domingo, 6 de março de 2016

1951: Revisado Estatuto de Ocupação da Alemanha


No dia 6 de março de 1951, foi revisado o Estatuto de Ocupação, imposto à República Federal da Alemanha pelos três Aliados ocidentais.

Posse de Adenauer em 1949

Depois do final da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha derrotada foi ocupada pelos Aliados. Enquanto o Leste alemão passou ao controle da então União Soviética, a parte ocidental foi dividida pela Grã-Bretanha, França e Estados Unidos. Depois de 1945, aconteceu nestas zonas de ocupação ocidentais um renascimento em todos os setores da vida alemã, principalmente o político e econômico.

Os principais líderes políticos eram Konrad Adenauer, da União Democrata Cristã, e Kurt Schumacher, do Partido Social Democrata. Konrad Adenauer havia sido prefeito de Colônia entre 1917 e 1933, quando foi deposto pelos nazistas. Depois da guerra, as forças de ocupação lhe devolveram o cargo.

Acordo de paz

Em 1945, os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a União Soviética promoveram uma conferência em Potsdam, em que acertaram a composição de um conselho (com a participação também da França e da China), para preparar o acordo de paz com os aliados da Alemanha na Segunda Guerra.

Este conselho foi incumbido de resolver problemas territoriais e a questão alemã, além da desmilitarização no território alemão, a desnazificação e o julgamento dos criminosos de guerra. Apesar da divisão em zonas, do ponto de vista econômico a Alemanha deveria ser vista como um todo.

Entre as tarefas do conselho, estavam o pagamento das reparações por danos à União Soviética e as medidas para trazer ao país os alemães que viviam na Polônia, na então Tchecoslováquia e na Hungria.
Passo a passo, a busca pela soberania

Adenauer tomou posse como o primeiro chefe de governo da Alemanha Ocidental em 1949. Em outubro do mesmo ano, foi fundada a República Democrática Alemã, de regime comunista. O temor do chefe de governo alemão-ocidental era uma aproximação entre a França e a União Soviética.

Por isso, suas primeiras medidas concentraram-se na busca de uma sólida aliança com as nações ocidentais, a fim de reconquistar a confiança dos Aliados e assim, passo a passo, a soberania alemã.

Em setembro de 1949, havia entrado em vigor o Estatuto da Ocupação. Nele, as potências aliadas ocidentais regulamentaram a nova situação no país. Os Estados Unidos, Grã-Bretanha e França concediam soberania limitada à Alemanha Ocidental, mas continuavam controlando os armamentos, o comércio exterior e a segurança das forças de ocupação.

Os aliados ocidentais se reservaram o direito de retomar o poder em caso de não-cumprimento dos compromissos internacionais e de ameaças à ordem democrática e à segurança da Alemanha Ocidental. Numa carta dirigida aos altos comissários dos Aliados em 1º de março de 1951, Adenauer abriu caminho para a concessão de mais soberania à jovem república.

Criação do Ministério do Exterior

Na carta aprovada pelo gabinete de governo e pelo Parlamento (Bundestag), o chefe de governo reconheceu a dívida externa alemã. Seguiu-se então a revisão do Estatuto de Ocupação, que havia entrado em vigor em setembro de 1949.

Na revisão, os Aliados admitiram plenos poderes à Alemanha em questões de comércio exterior e economia monetária e uma autonomia limitada na política externa. Em consequência, foram permitidas a recriação do Ministério do Exterior e a retomada das relações diplomáticas com países não-comunistas.

Em março de 1951, o chanceler Konrad Adenauer assumiu o cargo de Ministro do Exterior. O Estatuto de Ocupação foi cancelado pelos Aliados em 1955, depois da assinatura dos Tratados de Paris, em que a Alemanha Ocidental tornou-se um país soberano. Em junho de 1955, Adenauer transmitiria a pasta do Exterior a Heinrich von Brentano.

 (rw)



aleteia

uma boa tradução de "aleteia" é desesquecimento; o desvelar do que estava encobrido (ou encoberto, se você for chatão); é o oposto do conceito de verdade como "adequatio" - que é a "verdade" no sentido de correção, que a ciência usa; em termos filosóficos "o correto nem sempre é o verdadeiro"; falando nisso, a aleteia - pensando cá na leitura que o heidegger faz - está ligada a um outro conceito, a tal da "maiêutica" do platão, mas vista por uma perspectiva pré socrática. porque falo isso? bem, porque a tal da aleteia é meu tema de estudo, a poética. e porque desconfio que esse povo da pf deve ter feito direito - que usam os terminhos conceituais porque são bonitinhos e com uma propriedade indevida - eita raça (conheço um pessoal do direito que é foda, mas, a maioria formada nas uniesquinas da vida, são sofríveis).

William Teca

Biografia de Karl Marx

Homem de Ciência e Lutador Socialista
“…Assim como Darwin descobriu a lei do desenvolvimento da natureza orgânica, Marx descobriu a lei do desenvolvimento da natureza humana [...] Marx descobriu também a lei específica que move o atual modo de produção capitalista e a sociedade burguesa criada por ele”. Mas ele não se contentava com os estudos,com as brilhantes conclusões a que chegava como resultado de suas investigações. O que considerava a verdadeira missão de sua vida? “…Marx era, acima de tudo, um revolucionário. Cooperar para a derrubada da sociedade capitalista, contribuir para a emancipação do proletariado. A luta era seu elemento.” (Engels, discurso no túmulo de Marx em 17/3/1883).
O interesse pelo estudo, pela pesquisa, para entender os fenômenos em sua essência e não apenas em sua aparência, acompanhou desde a mais tenra idade Karl Einrich Marx, que nasceu em Treves (Prússia, Alemanha) no dia 5 de maio de1818. O pai, Einrich Marx e a mãe, Henriqueta Pressburg eram de origem judaica. Os primeiros estudos foram no Liceude Treves, mas ele não se limitava aos ensinamentos da escola. Freqüentava a casa de Ludwig de Westafalen, funcionário do governo prussiano e homem de vasta cultura. Outro fator também atraía o garoto: uma bela menina, Jenny, filha do sábio amigo e também muito interessada em beber na fonte do conhecimento. Com ela, Marx casar-se-ia aos 26 anos e viveria a vida inteira.
Em 1835, foi para a Universidade de Bonn mas logo se transferiu para a de Berlim,“centro de toda cultura e de toda a verdade”, como a classificava o filósofo Hegel. Foi nela que depois de muito estudo, muita reflexão, se tornou um jovem hegeliano. Marx dedicou-se ao estudo da filosofia, do direito, da história, da geografia e expressava essa ânsia de saber nas cartas ao pai e em poesias.
Abandonou cedo os estudos de Direito para aprofundar os conhecimentos filosóficos e obteve o título de doutor em1841. Tentou uma vaga de livre docente,mas as universidades prussianas não simpatizavam com livres pensadores.
A oportunidade de trabalho surgiu quando um grupo de liberais da Renânia fundou um jornal, a Gazeta Renana e convidou os jovens hegelianos para a redação. Constatou então que para escrever sobre questões da atualidade, como as teorias do socialismo francês e as questões agrárias da Renânia, não bastava o saber filosófico, tornando-se necessário estudar a fundo a Economia Política e o Socialismo.
Os estudos da economia política e do socialismo levaram Marx a romper com a visão hegeliana e aderir ao comunismo. Em outubro de 1843, morando em Paris com Jenny, com quem se casara em setembro daquele ano, escreveu em Anais Franco-alemães, publicação que dirigiu: “…O sistema de lucro e do comércio, da propriedade privada e da exploração do homem, acarreta no seio da sociedade atual, um dilaceramento que o antigo sistema é incapaz de curar porque ele não cria nem cura, mas apenas existe e goza”.
Anais Franco-alemães publicou um trabalho intitulado Esboço de uma Crítica da Economia Política, que Max classificou de genial. Era de autoria de Friedrich Engels, que por sua vez acompanhava com admiração os escritos de Marx. Os dois se encontraram em Paris em setembro de 1844, ocasião em que nasceu uma amizade e uma parceria ímpares e fundamentais para a elaboração da teoria do socialismo científico (Sobre Engels,veja A Verdade nº 47).
Até ser expulso da França em 1845, a pedido do governo prussiano, Marx conviveu com os operários, conheceu seus movimentos, os socialistas utópicos e teóricos como Proudhon, com quem estabeleceu uma polêmica.
Proudhon escreveu A Filosofia da Miséria, obra em que criticava os utópicos, que pretendiam construir uma nova ordem social “sobre os sentimentos paradisíacos de fraternidade, de amor, de abnegação”. Propunha ação concreta, mediante a criação de grupos de produção autônomos, que trocariam entre si os produtos criados por eles, prescindindo da moeda e estabelecendo relações de cooperação e solidariedade. As atividades seriam organizadas de acordo com as necessidades da Comunidade .
Marx respondeu em A Miséria da Filosofia que Proudhon não compreendeu que as relações sociais entre os homens estão estreitamente ligadas às forças produtivas. No capitalismo, à medida que a burguesia se desenvolve, surge um novo proletariado; uma luta é travada entre a classe proletária e a burguesia, dado o caráter contraditório do sistema, pois as mesmas condições nas quais se produz a riqueza se produz a miséria. A única solução justa, diz Marx, porque provém da situação real, é organizar a classe oprimida para tornar a luta consciente. No decorrer dessas lutas é que nascerá a nova sociedade; aliás, ressalta, isso só poderá se suceder quando as forças produtivas tiverem atingido elevado grau de desenvolvimento.
O Manifesto Comunista e a organização do proletariado
Expulso de Paris, Marx foi para Bruxelas, onde ingressou na Liga dos Comunistas, organização dos operários alemães imigrados, à qual já pertencia Engels. A Liga definiu seus princípios e atribuiu a Marx e Engels a tarefa de dar-lhes forma e fundamentação teórica. Nasceu o Manifesto do Partido Comunista publicado em 1848, que se tornou a bíblia do movimento operário revolucionário. O Manifesto trata de três temas essenciais:
1- a história do desenvolvimento da burguesia. Sua obra positiva e negativa;
2- a luta de classe e o papel do proletariado;
3- a ação revolucionária dos comunistas.
Mal é editado o Manifesto Comunista, eclode a revolução de 1848, que destrona a monarquia reinstalada na França pela burguesia, e se espalha por toda a Europa. Marx foi imediatamente preso e expulso de Bruxelas. Engels conseguiu se engajar no movimento revolucionário e participou de várias batalhas. Com a derrota, deixou o país. Ambos foram viver na Inglaterra, Marx em Londres e Engels em Manchester, mas comunicavam-se diariamente e voltaram a ser vizinhos 20 anos depois. Nesse período Marx se dedicou à elaboração de O Capital, sua principal obra, e aos contatos com o movimento operário.
A idéia surgiu da correspondência entre militantes operários da Inglaterra e da França e em setembro de 1864 se fundou a Associação Internacional de Trabalhadores. A mensagem inaugural, redigida por Marx, destaca a necessidade de uma ação econômica e política da classe operária em favor da transformação da sociedade. Marx dedicou-se á Internacional de 1865 a 1871, ano em que ela foi dissolvida, graças à ação dos anarquistas seguidores de Michael Bakunine (ativista russo).
Pai doce, terno e indulgente
Foi a Internacional que levou o jovem militante Paul Lafargue a conhecer Marx, de quem se tornou discípulo, amigo, admirador e genro, pois se casou com Laura, uma de suas três filhas (O casal Marx/Jenny teve seis filhos – quatro meninas e dois meninos-, dos quais só três meninas sobreviveram [Jenny, Laura e Eleanor]).
É Lafargue quem detalha aspectos da vida pessoal de Marx, destacando sua energia incansável para os estudos e para a ação. Seu cérebro não parava e durante as caminhadas que faziam no final da tarde, discorria sobre questões relativas ao capital, obra que estava elaborando na época e da qual só redigiu o I Volume, tendo Engels escrito os dois seguintes, a partir das anotações que o amigo deixou.
Quando cansava do trabalho científico, lia romances, dramaturgia, conhecia de cor as obras de Shakespeare ou álgebra (chegou a escrever um trabalho sobre cálculo infinitesimal). Os domingos eram reservados para as filhas, uma exigência delas. “Pai doce, terno e indulgente, não dava ordens, pedia as coisas por obséquio, persuadia-as a não fazer aquilo que contrariasse seus desejos. E como era obedecido! As filhas não o chamavam de pai e sim de ‘mouro’, apelido que lhe deram por causa de sua cor mate, de sua barba e dos cabelos negros”.
O proletariado tomou o céu de assalto
Em fins de 1870, o proletariado francês voltava a efervescer e uma insurreição se anunciava. O Conselho Geral da Associação Internacional dos Trabalhadores avaliou que não havia amadurecimento das condições objetivas para assegurar o poder da classe operária e implantar o socialismo e emitiu resolução redigida por Marx, apelando para que “… utilizem, tranqüilamente e com energia, os meios que lhes oferecerem as liberdades republicanas a fim de poderem efetivar a organização de sua própria classe. Isso lhes proporcionará forças novas e gigantescas para a renascença da França e a realização da tarefa comum: a libertação do proletariado”.
Mas os operários parisienses não deram ouvidos; cansados da política antidemocrática, humilhados, no dia 18 de março de 1871 tomaram o poder e instalaram a Comuna de Paris, anunciando as primeiras medidas de construção de uma sociedade socialista. A duração foi efêmera, mas rica de experiências que Marx consolidaria na sua obra A Guerra Civil na França.
A Internacional deu todo o apoio possível ao proletariado francês em luta, tanto durante a guerra, como depois, protegendo os exilados e denunciando ao mundo a cruel repressão que a burguesia desencadeou sobre os operários parisienses e suas famílias.
Os últimos anos
Foram de sofrimento, com as doenças que lhe atingiram e à mulher, Jenny, que faleceu no dia 2 de dezembro de1881. Ao tomar conhecimento do fato, Engels comentou: “O mouro morreu também”. E não se enganava. Já debilitado, com problemas pulmonares , no dia 14 de março de 1883, o genial pensador faleceu repentinamente enquanto repousava numa cadeira em seu aposento de trabalho.
No sepultamento, sem cerimonial, como era seu desejo, junto à esposa, colaboradora e companheira de toda a vida, Engels discursou: “… É praticamente impossível calcular o que o proletariado militante da Europa e da América e a ciência histórica perderam com a morte deste homem…”
Legado e atualidade do marxismo
“Os filósofos buscam interpretar o mundo, enquanto nós queremos transforma-lo”, assim diferenciava Marx o materialismo histórico e dialético da filosofia clássica e mesmo da hegeliana. E o marxismo tem sido, de fato, guia para ação dos movimentos revolucionários dos trabalhadores em todo o mundo.
Apressada, a burguesia comemorou a derrocada dos regimes ditos socialistas da URSS e do leste europeu no final dos anos 80 e início da década de 90 e chegou a propalar o “fim da história”, deixando de observar que a tragédia se deu exatamente porque os dirigentes, atraídos pelo canto de sereia burguês, se desviaram do marxismo que norteou a Revolução Bolchevique de 1917, dirigida por Lênin, um genial discípulo de Marx.
Mas não demorou e o champanhe foi substituído por lágrimas, em decorrência dos conflitos que se sucederam nos quatro cantos do mundo e atingiram o centro do imperialismo.
Ao contrário, a evolução do capitalismo só tem comprovado as teses marxistas e seu caráter científico.
Globalização: por que a surpresa?
Nas suas jogadas de marketing, os teóricos da burguesia e seus meios de comunicação apresentaram a chamada “globalização” como algo novo, avassalador, que suplantaria qualquer resistência e bloquearia qualquer tentativa de transformação social. Ora, o capitalismo tem caráter mundial desde o seu surgimento: o que foram as grandes navegações? A colonização? É de sua essência, como afirmou o Manifesto Comunista, no ano de 1848: “… Pela exploração do mercado mundial, a burguesia imprime um caráter cosmopolita à produção e ao consumo em todos os países.”
Os fatos recentes comprovam também que quanto mais se desenvolve, mais o capitalismo “forja as armas que o levarão à morte”. A produtividade é cada vez maior, mas o avanço tecnológico que a possibilita produz um exército permanente de desempregados e comprime os salários dos que permanecem na ativa, reduzindo assustadoramente o número de consumidores. Por isso, as crises se repetem em ciclos cada vez menores e atingem tanto a periferia como os países centrais. Seu declínio e a vitória do proletariado são, portanto, inevitáveis.
Essa vitória não é automática, entretanto. Ela carece da ação do proletariado consciente e organizado enquanto classe “para si”, tendo à frente os comunistas, “parcela mais decidida e avançada dos partidos operários de cada país” e que têm uma visão internacionalista, capaz de fomentar a união mundial dos oprimidos, realizando a conclamação com que Marx e Engels concluíram o manifesto: “Proletários de todos os países,uni-vos”.
Através dos séculos
Para finalizar essa tarefa hercúlea, falar sobre Marx em uma página queda a minha pena, incapaz de expressar algo diferente ou que se aproxime, pelo menos, do que proferiu Engels ante o túmulo em que foi depositado o corpo do grande pensador e herói do proletariado: “…o homem mais odiado e caluniado pela burguesia morreu venerado e querido, chorado por milhões de trabalhadores da causa revolucionária. Seu nome viverá através dos séculos e, com ele, sua obra”.


Luiz Alves Biografia de Karl Marx,

DEFINICIONES

La televisión, fabrica de tontos/ Amor de madre, el más sincero /El odio, un veneno/ El chisme, ejercicio infame/ Defecar, una satisfacción gratuita/ Prostitución, oficio más antiguo /Políticos y banqueros, la octava plaga/ La risa, remedio gratis/ La envidia, cáncer del cerebro y fabrica de ulceras/ Amor de mujer, un privilegio que suele durar instantes sublimes/ El matrimonio, una rutina/ Vivir, un privilegio/ Dormir, una pérdida de tiempo imprescindible/ Neuronas, células infatigables en mentes alertas, muy escasas en cerebros estúpidos/ Oxigeno, cuando le pongan precio es el remedio para acabar con los pobres/ Un moco, objeto pegajoso en la nariz difícil de soltar con los dedos/ La mentira, culpa que debía merecer cadena perpetua/ Amistad, concepto sagrado/ La mosca, insecto persistente/La estatura del hombre se mide de la cabeza al cielo/ Un camello, un caballo con espalda duplicada/ El vicio de jugar, alimento de los tahúres, además de laboratorio de falsas ilusiones/ Las guerras, invención diabólica de las multinacionales de armas/ Retrato de anciano, desilusión / Un catarro, ganas de morirte/ El cáncer, una traición a la vida/Nacer feo, una obligación de destacarte/ Un implante de seno o de culo, falsificaciones de la naturaleza/ Genios, los únicos autorizados a ser autosuficientes/ Mujer bella con inteligencia, un bingo en la lotería/ Adán y Eva, el primer divorcio/ Nerón, un tocador de arpa que se inspiraba con el fuego/ La Gioconda, auto retrato de un travesti/ Un multimillonario, la suma de cien mil pobres/ Suegras, categoría de mujer mas vilipendiada/ Poemas de Bécquer, la mejor receta para enamorar/ David no venció a Goliat, su derrota fue provocada porque el gigante descubrió en medio del duelo que era el momento de salir del closet/ Saturno no tiene anillos, son aretes regalados por el Sol/ Napoleón no era un maniático con su pose de la mano cruzada en el pecho, era rascándose las ladillas en el pecho/Perdonar no es un Don, es una debilidad/Amar es un triunfo de los sentidos/ Los críticos de arte y literatura son artistas fracasados/ La risa, remedio infalible contra la tristeza/Pensar duele pero es preferible a ser estúpido/ Una caricia, expresión de la ternura/ Chaplin, Einstein y Mozart habrían merecido no morir jamás/ El vuelo del moscardón de Korsakov es algo semejante en música al mini relato de Monterroso sobre el dinosaurio./ El caballo de Atila es mas famoso en la historia que su dueño, invento el plaguicida mas eficaz contra la yerba/ Prefiero a un malvado inteligente que a un estúpido/ Catalina la Grande paso a la historia no por su reinado si no porque padecía fuego uterino/ La muerte es una prostituta que ataca por la espalda/ Amar siempre será preferible a odiar.

Jose Miguel  Garofalo

Derechos de autor registrados en Facebook -José Miguel Garofalo 6/marzo/2016

Espelho

‎ 
Mi alma incorrecto
Lleno de miseria y el dolor
La tristeza negro adornado
Mármol paredes
Flash de Nervi a través Damare
Mi estómago está lleno de saturación
Viejas heridas Neizleci
Un nuevo yo más cambios
La pasión que desgasta fijada
Cuando tenía que crece
Envenena mi estrella brillante
Las heridas que no cicatrizan
Me duele todo el cuerpo es frágil
Quiero extraer el aire
Al caer la noche para ser blanco
Para detener el sufrimiento

Svetlan Lazarevic

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Vamos pesquisar as genealogias políticas das personalidades públicas da lava jato durante a operação coercitiva "ilegal" contra o Ex-Presidente Lula no aeroporto de Congonhas. A hereditariedade político-ideológica é uma das principais características das mentalidades conservadoras de direita e seletivas dos operadores da lava jato, muitos são filhos dos velhos sistemas tradicionais anti-modernidade. O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima é filho do deputado estadual da ARENA Osvaldo dos Santos Lima, promotor, vice-prefeito em Apucarana e presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, em 1973, no auge da ditadura, quando as pessoas não podiam votar e nem debater livremente. O avô foi Luiz dos Santos Lima, comerciante e juiz em São Mateus do Sul na época do coronelismo local. A partir daí encontramos esta família na Genealogia Paranaense (V1, 543 e V4, 437) situada nas oligarquias da Lapa entre latifundiários escravistas, família aparentada ao Barão dos Campos Gerais e outros membros da classe dominante tradicional desta região. A Lapa já forneceu Flavio Suplicy de Lacerda, ministro da educação autoritário na ditadura militar e Ney Braga. Esta gente sempre teve participação na reprodução do poder arcaico e desigual do Brasil. A atual prefeita da Lapa é Leila Klenk, a primeira mulher a assumir o cargo, eleita pelo PT.

Ricardo Costa de Oliveira

PT - KEYNESIANO. NUNCA MARXISTA!


É comum vermos pessoas associarem o PT ao socialismo científico de Karl Marx, o que é um engano. Nos últimos dias, após os escândalos da política nacional ligada ao ex presidente Lula, vemos com facilidade memes circulando na internet, satirizando a situação e comparando o PT ao Comunismo. O caso é que o PT não tem nada de Comunismo. O PT nunca seguiu um modelo econômico marxista, mas sim keynesiano. Vamos ver o porquê:
"O keynesianismo é uma teoria econômica do começo do século XX, baseada nas ideias do economista inglês John Maynard Keynes, que defendia a ação do estado na economia com o objetivo atingir o pleno emprego.
Os conceitos da política macroeconômica keynesiana não só foram usados nos principais países capitalistas ao longo do século XX, como foram também um dos expoentes da política econômica da extrema direita brasileira que governou o país no regime militar. Os resultado da megalomania governista dos keynesianos do regime militar, no entanto, todos conhecem: Duas décadas de inflação e estagnação.
Principais características do Keynesianismo:
- Defesa da intervenção estatal na economia, principalmente em áreas onde a iniciativa privada não tem capacidade ou não deseja atuar.
- Defesa de ações políticas voltadas para o protecionismo econômico.
- Contra o liberalismo econômico.
- Defesa de medidas econômicas estatais que visem à garantia do pleno emprego. Este seria alcançado com o equilíbrio entre demanda e capacidade de produção.
- O Estado tem um papel fundamental de estimular as economias em momentos de crise e recessão econômica.
- A intervenção do Estado deve ser feita através do cumprimento de uma política fiscal para que não haja crescimento e descontrole da inflação.
Vale ressaltar que Keynes era contrário à estatização da economia, como havia ocorrido nos países socialistas após a Revolução Russa de 1917. Ele defendia o sistema capitalista, porém acreditava que deveria haver ações e medidas de controle por parte do Estado.

O keynesianismo foi usado na História, principalmente durante as crises que ocorreram no século XX. Nos Estados Unidos, por exemplo, foi a doutrina econômica que deu suporte ao plano New Deal do presidente Roosevelt, voltado para tirar a economia norte-americana da profunda crise provocada pela Quebra da Bolsa de Valores de 1929 (Grande Depressão).
Os países europeus, cujas economias estavam estraçalhadas no final da Segunda Guerra Mundial, também recorreram aos fundamentos do keynesianismo para tirar suas economias da crise. Nesta situação era de fundamental importância à interferência do Estado, como fonte de promoção do desenvolvimento econômico e social."

 Igor ‎Fuser

Mía



Rubén Darío

Mía: así te llamas.
¿Qué más harmonía*?
Mía: luz del día,
Mía: rosas, llamas.

¡Qué aroma derramas
en el alma mía
si sé que me amas,
¡oh Mía!, ¡oh Mía!

Tu sexo fundiste
con mi sexo fuerte,
fundiendo dos bronces.

Yo triste, tú triste...
¿No has de ser entonces
mía hasta la muerte?
* La palabra "harmonia" escrita con "h" por el autor en el texto original.
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Biblioteca Digital Ciudad Seva

sábado, 5 de março de 2016

ESTADO POLICIAL E DEMOCRACIA


Por Cézar Britto - Ex-presidente nacional da OAB

Quando os advogados me deram a honra de presidir a OAB, eu acusei de Estado Policial a prática de fazer da prisão uma etapa novelesca a ilustrar os noticiários milicianos. Era o tempo em que o mundo, inspirado no General Bush, afirmava que o direito de defesa atrapalhava. A advocacia reagiu a este perverso raciocínio policialesco, mesmo quando não nutria respeito para com o investigado. É que aprendemos, logo cedo, que o medo de desagradar as autoridades ou parecer impopular perante a opinião publicada pode deter o advogado em seu diário mister.
A filosofa alemã Hannah Arendt, enfrentando a opinião consolidada de sua época, denunciou ao mundo a banalização da violência. A mesma banalização que estamos a enfrentar nos difíceis tempos que hoje vivemos. A banalização na prisão é a nova palavra de ordem, aplaudida pelos mesmos burocratas que ficaram felizes com a ascensão de Hitler, Mussolini, Salazar, Franco, Médice e tantos outros que desprezam a liberdade, o devido processo legal e a presunção da inocência.
Não se pode confundir acórdão com autógrafo, tampouco elevar o holofote à fonte de direito. O Estado Policial, que parecia revogado com a promulgação da Constituição de 1988, não pode voltar. A questão não é se gostarmos ou não do acusado, mas, sobretudo, se gostamos da democracia.


domingo, 28 de fevereiro de 2016

"Dispomos da afirmação que o poder não se dá nem se retoma, mas se exerce, só existe em ação, como também da afirmação que o poder não é principalmente manutenção e reprodução da relações econômicas, mas acima de tudo de uma relação de força. Questão: se o poder se exerce, o que é este exercício, em que consiste, qual é a sua mecânica?"Michel Foucault (Microfísica do poder)

Machado de Assis era Brasileiro. Uma genealogia brasileira.


Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908), escritor carioca, brasileiro, universal. Machado de Assis é reconhecido pela crítica como um dos cinco maiores nomes da literatura portuguesa em toda a sua história. Foi fundador e Presidente da Academia Brasileira de Letras.

A melhor obra "machadiana" para fins genealógicos é o trabalho de Gondin da Fonseca, Machado de Assis e o Hipopótamo, 6ªed, 1974.

Joaquim Maria Machado de Assis (MA) foi batizado na Capela de Nossa Senhora do Livramento (Santa Rita L8, 167) aos 13 de novembro de 1839, nascido aos 21 de junho do mesmo ano. Filho legítimo de Francisco José de Assis e de Maria Leopoldina Machado de Assis. Foram padrinhos o Viador Joaquim Alberto de Souza da Silveira e Dona Maria José de Mendonça Barroso, senhores da Quinta do Livramento, genro e nora entre si, como veremos depois.

O pai de Machado de Assis, Francisco José de Assis era pintor e dourador.Sabia ler e escrever e possuía certa cultura, como se depreende de uma assinatura sua do Almanaque Laemmert. Foi batizado aos onze dias de outubro de 1806 na Catedral, Santíssimo Sacramento (L3A, 330). Era filho de Francisco de Assis, pardo forro e de Inácia Maria Rosa, parda forra. Foi padrinho o Reverendo Antonio de Azevedo e Protetora Nossa Senhora das Dores. Muitos biógrafos de MA indicam o Padre Antonio de Azevedo como avô de Francisco José de Assis. O Padre Antonio de Azevedo era natural da Ilha do
Faial, Açores.

Casou o pai de Machado de Assis (MA), Francisco José de Assis, com Maria Leopoldina aos dezenove dias de agosto de 1838 na Capela do Livramento (Santa Rita, L4, 42). Maria Leopoldina era natural da freguesia de São Sebastião da Ponta Delgada, Ilha de São Miguel, Açores, filha de Estevão José Machado e de Ana Rosa. Foram testemunhas o Comendador Baltazar Rangel de Souza e Azevedo Coutinho e o Alferes Joaquim José de Mendonça. A mãe de MA foi indicada por alguns biógrafos como lavadeira e certamente era de origens humildes, mas sabia ler e asinava com bela caligrafia.

Machado de Assis só teve uma irmã, Maria, batizada no Livramento em outubro de 1841. Foram padrinhos o Brigadeiro, Senador e Ministro Bento Barroso Pereira e D. Maria José de Souza Silveira, novos senhores do Livramento. (Santa Rita, L8, 243v.244). Maria faleceu em 4/7/1845. A madrinha de MA D. Maria José de Mendonça faleceu em 11/10/1845, com 75 anos, viúva do Senador Bento Barroso Pereira. A mãe de MA faleceu em 18/1/1849.

Os avós paternos de MA casaram na Igreja do Santíssimo (L2, 97). Francisco José de Assis, pardo forro, filho natural, desobrigado na freguesia de Santa Rita, de Benedita Maria da Piedade, escrava que foi de D. Maria Teresa dos Santos, com Inácia Maria Rosa, forra, filha natural de Rosa, preta, escravas do Padre José Pereira dos Santos. Foram testemunhas o Reverendo Chantre Filipe Pinto da Cunha e Souza e o Tenente Coronel Francisco Cláudio Pinto da Cunha e Souza. Presente também o Padre Antonio de Azevedo, o suposto pai do noivo, o que levou o matrimônio para outra freguesia e a sua desobrigação da
Igreja de Santa Rita.

As origens da família paterna de MA encontram-se nos segundos proprietários do Livramento. Manuel Pinto da Cunha e Sousa casou com Maria Teresa dos Santos em 1737. Eram os senhores do Morro do Livramento, extensa propriedade que ia desde a orla do Valongo até quase o Campo de Santana, depois Campo da República. Todo o Morro pertencia à Quinta do Livramento.

Manuel Pinto da Cunha faleceu por volta de 1771. Eram os senhores de Benedita Maria da Piedade, escrava negra, bisavó de MA. José Pereira dos Santos, eclesiástico, provavelmente irmão ou parente próximo de Maria Teresa dos Santos, era o senhor de Rosa, outra bisavó de MA.

O Livramento e os seus senhores

A chácara do Livramento foi criada pelo português José Caieiro da Silva. Instituiu a Capela dedicada a Nossa Senhora do Livramento. O primeiro dono faleceu em 15/8/1736. A propriedade foi comprada por Manoel Pinto da Cunha, que legou a chácara a dois de seus filhos. A 10 de fevereiro de 1827, Ana Teresa faz a doação do Livramento, em escritura, para Bento Barroso Pereira em 10/2/1827. A escritura afirma que Bento administrara os bens e os resgatara das dificuldades e das dívidas deixadas pelo irmão dela, o Brigadeiro Francisco Cláudio Pinto da Cunha e Sousa, falecido em 1822. A doadora ficaria em usufruto na propriedade e o Brigadeiro Bento continuaria a morar em sua companhia na dita Quinta. Deu o valor da Quinta em 24 contos. O imóvel deveria valer muito mais. D. Ana Teresa faleceu seis meses depois, aos 19/9/1827.

Manuel Pinto da Cunha e Sousa e Maria Teresa dos Santos foram os pais de Ana Teresa Angélica da Cunha e Sousa, senhora solteira, que herdou a propriedade do Livramento após a morte de seu irmão, o Tenente Coronel Francisco Cláudio, falecido em 1822. Nesta parte entra em cena o Brigadeiro Bento Barroso Pereira, que freqüenta o círculo das pessoas da chácara do Livramento, ganha a confiança, ajuda D. Ana Teresa Angélica a administrar a propriedade e paga as dívidas dela. Bento Barroso Pereira receberia em doação boa parte do Livramento em 19/2/1827, como agradecimento pela convivência e pelo pagamento das dívidas da Quinta. Bento Barroso Pereira casou na Capela do Livramento um ano antes com a viúva Maria José Mendonça, nascida em Portugal, batizada na freguesia de São Vitor, Braga, aos 9/3/1773. Foi exposta e seu padrinho foi o Cônego João Cardoso de Mendonça Figueira. Era filha natural de Manuel Cardoso de Mendonça Figueira de Azevedo. Em 6/3/1802, por procuração passada na Cidade do Porto, Igreja de Santo Ildefonso, Maria José Alexandrina Cardoso de Mendonça Figueira de Azevedo casou com um primo, Joaquim José de Mendonça Cardoso, Desembargador Intendente do Ouro no Brasil, falecido no Rio de Janeiro em 17/10/1807. Joaquim José de Mendonça Cardoso era filho natural de
Maria Clara, batizado em 15/10/1766 na freguesia de São Martinho de Anta, Concelho de Sabrosa, Porto. Maria Clara era natural de São João Batista, Vila de Moimenta da Beira, Bispado de Lamego, filha de Domingos de Aguiar e de Clara dos Santos. Seria Joaquim José de Mendonça Cardoso, primeiro marido de Maria José Mendonça, filho do Cônego Joaquim José de Mendonça Cardoso ? No ato do casamento é que Maria José revelou o nome do pai dela, a mãe nunca foi revelada. Eram pessoas riquíssimas em Portugal e no Brasil. Maria José teve dois filhos do seu primeiro enlace, nascidos em Portugal e que vieram depois também para o Livramento: O Alferes Joaquim José de Mendonça e Antonia Margarida de Mendonça Figueira de Azevedo, casada com Joaquim Alberto de Sousa da Silveira.

Foram padrinhos de MA D. Maria José Mendonça e seu genro o Sargento-Mor Joaquim Alberto de Sousa da Silveira, também parentes entre si em Portugal em grau recuado. Também seriam ambo considerados parentes distantes de D. Ana Teresa Angélica da Cunha e Sousa (300). O Livramento seria uma rede de parentesco ? Temos que verificar empiricamente a afirmação com outras pesquisas.

O Sargento-Mor Joaquim Alberto de Sousa da Silveira e D. Antonia Margarida tiveram uma única filha, batizada com o mesmo nome da avó materna (Maria José de Mendonça, a madrinha de MA), nascida em Pati do Alferes, Maria José de Mendonça da Silveira. Casou com Jorge Firmo Loureiro, adido à legação de Portugal. D. Maria José de Mendonça da Silveira era Dama de Honra da Imperatriz do Brasil.

Como referimos antes, D. Maria José Mendonça, viúva com 53 anos, casou na Capela do Livramento (Santana L1, 120v.) aos 25/11/1826 com o Brigadeiro Bento Barrosos Pereira, com 41 anos. Dona Ana Teresa Angélica da Cunha e Sousa foi testemunha junto com o Sargento-Mor Pedro Francisco Guerreiro
Drago.

O Brigadeiro Bento Barroso Pereira faleceu em 9/2/1837, em Niterói. Sem filhos do seu casamento, como seria presumível em função da idade de sua mulher D. Maria José de Mendonça Barrosos e que também faleceria em 1845. O Alferes Joaquim José de Mendonça faleceu em 1847, em estado de demência. A única herdeira foi Maria José de Mendonça Silveira, a filha de Joaquim Alberto de Sousa da Silveira, o padrinho de MA. A herdeira seria representada no inventário pelo seu marido Jorge Firmo Loureiro. Houve um litígio com D. Maria Paula (ver a seguir) e a herança do Alferes Joaquim José de Mendonça, com problemas mentais, que somou 18:734. 493

D. Maria José de Mendonça da Silveira voltou a casar em 6/10/1866 na Capela do Livramento com João Antonio Martins Tinoco. Do primeiro casamento teve a filha Carolina da Silveira Loureiro, que casou e morreu em Braga. Do segundo casamento em Braga, Portugal, também teve geração conhecida.

Um dos irmãos de Bento Barroso Pereira era Joaquim Barroso Pereira, que casou em 1831 com Maria Paula Rangel de Sousa Coutinho Azevedo, filha do Capitão Baltazar Rangel de Sousa Coutinho Azevedo e D. Antonia Joaquina Duque Estrada Furtado de Mendonça. D. Maria Paula teve longa vida, nasceu no Rio de Janeiro em 10/5/1797 e faleceu em 27/6/1893, com 96 anos. Foi a cunhada e sucessora no Livramento de D. Maria José Mendonça. Teve dois filhos: Antonio Barroso Pereira e Bento Barrosos Pereira. MA "sempre a amou".  Maria Paula foi a testamenteira de D. Maria José de Mendonça em 1845. Como vimos antes, no casamento na Capela do Livramento dos pais de MA, Francisco José com Maria Leopoldina, foram testemunhas Baltazar Rangel de Sousa Coutinho Azevedo, pai de Maria Paula Rangel e Joaquim José de Mendonça, filho de Maria José Mendonça e que ficou demente (louco), legando para sua mãe a renda do ofício de Escrivão das Execuções do Sabará.

A família da mãe de Machado de Assis

Maria Leopoldina Machado da Câmara, a mãe de MA, foi batizada em 7/3/1812, freguesia de São Sebastião de Ponta Delgada, Ilha de São Miguel dos Açores. Faleceu no Rio de Janeiro em 18/1/1849. Filha de Estevão José e de Ana Rosa, casados em 9 de junho de 1809. Estevão José era natural da Vila do Porto, Ilha de Santa Maria, freguesia de Nossa Senhora da Assunção, nascido em 16 de março de 1790, a princípio foi declarado filho de pais incógnitos e exposto nas Casas da Câmara. Depois seus pais, João Pedro e Francisca Rosa, regularizaram a situação, quando casaram em 9/7/1796 na freguesia de Nossa Senhora da Purificação, Candeias, da Ilha de Santa Maria. João Pedro, bisavô de MA era filho de João Machado e de Helena Rosa.

Ana Rosa, avó materna de MA, era viúva de Antonio da Câmara, que "não foi sepultado por cair no mar donde nunca saiu". O nome Câmara e o nome Leopoldina da mãe de MA devem ter sido inventados para fins de prestígio talvez. "O nome heráldico Maria Leopoldina Machado da Câmara deve ter sido criação artística de D. Maria José de Mendonça Barroso, protetora da moça" (Gondin da Fonseca, 286). Ela nasceu em 7/3/1812, na freguesia de Nossa Senhora da Ajuda, lugar Bretanha. Filha de Sebastião Arruda Cordeiro, batizado na mesma freguesia da Bretanha em 18/11/1743 e de Maria da Estrela. Ana Rosa era neta paterna de Julião Cordeiro e de Maria de Viveiros e neta materna de Antonio Tavares e de Maria do Nascimento. Julião Cordeiro era filho de Manuel Cordeiro Benevides e de Margarida de Viveiros. Maria de Viveiros era filha de Pedro Arruda e de Francisca de Viveiros (38).

Casa Grande e Senzala no Livramento

O Livramento era uma típica estrutura social brasileira no estilo da Casa Grande e Senzala. Formava uma comunidade senhorial e patriarcal, mesmo estando dentro da Cidade do Rio de Janeiro e sendo comandada por mulheres bondosas e de vidas familiares também sofridas. Era uma pequena comunidade escravista com as suas hierarquias e divisões. Havia várias camadas. O proprietário ou a proprietária principal (no caso mais as “matriarcas”), os senhores, os agregados superiores, os agregados, os trabalhadores e os escravos na base da pequena comunidade. Havia a Capela do Livramento, havia também a Casa Grande, que na verdade era um amplo palacete, contrastando com outras casas dos agregados e com as senzalas Havia o trabalho agrícola, as plantações, a fruticultura e as hortas nas atividades vinculadas ao abastecimento da Cidade do Rio de Janeiro. Integração social e conflito coexistiam. A comunidade do Livramento atravessaria quase todo século XIX e os seus vínculos durariam ao longo do tempo.

Os pais de Machado de Assis podiam ser considerados agregados em posição intermediária. Eram respeitados e inclusive batizaram filhos de escravos do Livramento. O maior capital social que dispunham era a cultura acima da média e a sua capacidade de escrever e ler. Isto faria a diferença para a formação inicial do jovem Machado de Assis. O resto seria com o próprio escritor e o ambiente progressista e modernizante em várias esferas sociais e econômicas do Rio de Janeiro na virada do XIX para o XX.

Passemos a palavra para um comentarista estrangeiro, o francês Jean Michel Massa (A Juventude de Machado de Assis: 1971, 55):

"Foi entre essa família patriarcal, um pouco voltada sobre si mesma, que Machado de Assis passou os seus primeiros anos. Cresceu no meio de um grupo social particular, que é uma espécie de gens, unida por uma sólida argamassa. O chefe era uma velha dama, no crepúsculo de sua vida, que conheceu uma existência bastante agitada, Maria José de Mendonça, filha natural, casada em segundas núpcias, rica, muito rica mesmo. Ali existia uma hierarquia implícita que todos aceitavam. Ela se exercia sem violência, até mesmo com certa benevolência, porque se excetuarmos a idade da proprietária, nada ameaçava as bases do edifício. Os anos 1840-1850 assistiram ao apogeu do sistema patriarcal; para alguns foram os seus últimos clarões. As classes existiam nesta sociedade como em todas as épocas e em todos os lugares, mas não se tinha ainda nitidamente consciência das diferenças. O sistema era equilibrado e compensado por um certo tipo de vida afetiva, muito brasileiro, de respeito e submissão”.

Ricardo Costa de Oliveira

12/5/2005

Cuando mi error y tu vileza veo



De amor, puesto antes en sujeto indigno, es enmienda blasonar del arrepentimiento
Cuando mi error y tu vileza veo,
contemplo, Silvio, de mi amor errado,
cuán grave es la malicia del pecado,
cuán violenta la fuerza de un deseo.

A mi misma memoria apenas creo 
que pudiese caber en mi cuidado
la última línea de lo despreciado,
el término final de un mal empleo.

Yo bien quisiera, cuando llego a verte,
viendo mi infame amor poder negarlo; 
mas luego la razón justa me advierte

que sólo me remedia en publicarlo;
porque del gran delito de quererte
sólo es bastante pena confesarlo.

 Sor Juana Inés de la Cruz




Biblioteca Digital Ciudad Seva

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Não te rendas, ainda é tempo
De se ter objetivos e começar de novo,
Aceitar tuas sombras,
Enterrar teus medos
Soltar o lastro,
Retomar o vôo.


Não te rendas que a vida é isso,
Continuar a viagem,
Perseguir teus sonhos,
Destravar o tempo,
Correr os escombros
E destapar o céu.

Não te rendas, por favor, não cedas,
Ainda que o frio queime,
Ainda que o medo morda,
Ainda que o sol se esconda,
E o vento se cale,
Ainda existe fogo na tua alma.
Ainda existe vida nos teus sonhos.

Porque a vida é tua e teu também o desejo
Porque o tens querido e porque eu te quero
Porque existe o vinho e o amor, é certo.
Porque não existem feridas que o tempo não cure.

Abrir as portas,
Tirar as trancas,
Abandonar as muralhas que te protegeram,

Viver a vida e aceitar o desafio,
Recuperar o sorriso,
Ensaiar um canto,
Baixar a guarda e estender as mãos
Abrir as asas
E tentar de novo
Celebrar a vida e se apossar dos céus.

Não te rendas, por favor, não cedas,
Ainda que o frio te queime,
Ainda que o medo te morda,
Ainda que o sol ponha e se cale o vento,
Ainda existe fogo na tua alma,
Ainda existe vida nos teus sonhos
Porque cada dia é um novo começo,
Porque esta é a hora e o melhor momento
Porque não estás sozinho, porque eu te amo


(Mario Benedetti)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

repercussão da ação intitulada “Provocações Cotidianas”

Diante da repercussão da ação intitulada “Provocações Cotidianas” que fez parte do projeto desenvolvido no Colégio Estadual Castro Alves que aborda a dimensão das relações de gênero e sexualidade, que foi criticada duramente pela “Psicóloga Cristã” e ex-canditada a deputada federal Marisa Lobo nas redes sociais, gostaríamos de fazer alguns esclarecimentos sobre as relações de gênero na educação.

A produção do conhecimento deve ser um instrumento na busca pelo avanço de uma sociedade livre de preconceitos e de todas as formas de violência. A escola deve debater as relações de gênero, na perspectiva de que o ser humano deve ser ensinado a respeitar todas as pessoas, a partir da garantia da igualdade de direitos entre homens e mulheres, de combate à violência doméstica, pelo direito à vida das mulheres que são vítimas do Feminicídio (nova qualificação ao homicídio, a partir da Lei 13.104/2015) e da população LGBT, vítimas da homofobia.

É papel social da escola e do ensino, criar e estimular mentes criativas, críticas e questionadoras, como processo contínuo de formação, fundamentado em texto constitucional:
Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.
Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;
III - pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;

Reafirmamos que o ambiente escolar deve ser espaço de análise, debate e formação, com base nas Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos, que definem, entre outros fundamentos:
Art. 3º A Educação em Direitos Humanos, com a finalidade de promover a educação para a mudança e a transformação social, fundamenta-se nos seguintes princípios: I - Dignidade humana; II - Igualdade de direitos; III - Reconhecimento e valorização das diferenças e das diversidades; IV - Laicidade do Estado; V - Democracia na educação; VI - Transversalidade, vivência e globalidade; e VII - Sustentabilidade socioambiental. RESOLUÇÃO Nº 1, DE 30 DE MAIO DE 2012.

Com base na Nota Técnica nº 24/2015 da Coordenação Geral de Diretos Humanos, da Diretoria de Políticas de Educação em Direitos Humanos e Cidadania, da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação, o MEC, os conceitos de gênero e de orientação sexual são conceitos científicos, construídos em bases acadêmicas. O que este campo de pesquisa aponta é que o processo de construção de práticas e representações de gênero e sexualidade ocorre em diferentes espaços sociais: na família, na comunidade, no trabalho e, também, na escola.

O projeto desenvolvido no Colégio Estadual Castro Alves teve como objetivo conscientizar nossos estudantes para a o combate ao preconceito, a discriminação e pela cultura do RESPEITO, sempre pautados na Declaração de Direitos Humanos, na Constituição Federal, na Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional e orientações da Secretaria de Estado da Educação.

A repercussão, os comentários e o posicionamento de algumas pessoas diante do desenvolvimento deste projeto, demonstra que o preconceito, a discriminação e a violência contra o “diferente” ainda fazem parte de nossa sociedade, o que torna a reflexão gerada por este projeto extremamente pertinente em nosso contexto histórico atual.

Parabéns aos professores, alunos e alunas envolvidos/as.

A Direção

Colégio Estadual Castro Alves

"Versão final da carta de repúdio produzida pelo coletivo dos professores reunidos no Colégio Yvone Pimental, Setor Portão


Curitiba, 24 de fevereiro de 2016.
Nós professores reunidos no Colégio Yvone Pimentel, a propósito dos trabalhos da Semana Pedagógica 2016, temos a considerar:
1 – Com relação à forma e à metodologia de trabalho adotada pela SEED para dinamizar o debate sobre a BNCC, as julgamos inadequadas e pouco democráticas. A proposição da SEED contou com os seguintes problemas: • Desorganização; responsabilização das escolas para realizar e providenciar subsídios materiais, obrigações que, a rigor, são atribuições próprias da mantenedora e seus respectivos quadros profissionais. • Ausência de orientações acerca do objeto a ser debatido e suas respectivas implicações. Esta condição, a nosso ver, é intencional e expressa mais uma tentativa de dar uma aparência de democracia às deliberações futuras, realizadas em outros âmbitos (governamental, acadêmico e privado) cujos resultados, os/as trabalhadores/as da educação não têm acesso e espaço de intervenção.
2 – Avaliamos como positiva a reunião de vários profissionais em fóruns de discussão como agora realizado. A ampliação do debate é necessária e atende aos requerimentos e sugestões de organizações educacionais e seus sujeitos. Porém, todo debate para ser considerado democrático requer qualificação, e isto não se faz apenas com “número de pessoas”. Desta forma, a positividade mencionada ficou diluída, pois, conforme enunciado no item anterior, os debates de hoje sofreram com as limitações e ausências de elementos necessários ao seu aprofundamento e à tomada de posição.
3 – Em se tratando do debate curricular nacional (BNCC), denunciamos a toda a sociedade paranaense que, embora os veículos de comunicação, por intermédio do CONSED e outros órgãos, afirmem que estes foram amplos e legítimos. Nós trabalhadores/as da educação, afirmamos que o processo que resultou no Documento Base foi pouco transparente. Boa parte das discussões hora utilizadas como legitimadoras do Documento Base de deu por via digital, de forma unilateral, sem permitir a expressão de contradições. Outra característica da formulação do documento é sua metodologia academicista, já que o texto base foi escrito por “especialistas” que em sua maioria não dominam os problemas e contextos das escolas públicas de Educação Básica em seus diversos níveis e modalidades.
4 – Sobre o Documento Base da BNCC e a respectiva legislação que o fundamenta, afirmamos que há uma série de problemas conceituais. Os conceitos ali propostos, conforme entendemos, estão implicitamente inseridos na lógica neoliberal e neoliberalizante que, no plano prático traduz-se em situações como: militarização e terceirização de escolas, precarização e perda da identidade do trabalho dos/as profissionais da educação, entre outras. É fundamental que, tanto nos textos legais, como nos documentos curriculares nacionais, se explicitem os conceitos de área, disciplina, componente curricular, transdiciplinaridade, interdisciplinaridade e transversalidade. Mais do que preciosismo linguístico estas especificações traduzem-se em diferenças de organização do trabalho pedagógico e consequentemente na qualidade da educação pública.
5 – Por fim, tornamos público que o Governo do Paraná por intermédio da SEED, sistematicamente desconsidera o acúmulo de discussões e os produtos das lutas históricas dos/as trabalhadores/as da educação paranaense. Exemplo disso, são as proposições de programas educacionais e de cursos de formação (como o que se realiza hoje) como se a educação paranaense não tivesse um documento orientador. Lembramos que as DCEs PR, embora seja documento aberto a mudanças e aprimoramentos, reflete um logo processo de discussão democrática, coletiva e, acima de tudo, qualificada.
Coletivo dos Professores de Ciências Humanas e parte do Coletivo de Agentes Educacionais das Escolas do Setor Portão de Curitiba."


Valéria Arias

HÁ UMA HORA CERTA, HÁ UMA HORA CERTA.


Há uma hora, há uma hora certa
que um milhão de pessoas está a sair para a rua.
Há uma hora, desde as sete e meia horas da manhã
que um milhão de pessoas está a sair para a rua.
Estamos no ano da graça de 1946
em Lisboa, a sair para, o meio da rua.
Saímos? Mas sim, saímos!
Saímos: seres usuais, gente gente! olhos, narinas, bocas,
gente feliz, gente infeliz, um banqueiro, alfaiates, telefonistas,
varinas, caixeiros desempregados,
uns com os outros, uns dentro dos outros
tossicando, sorrindo, abrindo os sobretudos, descendo aos
mictórios para apanhar eléctricos,
gente atrasada em relação ao barco para o Barreiro
que afinal ainda lá estava apitando estridentemente,
gente de luto, normalmente silenciosa
mas obrigada a falar ao vizinho da frente
na plataforma veloz do eléctrico, em marcha,
gente jovial a acompanhar enterros
e uma mãe triste a aceitar dois bolos para a sua menina.
Há uma hora, isto: Lisboa e muito mais.
Humanidade cordial, em suma,
com todas as consequências disso mesmo
e a sair a sair para o meio da rua. (...)"

— Mário Cesariny

Gracias, vientre leal



Mario Benedetti

"A nadie", le había dicho el Colorado, "a nadie, ni siquiera a tu mujer. ¿Estamos?" Y él había contestado: "Estamos". "Ni el menor indicio, ¿eh? Bastante caro hemos pagado ya esos y otros liberalismos. Y la acción de mañana es particularmente riesgosa. Aun extremando las medidas de seguridad, vos y Alfredo van a correr mucho peligro. Eso lo sabés, ¿verdad?" "Está bien, está bien", había dicho él. El Colorado había resoplado antes de concretar: "Bueno, a las siete te recogerá Alfredo en Durazno y Convención".

Ahora Marta le servía lo que ella denominaba "costillitas de cerdo a la riojana, versión libre". Siempre, para bromear, le ponía un papelito sobre el plato con el menú del día. Ñoquis a la romana. Escalope a la viena. Crême parmentière. Y así por el estilo. Esto de "a la riojana" le había quedado de cierta vez que fueron a Buenos Aires y a él le había gustado aquella combinación. Era la época en que todavía podían ir de compras cada tres meses, y de paso veían cine, teatro, exposiciones. A ellos, que en Montevideo vivían rodeados de padres, suegros, tíos, primos, sobrinos, aquellas escapadas les servían como una puesta al día de su mejor intimidad. Se sentían más unidos, más pareja, caminando del brazo por Corrientes que en su propia casa donde había ojos en todos los rincones y en todos los retratos. Pero hacía tiempo que esas "lunas de miel" se habían acabado. Ahora había que hacer milagros con la plata.

-¿Te llamó tu madre? -preguntó Marta.

-Sí. Veinte minutos. De un tirón.

-¿Qué quería?

-Lo de siempre: compasión. Pobre vieja. Cómo se mira el ombligo. El mundo puede venirse abajo, pero para ella no hay nada más importante que el almacenero que le cobró de más y le pesó de menos.

-¿Sabés lo que pasa? Es bravo llegar a los setenta, y estar sola, y no haber hecho otra cosa que pensar en sí misma. Además, a esa edad, ¿vas a pretender cambiarla?

-Ni se me ocurre. Apenas si alguna vez le digo: "Vieja, ¿por qué no lees los diarios? Así a lo mejor te enteras de que la gente muere de hambre en el Nordeste brasileño, de los niños que en Vietnam son quemados diariamente con napalm, y también de los botijas que aquí en tu país, no han probado jamás leche. Enterate de todo eso y vas a ver cómo mañana vas corriendo a darle un besito al almacenero que, con toda humildad, apenas si te afanó treinta pesos".

Cuando iba por la mitad de la última frase, se fijó de pronto en lo linda que estaba Marta esta noche. No venía nadie, y sin embargo se había puesto el vestidito azul. O sea que era para él, nada más que por él. Simultáneamente con la comprobación de lo bien que le quedaba el vestido, le vinieron unas tremendas ganas de quitárselo. Pero se contuvo.

-Que linda estás hoy.

-¿Hoy nomás?

Ese juego de frases era casi una tradición entre ellos. Tenían varias series de esos dialoguitos automáticos. A veces funcionaban bien y provocaban otros dialoguitos, esto sí improvisados. Otras veces, en cambio, sonaban a rutina. Dependía de tantas cosas: del estado de ánimo de uno, o de los dos; de la buena o mala digestión; de la noticia desalentadora en la radio; hasta de la niebla, la lluvia o el sol, que podía registrase en la ventana del living.

-Vos en cambio estás feo.

-El hombre es como el oso, ¿no?

-Sí, cuanto más feo más espantoso.

En realidad, la variante era de él, pero ella se había reído mucho cuando él la había incorporado al folklore doméstico.

-¿Te pido algo? No limpies la cocina esta noche. Dejala para mañana.

-¿Vos me ayudás mañana?

Él vaciló, y ella se dio cuenta.

-Ah, no me ayudás.

-Mira, no voy a ayudarte mañana, porque tengo que salir temprano. Pero igual te pido que no limpies la cocina esta noche.

-Bueno, el argumento no es muy convincente.

-¿Y la mirada?

-La mirada sí.

-¿Entonces no limpiás?

-Entonces no limpio.

Todo estaba implícito. Ocho años de matrimonio, ocho buenos años de matrimonio, crean rutinas, claro, pero también crean entrelíneas, claves, contraseñas. "No tenemos que dejar que nos aplaste la costumbre", decía él a menudo. "Siempre hay que crear, siempre hay que inventar." "¿Y yo te empujo mucho a la costumbre?", preguntaba Marta. "No, en absoluto. Porque no alcanza con que invente un solo integrante de la pareja; no alcanza con que se renueve uno solo. Algunas noches vos me hacés una caricia nueva, una caricia inédita, y fíjate qué curioso, esa caricia nueva también sirve para revitalizar las viejas caricias, como si las contagiara de su novedad."

-Vení. Quiero quitarte yo el vestido.

-¿Qué pasa, amor?

-Nada. Sólo que quiero quitarte yo el vestido. Ya que es tan lindo.

Marta se enfrentó a él, alegre y sorprendida, como dispuesta a iniciar un juego del que aún no había captado totalmente el sentido.

-Quite, pues.

Él descorrió lentamente los cierres, desabotonó lo que había que desabotonar, y luego presionó hacia abajo. El vestido azul quedó arrollado a los pies de Marta. Ella iba a recogerlo, pero él dijo: "Después" "Se va a arrugar." "No importa." La hizo girar frente a sí, le desprendió el sostén.

-Realmente estás mucho más linda que cuando nos casamos.

-Pero, ¡qué pasa, amor?

-Eso es lo que quería confirmar. Ya lo he confirmado. Ahora vení.

-¿No se piensa desvestir, compañero?

-¿Lo crees necesario?

-Absolutamente.

"A nadie", había dicho el Colorado, "ni siquiera a tu mujer". Quizá por eso, él sentía oscuramente que en ese acto de amor iba a haber una trampa. Pero estaba resuelto a trampear. Estaba resuelto, aun en el instante de empezar a recorrer morosamente el cuerpo de Marta. Sus manos estaban esa noche como nuevas. Su tacto tenía hoy una increíble sensibilidad, todo lo captaba, todo lo excitaba, todo lo enamoraba. Le pareció incluso que sus manos se habían vuelto repentinamente memoriosas, ya que al acariciar un pecho, o un trozo de cintura, o un muslo, recobraba con sorpresa sensaciones muy anteriores, es decir, volvía a sentir (junto con el tacto nuevo) un recuperado tacto antiguo.

Marta advirtió que ésta era una noche excepcional. No sabía la razón. Pero dejó para averiguarlo luego. No era ésta una noche para estar pasiva, dejándose amar y punto. Era una noche para amar ella también activamente, entre otras cosas, porque se sentía invadida por un deseo tierno, fuera de serie. Él le susurraba: "Linda, tierna, buena", y ella sentía que efectivamente lo era, en ese instante al menos. Por su parte, ella no decía nada. Le gustaba que él le dijera cosas, pero ella callaba. Sólo sus ojos y sus manos hablaban. Y eso bastaba. Mientras los ojos y las manos de Marta hablaran, a él no le importaba que no hubieran palabras. Las palabras la ponía él. Siempre había alguna nueva, y la palabra nueva era como una nueva caricia, y también enriquecía las palabras de siempre.

Sólo en un instante, cuando él sintió que se conmovía casi hasta el llanto, ella abrió desmesuradamente los ojos, suspendió todo ritmo y murmuró en su oído: "¿Qué hay?" Él balbuceó promesas, pidió perdones, juró amor, pero todo en un lenguaje cifrado que ella no alcanzó a comprender. Allí el deseo reclamó sus derechos, y también esa duda quedó para después.

Quedaron fatigados, satisfechos, unidos. Él pasó el brazo bajo el cuello de Marta, y permanecieron en silencio, los dos fumando.

-Hacía mucho que... -empezó él.

-¿Verdad que sí? ¿Por qué será? Después de todo somos los mismos hoy que la semana pasada.

-Quién sabe.

-Estoy contenta, ¿sabés?

-¿De qué? ¿De que el país ande como el diablo?

-No. Estoy contenta porque nosotros andamos bien. Lo del país me amarga, claro. Pero te confieso que todavía no soy lo suficientemente generosa como para anteponer el destino del país al destino nuestro.

-¿No te parece que el destino del país nos incluye a nosotros?

-Sí, claro.

-¿Y entonces?

-Ya te dije que no soy lo suficientemente generosa.

-No es cierto.

-Bueno, a veces soy generosa casi por egoísmo. Con vos, por ejemplo. ¿Cómo no ser generosa con vos? Pero eso también es egoísmo.

-Todo mezclado, como dice Guillén.

-Pero estoy contenta. ¿Y vos?

-También.

-Estoy contenta porque intuyo que todo lo nuestro va a ir cada día mejor. Y a corto plazo.

-Ojalá Dios mejore de su sordera.

-¿Y eso?

-Es mi modo de decir que Dios te oiga.

Ella sonrió por entre el humo.

-Decime: ¿pensás seguir militando?

-Sí.

-¿Lo crees realmente necesario?

-Sí, Marta, lo creo. Sobre todo para mí, para nosotros.

-A veces tengo miedo. Todo se está complicando tanto. No sé si vale la pena el sacrificio.

-Siempre vale la pena.

-Ese miedo es la única nube a la vista. Ya han caído tantos. ¿Puedo pedirte algo?

-Claro.

-No asumas riesgos mayores.

-No hay riesgos mayores y riesgos menores. Hay riesgos. Punto. Y a ésos no pienso sacarles el cuerpo.

-Vos bien sabés a qué me refiero. No podría soportar que te pasara algo.

-No me va a pasar nada.

-Ya sé. Ya sé. Pero...

-¿Vos me querrías si supieras que le escapo a los riesgos, que me acobardo y flaqueo?

-No sé. No creas que es tan simple. A lo mejor mi cabeza te haría reproches, pero creo que mi vientre te querría igual. ¿Sabés una cosa? Mi cabeza puede atenerse a principios, y hasta asumir compromisos. Pero para mi vientre vos sos mi único compromiso. Lo que pasa es que es un vientre leal, ¿no crees?

Él siguió fumando en silencio, conmovido. Ella esperó la respuesta, luego insistió.

-¿Qué? ¿No lo crees?

-Sí, lo creo.

Y la volvió a abrazar. Esta vez sin otra intención de saberla cerca, y sentir de paso la lealtad de aquel vientre.

Se durmieron de a poco, despertándose o semidespertándose sólo para sentirse confortados con la piel del otro, como si el simple tacto los pusiera a salvo de toda desgracia.

Él se despejó por completo diez minutos antes de que sonara el despertador. Durante la noche Marta se había apartado y ahora dormía boca abajo, sin sábana: realmente una gloria. No la tocó siquiera. Se levantó en silencio, fue al baño, se vistió de apuro. La miró una vez más. En un papel garabateó una frase: "Gracias, vientre leal", y lo dejó sobre la cama en desorden.

Salió a la calle y miró el reloj: tenía tiempo justo para encontrarse con Alfredo en Convención y Durazno.

FIN



Biblioteca Digital Ciudad Seva

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Sociólogo que no se haga sentir, no merece llamarse Sociólogo.

Simón Sáez Mérida. (Ven)