sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
Contribuições para a leitura, estudos e reflexão
Orientações: Ligia Klein
"O capital monopolista desencadeia um processo que se
orienta no sentido de converter os homens em objeto de manipulação. A
necessidade [lei] da "Força objetiva" que nega a liberdade individual
não abre mais seu caminho apenas 'em última instância', ela se impõe cada vez
mais como uma 'primeira instância', como uma experiência imediata já no seio da
vida cotidiana." (C. N. Coutinho)
"O imperialismo [representa] um aumento do
endurecimento do ambiente, a expansão da potência do capital monopolista sobre
todos os âmbitos da vida, o domínio dos menores movimentos através de um
controle de tipo fascista." (Lukács).
A criminalização dos movimentos sociais somada,
contraditoriamente, à ampliação da criminalização do indivíduo com apoio dos
movimentos sociais (restringindo à esfera unicamente subjetivo-abstrata as
chagas sociais): eis a nitroglicerina para o fascismo. Que, aliás,está à nossa porta,
mais terrível do que a onda anterior, com todo o apoio da
"centro-esquerda".
Sugiro a leitura urgente de "Estruturalismo e a miséria
da razão" do Carlos Nelson Coutinho.
É necessário estarmos atentos.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
Sonho
Quantas vezes, em sonho, as asas da saudade
Solto para onde estás, e fico de ti perto!
Como, depois do sonho, é triste a realidade!
Como tudo, sem ti, fica depois deserto!
Sonho... Minha alma voa. O ar gorjeia e soluça.
Noite... A amplidão se estende, iluminada e calma:
De cada estrela de ouro um anjo se debruça,
E abre o olhar espantado, ao ver passar minha alma.
Há por tudo a alegria e o rumor de um noivado.
Em torno a cada ninho anda bailando uma asa.
E, como sobre um leito um alvo cortinado,
Alva, a luz do luar cai sobre a tua casa.
Porém, subitamente, um relâmpago corta
Todo o espaço... O rumor de um salmo se levanta
E, sorrindo, serena, apareces à porta,
Como numa moldura a imagem de uma Santa...
Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (Rio de Janeiro, 16
de Dezembro de 1865 — 28 de Dezembro de 1918), jornalista e poeta, membro
fundador da Academia Brasileira de Letras.
Identidade Cultural Paranaense
Marilia KubotaBom dia! Lendo jornais e outros informativos
descubro que tudo de bom que existe no Paraná ou vem de Santa Catarina ou de
São Paulo: Cristóvão Tezza, Manoel Carlos Karam, Valêncio Xavier, teses,
dissertações e traduções interessantes. Nossos lazarentos são muito jaguaras.
Tania Santos a falta de identidade, a baixa auto-estima do
paranaense (mix de etnias menores e subjulgadas pelas etnias auto proclamadas
superiores - alemães) explica muita coisa - uma delas é o fato do Paraná não
conseguir ter representação significativa em todas as áreas culturais e
políticas também a nivel nacional.
Marilia Kubota ...bom, pelo menos o lava-jato está aqui, por
ora...
Attila
Wensersky Dalton, Poty, Leminski, Kolody, Freire Maia, Bueno, Morozowicz. Temos
sim.
E muitos outros, Mas nossa mania de vira-latas continua
grande.
Alice Ruiz Helena Kolody, Luci Collin, Ada Maccagi, Adelia
Woellner, Marilia Kubota
Gloria Kirinus,
Marilda Confortin...
Marilena Wolf De Mello Braga Marilia, tuas bandidagens me
divertem. Adoro!
Gloria Kirinus ...Mas eu sou peru, perua ou peruana de fora
rsrsrs
Alice Ruiz Peruana totalmente adotada e assimilada pelas
terras dos pinheirais.
Marilia Kubota ... ao meu lado vive alguém que defende os
curitibanos todos os dias...eu não sou curitibana, sou caiçara. paranaguá é
meio um lugar fora do mundo, o paraná nasceu lá e qndo subiu a serra
desapareceu na geada de curitiba. se a capital do paraná fosse paranaguá,
seríamos uma espécie de rio de janeiro.
Ivan Justen Santana Dario Vellozo nasceu no Rio de Janeiro,
mas veio morar em Curitiba aos dezesseis anos de idade (dele, não de Curitiba),
e é um dos forjadores da cultura paranaense, a qual a gente insiste em
considerar que existe (mesmo sendo mais uma coisa múltipla e mutante do que só
aquele paranismo típico da araucária e da gralha azul). Não basta certidão de
nascimento paranaense para ser paranaense, e há muitas figuras influentes da
cultura paranaense que não têm essa certidão, mas têm quilometragem suficiente,
criaram-se ou adotaram-se paranaenses. O problema de ser paranaense talvez seja
que é preciso mais de dez linhas pra explicar o que é isso, uma vez que não há
um estereótipo humano paranaense, e apenas as figuras da natureza seriam
representantes imediatos (olha aqui essa gralha, agora olha essa araucária,
agora... você teria uns quinze ou vinte minutos?). De qualquer modo, Cristovão
Tezza já é paranaense faz tempo, idem pros outros citados por você, Marilia
Kubota, sua jaguara lazarenta duma figa! (boca maldita é paranaense... )
Marilia Kubota ...há 100 anos ser "japonês" era
muito feio...será que daqui a 100 anos ser paranaense vai ser bonito graças a
leminski dalton alice ruiz poty? ou só é bonito ser atleticano ou coxa-branca ?
a ufpr perde para ufsc na área de crítica e tradução e não temos editoras ou
eventos ou politicas para o livro nem valorização de autores do paraná...quem é
dario vellozo para o restante do brasil ?
Ivan Justen Santana Opa: será que a UFPR perde mesmo pra
UFSC nessas áreas? Você sabe qual é a avaliação/nota da CAPES para os
departamentos de pós-graduação em Letras dessas duas universidades, Marilia?
Por sinal, ser japonês há 70 anos, na época da Segunda Guerra Mundial, ou mesmo
há 45 anos, na época em que Yoko Ono enfeitiçou John Lennon, não devia ser
bolinho... Ser paranaense pode ser bonito pra quem ache, e Dario Vellozo é o
fundador do Instituto Neo-Pitagórico, que se mantém vivo, mundialmente conhecido,
editando trimestralmente a revista "A Lâmpada" desde 1931. E me
parece que foi sobre a poesia de Dario Vellozo que Claudio Daniel defendeu uma
tese de doutorado na USP há poucos dias. Conclusão: o povão pode não saber nada
de Dario Vellozo, mas quem tem profundidade de conhecimento em literatura
brasileira deveria saber (e a poesia de Dario Vellozo não é fácil mesmo, nem
nunca pretendeu ser).
Ivan Justen Santana Não temos editoras (Arte&Letra,
Kafka Edições,Travessa dos Editores, Editora da UFPR, ...) ou eventos
(Litercultura, Semana Literária SESC, Feira de Livros da UFPR, CuTUCando a
inspiração, Vox Urbe, ...) ou políticas para o livro nem valorização de autores
do Paraná (quando tem, a gente não participa se não pagarem, né?) --
Ivan Justen Santana "se a capital do paraná fosse
paranaguá, seríamos uma espécie de rio de janeiro." -- Ainda bem que não
somos uma espécie de Rio de Janeiro, e façamos de tudo pra não virar "uma
espécie de São Paulo", conforme as tendências mais homogeneizantes nos
puxam pra. É bonito sim ser paranaense, e manter a língua afiada --
Marilia Kubota concordo, tania, ainda sofremos por falta de
identidade cultural .você lembra a piada de uma jornalista da globo na copa de
que para a seleção espanhola era "melhor perder no maracanã do que em
curitiba?" acho que dá a dimensão de como o senso comum, representado pela
visão estereotipada da jornalista vê paraná/curitiba no brasil. lígia, agora mudei para cevada. bem melhor do
que café e não sofro de insônia. na próxima vez que for a s. miguel vou levar
para o joão pé-de-café experimentar.
...meu humor está bom, guinski. só leio
jornais do paraná que todos os dias gritam que o se produz nos estados vizinhos
é superior. ...attila, quem é freire maia ? ontem, num
concerto ouvi um pouco de música paranaense (brasílio itiberê e henrique de curitiba),
mas esses concertos são raros. a cultura paranaense disseminada primeiro para
os paranaenses, nas universidades, na mídia regional e aí acho que haveria mais
orgulho, menos dependência cultural. claro que o primeiro critério para a arte
é ser universal. a ideia de tolstoi, fale de sua aldeia e seja universal. Obrigada, Alice querida. Mas fora você, todas
nós, inclusive dona Helena continuamos paranaenses no sentido pejorativo. E
poeta mulher, piorou, restritas ao circo "literatura feminina".É, Marilena, mas não é simples bandidagem.
Você conhece bem o faroeste caboclo aqui do Paraná. Pois é, Gloria, por esse critério, morar no
Paraná há tempos você pode ser considerada escritora paranaense ? Se é assim,
porque não é incluída em mapeamentos oficiais ?
Marilia Kubota Ontem vi você passar diante do Café Sicilia,
Ivan, o enfant terrible. Quase te chamei, mas sabia que como bons poetas
paranaenses sentaríamos um diante do outro sem dizer nada. Hahaha.
Não conheço a vida e a obra de Dario Vellozo,
li "Cinerário", fui duas vezes ao Templo das Musas, li um conto de
Leminski muito divertido sobre ele publicado num dos primeiros números de
Nicolau. Ter sido citado em pesquisa de Claudio Daniel, valoriza, né ? Mas eu achava
melhor você, pesquisador da literatura paranaense, escrever um artigo sobre
Dario na Gazeta. Dai talvez ser paranaense deixe de ser sinônimo de ser gralha
ou araucária. ...eventos literários tem que ser os bancados
por instituições. fui numa das semanas literárias do sesc ver o alcir pécora,
que vergonha ! depois de três perguntas encerraram o debate porque estava sendo
muito polêmico...o litercultura é uma iniciativa interessante do marcelo
almeida por sair fora do circuito oficial , mas ainda não se firmou, não sei se
com a nova curadoria do manoel da costa pinto melhora ou é invadida pelos
paulistanos cult. de qq forma é legal conhecer coetzee, mia couto, valter hugo
mãe, skármeta...faltam poetas...o magella mereceria mais que o tuc por sua
militância poética em curitiba. mas um poeta é feliz pelos encontros, porque
veste o hábito da poesia todos os dias. poetas que vestem hábitos falsos são
suspeitos, mas aceitos no circuito marginal/oficial. falta de editoras é um problema
mesmo,nem uma se consolida. a travessa dos editores poderia ter sido a editora
paranaense, mas também ficou para a história. Dante Mendonça questiona em sua coluna na
Tribuna do Paraná se Curitiba foi criada por Ébano Pereira ou Jayme Lerner...
Ivan Justen Santana__________________ Estou finalizando tese sobre o Emiliano
Perneta, Marilia -- quando eu for defender a tese você pode me cobrar algum
artigo (talvez na gazeta) sobre este poeta. Enquanto isso, recomendo que você
leia o livro do Luiz Claudio Soares De Oliveira, "Dalton Trevisan (en)
contra o Paranismo", publicado por uma tal de Travessa dos Editores (tem
uma bela introdução sobre a história da nossa literatura). E da próxima vez que
me vir, pode me chamar, que as coisas estão mudando, e os poetas paranaenses
acho que já aprenderam pelo menos a cumprimentar uns aos outros.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
DOIS POETAS NA PRAIA
É carnaval,
a terra treme:
um casal de poetas conversa
na praia do Leme!
Falam os dois de poesia
e dos banhistas
que nunca lerão Drummond nem Mallarmé.
- E lerão o meu poema?
pergunta ela.
- Alguém vai ler.
- Pois mesmo que não leia
não vou deixar de dizer
o que vejo nesta areia
que eles pisam sem ver.
E o poeta mais velho
sorri confortado:
a poesia está ali
renascida a seu lado.
Ferreira Gullar
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
Xadrez de estrelas
Xadrez de estrelas.
Gamão de frases.
Jogo de damas ou lance de dados.
Não importa.
Ser poeta é levar a sério
a brincadeira.
[olw]
GUERRA DO PELOPONESO
Brincar com as palavras
é perigoso.
Você faz amizades
e desfaz amores.
Pede água
e te dão fogo.
E até de noite
as palavras
te roubam o sono.
Por isso ser poeta
é para poucos.
Não é para quem quer
mas para quem ousa
dar um novo nome
às velhas coisas.
(Beijo, por exemplo, mais que ósculo
é lua de fogo sobre o Peloponeso...)
E só quem anda
no fio da navalha,
equilibrando impérios
e escombros,
sabe o risco contido
neste jogo.
Otto Leopoldo Winck
SAI BOÇAL
cassar é pouco
empalem o parlamentar
decepem o seu lado direito
piquem tudo bem picadinho
despachem aos destinatários
tarifa a cobrar
[ricardo corona]
pressões desencadeadas sobre o governo radical
No prefácio para “Diário do Exílio”, de Trotski, Alfred
Rosmer escreve sobre as pressões desencadeadas sobre o governo
radical-socialista francês, em 1934:
“Nos primeiros de 1934, o pretexto de uma agitação contra o
ministério radical no poder à época, e contra o parlamentarismo em geral, fora
fornecido por um escândalo financeiro no qual alguns políticos estavam mais ou
menos comprometidos. Esse tipo de escândalo estoura de tempo em tempo em todos
os países e sob todos os regimes (na Inglaterra, até Lloyd George...) e a
guerra e o após-guerra eram tempos favoráveis para essa eclosão. Durante um mês
inteiro, ruidosas manifestações desenrolaram-se todas as noites nos arredores
do Palácio Bourbon. Juventudes patrióticas fascistas, camelôs da Ação francesa
monarquista, Cruz de Fogo, associação nacionalista de antigos combatentes,
ocupavam ruas e avenidas aos gritos de “Abaixo os ladrões!”. A polícia, sob as
ordens do prefeito Chiappe, cúmplice dos manifestantes, os protegia. Houve
muitos, entre aqueles defensores da honestidade, que tinham recebido subsídios
do escroque (o inquérito posterior revelou que o próprio distribuíra dois
milhões, à “grande” e à “pequena” imprensa, jornais de esquerda e de direita
estavam na folha de pagamento); essas demonstrações repetidas encontraram eco
naquela parte do povo que na França é sempre possível arrolar sob a bandeira do
anti-parlamentarismo (...)”
As diferenças são muitas, mas as semelhanças são assombrosas.
Roberto elias Salomão
Anisio Garcez Homem_____________________ Mas este é um lado da equação Salomão o
outro é: em "Aonde Vai a França" Trotsky escreve um capítulo onde
responde à seguinte questão: "é inevitável a passagem das classes médias
ao campo do fascismo?". E ele responde que não, mas tudo depende do
Partido da classe trabalhadora se desembaraçar da aliança e do jogo parlamentar
tutelado com o partido radical (burguês) que não aponta nenhuma saída positiva
às massas e construir uma aliança política real com as classes médias em torno de
um programa de verdadeiras mudanças sociais. É um dilema que temos para o PT
hoje: podemos ganhar os setores médios da sociedade, muitos aliás que já
votaram e confiaram no PT, desde que o partido lhes ofereça uma séria política
anti-imperialista e de salvaguarda dos interesses sociais diante das investidas
regressivas do mercado.
Roberto Elias Salomão___________________ É evidente que à distância de um
continente, um hemisfério e 80 anos, as diferenças sobressaem. Mas o que quis
ressaltar foi, de um lado, a utilização do mesmo discurso moralista de
preferência da burguesia e, de outro, a paralisia do governo.
Anisio Garcez Homem____________________ Salomão, vc tem razão a respeito do
discurso moralista, não quis contestar isso, apenas acrescentei que há um
outra parte da equação e que diz respeito ao papel do partido e das
organizações dos trabalhadores em relação à classe média para não deixar
prosperar, no desespero, este discurso manipulado pelo capital financeiro, que
é quem financia e incentiva o ódio contra a classe trabalhadora insuflando o
fascismo.
Edison Taques___________________________ Em minha humilde opinião, o "partido da
classe trabalhadora" já escolheu seu caminho.
domingo, 14 de dezembro de 2014
Não, não existe racismo:
Otto Leopoldo Winck
"Um deles vestia uma camisa do Atlético; o outro, uma camiseta
cinza. Ambos usavam bonés. Tinham em torno de 30 anos. Caminhavam por uma rua
do Caiçara, em Belo Horizonte, quando viram o ônibus que iriam pegar se
aproximando e, num impulso, dispararam em direção ao ponto.
Mal tinham corrido quatro metros quando foram abordados por
um camburão da PM e viram armas saindo da janela do veículo e apontadas para
suas cabeças.
Eles haviam se esquecido de uma regra básica de nossa
sociedade: homens negros não podem correr.
Ao menos, não em público.
Quatro policiais desceram e, com as armas ainda apontadas
para os dois amigos, puxaram seus braços com força - braços que os dois
sujeitos já haviam levado automaticamente para trás da cabeça.
O motorista do ônibus parou atrás do camburão enquanto os
aspirantes a passageiros eram revistados com brutalidade.
Do meu carro, assisti atônito à cena. Inicialmente assustado
- não em função dos "ameaçadores" corredores, mas ao ver armas
apontadas em público -, logo vi o susto ser substituído por imensa revolta. Era
patente o racismo envolvido: fosse eu o homem correndo pela rua, os PMs
dificilmente me abordariam daquela maneira.
No entanto, o que mais me doeu não foi sequer o ato da
polícia, mas a reação dos dois amigos: ao verem armas apontadas para seus
rostos, eles simplesmente fizeram um aceno negativo resignado com a cabeça,
como se dissessem "Não é possível; será sempre assim?", e assumiram a
postura para a revista sem que ninguém ordenasse.
Revistados, entregaram os documentos e apontaram para o
ônibus, explicando por que haviam corrido. Os policiais se entreolharam,
fizeram um comentário inaudível e atiraram os documentos de volta quase com
desprezo.
Do ônibus, o motorista acenou para os dois amigos num gesto
de "venham!" e abriu a porta. Havia esperado por eles ao perceber o
que ocorrera.
Também era negro.
Segui com o carro e passei ao lado da viatura. Havia
esquecido de prender o cinto de segurança, mas ninguém me incomodou."
(Ah, meu comentário
lá no início está no modo irônico.)
André Castelo Branco Machado
"(...) as palavras de Bolsonaro não saíram assim,
inadvertidamente, de sua boca. Foram escolhidas para serem intimidatórias. E
mais. Foram faladas na véspera em que seria apresentado publicamente o
relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV), para o qual foram
ouvidos depoimentos de muitas mulheres presas políticas durante a ditadura e
que relatam, via de regra, que foram brutalmente estupradas por seus
torturadores. Esse fato torna ainda mais cruel o que foi dito pelo deputado
numa sessão da Câmara Federal.
Mas Bolsonaro não está só. A ideia de aceitar que
estupradores, e todo tipo de torturadores, do período da ditadura sejam
absolvidos sem nunca terem respondido pelos seus crimes encontra respaldado em
setores que se julgam poderosos. Um exemplo deste respaldo?
O editorial da Folha de São Paulo de hoje, 12 de dezembro,
onde, condenando uma eventual revisão da lei de anistia que ameaçaria punir os
crimes da ditadura, afirma sem nenhum pudor:
“Por mais que seus efeitos possam ser repugnantes do ângulo
humanitário, sobretudo para os atingidos pela violência ditatorial, a anistia
irrestrita é um dos pilares sobre os quais se apoia a democracia brasileira.
Foi sua aceitação pelo conjunto das forças políticas que rompeu o ciclo de
retaliações iniciado em 64.”
Ou seja, para a Folha, os torturadores, que estupraram e
mataram covardemente presos políticos, embora tenham cometido um ato repugnante
do “ângulo humanitário” (sugere que exista outro ângulo a ser visto), devem ser
absolvidos criminalmente, porque é sob esta absolvição que se escora a
democracia brasileira(...)".
Leia na íntegra no Blog.
Roberto Elias Salomão____________________ Essa é uma das maiores balelas da
história do Brasil: a de que Lei de Anistia foi fruto de um "amplo
consenso" entre todas as forças políticas. Não houve consenso nenhum. Os
oposicionistas estavam mortos, presos ou exilados. Os que sobraram se viravam
como podiam: nas ruas, levando bombas na cara, ou no Congresso manietado. Pior
que as monstruosidades do Bolsonaro é o discurso bem-pensante da Folha, aquela
da ditabranda, aquela que cedeu veículos para a repressão.
Rafa Nolli_______________________________ e que alicerce bom o dessa nossa
democracia.......
Cesar Caldas Julio_________________________ anistia imposta por ditadores fortemente
armados... a Corte Internacional não aceitará a anistia para Crimes contra a
Humanidade. Essa anistia imposta viola a Declaração Universal dos Direitos
Humanos, da qual o Brasil é signatário.
Wilson Nogueira___________________ E quem bancava o aparato repressor? Qual a
mão que segurava a arma? Só os milicos ?As empresas que financiaram não
estariam receosas que a verdade dessa comissão tirasse o véu que as mantém nas
sombras e no seu Olimpo de vestais vitimas das circunstancias? Afinal a
proximidade com os homens de verde serviam também para proteger jornalistas
comunas da repressão dos "heróis da Redentora " espero que não
encontrem nos jornalões da época manchetes saudando o golpe como sendo
"revolucionário " e "restaurador da ordem democrática".
Sobre geopolítica
Thomas de
Toledo:
Da forma que as coisas estão caminhando, não dá mais para
esconder que o maior problema do planeta chama-se imperialismo dos Estados
Unidos com seus sócios menores europeus e Israel. No Oriente Médio já
destruíram o Iraque, o Líbano, estão destruindo a Síria e o pouco que restou da
Palestina. Na África, destruíram a Líbia, a Tunísia, a Somália, a Costa do
Marfim, Serra Leoa, Mali e ainda estão tentando destruir o Egito. Na Europa
destruíram a Iugoslávia e suas ex-repúblicas e operam para fazer o mesmo com
países vizinhos à Rússia, como fizeram com a Geórgia e agora fazem com a
Ucrânia. Vale ainda mencionar que na América Latina trabalham pela destruição
da Colômbia e da Venezuela, e operam golpes de Estado no Brasil e na Argentina.
Ou seja, fazem de tudo para impor regimes fantoches que obedeçam às ordens
imperiais e aqueles que resistem são chamados de "terroristas",
"ditadores", "eixo do mal" e tantos outros termos
fantasiosos para justificar mais uma nova agressão. Vejam o exemplo da Rússia:
bastou Putin ajudar a Síria a lutar contra mercenários estrangeiros que já foi
elevado à categoria de pior demônio do mundo (título que outrora foi emprestado
a Assad, Kaddaffi, Saddam e por aí vai). O fato é que hoje, o conglomerado
EUA-União Europeia-Israel trabalha por uma Segunda Guerra Fria ou Terceira
Guerra Mundial e por isto atacam a Rússia e a China e financiam movimentos
direitistas no Brasil. Fazem isto por uma coisa muito simples: o BRICS propõe
uma nova arquitetura financeira global na qual se substitua o artificial dólar
como reserva de valor. Mas se alguém ainda acha que essa guerra não há lado
bom, lembrem-se de uma coisa muito simples: os Estados Unidos defendem uma
ordem mundial unipolar na qual eles mandam e outros obedecem. O BRICS defende
uma ordem multipolar na qual haja diversos polos de poder e as decisões
internacionais sejam tomadas de acordo com os princípios da Carta da ONU. Na
prática, quem muito fala em democracia defende na verdade uma ditadura militar
planetária. E quem é acusado de "apoiar ditaduras" é quem luta por um
mundo mais democrático nas relações internacionais, respeitando a soberania e
autodeterminação dos povos.
torturador só é valente na tortura contra mulheres, civis e estudantes amarrados
Ricardo Costa de Oliveira __________________Na Democracia, o lugar do torturador profissional é na
cadeia. A Alemanha, o Chile e a Argentina pós-ditaduras sabem disso. Mesmo nas
Forças Armadas o torturador é visto com desprezo. Eu estudo e admiro a vida do
Patrono do Exército Brasileiro, o Duque de Caxias (de quem sou parente distante
- porque todas as velhas genealogias cariocas são aparentadas). Caxias, o
Pacificador, jamais permitiria covardes como os torturadores institucionais.
Não deve haver "Patronos da Arma da Tortura" nas Forças Armadas Brasileiras.
Lugar de estuprador é na cadeia também. Quem utiliza e abusa destes termos
criminosos não deve jamais ser aceito no legislativo democrático, ou em
qualquer outro lugar público da sociedade moderna.
A cultura da violência contra as mulheres é a mesma cultura
da covardia contra os direitos humanos e contra pessoas indefesas. Esta era uma
cultura baseada na certeza da impunidade, mas agora começam a existir ações
sobre seus limites. Na ordem democrática, o lugar do torturador, do corrupto,
do terrorista, ou o lugar de quem cometa qualquer violência política, rasgue
direitos humanos e constitucionais - é a mesma cadeia.
A ditadura militar de 1964-1985 foi um desastre social para
o país. Concentração de renda, corrupção impune, ausência de políticas sociais,
favelização, alta mortalidade infantil, saúde coletiva com índices
completamente subdesenvolvidos, analfabetismo elevado, fome generalizada,
dívida externa, FMI, inflação altíssima, falta de transparência política,
imprensa censurada e violência contra a universidade e contra a sociedade civil.
Muitos dos problemas sociais nacionais se encontram e se agravaram naquele
período. A ditadura foi derrotada e derrubada pela oposição democrática. Nós,
os que participamos das "Diretas Já", derrubamos a ditadura e seus
partidos políticos pela participação cívica e pelo voto direto. Qualquer
carrasco e torturador, que tenha cometido graves crimes contra os direitos
humanos, deve ser processado em qualquer momento.
Alberto Durão Coelho_______________________ Tenho a certeza de ter sido muito pior
se o lado-de-lá tivesse vencido em 1964, mas mesmo assim odeio a idéia de o
lado que inicialmente eu endossei ter descambado para o que descambou.(Você
sabe bem que o limite da minha tolerância pessoal foi atingido ao fim do
governo Castelo Branco, até lá eu estive no mesmo barco.)(Você sabe que
enxerguei nos milicos algo que você e a sua nova esquerda também têm:
estatofilia. Pela estotofilia enxergo a você mais perto dos milicos do que eu.
Nunca vi corrupção direta dos militares, no regime autocrático-militar de 64,
mas a estotofilia é uma porta aberta à corrupção, e acho que sei mais de
corrupção no conúbio entre o Estado e a empresa do que o que está aparecendo
nas recentes investigações, e o que sei é do tempo dos
milicos. Em meu modo de ver o capitalismo e o Estado grande
são mutuamente esclusivos, e para o Estado ser grande, até em minha cabeça
melhor seria o socialismo, pois as percerias Estado + empresa são inviáveis)Mas
o comentário que queria comentar neste ponto é relativo a carrascos.-- Qual a
diferença moral entre o carrasco e o torturador? Gostaria de uma análise sua.
Dennison de Oliveira______________________ Curioso esse "desastre" ter
convertido o Brasil de 64a. em 8a. economia mundial, com dominio de tecnologia
nuclear, espacial, biotecnológica e militar. O reducionismo da ditadura militar
à repressão política já deu o q tinha q dar. Não entenderemos a História do
Brasil insistindo nessa única nota.
Ricardo Costa de Oliveira_____________________________ Sim, mas em termos sociais a
ditadura foi um horror, o que explica o fracasso e a impopularidade da ARENA e
do PDS.
Dennison de Oliveira_________________________________ Verdade. Mesmo porque assumiam q
primeiro tinham q fazer o bolo crescer para depois dividir.
João Simões Lopes Filho___________________________ Mas será que o Brasil não poderia
ter chegado à 8a. economia mundial, com domínio de tecnologia nuclear,
espacial, biotecnológica e militar, sem a necessidade de uma ditadura militar? Elogiar a Ditadura por causa desses
"avanços" precisa se sustentar em alguma argumentação que provasse
que o projeto desenvolvimentista Pré-Golpe não chegaria lá também.
Renato Lopes Leite_______________________________ No quesito “desenvolvimento” e “maior
potência do mundo”, meu voto vai pra Adolf Hitler: foi o período de maior
“progresso” econômico e tecnológico da humanidade.
Dennison de Oliveira__________________________ O projeto desenvolvimentista Pré-Golpe
tava falido e esgotado. Não conheço autores que defendam as virtualidades das
"reformas de base" do Jango. Se vc os conhece, por favor, deixe a
referencia aqui.
Alberto Durão Coelho__________________________ Em sua opinião existiriam o carrasco
e o torturador que não cometam crime contra os direitos humanos? -- Existiria o
carrasco, mas não o torturador?
Dennison de Oliveira____________________________ Interpretativismo não é meu forte.
Prefiro discutir evidências empíricas.
Sérgio Braga__________________________________ Esse Bolsonaro é um boquirroto mal-educado e
ignorante como muitos os que existem na zona sul carioca. Uma vergonha para o
Exército e as Forças Armadas brasileiras que um sujeito tão tosco as represente
no Congresso. Vejam o caso dos EUA: após um relatório do Senado apontando
torturas nas bases de Guantanamo, a CIA e o Militares foram para a TV
reconhecer os erros e pedir desculpas aos cidadãos. Se as Forças Armadas
brasileiras fossem do mesmo naipe, dariam uma punição funcional ao Bolsonaro pelo
mau exemplo que dá aos jovens e à família brasileira. Uma vergonha.
Dennison de Oliveira__________________________ Seria o caso então caro Sérgio Braga
das autoridades atuais irem a TV se desculpar a cada três horas pelos cidadãos
mortos pelos agentes do Estado?
João Carlos de Freitas________________________ Caro Mestre Ricardo Costa de
Oliveira, com todo o respeito, pergunte aos paraguaios se Caxias era tão
pacificador assim. Acho que ele era muito cruel. Será que depois de mortos os
paraguaios precisava jogar seus corpos no rio para, como ele mesmo disse,
contaminar as populações ribeirinhas?
Alberto Durão Coelho________________________ Mas sobre o seu comentário relativo a
projeto "falido", eu tenho a dizer que ele estava mas é abortado
(pela traição do Jânio).
Ricardo Costa de Oliveira______________________ Caxias combateu em quase todas as
guerras e conflitos do Império. Era um homem do seu tempo e com as contradições
de sua época. Foram quadros políticos como Caxias que evitaram a fragmentação
política do Brasil em pequenas republiquetas caudilhescas, como na América
hispânica. Muitas críticas podem ser feitas em várias das campanhas militares
de Caxias, mas o comando dele nunca cometeu massacres, fuzilamentos, degolas e
torturas em massa, como fizeram os derrotados Rosas (Argentina), Solano Lopez
(Paraguai) e outros caudilhos assassinos das fronteiras. Caxias destruiu o núcleo
duro do Exército Paraguaio na Dezembrada e conquistou Assunção, como havia
comandado tropas brasileiras antes no Maranhão, Minas Gerais, São Paulo, Rio
Grande do Sul, Uruguai e Argentina, sempre com elevada capacidade política. Na
Batalha de Itororó, Caxias com 65 anos comandou a carga de cavalaria final, com
grande bravura, pessoalmente exposto ao fogo inimigo, no que seria criticado
posteriormente no Senado. O Conde D'Eu comandou a campanha terminal de busca e
destruição para finalizar a Guerra do Paraguai. Muitas vezes o militar
torturador só é valente na tortura contra mulheres, civis e estudantes
amarrados porque se rende covardemente quando é preso por outros homens
armados, como foi o caso de Pinochet e do notório torturador da marinha
argentina, o Astiz http://es.wikipedia.org/wiki/Alfredo_Astiz
Ricardo Costa de Oliveira______________________ Não era um projeto falido, mas sim
mal administrado na gestão dos conflitos. O PTB ou o PSD de 1964 ainda poderiam
disputar as eleições presidenciais de 1965 e vencer. João Goulart e JK ainda
tinham popularidades consideráveis.
http://blogdomariomagalhaes.blogosfera.uol.com.br/...
Pesquisa Ibope de março de 1964 mostra que Jango mantinha
alta popularidade
"Se o presidente João Goulart também pudesse...
BLOGDOMARIOMAGALHAES.BLOGOSFERA.UOL.COM.BR
Reginaldo Ramos de Lima_____________________ Seria possível combater a subversão
e a insurgência, independe do matiz, sem a prática da tortura? https://www.youtube.com/watch?v=KeXmi9sbxDE
Relação de mortos pelos terroristas no Regime Militar
Após a Anistia Política, no final da década de 70, os...
YOUTUBE.COM
Ricardo Costa de Oliveira____________________ Sem ditadura não haveria guerrilha
e nem insurgência armada. Uma sociedade nunca deve abandonar o caminho do
Estado democrático e nem abandonar os direitos humanos. As diferentes posições
e ideias políticas, os diferentes grupos e partidos políticos devem respeitar a
Constituição e disputar o poder pelas eleições democráticas.
Reginaldo Ramos de Lima Desde a revolução cubana, a
guerrilha já estava sendo preparada.
Reginaldo Ramos de Lima Havia todo um clima em se repetir no
Brasil uma revolução comunista como em Cuba ou na China. Era a ordem do dia dos
vários movimento guerrilheiros.
Ricardo Costa de Oliveira__________________ Cuba, Vietnã, China, Rússia
Czarista eram regimes despóticos e ditatoriais. No ambiente democrático, como
na Europa Ocidental e agora na América do Sul, a esquerda evoluiu pelas
eleições vitoriosas.
Reginaldo Ramos de Lima__________________ Não era esse pensamento na década de
60. E mesmo hoje o PT tem um projeto hegemônico de implantar o socialismo pela
via institucional.
Leonardo Ávila___________________________ Sim. Inclusive a Katia Abreu fará s reforma
agrária assim que assumir a pasta da agricultura.
Reginaldo Ramos de Lima____________________ É um projeto gramsciano, bastante
discutido entre as principais correntes ideológicas do PT. Longe das correntes
stalinistas e trotskistas.
Leonardo Ávila____________________________ estou de olho nessa "revolução
cultural" voltada ao consumo e aos commodities.
Reginaldo Ramos de Lima_____________________ Aguardemos as próximas eleições ...
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