domingo, 7 de maio de 2017

1954: Cessar-fogo na Indochina


Em 21 de julho de 1954, a França e a então República Democrática do Vietnã assinam um acordo de cessar-fogo, dividindo o país asiático em dois: o norte comunista e um frágil Estado pró-ocidente ao sul.

Saída dos tanques marcou fim da colonização francesa na Indochina

"O bom senso e a paz venceram." Com essas palavras, o então primeiro-ministro da França, Pierre Mendès-France, anunciou, em 21 de julho de 1954, o cessar-fogo na Guerra da Indochina. A derrota da "Grande Nação" na batalha de Dien Bien Phu, em maio do mesmo ano, fora o começo do fim do domínio colonial francês no Vietnã.

As negociações de paz em Genebra duraram quase dois meses. Além de representantes da União Soviética, da França, do Reino Unido e dos Estados Unidos, pela primeira vez desde a vitória do comunismo na China em 1949 diplomatas daquele país subiram ao palco da política internacional.

O Vietnã foi representado por duas delegações: uma defendendo os interesses da monarquia Bao Dai (sul) e outra com representantes da Liga pela Independência (Vietminh), liderados pelo primeiro-ministro Pham Van Dong, da República Democrática do Vietnã (norte).

Para ressaltar sua rejeição ao comunismo, o secretário de Estado norte-americano, John Foster Dulles, negou-se a estender a mão para seu colega chinês. "Somente um acidente de automóvel poderia me colocar em contato com Chou-En-lai", declarou à imprensa.

Garantia de soberania e unidade

Dulles permaneceu apenas quatro dias na conferência, da qual os norte-americanos participaram meramente como observadores. "Apenas tivemos a possibilidade de presenciar a tomada de decisões com as quais não concordávamos", disse mais tarde o diplomata Alexis Johnson, um dos observadores dos EUA.

Na declaração final do encontro, foram garantidas independência, soberania e unidade ao Camboja, ao Laos e ao Vietnã. A fronteira provisória entre o Vietnã do Norte (sob o regime comunista de Ho Chi Minh) e o Vietnã do Sul (monarquia independente encabeçada por Bao Dai) foi fixada aos 17 graus de latitude. Além disso, os signatários do documento comprometeram-se a realizar eleições gerais no Vietnã.

Numa declaração complementar, os EUA prometeram renunciar a qualquer intervenção militar no Vietnã. Era evidente, porém, que o Vietnã do Sul e os Estados Unidos jamais cumpririam os acordos, como explicou Johnson:
"A delegação sul-vietnamita deixou claro que não aceitaria a realização de eleições em dois anos.

Exatamente essa era também a nossa posição. Todas as acusações de que transgredimos os tratados negociados em Genebra são falsas. Nós não os assinamos; portanto, não tínhamos como transgredi-los."

Decisão só no campo político

A recusa dos EUA em assinar o cessar-fogo e a divisão do Vietnã foram para o então primeiro-ministro norte-vietnamita, Pham Van Dong, a prova de que os norte-americanos, desde o início, eram contra a conferência e sempre tentaram impedir que ela chegasse a uma conclusão positiva.

Mas também o Vietminh só aprovou os resultados da Conferência de Genebra devido à forte pressão da União Soviética e da China. A Liga pela Independência obteve unicamente a garantia de que a luta pelo poder no Vietnã não mais seria decidida pela via militar e, sim, no campo político. O Vietminh estava confiante de que venceria as eleições previstas para todo o país.

Todos os participantes da conferência para a paz na Indochina sabiam que as decisões de Genebra apenas representavam um armistício e não o fim do conflito. O presidente Dwight Eisenhower e seu secretário de Estado, John Foster Dulles, ligaram os Estados Unidos, em 1954, indissociavelmente ao destino do Vietnã do Sul.

Depois da derrota francesa em Dien Bien Phu, os EUA passaram a ocupar o lugar da França, no afã de garantir a segurança do Vietnã do Sul, do Laos e do Camboja. Com isso, os norte-americanos 
estabeleceram as bases para a intervenção posterior no mais longo confronto militar do século 20: a Guerra do Vietnã (1959-1975).

Autoria Michael Kleff (gh)


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1954: Queda de Dien Bien Phu



No dia 7 de maio de 1954, a guerra do Vietnã terminou para os franceses. Após oito semanas de sítio e fogo cerrado, as tropas francesas capitularam em Dien Bien Phu.

Após a fundação da União Indochinesa, no final do século 19, a França aproveitou os conflitos regionais e expandiu o seu domínio colonial a uma grande parte do Vietnã atual, ao reinado vizinho do Camboja e ao Laos. Porém, já na virada do século, aumentava a resistência entre a pequena elite cultural vietnamita contra a colonização sistemática.

Nos primeiros 40 anos do século passado, os franceses ainda conseguiram controlar uma população de 18 milhões de pessoas. Quando, em novembro de 1940, uma rebelião dos comunistas foi reprimida de forma sangrenta no sul do Vietnã, fundou-se então a Liga para a Independência do Vietnã, conhecida como Viet Minh, com participação decisiva do líder revolucionário e posterior chefe de Estado Ho Chi Minh.
Da resistência ao conflito armado

Foi só uma questão de tempo até que estourasse o conflito aberto entre os franceses, reivindicando direito sobre a "sua" colônia, e a aspiração de independência do Viet Minh. Em novembro de 1946, quando tropas francesas bombardearam a cidade portuária de Haiphong, no norte do Vietnã, o Viet Minh começou a resistir com mão armada ao domínio colonial francês em todo o país.

Apesar do apoio financeiro e logístico dado pelos EUA às tropas francesas, a partir do início de 1950 o Viet Minh já controlava cerca de dois terços do território vietnamita no final daquele ano.

No começo de 1954, 12 mil soldados franceses de uma tropa de elite foram cercados na região montanhosa e isolada perto de Dien Bien Phu, norte do Vietnã, pelas forças muito mais numerosas do Viet Minh. Apesar disso, o comandante-chefe francês Navarre acreditava que conseguiria vencer uma batalha decisiva.

Situação agrava-se

Em março de 1954, quando o Viet Minh intensificou seus ataques e as tropas francesas só podiam ser abastecidas por meio de paraquedas, Paris e Washington se conscientizaram da crise. O presidente norte-americano Eisenhower e seu secretário de Estado não queriam aceitar a derrota dos franceses. Contudo, um ataque aéreo teria provocado uma intervenção chinesa.

O presidente Eisenhower ressaltou diante da imprensa internacional, em 7 de abril de 1954, a gravidade da situação e a importância da Indochina para o seu país. Nessa entrevista, ele chamou de teoria do dominó a avaliação política exterior do conflito com o comunismo, em vigor na estratégia governamental americana desde 1950.

Eisenhower almejava uma coalizão dos EUA, entre outros, com o Reino Unido, a França e a Austrália, a fim de defender o Vietnã e todo o Sudeste da Ásia contra o comunismo. Porém, tais planos não encontraram apoio. Ele rechaçou, por sua vez, uma ação unilateral dos americanos, assim como uma intervenção somente ao lado dos franceses. A seu ver, os Estados Unidos ficariam então muito identificados com a política colonial francesa aos olhos da opinião pública mundial.

Selou-se assim o destino das tropas francesas em Dien Bien Phu, cuja derrota foi anunciada em Washington, no dia 7 de maio de 1954, pelo secretário de Estado norte-americano John Foster Dulles:

"Há algumas horas, caiu Dien Bien Phu. Sua resistência de 57 dias entrará na história como um dos maiores atos de heroísmo de todos os tempos. Os franceses e as forças nacionais de defesa impingiram graves perdas ao inimigo. Os soldados franceses provaram que estão dispostos e aptos à luta, mesmo sob as piores condições. O Vietnã provou que tem soldados com a capacidade necessária para defender o seu país."

A queda de Dien Bien Phu marcou não apenas o fim do domínio colonial da França no norte do Vietnã, mas também o começo da retirada francesa de toda a Indochina.

Autoria Michael Kleff (am)


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quinta-feira, 27 de abril de 2017

A revolução que a China quer esquecer


Cinquenta anos atrás começava na China a Revolução Cultural, que colocou o país de cabeça para baixo e causou mais de 1 milhão de mortes. A DW responde a algumas perguntas sobre o conturbado período.

Qual era o objetivo central da Revolução Cultural?

A Revolução Cultural foi uma campanha política lançada em 1966 pelo então chefe do Partido Comunista, Mao Tsé-tung, com o fim de criar "o novo ser humano", o qual, na definição do sinólogo Oskar Weggel, seria aquele "altruísta ser social na sociedade livre de dominação, que desde sempre vagara pelas utopias sobre a humanidade".

Para alcançar essa meta, Mao exigia a destruição dos "Quatro Velhos": velhos pensamentos, velha cultura, velhos costumes e velhos hábitos, a serem substituídos pelas ideias do líder comunista.
Além disso, ele exigia a neutralização de elementos contrarrevolucionários e revisionistas, encarnados por seu adversário político Liu Shaoqi, a quem poucos anos Mao sucedera como presidente da República Popular da China. Nesse sentido, a Revolução Cultural foi também uma luta de poder no núcleo da liderança comunista.

Do ponto de vista econômico, Liu apostava mais fortemente nas forças do mercado – como faria, mais tarde, Deng Xiaoping – e politicamente, na disciplina partidária. Para Mao, em contrapartida, incentivos ao enriquecimento eram coisa do diabo. E os funcionários do partido também compunham a "nova classe exploradora". Consequentemente, a permanente luta de classes seria o único veículo para o progresso social.

Até que ponto a Revolução teve algo a ver com cultura?

No início dos anos 1960, Mao perdera uma parcela considerável de seu poder e deixara Pequim, o centro da liderança, para exercer sua influência a partir de Xangai. Ele não tinha como atacar diretamente o Comitê Central do Partido Comunista, dominado por Liu Shaoqi e seus aliados. Só lhe restava, então, uma ofensiva indireta por meio dos lavradores, operários ou dos colegiais e estudantes.

Liu Shaoqi recebe estudantes de música em 1964. Quatro anos mais tarde, ele seria deposto na Revolução Cultural

O chamado "Grande Salto Adiante" em 1958-61 mostrara as consequências catastróficas de reformas radicais nos setores agrário e industrial, com milhões de mortos. Portanto só sobrava o ataque através da cultura, em particular da literatura e dos jornais.

Depois de Mao e seus aliados prepararem com sucesso o caminho, lançando textos propagandísticos, o golpe decisivo contra a facção de Liu foi dado no "congresso ampliado do politburo", em maio de 1966, e Mao conseguiu excluir grande parte dos adeptos de Liu do círculo interno do poder.

Em seguida, ele declarou combate aos "revisionistas" nos quadros partidários, governo, Exército e setor cultural. Em agosto de 1966, depois de ter jogado para escanteio seus oponentes, retornou a Pequim.

Como transcorreu a Revolução Cultural?

Ela durou de 1966 a 1969, começando com a revolta dos estudantes, que se juntaram às não militares "Guardas Vermelhas", a fim de combater as "quatro relíquias". Na prática, os alvos eram professores escolares e universitários, que foram forçados a prestar "confissões" e tiveram suas residências devastadas.

Templos, pagodes e bibliotecas foram igualmente destruídos. Não era raro supostos revisionistas acabarem diante do pelotão de fuzilamento. Operários e grande parte da população urbana aderiram à revolução, agora com ação intensificada contra os aparatos partidários locais.

Logo o país mergulhou no caos. Nos primeiros meses, bem mais da metade de todos os membros do politburo e do Comitê Central e secretários de província perdeu seus postos. O sistema governamental entrou em colapso. Por fim passaram a travar-se sangrentas brigas de facções dentro das Guardas Vermelhas, com cada grupo convencido de ser o representante da única doutrina salvadora.

Quando a dinâmica da Revolução Cultural saiu totalmente do controle, Mao ativou o Exército de Libertação Popular, sob o comando de seu correligionário Lin Bao. As Forças Armadas tinham permanecido basicamente poupadas do caos, como uma espécie de Estado dentro do Estado.

Em 1968, Liu Shaoqi foi deposto. Os militares haviam assumido o controle em praticamente todo o país. Os membros das guardas que não acatavam a nova ordem ou eram enviados para reeducação no campo, ou sumariamente executados. A pretendida liderança das massas logo se transformou em domínio militar.

Em 1969 iniciou-se a restauração do aparato partidário. Mas o Exército, sob o comando de Lin Bao, não quis abrir mão voluntariamente de seu posto. Com o famigerado "Projeto 571", Lin planejara assassinar Mao. Mas o plano foi desvendado, e o avião de Lin Bao caiu na República da Mongólia, sob circunstâncias até hoje não totalmente esclarecidas.

Apesar da restauração do Partido Comunista, somente em 1976 a calma retornou à China. A assim chamada "Camarilha dos Quatro", também integrada pela esposa de Mao, tentou impor a linha radical contra os novos líderes, Chu En-lai e Deng Xiaoping, mas fracassou definitivamente quando Mao Tsé-tung morreu, em 9 de setembro de 1976. O caos da Revolução Cultural terminava com a morte de seu iniciador.

Mao Tsé-tung (dir.) e Lin Biao no Grande Salão do Povo, 1971

Qual foi a importância do Pequeno livro vermelho?

O verdadeiro título do Livrinho Vermelho ou Bíblia de Mao é Citações do presidente Mao Tsé-tung.
 Trata-se de uma compilação de textos, discursos e aforismos de Mao, reunidos por Lin Bao durante o "Grande Salto Adiante". Ao longo da Revolução Cultural, todo revolucionário convicto devia sempre trazer um exemplar consigo. Os guardas vermelhos costumavam saudar-se com citações do livrinho. Até hoje foram impressas cerca de 1 bilhão de Bíblias de Mao.

O que causou o fracasso da Revolução Cultural?

Desde o início, a Revolução Cultural portava uma contradição não resolvida: Mao queria ser o revolucionário supremo, que derruba todas as hierarquias, e ao mesmo tempo manter o controle total.
Quando essa contradição se alastrou, inclusive nas brigas de facções dentro das Guardas Vermelhas, e os apelos à disciplina falharam, Mao apelou para o Exército, a fim de restaurar a ordem. O sonho do "novo ser humano" foi enterrado, estabelecendo-se, em seu lugar, o "poder dos canos de fuzil".

Por fim voltou a formar-se um partido de quadros, segundo o modelo leninista, com hierarquia e burocracia. Diversos adversários de Mao retomaram o poder após a morte dele, entre eles o secretário-geral do Partido Comunista, Deng Xiaoping, o qual, com reformas agrícolas, conduziu a nação a uma nova era.

Que consequências teve a Revolução Cultural?

Segundo estimativas atuais, entre 1,4 milhão e 1,6 milhão de chineses foram mortos durante a Revolução Cultural, a maioria dos quais provavelmente na trilha das "campanhas de limpeza" do Exército de Libertação Popular, que usou de grande violência na tentativa de restabelecer a ordem no país.

Entre os poucos efeitos positivos da revolução, conta-se a introdução pelo menos de um sistema de saúde rudimentar nas zonas rurais e reformas do ensino para os operários e lavradores.
Como a China avalia oficialmente, hoje, a Revolução Cultural?

Em 1981, Deng Xiaoping condenou a "Camarilha dos Quatro" num processo espetacular, definindo a Revolução Cultural como "grande catástrofe para o Partido e o povo". Segundo a linha partidária atual, Mao estava 30% errado, mas 70% certo. Há muito a China abandonou a noção maoísta de revolução permanente: atualmente o Partido Comunista é marcadamente hierárquico, detém o monopólio do poder no país e tem a estabilidade social como valor prioritário.


25 ANOS DO MASSACRE DA PRAÇA DA PAZ CELESTIAL

Deusa da Democracia

Enquanto o sol nasce sobre a Praça da Paz Celestial (Tiananmen), em Pequim, em 4 de junho de 1989, manifestantes constroem a "Deusa da Democracia" – uma estátua de dez metros de altura, feita de espuma e papel machê sobre uma armação de metal. Pela manhã, soldados apoiados por tanques e carros blindados derrubam a estátua, posicionada diante do retrato de Mao Tsé-tung na Cidade Proibida.

Opinião: Ocidente ignorou males do maoismo

Diante do enorme número de vítimas, termo "Revolução Cultural" é bastante impróprio. Mesmo assim, ideologia de Mao Tsé-Tung exerceu fascínio enorme na esquerda ocidental, diz editor-chefe da DW, Alexander Kudascheff. (16.05.2016) 

China ignora 50 anos da Revolução Cultural

Há meio século, tinha início em Pequim o período marcado por levantes estudantis e violenta perseguição política. Governo chinês negligencia data histórica e aperta cerco a discussões sobre o evento nas redes sociais. (16.05.2016) 

1969: Fim formal da Revolução Cultural na China

No dia 27 de abril de 1969, seguindo ordens de Mao Tse-tung, o Exército chinês dissolveu as Guardas Vermelhas. Para os dissidentes, anos de injustiça, humilhações e sofrimento sem fim. (27.04.2015) 

1976: Morre Mao Tsé-tung

Em 9 em setembro de 1976 morreu Mao Tsé-tung. Fundador do Partido Comunista chinês, ele logo se tornou o seu maior líder. Em 1949 ele proclamou a República Popular da China, da qual foi a autoridade máxima. (09.09.2015) 

25 anos do massacre da Praça da Paz Celestial  

A revolução que a China quer esquecer  

Data 17.05.2016

Autoria Rodion Ebbighausen (av)

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1976: Morre Mao Tsé-tung


Em 9 em setembro de 1976 morreu Mao Tsé-tung. Fundador do Partido Comunista chinês, ele logo se tornou o seu maior líder. Em 1949 ele proclamou a República Popular da China, da qual foi a autoridade máxima.


Mao fundou a República Popular da China em 1949

Milhões de chineses foram às ruas para prestar a última homenagem ao líder revolucionário. Entretanto, desde o primeiro instante, certo alívio se misturava ao luto imposto por Pequim. Afinal de contas, os chineses do século 20 não tinham apenas motivos para agradecer ao patriarca. Ele representou a revolução e a libertação na China, mas também grande sofrimento devido a experiências sociais que terminaram em catástrofe.

Mao Tsé-tung nasceu em 26 de dezembro de 1893, na província de Hunan, no centro da China, filho de uma pobre família de lavradores. Na virada do século, o país estava devastado pela corrupção e diante de um colapso econômico. A situação do último imperador diante das potências coloniais do Ocidente era desesperadora.

Desde cedo, o jovem Mao tinha o desejo de salvar a si, a família e, por fim, o próprio país. Ele jurou para si mesmo que, se um dia chegasse ao poder, reorganizaria tudo para proporcionar às pessoas aquilo a que tinham direito e criaria um novo mundo.

Após 22 anos de guerra civil e da campanha militar contra os agressores japoneses, Mao Tsé-tung e seu Partido Comunista subiram ao poder. O governo corrupto foi expulso em combates sangrentos. Com resistência e disciplina, o Exército de Libertação do Povo, dirigido por Mao, conseguiu suplantar a superioridade militar do Japão e dos Estados Unidos na Guerra da Coreia. E, em 1º de outubro de 1949, a República Popular da China foi finalmente proclamada em Pequim, sob o júbilo das massas.

Contradições da filosofia comunista

Porém, há também outros capítulos sinistros na história da China. Mao desencadeou campanhas que custaram a vida de milhões chineses. Quase dez anos depois da fundação da China comunista, a tentativa de Mao de industrializar a nação com o chamado "Grande Salto Adiante" causou uma das maiores fomes da história e deixou cerca de 30 milhões de mortos.

No ano de 1966, Mao iniciou a Revolução Cultural para tirar do caminho seus adversários dentro do próprio partido. A consequência foi uma década de caos, milhares de mortos e incontáveis famílias destruídas.

Começava uma era de contradições: por um lado, cantava-se a Internacional, que prega não existirem redentores. Por outro, Mao era aclamado como o salvador da pátria. Suas ideias comunistas eram veneradas como graça divina, que substituía tudo o mais: moral, filosofia e política. Na opinião de Zhao Fusan, teólogo chinês, essa ideia fracassou e, com ela, o Partido Comunista, pouco após a morte do líder, em setembro de 1976, quando acabou a Revolução Cultural.

Autoria Shi Ming (av)



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China ignora 50 anos da Revolução Cultural


Há meio século, tinha início em Pequim o período marcado por levantes estudantis e violenta perseguição política. Governo chinês negligencia data histórica e aperta cerco a discussões sobre o evento nas redes sociais.


A revolução que a China quer esquecer

Nesta segunda-feira (16/05), a mídia chinesa ignorou em grande parte um importante aniversário na história do país, o de 50 anos da Revolução Cultural. Ao mesmo tempo, as autoridades abafavam discussões nas redes sociais sobre um dos capítulos mais violentos da história recente da China.
Já no fim de semana, os censores apertaram o cerco a menções ao aniversário histórico na internet. Nesta segunda-feira, houve apenas algumas poucas referências ao evento.

A Phoenix TV, uma das poucas emissoras particulares com permissão para operar no território chinês, entrevistou pessoas jovens para conhecer suas opiniões sobre a Revolução Cultural, obtendo respostas como "idealismo" e "confusão".

"Grande salto adiante"

Em 16 de maio de 1966, políticos de alto escalão do Partido Comunista se reuniram em Pequim para banir funcionários que haviam caído em desgraça junto ao então líder Mao Tsé-tung e lançar o que ficaria conhecido como Revolução Cultural.

A cúpula produziu um documento que delineava o novo curso do "Grande salto adiante", tomado pelo Partido. Tal curso englobava a mobilização em massa de cidadãos em coletivos dedicados a uma única indústria ou cultivo, como também um rompimento com os costumes tradicionais chineses por meio da destruição dos chamados Quatros Velhos: velhas ideias, velhos costumes, velhos hábitos e velha cultura.

Catástrofe

Essa política durou uma década, até a morte de Mao, em 1976. Devido às violentas perseguições, à fome e ao deslocamento de jovens bem qualificados para regiões rurais, o período da Revolução Cultural foi classificado posteriormente como uma "catástrofe".

Na sequência de citações do Pequeno livro vermelho de Mao, facções rivais de grupos paramilitares estudantis, conhecidos como Guardas Vermelhos, começaram a lutar entre si em torno da pureza ideológica, criando um clima de tal medo que muitos se recusaram a se opor a eles.

O Partido Comunista reconheceu a natureza desastrosa da Revolução Cultural, mas tentou minimizar o máximo possível a responsabilidade de Mao, cujo retrato em grande formato ainda se encontra pendurado na célebre Praça da Paz Celestial, em Pequim.





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1969: Fim formal da Revolução Cultural na China



No dia 27 de abril de 1969, seguindo ordens de Mao Tse-tung, o Exército chinês dissolveu as Guardas Vermelhas. Para os dissidentes, anos de injustiça, humilhações e sofrimento sem fim.

 Mao Zedong Mao Tse-tung China 1960 (Getty Images)

A Revolução Cultural da China nasceu de um estrondoso fracasso do líder Mao Tse-tung. Com a campanha do Grande Salto para a Frente (1958-1960), ele pretendia industrializar a China em tempo recorde e, simultaneamente, construir a sociedade igualitária preconizada pelo comunismo.

Ele obrigou os camponeses a se juntarem em gigantescas comunas agrícolas e instalou siderúrgicas de tecnologia rudimentar por todo o país. Mas o único resultado da campanha foi a desorganização total da economia. Milhões de agricultores morreram de fome.

No dia 27 de abril de 1969, seguindo as ordens de Mao, o Exército chinês dissolveu as Guardas Vermelhas, que levaram a China praticamente à anarquia durante a Revolução Cultural. Oficialmente, o número de mortos durante a Revolução Cultural foi de 34 mil, embora muitos acreditem que, na realidade, houve milhões de vítimas.

Ostracismo e contraofensiva de Mao

O desastre do "grande salto" condenara Mao ao ostracismo. O Partido Comunista Chinês afastou-o da condução dos assuntos internos do país, mas ele continuou comandando a política externa.

Em 16 de maio de 1966, advertiu num documento interno que o PCC estava repleto de revisionistas capazes de, a qualquer momento, instaurar o capitalismo na China. Começava assim sua audaciosa contraofensiva para recuperar prestígio, mergulhando o país na chamada Grande Revolução Cultural Proletária.

A revolução mobilizou os estudantes de Pequim e, em pouco tempo, alastrou-se por toda a China. Principalmente a juventude era estimulada a se rebelar contra o "elitismo, revisionismo e a mentalidade burguesa". As consequências foram dramáticas: filhos denunciavam os pais, estudantes agrediam seus professores e forçavam à suspensão das aulas, chefes torturavam seus subordinados.

Perseguições políticas

Cerca de 20 milhões de colegiais e universitários, liderados por Jiang Qing, a mulher de Mao, formaram as Guardas Vermelhas e iniciaram uma onda de perseguições políticas. Intelectuais e líderes do PCCh foram espancados, presos e, em muitos casos, mortos.

Um dos ilustres perseguidos, por exemplo, foi Deng Xiaoping, o dirigente que, depois de enfrentar o exílio interno, voltou ao poder nos anos 70 e arquitetou a revolução capitalista responsável pelo crescimento atual da economia chinesa.

Paralelamente à perseguição política, o movimento promoveu uma faxina cultural. Os "guardas vermelhos" destruíam templos e outros vestígios do "passado feudal", queimavam livros que não tivessem conteúdo revolucionário. A peça Romeu e Julieta, de Shakespeare, por exemplo, era considerada incompatível com o sonhado "paraíso proletário". Mao usou a juventude também para levar ao extremo o culto à personalidade, promovendo marchas colossais em sua própria homenagem.
"Dez anos perdidos"

O "Grande Timoneiro", no entanto, logo perdeu o controle do movimento. Seguiram-se dez anos de turbulências que paralisaram o sistema educacional e abateram a economia. "Foram anos de injustiça, humilhações e sofrimento sem fim", resume o escritor Ba Jin. Os excessos dos "guardas vermelhos" levaram o exército a intervir, já em 1969, com o apoio de Mao. Era, na prática, o fim da Revolução Cultural.

Hoje, o governo comunista se refere à Grande Revolução Cultural e Proletária como "dez anos perdidos". A principal preocupação de Mao não era salvar a ideologia do proletariado. Sabe-se que ele arquitetou o movimento para se livrar de rivais políticos e consolidar seu poder. Seus maiores rivais eram dirigentes da ala moderada do PCCh, como Deng Xiaoping, que defendiam a "liberalização da economia".

Obcecado pelo poder, Mao eliminou 12 dos 23 membros incômodos no politburo. A Revolução Cultural pareceu um golpe de Estado. No fim, o próprio Mao viu-se obrigado a acabar com o movimento, ordenando a dissolução das Guardas Vermelhas.

A decisão de extingui-las foi aprovada no nono Congresso do Partido Comunista, a 27 de abril de 1969, marcando formalmente o fim da Revolução Cultural. O país, porém, só voltou à normalidade em 1976, com a morte de Mao.

Autoria Oliver Ramme (gh)



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terça-feira, 25 de abril de 2017

1974: Revolução dos Cravos em Portugal


Pouco após a meia-noite de 25 de abril de 1974 começou a soar na emissora católica de Lisboa a música até então proibida "Grândola, Vila Morena". Era o sinal combinado para o início do levante militar em Portugal.

 Portugal Lissabon 1974 Nelkenrevolution Soldaten (Imago/Zuma/Keystone)

Antes da revolução, era rara em Portugal a família que não tivesse alguém combatendo nas guerras das colônias na África, o serviço militar durava quatro anos, opiniões contra o regime e contra a guerra eram severamente reprimidas pela censura e pela polícia.

Antes de abril de 1974, os partidos e movimentos políticos estavam proibidos, as prisões políticas estavam cheias, os líderes oposicionistas estavam exilados, os sindicatos eram fortemente controlados, a greve era proibida, as demissões fáceis e a vida cultural estritamente vigiada.

A liberdade em Portugal começou com a transmissão, pelo rádio, de uma música até então proibida. Os cravos enfiados pela população nas espingardas dos soldados acabaram virando o símbolo da revolução, que encerrou, ao mesmo tempo, 48 anos de ditadura fascista e 13 anos de guerra nas colônias africanas.

Em apenas algumas horas, as Forças Armadas ocuparam locais estratégicos em todo o país. Ao clarear, multidões já cercavam as emissoras de rádio à espera de notícias. A operação, calculada minuciosamente, havia pego o regime de surpresa. Acuado pelo povo e pelos militares, o sucessor de Salazar, Marcelo Caetano, transmitiu sua renúncia por telefone ao líder dos golpistas, general António de Spínola.

Transportado de tanque ao aeroporto de Lisboa, Caetano embarcou para o exílio no Brasil. Em quase 18 horas, havia sido derrubada a mais antiga ditadura fascista no mundo.

Não houve acerto de contas

Artistas, políticos e desertores começaram a retornar do exílio. As colônias receberam a independência. A caça às bruxas aos responsáveis pela ditadura acabou não acontecendo, e as dívidas do governo anterior foram todas pagas. Os únicos a oferecer resistência foram os agentes da polícia política. Três pessoas morreram no conflito pela tomada de seu quartel-general.

Ao voltar do exílio em Paris, Mário Soares, o dissidente mais popular do governo Salazar, foi recebido por milhares de pessoas na estação ferroviária de Lisboa. Cravos vermelhos foram jogados de helicóptero sobre a cidade e só se ouvia a famosa canção Grândola, vila morena, que já havia se tornado o hino da revolução.

Em 1974, Portugal era um país atrasado, isolado na comunidade internacional, embora fizesse parte da ONU e da Otan. Era o último país europeu a manter colônias e vinha travando uma longa guerra contra a independência de Angola, Moçambique e Guiné. O regime de Salazar, iniciado em 1926, havia conseguido manter-se através da repressão e fora tolerado pelos países vencedores da Segunda Guerra Mundial.
Golpe militar vira festa revolucionária
Em 1º de maio, a esquerda, fortemente engajada, mostrou sua força em Lisboa, enquanto trabalhadores rurais do Alentejo expulsavam latifundiários e banqueiros eram desapropriados.
A esquerda europeia viu em Lisboa um palco ideal para os movimentos frustrados de 68. A pacata e católica população portuguesa, por seu lado, sentiu-se ignorada e, a partir do norte conservador, iniciou um movimento contra os extremistas.
Em 1975, aconteceu a dupla tentativa de golpe, da esquerda e da direita, contra o governo socialista, levando Portugal à beira da guerra civil. A ala militar extremista de esquerda obteve o domínio da situação em novembro de 1975. Após as eleições do ano seguinte, o general António Ramalho Eanes foi eleito presidente.

O Partido Socialista, com Mário Soares, assumiu um governo minoritário. A crise econômica o levou a sua renúncia em 1978. Entre 1979 e 1980, o país teve cinco primeiros-ministros. Em 1985, o governo foi assumido por Aníbal Cavaco Silva e Mário Soares tornou-se presidente no ano seguinte. Em 1986, Portugal ingressou na então Comunidade Econômica Europeia, hoje União Europeia.

Autoria Barbara Fischer (rw)



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domingo, 23 de abril de 2017

como não havia um discurso organizado da direita...

*como não havia um discurso organizado da direita...
tenho a impressão de que ela não foca nunca na política a não ser que se sinta lucrativamente falando... ameaçada...
e isso no Brasil é complicado porque em geral ela não é democrática... e tende mais à extrema direita que ao centro...
então... ela (a direita à direita) cria categorias em abstrato "todo mundo é corrupto"...
e fica num discurso meio blasè... meio
à deriva...
e só se manifesta de forma estridente... quando sente que o seu status-quo é ameaçado...
e por falta de discurso, também investe contra a ameaça ao comunismo -- morto é sepultado -- e incinera um discurso odiento e cheio de nojo (totalmente preconceituoso e anti-popular e mais nada...
e começa a pedir a morte e a lutar pela morte... da democracia... desde que ela não esteja identificada com os anseios das camadas populares...

Theresa Lessa

753 a.C.: Fundação de Roma


Não está definitivamente provado, mas supõe-se que a cidade de Roma tenha sido criada no dia 21 de abril de 753 antes de Cristo.


A resposta mitológica à criação de Roma surgiu quando a cidade já havia virado império mundial. Conta a lenda que Eneias, filho do rei de Troia e da deusa Vênus, fugiu de sua cidade durante uma batalha. Acompanhado de alguns homens, seguiu para a península itálica, onde seu filho Ascânio iniciou um povoamento chamado Alba Longa. Dois descendentes de Eneias – Numitor e Amúlio – apareceriam mais tarde em relatos sobre a criação de Roma.

A lenda continua: ao morrer, Sílvio Procas, duodécimo rei de Alba Longa, teria deixado dois filhos. O mais moço, Amúlio, apoderou-se do trono, preterindo Numitor, seu irmão mais velho. Para garantir o reinado de seus descendentes, matou Lauso, filho de Numitor e obrigou sua sobrinha, Reia Sílvia, a jurar castidade. Contudo, Marte, o deus da guerra, tornou Reia Sílvia mãe dos gêmeos Rômulo e Remo.

Quando Amúlio soube disso, condenou Reia Sílvia à morte e ordenou que os dois recém-nascidos fossem lançados numa cesta ao rio Tibre. Arrastadas pela correnteza, as crianças teriam sido encontradas na base do monte Palatino por uma loba, que passou a amamentá-los. Nos rastros da loba, pastores da vizinhança encontraram os gêmeos e se encarregaram de criá-los.

Remo foi morto por Rômulo

Mais tarde, Rômulo e Remo foram levados à presença do solitário Numitor, que reconheceu seus netos e lhes contou a desonra. Num ato de vingança, eles tomaram o palácio de Alba Longa, mataram o rei Amúlio e coroaram novamente o avô Numitor. Em sinal de gratidão, receberam a autorização para fundar uma cidade no local em que haviam sido abandonados.

Por vontade dos deuses, o povoado, logo cercado de muralhas, foi batizado Roma. Remo zombou do fosso de defesa aberto ao longo da muralha e foi morto pelo furioso Rômulo. Ambicioso em seus projetos, este começou a povoar a cidade com pastores, bandidos, escravos fugitivos e aventureiros.

Roma é um nome etrusco

Pelos cálculos do historiador romano Marcos Terêncio Varro (116 a.C. - 27 a.C.), levando em conta a lenda de Rômulo e Remo e a mitologia grega, 753 a.C. foi o ano da fundação de Roma. Alguns arqueólogos estimam, porém, que a cidade foi fundada no ano 600 a.C. Não se descarta também a hipótese de que Roma resultou da fusão de pequenos povoados latinos e sabinos do Palatino.

Certo é que o nome "Roma" veio dos etruscos, um povo de origem desconhecida que desapareceu na história, deixando rastros enigmáticos de sua cultura, religião e legislação no Império Romano. Os arqueólogos também encontraram marcas dos etruscos nas técnicas de urbanismo e canalização.

Pouco a pouco, os romanos conseguiram se livrar do domínio etrusco, expandindo sua influência na África, Europa Central e Ocidental, Grécia e Ásia Menor. Em 509 a.C., a monarquia foi derrubada e instaurou-se a República. De 200 a.C. até o ano 476, Roma atravessou seis séculos de contínua expansão territorial, formando um império ainda mais vasto do que o de Alexandre, o Grande.

Tomada pelos germanos, em 476, Roma entrou para a história como símbolo de poder e civilização, de tragédia e glória – a "cidade eterna". Ainda hoje, qualquer escavação ou simples canteiro de obras revela novos detalhes do passado da cidade.

Autoria Jens Teschke (gh)


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sábado, 22 de abril de 2017

1945: A tomada de Berlim


INSTANTÂNEOS: NAZIFASCISMO E 2ª GUERRA MUNDIAL: 

Brecht foge da Alemanha1933: Repressão ao Partido Comunista da Alemanha1933: Aprovação da Lei Plenipotenciária1933: UFA demitia funcionários judeus1933: Grande queima de livros pelos nazistas1933: DVP e DNVP se dissolvem1933: Hitler controlava a imprensa falada1933: Alemanha deixa a Liga das Nações1934: Hitler manda executar Ernst Röhm1934: Nazistas assassinam ditador da Áustria1934: Regime nazista começou a intervir na Justiça1935: Nazistas retiram a cidadania alemã de escritores e oposicionistas1936: Abertura dos Jogos Olímpicos de Berlim1936: Constituição do Eixo Berlim-Roma1936: Thomas Mann é expatriado1938: O pogrom da "Noite dos Cristais"1939: Assinado o Pacto de Não-Agressão1939: Eslováquia torna-se independente1939: Alemanha invade a Polônia1939: Programa nazista de extermínio1939: Soviéticos invadem a Polônia1939: Primeiro atentado contra Hitler1940: Alemanha inicia ofensiva ocidental1940: Armistício de Compiègne1940: Estreia do filme "O judeu Süss"1940: Crianças alemãs refugiam-se dos bombardeios1941: Selada aliança entre Londres e Moscou1941: EUA decidem construir a bomba atômica1941: Aberto o campo de concentração de Theresienstadt1942: Começa a Conferência de Wannsee, que consolidou o Holocausto1942: Genocídio dos judeus poloneses1942: Judeus proibidos de ter animais domésticos1942: Ofensiva dos Aliados em El Alamein1942: Anne Frank inicia seu diário1942: Batalha de Tobruk1942: Panfletos da resistência antinazista "Rosa Branca"1942: Pedagogo Janusz Korczak é deportado para Treblinka1942: Fracassa primeiro desembarque na Normandia1942: Tropas alemãs invadem o sul da França1943: Goebbels declara guerra total

Em 22 de abril de 1945, o Exército soviético começa a ofensiva final contra Berlim. A Alemanha havia sido cercada pelos soviéticos a partir do Leste e pelos norte-americanos e britânicos, pelo Oeste.



Soldado russo no Reichstag

"Há alguns dias, ouvíamos os tiros ao longe. Por isso, nos preparamos para qualquer eventualidade. Meu pai montou uma caixa para guardar mantimentos. Todas as garrafas foram enchidas com água fervida e guardadas no porão". Assim descreveu Renate Scholz, então com 9 anos, os últimos dias da Segunda Guerra Mundial. Todas as noites, ela passou no abrigo antiaéreo, levando a pasta da escola, a boneca preferida, sapatos de couro e borracha, dois sobretudos e roupa íntima.

Sua irmã, Helga, de 13 anos, descreveu assim a semana de combates por Berlim: "Era domingo, estávamos almoçando, quando ouvimos um barulho ensurdecedor. O ruído tornou-se cada vez mais forte. Sentia-se a terra ser atraída por uma força monstruosa. Em seguida, o estrondo violento de uma explosão estilhaçou os vidros das janelas e não se podia ver mais nada, de tanto pó. Minha irmã procurou proteção junto à mãe. De medo, eu me escondi debaixo da mesa. Quando a poeira baixou, vimos que uma bomba atingira a casa vizinha. Enquanto meus pais pregavam as janelas, nós tratamos de ir para o porão."

Caos na capital alemã

Esta foi a rotina dos últimos dias da guerra na capital do Deutsche Reich, Berlim. As pessoas passavam a maior parte do tempo nos abrigos antiaéreos. Todas as noites, repetiam-se os bombardeios, que incendiavam casas e edifícios, destruindo tudo. As estradas estavam repletas de escombros, que eram então usados para construir barreiras antitanques. As crianças estavam dispensadas das aulas. Em Berlim, reinava o caos.

Renate e Helga lembram-se ainda hoje desses dias terríveis. A única alegria era ver que a casa em que moravam ainda continuava de pé, embora as janelas estivessem pregadas. As rádios controladas pelo regime continuavam martelando a propaganda nazista, mesmo quando muitos alemães não acreditavam mais em Hitler. Noticiavam que o próprio "Führer" encabeçava a defesa da capital e que "este fato em si já dava um caráter único à luta por Berlim".

O cerco final

As duas irmãs contam a alegria com que receberam do pai a notícia de que a guerra havia acabado e que Hitler estava morto. Embora não tivessem ideia do que significava o fim da guerra, desejavam simplesmente que "tudo melhorasse", dizem as duas. Renate Scholz conta que, aos poucos, voltou a ter esperança. Até o medo dos soviéticos, que era onipresente, sumiu. Alguns dias mais tarde, soldados da União Soviética vieram morar na rua de Helga e Renate.

O cerco final aos nazistas havia começado a 6 de junho de 1944 – no chamado "Dia D" –, quando 55 mil soldados norte-americanos, britânicos e canadenses desembarcaram nas praias da Normandia, nordeste da França, na maior operação aeronaval da história. Hitler deu prosseguimento aos combates, mesmo quando os aliados cruzaram a fronteira alemã anterior à guerra, no dia 12 de setembro. O ditador manteve-se irredutível até perder Berlim, onde se suicidou no dia 30 de abril de 1945. No dia 7 de maio seguinte, a Alemanha se rendeu incondicionalmente.

Autoria Gábor Haláz (gh)

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Mi chica Bolchevique


Era otoño cuando me arrastró a su revolución
aún ahora no sé de qué, ni por qué,
pero por ella hasta los infiernos de Dante.
Y era otoño como les dije, era abril,
y por nada era silencio, era un estallido
que hacía conmigo lo que quería.
Y era abril cuando comenzó a explotar sus inquietudes
y amar la estrella roja de Leningrado.
Mucho antes de los otoños,
y mucho antes que firmará sus manifiestos
con nombres de mujeres rusas de 1930
tenía un nombre cristiano como todos:
Paula la de los ojos melocotones.
Ojos extremos, las que no podían pasar por alto ninguna pena.
Me enamoré de su mirada pensativa.
¡No lo hagas!, gritaban, los de derecha.
Me enamoré de una chica bolchevique
que andaba en bohina protestando
en Plaza de Armas.
Recuerdo que era emocionante caminar por las avenidas
de la mano de esa mujer y verla esquivar bombas lacrimógenas,
los chorros de agua,
el cordón policial.
Mi chica Bolchevique creía en cosas imposibles,
tales como la igualdad y la caída del capitalismo.
Mis amigos sonreían al verme con ella.
Hablaban de calentura.
Pero yo amaba a esa mujer y la metía en mi alma,
le daba miles de vueltas para sacarle cosas.
En el ombligo, por ejemplo, habían ríos
repletos de agua de lluvia para tiempos de sequía.
En su boca habían cosas como el valor de la palabra dada.
A pesar de tener las orejas pequeñas contenía sonidos asombrosos,
sonidos que quedan: la risa o todas las mañanas del mundo.
Y como les dije, yo me enamoré de ella,
de su abril,
su otoño,
el tacto de su cuello.
Ya pasaron meses y no pienso moverme.
La voy a seguir ciegamente,
porque seguir es defender su felicidad,
su lucha
y la libertad de existir en su piel.

Gara Ghuti

sexta-feira, 21 de abril de 2017

A quitanda.


Muito sol
e a quitandeira à sombra
da mulemba.
– Laranja, minha senhora,
laranjinha boa!
A luz brinca na cidade
o seu quente jogo
de claros e escuros
e a vida brinca
em corações aflitos
o jogo da cabra-cega.
A quitandeira
que vende fruta
vende-se.
– Minha senhora
laranja, laranjinha boa!
Compra laranja doces
compra-me também o amargo
desta tortura
da vida sem vida.
Compra-me a infância do espírito
este botão de rosa
que não abriu
princípio impelido ainda para um início.
Laranja, minha senhora!
Esgotaram-se os sorrisos
com que chorava
eu já não choro.
E aí vão as minhas esperanças
como foi o sangue dos meus filhos
amassado no pó das estradas
enterrado nas roças
e o meu suor
embebido nos fios de algodão
que me cobrem.
Como o esforço foi oferecido
à segurança das máquinas
à beleza das ruas asfaltadas
de prédios de vários andares
à comodidade de senhores ricos
à alegria dispersa por cidades
e eu
me fui confundindo
com os próprios problemas da existência.
Aí vão as laranjas
como eu me ofereci ao álcool
para me anestesiar
e me entreguei às religiões
para me insensibilizar
e me atordoei para viver.
Tudo tenho dado.
Até mesmo a minha dor
e a poesia dos meus seios nus
entreguei-as aos poetas.
Agora vendo-me eu própria.
– Compra laranjas
minha senhora!
Leva-me para as quitandas da Vida
o meu preço é único:
– sangue.
Talvez vendendo-me
eu me possua.
– Compra laranjas!


(Agostinhao Neto, in Sagrada esperança)

Todo mundo tem algo mais sério a fazer e quase todo mundo gosta de brincar.



Todo mundo tem algo mais sério a fazer e quase todo mundo gosta de brincar. Acredito que a grande maioria dos adultos brinca no facebook para protelar algo mais sério, uma técnica antiga (e legítima) tornada estranhamente pública e por isso mais incômoda. Sem falar que a contradição entre seriedade e brincadeira é sempre um pouco falsa, sobretudo quando a brincadeira envolve autoexposição e confissões íntimas no espaço público. Nada de novo por aqui. E talvez a brincadeira das verdades & mentiras apenas explicite e dê forma a um dos principais modus operandi das redes sociais. Uma frase feita e um pouco irritante que circulava bastante na minha adolescência: "tempo a gente cria". Infelizmente para quase todo mundo hoje o tempo é uma questão de administração ou de gerência, como as crises. O facebook talvez seja uma tentativa agoniada, teimosa ou infantil de criar tempo numa época onde isso já não soa mais viável, nem mesmo numa frase feita. O tempo da bobagem, do meme, da corrente, da treta, do debate estéril e da brincadeira exibicionista deve ter uma função nessa economia temporal asfixiante e que talvez seja ainda pouco clara pra nós. Não deixa de ser curioso no entanto que a gente critique e questione tanto o ideal produtivista sendo ao mesmo tempo tão intolerantes em relação à perda de tempo alheia. Perder tempo talvez seja agora a nossa maneira contraditória de tentar criar o tempo que falta.

Laura Erber

Artigo do grande advogado e intelectual, Ricardo Mendonça:


"A classe média brasileira – majoritariamente trabalhadora - experimentará um estado de instabilidade social e empobrecimento crescente e verá os “afortunados” cada vez mais ricos e poderosos. Não haverá investimento suficiente em “empregabilidade” – seja lá o que isso for – que seja capaz de alterar sistemicamente esse quadro".

Tiradentes não foi herói e não me representa!


Sua trajetória esteve ligada as tramas do poder da elite mineira do século XVIII. Suas alianças com magnatas e poderosos buscavam o contrabando do ouro, de escravos e de outros artigos. Esteve desde sempre envolvido com a corrupção, com os desvios e aos interesses exclusivamente pessoais. Continuamos até hoje a tornar herói o corrupto e excluir aqueles que de fato lutam, labutam e pelejam no cotidiano.
Seu movimento se preocupou aos interesses políticos, econômicos e sociais de seu grupo e não se tinha como pauta o fim da escravidão ou projeto de independência, mas sim, o alívio dos tributos da Coroa.
Também não tinham interesses patrióticos, muito menos preocupavam-se na construção de um projeto de nação.
Morreu por ser o menos rico dos ricos e o único a confessar.
Tornou-se herói apenas cem anos depois de sua morte no processo de construção da República e até hoje permanece.
Sua imagem foi cuidadosamente construída para forjar a ideia de herói e patriótico, atributos que nunca teve.
Os meus heróis? São homens e mulheres reais, escondidos da história oficial e verdadeiros responsáveis pela construção desse país.
Sabotados pela historiografia, marginalizados e excluídos, mas resistentes e existentes na memória, na oralidade e nos documentos não oficiais.
Não estão nos livros didáticos ou nos memoriais, mas uma busca, uma fuçada permite conhece-los e se encantar com suas histórias e bravuras.
A estes, um brinde. A Tiradentes...ficaria tranquilamente sem seu feriado.

Vagner Marques

aforismos

A História é uma fábula sem moral na qual nós é que falamos como bichos.
*
A História é o prefácio dum livro ainda nem escrito.
*
No mundo da pós-verdade, os alunos vão ter aula de Estória Contemporânea?
*
Na era da pós-verdade, o importante é ensinar a Pré-Estória.
*
Pós-verdade – s.f. (2016) período de histeria entre o fim da pré-mentira e o início da pós-empulhação.


Rodrigo Madeira 
Vem viver comigo. Temos todos os livros de poesia que existem no mundo. Toda a música. Todos os álcoois que ardem os olhos e corrói o ódio. Curtimos até balançar como seres de uma matéria fosforescente, e diremos tantos poemas que nossas línguas se incendiarão como rosas. 

Alejandra Pizarnik

terça-feira, 18 de abril de 2017

1921: Rebelião dos marinheiros de Kronstadt


No dia 2 de março de 1921, 300 representantes de estaleiros e marinheiros da cidade russa de Kronstadt, no Mar Báltico, elegeram um Comitê Revolucionário Provisório.

Trotski prometeu caçar revolucionários "como coelhos"

Os marinheiros da cidade portuária de Kronstadt, no Mar Báltico, haviam se rebelado no final de 1917. A frota bloqueara a foz do Rio Neva, quando o cruzador Aurora deu o sinal para começar a histórica Revolução de Outubro.

A historiadora alemã Jutta Petersdorf dedicou-se intensamente ao estudo da história russa. Ela conta que os marinheiros de Kronstadt desempenharam papel muito importante do começo ao fim da revolução. O próprio Leon Trotski reconheceu este fato.

Retrocesso na Rússia

O povo russo continuava sofrendo mesmo depois da queda dos czares. A União Soviética de então estava literalmente arrasada pela Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e pela Guerra Civil (1918-1921). Fome e epidemias grassavam por toda parte, indústria e transportes estavam profundamente debilitados. Alguns setores apresentavam índices equivalentes aos de fins do século 18.

Havia greves, a agricultura estava paralisada, à espera de definições políticas, o descontentamento agitava a população urbana e provocava revoltas no campo. Protestos públicos eram punidos com prisão sumária.

Os comunistas governavam com mão de ferro. Quem parasse de trabalhar, podia ser condenado à morte. Esta efervescência provocou a insurreição dos marinheiros de Kronstadt contra os bolcheviques. No dia 2 de março de 1921, 300 representantes dos estaleiros daquela cidade portuária elegeram um Comitê Revolucionário Provisório. Os marinheiros entendiam-se responsáveis pelo regime, criticavam a inflação de poder do partido e queriam o retorno dos sovietes às suas origens.

"Somos invencíveis!"

Os sovietes eram os conselhos integrados por operários, camponeses e soldados. Eles apareceram pela primeira vez na Rússia em 1905. Com a revolução de 1917, passaram a ser órgão deliberativo no país. Mas Vladimir Lênin e Trotski viam nos amotinados apenas contrarrevolucionários, e não os apoiaram. Em 5 de março, Trotski enviou uma advertência aos rebelados para que encerrassem seu protesto. Caso contrário, "seriam caçados como coelhos".

Como os marinheiros mantiveram suas reivindicações, dois dias mais tarde começou a invasão de Kronstadt pelo Exército Vermelho. Protegidos como numa fortaleza, os amotinados conseguiram defender-se e enviaram a seguinte mensagem a 8 de março, Dia Internacional da Mulher.

"Da Kronstadt libertada para todas as operárias do mundo: estamos aqui em meio aos estrondos dos canhões, em meio às granadas explodindo, jogadas pelos comunistas, inimigos do povo trabalhador! Mesmo assim, enviamos fraternas congratulações a vocês, operárias de todo o mundo. Saudações da Kronstadt vermelha rebelada, do império da liberdade. Que nossos inimigos se atrevam a nos destruir. Somos fortes. Somos invencíveis!"

Rápida derrota

A invencibilidade durou apenas dez dias. Com o apoio de voluntários que participavam da 10ª Convenção do Partido Comunista, as tropas russas conseguiram conquistar a fortaleza de Kronstadt em 18 de março de 1921.

Uma parte dos amotinados foi executada, outra enviada para prisões afastadas, nas temidas ilhas Solofki, no Mar Branco, ao norte da atual Federação Russa; 8 mil rebelados conseguiram fugir de Kronstadt pelas águas geladas do Mar Báltico. Estava debelado, assim, um dos primeiros movimentos políticos na União Soviética.


Autoria Roselaine Wandscheer (av)


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1940: Assassinato de Trotski no México


No dia 20 de agosto de 1940, o chefe de Estado soviético, Josef Stalin, se livrou de um inimigo incômodo quando um agente stalinista matou Leon Trotski, que vivia exilado no México.

Leon Trotski

"Piero" (a pena) era seu nome no exílio, Janowski foi sua autodenominação na fundação do primeiro Conselho Soviético, em 1905, mas era chamado também de "Jovem Águia". Trata-se de Leon Trotski (1879–1940), como ficou conhecido o revolucionário e teórico russo Lev Davidovitch Bronstein.
Nascido na Ucrânia, de uma família de agricultores judeus, foi um dos melhores alunos de Matemática, Literatura, Alemão e Francês em Odessa. Ainda como estudante, iniciou por acaso sua atividade contra o czarismo.

No verão europeu de 1896, cerca de 30 mil trabalhadores se rebelaram em São Petersburgo. A revolta não fora motivada pela frente de luta pela libertação da classe operária, recém-criada por Lênin e, sim, consequência da fome e da catastrófica situação social. Impressionado com as notícias sobre a greve e munido do idealismo de um jovem de 17 anos, Lev Bronstein fundou a Liga dos Trabalhadores do Sul da Rússia.

Estudantes e alunos escreviam panfletos, conclamações e pequenos textos de formação política para os trabalhadores. O serviço secreto do czar levou dois anos até descobrir as atividades subversivas da liga e prender o propagandista Bronstein em janeiro de 1898.

Difícil relação com Lênin

Deportado para a Sibéria, ele leu, pela primeira vez, no verão de 1902, um escrito de Lênin intitulado O que fazer?. Bronstein sabia o que tinha de fazer: fugir para o exílio. Escondido sob a palha numa carreta de agricultor, chegou a Irkutsk, onde amigos lhe arranjaram um passaporte falso, mudando seu nome para Leon Trotski – nome de um antigo carcereiro.

Seguiu-se o primeiro encontro com Lênin em outubro de 1902, sem que daí resultasse uma amizade entre os dois. Nos anos seguintes, eles oscilavam entre relações de conveniência e inimizades. Trotski era o mais inteligente e visionário dos dois revolucionários. Presidiu o primeiro soviete de Petrogrado até a derrota da primeira revolução contra a monarquia russa em dezembro de 1905.

Novamente deportado, fugiu da Sibéria em 1907 e passou os anos seguintes no exílio, tendo se refugiado também nos Estados Unidos. Voltou à Rússia em 1917, quando participou ativamente da organização da Revolução de Outubro.

Na noite em que completou 38 anos (7 de novembro), tropas de choque ocuparam estações de trem, pontes, o banco estatal e as principais repartições públicas de Petrogrado. Por volta do meio-dia, Trotski proclamou a destituição do governo, em nome do Comitê Revolucionário Militar.

Inimizade com Stalin

Foi uma revolução sem derramamento de sangue. O terror e a crueldade viriam mais tarde. Trotski tornou-se comissário das Relações Exteriores e assinou a paz com a Alemanha em Brest-Litovsk. Com a nomeação de ex-oficiais czaristas para o Exército Vermelho, provocou a fúria do comissário político superior da décima Armada, Josef Stalin, que passou a lutar sistematicamente contra ele, por meio de intrigas e rumores.

Trotski, por sua vez, culpou Stalin pela derrota da Rússia na guerra contra a Polônia em 1920. A partir de 1923, com o adoecimento de Lênin, organizou a oposição a Stalin. Após a morte de Lênin, em 1924, Stalin concentrou o poder em suas mãos e se vingou de Trotski, expulsando-o do Partido Comunista em 1927 e deportando-o para a Turquia em 1929.

No exílio, Trotski passou por vários países. Na França, foi informado do "suicídio" de sua segunda filha. Seus dois genros foram deportados para a Sibéria e seus quatro netos desapareceram.

Em 1937, chegou ao México, onde foi assassinado dia 20 de agosto de 1940 pelo agente stalinista Ramón del Rio Mercader, que havia conquistado a confiança da família com o pseudônimo Frank Jacson.

No Brasil, a fama de Trotski sofre devido ao sectarismo e dogmatismo de alguns grupos que reivindicam o trotskismo. O pensamento do teórico russo é polêmico e abrange as duas revoluções russas, o colapso da 2ª Internacional, a fundação da 3ª Internacional, as ascensões de Stalin na URSS e de Hitler na Alemanha, bem como a Revolução Espanhola.

Autoria Jens Teschke (gh)


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1922: Stalin se tornava secretário-geral


No dia 3 de abril de 1922, Josef Stalin foi eleito secretário-geral do Partido Comunista pelo politburo em Moscou.


No início de 1922, Josef Stalin mal era conhecido na Rússia. Já nessa época, ocupava quatro cargos e estava em todos os principais grêmios do Partido Comunista. Vladimir Lenin, líder do governo revolucionário, criticava a lentidão do processo pós-revolucionário e sugeriu ao politburo a escolha de um secretário-geral para coordenar as atividades no partido. Stalin foi candidato único.

Suas responsabilidades no cargo eram mais burocráticas que políticas. Ele tinha que coordenar a organização de todo o aparato partidário. Os conhecidos e destacados bolcheviques da época viam nisso uma tarefa incômoda. Eleito no dia 3 de abril de 1922, Stalin foi incumbido de mediar os interesses entre a liderança do partido e os correligionários. No princípio, ninguém viu nele um concorrente ao poder.

Ambição subestimada

Todos se viam como grandes teóricos e pensadores. Não acreditavam que as ambições de Stalin os afetassem. Ele, entretanto, foi conquistando espaço, pouco a pouco, quase sem ser percebido. Dois meses depois da eleição de Stalin, Lenin sofreu seu primeiro derrame cerebral e o secretário-geral foi incumbido pelo partido de preparar uma nova Constituição, que ligasse mais a Federação das Repúblicas Socialistas a Moscou. O tratamento que deu aos povos não russos era severo. À Geórgia, sua república de origem, ele não permitiu a manutenção de uma identidade própria.

Enfermo, Lenin ouvia apenas as versões passadas por Stalin. Depois de recuperado, entretanto, teve de ouvir as queixas dos habitantes da Geórgia. Até Leon Trotski, organizador e comandante-em-chefe do Exército Vermelho, acusou Stalin de bloquear o trabalho do partido. As dúvidas de Lenin quanto ao secretário-geral começaram a aumentar.

Enquanto se recuperava de um segundo derrame, sugeriu em seu testamento político que os companheiros encontrassem uma maneira de substituir Stalin por alguém mais tolerante, leal, cortês, atencioso e menos genioso.

Tarde demais

Lenin considerava o companheiro político muito perigoso e queria sugerir sua substituição no Congresso do Partido. Isso, entretanto, não chegou a acontecer, pois Lenin não se recuperou do quarto derrame, morrendo em 1924. Enquanto isso, Stalin ascendera para a segunda força política na Rússia, conseguindo eliminar seu principal crítico no partido, Leon Trotski.

Ao completar 50 anos, em 1929, Stalin havia conseguido fazer do cargo de secretário-geral a principal função política na União Soviética. Em 1941, pouco antes da invasão dos alemães, nomeou-se chefe do governo, assumindo oficialmente a liderança política.

Autoria Ralf Geissler (rw)


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