domingo, 15 de fevereiro de 2015

Carnaval curitibano


Multidão

 “O capital quer transformar a multidão numa unidade orgânica, assim como o Estado quer transformá-la num povo. É aí, através das lutas do trabalho, que a verdadeira figura biopolítica produtiva da multidão começa a surgir. Quando é aprisionada e transformada no corpo do capital global, a carne da multidão vê-se ao mesmo tempo no interior dos processos da globalização capitalista e contra eles. Mas a produção biopolítica da multidão tende a mobilizar o que compartilha em comum e o que produz em comum contra o poder imperial do capital global. Com o tempo, desenvolverá sua forma produtiva baseada no comum, a multidão pode mover-se pelo Império e sair do outro lado, para se expressar autonomamente e governar a si mesma” – Antonio Negri e Michael Hardt na obra Multidão - Record, Rio de Janeiro-São Paulo, 2005, p. 142.

LA DAMA ROSA Y EL GENERAL

Quemados sueños púrpuras
De jerarquía mayores…
Con rango de primera dama.
De apesadumbrado rostro
En escasos vientos en el inmóvil tiempo.
Te miras en la razón y en tu presencia…
Como si fueras virtud de nuestros ángeles
Se rehílan tus brazos en la quietud
Y en la existencia de las manos…
Sueñas encontrar en tu apariencia
Los cinco pasos del general levantando
Su diestra
Gravitando entre voces y demás corceles
Aquel poder que fue poder sobre las
Mansedumbres
En antelados tiempos de las rosas blancas
Ante el presagio de turbulentas voces que hoy ya no
Se hincan.
Se fueron de huida: tus muchachos… Doña Yolanda
Desmesuradamente sigilosos los “pequeños boys”
Del general
Escupidos por los arcángeles del tiempo!


PRONTUARIO DE AUSENCIA 2015/ VÍCTOR PAZ IRUSTA.Bolivia

DEUX EX MACHINA

(...) y en las alturas
Las almas de los dictadores y dictados se encuentren
Y el sentimiento trágico de la vida
Finalmente se acabe - en silencio de incertidumbre-
Mientras tanto
la gente da vueltas por la plaza (Pastando su vida,
murmurando espejos.)
Sobre tumbas de héroes olvidados. (...)

INVISIBLE -2009 / JORGE SAMOS DAROCA (PITI).

POETA CHUQUISAQUEÑO.Bolivia

ANHELO


Desde aquel día,
me cautivo tu belleza,
y el momento de tu sonrisa,
sentir en el pecho una brisa de amor,
tu voz que me hace soñar,
emoción sentida al pensar en ti.
Anhelo tu amor en mi presencia,
añoro lo excelso de tu presencia,
delirante es cada anochecer extrañándote.
Como podré vivir en la ternura de un suspiro,
si me haces falta cada que respiro,
cada día, cada noche,
amándote con la ilusión del amor,
sintiendo que tú eres como la bella flor,
inagotable manantial de ríos de agua,
que hierve con tu candor,
gotas cristalinas de tu amor,
aguas claras y serenas como tu mirar.
Anhelo de corazón tenerte en mi brazos,
sentir cada madrugada tus besos,
dulce terciopelo son tus labios,
sutil emoción de tu amor,
que sube como viento a los cielos.
Eres el cielo que cada día más anhelo,
sutil caricia de amor eres en mi vida,
amor que extraño cuando la luna brilla,
amor que enaltece los sentidos,
clamor de amores en mi alma,
tenerte en amores es mi debilidad,
anhelo de amor que pretendo al alba.
Permite que mi voz llegue a tu alma
que sea el ave que cante de pasión,
que en cada amanecer grite el corazón.


José Ramírez 23-2-2014

Un mare nero


Se arza in volo 'no stormo de pensieri
Mutilati e rassegnati a mala sorte
Quann' er cielo esprime tutti i suoi poteri
De passione e desiderio pe' la morte
Se ribartano le nuvole 'mbriache
Vomitando sulle case arcobaleni
E me sembrano magnifiche lumache
Allattate dall'amore coi veleni
Se ripiega su se stesso l'orizzonte
Er dolore che tenevo prigioniero
Ner petto se trasforma in una fonte
Che propaga al mio cospetto un mare nero


Er Farco. 
Poeti der trullo

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

CHASE HENRY

Em vida, eu fui o cachaceiro da cidade;
Quando morri o padre me negou enterro
Em solo santo,
O que acabou por ser a minha sorte.
Porque os protestantes compraram este lote
E me enterraram aqui.
Junto à cova do banqueiro Nicholas
E da sua mulher Priscilla.
Atentem, ó almas pias e prudentes,
Às contracorrentes da vida,

Que honram os mortos que viveram humlihados.

edgar lee masters

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Acredito que atualmente estamos frente a um fenômeno novo que vai além do desencanto e da desconfiança recíproca entre os cidadãos e o poder e tem a ver com o planeta inteiro. O que está acontecendo é uma transformação radical das categorias com que estávamos acostumados a pensar a política. A nova ordem do poder mundial funda-se sobre um modelo de governamentalidade que se define como democrática, mas que nada tem a ver com o que este termo significava em Atenas. E que este modelo seja, do ponto de vista do poder, mais econômico e funcional é provado pelo fato de que foi adotado também por aqueles regimes que até poucos anos atrás eram ditaduras. É mais simples manipular a opinião das pessoas através da mídia e da televisão do que dever impor em cada oportunidade as próprias decisões com a violência. As formas da política por nós conhecidas – o Estado nacional, a soberania, a participação democrática, os partidos políticos, o direito internacional – já chegaram ao fim da sua história. Elas continuam vivas como formas vazias, mas a política tem hoje a forma de uma “economia”, a saber, de um governo das coisas e dos seres humanos. A tarefa que nos espera consiste, portanto, em pensar integralmente, de cabo a cabo, aquilo que até agora havíamos definido com a expressão, de resto pouco clara em si mesma, “vida política”.
 [Giorgio Agamben]

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Hagia Sophia

Osip Mandelshtam



Hagia Sophia: here, God himself decreed
Nations and kings to stop! As witness eyes
In words, your ancient cupola is indeed,
As if on a chain, suspended from the skies.

Across the centuries, Justinian’s example
Shines: Diana of Ephesus abets
The theft of 107 columns in green marble
For the benefit of those alien gods.

In lofty thought, your magnanimous architect,
Noble of spirit, arranged the nave, exedrae,
Semi-domes, apses, pillars, et cetera,
Once he had indicated east and west.

The lovely temple is bathing in the world,
Its forty windows hold a triumph of light.
Under the dome, with sails of wings bedight,
The four archangels are the most beautiful.

This wise and spherical construction
Will outlive many a loud age and nation.
Echoes of choirs of cherubim weeping
Will fail to warp the darkened gilding.


Translated by Philip Nikolayev

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Casi luz

La epidermis al aire de lavanda y tomillo.
No ha de dejar el viento su negra cabellera
oscilar en la noche sino busquen su noche
detrás de los cronómetros y encontrarán un péndulo
moviéndose sinuoso al compás de la aurora.
No el roce de ceniza la hiciera fuego fatuo
ni el agua de algún río simplemente la hiciera
atmósfera insaciable si bien no ceja en serlo
el delta que la añora desde la misma asfixia.

©Antonio Arroyo Silva


Desde o final dos anos 70 existem três maneiras "fáceis" de rápido enriquecimento: Entrar no tráfico de drogas, criar uma igreja evangélica e abrir um partido político (alguns brilham nas três atividades ou carreiras ao mesmo tempo, como é sabido). As eleições das mesas diretoras no Senado, Câmara e Assembleias representam um dos maiores espetáculos do festival de dinheiro fácil, sem fiscalização, na riquíssima ilha da fantasia do poder legislativo brasileiro. Alguns dos melhores livros sobre o ethos e a cultura parlamentar foram escritos por Lúcio Vaz - "A Ética da Malandragem" e os "Sanguessugas do Brasil", que deveriam ser atualizados após cada eleição legislativa. Um sistema partidário com quase 30 partidos no legislativo é o templo dos negócios e do fisiologismo no atacado, com presidentes reféns dos esquemas e a grande estrela partidária da fisiologia é o PMDB, um partido herdado da ditadura militar corrupta ao lado da antiga ARENA e do PDS (já extintos e sucedidos por outros partidos nas suas raízes clientelistas). Nenhuma democracia mundial tem quase 30 partidos no parlamento. Um partido político deve governar e ser situação porque venceu as eleições, já quem perdeu deve ser oposição, criticar e fiscalizar. No Congresso brasileiro e nas Assembleias estaduais existe o grande partido do corporativismo unido, quando todos se unem para usufruir as polpudas verbas e fortunas dos orçamentos superdimensionados do poder legislativo nas mesas diretoras. No Paraná o jogo já se definiu com o deputado Traiano e o apoio integral da bancada do PMDB, bem representativos da malfadada superficialidade incompetente da gestão Richa-PSDB . No Senado joga o campeão Renan, ex-ministro da justiça de FHC e na Câmara o atual símbolo magno do "sabotador da república" Eduardo Cunha, que até abriu um bar parlamentar de ocasião. Os chefes desfilam e comandam os processos no melhor estilo do PMDB velho de guerra. As tais das jornadas "progressistas" de junho de 2013 só produziram um parlamento ainda mais fisiológico e conservador em 2015.


Ricardo Costa de Oliveira

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

El Maestro y Margarita

Del muro de Noé Lima, recogido por Byron Quiñones.

—¿Qué es usted?
—Poeta —confesó Iván con desgana, sin saber por qué.
El hombre se disgustó.
—¡Qué mala suerte tengo! —exclamó, pero en seguida se dio cuenta de su incorrección, se disculpó y le preguntó—: ¿Cómo se llama?
—Desamparado.
—¡Ay! —dijo el visitante, haciendo una mueca de disgusto.
—Qué, ¿no le gustan mis poemas? —preguntó Iván con curiosidad.
—No, nada, en absoluto.
—¿Los ha leído?
—¡No he leído nada de usted! —exclamó nervioso el desconocido.
—Entonces, ¿por qué lo dice?
—¡Es lógico! —respondió—. ¡Como si no conociera a los demás! Claro, puede ser algo milagroso. Bueno, estoy dispuesto a creerle. Dígame, ¿sus versos son buenos?
—¡Son monstruosos! —respondió Iván con decisión y franqueza.
—No escriba más —le suplicó el visitante.


(Mijail Bolgakov - El Maestro y Margarita)

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

"Desde muitos anos insisto em que a poesia é uma chave do conhecimento, com a ciência, a arte ou a religião: sendo por tanto óbvio que lhe atribuo um significado muito superior ao de simples confidência ou de jogo literário. Diversas são as faces da poesia, tal como se tem esta revelado através dos séculos. Que o instrumento básico da poesia é a linguagem, não há a menor dúvida."

(Trecho do ensaio "A poesia e o nosso tempo", Murilo Mendes, publicado no Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, de 25/07/1959.)

A poesia e o nosso tempo

"Nossa época, nascida sob o signo do relativismo, se distingue em boa parte pela flutuação e instabilidade das ideias. Hoje é difícil, senão impossível, fixar um critério seguro no que se refere à validez de escolas e estilos literários. O que agora parece moderníssimo torna-se "superado", datado, em pouco tempo. Nenhum de nós viverá quinhentos anos para saber o que vai ficar da imensa produção literária de nossa época."
(Trecho do ensaio "A poesia e o nosso tempo", Murilo Mendes, publicado no Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, de 25/07/1959.)
Noitefazes
Ou disfazes?
Noite redonda
Cararredonda
Ar voando:
Sono da palavra
Coisa-feita.
Dia quadrado
Caraquadrada
Ar parando:
Insônia da palavra.
Coisa-fazes.
Diafazes.

Texto de informação, fragmento. MENDES, Murilo. Antologia Poética. São Paulo: Cosac Naify, 2014.
Quem
Quem um dia dançou os pés de outro?
Todos os que dançam, todos
Apenas dançam os próprios pés.
Quem pensa na imortalidade do outro
E durante seu próprio sonho
Sonha com o sonho do outro?
Quem, no nascimento do menino humilde,
Pede sua coroação pelos reis?
Quem manda violetas ao pobre encarcerado?
Quem se sente poeta pelo que o não é?
______

MENDES, Murilo. Antologia Poética. São Paulo: Cosac Naify, 2014.

sábado, 10 de janeiro de 2015

OUTRA VISÃO SOBRE O ATENTADO NA FRANÇA


Quem está por trás do atentado contra Charlie Hebdo?

por Thierry Meyssan

Em 7 de janeiro de 2015, um comando irrompe na sede parisiense do Charlie Hebdo e mata 12 pessoas. Outras 4 vítimas foram reportadas como estando em estado grave.

Nos vídeos se ouve os atacantes gritando "Allah Akbar!" e afirmar depois que "vingaram Maomé". Uma testemunha, a cartunista Coco, afirmou que os indivíduos diziam ser da Al-Qaeda. Isso bastou para que inúmeros franceses denunciam ao fato como um atentado islamista.

Mas essa hipótese é ilógica.

A missão do comando não coincide com a ideologia jihadista

Em efeito, os membros ou simpatizantes de grupos como a Irmandade Muçulmana, Al-Qaeda ou Emirado Islâmico não teriam se limitado a matar cartunistas ateus. Teriam começado destruindo os arquivos da publicação na presença das vítimas, como fizeram na totalidade das ações que perpetram no Magreb e no Levante. Para os jihadistas, o primordial é destruir os objetos que - segundo eles - ofendem a Deus, antes de castigar os "inimigos de Deus".

E tampouco teriam se retirado de imediato, fugindo da polícia, sem completar sua missão. Pelo contrário, a teriam realizado até o fim ainda que isso custasse suas vidas.

Por outro lado, os vídeos e vários testemunhos mostram que os atacantes eram profissionais. Estão acostumados ao manejo de armas e só disparam quando é realmente necessário. Sua indumentária tampouco é a dos jihadistas senão mais exatamente a que caracteriza comandos militares.

Sua maneira de executar no chão um policial ferido, que não representava um perigo para eles, demonstra que sua missão não era "vingar Maomé" do humor não muito fino do Charlie Hebdo.

Objetivo da operação: favorecer o início de uma guerra civil

Os atacantes falam bem o idioma francês e é muito provável que sejam franceses, o que não justifica a conclusão de que seja tudo um incidente franco-francês. Pelo contrário, o fato de que se trata de profissionais nos obriga a separar estes executores dos que deram a ordem de realizar a operação. E nada demonstra que estes últimos sejam franceses.

É um reflexo normal, mas intelectualmente errôneo, acreditar que conhecemos nossos agressores no momento em que acabamos de sofrer a agressão. Isso é o mais lógico, tratando-se da criminalidade comum e corrente. Mas não é assim quando se trata de política internacional.

Quem deu as ordens que levaram à execução desse atentado sabia que estavam provocando uma ruptura entre franceses de religião muçulmana e os franceses não-muçulmanos. O semanário satírico francês Charlie Hebdo se havia especializado nas provocações anti-muçulmanas, das quais a maioria dos muçulmanos da França foram vítima direta ou indiretamente. Se bem os muçulmanos da França não deixaram certamente de condenar esse atentado, lhes será difícil sentir pelas vítimas tanta dor como os leitores da publicação. E não faltarão os que interpretem isso como uma forma de cumplicidade com os assassinos.

É por isso que, ao invés de considerar esse atentado extremamente sanguinário como uma vingança islamista contra o semanário que publicou na França as caricaturas sobre Maomé e dedicou reiteradamente seu primeiro plano a caricaturas anti-muçulmanas, seria mais lógico pensar que se trata do primeiro episódio de um processo tendente a criar uma situação de guerra civil.

A estratégia do "choque de civilizações" foi concebida em Tel-Aviv e Washington

A ideologia e estratégia da Irmandade Muçulmana, Al-Qaeda e Emirado Islâmico não prega provocar uma guerra civil no "Ocidente", senão pelo contrário, iniciar uma guerra civil no "Oriente" e separar a ambos mundos hermeticamente. Nem Sayyid Qutb, nem nenhum de seus sucessores convocaram a provocar enfrentamentos entre muçulmanos e não-muçulmanos no terreno destes.

Pelo contrário, quem formulou a estratégia do "choque de civilizações" foi Bernard Lewis e ele o fez a pedido do Conselho de Segurança Nacional dos EUA. Essa estratégia foi divulgada posteriormente por Samuel Huntington, apresentando-a não como uma estratégia de conquista senão como uma situação que podia chegar a se produzir. O objetivo era convencer aos povos dos países membros da OTAN de que era inevitável um enfrentamento, justificando assim o caráter preventivo do que seria a "guerra contra o terrorismo".

Não é em Cairo, em Riad nem em Cabul que se prega o "choque de civilizações", mas sim em Washington e em Tel-Aviv.

Os que deram a ordem que levou ao atentado contra o Charlie Hebdo não estavam interessados em agradar a jihadistas ou talibãs mas sim aos neoconservadores ou aos falcões liberais.
Não devemos esquecer os precedentes históricos
Temos que recordar que durante as últimas décadas temos visto os serviços especiais dos EUA e da OTAN:

-> Utilizar na França a população civil como "porquinhos da Índia" para experimentar os efeitos devastadores de certas drogas;
-> Respaldar às OAS para assassinar o presidente francês Charles De Gaulle;
-> Proceder à realização de atentados de "falsa bandeira" contra a população civil em vários países membro da OTAN.

Temos que recordar que, desde o desmembramento da Iugoslávia, o Estado-Maior americano experimentou e pôs em prática em vários países sua estratégia conhecida como "rinha de cães", que consiste em matar membros da comunidade majoritária e matar depois membros das minorias para conseguir que ambas as partes se acusem entre si e que cada uma delas creia que a outra está tentando exterminá-la. Foi assim que Washington provocou a guerra civil na Iugoslávia e, ultimamente, na Ucrânia.

Os franceses fariam bem em recordar igualmente que não foram eles que tomaram a iniciativa da luta contra os jihadistas que regressavam da Síria e do Iraque. De certo, nenhum desses indivíduos cometeu até agora nenhum atentado na França já que o caso de Mehdi Nemmouche não se pode catalogar como um fato perpetrado por um terrorista solitário senão por um agente encarregado de executar em Bruxelas 2 agentes do Mossad. Foi Washington que convocou, em 6 de fevereiro de 2014, os ministros do Interior da Alemanha, EUA, França (o senhor Valls enviou um representante), Itália, Polônia e Reino Unido para que inscrevessem o regresso dos jihadistas europeus como uma questão de segurança nacional. Foi apenas depois dessa reunião que a imprensa francesa abordou esse tema dado o fato de que as autoridades haviam começado a atuar.

Não sabemos quem ordenou esse ataque profissional contra o Charlie Hebdo mas sabemos sim que não devemos nos precipitar. Teríamos que ter em conta todas as hipóteses e admitir que, nesse momento, seu objetivo mais provável é nos dividir e que o mais provável é que quem deu as ordens esteja em Washington.


1905: Domingo sangrento em São Petersburgo




Em 9 de janeiro de 1905, uma petição em tom desesperado era dirigida ao czar Nicolau 2º. A Rússia enfrentava uma crise profunda, as pessoas passavam fome, todas as camadas da população estavam insatisfeitas.

No dia 9 de janeiro de 1905, o czar Nicolau 2º recebeu uma petição em tom desesperado: "Estamos em situação miserável, somos oprimidos, sobrecarregados com excesso de trabalho, insultados, não nos reconhecem como seres humanos, somos tratados como escravos. Para nós, chegou aquele momento terrível em que a morte é melhor do que a continuidade do sofrimento insuportável".
O país estava afundado numa enorme crise, as pessoas passavam fome, em todas as classes da sociedade havia insatisfação. Os nobres não queriam aceitar a industrialização da Rússia, por acreditar que isso os empobreceria. Os camponeses sentiam-se oprimidos e enganados: apesar da abolição do regime feudal em 1856, toda a terra continuava pertencendo exclusivamente aos nobres. E não havia perspectiva de mudança.
De sua parte, os intelectuais exigiam uma participação na vida política. O czar Nicolau 2º, absolutista, ainda podia administrar e agir no seu imenso reino como bem entendesse. Às vésperas da primeira revolução russa, o soberano ainda não tomava conhecimento dos problemas dos trabalhadores, da fome, da miséria e das arbitrariedades dos proprietários de fábricas.

Numa situação tão tensa, um fato insignificante transformou-se, de repente, numa catástrofe. Quatro operários da maior fábrica de São Petersburgo foram demitidos, narra Jutta Petersdorf, historiadora do Instituto da Europa Oriental na Universidade Livre de Berlim. "Eles foram demitidos porque exigiram a punição de um feitor que era injusto e tratava mal os operários."
Início da revolta

Os quatro revoltosos estavam dispostos a lutar. O protesto foi apoiado pelos sindicatos fiéis ao regime, os chamados "sindicatos amarelos", criados pelas autoridades estatais nas regiões industriais russas, no início do século, para canalizar e controlar a crescente insatisfação popular. Tais associações sindicais eram dirigidas e administradas pela polícia local. O sindicato de São Petersburgo, que contava 11 mil filiados em janeiro de 1905, tentou manter a paz social, procurando fazer com que o diretor da fábrica anulasse a demissão dos quatro operários. Em vão. O industrial permaneceu irredutível.

Em 2 de janeiro, foi realizada uma assembleia do sindicato. Discutiu-se de maneira extremamente emocional o que se podia fazer em tal situação. E surgiu então a conclamação à greve. Pouco a pouco, mas de maneira inexorável, a situação começava a fugir ao controle das autoridades estatais. Outras fábricas de São Petersburgo aderiram à greve. Foi nesse clima de revolta que se decidiu a realização da marcha de protesto do dia 9 de janeiro, que dirigiria uma petição ao czar, reivindicando uma melhoria das condições de vida dos trabalhadores.

Marcha de protesto

Na manhã gelada do domingo, 9 de janeiro, uma multidão de 100 mil pessoas dirigiu-se então para a residência do czar, o Palácio de Inverno de São Petersburgo. A residência estava protegida pelos militares, com o apoio da cavalaria dos cossacos. Mas a multidão era pacífica. Não eram os aspectos revolucionários que predominavam na marcha, mas sim os ícones de santos da Igreja Ortodoxa, os estandartes eclesiásticos, as ladainhas rezadas. Por onde passava o cortejo, nas ruas de São Petersburgo, as pessoas faziam o sinal da cruz, e muitas se juntavam a ele.

Quando a multidão aproximou-se do palácio, ouviram-se os primeiros disparos. Sobre o massacre que se seguiu, existem divergências de interpretação. Algumas fontes falam de um ato espontâneo e inconsequente. Jutta Petersdorf e muitos outros historiadores acreditam, porém, que o banho de sangue foi premeditado.
Duzentas pessoas foram assassinadas e cerca de 800 ficaram gravemente feridas. A sangrenta repressão da marcha de protesto diante do palácio do czar em São Petersburgo foi o ponto de partida para as rebeliões que se seguiram. Poucos dias mais tarde, a população de Varsóvia – na época, administrada pela Rússia – saiu às ruas para protestar. Novamente, o regime czarista mandou abrir fogo contra os manifestantes.
Fim da primeira revolução russa

Mas o povo, insatisfeito, não podia mais ser contido. Os protestos eclodiram em toda a Rússia. Em outubro do turbulento ano de 1905, após uma greve geral, o czar Nicolau 2º assinou um decreto conhecido como Manifesto de Outubro. Ele abriu caminho para as primeiras eleições parlamentares livres. Isso marcou, ao mesmo tempo, o fim da primeira revolução russa, que começara de maneira sangrenta em São Petersburgo.


Segundo Jutta Petersdorf, "por um lado, a classe política foi pacificada através da formação de partidos e a possibilidade de concretizar eventualmente as suas esperanças através do trabalho parlamentar. De outro lado estava o movimento socialista, com a sua conclamação a uma rebelião armada, a qual fracassou então estrondosamente".

O ofício de viver


Vou sempre além de mim mesmo
em teu dorso, ó verso.
O que não sou nasce em mim
e, máscara mais verdadeira
do que o rosto, toma conta
de meus símbolos terrestres.
Imaginação! teu véu
envolve humildes objetos
que na sombra resplandecem.
Vestíbulo do informulável,
poesia, és como a carne,
atrás de ti é que existes.
E as palavras são moedas.
Com elas, tudo compramos,
a árvore que nasce no espaço
e o mar que não escutamos,
formas tangíveis de um corpo
e a terra em que pisamos.
Se inventar é o meu destino,
invento e invento-me. Canto.

- Lêdo Ivo, in "Poesia Completa", 2004.


http://www.elfikurten.com.br/…/ledo-ivo-uma-aventura-poetic…