sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

SÉTIMO DIA


Voltámos, um a um, da tua morte

para a nossa vida como quem regressa a casa
de uma longa viagem. Para trás ficaram recordações, países,
e agora é como se te tivéssemos sonhado.

A voz que, diante da escuridão, suspendemos
quando se desmoronou o mundo para o fundo de ti
erguêmo-la de novo para os afazeres diurnos
e para as horas comuns.

Ainda ontem estávamos sozinhos diante do Horror
e já somos reais outra vez.
A própria dor adormeceu no nosso colo
como um animal de companhia.


MANUEL ANTÓNIO PINA

Quem controla o sistema financeiro?

"Assim, a política econômica não é mais da jurisdição dos governos democraticamente eleitos, porque existe um determinado grupo de interesses que nunca pode ser derrotado. Não é somente a questão dos detentores de riqueza poderem evitar o ônus de qualquer política da qual não gostem. É pior do que isso: eles podem arruinar a economia no processo de evitar decisões locais, causando uma crise no balanço de pagamentos." (Quem controla o sistema financeiro? - Ibase)

Strophes pour se souvenir

Vous n'avez réclamé la gloire ni les larmes
Ni l'orgue ni la prière aux agonisants
Onze ans déjà que cela passe vite onze ans
Vous vous étiez servi simplement de vos armes
La mort n'éblouit pas les yeux des partisans

Vous aviez vos portraits sur les murs de nos villes
Noirs de barbe et de nuit, hirsutes, menaçants
L'affiche qui semblait une tache de sang
Parce qu'à prononcer vos noms sont difficiles
Y cherchait un effet de peur sur les passants.

Nul ne semblait vous voir Français de préférence
Les gens allaient sans yeux pour vous le jour durant
Mais à l'heure du couvre-feu des doigts errants
Avaient écrit sous vos photos morts pour la France
Et les mornes matins en étaient différents

Tout avait la couleur uniforme du givre
À la fin février pour vos derniers moments
Et c'est alors que l'un de vous dit calmement
Bonheur à tous Bonheur à ceux qui vont survivre
Je meurs sans haine en moi pour le peuple allemand

Adieu la peine et le plaisir Adieu les roses
Adieu la vie Adieu la lumière et le vent
Marie-toi sois heureuse et pense à moi souvent
Toi qui vas demeurer dans la beauté des choses
Quand tout sera fini plus tard en Erivan

Un grand soleil d'hiver éclaire la colline
Que la nature est belle et que le cœur me fend
La justice viendra sur nos pas triomphants
Ma Mélinée ô mon amour mon orpheline
Et je te dis de vivre et d'avoir un enfant

Ils étaient vingt et trois quand les fusils fleurirent
Vingt et trois qui donnaient leur cœur avant le temps
Vingt et trois étrangers et nos frères pourtant
Vingt et trois amoureux de vivre à en mourir
Vingt et trois qui criaient la France en s'abattant

Strophes pour se souvenir. Louis Aragon


Aujourd'hui l'Humanité rend hommage aux 23 résistants du groupe Manouchian, morts pour la France il y a 70 ans jour pour jour.



Fonte L’Humanité

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

"A maravilhosa alteridade do outro foi banalizada e enturvecida em uma simples troca de cortesias estabelecida como um comércio interpessoal de alfândegas." [Emmanuel Lévinas, 1906-1995]
( Senhor, dá-me a faculdade de jamais rezar, poupa-me a insanidade de toda adoração, afasta de mim essa tentação de amor que me entregaria para sempre a Ti. Que o vazio se estenda entre o meu coração e o céu! Não desejo ver meus desertos povoados com Tua presença, minhas noites tiranizadas por Tua luz, minhas Sibérias fundidas sob Teu sol. Mais solitário do que Tu, quero minhas mãos puras, ao contrário das Tuas que sujaram-se para sempre ao modelar a terra e ao misturar-se nos assuntos do mundo. Só peço à Tua estúpida onipotência respeito para minha solidão e meus tormentos. Não tenho nada a fazer com Tuas palavras. Conceda-me o milagre recolhido antes do primeiro instante, a paz que Tu não pudeste tolerar e que Te incitou a abrir uma brecha no nada para inaugurar esta feira dos tempos, e para condenar-me assim ao universo, à humilhação e à vergonha de existir.)


Cioran
"É um silêncio que não dorme: é insone: imóvel mas insone; e sem fantasmas. É terrível – sem nenhum fantasma. Inútil querer povoá-lo com a possibilidade de uma porta que se abra rangendo, de uma cortina que se abra e diga alguma coisa. Ele é vazio e sem promessa. Se ao menos houvesse o vento. Vento é ira, ira é vida. Ou neve, que é muda, mas deixa rastro – tudo embranquece, as crianças riem, os passos rangem e marcam. Há uma continuidade que é a vida. Mas este silêncio não deixa provas. Não se pode falar do silêncio como se fala da neve."

- Clarice Lispector, em “Onde Estivestes de Noite”, 1998.
Voz já sem eco, só
visões de mescalina;

Minha pátria, o silêncio

— imagem desfocada
ou oblívio —
no transmutar-se em água.

(Um jogo de
decapitações:

extravio dos prováveis,
sem desfibrar a
rocha.)


(Yin Hsi, exaurido após luas e sóis de inútil leitura — tarefa insana como polir pedra com pluma, mover montanhas, secar o sol — incinera o códice de nós.)

fonte: Cláudio Daniel

MINHA PÁTRIA


Minha pátria não é a língua portuguesa.
Nenhuma língua é a pátria.
Minha pátria é a terra mole e peganhenta onde nasci
e o vento que sopra em Maceió.
São os caranguejos que correm na lama dos mangues
e o oceano cujas ondas continuam molhando os meus pés quando sonho.
Minha pátria são os morcegos suspensos no forro das igrejas carcomidas,
os loucos que dançam ao entardecer no hospício junto ao mar,
e o céu encurvado pelas constelações.
Minha pátria são os apitos dos navios
e o farol no alto da colina.
Minha pátria é a mão do mendigo na manhã radiosa.
São os estaleiros apodrecidos
e os cemitérios marinhos onde os meus ancestrais tuberculosos
[e impaludados não param de tossir e tremer nas noites frias
e o cheiro de açúcar nos armazéns portuários
e as tainhas que se debatem nas redes dos pescadores
e as résteas de cebola enrodilhadas na treva
e a chuva que cai sobre os currais de peixe.
A língua de que me utilizo não é e nunca foi a minha pátria.
Nenhuma língua enganosa é a pátria.
Ela serve apenas para que eu celebre a minha grande e pobre pátria muda,
minha pátria disentérica e desdentada, sem gramática e sem dicionário,
minha pátria sem língua e sem palavras.


LÊDO IVO

Poema sobre a recusa



Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
nem na polpa dos meus dedos
se ter formado o afago
sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras
sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva.

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
minha raiva de ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda.


Maria Teresa Horta

DEFESA DA ALEGRIA


Defender a alegria como uma trincheira
defendê-la do escândalo e da rotina
da miséria e dos miseráveis
das ausências transitórias
e das definitivas

defender a alegria como um princípio
defendê-la do pasmo e dos pesadelos
dos neutros e dos nêutrons
das doces infâmias
e dos graves diagnósticos

defender a alegria com uma bandeira
defendê-la do raio e da melancolia
dos ingênuos e dos canalhas
da retórica e da parada cardíaca
das endemias e das academias

defender a alegria como um destino
defendê-la do fogo e dos bombeiros
dos suicidas e dos homicidas
do descanso e do cansaço
da obrigação da alegria

defender a alegria como uma certeza
defendê-la da ferrugem e da sarna
da célebre pátina do tempo
do relento e do oportunismo
dos rufiões do riso

defender a alegria como um direito
defendê-la de deus e do inverno
das maiúsculas e da morte
dos sobrenomes e das lástimas
do acaso
e também da alegria

MARIO BENEDETTI


Tradução: Fabiano Calixto

OUTRE



Des fois, aussi,
tout irisée se
balade naïve
une bulle
en la fraîcheur
du vent,
pourquoi si beau
dehors oh
pourquoi enfermée
elle se dit
et explose
aussitôt
du plaisir
d'exploser

Un poema de Annie Salager


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

A Criança e a Relva

 Walt Whitman - Tradução de Geir Campos

Uma criança disse:O que é a relva? - trazendo um tufo em suas mãos;
O que dizer a ela?... sei tanto quanto ela o que é a relva.
Vai ver é a bandeira do meu estado de espírito,
tecida de uma substância de esperança verde.
Vai ver é o lenço do Senhor,
Um presente perfumado e o lembrete derrubado por querer,
Com o nome do dono bordado num canto,
pra que possamos ver e examinar, e dizer:

- É seu?

O Louco

Gibran Khalil Gibran - Tradução de Mansour Challita.

Perguntais-me como me tornei louco.
Aconteceu assim:

Um dia, muito tempo antes
de muitos deuses terem nascido,
eu despertei de um sono profundo e notei que todas
as minhas máscaras tinham sido roubadas
- as sete máscaras que eu havia confeccionado
e usado em sete vidas -e corri sem máscara pelas
ruas cheias de gente, gritando:
"Ladrões, ladrões, malditos ladrões!"

Homens e mulheres riram de mim e alguns correram
para casa, com medo de mim e quando cheguei à praça
do mercado, um garoto trepado no telhado de uma
casa gritou: "Ele é um louco!".

Olhei para cima, pra vê-lo.
E pela primeira vez, o sol beijou minha face nua, e
minha alma inflamou-se de amor pelo sol,
e eu não desejei mais as minhas máscaras. E, como num
transe, gritei:

"Benditos, benditos os ladrões
que roubaram minhas máscaras!"
E foi assim que eu me tornei louco.

E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura:
a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido,

pois aquele que nos compreende escraviza alguma coisa em nós. 

Cap. III - Representar

"Com suas voltas e reviravoltas, as aventuras de Dom Quixote traçam o limite: nelas terminam os jogos antigos da semelhança e dos signos; nelas já se travam novas relações. Dom Quixote não é o homem da extravagância, mas antes o peregrino meticuloso que se detém diante de todas as marcas da similitude. Ele é o herói do Mesmo. Assim como de sua estrita província, não chega a afastar-se da planície familiar que se estende em torno do Análogo. Percorre-a indefinidamente, sem transpor jamais as fronteiras nítidas da diferença, nem alcançar o coração da identidade. Ora, ele próprio é semelhante a signos. Longo grafismo magro como uma letra, acaba de escapar diretamente da fresta dos livros. Seu ser inteiro é só linguagem, texto, folhas impressas, história já transcrita. É feito de palavras entrecruzadas; é ESCRITA ERRANTE no mundo em meio à semelhança das coisas. Não porém inteiramente: pois, em sua realidade de pobre fidalgo, só pode tornar-se cavaleiro, escutando de longe a epopéia secular que formula a Lei. O livro é menos a sua existência que se dever. Deve incessantemente consultá-lo, a fim de saber o que fazer e dizer, e quais signos dar a si próprio e aos outros para mostrar que ele é realmente da mesma natureza que o texto de onde saiu. [...]. Dom Quixote desenha o negativo do mundo do Renascimento; a escrita cessou de ser a PROSA DO MUNDO; as semelhanças e os signos romperam sua antiga aliança; as similitudes decepcionam, conduzem à visão e ao delírio.As coisas permanecem obstinadamente na sua identidade irônica: não são mais do que o que são; AS PALAVRAS ERRAM AO ACASO, sem conteúdo, sem semelhança para preenchê-las; não marcam mais as coisas; dormem entre as folhas dos livros, no meio da poeira."


(Início do Cap. III - Representar, do livro As Palavras e as Coisas, de Michel Foucault)

Desencanto


Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
- Eu faço versos como quem morre.

- Manuel Bandeira, em "A cinza das horas", 1917.

 ___
Manuel Bandeira no site:
http://www.elfikurten.com.br/2011/02/manuel-bandeira-estrela-da-vida-inteira.html

ESPLANADA



Naquele tempo falavas muito de perfeição,
da prosa dos versos irregulares
onde cantam os sentimentos irregulares.
Envelhecemos todos, tu, eu e a discussão,

agora lês saramagos & coisas assim
e eu já não fico a ouvir-te como antigamente
olhando as tuas pernas que subiam lentamente
até um sítio escuro dentro de mim.

O café agora é um banco, tu professora de liceu;
Bob Dylan encheu-se de dinheiro, o Che morreu.
Agora as tuas pernas são coisas úteis, andantes,
e não caminhos por andar como dantes.


MANUEL ANTÓNIO PINA

La guerra desconocida, 1914-1945


11 de febrero de 2014 Yaroslav Butakov, File.rf


Hace 100 años comenzó la Primera Guerra Mundial. Para muchos sigue siendo la Guerra Desconocida, aunque en 1914 se la conocía también en Rusia como la Guerra Patria.


La guerra desconocida, 1914-1945
Fuente: RIa Novosti

En Rusia buena parte de la conciencia colectiva la considera una guerra desprovista de sentido; engendró la Revolución y supuso una pérdida de territorio. ¿Es, por tanto, necesario recordarla? Sí, lo es. Aunque solo sea porque cerca de dos millones de rusos sucumbieron en los campos de batalla de esta Primera Guerra Mundial.
“En este momento no solo tenemos la obligación de defender nuestro país, injustamente agraviado, sino que también debemos proteger el honor, la dignidad y la integridad de Rusia, así como su posición entre las grandes potencias del mundo…”, declaró el 20 de julio (2 de agosto según el calendario juliano que se utilizaba entonces en el país eslavo) de 1914 el zar Nicolás II en un manifiesto publicado al día siguiente de que Alemania declarara la guerra a Rusia.
Proteger el honor, la dignidad y la integridad. No son palabras vacías. La agresión de la Alemania imperial a Rusia fue, sin duda, un hecho histórico. El desmembramiento de Rusia fue fraguado por los pangermanistas ya en los años 80 del siglo XIX.
En 1914, el káiser Guillermo II recibió un memorándum que sugería la ‘limpieza’ de los países Bálticos, Bielorrusia y el territorio de la entonces conocida como Gran Rusia (Velíkaya Rus en ruso) desde la línea de Petrogrado-Smolensk hacia el oeste para el asentamiento de alemanes en esas tierras.
En verano de 1915, se celebró un congreso en Berlín en el que 1.347 profesores alemanes firmaron otro memorándum que sostenía que todo el territorio al oeste del Volga debía quedar bajo colonización alemana. El ejército ruso, por tanto, combatió en aquella guerra principalmente por la libertad y la independencia de su patria.
En su día, nada menos que Winston Churchill se sintió en la obligación de recordar a los ciudadanos del Imperio británico y a los estadounidenses la contribución de Rusia en la victoria de la Triple Entente. A principios de los años 30, se recopilaron varios fragmentos de toda su obra en un libro dedicado a la Primera Guerra Mundial bajo el título La guerra desconocida: el frente occidental. El nombre fue muy acertado... desconocida.
En Francia, por ejemplo, hay un monumento a los soldados de las brigadas especiales rusas. Pero en Grecia y en Macedonia, donde las brigadas especiales rusas también combatieron como parte de las fuerzas aliadas multinacionales, sigue sin haber ningún recordatorio. En general, las proezas de los soldados rusos en los Balcanes entre 1916 y 1918 no han sido inmortalizadas.
De los rusos que perdieron la vida en los campos de batallas de Francia se ha filmado alguna película y se han escrito numerosos libros; sobre las tropas rusas del Frente de Salónica no hay más que dos o tres artículos.
En Turquía, en el extremo de la península de Galípoli — a la entrada de Dardanelos—, donde tuvo lugar en 1915 una de las batallas más conocidas de la Primera Guerra Mundial, se erigió aún en tiempos de Kemal Atatürk un enorme complejo en memoria de los soldados turcos y británicos.
En uno de sus monumentos se puede leer la siguiente frase: “Descansen en paz. A todos los John y los Mehmed sin distinción; ambos yacen juntos en nuestro país”. Qué impide levantar monumentos similares en aquellos lugares donde se libraron las mayores batallas entre los ejércitos de Rusia y Turquía en la Primera Guerra Mundial: lugares como Sarighamish, Erzurum, Trebisonda o Erzincan.
Para Rusia el fin de la guerra no llegó con la firma del tratado de paz de Brest, sino que continuó posteriormente. En invierno de 1918 y 1919, las tropas soviéticas regresaron a las fronteras occidentales del antiguo Imperio ruso. De hecho, la guerra con Polonia de 1920 también cumple todos los requisitos para ser considerada como continuación de la Primera Guerra Mundial.
Si se contempla a una escala mayor, toda esta guerra se podría considerar simplemente como la primera fase de la Gran Guerra Patria de los 30 años, de 1914 a 1945 (Gran Guerra Patria es el nombre con el que se conoce comúnmente a la Segunda Guerra Mundial en Rusia).

De esos 32 años, a Rusia le corresponden 14 años de importantes guerras externas y, si a estas se le suman las guerras locales, en total fueron 22 años de contiendas. Solo en 1925 se marcharon los últimos invasores del territorio ruso (los japoneses del norte de Sajalín); en 1929, sin embargo, tuvo lugar un conflicto en la línea transmanchuriana (rama del transiberiano que une Rusia con China); y en 1937 volvieron los conflictos con Japón en el Extremo Oriente (el incidente de Blagovéshchensk). Después llegaron los acontecimientos que todos conocemos y que se prolongaron hasta el año 1945.
La denominación de Guerra Patria alude a que no se trató de una guerra librada para la conquista de tierras extranjeras, sino para la de la independencia nacional.
Yaroslav Butakov, doctorando en Historia.

Artículo publicado originalmente en ruso en File-RF.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Sociedade do Espetáculo

[O espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas, mediada por imagens.

Compreendido em sua totalidade, o espetáculo é tanto o resultado como a meta do modo de produção dominante. Ele não é uma mera decoração acrescentada ao mundo real. É o próprio coração do irrealismo desta sociedade real. Em todas suas manifestações particulares -- notícias, propaganda, anúncios, entretenimento -- o espetáculo representa o modelo dominante de vida. É a afirmação onipresente das escolhas que já foram feitas na esfera da produção e do consumo resultante de tal produção.]



Gui Debord 

A Palavra


Eleva-se entre a espuma, verde e cristalina
e a alegria aviva-se em redonda ressonância.
O seu olhar é um sonho porque é um sopro indivisível
que reconhece e inventa a pluralidade delicada.
Ao longe e ao perto o horizonte treme entre os seus cílios.

Ela encanta-se. Adere, coincide com o ser mesmo
da coisa nomeada. O rosto da terra se renova.
Ela aflui em círculos desagregando, construindo.
Um ouvido desperta no ouvido, uma língua na língua.
Sobre si enrola o anel nupcial do universo.

O gérmen amadurece no seu corpo nascente.
Nas palavras que diz pulsa o desejo do mundo.
Move-se aqui e agora entre contornos vivos.
Ignora, esquece, sabe, vive ao nível do universo.
Na sua simplicidade terrestre há um ardor soberano.


- António Ramos Rosa, in "Volante Verde".

psiquê do ódio

Para entender o curioso fenômeno em que Dilma se consolida como favorita e aumenta o ódio das fragmentadas oposições. Entrevisto eleitores falando que a Dilma é razoável, mas os outros candidatos são todos seguramente muito piores e por isso é que ela vai se reeleger. A forte base social e força eleitoral do voto no PT motiva reações desesperadas, violentas e desconexas. Os movimentos de protesto amanhã serão menores, muito menores porque já se formou um grande e vigoroso anticorpo político contra black blocs, anonymous e outras velhacarias em rede de 2013. Marina e Heloísa Helena não repetirão 2010 e 2006 como já se sabia naquelas eleições. Órfãos da ditadura, alguns dos mesmos que patrocinaram agosto de 54, Jânio Quadros, a Redentora de 64 e Fernando Collor imaginam inventar um neo-velho simulacro desgastado de "Salvador da Pátria" autoritário, tipo Idi Amin Dada, outra manobra fadada ao fracasso. O PSDB traz sólida rejeição nacional a quem apoiar no primeiro e no segundo turno. Para quem viveu e sobreviveu aos governos Figueiredo, Sarney, Collor, Fernando Henrique Cardoso - sabe-se que a situação hoje é muito melhor (ou bem menos pior) do que durante os períodos anteriores a 2003. Quem está individualmente pior hoje em relação a 2002, 1992, 1982 ? A grande maioria do povo brasileiro melhorou bastante de vida em relação aos últimos 10, 20, 30 anos. Para entender a curiosa psiquê do ódio. http://www.domtotal.com/noticias/detalhes.php?notId=719590&fb_action_ids=10201527525175980&fb_action_types=og.likes&fb_source=other_multiline&action_object_map=[355654764577474]&action_type_map=[%22og.likes%22]&action_ref_map=[]

Ricardo Costa de Oliveira