terça-feira, 6 de junho de 2017

"Se nada der certo" revela apenas a normatividade do "habitus de classe"

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"Se nada der certo" revela apenas a normatividade do "habitus de classe". Eu estudei no Marista de Brasília e nas minhas aulas ainda hoje comento um dos "choques culturais", quando eu fiz o mestrado em Londres e quem atendia no pub e na cantina universitária eram os próprios estudantes. Mais uma vez nossas raízes do "Antigo Regime" senhorial e escravocrata sempre rebaixam o trabalho, categoria central da sociologia, aos grupos subalternos, periféricos, estrangeiros e inferiores, o que deve sempre ser passado a cada nova geração e a cada nova família ascendente. Todos esses tipos bem sucedidos estereotipados já estavam na minha época do Marista de Brasília. O Renato Russo já reclamava por lá do filho de políticos e aproveitador da sua turma, o Geddel Vieira Lima. O Beto Richa estudava na turma mais nova da minha classe. Quantos políticos, empresários, juízes, executivos, altos funcionários públicos e privados formaram o seu "habitus de classe" nessa mesma visão arcaica de mundo social e político. O problema é que o Brasil continua dando certo "apenas" para essa classe dominante encastelada no poder pelos golpes e falcatruas, gente que nunca estudou nada a sério, nunca escreveram, pesquisaram, produziram, construíram ou trabalharam nada de essencial, significativo e importante, afora as tradicionais enganações do establishment, da mídia, do sistema judicial, das forças da insegurança armada, das politicagens, chicanas, negociatas, honorários, jetons e roubos pura e simplesmente de uma nação inteira de trabalhadores alienados desses processos sociais e políticos reproduzidos desde a educação.



 Ricardo Costa de Oliveira

domingo, 4 de junho de 2017


Sabe o problema? Eu acho que tem gente que não se percebe no mundo, não se localiza.
Acha que tá num grupo e tá em outro, falta posicionamento de cena mesmo.

João Doria é um cara elitista porque é da elite, entendem? João Doria governa pra elite, e por isso faz um governo estético. Porque rico gosta é de estética. Cês já viram banheiro de rico? É bonito demais. O banheiro. É nesse nível de preocupação estética que a elite chega: em gastar o valor de uma casa inteira num banheiro que, muitas vezes, tem o tamanho de uma casa inteira.

Aí o Doria fez uma campanha puramente estética, e faz uma gestão puramente estética, ele se veste de povo no melhor estilo do "quanto vale ou é por quilo?", porque a elite gosta de povo no marketing, só no marketing. E Doria entende de marketing. Mas governar, governar mesmo ele faz pra quem não gosta de povo, mas gosta de muro verde.

O problema, e aí vem o problema, são as pessoas não sabendo se localizar. As pessoas tem dificuldade de entender que elas não tão no mesmo grupo do João Doria, e dificilmente estarão algum dia.

Pra entender, eu cresci na periferia de Curitiba num condomínio da Cohab, cês sabem o que isso significa? Eram apartamentos de 47m², com três quartos e 1 banheiro. Galera não morava sozinha lá não, não era "kitchenette", era apezão mesmo, de morar a família toda e o cachorro. (Falei que tem banheiro de rico que é do tamanho de uma casa inteira, né?)

Era o bairro com a maior quantidade de favelas da cidade.

E aí entra o problema: a galera dos prédios achava que tava muito distante da favela. Mas muito. Que na favela tinha vagabundo, que eles que tavam ali no apartamentão com os dogs vacinados e alimentados eram tão mais merecedores do mundo, porque se esforçavam. Porque não se envolviam com droga. Tinham vizinhos que se envolviam, tiveram uns que morreram até por isso, aliás, morreram eles - "mas foi se meter onde não devia, não é? Saiu dessa vida honesta que garantiu a todos ali um apezinho da Cohab, se meteu na bandidagem, e aí não quer morrer? Não é?!"

E o que separava a gente ali no apê da favela da rua do lado, muitas vezes, era ter chego antes na fila da Cohab, só isso. Mera fatalidade. Da mesma forma que o que separava nós, cidadãos de bem, dos que "se meteram com a bandidagem" foi uma sequência de acasos tão fora do nosso controle que chega a ser ridículo chamar isso de mérito, de escolha, de valor, do que você quiser chamar pra se sentir melhor que os outros.

É preciso muito pouco pras pessoas se sentirem mais merecedoras de dignidade que as outras, mas muito pouco. Uma rua de distância e um ap de 47m² financiado pela Caixa em mais prestações do que a gente vai viver pra pagar.
Ou um salário que permita pagar aquela viagenzinha pro exterior em 10x.
É só isso que precisa pra galera começar a se sentir mais perto da high society que da periferia onde vive.
Pra galera se solidarizar mais com a preocupação estética dos ricos que com o sofrimento dos vizinhos, mais com um mercado financeiro que sequer entende como funciona que com o almoço do cara da casa da frente. É só isso, é esse pouquinho, nada além.

E se ali na rua da frente a coisa já é assim, imagina quando você vai pra um bairro mais classe-média-que-se-acha-alta, imagina! Eu namorei um cara desses bairros, ele era muito legal, de verdade mesmo, mas morava num apartamento que dava 5 do meu, com mais quarto que gente, e o resto da família reclamava tanto da vida, da política, da pobreza em que estavam vivendo, do custo de manter 3 carros, reclamavam de ele ir na minha casa porque a vizinhança era feia (até isso a gente tem que ouvir), senhor, como reclamavam. Foi na casa dele que ouvi que eu só era de esquerda porque era muito jovem e não sabia do que tava falando. Pois é.

Hoje, por uma sequência de fatalidades outras e de filas em que eu cheguei primeiro, eu moro num bairro da classe-média-que-pensa-que-é-alta paulistana e você vê a superioridade escorrendo no hall de mármore. Você vê. E mesmo a família daquele ex-namorado, mesmo meus vizinhos de agora, mesmo todos eles, tão longe da alta sociedade com a qual solidarizam. Mesmo eles.

Porque o que coloca a maioria de nós nesse mar de privilégios que a gente vive são acasos, nada além de acasos.

Nós não estamos no grupinho do João Doria. Somos meros assalariados, ou, no máximo, autônomos e pequenos empresários - bela autonomia. Não tô diminuindo isso que vivemos não, muita gente daria os órgãos pra estar onde estamos. O que tô dizendo é que nós não estamos do lado daqueles que controlam 52% do PIB nacional, nem nunca estaremos.

O sucesso de caras como João Doria vem de fazer parte de nós acreditar que nós só não somos da elite por falta de oportunidade, porque "os governos de esquerda ficam usando o nosso dinheiro pra sustentar vagabundo". Cara! Cara! Sério! Vocês acreditam mesmo nisso?

O sucesso de um cara como João Doria vem de você acreditar que com muito esforço você um dia vai ter um banheiro de 47m² - o que pode até ser que um dia você tenha mesmo - e, aí é o pior, de fazer você acreditar que isso é verdadeiramente um indicativo de sucesso na vida.

E acreditando nisso e vendo o mundo com os olhos do patrão que você não é - ainda que patrão você seja - você começa a ficar do lado de uma elite que compra teu vizinho pobre pra fazer comercial pra você acreditar que você não é igual seu vizinho, que você é melhor que ele, e que só não é ainda melhor porque tem alguém usando seu valioso dinheiro pra sustentar seu vizinho e impedir que seu vizinho rompa as amarras da vagabundagem e um dia seja tão bom quanto você. Mas veja só: eles tão falando do seu vizinho ainda assim.

E começa a defender medidas puramente estéticas porque na falta de um banheiro bonito você quer, ao menos, uma rua bonita, sem aquele pobre feio, sem aquela periferia suja, sem seu vizinho.

Começa a defender um prefeito que manda demolir uma casa com gente dentro. Uma casa. Com gente dentro.
Isso não te choca? Porque deveria.
Era uma casa e tinham pessoas lá dentro. Não foi um acidente, não vamos tratar isso como um "ops, tinha gente mesmo, que coisa, mas acontece, bola pra frente...", né?

Eu não tô falando que sei a resposta pro problema das drogas, da população de rua, da população em qualquer situação de vulnerabilidade.

Mas não existe nenhuma corrente, nenhum estudo, nenhum tipo de raciocínio lógico (ou minimamente humano) que nos leve a acreditar que sair atirando em gente e demolir uma casa com gente dentro é uma resposta razoável pra qualquer problema.

A única coisa que faz uma pessoa ver alguma via de defesa dessa ação, uma mínima via de defesa de uma pessoa que autoriza isso, de ficar do lado de um prefeito que já se mostrou ser altamente higienista e pouco preocupado com a efetividade de suas medidas, é a vontade de ter um lugar bonito pra excretar.

Temos uma elite doente por estética, mas você pode não se contaminar, você não é vizinho do João Doria, você está muito mais próximo das pessoas em quem ele manda atirar, não esqueça disso.


E com isso em mente, eu sugiro que defenda o direito à dignidade dessas pessoas como se fosse o seu, porque é.

Paula Bernardelli

A primeira Presidenta Nacional do PT

Gleisi Hoffmann é a mulher paranaense com mais experiência política e mais elevada trajetória no campo político em toda a história. Gleisi percorreu longo caminho partidário desde o movimento estudantil, assessorias parlamentares municipais, estaduais e federais. Ocupou cargos executivos estaduais, experiência em Itaipu, Senadora e Ministra-Chefe da Casa Civil, a mais elevada posição ministerial já ocupada por um paranaense em toda a história. Agora também é novidade como a primeira Presidenta Nacional do PT. Quadro político inteligente e sensível, Gleisi terá o grande desafio, junto do PT, de conviver e traçar estratégias para o atual Presidencialismo de Colisão que vivemos. Os confrontos são inevitáveis porque o golpe saiu tal qual um monstrinho alien de dentro do corpo da coalizão anterior do PT. Quando Dilma teve de aceitar um vice conspirador e traíra, como Temer e o PMDB de assaltos elegeu Eduardo Cunha como presidente da Câmara, a conjuntura estava definitivamente perdida. O velho problema é como o PT conseguirá votos, apoios e energia para enfrentar o centrão fisiológico no Congresso, a tradicional corrupção na tecnoburocracia estatal de décadas, o empresariado golpista do pato amarelo nas federações e associações empresariais, a indústria da mídia e o sistema judicial de exceção, golpista e autoritário de sempre. A luta de classes revela setores médios e burgueses adestrados na cultura do ódio pela lavagem cerebral da grande mídia oligárquico-familiar, este filhotes e órfãos dos valores morais de Aécio Neves, Temer e Eduardo Cunha procurarão outras válvulas de escape, outras opções igualmente enganadoras para o próximo ciclo. Grandes desafios são grandes oportunidades para grandes novidades. Esta esquerda hegemônica e detentora dos maiores capitais eleitorais, sindicais, movimentos sociais, intelectuais e partidários com Lula, Gleisi e o PT, terá o imenso desafio de comandar uma próxima carga de ataque contra o moribundo bloco golpista em decomposição do PMDB-PSDB-DEM. O que o PT deve manter do ciclo vitorioso anterior entre 2002-2014, lições do buraco e da derrota golpista em 2015-2016 e a tremenda necessidade de invenção, de inovação para 2017-2018, com novas mobilizações, novas formas de luta e novas estratégias dialeticamente preservando o que foi bom, o que permitiu as vitórias eleitorais e incorporando o novo, incorporando novos avanços, sem agora abrigarem os monstros do passado dentro da barriga do Lulopetismo hegemônico e ainda triunfante deste nosso ciclo político e histórico. Vai que a bola é sua Gleisi !


RCO

burocrata a serviço da lei


Existe a possibilidade do burocrata a serviço da lei pensar que é a própria lei? Sim, existe. Sinal de que a aculturação burocrática falhou ao permitir que valores pessoais, religiosos, familiares fossem mais fortes do que o verdadeiro senso de responsabilidade pública. Quando isso acontece, falta Estado de verdade e sobra corporativismo.
Mas quando o burocrata é ignorante, tem alta visibilidade e tenta se travestir na própria lei, a chance de não conseguir por cair no ridículo é enorme.

O curioso é que os dois casos - bem ou mal sucedidos - são exemplos de corrupção da função pública. Nem toda corrupção envolve dinheiro!

Emerson Urizzi Cervi

quinta-feira, 1 de junho de 2017

os mais escancaradamente hipócritas

O velho ditado que os mais pseudo-moralistas sempre são os mais escancaradamente hipócritas: Conselho Nacional de Justiça se acovardou e adiou a condenação do juiz Moro por ter rasgado a lei de interceptação de comunicações telefônicas em várias gravações completamente fora da lei. Golpista Temer procura outro sub-ministro do PMDB paranaense para tentar engrupir o foro privilegiado do seu homem da mala, Rodrigo Rocha Loures, em outro espetáculo político do consórcio de escroques golpistas no poder.

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Nepotismo explica o "novo" Ministro

A teoria do nepotismo explica o "novo" Ministro golpista da Justiça, Torquato Lorena Jardim, que é membro da mais antiga família da oligarquia da classe dominante tradicional de Goiás. O Trisavô Coronel José Rodrigues Jardim foi Presidente da Província de Goiás no Império, o mesmo que o bisavô José Rodrigues Jardim Filho. O avô Ten.Cel. Eugenio Rodrigues Jardim também foi Presidente de Goiás e Senador na República. O Pai Coronel do Exército José Torquato Caiado Jardim foi instrutor na AMAN - Academia Militar das Agulhas Negras (Resende - RJ). Família de grandes latifundiários e fazendeiros desde o tempo da escravidão colonial no século XVIII. Primo do Senador Ronaldo Caiado, um dos chefes da bancada ruralista de Goiás e de outra importante oligarquia familiar da região. Como lembrou Laurentino Gomes no livro 1889: “Vocês fizeram a República que não serviu para nada. Aqui agora, como antes, continuam mandando os Caiado” – Capitão Felicíssimo do Espírito Santo Cardoso, bisavô do presidente Fernando Henrique Cardoso, em telegrama enviado de Goiás ao filho, Joaquim Inácio, que ajudara a proclamar a República em 1889 ! Torquato Jardim foi Ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 1988 a 1996 e deve servir para tentar limpar a barra do golpista Temer na sua crise final.

Torquato Jardim foi genro do Ministro Leitão de Abreu e seu alto assessor direto até 1985, além de ser descendente das principais oligarquias políticas familiares de Goiás, como escrevi em mensagem anterior. Eu sempre fico impressionado com a ignorância e desconhecimento da profunda lógica familiar política que rege o Estado Brasileiro. Agora um dos nossos mais experientes jornalistas, Jânio de Freitas, escreve: "Sabia-se pouco sobre Torquato Jardim, o que justifica ignorar-se ser pessoa apressada. Genro do professor Leitão de Abreu, que governou o país para encobrir a inabilitação absoluta de Médici e, em substituição a Golbery, de Figueiredo, não consta que tenha se aproveitado da relação familiar –uma raridade em Brasília daqueles e de todos os tempos." Sabe de nada inocente Jânio de Freitas !


RCO

O JBSgate

Dificilmente um partido político que apoie um golpe e insista em eleições indiretas sobrevive ao próximo ciclo democrático e ao retorno das eleições diretas. Hoje o golpista Temer só permanece provisoriamente no poder com o apoio e endosso do PSDB. Todos viram a estrutura familiar truculenta de comando do PSDB, nas gravações de Aécio e sua irmã Andrea, comandando subalternos aliados, tipo Pórrela, Richa, Rossoni, aliados políticos menores e midiáticos. A queda do golpe significará o provável fim do PSDB seguindo o mesmo modelo do fim da ARENA, do PDS e mesmo do PFL. O PMDB não é um partido ideológico e sim uma confederação de interesses rasteiros e superficiais, deve sofrer também no fim do golpe ao estar associado com o desgoverno de Temer e também pode finalmente se extinguir voluntariamente pela debandada da quadrilha ministerial golpista no pós-golpe. Já o PT superou o teste de ter sido golpeado, de estar na oposição e estar muito mais forte agora do que há um ano atrás. Percebam que nenhuma pesquisa de opinião sobre a popularidade de Temer e nenhuma pesquisa presidencial sobre o crescimento de Lula foram divulgadas, após a inquisição persecutória com Moro e depois do festival das malas dos golpistas Aécio e Rocha Loures no JBSgate. Nenhuma pesquisa foi publicamente revelada durante todo o mês de maio passado..

RCO

Colocando pingos nos iis.


Sou esquerdista. Não sou lulista nem dilmista. Um socialista não apoia governo nenhum incondicionalmente.O único sujeito histórico pra mim ainda é o proletariado, o coveiro do regime burguês. Se este fracassar, fracassaremos todos.Dito isto, vamos aos fatos.
O PT, através de alguns de sua cúpula, praticou atos ilícitos. Só um louco o negaria. Deve, sim, responder na justiça.Mas deve responder ainda mais á sua militância pelos acordos que fez com essa canalha que lhe tirou o poder por vias escusas.Às vezes é melhor perder do que vender a alma.Cabe à militância reconstruir esse partido, que ainda é a grande esperança do povo brasileiro.Devemos fazer um enorme mea-culpa e dizer ao povo a verdade.Do contrário, o partido morre.

Ousar lutar. Ousar vencer.

Firmino José Torres Ribeiro

A CARTA DE JOESLEY BATISTA


Na iminência da queda de Michel Temer, precisamos ter em mente que esse golpe dentro do golpe é apenas uma estratégia para acelerar as reformas conservadoras. Esta última fase, que pretende descarregar o golpe de misericórdia em um sistema agonizante, partiu das delações do empresário da JBS, Joesley Batista, que, em seguida, publicou um pedido de desculpas no qual, se analisado atentamente, é possível identificar o projeto de poder que impulsionou toda essa crise política na qual o Brasil se encontra.
A “carta aberta” foi uma tentativa explícita do empresário de não cair no que a filósofa judia Hannah Arendt chamou de “banalidade do mal”. Além de usar elementos retóricos fundamentais no que tange a virtude do orador, afirma-se que foi necessário burlar os seus valores para atingir um bem maior: “Nosso espírito empreendedor e a imensa vontade de realizar, quando deparados com um sistema brasileiro que muitas vezes cria dificuldades para vender facilidades, nos levaram a optar por pagamentos indevidos a agentes públicos”.
Mas será que Joesley teve que realmente se corromper? E para quê, já que é tão bem sucedido mundialmente? Ele foi forçado a violar seus princípios éticos para obter mais lucros e ficar ainda mais rico?

Por Raphael Silva Fagundes, doutorando do Programa de Pós-Graduação em História Política da UERJ e professor da rede municipal do Rio de Janeiro e de Itaguaí.


Fonte : Le Monde Diplomatique Brasil

1947: É anunciado o Plano Marshall


INSTANTÂNEOS: NAZIFASCISMO E 2ª GUERRA MUNDIAL1933: 

Brecht foge da Alemanha1933: Repressão ao Partido Comunista da Alemanha1933: Aprovação da Lei Plenipotenciária1933: UFA demitia funcionários judeus1933: Grande queima de livros pelos nazistas1933: DVP e DNVP se dissolvem1933: Hitler controlava a imprensa falada1933: Alemanha deixa a Liga das Nações1934: Hitler manda executar Ernst Röhm1934: Nazistas assassinam ditador da Áustria1934: Regime nazista começou a intervir na Justiça1935: Nazistas retiram a cidadania alemã de escritores e oposicionistas1936: Abertura dos Jogos Olímpicos de Berlim1936: Constituição do Eixo Berlim-Roma1936: Thomas Mann é expatriado1938: O pogrom da "Noite dos Cristais"1939: Assinado o Pacto de Não-Agressão1939: Eslováquia torna-se independente1939: Alemanha invade a Polônia1939: Programa nazista de extermínio1939: Soviéticos invadem a Polônia1939: Primeiro atentado contra Hitler1940: Alemanha inicia ofensiva ocidental1940: Armistício de Compiègne1940: Estreia do filme "O judeu Süss"1940: Crianças alemãs refugiam-se dos bombardeios1941: Selada aliança entre Londres e Moscou1941: EUA decidem construir a bomba atômica1941: Aberto o campo de concentração de Theresienstadt1942: Começa a Conferência de Wannsee, que consolidou o Holocausto1942: Genocídio dos judeus poloneses1942: Judeus proibidos de ter animais domésticos1942: Ofensiva dos Aliados em El Alamein1942: Anne Frank inicia seu diário1942: Batalha de Tobruk1942: Panfletos da resistência antinazista "Rosa Branca"1942: Pedagogo Janusz Korczak é deportado para Treblinka1942: Fracassa primeiro desembarque na Normandia1942: Tropas alemãs invadem o sul da França1943: Goebbels declara guerra total

Em 5 de junho de 1947, o secretário de Estado dos EUA, George Marshall, anunciou a ajuda à Europa do pós-guerra. O ponto central do Plano Marshall era a reconstrução da economia e o combate à fome e à pobreza.

George C. Marshall: 'Política dos EUA é contra a fome, a pobreza, o desespero e o caos'

As rações de pão, de uma fina fatia por dia, eram constrangedoras, anunciava o jornal londrino News Chronicle a partir do Estado alemão da Renânia do Norte-Vestfália. Sindicatos da capital estadual, Düsseldorf, advertiam para distúrbios.

Havia protestos e greves não só na zona britânica da Alemanha então dividida, mas também na região ocupada pelos norte-americanos. A catástrofe de fome ameaçava afundar grande parte da Alemanha numa crise, em meados de 1947.

Também por causa do inverno, que havia sido especialmente rigoroso, a imprensa dava manchetes, diariamente, sobre famintos e regelados. A taxa de suicídio era alta. As pessoas tentavam se ajudar roubando carvão dos trens para o aquecimento, apesar da rigorosa proibição. As cidades maiores, como Berlim e Hamburgo, anunciavam o colapso de suas reservas econômicas e morais.

Na região industrial do Ruhr, no oeste da Alemanha, zona ocupada pelo Reino Unido, o lorde Francis A. Pakenham observava a miséria pessoalmente. Ele disse ao ministro da Agricultura, Heinrich Lübke, que mais tarde tornou-se presidente da Alemanha: "O senhor sabe que os marinheiros estão aí para o transporte de cereais, os navios estão aí e os famintos também. O que está faltando são as pessoas certas no lugar certo, com o poder na mão".

A pessoa certa no lugar certo

Um homem no posto certo em Washington usou deste poder: George Catlett Marshall, ex-organizador do Estado-maior da maquinaria de guerra dos Estados Unidos e então secretário de Estado. Com um discurso memorável, no dia 5 de junho de 1947, na Universidade de Harvard, em Nova York, ele delineou a política de estabilização e fortalecimento das forças de resistência econômica e política dos países da Europa Ocidental.

"A política dos Estados Unidos não é dirigida contra um país ou uma ideologia", esclareceu Marshall, "mas contra a fome, a pobreza, o desespero e o caos." E acrescentou: "Quem tentar bloquear a reconstrução de outros países não pode esperar ajuda". Ele se referiu com isso ao bloco comunista do Leste Europeu, que realmente foi excluído da ajuda ao exterior, aprovada em 3 de abril de 1948.

Dólares para reconstrução da Alemanha

A partir daí, a ajuda financiada pelo Plano Marshall não aconteceu apenas na Alemanha. Até 1952, outros países europeus ocidentais necessitados receberam adubo, matérias-primas, combustíveis, máquinas e medicamentos no valor aproximado de 13 bilhões de dólares. Da ajuda americana de quase 3,3 bilhões de dólares no pós-guerra, o governo de Bonn pagou mais de um bilhão de dólares até meados de 1978, como previa o acordo.

O resto foi depositado pelos importadores alemães em moeda nacional (marco) no chamado fundo de compensação que, conforme o acordo assinado em dezembro, reunia o chamado recurso especial ERP. Este dinheiro ficava separado dos demais recursos federais e também do orçamento da União alemã. Ele era usado para empréstimos de longo prazo e juros favorecidos às empresas, principalmente para as pequenas e médias.

Novo "Plano Marshall" para o Leste alemão

A transação bancária desses créditos era feita pelo Instituto de Crédito para Reconstrução e pelo Banco Alemão de Compensação. Isso não foi nenhuma ninharia, pois a cornucópia do Plano Marshall rendeu quase 120 bilhões de marcos, de 1949 a 1993.

Uma quantia aproximada fluiu para os estados da antiga República Democrática Alemã desde a unificação da Alemanha em 1990, especialmente para a criação de empresas, ampliação e modernização das existentes e para a proteção do meio ambiente.

Mais tarde, Marshall seria homenageado com o Prêmio Nobel da Paz e o Prêmio Carlos Magno, concedido pela cidade alemã de Aachen.

Autoria Norbert Nürnberger (ef)

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domingo, 21 de maio de 2017

Carta Aberta ao Senhor Joesley Batista


Prezado Senhor,

tomei a liberdade de escrever para o senhor mesmo sabendo que o senhor não me conhece, mas isto não vem ao caso. O não vem ao caso, com certeza lhe permitirá concluir que estou escrevendo de Curitiba, pois não vem ao caso é uma expressão muito usada por vizinhos ilustres e outras pessoas na cidade, principalmente aquelas que usam camiseta preta e estão acampadas numa praça, também pertinho de minha casa.
Vou lhe falar um pouco deles antes de entrar no assunto dessa missiva .
Os acampados não estão na praça porque pertencem ao MST, nem são moradores de rua, portanto fique tranquilo. São gente de classe média que se reveza no acampamento e estão lá porque apoiam uma famosa operação, que virou pó de traque (to traindo minha origem, desculpe senhor) depois que a Globo publicou suas conversas com um senador e o presidente da república.
Fico observando os que se revezam na praça e poderia lhe dizer que são rapazes fortões, com braço grosso (já pensou eles trabalhando no seu frigorífico, com certeza fariam bonito). As moças quase todas loiras de óculos escuros, corpos malhados e sapatos de salto alto(também fariam bonito trabalhando em suas empresas). Além dessa juventude linda, tem uns velhos com cara de aposentados, senhoras mães de família, gente portanto muito respeitável. Com certeza são ou foram todos trabalhadores e agora honestamente lutam pelo bem da republica de curitiba e do brasil, diante de tantas denúncias de corrupção. Esse brasil dos paranaenses, dos goianos e dos mineiros. Eu tô fora, eu sou gaúcho, e gostava muito do Seu Brizola, de mais a mais meu pai sempre me ensinou que a gente tem que ser honesto. Seu pai com certeza lhe disse isto muitas vezes e por isto o senhor é o empresário de sucesso que é. Deus salve seus esforços e cumule o senhor de bençãos.
Como gaúcho do interior que sou, queria lhe dizer que ando meio apertado, sem dinheiro para coisinhas básicas, como pagar as despesas com veterinário para meus gatos, comprar jornal velho para forrar o chão e a caixa de areia dos bichanos e também para comprar ração, não tem o que chegue para os dois. Como vi o senhor falando de sua generosidade, distribuindo um baita dinheiro até para desconhecidos, quem sabe o senhor me arruma uns pilas para cobrir essas pequenas despesas? Se não for pedir demais, gostaria que o Senhor pagasse o conserto das válvulas dos banheiros do Congresso e dos palácios do Planalto e do Jaburu, porque o cheiro tá brabo, dá pra sentir de longe. Deus lhe recompensaria com muitas graças por este pedido.
um grande abraço e que deus mantenha o senhor sempre em boa saúde, e com a guaiaca cheia, pois como o senhor sabe os homens generosos estão cada vez mais raros. Na espera de sua oferta me despeço com o coração saindo pela boca.

José Miguel Rasia

Antes que llamara

Antes que llamara y la carne me abriese,
que mis líquidas manos golpearan en el vientre,
yo, que era entonces informe como el agua
que formaba el Jordán junto a mi casa
era hermano de la hija de Mnetha
y hermana del gusano que gestaba la vida.

Yo que era sordo ante la primavera y el verano,
que no sabía los nombres de la luna y el sol,
ya sentía el latido bajo la armadura de mi carne,
aunque existía solo en forma de infusorio,
veía las plomizas estrellas, el martillo lluvioso
que mi padre balanceaba en su cúpula.

Conocía el mensaje del invierno,
los dardos del granizo y la nieve pueril
y el viento era mi hermana pretendiente;
en mí saltaba el viento, el rocío infernal;
y mis venas fluían con los climas de oriente;
antes que me engendraran supe el día y la noche.

Antes que me engendraran ya por cierto sufría;
el potro de tortura de los sueños
enroscaba mi osamenta de lirio
en una cifra viva,
la carne era cortada para cruzar los bordes
de las horcas en cruces sobre el hígado
y las zarzas de los cerebros estrujados.

Mi garganta conocía la sed antes de la estructura
de vena y piel alrededor del pozo
donde palabras y agua se entremezclan
sin pausa alguna, hasta pudrir la sangre,
mi corazón conocía el amor, mi vientre el hambre;
al gusano yo olía entre mis propias heces.

Después el tiempo envió a mi mortal criatura
a derivar o ahogarse en los océanos
habituados a la aventura de la sal
en las mareas que jamás tocan las orillas.
Yo que era rico, me hice más rico aún
sorbiendo poco a poco el vino de los días.

Nacido del espectro y la carne, no era espectro
ni hombre, sino espectro mortal.
Y luego me abatió la pluma de la muerte.
Fui mortal hasta el último suspiro prolongado
que llevó hacia mi padre
el mensaje de su agónico cristo.

Tú que te inclinas en la cruz y el altar
acuérdate de mí y apiádate de Aquel
que mi carne y mi sangre tomó por armadura
y llegó a traicionar el vientre de mi madre.

DYLAN THOMAS
Biblioteca Digital Ciudad Seva


sábado, 20 de maio de 2017

“O modelo cívico brasileiro é herdado da escravidão, tanto o modelo cívico cultural como o modelo cívico político. A escravidão marcou o território, marcou os espíritos e marca ainda hoje as relações sociais deste país. Mas é também um modelo cívico subordinado à economia, uma das desgraças deste país”
.

- Milton Santos, em "As cidadanias mutiladas". In______. O preconceito (vários autores). São Paulo. IMESP, 1996-1997, p. 135.
A grande imigração polonesa para Curitiba e região produziu excelentes resultados. Quantas chácaras e pequenos sítios no Abranches, Santa Cândida, Orleans, Riviere e Campina do Siqueira, no atual Bairro do Seminário



RCO
Quando setores da Igreja Católica participam abertamente da oposição é porque chegamos ao fundo do poço das trevas. A Igreja participou ativamente na derrota da ditadura militar, na grande surra eleitoral da ARENA, o partido da direita ditatorial em 1974 e na mobilização crítica aos torturadores de Herzog em 1975. Agora interesses estrangeiros com Temer, Ilan Goldfajn, Moro, Skaf, Richa e outros levam a Igreja a ficar junto do seu Povo Brasileiro novamente, tal como ficou contra Geisel. A prática da Igreja muitas vezes esteve com as causas populares, nas insurreições populares contra autoritários, tiranos, déspotas estrangeiros e contra a dominação do seu Povo. Lembremos também no passado distante as Ordens da Igreja apoiando as grandes causas populares, como na insurreição contra a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, o Nativismo Brasileiro Cristão em Guararapes - 1648, a Restauração Nacionalista em 1640. Bem antes nas nossas origens estatais o grande Levante Popular, Povo, Nobreza e Igreja contra a dominação islâmica, contra invasores árabes e mouros. São Tiago Maior, Santiago Patrono da Ibéria contra os Mouros "surgiria imaginariamente" em inúmeras batalhas medievais. Os nossos antepassados Oliveira, Costa, Gomes, Silva, Sousa, Pereira, hoje sobrenomes de milhões de pessoas, por dezenas de séculos se emocionaram, riram, choraram, se batizaram, casaram, morreram e se consolaram sob a proteção da sua Igreja e do atual Papa Francisco, ainda hoje orando e politicamente presentes ao lado do seu Povo, pela Democracia, nas causas progressistas !

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De maneira equivocada Curitiba vive um pequeno e informal "(mini)estado de sítio" não declarado. Ruas e quase um bairro inteiro "fechado" para uma injustiça federal partidarizada e politizada como prepotente, agora fui informado do cancelamento de uma palestra acadêmica, que eu proferiria e marcada há muitos meses, porque vão fechar o prédio educacional perto da Praça Osório. Moro deixou de ser juiz há tempos e se tornou animador de torcida, chefe de um bando faccioso. Se repetirem a violência de 29 de abril de 2015, ou pior, passará a ser outro pária como Beto Richa, sempre a se esconder do público, como Richa fugiu o tempo todo dos eleitores nas eleições do ano passado e desonrando a imagem da polícia convertida em uma milícia privada de jagunços do seu mandonismo autoritário, com os seus comandantes depois demitidos, enxovalhados, humilhados e forçados a assumirem a culpa e responsabilidade pelo massacre de civis desarmados, manifestantes jovens, mulheres, professores idosos, trabalhadores e povo protestando contra a crise do desgoverno golpista, contra o desemprego, o arrocho salarial, cortes nos recursos da educação, saúde e da própria segurança, além da tentativa de roubo das aposentadorias de todo mundo que trabalha, tudo em uma justiça aparelhada e autoritária, servindo a poucos foras da lei momentaneamente no poder.

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Montei hoje a genealogia política básica de Rosangela Maria Wolff de Quadros Moro, a mulher do juiz Sergio Moro. Só podia ser da grande família do Centro Cívico porque a classe dominante do Paraná tradicional é uma grande estrutura de parentesco, quase sempre com as mesmas famílias da elite estatal ocupando simultaneamente os poderes executivo, legislativo e judiciário. Vocês sabiam que Rosangela é prima do prefeito Rafael Greca de Macedo ? Ambos descendem do Capitão Manoel Ribeiro de Macedo, preso pelo primeiro presidente do Paraná por acusações de corrupção e desvio de bens públicos em instalações estatais. A grande teia de nepotismo e familismo explica muito do atraso, falta de justiça e desigualdades no Paraná e Curitiba, locais em que famílias com mentalidades políticas do Antigo Regime ainda mandam e dominam. Moro e Wolff são famílias de origem imigrante, que conseguiram entrar para o poder judiciário, famílias com parentes desembargadores, do lado Wolff os desembargadores Haroldo Bernardo da Silva Wolff e Fernando Paulino da Silva Wolff Filho, do lado da família Moro o desembargador Hildebrando Moro. Outro parente influente de Rosangela é Luiz Fernando Wolff de Carvalho, do grupo Triunfo, bastante ativo nas atividades empresariais e na política regional, sempre envolvido com problemas jurídicos. A família Wolff dominou por muitos anos a prefeitura de São Mateus do Sul, no interior do Paraná. Essas famílias de origem imigrante passaram a formar parte do estamento burocrático com seus privilégios e poderes, muitas vezes se associando na grande e antiga teia de nepotismo, de escravidão, exclusão social e coronelismo das antigas e sempre atuais oligarquias familiares da classe dominante paranaense.

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Os operadores da Lava a Jato são membros e representantes do 0,1% mais rico no Brasil, a elite mais tradicional e conservadora do sistema judicial. Quase todos operadores da Lava a Jato representam um forte poder hereditário de dentro do Estado. Os pais tiveram carreiras estatais durante o período de autoritarismo da ditadura militar. O procurador Deltan Dallagnol, o coordenador, é filho do procurador de justiça Agenor Dallagnol e pertence a seita religiosa. Carlos Fernando dos Santos Lima, procurador e estrategista, é filho do deputado estadual da ARENA Osvaldo dos Santos Lima, promotor, do partido de apoio à ditadura, foi presidente da Assembleia Legislativa do Paraná no auge da repressão, em 1973. Santos Lima é outra típica família do poder local tradicional da Genealogia Paranaense, como já demonstramos em outras mensagens. A esposa de Carlos Fernando, Vera Lúcia, era funcionária do Banestado durante a crise e escândalo do banco. O mais novo dos procuradores da Lava Jato é Diogo Castor de Mattos, que também apresenta notável rede familiar de poder na sua família. É filho do falecido procurador de justiça Delivar Tadeu de Mattos e de Maria Cristina Jobim Castor de Mattos, irmã do falecido Belmiro Jobim Castor, ex-diretor do Bamerindus, secretário de Estado várias vezes no Paraná nos anos 70-80 e do Conselho Superior da Associação Comercial do Paraná. O escritório de advocacia Delivar de Mattos & Castor é dos mais conhecidos do Paraná, com os irmãos Rodrigo Castor de Mattos e Analice Castor de Mattos. Qualquer sociedade para manter politicamente, ideologicamente e juridicamente a absurda concentração de renda brasileira precisa desses tipos de atores e de sistema judicial familiar e arcaico, mais associado ao Antigo Regime e sua nobreza togada. No Brasil os mais altos operadores jurídicos dentro do Estado, ou nos escritórios de advocacia, ganham remunerações formidáveis e fantásticas se comparadas com as médias brasileiras. Criam problemas para eles mesmos resolverem lucrativamente.

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Durante muitos anos trabalhei com avaliações na "opinião pública" sobre debates político-eleitorais, exatamente o que aconteceu ontem entre Lula e Moro. Lula ganhou por larga margem o debate e ganhou de maneira ainda mais consistente as representações feitas no dia seguinte. Os apoiadores de Lula, do PT e da Democracia também ganharam quantitativamente e qualitativamente o debate ontem em Curitiba, ao ocuparem e se manifestarem massivamente, ordeiramente e pacificamente, revelando o absurdo do maior esquema policial já montado no Paraná para um debate político, uma estrutura caríssima no governo falido de Richa, com milhares de policiais, helicópteros, atiradores, infiltrados e brucutus, que não aparecem para combater o crime em dias normais, Curitiba está entre as 50 cidades mais violentas do mundo, só para verem a imensa procissão popular e pacífica dos apoiadores de Lula desfilarem e vencerem por larga escala os corações e mentes em Curitiba, desmoralizando os autoritários e fascistas locais. A tal "República direitosa de Curitiba" foi moralmente batida, vencida e desmoralizada exatamente no dia em que pretendiam humilhar Lula. Setores da burguesia local, com seus extremistas de direita, foram profundamente humilhados pela humildade de Lula e seus apoiadores do povão brasileiro, trabalhadores, camponeses, professores e gente vinda de todo país depois de dias de viagem. Os apoiadores do juiz e de seu sistema político perderam até mesmo no número baixíssimo de bandeiras nas janelas dessa vez, até mesmo porque a maioria dos moradores curitibanos já percebeu que o tal golpe do sistema só colocou os mais corruptos no poder, um golpe dos mais corruptos, para os mais corruptos, com apoio do grande empresariado, da grande mídia e do sistema judicial de marajás, o que só aumentou a crise social e econômica, retirou recursos da educação, saúde e os infelizes patos serão terceirizados, vão perder a carteira de trabalho,13º salário, férias porque os paladinos do golpe vão lhes roubar também anos de aposentadoria, de modo que quase nenhuma bandeirinha foi colocada nas janelas em apoio do juiz & cúmplices golpistas..

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Quem deu o golpe no Brasil ?


Quem deu o golpe no Brasil ? Como cerca de 71 mil pessoas, o meio milésimo (0,05%) mais rico, se apropriam de 8,5% de toda a renda nacional? Super-ricos são os que tiveram renda média mensal tributável superior a R$ 135 mil em 2015, o que equivale a apenas 0,1% das declarações do Imposto de Renda. Basta analisar a estrutura de concentração de renda no país, única em escala mundial pela sua imensa perversidade exploratória, cada vez mais concentracionista depois do golpe. 10% mais ricos controlando mais de metade (52%) da renda, 1% mais ricos com quase um quarto (23,2%), 0,1% com mais de um décimo (10,6%) e apenas 0,05% mais ricos com 8,5% da renda total, o que significa uma sistemática engenharia social, econômica, cultural e política de exploração, enganação industrial para manter o "status quo" e reforçar ainda mais as desigualdades no ano do golpe. Riqueza e poder quase sempre são estruturas genealógicas e familiares. O 0,05% mais rico é composto por banqueiros, midiocratas, grandes empresários, grandes proprietários rurais e urbanos, rentistas, toda uma plutocracia assistida, servida e alimentada por uma camada subsequente de políticos, altos funcionários públicos, administradores, executivos e burocratas no sistema privado e agora centralmente no sistema judicial, por alguns tipos de magistrados, juízes, procuradores, jornalistas, comunicadores e marketeiros com altíssimas remunerações para operarem a ideologia do golpe. Super-ricos pagam 9% de imposto e ricos 12%, diz Receita, até nisso são serviçais do grande capital. Hoje os partidos políticos convencionais do golpe, o PMDB, PSDB, DEM, PPS se afundaram completamente no embate, todos passam por profunda crise política e decadência moral, de modo que o golpe precisou novamente colocar na linha de frente as suas reservas funcionais de partidos plutocráticos na luta defensiva: golpistas da magistratura, do ministério público, das TVs, jornais, rádios e grandes mídias, que também estão sendo sistematicamente derrotados, desmoralizados e acuados pela forte oposição popular ao primeiro ano do golpe de 2016. O resumo da ópera: o golpe foi produzido pelos mais corruptos políticos e empresários, pelos mais ricos e funciona como uma máquina de produção de desigualdades sociais, de retirada de direitos dos trabalhadores, lubrificada nas suas engrenagens por suas togas e jornalistas de aluguel.

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