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terça-feira, 12 de novembro de 2019

O Direito ao Delírio



Eduardo Galeano


Está a nascer o novo milênio. Não dá para levar o assunto demasiado a sério: ao fim e ao cabo o ano 2001 dos cristãos é também o ano 1379 dos muçulmanos, o 5114 dos maias e o 5762 dos judeus. Além disso, o novo milênio nasce no primeiro de Janeiro por obra e graça de um capricho dos senadores romanos, que em determinada altura decidiram romper com a tradição que mandava celebrar o ano novo no começo de cada primavera. A contagem dos anos da era cristã provém ainda de outro capricho: um belo dia o papa de Roma decidiu datar o nascimento de Jesus, mesmo que ninguém pudesse precisar então em que data tinha ele nascido. O tempo ri-se dos limites que inventamos para construirmos a ficção de que ele nos obedece, mas o mundo inteiro celebra e teme essa espécie de fronteira. Milênio vai, milênio vem, a ocasião é, assim, propícia para que oradores de inflamada verve possam perorar acerca do destino da humanidade, e para que os arautos da ira de Deus possam anunciar o fim do mundo.
O tempo, esse, lá continua sossegado a sua caminhada ao longo da eternidade e do mistério. Verdade seja dita, porém, a uma data assim, por mais arbitrária que ela seja, não há quem resista, e ninguém escapa afinal à tentação de tentar saber como será o tempo que será. Vá-se lá saber porém como será. Possuímos uma única certeza: no século vinte e um, ainda que possamos estar aqui, seremos todos gente do século passado e, pior ainda, seremos gente do passado milénio. Não podemos todavia tentar adivinhar o tempo que será sem que tenhamos, pelo menos, o direito de imaginar aquele que queremos que seja.
Em 1948 e em 1976, as Nações Unidas proclamaram extensas listas de direitos humanos, mas a imensa maioria da humanidade não tem senão o direito de ver, de ouvir e de calar.

Que tal se começássemos a exercer o nunca proclamado direito de sonhar?
Que tal se delirássemos por um pouco?

Vamos então lançar o olhar para lá da infâmia, tentando adivinhar outro mundo possível. No próximo milênio o ar estará limpo de todo veneno que não venha dos medos humanos e das humanas paixões. Nas ruas, os automóveis serão esmagados pelos cães. As pessoas não serão programadas por computador, nem compradas no supermercado, nem espiadas por televisor. O televisor deixará de ser o membro mais importante da família e será tratado como o ferro de engomar ou a máquina de lavar a roupa. As pessoas trabalharão para viver, em vez de viverem para trabalhar. Será incorporado nos códigos penais o delito de estupidez, que cometem todos aqueles que vivem para ter ou para ganhar, em vez de viverem apenas para viver, como canta o pássaro sem saber que canta e como brinca a criança sem saber que brinca. Em nenhum país serão presos os jovens que se recusem a cumprir o serviço militar. Os economistas não chamarão nível de vida ao nível de consumo, nem chamarão qualidade de vida à quantidade de coisas. Os cozinheiros deixarão de considerar que as lagostas gostam de ser cosidas vivas. Os historiadores deixarão de crer que existiram países que gostaram de ser invadidos. Os políticos não acreditarão mais que os pobres adoram comer promessas. A solenidade deixará de se julgar uma virtude e ninguém tomará a sério nada que não seja capaz de assumir. A morte e o dinheiro perderão os seus poderes mágicos, e nem por disfunção ou por acaso será possível transformar o canalha em cavalheiro virtuoso. Ninguém será considerado herói ou louco só porque faz aquilo que acredita ser justo, em vez de fazer aquilo que mais lhe convém. O mundo já não se encontrará em guerra contra os pobres, mas sim contra a pobreza, e a indústria militar não terá outro caminho senão declarar a falência. A comida não será uma mercadoria, nem a comunicação um negócio, porque a comida e a comunicação são direitos humanos. Ninguém morrerá de fome porque ninguém morrerá de indigestão. As crianças de rua não serão tratadas como se fossem lixo, porque não haverá crianças de rua. Os meninos ricos não serão tratadas como se fossem dinheiro porque não existirão meninos ricos. A educação não será um privilégio apenas de quem possa pagá-la. A polícia não será a maldição daqueles que não podem comprá-la. A justiça e a liberdade, irmãs siamesas condenadas a viverem separadas, voltarão a juntar-se, bem unidas ombro com ombro. Uma mulher, negra, será presidente do Brasil e outra mulher, negra também, será presidente dos Estados Unidos da América; uma mulher índia governará a Guatemala, e outra o Peru. Na Argentina, as loucas da Praça de Maio serão um exemplo de saúde mental, porque se negaram a esquecer em tempos de amnésia obrigatória. A Santa Madre Igreja corrigirá os erros das tábuas de Moisés, e o sexto mandamento mandará festejar o corpo. A Igreja ditará também outro mandamento que havia sido esquecido: "Amarás a natureza, da qual fazes parte". E serão reflorestados os desertos do mundo e os desertos da alma. Os desesperados serão esperados e os perdidos serão encontrados, porque eles são aqueles que desesperaram de tanto esperar e os que se perderam de tanto procurar. Seremos compatriotas e contemporâneos de todos os que tenham desejo de justiça e desejo de beleza, tenham nascido onde tenham nascido e tenham vivido quando tenham vivido, sem que importem as fronteiras do mapa e do tempo. A perfeição continuará a ser o aborrecido privilégio dos deuses, mas, neste mundo imperfeito e exaltante, cada noite será vivida como se fosse a última e cada dia como se fosse o primeiro. Dez.99

sábado, 26 de novembro de 2016

Fidel

 por Eduardo Galeano


"Mas seus inimigos não dizem que não foi para posar para a História que abriu o peito para as balas quando veio a invasão, que enfrentou os furacões de igual pra igual, de furacão a furacão, que sobreviveu a 637 atentados, que sua contagiosa energia foi decisiva para transformar uma colônia em pátria e que não foi nem por feitiço de mandinga nem por milagre de Deus que essa nova pátria conseguiu sobreviver a dez presidentes dos Estados Unidos, que já estavam com o guardanapo no pescoço para almoçá-la de faca e garfo. [...] E não dizem que apesar de todos os pesares, apesar das agressões de fora e das arbitrariedades de dentro, essa ilha sofrida mas obstinadamente alegre gerou a sociedade latino-americana menos injusta."

domingo, 21 de junho de 2015

En MONCADA


Publicado el 14 Enero 2012 

 Yo tenía doce años cuando el asalto al Moncada, dieciséis cuando el desembarco del Granma, dieciocho cuando los guerrilleros entraron, victoriosos, en La Habana. Los hombres de mi generación hemos tenido la suerte de coincidir, en el tiempo, con la Revolución Cubana. Desde temprano se nos mezcló en la vida y se nos metió en el alma. Junto a muchos millones de hombres, celebro esta revolución como si fuera mía.
Ella me ha transmitido fuerzas cuando me he sentido caer. Me ha contagiado energía, día tras día, año tras año, a lo largo del proceso que la puso a salvo de la derrota o la traición. Cuba rompió en pedazos la estructura de la injusticia y confirmó que la explotación de unas clases sociales por otras y de unos países por otros no es el resultado de una tendencia “natural” de la condición humana ni está implícita en la armonía del universo. Muchas murallas se ha llevado por delante este viento de buena furia popular.
La colonia se hizo patria y los trabajadores, dueños de su destino. La mujer dejó de ser una pasiva ciudadana de segunda clase. Se acabó el desarrollo desigual que en toda América Latina castiga al campo a la par que hincha a unas pocas ciudades babilónicas y parasitarias. Se borró la frontera que separa el trabajo intelectual del trabajo manual, resultado de las tradicionales mutilaciones que nos reducen a una sola dimensión y nos fracturan la conciencia.
No ha resultado ningún paseo esta hazaña, ni ha sido lineal el camino. Cuando son verdaderas, las revoluciones se hacen en las condiciones posibles. En un mundo que no admite arcas de Noé, Cuba ha creado una sociedad solidaria a un paso del centro del sistema enemigo. En todo este tiempo, yo he amado mucho a esta revolución. Y no solo en sus aciertos, lo que resultaría fácil, sino también en sus tropezones y en sus contradicciones.
También en sus errores me reconozco: este proceso ha sido realizado por sencillas gentes de carne y hueso, y no por héroes de bronce ni máquinas infalibles.La Revolución Cubana me ha proporcionado una incesante fuente de esperanza. Ahí están, más poderosas que toda duda o reparo, esas nuevas generaciones educadas para la participación y no para el egoísmo, para la creación y no para el consumo, para la solidaridad y no para la competencia. Y ahí está, más fuerte que cualquier desaliento, la prueba viva de que la lucha por la dignidad del hombre no es una pasión inútil, y la demostración, palpable y cotidiana, de que el mundo nuevo puede ser construido en la realidad y no solo en la imaginación de los profetas.

Eduardo Galeano


Revista Casa de las Américas (No. 111, nov.-dic. de 1978, pp. 104-105)

Distâncias

10 de janeiro - Distâncias

O automóvel ia tossindo. E aos trambolhões, empilhados dentro do automóvel, viajavam alguns músicos. Estavam indo alegrar uma reunião de camponeses, mas já fazia um bom tempo que andavam perdidos pelos caminhos ferventes de Santiago del Estero.
Os desorientados não tinham a quem perguntar. Não havia ninguém, não sobrava ninguém naqueles desertos que tinham sido bosques.
E de repente apareceu, numa nuvem de poeira, uma menina de bicicleta.
- Falta quanto? - perguntaram a ela.
E ela disse:
- Falta menos.
E foi-se embora na poeira.

Galeano 



quinta-feira, 28 de maio de 2015

Os filhos dos dias

 Eduardo Galeano

28 de maio - Oswiecim

No dia de hoje do ano de 2006,o papa Bento, sumo pontífice da Igreja Católica, passeou entre os jardins da cidade que se chama, em língua polonesa, Oswiecim.
A certa altura do passeio, a paisagem mudou.
Em lingua alemã, a cidade de Oswiecin se chama Auschwitz.
E em Auschwitz o papa falou. Na fábrica de morte mais famosa do mundo, falou:
- E Deus, onde estava?
E ninguém informo a ele que Deus nunca havia mudado de endereço.
E perguntou:
- Por que Deus ficou calado?

E ninguém explicou que quem havia se calado era a Igreja, a sua Igreja, que falava em nome de Deus.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.

Eduardo Galeano

terça-feira, 19 de maio de 2015

"Ha gente de fogo sereno que não se inteira do vento e gente de fogo louco que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não iluminam nem queimam, mas outros ardem a vida com tantas ganas, que não se pode olha-los sem piscar. e quem se aproxima se acende." (Eduardo Galeano)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

"O medo ameaça.
Se você ama, terá Aids
Se fuma, terá câncer
Se respira, terá contaminação;
Se bebe, terá acidentes
Se come, terá colesterol
Se fala, terá desemprego;
Se caminha, terá violência;
Se pensa, terá angústia
Se duvida, terá loucura
Se sente, terá solidão".


(Eduardo Galeano)

sábado, 30 de agosto de 2014

Agosto 30

Agosto
30
Día de los desaparecidos
Desaparecidos:
los muertos sin tumba,
las tumbas sin nombre,
las mujeres y los hombres que el terror tragó,
los bebés que son o han sido botín de guerra.
Y también:
los bosques nativos,
las estrellas en la noche de las ciudades,
el aroma de las flores,
el sabor de las frutas,
las cartas escritas a mano,
los viejos cafés donde había tiempo para perder el tiempo,
el fútbol de la calle,
el derecho a caminar,
el derecho a respirar,
los empleos seguros,
las jubilaciones seguras,
las casas sin rejas,
las puertas sin cerradura,
el sentido comunitario
y el sentido común.


[Eduardo Galeano, 'Los hijos de los días'. 30 de agosto, Día Internacional de las Víctimas de Desapariciones Forzadas: http://www.un.org/es/events/disappearancesday/]

domingo, 19 de janeiro de 2014

Distâncias

Galeano - 10 de janeiro 


O automóvel ia tossindo. E aos trambolhões, empilhados dentro do automóvel, viajavam alguns músicos. Estavam indo alegrar uma reunião de camponeses, mas já fazia um bom tempo que andavam perdidos pelos caminhos ferventes de Santiago del Estero.
Os desorientados não tinham a quem perguntar. Não havia ninguém, não sobrava ninguém naqueles desertos que tinham sido bosques.
E de repente apareceu, numa nuvem de poeira, uma menina de bicicleta.
- Falta quanto? - perguntaram a ela.
E ela disse:
- Falta menos.
E foi-se embora na poeira.




sábado, 12 de outubro de 2013

Octubre 12 - Día del Descubrimiento


En 1492, los nativos descubrieron que eran indios,descubrieron que vivían en América,descubrieron que estaban desnudos,descubrieron que existía el pecado,descubrieron que debían obediencia a un rey y a una reina de otro mundo y a un dios de otro cielo,y que ese dios había inventado la culpa y el vestido
y había mandado que fuera quemado vivo quien adorara al sol y a la luna y a la tierra y a la lluvia que la moja.



[Don Eduardo Galeano, 'Los hijos de los días 

Americanos


Cuenta la historia oficial que Vasco Núñez de Balboa fue el primer hombre que vio, desde una cumbre de Panamá, los dos océanos. Los que allí vivían, ¿eran ciegos?
¿Quiénes pusieron sus primeros nombres al maíz y a la papa y al tomate y al chocolate y a las montañas y a los ríos de América? ¿Hernán Cortés, Francisco Pizarro? Los que allí vivían, ¿eran mudos? Lo escucharon los peregrinos del Mayflower: Dios decía que América era la Tierra Prometida. Los que allí vivían, ¿eran sordos? Después, los nietos de aquellos peregrinos del norte se apoderaron del nombre y de todo lo demás. Ahora, americanos son ellos. Los que vivimos en las otras Américas, ¿qué somos?


Eduardo Galeano - Espejos. Una Historia casi universal.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

En el camino de regreso, caminando sierra arriba, Carlos siguió leyendo. No podía desprenderse de esta historia de horror y de bravura. El personaje central del libro era un hombre que había sabido cumplir su palabra. Al llegar a la aldea, Carlos anunció, eufórico: -¡Por fin tenemos nombre! Y leyó el libro, en voz alta, para todos. La tropezada lectura le ocupó casi una semana. Después, las ciento cincuenta familias votaron. Todas por sí. Con bailares y cantares se selló el bautizo. Ahora tienen cómo llamarse. Esta comunidad lleva el nombre de un hombre digno, que no dudó a la hora de elegir entre la traición y la muerte. -Voy para Salvador Allende dicen, ahora, los caminantes.


Eduardo Galeano .
Memorias Del Fuego

segunda-feira, 8 de julho de 2013


La senté en mis rodillas y le pedí que me contara. Ella negó con la cabeza. La acaricié, la besé en la frente. Se le escapó alguna lágrima. Con el pañuelo le sequé la cara y la soné. Entonces volví a pedirle: - Andá, decime.

Me contó que su mejor amiga le había dicho que no la quería. Lloramos juntos, no sé cuánto tiempo, abrazados los dos, ahí en la silla. Yo sentía las lastimaduras que Florencia iba a sufrir a lo largo de los años y hubiera querido que Dios existiera y no fuera sordo, para poder rogarle que me diera todo el dolor que le tenía reservado.

Eduardo Galeano

terça-feira, 16 de abril de 2013


“Vivemos em plena cultura da aparência: o contrato de casamento importa mais que o amor, o funeral mais que o morto, as roupas mais do que o corpo e a missa mais do que Deus.”
 (do jornalista e escritor uruguaio, Eduardo Galeano)

quarta-feira, 10 de abril de 2013

A fabricação de doenças




Boa saúde! Saúde ruim? Tudo depende do ponto de vista. Do ponto de vista da grande indústria farmacêutica, a má saúde e muito saudável.
A timidez, digamos, podia ser simpática, e talvez atrativa, ate' se transformar em doença. No ano de 1980, a American Psychiatric Association decidiu que a timidez é uma doença psiquiátrica e a incluiu em seu Manual de alterações mentais, que periodicamente põe os sacerdotes da doença em dia.
Como toda doença, a timidez precisa de medicamentos. Desde que a noticia se tornou conhecida, os grandes laboratórios ganharam fortunas vendendo esperanças de cura aos pacientes infestados por essa "fobia social, alergia a pessoas, doença médica severa..."
 
 

 do livro Os filhos dos dias - de Eduardo Galeano

segunda-feira, 8 de abril de 2013

O homem que nasceu muitas vezes


Galeano - 8 de abril - 

Morreu hoje, Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno Maria de los Remedios Cipriao de la Santissima Trinidad Ruiz y Picasso, mais conhecido como Pablo Picasso.
Tinha nascido em 1881. E dá para ver que gostou de nascer, porque continuou nascendo.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Dia de luz



Galeano - 5 de abril 

Aconteceu na África, em Ife',cidade sagrada do reino dos iorubas, talvez num dia como hoje, ou quem sabe quando.
Um velho, já muito enfermo, reuniu seus três filhos, e anunciou:
- Minhas coisas mais queridas serão de quem conseguir encher esta sala completamente.
E esperou lá fora, sentado, enquanto a noite caia.
Um dos filhos trouxe toda a palha que conseguiu juntar, mas a sala so' ficou cheia até a metade.
Outro filho trouxe toda a areia que conseguiu reunir, mas a metade da sala ficou vazia.
O terceiro filho acendeu uma vela.
E a sala se encheu.

O fantasma



Galeano - 4 de abril

Em 1846 nasceu Isidore Ducasse.
Eram tempos de guerra em Montevidéu, e ele foi batizado ao som de tiros de canhão.
Assim que pôde, foi-se embora para Paris. La' se transformou no Conde de Lautréamont e seus pesadelos contribuíram para a fundação do surrealismo.
Neste mundo, passou de visita: em sua breve vida incendiou e linguagem, em suas palavras ardeu e virou fumaça.

domingo, 31 de março de 2013

Essa pulga



Galeano - 31 de março

Em 1631, John Donne morreu em Londres.
Este contemporâneo de Shakespeare não publicou nada, ou quase nada.
Séculos depois, tivemos a sorte de conhecer alguns dos versos que deixou.
Como estes:

Duas vezes te amei, ou três vezes,
quando não conhecia teu rosto nem teu nome

Ou estes:

Mordeu-me, e agora te morde,
e nesta pulga se mesclam nossos sangues.
Essa pulga sou eu, e es tu.
e ela é nosso leito matrimonial,
nosso templo.