, que viveu as agruras da ditadura militar. Ela se referia ao que permitimos que o Senado fizesse ontem aprovando a Reforma Trabalhista e hoje o Príncipe da República de Curitiba condenando sem provas o Presidente Lula. Este Príncipe aliás, vem fazendo isto não é de hoje, nem só com Lula.
Nós os bobos, assistimos quietos, amedrontados, olhando estupefatos os resultados de uma votação que abole qualquer direito trabalhista e as decisões de um judiciário que não respeita a constituição, que faz o que quer.
Será que haverá futuro
possível para um povo que se vitimiza diante da história, que não enfrenta sua própria destruição?
Nosso passado colonial não pode explicar tudo. Somos mesmo um bando de bobos diante da história que nos relega à miséria, à fome, ao desemprego, ao trabalho duro e sem direitos.
Que assim seja para os que assim querem, eu de minha parte digo não e estou pronto pra luta. E você?
A Condenação de Lula
As Vezes é melhor ser Irado, abrir mão de toda a paciência
Ver o melhor e mais respeitado Presidente deste brasil ser condenado sem provas por um juiz de primeira instância, assim como qualquer outra pessoa, é demais para a minha noção de justiça. Acho ótimo que isto esteja acontecendo porque revela de vez a que e a quem serve a justiça no brasil. Moro não é excessão, é regra.
Com todas as provas possíveis Rocha Lores (o carregador de mala) está solto, Aécio está belo e faceiro votando contra os trabalhadores, Perrela que se auto intitulou traficante está na mesma do Aécio, o temeroso comprando votos na câmara para não ser processado, Fernando Henrique proprietário de um apartamento na Av. de Foche em Paris um dos endereços mais caros, senão o mais caro do mundo. Nada acontece para essa gente, povo de muita sorte, acima de qualquer suspeita.
Os bocós que compraram corsinha usado na abundância do Governo Lula estão comemorando a condenação. Não diria que são analfabetos políticos, nem eles nem os paneleiros, são todos fascistas, prontos para votar no bolsonaro na próxima eleição.

Não tenho pena dessa gente, quero mais é que percam seus empregos e os que continuarem trabalhando que não tenham horário para almoço e usem fralda para não serem descontados por terem ido ao banheiro; não tenho nenhuma compaixão. Ranjam os dentes, se desesperem, mas por favor não se queixem pra mim. Não moverei uma palha para defende-los, porque consentem com a injustiça quando não a praticam.

Jose Miguel Rasia
Otto Leopoldo Winck

Tem gente que comemora condenação sem provas. Tem gente que comemora perda de direitos trabalhistas. Tem gente que comemora entrega do patrimônio público. Tem gente que comemora pobre na rua. Tem gente que comemora linchamento. Tem gente que comemora estupro...

Olha, tem muita gente estúpida no mundo

Condenação de Lula acirra clima de guerra na política, dizem especialistas

12/07 às 17h01 - Atualizada em 12/07 às 17h03

Cientistas políticos comentam como fato vai afetar disputa presidencial de 2018

Jornal do Brasil

Rebeca Letieri

 “É uma condenação anunciada”, disse o cientista político Geraldo Tadeu, da IUPERJ, sobre a condenação a 9 anos e seis meses de prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo juiz federal Sérgio Moro. “É a condenação do maior líder da legenda. Isso acaba, de certa forma, repercutindo e caindo de forma negativa sobre o partido. Mas é preciso aguardar, porque o Lula irá recorrer em liberdade, e ele pode partir ainda mais para o confronto”, acrescentou o cientista político Cristiano Noronha. A sentença, divulgada nesta quarta-feira (11), prevê recurso no TRF. Até julgamento em segunda instância, Lula ficará em liberdade.

Ricardo de Oliveira, cientista político da UFPR, também acredita no acirramento do confronto, e critica Moro, afirmando que a condenação pelo juiz revela a “instrumentação politiqueira da Lava Jato”: “Só vai acirrar ainda mais os ânimos e desacreditar ainda mais as instituições. Eles estão passando a mensagem de que não há mais democracia no Brasil, e isso só piora a crise que o sistema já vive, com as denúncias contra o [presidente Michel] Temer, a liberação do Aécio [Neves] e do [Rodrigo] Rocha Loures, mostrando que ainda existe uma casta privilegiada no país, que usa as instituições de maneira aparelhada”, completou.

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) retornou às atividades do Senado no início do mês, após a decisão monocrática do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), de suspender a ação que havia afastado o tucano do cargo, denunciado pelos crimes de corrupção e obstrução de justiça, no âmbito das delações de executivos da JBS e que envolvem também o presidente Michel Temer.
No caso de Loures, o ministro do STF, Luiz Edson Fachin, mandou soltar o ex-deputado e ex-assessor do presidente, que havia sido preso no começo de junho, após ser flagrado em filmagem da Polícia Federal recebendo de um executivo da JBS uma mala com R$ 500 mil que, segundo os investigadores da Lava Jato, era dinheiro de propina.

Sérgio Moro condena Lula a 9 anos e seis meses de prisão
A sentença do juiz Sergio Moro é a primeira contra o petista no âmbito da Lava Jato. Na ação, Lula é acusado de ter se beneficiado de dinheiro desviado da Petrobras na compra e reforma do tríplex no Guarujá. Moro, porém, absolveu o ex-presidente no caso do armazenamento e transporte do acervo presidencial.

“Entre os crimes de corrupção e de lavagem, há concurso material, motivo pelo qual as penas somadas chegam a nove anos e seis meses de reclusão, que reputo definitivas para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, afirmou Moro.
Se a condenação for confirmada em segunda instância, pelo Tribunal Regional Federal (TRF), Lula será preso e pode ficar inelegível.

O juiz acrescenta ainda “considerando que a prisão cautelar de um ex-Presidente da República não deixa de envolver certos traumas”, aguardará o julgamento pela Corte de Apelação antes de aplicar a sentença. “Assim, poderá o ex-Presidente Luiz apresentar a sua apelação em liberdade”, disse.


Para Ricardo, a decisão de Moro em não prender o ex-presidente é uma forma de amenizar o conflito. E acrescenta: “Essa decisão do Moro sem nenhuma prova, apenas joga mais água no moinho do confronto, no qual por um lado alguns são soltos com provas, e por outro, condena Lula no caso de um triplex que nunca foi dele. É um absurdo do ponto de vista jurídico e apenas mostra um ativismo ideológico dos operadores, que deixaram de ser juízes para serem ativistas partidários”.

Em sua sentença, Moro destaca: "Em síntese e tratando a questão de maneira muito objetiva, o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva não está sendo julgado por sua opinião política e também não se encontra em avaliação as políticas por ele adotadas durante o período de seu Governo. Também não tem qualquer relevância suas eventuais pretensões futuras de participar de novas eleições ou assumir cargos públicos."

Lula lidera as pesquisas de intenção de voto para a eleição de 2018.
Geraldo explica que do ponto de vista jurídico, não significa que a candidatura de Lula esteja comprometida, por enquanto. Lembrando que só uma condenação em segunda instância vai impossibilitá-lo de concorrer à presidência em 2018.

“Por outro lado, politicamente é um fato importante porque retira do Lula e do PT o argumento de que não há condenação nenhuma. Então de alguma maneira isso empata o jogo político. Se sobre outros candidatos pesam condenações em primeira instância, a partir de agora pesa sobre o Lula também. Isso, com certeza, em um processo eleitoral, ainda que não esteja concluído em definitivo, vai pesar. E os adversários do ex-presidente vão utilizar esse argumento”, completou o especialista.

Para o cientista político, o PT vai insistir na retórica do golpe. A intenção é tirar o “caso Lula” dos escândalos de corrupção no Brasil e colocá-lo no caso de um golpe político. Cristiano faz coro a Geraldo, e reforça:

“Muito provavelmente, o PT vai ficar enfatizando a ideia de que o ex-presidente está sendo injustiçado, e que isso é parte da estratégia de tirar Lula da disputa eleitoral em 2018. Em primeiro momento, essa decisão do Moro intensifica o discurso interno do PT”, disse.

Ricardo destaca que existe um cronograma dos fatos. “Como Moro é um ativista, ele manipula as datas de acordo com o cálculo político e escolheu hoje em função desses fenômenos: o dia seguinte da votação trabalhista, e o dia da votação contra Temer no CCJ. O Moro sempre teve lado e interesse. Isso está mais do que claro agora”, finalizou.



O Deputado Paulo Abi-Ackel, do PSDB-MG, novo relator, é a cara do atual nepotismo do PSDB. Próximo de Aécio Neves, o da carreira brilhante, Paulinho é filho do Ministro da Justiça da ditadura militar, Ibrahim Abi-Ackel, eternizado na música sempre atual, "Alvorada Voraz", pelo escândalo das joias, que denunciava a corrupção naquele período. Paulo Abi-Ackel foi da Juventude do PDS e hoje, na CCJ, ainda apontaram a colaboração do pai na elaboração do relatório defendendo o golpista e criminoso Temer. O PSDB simplesmente se juntou não somente ao PMDB, mas ao DEM para recriarem o velho bloco golpista, sem vergonha e sem votos da antiga ARENA ! Se os partidos de apoio ao golpista e criminoso Temer não tivessem mudado a composição da CCJ, a situação teria perdido a votação. Revolução !

RCO

sexta-feira, 7 de julho de 2017

expressões espanholas

Hablar por los codos______________Literalmente: falar pelos cotovelos. Outra forma de dizer que alguém fala muito ____________ é no calla ni debajo del agua, que significa literalmente alguém que não se cala nem debaixo d’água. E sim, ele geralmente se refere à mim: "Cristina fala pelos cotovelos, não se cala nem debaixo d’água!".

Estar piripi____________Literalmente: estar trilili________sob o efeito do alcool

Mucha mierda_____________Literalmente: muita merda (em português: merda para você)!

Ponerse las pilas____________ quando alguém está perdido, muito devagar, não entendendo o assunto da conversa ou não entendendo uma piada. Quem não precisa de algumas baterias de vez em quando?Nota da tradução: Seria o equivalente ao nosso "se liga".

Echar una mano_____________Literalmente: dar uma mão. Echar una mano significa, como em português, ajudar alguém. Por isso, temos também uma segunda expressão dar la mano y tomar el brazo, o equivalente ao dar a mão e pegam o braço. Bom, agora você sabe o que isso significa, então não o faça.


Dejar plantado / dar plantón___________Literalmente: deixar alguém plantado / dar plantão

Fonte Babbel

1807: Assinada Paz de Tilsit, auge do reinado de Napoleão


No dia 7 de julho de 1807, o Tratado de Tilsit (em referência à cidade que ficava na Prússia) marcava o fim da Quarta Guerra de Coalizão entre a França e a Rússia e, dois dias mais tarde, entre a França e a Prússia.


Napoleão Bonaparte não imaginava que a Prússia algum dia ousasse enfrentá-lo sozinha: ele jamais poderia contar com tanta imprudência. Desde que se tornara comandante geral do exército francês, em 2 de março de 1796, sofrera uma única derrota, em agosto de 1798, ao enfrentar o almirante inglês Horatio Nelson.

Nos sete anos seguintes, as tropas napoleônicas colecionaram uma vitória após a outra e conquistaram todo o continente europeu. A derrota arrasadora imposta em Austerlitz ao exército russo-austríaco, numericamente superior, na Batalha dos Três Imperadores a 2 de dezembro de 1805, confirmara definitivamente a supremacia militar da "Grande Nation".

"Libertação" da Europa

A França pretendia "libertar" a Europa, dizia Bonaparte. Após sua coroação, em 2 de dezembro de 1804, ele restabelecera a monarquia em seu país, mas seguia propagando os ideais da Revolução Francesa: liberdade, igualdade, fraternidade. Aos povos italianos, por exemplo, prometeu que viria para romper os grilhões. "O povo francês é amigo de todos os povos. Só fazemos guerra contra os tiranos que os oprimem", dizia.

Napoleão modernizou a Europa. O "Code Civile" – também denominado "Código Napoleônico" – garantiu de forma pioneira os direitos individuais. Mas os renanos e os belgas perceberam desde o início das guerras napoleônicas que os franceses não os libertavam de forma altruísta da escravidão feudal: eles também impunham pesados impostos para cobrir gastos militares, desorganizavam os exércitos locais e desvalorizavam as moedas nacionais.

O acordo de paz de Pressburg custara à Áustria enormes perdas territoriais. Apesar de cortejada pela França, a Prússia permanecera neutra durante o conflito. Após a guerra, Napoleão começou a pressioná-la diplomaticamente, exigindo o reconhecimento do Rio Reno como "fronteira natural" entre os dois reinos.

Missão suicida

O rei Frederico Guilherme 3º da Prússia deu um ultimato às tropas francesas para que se retirassem do território alemão no lado leste do Reno. Convencida da sua força, a Prússia partiu isoladamente para o confronto com o poderoso adversário, numa missão praticamente suicida.

Em represália, as tropas napoleônicas invadiram a Turíngia. As batalhas de Jena e Auerstedt foram catastróficas para o exército prussiano. Treze dias mais tarde, Napoleão tomou Berlim. Frederico Guilherme 3º fugiu para a Prússia Oriental, de onde deu continuidade à guerra, com o apoio da Rússia.

Mas os franceses derrotaram também o exército do czar na batalha de Friedland, a 14 de junho de 1807. Depois de fracassar no confronto militar, a Prússia ainda sofreu uma derrota completa no campo diplomático, entre 7 e 9 de julho de 1807.

No dia 7 de julho, o Tratado de Tilsit (em referência à cidade que ficava na Prússia, na região de Kaliningrado, hoje Rússia) marcava o fim da Quarta Guerra de Coalizão entre a França e a Rússia e, dois dias mais tarde, entre a França e a Prússia. Em consequência da série de derrotas, a Prússia foi ocupada pelas tropas francesas.

Napoleão dividiu o continente europeu em duas partes, concedendo à Rússia liberdade de ação contra a Suécia e a Turquia. Graças à intervenção do czar Alexandre 1º, a Prússia não foi riscada do mapa, mas perdeu 2,7 milhões de milhas quadradas do seu território e 5 milhões de habitantes, que passaram a integrar o reino da Vestfália, governado pelo irmão de Napoleão, Jérome Bonaparte. À França coube o recém-criado ducado de Varsóvia, em união com a Saxônia.

Com Tilsit, Napoleão chegava ao auge do seu reinado, enquanto a Prússia batia no fundo do poço, depois de 100 anos de ascensão. O governador de Berlim, conde Schulenburg-Kehnert, fixou num cartaz o código de conduta adequado à época: "O rei perdeu uma batalha. Agora, a primeira obrigação civil é manter a calma".

Coligação europeia

Mas Napoleão queria mais. O fim das guerras era imprevisível. Os acordos de paz de Campo Formio (1797), Lunéville (1801), Amiens (1802), Pressburg ou Tilsit não passavam de tréguas: a meta do imperador francês era conquistar o mundo. Mas ele fracassou às portas de Moscou, em 1812.

A Prússia aproveitou a derrota para realizar reformas políticas internas, que derrubaram o absolutismo e viabilizaram a consolidação de um moderno Estado constitucional. Junto com a Rússia, a Áustria, a Inglaterra, a Suécia e a Baviera, formou uma coligação europeia contra Napoleão.

O esgotado exército francês foi derrotado na Batalha dos Povos, nos arredores de Leipzig, em outubro de 1813. No Congresso de Viena, em 1815, a Prússia ressurgiu como grande potência e restabeleceu-se na Europa um equilíbrio de forças, ainda que frágil.

Autoria Frank Gerstenberg (gh)

Palavras-chave 07/07/1807, paz de Tilsit, Napoleão

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domingo, 2 de julho de 2017

Das Nothend



»Ich muß zu Feld, mein Töchterlein,
Und Böses dräut der Sterne Schein,
Drum schaff du mir ein Notgewand,
Du Jungfrau, mit der zarten Hand!«

»Mein Vater! willst du Schlachtgewand
Von eines Mägdleins schwacher Hand?
Noch schlug ich nie den harten Stahl,
Ich spinn und web im Frauensaal.«

»Ja, spinne, Kind, in heil’ger Nacht,
Den Faden weih der höllischen Macht!
Draus web ein Hemde, lang und weit!
Das wahret mich im blut’gen Streit.«

In heil’ger Nacht, im Vollmondschein,
Da spinnt die Maid im Saal allein.
»In der Hölle Namen!« spricht sie leis,
Die Spindel rollt in feurigem Kreis.

Dann tritt sie an den Webestuhl
Und wirft mit zager Hand die Spul;
Es rauscht und saust in wilder Hast,
Als wöben Geisterhände zu Gast.

Als nun das Heer ausritt zur Schlacht,
Da trägt der Herzog sondre Tracht:
Mit Bildern, Zeichen, schaurig, fremd,
Ein weißes, weites, wallendes Hemd.

Ihm weicht der Feind wie einem Geist:
Wer böt es ihm, wer stellt’ ihn dreist,
An dem das härteste Schwert zerschellt,
Von dem der Pfeil auf den Schützen prellt!

Ein Jüngling sprengt ihm vors Gesicht:
»Halt, Würger, halt! mich schreckst du nicht.
Nicht rettet dich die Höllenkunst,
Dein Werk ist tot, dein Zauber Dunst.«

Sie treffen sich und treffen gut,
Des Herzogs Nothemd trieft von Blut;
Sie haun und haun sich in den Sand,
Und jeder flucht des andern Hand.

Die Tochter steigt hinab ins Feld:
»Wo liegt der herzogliche Held?«
Sie find’t die todeswunden zwei,
Da hebt sie wildes Klaggeschrei.

»Bist du’s, mein Kind? Unsel’ge Maid!
Wie spannest du das falsche Kleid?
Hast du die Hölle nicht genannt?
War nicht jungfräulich deine Hand?«

»Die Hölle hab ich wohl genannt,
Doch nicht jungfräulich war die Hand,
Der dich erschlug, ist mir nicht fremd,
So spannt ich, weh! dein Totenhemd.«

A cota de malha

– Filha, eu vou para a batalha;
No céu atina a má estrela:
Quero uma cota de malha
De tuas mãos de donzela.

– Pai, estarias seguro
Pelas mãos de uma mocinha?
Não sei forjar ferro duro;
Só entendo de agulha e linha.

– À noite, oferte o tecido
Ao Inferno! E com arremate,
Eu estarei protegido
Nesse cruento combate.

Lua-cheia em noite santa,
E sozinha ela urde a trama:
– Invoco o Inferno! E se espanta:
O fuso gira e se inflama.

Quando ela retira a linha
Daquele tear terrível,
Ele torna e redemoinha
Como por mão invisível.

Tão logo a armada se arranca,
O duque salta à vanguarda:
Sob a sua heráldica branca,
A cota de malha guarda.

Dele o inimigo se afasta;
Contra ele ninguém avança.
Despedaçando toda a hasta,
Quebra seta, sabre e lança.

E um infante o atalha no ato:
– Pára, homem sanguinolento!
De nada vale teu pacto:
É desfeito o encantamento.

A refrega os incendeia.
Eis rasgada e tinta a cota…
E ambos rolam pela areia,
Amaldiçoando a derrota…

A filha invade o sangrento
Campo. – Onde, o Duque? E depois,
Reconhece com lamento
A pugna horrenda dos dois.

– Minha filha, tu forjaste
A cota como as demais?
O Inferno não invocaste,
Ou não tens mãos virginais?

– Invoquei o Inferno, mas
A mão que teceu tua malha
Pertencera a esse rapaz…
Pai, eu teci tua mortalha!
Johann Ludwig Uhland
Wagner Schadeck é poeta e tradutor.

Jornal Opção
Otto Leopoldo Winck

O Estado sempre esteve a serviço das classes dominantes. No caso do capitalismo, a serviço da burguesia. A diferença entre a democracia burguesa e os regimes anteriores -- absolutismo, feudalismo etc -- é que na democracia burguesa há uma ideologia de igualdade perante a lei. E ideologia nada mais é que ideologia, isto é, uma visão distorcida da realidade. A diferença gritante de tratamento ontem pelo STF apenas escancara isso. Alguns, conforme a coloração política, mofam anos no cércere apenas com base em delações. Outros, com malas de dinheiro, helicópteros e aviões repletos de pasta base de cocaína, ficam livres ou nem sequer são presos. Isso não se muda com boa vontade, conversão das pessoas etc. Isso se muda com uma mudança estrutural profunda da sociedade: a essa mudança chamamos revolução.


Otto Leopoldo Winck

O negócio é o seguinte: o cara morreu de fome no Nordeste ou por conta da violência racial nos EUA a culpa é da seca ou do racismo (como se o racismo fosse uma coisa pessoal, nunca estrutural). O cara morreu de unha encravada na Ucrânia em 1930 a culpa é do comunismo.

Se colocássemos na conta do capitalismo todas a mortes das guerras por mercado, por fome, por más condições de vida, por culpa do imperialismo e do (neo)colonialismo, as mortes superdimensionadas atribuídas a Stálin seriam fichinhas.

sábado, 1 de julho de 2017

1943: Judeus alemães submetidos a vigilância policial


Em 1º de julho de 1943, a perseguição aos judeus no Terceiro Reich chegou a um novo clímax. Por decreto, eles passaram a ser assunto da polícia nazista. A partir de então, ficaram juridicamente sem qualquer proteção.


"Vocês sabem do que se trata, mas mantenham sigilo. Talvez mais tarde se possa ponderar se foi conveniente ou não termos revelado mais detalhes sobre isso ao povo alemão. Acredito ser melhor nós todos suportarmos isso pelo nosso povo, assumirmos a responsabilidade e, então, levarmos o segredo para o túmulo." Estas palavras foram ditas no outono europeu de 1943 por Heinrich Himmler, chefe da SS e operador de uma máquina mortífera, diante das lideranças nacionais e distritais do partido nazista, sobre sua intenção de "dar a solução final ao problema judeu".

Dez anos antes, com a vitória do nazismo, o antissemitismo tornara-se doutrina oficial na Alemanha. A crescente perseguição passou pelo boicote a empresas e estabelecimentos comerciais de judeus, em abril de 1933 intensificou-se com a discriminação dos judeus no meio profissional, em universidades, escolas, teatros, e chegou ao auge com a completa marginalização social pelas "Leis de Nurembergue" de 1935.
Fogões lacrados

Hans-Oskar Löwenstein relembra: "Os nazistas confiscaram quase todos os pertences dos judeus: telefones, rádios, toca-discos, máquinas fotográficas. O único equipamento que se podia usar eram os óculos. A água quente foi bloqueada, assim como o acesso aos elevadores e às sacadas de frente para a avenida Kurfürstendamm [em Berlim]. Nas cozinhas, os fogões a gás e elétricos foram lacrados.

À disposição dos judeus residentes no nosso edifício ficaram apenas dois fogões a gás e dois fervedores elétricos. Era, portanto, uma situação terrível. Peixes dourados de aquário, flores, plantas ornamentais, tudo foi proibido aos judeus. Aquilo realmente não era mais vida."

Seguiram-se ainda outras chicanas e leis discriminatórias. Hitler não escondia mais sua intenção de eliminar os "inimigos judeus e bolcheviques". O ditador: "Evito profecias precipitadas, mas essa guerra não vai terminar da maneira como os judeus imaginam, com o extermínio dos povos arianos da Europa. Pelo contrário, o resultado dessa guerra será o aniquilamento do judaísmo".
Judeus eram conhecidos

O ex-piloto da Força Aérea alemã Heinrich Graf von Einsiedel chegou a admitir abertamente: "O povo alemão, na época, era basicamente antissemita. Sabia-se quem era judeu. Entre os alemães, não se perguntava quem era católico, protestante ou qualquer outra coisa. Mas, se alguém era judeu, isso era conhecido".

A máquina de propaganda contra os judeus funcionava a todo vapor. O incêndio das sinagogas, no pogrom de novembro de 1938, foi seguido de desapropriações e atos de violência. Na Conferência de Wannsee (Berlim), em 1941, foi planejado o extermínio dos judeus em todos os territórios dominados pela Alemanha. As humilhações públicas e degradações encenadas tornaram-se rotineiras. O ódio contra os judeus era ensinado também aos jovens alemães.

No início do regime nazista, viviam na Alemanha cerca de 500 mil de judeus, metade dos quais emigrou até o início da Segunda Guerra Mundial. O confinamento em guetos, as deportações e execuções faziam parte do cotidiano. A partir do outono de 1941, começaram os fuzilamentos em massa no território da atual Belarus.

Nessa época, os guetos foram fechados e seus moradores enviados para os campos de concentração de Auschwitz e Treblinka. A minoria judaica ainda residente no Terceiro Reich perdeu o que lhe restava de direitos através de dois decretos: todos os judeus com mais de seis anos de idade foram obrigados a portar visivelmente a estrela de Davi (símbolo do judaísmo) e, a partir de 1º de julho de 1943, foram fichados na polícia e submetidos a constante vigilância policial. Com isso, não podiam mais recorrer a qualquer instância jurídica alemã. Era a sentença de morte para os judeus.

Autoria Doris Bulau (gh)


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O amor é mais forte que a morte vocês diziam
Mas a vida é mais forte que o amor e
A indiferente mais forte que a vida — A vida
Minha ou sua e nossa de alguma maneira
É em conjunto a única seqüência de
metamorfoses
(O neotênico converte-se em herói sexuado
Depois no barrigudo careca que apodrece como
um deus)
E banhos-duchas no Letes todos os meses
Lutos laqueados, renascimentos frágeis,
amnésias
E um velho mudo dentro de nós há tanto
tempo
Sobrevive sem dor ao ossuário das crianças
(45° Oeste 60° Norte)
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L’amour est plus fort que la mort disiez-vous
Mais la vie est plus forte que l’amour et
L’indifférente plus forte que la vie – La vie
Mienne ou tienne et nôtre en quelque manière
Est ensemble la seule séquence de
métamorphoses
(Le néoténique se mue en héros à sexe
Plus tard en ventru chauve pourrissant comme
un dieu)
Et bains-douches au Lhété tons les mois
Deuils laqués, renaissances frêles, amnèses
Et un vieillard muet en nous depois longtemps
Survit sans douleur au charnier des enfants
(40° Ouest 60° Nord)

– Michel Deguy, {tradução Marcos Siscar}. em “A rosa das línguas”. [organização e tradução de Paula Glenadel e Marcos Siscar]. São Paulo: Cosac & Naify; Rio de Janeiro, 7 Letras; 2004.

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A infância


O menino cantava; sua mãe, no leito, agonizava,
Extenuada, a sua fronte na sombra pendia;
E sobre ela, a morte numa nuvem vagueava;
E eu ouvia a canção e escutava a agonia.
Tinha cinco anos o menino, e junto à janela,
Um claro som de riso e de jogos se erguia;
E a mãe, ao lado da criança doce e bela
Que todo o dia cantava, toda noite tossia,
A mãe sob as lajes do claustro foi dormir;
E o menino voltou a cantar…
A dor é um fruto que Deus não faz surgir
Num ramo frágil demais para o suportar.
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L’enfance
L’enfant chantait; la mère au lit, exténuée,
Agonisait, beau front dans l’ombre se penchant;
La mort au-dessus d’elle errait dans la nuée;
Et j’écoutais ce râle, et j’entendais ce chant.
L’enfant avait cinq ans, et près de la fenêtre
Ses rires et ses jeux faisaient un charmant bruit;
Et la mère, à côté de ce pauvre doux être
Qui chantait tout le jour, toussait toute la nuit.
La mère alla dormir sous les dalles du cloître;
Et le petit enfant se remit à chanter… —
La douleur est un fruit ; Dieu ne le fait pas croître
Sur la branche trop faible encor pour le porter.
(Paris, Janeiro de 1835).
– Victor Hugo, em “Poemas: Victor Hugo”. [seleção e tradução Manuela Parreira da Silva]. Lisboa: Editora Assirio & Alvim, 2002.

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Mais uma vez me sinto dividido em como analisar os diferentes movimentos da conjuntura. De um lado, a decisão do Marco Aurélio Melo é tecnicamente correta. A constituição não fala em suspensão de mandato e dar a um ministro do STF a prerrogativa de suspender liminarmente um mandato de senador é um equívoco. Lembro que a deterioração da conjuntura política começou quando o ministro Teori fez o mesmo em relação ao senador Delcídio do Amaral, Ali como agora, houve uma armação do Janot que queria radicalizar a conjuntura. Nunca ficou provado que aquela conversa com o filho do Cerveró foi mais do que uma bravata. Nunca se investigou se havia um plano de fuga em elaboração. Prendeu-se um banqueiro e quase se destruiu um Banco com base na conversa de uma terceira pessoa sobre o banqueiro e nenhuma prova direta coletada. Continuo achando que o Janot é um dos grandes inimigos da divisão e equilíbrio entre os poderes e da estabilização política no Brasil hoje.
Dito tudo isso vale lembrar que os crimes que o Aécio cometeu tem provas assim como os do Temer, ao passo que Sérgio Moro continua condenando a partir do novo código penal que ele instituiu m Curitiba. Neste sentido, foi importante o revés que ele sofreu esta semana no TRF da quarta região. A saída da conjuntura está na volta do garantismo e das regras do código penal.

Leonardo Avritzer

Cenários... Seleção de grandes previsões de nossos brazilianistas sobre a volátil conjuntura política autóctone:


0) Enfim descoberta a Pedra Filosofal das poliarquias de latinoamerica e del caribe. Presidencialismo de coalizão + neodesenvolvimentismo social é a fórmula da estabilidade política e social em países da periferia do capitalismo. Qualidade das poliarquias em alta...
1) "Jornadas" de junho de 2013, cujas causas são a "demanda da sociedade civil por participação", são o início da renovação ética da política brasileira;
2) Haverá uma rebelião das massas durante a Copa de 2014, contra o neoliberalismo lulista;
3) A melhor estratégia para ganhar a eleição a qualquer custo é forçar uma polarização com o PSDB no segundo turno e desconstruir o Aécio, com os recursos de marketing que estiverem à mão;
4) Dilma não será impedida mesmo sem negociar com o PMDB e os "achacadores" fisiológicos de costume;
5) Cunha será julgado pelo STF e preso antes da votação do impeachment, devido à forte influência política republicana do ministro Cardoso;
6) Haverá resistência maciça do povo ao "Golpe"!!; [única previsão com direito a maiúscula e ponto de exclamação]
7) A Lava Jato não acaba nem perde força após o impeachment de Dilma, pois trata-se de uma operação republicana liderada por uma elite corporativa com valores éticos e apartidária, e apoiada pelo cidadão de bem, idem;
8) Aliança PSDB-PMDB não tem futuro, pois a ética de uma moderna economia de mercado é incompatível com o assistencialismo-fisiológico interiorano de nosso "average citizen";
9) Temer não dura dois dias no governo com a oposição da Globo, da PGR e dos MEMEs da internet. Renúncia é iminente.
10) Lula não será preso nem terá seus direitos políticos cassados devido ao "acordão contra a Lava Jato" e sairá fortalecido e quicando para 2018;
11) Candidatura Lula em 2018 e fracasso do governo Temer serão capazes de provocar um renascimento do PT e a preservação de sua hegemonia na esquerda, sem necessidade de renovação, autocrítica ou algo que se assemelhe a isso;
12) Retornaremos ao ponto 0 da dinâmica do presidencialismo de coalizão. Estabilidade cum crescimento econômico e "políticas sociais" universalistas eficazes. Qualidade da poliarquia brasileira em alta...
Escreva a sua sequencia...
Sérgio Braga


A grande esperteza do capitalismo foi convencer gente,
inclusive gente de esquerda, que:
>>> a culpa dos defeitos do capitalismo é das pessoas.
>>> a culpa dos defeitos do comunismo é do sistema.

by Roberto Pereira

sexta-feira, 30 de junho de 2017

A decisão de Marco Aurélio confirma a tese de que o PSDB segue ileso. O mais problemático é que mostra o quanto o STF é uma instituição seletiva. Suas decisões apenas ratificam o comportamento de uma elite que está também envolvida nos processos que alimentam uma República do privilégio, da impunidade, quando se trata principalmente de envolvidos em crimes pertencentes a fatia mais rica deste país. O STF age de acordo com os interesses da classe que representa. Crimes de colarinho branco quase sempre que foram e chegaram a ser julgados por esta corte foram absolvidos. Esta é uma corte que envergonha o país. Se alguém ainda acha que a saída desta crise e a justiça virá desta corte está completamente enganado. Desde que começou a operação Lava Jato, alguém sabe me informar quantos foram condenados pelo STF? O STF é um corte de privilégios, que alimenta, por suas práticas, injustiças sociais e desigualdades, além de práticas criminosas por sujeitos envolvidos em atos ilícitos. Esta é a corte que condena, provavelmente, alguém ao roubar alimento; e muito provavelmente não condenará aquele que trafica pasta base em aviões. A justiça tem partido e assume posturas condizentes com os valores da classe que representa. A justiça não é neutra e muito menos imparcial. O STF é a corte que tem legitimado práticas e os cortes promovidos por um governo envolvido em diversos atos de corrupção.

Marciano Monteiro
Uma das funções da Justiça é personificar o sentimento de frustração da sociedade. Quando a Justiça inocenta alguém que juramos ser culpado, essa suposta culpa passa para um segundo plano. Já não mais dizemos "aquele criminoso merece cadeia", mas sim "essa é a Justiça desse país", ou "juiz comprado", entre outros maldizeres. O sentimento acusador fica difuso, perde força. O crime que antes víamos com clareza se torna quase uma miragem. O dedo que apontava para o investigado, denunciado ou réu, passa a ser direcionado para a Justiça. Vale dizer, para o nada, já que a Justiça é uma entidade distante em tudo, inclusive nas roupas que usa e na língua que fala. Eis mais um motivo para Aécio e Rocha Loures brindarem o dia de hoje com seus vinhos preferidos.

Marcelo Amorim