domingo, 23 de abril de 2017

como não havia um discurso organizado da direita...

*como não havia um discurso organizado da direita...
tenho a impressão de que ela não foca nunca na política a não ser que se sinta lucrativamente falando... ameaçada...
e isso no Brasil é complicado porque em geral ela não é democrática... e tende mais à extrema direita que ao centro...
então... ela (a direita à direita) cria categorias em abstrato "todo mundo é corrupto"...
e fica num discurso meio blasè... meio
à deriva...
e só se manifesta de forma estridente... quando sente que o seu status-quo é ameaçado...
e por falta de discurso, também investe contra a ameaça ao comunismo -- morto é sepultado -- e incinera um discurso odiento e cheio de nojo (totalmente preconceituoso e anti-popular e mais nada...
e começa a pedir a morte e a lutar pela morte... da democracia... desde que ela não esteja identificada com os anseios das camadas populares...

Theresa Lessa

753 a.C.: Fundação de Roma


Não está definitivamente provado, mas supõe-se que a cidade de Roma tenha sido criada no dia 21 de abril de 753 antes de Cristo.


A resposta mitológica à criação de Roma surgiu quando a cidade já havia virado império mundial. Conta a lenda que Eneias, filho do rei de Troia e da deusa Vênus, fugiu de sua cidade durante uma batalha. Acompanhado de alguns homens, seguiu para a península itálica, onde seu filho Ascânio iniciou um povoamento chamado Alba Longa. Dois descendentes de Eneias – Numitor e Amúlio – apareceriam mais tarde em relatos sobre a criação de Roma.

A lenda continua: ao morrer, Sílvio Procas, duodécimo rei de Alba Longa, teria deixado dois filhos. O mais moço, Amúlio, apoderou-se do trono, preterindo Numitor, seu irmão mais velho. Para garantir o reinado de seus descendentes, matou Lauso, filho de Numitor e obrigou sua sobrinha, Reia Sílvia, a jurar castidade. Contudo, Marte, o deus da guerra, tornou Reia Sílvia mãe dos gêmeos Rômulo e Remo.

Quando Amúlio soube disso, condenou Reia Sílvia à morte e ordenou que os dois recém-nascidos fossem lançados numa cesta ao rio Tibre. Arrastadas pela correnteza, as crianças teriam sido encontradas na base do monte Palatino por uma loba, que passou a amamentá-los. Nos rastros da loba, pastores da vizinhança encontraram os gêmeos e se encarregaram de criá-los.

Remo foi morto por Rômulo

Mais tarde, Rômulo e Remo foram levados à presença do solitário Numitor, que reconheceu seus netos e lhes contou a desonra. Num ato de vingança, eles tomaram o palácio de Alba Longa, mataram o rei Amúlio e coroaram novamente o avô Numitor. Em sinal de gratidão, receberam a autorização para fundar uma cidade no local em que haviam sido abandonados.

Por vontade dos deuses, o povoado, logo cercado de muralhas, foi batizado Roma. Remo zombou do fosso de defesa aberto ao longo da muralha e foi morto pelo furioso Rômulo. Ambicioso em seus projetos, este começou a povoar a cidade com pastores, bandidos, escravos fugitivos e aventureiros.

Roma é um nome etrusco

Pelos cálculos do historiador romano Marcos Terêncio Varro (116 a.C. - 27 a.C.), levando em conta a lenda de Rômulo e Remo e a mitologia grega, 753 a.C. foi o ano da fundação de Roma. Alguns arqueólogos estimam, porém, que a cidade foi fundada no ano 600 a.C. Não se descarta também a hipótese de que Roma resultou da fusão de pequenos povoados latinos e sabinos do Palatino.

Certo é que o nome "Roma" veio dos etruscos, um povo de origem desconhecida que desapareceu na história, deixando rastros enigmáticos de sua cultura, religião e legislação no Império Romano. Os arqueólogos também encontraram marcas dos etruscos nas técnicas de urbanismo e canalização.

Pouco a pouco, os romanos conseguiram se livrar do domínio etrusco, expandindo sua influência na África, Europa Central e Ocidental, Grécia e Ásia Menor. Em 509 a.C., a monarquia foi derrubada e instaurou-se a República. De 200 a.C. até o ano 476, Roma atravessou seis séculos de contínua expansão territorial, formando um império ainda mais vasto do que o de Alexandre, o Grande.

Tomada pelos germanos, em 476, Roma entrou para a história como símbolo de poder e civilização, de tragédia e glória – a "cidade eterna". Ainda hoje, qualquer escavação ou simples canteiro de obras revela novos detalhes do passado da cidade.

Autoria Jens Teschke (gh)


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sábado, 22 de abril de 2017

1945: A tomada de Berlim


INSTANTÂNEOS: NAZIFASCISMO E 2ª GUERRA MUNDIAL: 

Brecht foge da Alemanha1933: Repressão ao Partido Comunista da Alemanha1933: Aprovação da Lei Plenipotenciária1933: UFA demitia funcionários judeus1933: Grande queima de livros pelos nazistas1933: DVP e DNVP se dissolvem1933: Hitler controlava a imprensa falada1933: Alemanha deixa a Liga das Nações1934: Hitler manda executar Ernst Röhm1934: Nazistas assassinam ditador da Áustria1934: Regime nazista começou a intervir na Justiça1935: Nazistas retiram a cidadania alemã de escritores e oposicionistas1936: Abertura dos Jogos Olímpicos de Berlim1936: Constituição do Eixo Berlim-Roma1936: Thomas Mann é expatriado1938: O pogrom da "Noite dos Cristais"1939: Assinado o Pacto de Não-Agressão1939: Eslováquia torna-se independente1939: Alemanha invade a Polônia1939: Programa nazista de extermínio1939: Soviéticos invadem a Polônia1939: Primeiro atentado contra Hitler1940: Alemanha inicia ofensiva ocidental1940: Armistício de Compiègne1940: Estreia do filme "O judeu Süss"1940: Crianças alemãs refugiam-se dos bombardeios1941: Selada aliança entre Londres e Moscou1941: EUA decidem construir a bomba atômica1941: Aberto o campo de concentração de Theresienstadt1942: Começa a Conferência de Wannsee, que consolidou o Holocausto1942: Genocídio dos judeus poloneses1942: Judeus proibidos de ter animais domésticos1942: Ofensiva dos Aliados em El Alamein1942: Anne Frank inicia seu diário1942: Batalha de Tobruk1942: Panfletos da resistência antinazista "Rosa Branca"1942: Pedagogo Janusz Korczak é deportado para Treblinka1942: Fracassa primeiro desembarque na Normandia1942: Tropas alemãs invadem o sul da França1943: Goebbels declara guerra total

Em 22 de abril de 1945, o Exército soviético começa a ofensiva final contra Berlim. A Alemanha havia sido cercada pelos soviéticos a partir do Leste e pelos norte-americanos e britânicos, pelo Oeste.



Soldado russo no Reichstag

"Há alguns dias, ouvíamos os tiros ao longe. Por isso, nos preparamos para qualquer eventualidade. Meu pai montou uma caixa para guardar mantimentos. Todas as garrafas foram enchidas com água fervida e guardadas no porão". Assim descreveu Renate Scholz, então com 9 anos, os últimos dias da Segunda Guerra Mundial. Todas as noites, ela passou no abrigo antiaéreo, levando a pasta da escola, a boneca preferida, sapatos de couro e borracha, dois sobretudos e roupa íntima.

Sua irmã, Helga, de 13 anos, descreveu assim a semana de combates por Berlim: "Era domingo, estávamos almoçando, quando ouvimos um barulho ensurdecedor. O ruído tornou-se cada vez mais forte. Sentia-se a terra ser atraída por uma força monstruosa. Em seguida, o estrondo violento de uma explosão estilhaçou os vidros das janelas e não se podia ver mais nada, de tanto pó. Minha irmã procurou proteção junto à mãe. De medo, eu me escondi debaixo da mesa. Quando a poeira baixou, vimos que uma bomba atingira a casa vizinha. Enquanto meus pais pregavam as janelas, nós tratamos de ir para o porão."

Caos na capital alemã

Esta foi a rotina dos últimos dias da guerra na capital do Deutsche Reich, Berlim. As pessoas passavam a maior parte do tempo nos abrigos antiaéreos. Todas as noites, repetiam-se os bombardeios, que incendiavam casas e edifícios, destruindo tudo. As estradas estavam repletas de escombros, que eram então usados para construir barreiras antitanques. As crianças estavam dispensadas das aulas. Em Berlim, reinava o caos.

Renate e Helga lembram-se ainda hoje desses dias terríveis. A única alegria era ver que a casa em que moravam ainda continuava de pé, embora as janelas estivessem pregadas. As rádios controladas pelo regime continuavam martelando a propaganda nazista, mesmo quando muitos alemães não acreditavam mais em Hitler. Noticiavam que o próprio "Führer" encabeçava a defesa da capital e que "este fato em si já dava um caráter único à luta por Berlim".

O cerco final

As duas irmãs contam a alegria com que receberam do pai a notícia de que a guerra havia acabado e que Hitler estava morto. Embora não tivessem ideia do que significava o fim da guerra, desejavam simplesmente que "tudo melhorasse", dizem as duas. Renate Scholz conta que, aos poucos, voltou a ter esperança. Até o medo dos soviéticos, que era onipresente, sumiu. Alguns dias mais tarde, soldados da União Soviética vieram morar na rua de Helga e Renate.

O cerco final aos nazistas havia começado a 6 de junho de 1944 – no chamado "Dia D" –, quando 55 mil soldados norte-americanos, britânicos e canadenses desembarcaram nas praias da Normandia, nordeste da França, na maior operação aeronaval da história. Hitler deu prosseguimento aos combates, mesmo quando os aliados cruzaram a fronteira alemã anterior à guerra, no dia 12 de setembro. O ditador manteve-se irredutível até perder Berlim, onde se suicidou no dia 30 de abril de 1945. No dia 7 de maio seguinte, a Alemanha se rendeu incondicionalmente.

Autoria Gábor Haláz (gh)

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Mi chica Bolchevique


Era otoño cuando me arrastró a su revolución
aún ahora no sé de qué, ni por qué,
pero por ella hasta los infiernos de Dante.
Y era otoño como les dije, era abril,
y por nada era silencio, era un estallido
que hacía conmigo lo que quería.
Y era abril cuando comenzó a explotar sus inquietudes
y amar la estrella roja de Leningrado.
Mucho antes de los otoños,
y mucho antes que firmará sus manifiestos
con nombres de mujeres rusas de 1930
tenía un nombre cristiano como todos:
Paula la de los ojos melocotones.
Ojos extremos, las que no podían pasar por alto ninguna pena.
Me enamoré de su mirada pensativa.
¡No lo hagas!, gritaban, los de derecha.
Me enamoré de una chica bolchevique
que andaba en bohina protestando
en Plaza de Armas.
Recuerdo que era emocionante caminar por las avenidas
de la mano de esa mujer y verla esquivar bombas lacrimógenas,
los chorros de agua,
el cordón policial.
Mi chica Bolchevique creía en cosas imposibles,
tales como la igualdad y la caída del capitalismo.
Mis amigos sonreían al verme con ella.
Hablaban de calentura.
Pero yo amaba a esa mujer y la metía en mi alma,
le daba miles de vueltas para sacarle cosas.
En el ombligo, por ejemplo, habían ríos
repletos de agua de lluvia para tiempos de sequía.
En su boca habían cosas como el valor de la palabra dada.
A pesar de tener las orejas pequeñas contenía sonidos asombrosos,
sonidos que quedan: la risa o todas las mañanas del mundo.
Y como les dije, yo me enamoré de ella,
de su abril,
su otoño,
el tacto de su cuello.
Ya pasaron meses y no pienso moverme.
La voy a seguir ciegamente,
porque seguir es defender su felicidad,
su lucha
y la libertad de existir en su piel.

Gara Ghuti

sexta-feira, 21 de abril de 2017

A quitanda.


Muito sol
e a quitandeira à sombra
da mulemba.
– Laranja, minha senhora,
laranjinha boa!
A luz brinca na cidade
o seu quente jogo
de claros e escuros
e a vida brinca
em corações aflitos
o jogo da cabra-cega.
A quitandeira
que vende fruta
vende-se.
– Minha senhora
laranja, laranjinha boa!
Compra laranja doces
compra-me também o amargo
desta tortura
da vida sem vida.
Compra-me a infância do espírito
este botão de rosa
que não abriu
princípio impelido ainda para um início.
Laranja, minha senhora!
Esgotaram-se os sorrisos
com que chorava
eu já não choro.
E aí vão as minhas esperanças
como foi o sangue dos meus filhos
amassado no pó das estradas
enterrado nas roças
e o meu suor
embebido nos fios de algodão
que me cobrem.
Como o esforço foi oferecido
à segurança das máquinas
à beleza das ruas asfaltadas
de prédios de vários andares
à comodidade de senhores ricos
à alegria dispersa por cidades
e eu
me fui confundindo
com os próprios problemas da existência.
Aí vão as laranjas
como eu me ofereci ao álcool
para me anestesiar
e me entreguei às religiões
para me insensibilizar
e me atordoei para viver.
Tudo tenho dado.
Até mesmo a minha dor
e a poesia dos meus seios nus
entreguei-as aos poetas.
Agora vendo-me eu própria.
– Compra laranjas
minha senhora!
Leva-me para as quitandas da Vida
o meu preço é único:
– sangue.
Talvez vendendo-me
eu me possua.
– Compra laranjas!


(Agostinhao Neto, in Sagrada esperança)

Todo mundo tem algo mais sério a fazer e quase todo mundo gosta de brincar.



Todo mundo tem algo mais sério a fazer e quase todo mundo gosta de brincar. Acredito que a grande maioria dos adultos brinca no facebook para protelar algo mais sério, uma técnica antiga (e legítima) tornada estranhamente pública e por isso mais incômoda. Sem falar que a contradição entre seriedade e brincadeira é sempre um pouco falsa, sobretudo quando a brincadeira envolve autoexposição e confissões íntimas no espaço público. Nada de novo por aqui. E talvez a brincadeira das verdades & mentiras apenas explicite e dê forma a um dos principais modus operandi das redes sociais. Uma frase feita e um pouco irritante que circulava bastante na minha adolescência: "tempo a gente cria". Infelizmente para quase todo mundo hoje o tempo é uma questão de administração ou de gerência, como as crises. O facebook talvez seja uma tentativa agoniada, teimosa ou infantil de criar tempo numa época onde isso já não soa mais viável, nem mesmo numa frase feita. O tempo da bobagem, do meme, da corrente, da treta, do debate estéril e da brincadeira exibicionista deve ter uma função nessa economia temporal asfixiante e que talvez seja ainda pouco clara pra nós. Não deixa de ser curioso no entanto que a gente critique e questione tanto o ideal produtivista sendo ao mesmo tempo tão intolerantes em relação à perda de tempo alheia. Perder tempo talvez seja agora a nossa maneira contraditória de tentar criar o tempo que falta.

Laura Erber

Artigo do grande advogado e intelectual, Ricardo Mendonça:


"A classe média brasileira – majoritariamente trabalhadora - experimentará um estado de instabilidade social e empobrecimento crescente e verá os “afortunados” cada vez mais ricos e poderosos. Não haverá investimento suficiente em “empregabilidade” – seja lá o que isso for – que seja capaz de alterar sistemicamente esse quadro".

Tiradentes não foi herói e não me representa!


Sua trajetória esteve ligada as tramas do poder da elite mineira do século XVIII. Suas alianças com magnatas e poderosos buscavam o contrabando do ouro, de escravos e de outros artigos. Esteve desde sempre envolvido com a corrupção, com os desvios e aos interesses exclusivamente pessoais. Continuamos até hoje a tornar herói o corrupto e excluir aqueles que de fato lutam, labutam e pelejam no cotidiano.
Seu movimento se preocupou aos interesses políticos, econômicos e sociais de seu grupo e não se tinha como pauta o fim da escravidão ou projeto de independência, mas sim, o alívio dos tributos da Coroa.
Também não tinham interesses patrióticos, muito menos preocupavam-se na construção de um projeto de nação.
Morreu por ser o menos rico dos ricos e o único a confessar.
Tornou-se herói apenas cem anos depois de sua morte no processo de construção da República e até hoje permanece.
Sua imagem foi cuidadosamente construída para forjar a ideia de herói e patriótico, atributos que nunca teve.
Os meus heróis? São homens e mulheres reais, escondidos da história oficial e verdadeiros responsáveis pela construção desse país.
Sabotados pela historiografia, marginalizados e excluídos, mas resistentes e existentes na memória, na oralidade e nos documentos não oficiais.
Não estão nos livros didáticos ou nos memoriais, mas uma busca, uma fuçada permite conhece-los e se encantar com suas histórias e bravuras.
A estes, um brinde. A Tiradentes...ficaria tranquilamente sem seu feriado.

Vagner Marques

aforismos

A História é uma fábula sem moral na qual nós é que falamos como bichos.
*
A História é o prefácio dum livro ainda nem escrito.
*
No mundo da pós-verdade, os alunos vão ter aula de Estória Contemporânea?
*
Na era da pós-verdade, o importante é ensinar a Pré-Estória.
*
Pós-verdade – s.f. (2016) período de histeria entre o fim da pré-mentira e o início da pós-empulhação.


Rodrigo Madeira 
Vem viver comigo. Temos todos os livros de poesia que existem no mundo. Toda a música. Todos os álcoois que ardem os olhos e corrói o ódio. Curtimos até balançar como seres de uma matéria fosforescente, e diremos tantos poemas que nossas línguas se incendiarão como rosas. 

Alejandra Pizarnik

terça-feira, 18 de abril de 2017

1921: Rebelião dos marinheiros de Kronstadt


No dia 2 de março de 1921, 300 representantes de estaleiros e marinheiros da cidade russa de Kronstadt, no Mar Báltico, elegeram um Comitê Revolucionário Provisório.

Trotski prometeu caçar revolucionários "como coelhos"

Os marinheiros da cidade portuária de Kronstadt, no Mar Báltico, haviam se rebelado no final de 1917. A frota bloqueara a foz do Rio Neva, quando o cruzador Aurora deu o sinal para começar a histórica Revolução de Outubro.

A historiadora alemã Jutta Petersdorf dedicou-se intensamente ao estudo da história russa. Ela conta que os marinheiros de Kronstadt desempenharam papel muito importante do começo ao fim da revolução. O próprio Leon Trotski reconheceu este fato.

Retrocesso na Rússia

O povo russo continuava sofrendo mesmo depois da queda dos czares. A União Soviética de então estava literalmente arrasada pela Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e pela Guerra Civil (1918-1921). Fome e epidemias grassavam por toda parte, indústria e transportes estavam profundamente debilitados. Alguns setores apresentavam índices equivalentes aos de fins do século 18.

Havia greves, a agricultura estava paralisada, à espera de definições políticas, o descontentamento agitava a população urbana e provocava revoltas no campo. Protestos públicos eram punidos com prisão sumária.

Os comunistas governavam com mão de ferro. Quem parasse de trabalhar, podia ser condenado à morte. Esta efervescência provocou a insurreição dos marinheiros de Kronstadt contra os bolcheviques. No dia 2 de março de 1921, 300 representantes dos estaleiros daquela cidade portuária elegeram um Comitê Revolucionário Provisório. Os marinheiros entendiam-se responsáveis pelo regime, criticavam a inflação de poder do partido e queriam o retorno dos sovietes às suas origens.

"Somos invencíveis!"

Os sovietes eram os conselhos integrados por operários, camponeses e soldados. Eles apareceram pela primeira vez na Rússia em 1905. Com a revolução de 1917, passaram a ser órgão deliberativo no país. Mas Vladimir Lênin e Trotski viam nos amotinados apenas contrarrevolucionários, e não os apoiaram. Em 5 de março, Trotski enviou uma advertência aos rebelados para que encerrassem seu protesto. Caso contrário, "seriam caçados como coelhos".

Como os marinheiros mantiveram suas reivindicações, dois dias mais tarde começou a invasão de Kronstadt pelo Exército Vermelho. Protegidos como numa fortaleza, os amotinados conseguiram defender-se e enviaram a seguinte mensagem a 8 de março, Dia Internacional da Mulher.

"Da Kronstadt libertada para todas as operárias do mundo: estamos aqui em meio aos estrondos dos canhões, em meio às granadas explodindo, jogadas pelos comunistas, inimigos do povo trabalhador! Mesmo assim, enviamos fraternas congratulações a vocês, operárias de todo o mundo. Saudações da Kronstadt vermelha rebelada, do império da liberdade. Que nossos inimigos se atrevam a nos destruir. Somos fortes. Somos invencíveis!"

Rápida derrota

A invencibilidade durou apenas dez dias. Com o apoio de voluntários que participavam da 10ª Convenção do Partido Comunista, as tropas russas conseguiram conquistar a fortaleza de Kronstadt em 18 de março de 1921.

Uma parte dos amotinados foi executada, outra enviada para prisões afastadas, nas temidas ilhas Solofki, no Mar Branco, ao norte da atual Federação Russa; 8 mil rebelados conseguiram fugir de Kronstadt pelas águas geladas do Mar Báltico. Estava debelado, assim, um dos primeiros movimentos políticos na União Soviética.


Autoria Roselaine Wandscheer (av)


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1940: Assassinato de Trotski no México


No dia 20 de agosto de 1940, o chefe de Estado soviético, Josef Stalin, se livrou de um inimigo incômodo quando um agente stalinista matou Leon Trotski, que vivia exilado no México.

Leon Trotski

"Piero" (a pena) era seu nome no exílio, Janowski foi sua autodenominação na fundação do primeiro Conselho Soviético, em 1905, mas era chamado também de "Jovem Águia". Trata-se de Leon Trotski (1879–1940), como ficou conhecido o revolucionário e teórico russo Lev Davidovitch Bronstein.
Nascido na Ucrânia, de uma família de agricultores judeus, foi um dos melhores alunos de Matemática, Literatura, Alemão e Francês em Odessa. Ainda como estudante, iniciou por acaso sua atividade contra o czarismo.

No verão europeu de 1896, cerca de 30 mil trabalhadores se rebelaram em São Petersburgo. A revolta não fora motivada pela frente de luta pela libertação da classe operária, recém-criada por Lênin e, sim, consequência da fome e da catastrófica situação social. Impressionado com as notícias sobre a greve e munido do idealismo de um jovem de 17 anos, Lev Bronstein fundou a Liga dos Trabalhadores do Sul da Rússia.

Estudantes e alunos escreviam panfletos, conclamações e pequenos textos de formação política para os trabalhadores. O serviço secreto do czar levou dois anos até descobrir as atividades subversivas da liga e prender o propagandista Bronstein em janeiro de 1898.

Difícil relação com Lênin

Deportado para a Sibéria, ele leu, pela primeira vez, no verão de 1902, um escrito de Lênin intitulado O que fazer?. Bronstein sabia o que tinha de fazer: fugir para o exílio. Escondido sob a palha numa carreta de agricultor, chegou a Irkutsk, onde amigos lhe arranjaram um passaporte falso, mudando seu nome para Leon Trotski – nome de um antigo carcereiro.

Seguiu-se o primeiro encontro com Lênin em outubro de 1902, sem que daí resultasse uma amizade entre os dois. Nos anos seguintes, eles oscilavam entre relações de conveniência e inimizades. Trotski era o mais inteligente e visionário dos dois revolucionários. Presidiu o primeiro soviete de Petrogrado até a derrota da primeira revolução contra a monarquia russa em dezembro de 1905.

Novamente deportado, fugiu da Sibéria em 1907 e passou os anos seguintes no exílio, tendo se refugiado também nos Estados Unidos. Voltou à Rússia em 1917, quando participou ativamente da organização da Revolução de Outubro.

Na noite em que completou 38 anos (7 de novembro), tropas de choque ocuparam estações de trem, pontes, o banco estatal e as principais repartições públicas de Petrogrado. Por volta do meio-dia, Trotski proclamou a destituição do governo, em nome do Comitê Revolucionário Militar.

Inimizade com Stalin

Foi uma revolução sem derramamento de sangue. O terror e a crueldade viriam mais tarde. Trotski tornou-se comissário das Relações Exteriores e assinou a paz com a Alemanha em Brest-Litovsk. Com a nomeação de ex-oficiais czaristas para o Exército Vermelho, provocou a fúria do comissário político superior da décima Armada, Josef Stalin, que passou a lutar sistematicamente contra ele, por meio de intrigas e rumores.

Trotski, por sua vez, culpou Stalin pela derrota da Rússia na guerra contra a Polônia em 1920. A partir de 1923, com o adoecimento de Lênin, organizou a oposição a Stalin. Após a morte de Lênin, em 1924, Stalin concentrou o poder em suas mãos e se vingou de Trotski, expulsando-o do Partido Comunista em 1927 e deportando-o para a Turquia em 1929.

No exílio, Trotski passou por vários países. Na França, foi informado do "suicídio" de sua segunda filha. Seus dois genros foram deportados para a Sibéria e seus quatro netos desapareceram.

Em 1937, chegou ao México, onde foi assassinado dia 20 de agosto de 1940 pelo agente stalinista Ramón del Rio Mercader, que havia conquistado a confiança da família com o pseudônimo Frank Jacson.

No Brasil, a fama de Trotski sofre devido ao sectarismo e dogmatismo de alguns grupos que reivindicam o trotskismo. O pensamento do teórico russo é polêmico e abrange as duas revoluções russas, o colapso da 2ª Internacional, a fundação da 3ª Internacional, as ascensões de Stalin na URSS e de Hitler na Alemanha, bem como a Revolução Espanhola.

Autoria Jens Teschke (gh)


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1922: Stalin se tornava secretário-geral


No dia 3 de abril de 1922, Josef Stalin foi eleito secretário-geral do Partido Comunista pelo politburo em Moscou.


No início de 1922, Josef Stalin mal era conhecido na Rússia. Já nessa época, ocupava quatro cargos e estava em todos os principais grêmios do Partido Comunista. Vladimir Lenin, líder do governo revolucionário, criticava a lentidão do processo pós-revolucionário e sugeriu ao politburo a escolha de um secretário-geral para coordenar as atividades no partido. Stalin foi candidato único.

Suas responsabilidades no cargo eram mais burocráticas que políticas. Ele tinha que coordenar a organização de todo o aparato partidário. Os conhecidos e destacados bolcheviques da época viam nisso uma tarefa incômoda. Eleito no dia 3 de abril de 1922, Stalin foi incumbido de mediar os interesses entre a liderança do partido e os correligionários. No princípio, ninguém viu nele um concorrente ao poder.

Ambição subestimada

Todos se viam como grandes teóricos e pensadores. Não acreditavam que as ambições de Stalin os afetassem. Ele, entretanto, foi conquistando espaço, pouco a pouco, quase sem ser percebido. Dois meses depois da eleição de Stalin, Lenin sofreu seu primeiro derrame cerebral e o secretário-geral foi incumbido pelo partido de preparar uma nova Constituição, que ligasse mais a Federação das Repúblicas Socialistas a Moscou. O tratamento que deu aos povos não russos era severo. À Geórgia, sua república de origem, ele não permitiu a manutenção de uma identidade própria.

Enfermo, Lenin ouvia apenas as versões passadas por Stalin. Depois de recuperado, entretanto, teve de ouvir as queixas dos habitantes da Geórgia. Até Leon Trotski, organizador e comandante-em-chefe do Exército Vermelho, acusou Stalin de bloquear o trabalho do partido. As dúvidas de Lenin quanto ao secretário-geral começaram a aumentar.

Enquanto se recuperava de um segundo derrame, sugeriu em seu testamento político que os companheiros encontrassem uma maneira de substituir Stalin por alguém mais tolerante, leal, cortês, atencioso e menos genioso.

Tarde demais

Lenin considerava o companheiro político muito perigoso e queria sugerir sua substituição no Congresso do Partido. Isso, entretanto, não chegou a acontecer, pois Lenin não se recuperou do quarto derrame, morrendo em 1924. Enquanto isso, Stalin ascendera para a segunda força política na Rússia, conseguindo eliminar seu principal crítico no partido, Leon Trotski.

Ao completar 50 anos, em 1929, Stalin havia conseguido fazer do cargo de secretário-geral a principal função política na União Soviética. Em 1941, pouco antes da invasão dos alemães, nomeou-se chefe do governo, assumindo oficialmente a liderança política.

Autoria Ralf Geissler (rw)


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1918: Atentado contra Lenin


No dia 30 de agosto de 1918, Vladimir Lenin, líder do Partido Comunista da Rússia, foi gravemente ferido por duas balas, mas sobreviveu.



Desde 7 de novembro de 1917, a Rússia era um país agitado, onde reinava o caos da guerra civil. Após o bem-sucedido golpe de Estado, Vladimir Ilitch Ulianov, apelidado Lenin, estava construindo um sistema ditatorial de governo, sob a liderança dos quadros do partido bolchevista. A oposição era reprimida de maneira radical.

Mas o entusiasmo estava arrefecendo. Além disso, reinava a guerra na Europa e parecia que os alemães iriam vencê-la também no Leste. Em 9 de fevereiro de 1918, foi assinado um tratado de paz entre a Ucrânia e a Alemanha. Aumentou a pressão sobre os bolchevistas, fazendo com que Lev Trotski, como chefe da delegação russa, anunciasse oficialmente a retirada do país da guerra, e interrompesse as negociações de paz, sem fechar um acordo.

Resistência no partido a acordo com a Alemanha

O Alto Comando do Exército alemão ordenou o prosseguimento da marcha militar em direção ao Leste. O novo governo russo, ainda instável, teve que capitular e aceitar as exigências alemãs. O tratado de paz de 3 de março, entre a Rússia e o Império Alemão, foi assinado por Lenin contra uma enorme resistência dentro do partido.

Os comunistas necessitavam de paz externa, a fim de poder impor internamente a sua sangrenta revolução. No dia 17 de julho, então, a família do czar foi eliminada, com a execução, em Lecaterinburgo, de todos os membros da casa real.

Mas apenas seis semanas mais tarde veio o grande choque para a revolução. Lenin, o líder do Partido Comunista da Rússia, tinha acabado de entrar no seu carro, após uma assembleia com os operários de uma fábrica de armamentos. Antes que o motorista pudesse dar a partida, foram disparados três tiros.
Dois deles acertaram o alvo: uma bala atingiu a omoplata esquerda, a segunda alojou-se diretamente no ombro esquerdo do líder. Lenin desmaiou e a polícia revolucionária prendeu imediatamente a suposta autora do atentado: Fanya Kaplan.

Dúvidas quanto à autoria do atentado

A anarquista ucraniana, de 30 anos de idade, havia sido condenada à pena perpétua de trabalhos forçados, em 1906, pelo atentado fracassado contra o governador da província. Ela fora anistiada após a Revolução de 1917. E acusada, pouco depois, dos disparos contra Lenin.

Trecho do protocolo do interrogatório pela polícia secreta, no dia 30 de agosto de 1918, às 23h30: "Eu me chamo Fanya Efimovna Kaplan, este é o nome sob o qual fui registrada como prisioneira do campo de trabalhos forçados de Acatua. Eu disparei hoje contra Lenin. Disparei contra ele por convicção própria. Disparei várias vezes, mas não sei quantas. Não contarei nenhum pormenor em relação à arma. Disparei contra Lenin porque o considero um traidor da Revolução e a sua existência irá destruir a crença no socialismo."

Foi uma declaração misteriosa, que ainda desperta dúvidas quanto ao papel de Kaplan no atentado contra Lenin. Pois ela parece ser apenas uma vítima voluntária. São muito estranhos os indícios que procuravam transformar a revolucionária numa assassina.

Não houve nenhuma testemunha que a tivesse visto realmente fazer os disparos. No ano de 1906, ela havia perdido inteiramente a visão, recuperando-a parcialmente seis anos depois. Mas era extremamente míope e, por isto, pouco adequada como assassina.

Dossiê médico trouxe a prova

Nas investigações feitas por Yurovski – o assassino do czar – no local do atentado contra Lenin, foram encontradas quatro cápsulas de bala, apesar de todas as testemunhas terem ouvido apenas três disparos. Também suscita desconfiança o fato de que Fanya Kaplan tenha confessado tão prontamente sua suposta culpa.

Prova cabal da sua inocência parece ser um dossiê médico do ano de 1922, quando foi retirada finalmente a bala do ombro de Lênin. Com toda certeza, o projétil não foi disparado de um revólver Browning, como o que a polícia secreta teria encontrado na bolsa de Fanya Kaplan e afirmava ser a arma do crime.

Assim, um outro boato foi espalhado desde então. O verdadeiro autor do atentado de 30 de agosto de 1918 contra Lenin teria sido um homem chamado Protopopov, chefe de uma unidade da Tcheka – a organização predecessora do serviço secreto KGB – e que estaria decepcionado com a revolução. Também ele teria sido preso no local do crime e executado no mesmo dia. Kaplan deveria acobertá-lo e, não sabendo da sua prisão, teria "confessado" o crime.
Lenin


A Tcheka também fez processo sumário contra Kaplan. No dia 4 de setembro, ela foi executada por Pavel Malkov numa garagem. Cumprindo ordens superiores, seus restos mortais foram eliminados sem deixar vestígios.

Posteriormente, no terror da era de Stalin, bastava alguém ter o sobrenome Kaplan para que vivesse sob constante ameaça de morte. E ouvia sempre a mesma pergunta: "É parente da Kaplan?"
De qualquer forma, o dia 30 de agosto de 1918 ofereceu ao líder dos bolchevistas um pretexto bem-vindo para radicalizar ainda mais a caça a todos os seus adversários. Começou então o "terror vermelho". As vítimas foram principalmente os integrantes do Partido Social Revolucionário, que tinha obtido nas eleições um resultado muito melhor do que o Partido Comunista.Lev Trotski descreveu assim a situação daquele momento: "Curiosamente, a revolução não foi estabilizada através de uma curta fase de tranqüilidade, mas sim através da ameaça do atentado".


Autoria Jens Teschke (am)


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1917: Lênin retorna à Rússia


Em 16 de abril de 1917, Lênin chega de trem à Rússia, depois de obter licença para atravessar o território alemão. Em guerra com a Rússia, os alemães queriam desestabilizar o governo russo e apressar a assinatura da paz.



A mobilização de cerca de 13 milhões de soldados e os gastos durante a Primeira Guerra Mundial causaram uma grave crise econômica e social na Rússia. Enquanto 1,5 milhão de soldados morriam nas frentes de batalha por falta de equipamentos, alimentos e vestuário, a fome chegava às grandes cidades e gerava greves. A paralisação dos operários de Petrogrado (atual São Petersburgo), por exemplo, mobilizou cerca de 200 mil trabalhadores.

No final de fevereiro (março, no calendário ocidental), o czar Nicolau II foi derrubado e a monarquia substituída pela república parlamentar. Nessa época, formaram-se os sovietes. Eram assembléias de operários, camponeses e soldados, influenciados pela ala radical, que mais tarde originaria o Partido Comunista.

O governo provisório, de 17 de março a 15 de maio, não conseguiu debelar a crise interna e insistiu na continuação da guerra contra a Alemanha. Enquanto isso, crescia a força de Vladimir Iliitch Ulianov, conhecido como Lênin, exilado na Suíça. Ele encarava a Primeira Guerra Mundial como uma luta entre os imperialismos rivais pela partilha do mundo e desejava fazer da guerra entre nações uma guerra entre classes.

Longa parada em Berlim

Com a permissão do governo alemão para atravessar a Alemanha de trem, Lênin voltou à Rússia em abril de 1917. No dia 11, porém, seu trem passou 20 horas estacionado em Berlim. Especula-se que para contatos e negociações de representantes do Ministério alemão do Exterior com Lênin. Registros do ministério revelam que também se falou em dinheiro: 40 milhões de goldmark, a moeda alemã utilizada na época para transações financeiras. Os revolucionários prosseguiram viagem pela Suécia e pela Finlândia, chegando a Petrogrado no dia 16 de abril de 1917.

Nas suas famosas "Teses de Abril", Lênin pregou a saída da Rússia da guerra, o fortalecimento dos sovietes e o confisco das grandes propriedades rurais, com a distribuição das terras aos camponeses. O novo governo, porém, insistia na participação da Rússia na guerra e por isso perdia apoio popular.
Avisado de que seria acusado pelo governo de ser um agente a serviço da Alemanha, Lênin fugiu para a Finlândia. Em Petrogrado, os bolcheviques enfrentavam uma imprensa hostil e a opinião pública, que os acusava de traição ao exército e de organização de um golpe de Estado. Em 20 de julho, o general Lavr Kornilov tentou implantar uma ditadura militar, através de um fracassado golpe de Estado. Da Finlândia, Lênin começou a preparar uma rebelião armada.

Revolução de Outubro

A segunda revolução russa de 1917, a de Outubro (6 a 8 de novembro), marcou o triunfo definitivo do marxismo-leninismo na Rússia. Sob o comando de Lênin e Leon Trotski (1879-1940), igualmente importante no movimento, o Partido Social Democrata da Rússia tomou o poder. Lênin foi eleito pelo partido novo chefe de governo e foi constituído um Conselho de Comissários do Povo.
Trotski fundou o Exército Vermelho, vencedor da guerra civil que assolaria o país nos quatro anos seguintes, contra os contra-revolucionários, liderados pelos czaristas. O novo governo nacionalizou bancos, minas, ferrovias, as grandes propriedades rurais e as indústrias, estabeleceu a ditadura do proletariado, transferiu a capital para Moscou (12 de março de 1918) e inaugurou a política do dito "comunismo de guerra".

Após a adoção do calendário oficial, assinou um armistício com a Alemanha, conhecido como Paz de Brest-Litovsk, em 3 de maio de 1918. O tratado trazia enormes desvantagens para a Rússia, com as perdas territoriais da Finlândia, Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia e Ucrânia, além de pagar uma pesada indenização em ouro e trigo à Alemanha.

Naquele ano, após tentativas de obter asilo em outros países, inclusive na Inglaterra, onde os soberanos eram seus primos, o último czar, Nicolau Romanov, a imperatriz Alexandra e seus filhos foram fuzilados por ordem do governo soviético.


1918: Atentado contra Lenin 

Autoria rw


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domingo, 16 de abril de 2017

"numa sociedade capitalista, somos todos capitalistas, porém, há aqueles que compreendem que o capitalismo não necessariamente conduza ao lucro exorbitante a partir da exploração do trabalho alheio e que, portanto, a humanidade é mais valiosa do que o lucro financeiro"

( Ricardo Pozzo )
Não costumo falar de religião aqui no Facebook, mas nessa semana presenciei um diálogo inusitado na mesa ao lado à minha no almoço. Dizia um dos rapazes: "as pessoas interpretam mal o Diabo, ele é um cara bom". Fiquei atento aos argumentos. "Os bandidos não merecem morrer?", indagava aos colegas, que balançavam suas cabeças positivamente. "Então, o que precisa ser feito com o bandido depois da morte?". Pausou por alguns instantes para que os demais refletissem, e concluiu: "o Diabo apenas tortura essas pessoas ruins, enquanto Deus recebe as pessoas boas. Cada um faz seu papel". Bom, claro que política e religião se confundem: a ideia do justiçamento ou a tortura se tornaram desejáveis para as pessoas como forma de "punir os maus", na vida e, nesse caso, até mesmo na eternidade. Claro que não há nada mais contraditório à trajetória atribuída ao Jesus Cristo do que essa sociedade da intolerância e violência. Por isso, em tempos sombrios como o que vivemos, quem começa a se tornar referência é, de fato, o Diabo.

ACBM

A Odebrecht doou dinheiro à campanha da Dilma, mas também doou ao Aécio

A Odebrecht doou dinheiro à campanha da Dilma, mas também doou ao Aécio e, até mesmo, ao Everaldo (R$ 6 milhões, conforme a delação do executivo Fernando Reis, para que o pastor ajudasse o candidato tucano nos debates). O que faz, no entanto, somente as doações ao PT serem corrupção e as demais caixa 2? O próprio Marcelo Odebrecht disse em sua delação que os dirigentes do PT nunca lhe pediram propina para campanhas diretamente. Ou seja, em nenhum momento condicionaram a adoção de uma política de governo ou a realização de um negócio do poder público com sua empresa ao pagamento de um determinado valor. Segundo o empresário, havia apenas uma "expectativa" de alguns dirigentes do partido em receber doações eleitorais quando a empresa se beneficiava com algumas medidas do governo, o que, convenhamos, é algo bem vago. Por exemplo, o Marcelo Odebrecht diz que disponibilizou R$ 50 milhões para as campanhas do PT, a pedido do Palocci, logo após o governo aprovar as desonerações fiscais a dezenas de ramos da indústria, incluindo o petroquímico, beneficiando a Braskem. A desoneração, no entanto, não foi à Braskem, como denuncia a Veja, Isto É e os demais panfletos da direita, mas à milhares de empresas de vários ramos. Independente se a Odebrecht doasse dinheiro às campanhas do PT ou não, a política seria adotada pelo governo Dilma da mesma forma (concordemos ou não com o seu conteúdo). Assim, se me incomoda muito ver que alguns dirigentes do PT se relacionaram com os Odebrecht e outros empresários como parceiros de confiança - até porque estavam integrados ao seu sistema de financiamento eleitoral -, me revolta assistir ao espetáculo que a Lava Jato tem feito para transformar a relação promiscua entre o público e o privado em um defeito exclusivo do PT. Permitiu-se que a Odebrecht doasse centenas de milhões para as campanhas eleitorais, durante anos e anos, dentro da lei e sob a aprovação dos tribunais eleitorais e de contas, e agora vão condenar o PT por fazer parte do jogo? Permitiu-se que fossem gastos R$ 5,1 bilhões na campanha de 2014, agora querem condenar o PT e seus dirigentes por ousar disputar as eleições com os mesmos métodos de arrecadação utilizados fartamente pelos demais partidos? Vejam, não se trata de tolerar enriquecimento ilícito, através de propina, de um dirigente ou outro, mas de recusar a tese seletiva de que os recursos empresariais arrecadados pelo PT são sujos, quando a prática era legal. Farei uma batalha enorme dentro do PT para que o partido supere essa ilusão na conciliação de classe, que tanto cegou nossos dirigentes, e se torne ilegal, de uma vez por todas, o financiamento empresarial nas eleições. Mas, não há como aceitar a punição criminal seletiva do PT e de seus dirigentes por uma degeneração inerente ao sistema eleitoral e que vigorou como prática legal até 2014. Se essa for a decisão do judiciário, será uma evidente ação política.

ACBM
O filósofo Alain Badiou, 80, disse em entrevista à Folha que a atual situação geopolítica é semelhante a que antecedeu a Primeira Guerra Mundial. "Para ele, a eleição de Donald Trump, nos EUA, é um caso patológico, enquanto o presidente Vladimir Putin, da Rússia, busca vingança pelo desmonte da União Soviética e leva seu país ao mesmo papel da Alemanha em 1914."

sábado, 15 de abril de 2017

O QUERERES


Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alta, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão
Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês
Ah! bruta flor do querer
Ah! bruta flor, bruta flor
Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói
Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és
Ah! bruta flor do querer
Ah! bruta flor, bruta flor
Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock'n roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus
O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há e do que não há em mim.
*
Caetano Veloso

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