sexta-feira, 1 de maio de 2015
Solidariedade aos professores massacrados pela repressão do governo
Paulo Roberto Neves Costa
"Os professores do Departamento de Ciência Política e
Sociologia se solidarizam com a luta dos professores e servidores públicos do
Paraná e repudiam veementemente a forma violenta e antidemocrática como o
Governador do Estado, a Assembléia Legislativa e as autoridades de segurança
lidam com as legítimas demandas e reivindicações dos professores estaduais. O
direito a uma educação pública de qualidade é um direito humano universal ao
qual deve ter acesso toda a população indistintamente. Ao se negar a negociar
com os manifestantes, não atender suas reivindicações, e interditar o acesso a
espaços públicos para os manifestantes, o governo Beto Richa atenta
indiretamente contra esse direito fundamental de toda a população paranaense.
Os professores do DECISO apoiam as reivindicações dos professores e exigem que
sejam reabertos os canais de negociação entre as autoridades públicas e os
manifestantes em greve, visando a tornar transparente para toda a população do
Paraná as razões do conflito bem como encontrar uma solução democrática para a
crise do ensino público no estado."
sábado, 11 de abril de 2015
– Se você é de esquerda, cara, não devia usar smartphone,
facebook e all star, esses símbolos do capitalismo que você combate.
– Ah, é? E você, se é de direita, devia abrir mão do décimo
terceiro, férias, descanso remunerado e todos os direitos trabalhistas que
foram conquistados a duras penas por gerações de trabalhadores, militantes e
sindicalistas de esquerda. E tem mais, o socialismo não é uma negação do
capitalismo, mas uma superação dialética dele, incorporando suas conquistas.
Isto é, o adolescente não precisa voltar a ser criança. Torna-se adulto, sem
negar o aprendizado da infância e da adolescência.
Otto Leopoldo Wink
Trabalhador adestrado
Trabalhador adestrado para consumir não se vê mais como
trabalhador, mas como uma versão perpetuamente imperfeita de um burguês. Daí a
maioria não conseguir nem perceber que quase todos os seus direitos - assim
como de seus filhos, netos e toda sua descendência - estão sendo cassados. Daí
a maioria muito provavelmente até apoiar a anulação da sua própria potência
política.
Eduardo Sterzi
A Marca Humana
"O que é que tem, pensei, daqui a não muito tempo nós
dois vamos morrer; e ali mesmo na varanda eu e Coleman Silk começamos a dançar
foxtrote. Ele conduzia, e eu, na medida do possível, o seguia. Lembrei-me do
dia em que ele entrou no meu escritório abruptamente, depois de acertar o
enterro de Iris, e enlouquecido de ódio e dor me disse que eu teria de escrever
para ele o livro que contaria todos os absurdos inacreditáveis de seu caso,
culminando com o assassinato de sua mulher. Quem o visse então jamais
imaginaria que um dia ele haveria de recuperar o gosto pela insensatez da
existência, que tudo o que nele havia de lúdico e leve não fora destruído e
perdido juntamente com sua carreira, sua reputação e sua mulher fortíssima. E
se nem me ocorreu a possibilidade de rir e deixá-lo dançar sozinho na varanda,
já que era isso o que ele queria, de ficar rindo e me divertindo vendo-o dançar
-- se lhe dei a mão e deixei que ele me arrastasse por aquela varanda com chão
de pedra, foi talvez por tê-lo visto no dia em que o cadáver de Iris ainda
estava quente, porque vira como ele estava naquele dia."
Philip Roth:
KAY RYAN - 2 POEMAS (trad. Caetano Gallindo)
VERNIZ E BÁLSAMO
(...)
Não há unto
que cure
a pele rota
do abandono.
Quem soube
o verniz
e o bálsamo da
simples passagem
de alguém
por suas coisas.
(...)
NATUREZA MORTA COM LIMÕES, LARANJAS E UMA ROSA
(1663) Francisco de Zurbarán
Como mãos
de um gigante
a conspiração
de sombra e
peso espreme
a luz, restando
terra, assombra
-se Zurbarán. Que
tem de então
pintar a contra
-pelo, pois laranjas
grudadas ele
não quer, meladas
num calombo,
como um doce. E
agora a doença
da mulher.
sábado, 4 de abril de 2015
Classe Dominante e Estado no Paraná
Palácio Iguaçu. Sempre podemos
atualizar os nossos livros e pesquisas sobre Genealogia, Classe Dominante e
Estado no Paraná ! Na reunião de quinta já estamos politicamente em 2018 e
2019. Caros, sempre vejam as famílias no poder. Vejam a presença indireta ali
de José Richa, Roberto Requião e Zé Dirceu. O Governo Beto Richa politicamente
em crise se esgotou e neste momento o Deputado Federal João Arruda, coordenador
da bancada paranaense, sobrinho do Senador Requião, genro de Joel Malucelli
(empreiteiro da construção, mídias, hidrelétricas, banco, time de futebol e
primeiro suplente do Senador Álvaro Dias) assume destaque central. O tio
Roberto Requião sempre ganhou as eleições, nos momentos cruciais, com o apoio
dos eleitores de esquerda e do PT. João Arruda pode ser o próximo Governador do
Paraná, com estratégia semelhante e da mesma maneira o jovem Deputado Estadual
Requião Filho também pode ser um dos próximos Prefeitos de Curitiba, com a
mesma estratégia, sempre valorizando o social e pautas da esquerda. Zeca Dirceu
também terá muito espaço e vários outros jovens políticos do PT também
crescerão.
Ricardo Costa de Oliveira
sexta-feira, 3 de abril de 2015
[Eu caio no chão,
de boca na terra preta.
Falo: Deus, que não existe,
não deixeis os homens
me maltratarem.
Deixai que eu caia com as mãos primeiro,
deixai-me ser queimada
por um raio.
Eu caio no chão,
de boca na terra viva.
Falo: Deus, que não está
na estrela mais distante,
que está em mim,
Deus perfeito, tanto quanto sou ímpia
Deus cruel,
te ofereço um sacrifício de sangue
a maior alegria
da minha vida."
Anna Świrszczyńska,
em tradução de Luciano
R. Mendes, no Escamandro.
quinta-feira, 2 de abril de 2015
O peixe
Tendo por berço o lago cristalino,
Folga o peixe, a nadar todo inocente,
Medo ou receio do porvir não sente,
Pois vive incauto do fatal destino.
Se na ponta de um fio longo e fino
A isca avista, ferra-a inconsciente,
Ficando o pobre peixe de repente,
Preso ao anzol do pescador ladino.
O camponês, também, do nosso Estado,
Ante a campanha eleitoral, coitado!
Daquele peixe tem a mesma sorte.
Antes do pleito, festa, riso e gosto,
Depois do pleito, imposto e mais imposto.
Pobre matuto do sertão do Norte!
- Patativa do Assaré
em "Ispinho e Fulô".
(Organização Antônio Gonçalves da Silva). Rio de Janeiro: Editora Vozes, 1990.
(grafia original).
http://www.elfikurten.com.br/…/patativa-do-assare-o-poeta-d…
RELATO
Louise Rasgada de Vento
Olha só. perguntei para o Luciano Ducci: "Quero saber quais os argumentos do deputado, do
próprio deputado para reduzir a maioridade penal, porque é um raciocínio
equivocado de que não há previsão legal para responsabilizar os adolescentes
autores de ato infracional. Por isso, ao invés de postar fotinho e matéria
genérica. Escreva o que pensa."
Resposta Ducci "Cara Louise, sou a favor da redução da
maioridade penal somente para crimes hediondos, e com um regime de reclusão
diferenciado. Acredito que a impunidade gera mais violência. Outra razão para
eu votar a favor é considerar o que pensa a maioria da sociedade brasileira. Em
2013, pesquisa realizada pelo instituto CNT/MDA indicou que 92,7% dos
brasileiros são a favor da medida. Obrigado pela sua opinião, acredito que
devemos debater, argumentar, discutir. Abs"
Ou seja ele acha que não há responsabilização, porque não
sabe o que as medidas socioeducativas da prefeitura e do Estado fazem, ou acha
insuficiente. Se é insuficiente, porque não aperfeiçoar ao invés de mudar a
idade de imputabilidade penal. REGIME DE RECLUSÃO DIFERENCIADO, como?! Bem, já
existem formas de reclusão nos Centros de Socioeducação CENSES -PR. Então, paremos,
paremos de não avaliar o que de fato já se faz... Que me adianta o Estado do
Paraná, discutir um Plano Decenal da Criança e Adolescente e seus
representantes eleitos nem sequer saberem o que lá está escrito. Que adianta um
juiz que participou do Plano avaliar que se deve reavaliar a reclusão desses
adolescentes (medidas de internamento), porque os problemas poderiam ser medida
socioeducativas sem internamento, caso a estrutura de educação, assistência e
saúde trabalhassem melhor em conjunto e com recursos para tal. O sr. Ducci acha
que não prendemos e não responsabilizamos o suficiente. Para mim, esse é um
falso pressuposto, porque não se avalia o que de fato acontece com os milhões
de presos ou se essa massa carcerária gera mesmo uma melhoria nos índices de
criminalidade. Aliás, pesquisas comprovam contrário...
Ele escolheu acreditar em uma única pesquisa realizada (que
pode ou não estar certa, porque é necessário sabe plano amostral e forma de
coleta, antes de sequer se iludir que é representativa) para votar. Dizer que
vota de acordo com o "povo". Que maravilha.
Esse é o breve relato
terça-feira, 31 de março de 2015
O PT de volta ao divã
André Castelo Branco Machado
Não posso aceitar que a nossa sociedade, cada vez mais
violenta, superficial, competitiva e egoísta, queira estabelecer leis ainda
mais severas para punir a agressividade e os crimes que ela própria produz. É
apagar incêndio com pólvora. Estamos rumando para a barbárie e muitos estão
aflitos para acelerar esse destino.
Poderíamos aproveitar esse momento de caos para efetivarmos
mudanças radicais no metabolismo dessa sociedade e transformarmos as relações
humanas.
Socialismo ou barbárie, cada vez mais atual.
O PT de volta ao divã
De tempos em tempos, assim como reforma política, reforma
ministerial, reforma tributária, o destino do PT emerge como assunto de
destaque. Com o 5º congresso marcado para junho e em meio a um tiroteio
político generalizado, volta-se a falar em refundação, aliança com movimentos
sociais e até a criação de “puxadinhos” tipo Frente Ampla do Uruguai.
Fala-se de tudo, menos do essencial. Com base em que
propostas, em que projeto social vai repousar esta reformulação? Eis o ponto.
O problema do PT, decididamente, não é organizativo. Está
longe dos movimentos sociais? Sim, está, mas é ilusão culpar erros
administrativos. Deixou de dialogar com os setores trabalhistas e operários?
Evidente, mas o motivo não é uma questão de comunicação. Afastou-se dos
sem-teto, da juventude que saiu às ruas, da classe média? Basta olhar os fatos.
Pergunte aos militantes petistas qual programa seguem. “A
favor dos pobres”, dirão –mesmo porque nem o dirigente mais aguerrido saberá
descrever quatro ou cinco pontos específicos da plataforma do partido.
O certo é que não dá para defender a maioria recorrendo ao
instrumental da minoria.
Concebido como representante de trabalhadores, o PT pouco a
pouco tem abandonado sua essência. De bancário, arrisca-se a virar banqueiro, a
ponto de hoje ocupar as manchetes como paladino do superávit primário, do corte
de benefícios sociais, do encolhimento de recursos para a educação. Só falta
imprimir as propostas em inglês. Isso para não citar os tentáculos expostos na
área da corrupção.
A inapetência do PT, sem intenção de trocadilho, salta aos
olhos. São Paulo sofre com a falta d’água, vive uma epidemia de dengue e
assiste a uma nova greve de professores. Onde está o PT?
O máximo que se vê é sua principal figura no Estado, o
prefeito paulistano, preocupado em travar uma batalha de morte por…ciclovias.
Nada contra elas, assim como muitos poucos serão a favor da destruição da
camada de ozônio ou da proibição de pasta de dente. Mas transformar isto em
bandeira de governo numa capital de tamanhas carências revela, como diria o
povo, falta de senso de noção.
No plano federal, a mesma coisa. Além do caso Petrobras, o
partido submete-se a um papel secundário, de coadjuvante, também frente a
escândalos como a lista do HSBC e a recente Operação Zelotes. Ambas provam que
o Brasil, tido como um dos campeões de carga tributária, revela-se, na verdade,
imbatível na sonegação de impostos.
Só na Zelotes, calcula-se um prejuízo de quase 6 bilhões de
reais para o Tesouro –valor três vezes maior que o indicado pelo Ministério
Público na Operação Lava Jato. Repita-se: três vezes maior.
Os jornalistas Fábio Fabrini e Andreza Matais, de “O Estado
de S. Paulo”, deram a lista de alguns acusados: Santander, Bradesco, Ford,
Gerdau, Safra, RBS, Camargo Corrêa e outros nomes de calibre parecido. Onde
estão o governo do PT e o ministro da Fazenda que ele nomeou? Em vez de atacar
os peixes graúdos, os emissários do Planalto mendigam votos no Congresso para
encolher pensões de viúvas, cortar bolsas de universitários e onerar
desempregados.
Para fazer este trabalho, convenhamos, já há legendas de
sobra na paisagem nacional.
Artigo do jornalista Ricardo Melo publicado no jornal Folha
de São Paulo de 30 de março de 2015.
"Senti que o tempo é apenas um fio. Nesse fio vão sendo
enfiadas todas as experiências de beleza e de amor por que passamos. Aquilo que
a memória amou fica eterno. Um pôr do sol, uma carta que recebemos de um amigo,
os campos de capim-gordura brilhando ao sol nascente, o cheiro do jasmim, um
único olhar de uma pessoa amada, a sopa borbulhante sobre o fogão de lenha, as
árvores do outono, o banho da cachoeira, mãos que seguram, o abraço do filho:
houve muitos momentos de tanta beleza em minha vida que eu disse: ‘Valeu a pena
eu haver vivido toda a minha vida só para poder ter vivido esse momento. Há
momentos efêmeros que justificam toda uma vida’."
- Rubem Alves, em “Do universo à jabuticaba”. São Paulo:
Planeta do Brasil, 2010, p. 144.
"A destruição do passado - ou melhor,dos mecanismos
sociais que vinculam nossa experiência pessoal à das gerações passadas - é um
dos fenômenos mais característicos e lúgubres do final do século XX. Quase
todos os jovens de hoje crescem numa espécie de presente contínuo, sem qualquer
relação orgânica com o passado público da época em que vivem."
(Eric Hobsbawn, no Livro "A Era dos Extremos", 2ª
edição, Companhia das Letras, p. 13)
sábado, 28 de março de 2015
Viabilidade da reforma eleitoral e de suas consequências
Olha, vou postar aqui porque tenho visto muitas
"análises rápidas" sobre a atual (?) viabilidade da reforma eleitoral
e de suas consequências. Vamos partir do pressuposto de que o que representa a
base social dos partidos no Brasil é o desempenho deles nas disputas municipais
majoritárias: eleições para prefeito. Isso porque trata-se de uma disputa
eleitoral em condições similares nacionalmente e que se dão em mais de 5,6 mil
distritos eleitorais distintos. Quer dizer, se um partido se dá bem
comparativamente aos demais nessas condições, ele pode ser considerado uma
partido forte nacionalmente e terá boas chances de se dar bem nas eleições
nacionais. Os gráficos postados aqui mostram os desempenhos dos partidos nas
últimas 5 eleições municipais (1996 a 2012), compreendendo o período de
polarização PT-PSDB em âmbito nacional. Para cada eleição há um par de gráficos.
O primeiro mostra a distribuição do número de candidatos a prefeito por
partido, indicando a capacidade dos partidos de se organizar para as disputas
majoritárias municipais. O segundo mostra a distribuição do número de votos
obtidos pelos partidos, uma forma de representar o respaldo social (dos
eleitores) que os partidos recebem em cada disputa.
Os três principais partidos do período estão destacados por
cores específicas (PT-PMDB-PSDB). O objetivo é demonstrar como ao longo do
período houve uma concentração, seja de candidatos, seja de votos, nos três
partidos dominantes na esfera das disputas municipais. Isso contradiz a tese da
fragmentação. Uma coisa é fragmentação formal (número oficial de partidos).
Outra é o número de partidos que importam de fato. Em todas as eleições do
período o número de partidos com candidatos a prefeito variou entre 27 e 30,
mostrando uma estabilidade.
O PMDB é o partido que mais apresenta candidatos a prefeito
em todas as eleições, mas nunca foi o que teve mais votos. Ele oscila entre a
segunda e terceira posição quanto ao número de votos obtidos. O PSDB varia
entre o segundo e terceiro maior partido em número de candidatos. Em relação ao
número de votos, em 1996 ele é o mais votado. Logo em seguida, em 2000, cai
para a quarta colocação. Desde então tem ficado entre segundo e terceiro mais
votado em cada disputa. Já o PT apresenta os maiores crescimentos do período
nos dois indicadores. Em 1996 o PT é apenas o 7º colocado em número de
candidatos, ficando atrás de PFL, PPB, PDT e PTB, por exemplo. Quantoao número
de votos, ele ficou na 5ª colocação. Em 2000 o PT sobe para a 5ª posição em
número de candidatos e fica em 1º lugar no número de votos. Em 2004 já é o
segundo em candidatos e mantém a dianteira em número de votos. Em 2008 cai para
3ª posição em número de candidatos e para a 2ª posição em número de votos. Na
mais recente eleição municipal o PT subiu para 2º lugar em número de candidatos
e voltou à primeira posição em número de votos.
Para além das descrições individuais, o que essa comparação
mostra é, por um lado, uma concentração de candidatos e votos nos três grandes
partidos. Se em 1996 e 2000 PFL e PTB ainda tinham força político-eleitoral nos
municípios, nas três eleições mais recentes cederam espaço para o "trio de
ferro eleitoral". Porém, a eleição de 2012 mostrou que embora os
PT-PMDB-PSDB continuem dominando o cenário, a distância deles em relação aos
demais partidos diminuiu.
A pergunta que fica é: nesse cenário alguém acredita que as
representações dos três partidos no congresso se empenharão para uma reforma
político-eleitoral que altere os fundamentos do sistema que os está
beneficiando?
Emerson Urizzi Cervi
terça-feira, 17 de março de 2015
domingo, 8 de março de 2015
Pancada matinal do Thomas de Toledo:
Só queria entender: por que o PSDB é o único partido que
pode roubar livremente neste país, pois sempre dão um jeitinho de salvá-lo pela
mídia ou pela "justiça"? O mensalão do PSDB ficou anos tendo seu
julgamento sendo enrolado e quando o STF decidiu fazer alguma coisa, devolveu-o
a primeira instância e tudo terminou em pizza por ter expirado o prazo. A
privataria tucana foi comprovada e documentada pela CPI do Banestado, mas o
engavetador (vulgo procurador) de FHC sequer enviou as denúncias ao MPF e tudo
terminou como está. Há algumas semanas, o STF proibiu que uma CPI investigue o escândalo
bilionário de desvios dos trens e metrôs de SP. Agora, no caso da Petrobrás,
quando há denúncias fundamentadas de que Aécio se envolveu no esquema a partir
de Furnas, seu nome foi tirado da lista enviada e ele não é réu. A regra do STF
parece ser clara: só investiga o que envolver o atual governo e em troca os
deputados aprovam a PEC da Bengala para estender o mandato dos atuais ministros
para até 75 anos. Vale ainda mencionar SP, onde já são quase 100 CPIs barradas
pelo PSDB na Assembleia Legislativa. Assim, o PSDB dá o recado ao país de que o
crime compensa desde que seja feito na legenda 45. Portanto, ladrões, se
quiserem roubar e sequer serem investigados, já sabem o caminho.
Thomas de Toledo
"(...) 45% de toda a renda e a riqueza nacionais é
apropriada por apenas 5 mil famílias extensas. Estas são nossas elites. Vivem
de rendas e da especulação financeira, portanto, ganham dinheiro sem trabalho.
Pouco o nada investem na produção para alavancar um desenvolvimento necessário
e sustentável.
Veem, temerosas, a ascensão das classes populares e de seu
poder. Estas invadem seus lugares exclusivos. No fundo, começa a haver uma
pequena democratização dos espaços sociais. (...) Como teólogo me pergunto
angustiado: na sua grande maioria, essas elites são de cristãos e de católicos.
Como combinam esta prática perversa com a mensagem de Jesus? (...) Mas entendo,
pois para elas vale o dito espanhol: entre Deus e o dinheiro, o segundo é
primeiro.
Infelizmente."
Leonardo Boff
O ANIMAL QUE LOGO SOU
Frequentemente me pergunto, para ver, quem sou eu - e quem
sou eu no momento em que, surpreendido nu, em silêncio, pelo olhar de um
animal, por exemplo os olhos de um gato, tenho dificuldade, sim, dificuldade de
vencer um incômodo.
Por que essa dificuldade?
Tenho dificuldade de reprimir um movimento de pudor.
Dificuldade de calar em mim um protesto contra a indecência. Contra o mal-estar
que pode haver em encontrar-se nu, o sexo exposto, nu diante de um gato que nos
observa sem se mexer, apenas para ver. Mal-estar de um tal animal nu diante de
outro animal, assim, poder-se-ia dizer uma espécie de animal-estar: a
experiência original, única e incomparável deste mal-estar que haveria em
aparecer verdadeiramente nu, diante do olhar insistente do animal, um olhar
benevolente ou impiedoso, surpreso ou que reconhece. Um olhar de vidente, de
visionário ou de cego extralúcido. É como se eu tivesse vergonha, então, nu
diante do gato, mas também vergonha de ter vergonha. Reflexão da vergonha, espelho
de uma vergonha envergonhada dela mesma, de uma vergonha ao mesmo tempo
especular, injustificável e inconfessável. No centro ótico de uma tal reflexão
se encontraria a coisa - e aos meus olhos o foco dessa experiência incomparável
que se chama nudez. E que se acredita ser o próprio do homem, quer dizer,
estranha aos animais, nus como são, pensamos então, sem a menor consciência de
sê-lo.
JACQUES DERRIDA, "O ANIMAL QUE LOGO SOU" (Editora
Unesp, 2. edição, 2011), tradução de Fábio Landa.
Porrada no estômago:
"Em 23 de abril de 1849 Dostoiévski foi preso e
torturado a mando do Czar e chorou lendo os salmos da Bíblia. Em 1867 um poeta
inglês morreu afogado tentando atravessar o canal da mancha carregando sonetos
para uma prostituta francesa. Em 1315, no auge da crise da fome na Europa, uma
escritora obscura escreveu seu último poema e decepou o próprio braço e
arrancou um pedaço da bunda para dar de comer aos filhos famintos. Em 1968 Waly
Samolão sentiu o peso do amor e escreveu “Vapor Barato” com Jards Macalé. Em
2098, o último negro africano do planeta escreverá um poema tão lindo que
desativará a bomba atômica. A poesia é antibiótico para as desilusões da vida.
O consolo dos perseguidos e descontentes. A poesia salva."
Diego Moraes
Mignon
Conheces o país onde os limões florescem
E laranjas de ouro acendem a folhagem?
Sopra do céu azul uma doce viragem
Junto ao loureiro altivo os mirtos adormecem.
Conheces o país?
É onde, para onde
Eu quisera ir contigo, amado! Longe, longe!
Conheces o solar? O teto que descansa
Nas colunas, a sala, os quartos luminosos,
E as estátuas a olhar-me, os mármores zelosos:
Que fizeram a ti, minha pobre criança?
Conheces o solar?
É onde, para onde
Eu quisera ir contigo, amigo! Longe, longe!
Conheces a montanha e a vereda de bruma,
A alimária que busca a enevoada senda?
Nas grutas ainda vive o dragão da legenda,
A rocha cai em ponta e à roda a onda espuma,
Conheces a montanha?
É onde, para onde
Nosso caminho, pai, nos chama. Vamos. Longe.
- Johann Wolfgang von Goethe.
"Da Atualidade de
Goethe". [tradução Haroldo de Campos]. In:_____. O arco-íris branco. Rio
de. Janeiro: Imago 1997.
Mignon
Kennst du das Land, wo die Zitronen blühn,
Im dunkeln
Laub die Goldorangen glühn,
Ein sanfter
Wind vom blauen Himmel weht,
Die Myrte
still und hoch der Lorbeer steht?
Kennst du
es wohl? Dahin!
Dahin
möcht’ ich mit dir,
O mein
Geliebter, ziehn.
Kennst du
das Haus? Auf Säulen ruht sein Dach,
Es glänzt
der Saal, es schimmert das Gemach,
Und
Marmorbilder stehn und sehn mich an:
Was hat man
dir, du armes Kind, getan?
Kennst du
es wohl? Dahin!
Dahin
möcht’ ich mit dir,
O mein
Beschützer, ziehn.
Kennst du
den Berg und seinen Wolkensteg?
Das Maultier
such im Nebel seinen Weg,
In Höhlen
wohnt der Drachen alte Brut;
Es stürzt
der Fels und über ihn die Flut.
Kennst du
ihn wohl? Dahin!
Dahin geht
unser Weg!
O Vater,
laß uns ziehn!
- Johann
Wolfgang von Goethe
http://www.elfikurten.com.br/…/johann-wolfgang-von-goethe.h…
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