quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
domingo, 23 de fevereiro de 2014
Poema porrada
Eu estou farto de muita coisa
não me transformarei em subúrbio
não serei válvula sonora
não serei paz
eu quero a destruição de tudo que é frágil:
cristãos fábricas palácios
juízes patrões e operários
uma noite destruída cobre os dois sexos
minha alma sapateia feito louca
um tiro de máuser atravessa o tímpano de
duas centopeias
o universo é cuspido pelo cu sangrento
de um Deus-Cadela
as vísceras se comovem
eu preciso dissipar o encanto do meu velho
esqueleto
eu preciso esquecer que existo
mariposas perjuram o céu de cimento
eu me entrincheiro no Arco-Íris
Ah voltar de novo à janela
perder o olhar nos telhados como
se fossem o Universo
o girassol de Oscar Wilde entardece sobre os tetos
eu preciso partir um dia para muito longe
o mundo exterior tem pressa demais para mim
São Paulo e a Rússia não podem parar
quando eu ia ao colégio Deus tapava os ouvidos para mim?
a Morte olha-me da parede pelos olhos apodrecidos
de Modigliani
eu gostaria de incendiar os pentelhos de Modigliani
minha alma louca aponta para a Lua
vi os professores e seus cálculos discretos ocupando
o mundo do espírito
vi criancinhas vomitando nos radiadores
vi canetas dementes hortas tampas de privada
abro os olhos as nuvens tornam-se mais duras
trago o mundo na orelha como um brinco imenso
a loucura é um espelho na manhã de pássaros sem Fôlego
Roberto Piva
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
SÉTIMO DIA
Voltámos, um a um, da tua morte
para a nossa vida como quem regressa a casa
de uma longa viagem. Para trás ficaram recordações, países,
e agora é como se te tivéssemos sonhado.
A voz que, diante da escuridão, suspendemos
quando se desmoronou o mundo para o fundo de ti
erguêmo-la de novo para os afazeres diurnos
e para as horas comuns.
Ainda ontem estávamos sozinhos diante do Horror
e já somos reais outra vez.
A própria dor adormeceu no nosso colo
como um animal de companhia.
MANUEL ANTÓNIO PINA
Quem controla o sistema financeiro?
"Assim, a política econômica não é mais da jurisdição
dos governos democraticamente eleitos, porque existe um determinado grupo de
interesses que nunca pode ser derrotado. Não é somente a questão dos detentores
de riqueza poderem evitar o ônus de qualquer política da qual não gostem. É
pior do que isso: eles podem arruinar a economia no processo de evitar decisões
locais, causando uma crise no balanço de pagamentos." (Quem controla o
sistema financeiro? - Ibase)
Strophes pour se souvenir
Vous n'avez réclamé la gloire ni les larmes
Ni l'orgue ni la prière aux agonisants
Onze ans déjà que cela passe vite onze ans
Vous vous étiez servi simplement de vos armes
La mort n'éblouit pas les yeux des partisans
Vous aviez vos portraits sur les murs de nos villes
Noirs de barbe et de nuit, hirsutes, menaçants
L'affiche qui semblait une tache de sang
Parce qu'à prononcer vos noms sont difficiles
Y cherchait
un effet de peur sur les passants.
Nul ne semblait vous voir Français de préférence
Les gens
allaient sans yeux pour vous le jour durant
Mais à l'heure du couvre-feu des doigts errants
Avaient
écrit sous vos photos morts pour la France
Et les
mornes matins en étaient différents
Tout avait
la couleur uniforme du givre
À la fin février pour vos derniers moments
Et c'est alors que l'un de vous dit calmement
Bonheur à tous Bonheur à ceux qui vont survivre
Je meurs
sans haine en moi pour le peuple allemand
Adieu la peine et le plaisir Adieu les roses
Adieu la vie Adieu la lumière et le vent
Marie-toi sois heureuse et pense à moi souvent
Toi qui vas demeurer dans la beauté des choses
Quand tout
sera fini plus tard en Erivan
Un grand
soleil d'hiver éclaire la colline
Que la
nature est belle et que le cœur me fend
La justice
viendra sur nos pas triomphants
Ma Mélinée
ô mon amour mon orpheline
Et je te dis de vivre et d'avoir un enfant
Ils étaient
vingt et trois quand les fusils fleurirent
Vingt et
trois qui donnaient leur cœur avant le temps
Vingt et trois étrangers et nos frères pourtant
Vingt et trois amoureux de vivre à en mourir
Vingt et
trois qui criaient la France en s'abattant
Strophes
pour se souvenir. Louis Aragon
Aujourd'hui
l'Humanité rend hommage aux 23 résistants du groupe Manouchian, morts pour la
France il y a 70 ans jour pour jour.
Fonte L’Humanité
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
( Senhor, dá-me a faculdade de jamais rezar, poupa-me a
insanidade de toda adoração, afasta de mim essa tentação de amor que me
entregaria para sempre a Ti. Que o vazio se estenda entre o meu coração e o
céu! Não desejo ver meus desertos povoados com Tua presença, minhas noites
tiranizadas por Tua luz, minhas Sibérias fundidas sob Teu sol. Mais solitário
do que Tu, quero minhas mãos puras, ao contrário das Tuas que sujaram-se para
sempre ao modelar a terra e ao misturar-se nos assuntos do mundo. Só peço à Tua
estúpida onipotência respeito para minha solidão e meus tormentos. Não tenho
nada a fazer com Tuas palavras. Conceda-me o milagre recolhido antes do
primeiro instante, a paz que Tu não pudeste tolerar e que Te incitou a abrir
uma brecha no nada para inaugurar esta feira dos tempos, e para condenar-me
assim ao universo, à humilhação e à vergonha de existir.)
Cioran
"É um silêncio que não dorme: é insone: imóvel mas
insone; e sem fantasmas. É terrível – sem nenhum fantasma. Inútil querer
povoá-lo com a possibilidade de uma porta que se abra rangendo, de uma cortina
que se abra e diga alguma coisa. Ele é vazio e sem promessa. Se ao menos
houvesse o vento. Vento é ira, ira é vida. Ou neve, que é muda, mas deixa
rastro – tudo embranquece, as crianças riem, os passos rangem e marcam. Há uma
continuidade que é a vida. Mas este silêncio não deixa provas. Não se pode
falar do silêncio como se fala da neve."
- Clarice Lispector, em “Onde Estivestes de Noite”, 1998.
Voz já sem eco, só
visões de mescalina;
Minha pátria, o silêncio
— imagem desfocada
ou oblívio —
no transmutar-se em água.
(Um jogo de
decapitações:
extravio dos prováveis,
sem desfibrar a
rocha.)
(Yin Hsi, exaurido após luas e sóis de inútil leitura —
tarefa insana como polir pedra com pluma, mover montanhas, secar o sol —
incinera o códice de nós.)
fonte: Cláudio Daniel
MINHA PÁTRIA
Minha pátria não é a língua portuguesa.
Nenhuma língua é a pátria.
Minha pátria é a terra mole e peganhenta onde nasci
e o vento que sopra em Maceió.
São os caranguejos que correm na lama dos mangues
e o oceano cujas ondas continuam molhando os meus pés quando
sonho.
Minha pátria são os morcegos suspensos no forro das igrejas
carcomidas,
os loucos que dançam ao entardecer no hospício junto ao mar,
e o céu encurvado pelas constelações.
Minha pátria são os apitos dos navios
e o farol no alto da colina.
Minha pátria é a mão do mendigo na manhã radiosa.
São os estaleiros apodrecidos
e os cemitérios marinhos onde os meus ancestrais
tuberculosos
[e impaludados não param de tossir e tremer nas noites frias
e o cheiro de açúcar nos armazéns portuários
e as tainhas que se debatem nas redes dos pescadores
e as résteas de cebola enrodilhadas na treva
e a chuva que cai sobre os currais de peixe.
A língua de que me utilizo não é e nunca foi a minha pátria.
Nenhuma língua enganosa é a pátria.
Ela serve apenas para que eu celebre a minha grande e pobre
pátria muda,
minha pátria disentérica e desdentada, sem gramática e sem
dicionário,
minha pátria sem língua e sem palavras.
LÊDO IVO
Poema sobre a recusa
Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
nem na polpa dos meus dedos
se ter formado o afago
sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras
sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva.
Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
minha raiva de ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda.
Maria Teresa Horta
DEFESA DA ALEGRIA
Defender a alegria como uma trincheira
defendê-la do escândalo e da rotina
da miséria e dos miseráveis
das ausências transitórias
e das definitivas
defender a alegria como um princípio
defendê-la do pasmo e dos pesadelos
dos neutros e dos nêutrons
das doces infâmias
e dos graves diagnósticos
defender a alegria com uma bandeira
defendê-la do raio e da melancolia
dos ingênuos e dos canalhas
da retórica e da parada cardíaca
das endemias e das academias
defender a alegria como um destino
defendê-la do fogo e dos bombeiros
dos suicidas e dos homicidas
do descanso e do cansaço
da obrigação da alegria
defender a alegria como uma certeza
defendê-la da ferrugem e da sarna
da célebre pátina do tempo
do relento e do oportunismo
dos rufiões do riso
defender a alegria como um direito
defendê-la de deus e do inverno
das maiúsculas e da morte
dos sobrenomes e das lástimas
do acaso
e também da alegria
MARIO BENEDETTI
Tradução: Fabiano Calixto
OUTRE
Des fois, aussi,
tout irisée se
balade
naïve
une bulle
en la
fraîcheur
du vent,
pourquoi si beau
dehors oh
pourquoi enfermée
elle se dit
et explose
aussitôt
du plaisir
d'exploser
Un poema de Annie Salager
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
A Criança e a Relva
Walt Whitman - Tradução de Geir Campos
Uma criança disse:O que é a relva? - trazendo um tufo em
suas mãos;
O que dizer a ela?... sei tanto quanto ela o que é a relva.
Vai ver é a bandeira do meu estado de espírito,
tecida de uma substância de esperança verde.
Vai ver é o lenço do Senhor,
Um presente perfumado e o lembrete derrubado por querer,
Com o nome do dono bordado num canto,
pra que possamos ver e examinar, e dizer:
- É seu?
O Louco
Gibran Khalil Gibran - Tradução de Mansour
Challita.
Perguntais-me como me tornei louco.
Aconteceu assim:
Um dia, muito tempo antes
de muitos deuses terem nascido,
eu despertei de um sono profundo e notei que todas
as minhas máscaras tinham sido roubadas
- as sete máscaras que eu havia confeccionado
e usado em sete vidas -e corri sem máscara pelas
ruas cheias de gente, gritando:
"Ladrões, ladrões, malditos ladrões!"
Homens e mulheres riram de mim e alguns correram
para casa, com medo de mim e quando cheguei à praça
do mercado, um garoto trepado no telhado de uma
casa gritou: "Ele é um louco!".
Olhei para cima, pra vê-lo.
E pela primeira vez, o sol beijou minha face nua, e
minha alma inflamou-se de amor pelo sol,
e eu não desejei mais as minhas máscaras. E, como num
transe, gritei:
"Benditos, benditos os ladrões
que roubaram minhas máscaras!"
E foi assim que eu me tornei louco.
E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura:
a liberdade da solidão e a segurança de não ser
compreendido,
pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em
nós.
Cap. III - Representar
"Com suas voltas e reviravoltas, as aventuras de Dom
Quixote traçam o limite: nelas terminam os jogos antigos da semelhança e dos
signos; nelas já se travam novas relações. Dom Quixote não é o homem da
extravagância, mas antes o peregrino meticuloso que se detém diante de todas as
marcas da similitude. Ele é o herói do Mesmo. Assim como de sua estrita
província, não chega a afastar-se da planície familiar que se estende em torno
do Análogo. Percorre-a indefinidamente, sem transpor jamais as fronteiras
nítidas da diferença, nem alcançar o coração da identidade. Ora, ele próprio é
semelhante a signos. Longo grafismo magro como uma letra, acaba de escapar
diretamente da fresta dos livros. Seu ser inteiro é só linguagem, texto, folhas
impressas, história já transcrita. É feito de palavras entrecruzadas; é ESCRITA
ERRANTE no mundo em meio à semelhança das coisas. Não porém inteiramente: pois,
em sua realidade de pobre fidalgo, só pode tornar-se cavaleiro, escutando de
longe a epopéia secular que formula a Lei. O livro é menos a sua existência que
se dever. Deve incessantemente consultá-lo, a fim de saber o que fazer e dizer,
e quais signos dar a si próprio e aos outros para mostrar que ele é realmente
da mesma natureza que o texto de onde saiu. [...]. Dom Quixote desenha o
negativo do mundo do Renascimento; a escrita cessou de ser a PROSA DO MUNDO; as
semelhanças e os signos romperam sua antiga aliança; as similitudes
decepcionam, conduzem à visão e ao delírio.As coisas permanecem obstinadamente
na sua identidade irônica: não são mais do que o que são; AS PALAVRAS ERRAM AO
ACASO, sem conteúdo, sem semelhança para preenchê-las; não marcam mais as
coisas; dormem entre as folhas dos livros, no meio da poeira."
(Início do Cap. III - Representar, do livro As Palavras e as
Coisas, de Michel Foucault)
Desencanto
Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
- Eu faço versos como quem morre.
- Manuel Bandeira, em "A cinza das horas", 1917.
___
Manuel Bandeira no site:
http://www.elfikurten.com.br/2011/02/manuel-bandeira-estrela-da-vida-inteira.html
ESPLANADA
Naquele tempo falavas muito de perfeição,
da prosa dos versos irregulares
onde cantam os sentimentos irregulares.
Envelhecemos todos, tu, eu e a discussão,
agora lês saramagos & coisas assim
e eu já não fico a ouvir-te como antigamente
olhando as tuas pernas que subiam lentamente
até um sítio escuro dentro de mim.
O café agora é um banco, tu professora de liceu;
Bob Dylan encheu-se de dinheiro, o Che morreu.
Agora as tuas pernas são coisas úteis, andantes,
e não caminhos por andar como dantes.
MANUEL ANTÓNIO PINA
La guerra desconocida, 1914-1945
11 de febrero de 2014 Yaroslav Butakov, File.rf
Hace 100 años comenzó la Primera Guerra Mundial. Para muchos
sigue siendo la Guerra Desconocida, aunque en 1914 se la conocía también en
Rusia como la Guerra Patria.
La guerra desconocida, 1914-1945
Fuente: RIa Novosti
En Rusia buena parte de la conciencia colectiva la considera
una guerra desprovista de sentido; engendró la Revolución y supuso una pérdida
de territorio. ¿Es, por tanto, necesario recordarla? Sí, lo es. Aunque solo sea
porque cerca de dos millones de rusos sucumbieron en los campos de batalla de
esta Primera Guerra Mundial.
“En este momento no solo tenemos la obligación de defender
nuestro país, injustamente agraviado, sino que también debemos proteger el
honor, la dignidad y la integridad de Rusia, así como su posición entre las
grandes potencias del mundo…”, declaró el 20 de julio (2 de agosto según el
calendario juliano que se utilizaba entonces en el país eslavo) de 1914 el zar
Nicolás II en un manifiesto publicado al día siguiente de que Alemania
declarara la guerra a Rusia.
Proteger el honor, la dignidad y la integridad. No son
palabras vacías. La agresión de la Alemania imperial a Rusia fue, sin duda, un
hecho histórico. El desmembramiento de Rusia fue fraguado por los
pangermanistas ya en los años 80 del siglo XIX.
En 1914, el káiser Guillermo II recibió un memorándum que
sugería la ‘limpieza’ de los países Bálticos, Bielorrusia y el territorio de la
entonces conocida como Gran Rusia (Velíkaya Rus en ruso) desde la línea de
Petrogrado-Smolensk hacia el oeste para el asentamiento de alemanes en esas
tierras.
En verano de 1915, se celebró un congreso en Berlín en el
que 1.347 profesores alemanes firmaron otro memorándum que sostenía que todo el
territorio al oeste del Volga debía quedar bajo colonización alemana. El
ejército ruso, por tanto, combatió en aquella guerra principalmente por la
libertad y la independencia de su patria.
En su día, nada menos que Winston Churchill se sintió en la
obligación de recordar a los ciudadanos del Imperio británico y a los
estadounidenses la contribución de Rusia en la victoria de la Triple Entente. A
principios de los años 30, se recopilaron varios fragmentos de toda su obra en
un libro dedicado a la Primera Guerra Mundial bajo el título La guerra
desconocida: el frente occidental. El nombre fue muy acertado... desconocida.
En Francia, por ejemplo, hay un monumento a los soldados de
las brigadas especiales rusas. Pero en Grecia y en Macedonia, donde las
brigadas especiales rusas también combatieron como parte de las fuerzas aliadas
multinacionales, sigue sin haber ningún recordatorio. En general, las proezas
de los soldados rusos en los Balcanes entre 1916 y 1918 no han sido
inmortalizadas.
De los rusos que perdieron la vida en los campos de batallas
de Francia se ha filmado alguna película y se han escrito numerosos libros;
sobre las tropas rusas del Frente de Salónica no hay más que dos o tres
artículos.
En Turquía, en el extremo de la península de Galípoli — a la
entrada de Dardanelos—, donde tuvo lugar en 1915 una de las batallas más
conocidas de la Primera Guerra Mundial, se erigió aún en tiempos de Kemal
Atatürk un enorme complejo en memoria de los soldados turcos y británicos.
En uno de sus monumentos se puede leer la siguiente frase:
“Descansen en paz. A todos los John y los Mehmed sin distinción; ambos yacen
juntos en nuestro país”. Qué impide levantar monumentos similares en aquellos
lugares donde se libraron las mayores batallas entre los ejércitos de Rusia y
Turquía en la Primera Guerra Mundial: lugares como Sarighamish, Erzurum, Trebisonda
o Erzincan.
Para Rusia el fin de la guerra no llegó con la firma del
tratado de paz de Brest, sino que continuó posteriormente. En invierno de 1918
y 1919, las tropas soviéticas regresaron a las fronteras occidentales del
antiguo Imperio ruso. De hecho, la guerra con Polonia de 1920 también cumple
todos los requisitos para ser considerada como continuación de la Primera
Guerra Mundial.
Si se contempla a una escala mayor, toda esta guerra se
podría considerar simplemente como la primera fase de la Gran Guerra Patria de
los 30 años, de 1914 a 1945 (Gran Guerra Patria es el nombre con el que se
conoce comúnmente a la Segunda Guerra Mundial en Rusia).
De esos 32 años, a Rusia le corresponden 14 años de
importantes guerras externas y, si a estas se le suman las guerras locales, en
total fueron 22 años de contiendas. Solo en 1925 se marcharon los últimos
invasores del territorio ruso (los japoneses del norte de Sajalín); en 1929,
sin embargo, tuvo lugar un conflicto en la línea transmanchuriana (rama del
transiberiano que une Rusia con China); y en 1937 volvieron los conflictos con
Japón en el Extremo Oriente (el incidente de Blagovéshchensk). Después llegaron
los acontecimientos que todos conocemos y que se prolongaron hasta el año 1945.
La denominación de Guerra Patria alude a que no se trató de
una guerra librada para la conquista de tierras extranjeras, sino para la de la
independencia nacional.
Yaroslav
Butakov, doctorando en Historia.
Artículo publicado originalmente en ruso en File-RF.
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
Sociedade do Espetáculo
[O espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação
social entre pessoas, mediada por imagens.
Compreendido em sua totalidade, o espetáculo é tanto o
resultado como a meta do modo de produção dominante. Ele não é uma mera
decoração acrescentada ao mundo real. É o próprio coração do irrealismo desta
sociedade real. Em todas suas manifestações particulares -- notícias,
propaganda, anúncios, entretenimento -- o espetáculo representa o modelo
dominante de vida. É a afirmação onipresente das escolhas que já foram feitas
na esfera da produção e do consumo resultante de tal produção.]
Gui Debord
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