sexta-feira, 1 de maio de 2015


Solidariedade aos professores massacrados pela repressão do governo

Paulo Roberto Neves Costa


"Os professores do Departamento de Ciência Política e Sociologia se solidarizam com a luta dos professores e servidores públicos do Paraná e repudiam veementemente a forma violenta e antidemocrática como o Governador do Estado, a Assembléia Legislativa e as autoridades de segurança lidam com as legítimas demandas e reivindicações dos professores estaduais. O direito a uma educação pública de qualidade é um direito humano universal ao qual deve ter acesso toda a população indistintamente. Ao se negar a negociar com os manifestantes, não atender suas reivindicações, e interditar o acesso a espaços públicos para os manifestantes, o governo Beto Richa atenta indiretamente contra esse direito fundamental de toda a população paranaense. Os professores do DECISO apoiam as reivindicações dos professores e exigem que sejam reabertos os canais de negociação entre as autoridades públicas e os manifestantes em greve, visando a tornar transparente para toda a população do Paraná as razões do conflito bem como encontrar uma solução democrática para a crise do ensino público no estado."

sábado, 11 de abril de 2015

– Se você é de esquerda, cara, não devia usar smartphone, facebook e all star, esses símbolos do capitalismo que você combate.

– Ah, é? E você, se é de direita, devia abrir mão do décimo terceiro, férias, descanso remunerado e todos os direitos trabalhistas que foram conquistados a duras penas por gerações de trabalhadores, militantes e sindicalistas de esquerda. E tem mais, o socialismo não é uma negação do capitalismo, mas uma superação dialética dele, incorporando suas conquistas. Isto é, o adolescente não precisa voltar a ser criança. Torna-se adulto, sem negar o aprendizado da infância e da adolescência.


Otto Leopoldo Wink 

Trabalhador adestrado



Trabalhador adestrado para consumir não se vê mais como trabalhador, mas como uma versão perpetuamente imperfeita de um burguês. Daí a maioria não conseguir nem perceber que quase todos os seus direitos - assim como de seus filhos, netos e toda sua descendência - estão sendo cassados. Daí a maioria muito provavelmente até apoiar a anulação da sua própria potência política.

Eduardo Sterzi

A Marca Humana

"O que é que tem, pensei, daqui a não muito tempo nós dois vamos morrer; e ali mesmo na varanda eu e Coleman Silk começamos a dançar foxtrote. Ele conduzia, e eu, na medida do possível, o seguia. Lembrei-me do dia em que ele entrou no meu escritório abruptamente, depois de acertar o enterro de Iris, e enlouquecido de ódio e dor me disse que eu teria de escrever para ele o livro que contaria todos os absurdos inacreditáveis de seu caso, culminando com o assassinato de sua mulher. Quem o visse então jamais imaginaria que um dia ele haveria de recuperar o gosto pela insensatez da existência, que tudo o que nele havia de lúdico e leve não fora destruído e perdido juntamente com sua carreira, sua reputação e sua mulher fortíssima. E se nem me ocorreu a possibilidade de rir e deixá-lo dançar sozinho na varanda, já que era isso o que ele queria, de ficar rindo e me divertindo vendo-o dançar -- se lhe dei a mão e deixei que ele me arrastasse por aquela varanda com chão de pedra, foi talvez por tê-lo visto no dia em que o cadáver de Iris ainda estava quente, porque vira como ele estava naquele dia."

 Philip Roth:

KAY RYAN - 2 POEMAS (trad. Caetano Gallindo)


VERNIZ E BÁLSAMO
(...)
Não há unto
que cure
a pele rota
do abandono.
Quem soube
o verniz
e o bálsamo da
simples passagem
de alguém
por suas coisas.
(...)
NATUREZA MORTA COM LIMÕES, LARANJAS E UMA ROSA
(1663) Francisco de Zurbarán
Como mãos
de um gigante
a conspiração
de sombra e
peso espreme
a luz, restando
terra, assombra
-se Zurbarán. Que
tem de então
pintar a contra
-pelo, pois laranjas
grudadas ele
não quer, meladas
num calombo,
como um doce. E
agora a doença

da mulher.

sábado, 4 de abril de 2015

Classe Dominante e Estado no Paraná



Palácio Iguaçu. Sempre podemos atualizar os nossos livros e pesquisas sobre Genealogia, Classe Dominante e Estado no Paraná ! Na reunião de quinta já estamos politicamente em 2018 e 2019. Caros, sempre vejam as famílias no poder. Vejam a presença indireta ali de José Richa, Roberto Requião e Zé Dirceu. O Governo Beto Richa politicamente em crise se esgotou e neste momento o Deputado Federal João Arruda, coordenador da bancada paranaense, sobrinho do Senador Requião, genro de Joel Malucelli (empreiteiro da construção, mídias, hidrelétricas, banco, time de futebol e primeiro suplente do Senador Álvaro Dias) assume destaque central. O tio Roberto Requião sempre ganhou as eleições, nos momentos cruciais, com o apoio dos eleitores de esquerda e do PT. João Arruda pode ser o próximo Governador do Paraná, com estratégia semelhante e da mesma maneira o jovem Deputado Estadual Requião Filho também pode ser um dos próximos Prefeitos de Curitiba, com a mesma estratégia, sempre valorizando o social e pautas da esquerda. Zeca Dirceu também terá muito espaço e vários outros jovens políticos do PT também crescerão.


Ricardo Costa de Oliveira 

sexta-feira, 3 de abril de 2015

[Eu caio no chão,
de boca na terra preta.
Falo: Deus, que não existe,
não deixeis os homens
me maltratarem.
Deixai que eu caia com as mãos primeiro,
deixai-me ser queimada
por um raio.
Eu caio no chão,
de boca na terra viva.
Falo: Deus, que não está
na estrela mais distante,
que está em mim,
Deus perfeito, tanto quanto sou ímpia
Deus cruel,
te ofereço um sacrifício de sangue
a maior alegria
da minha vida."



Anna Świrszczyńska,
em tradução de Luciano R. Mendes, no Escamandro.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

O peixe


Tendo por berço o lago cristalino,
Folga o peixe, a nadar todo inocente,
Medo ou receio do porvir não sente,
Pois vive incauto do fatal destino.
Se na ponta de um fio longo e fino
A isca avista, ferra-a inconsciente,
Ficando o pobre peixe de repente,
Preso ao anzol do pescador ladino.
O camponês, também, do nosso Estado,
Ante a campanha eleitoral, coitado!
Daquele peixe tem a mesma sorte.
Antes do pleito, festa, riso e gosto,
Depois do pleito, imposto e mais imposto.
Pobre matuto do sertão do Norte!

- Patativa do Assaré

em "Ispinho e Fulô". (Organização Antônio Gonçalves da Silva). Rio de Janeiro: Editora Vozes, 1990. (grafia original).


http://www.elfikurten.com.br/…/patativa-do-assare-o-poeta-d…

RELATO


Louise Rasgada de Vento

Olha só. perguntei para o Luciano Ducci:"Quero saber quais os argumentos do deputado, do próprio deputado para reduzir a maioridade penal, porque é um raciocínio equivocado de que não há previsão legal para responsabilizar os adolescentes autores de ato infracional. Por isso, ao invés de postar fotinho e matéria genérica. Escreva o que pensa."
Resposta Ducci "Cara Louise, sou a favor da redução da maioridade penal somente para crimes hediondos, e com um regime de reclusão diferenciado. Acredito que a impunidade gera mais violência. Outra razão para eu votar a favor é considerar o que pensa a maioria da sociedade brasileira. Em 2013, pesquisa realizada pelo instituto CNT/MDA indicou que 92,7% dos brasileiros são a favor da medida. Obrigado pela sua opinião, acredito que devemos debater, argumentar, discutir. Abs"

Ou seja ele acha que não há responsabilização, porque não sabe o que as medidas socioeducativas da prefeitura e do Estado fazem, ou acha insuficiente. Se é insuficiente, porque não aperfeiçoar ao invés de mudar a idade de imputabilidade penal. REGIME DE RECLUSÃO DIFERENCIADO, como?! Bem, já existem formas de reclusão nos Centros de Socioeducação CENSES -PR. Então, paremos, paremos de não avaliar o que de fato já se faz... Que me adianta o Estado do Paraná, discutir um Plano Decenal da Criança e Adolescente e seus representantes eleitos nem sequer saberem o que lá está escrito. Que adianta um juiz que participou do Plano avaliar que se deve reavaliar a reclusão desses adolescentes (medidas de internamento), porque os problemas poderiam ser medida socioeducativas sem internamento, caso a estrutura de educação, assistência e saúde trabalhassem melhor em conjunto e com recursos para tal. O sr. Ducci acha que não prendemos e não responsabilizamos o suficiente. Para mim, esse é um falso pressuposto, porque não se avalia o que de fato acontece com os milhões de presos ou se essa massa carcerária gera mesmo uma melhoria nos índices de criminalidade. Aliás, pesquisas comprovam contrário...
Ele escolheu acreditar em uma única pesquisa realizada (que pode ou não estar certa, porque é necessário sabe plano amostral e forma de coleta, antes de sequer se iludir que é representativa) para votar. Dizer que vota de acordo com o "povo". Que maravilha.


Esse é o breve relato

terça-feira, 31 de março de 2015

O PT de volta ao divã

André Castelo Branco Machado

Não posso aceitar que a nossa sociedade, cada vez mais violenta, superficial, competitiva e egoísta, queira estabelecer leis ainda mais severas para punir a agressividade e os crimes que ela própria produz. É apagar incêndio com pólvora. Estamos rumando para a barbárie e muitos estão aflitos para acelerar esse destino.
Poderíamos aproveitar esse momento de caos para efetivarmos mudanças radicais no metabolismo dessa sociedade e transformarmos as relações humanas.
Socialismo ou barbárie, cada vez mais atual.


O PT de volta ao divã
De tempos em tempos, assim como reforma política, reforma ministerial, reforma tributária, o destino do PT emerge como assunto de destaque. Com o 5º congresso marcado para junho e em meio a um tiroteio político generalizado, volta-se a falar em refundação, aliança com movimentos sociais e até a criação de “puxadinhos” tipo Frente Ampla do Uruguai.
Fala-se de tudo, menos do essencial. Com base em que propostas, em que projeto social vai repousar esta reformulação? Eis o ponto.
O problema do PT, decididamente, não é organizativo. Está longe dos movimentos sociais? Sim, está, mas é ilusão culpar erros administrativos. Deixou de dialogar com os setores trabalhistas e operários? Evidente, mas o motivo não é uma questão de comunicação. Afastou-se dos sem-teto, da juventude que saiu às ruas, da classe média? Basta olhar os fatos.
Pergunte aos militantes petistas qual programa seguem. “A favor dos pobres”, dirão –mesmo porque nem o dirigente mais aguerrido saberá descrever quatro ou cinco pontos específicos da plataforma do partido.
O certo é que não dá para defender a maioria recorrendo ao instrumental da minoria.
Concebido como representante de trabalhadores, o PT pouco a pouco tem abandonado sua essência. De bancário, arrisca-se a virar banqueiro, a ponto de hoje ocupar as manchetes como paladino do superávit primário, do corte de benefícios sociais, do encolhimento de recursos para a educação. Só falta imprimir as propostas em inglês. Isso para não citar os tentáculos expostos na área da corrupção.
A inapetência do PT, sem intenção de trocadilho, salta aos olhos. São Paulo sofre com a falta d’água, vive uma epidemia de dengue e assiste a uma nova greve de professores. Onde está o PT?
O máximo que se vê é sua principal figura no Estado, o prefeito paulistano, preocupado em travar uma batalha de morte por…ciclovias. Nada contra elas, assim como muitos poucos serão a favor da destruição da camada de ozônio ou da proibição de pasta de dente. Mas transformar isto em bandeira de governo numa capital de tamanhas carências revela, como diria o povo, falta de senso de noção.
No plano federal, a mesma coisa. Além do caso Petrobras, o partido submete-se a um papel secundário, de coadjuvante, também frente a escândalos como a lista do HSBC e a recente Operação Zelotes. Ambas provam que o Brasil, tido como um dos campeões de carga tributária, revela-se, na verdade, imbatível na sonegação de impostos.
Só na Zelotes, calcula-se um prejuízo de quase 6 bilhões de reais para o Tesouro –valor três vezes maior que o indicado pelo Ministério Público na Operação Lava Jato. Repita-se: três vezes maior.
Os jornalistas Fábio Fabrini e Andreza Matais, de “O Estado de S. Paulo”, deram a lista de alguns acusados: Santander, Bradesco, Ford, Gerdau, Safra, RBS, Camargo Corrêa e outros nomes de calibre parecido. Onde estão o governo do PT e o ministro da Fazenda que ele nomeou? Em vez de atacar os peixes graúdos, os emissários do Planalto mendigam votos no Congresso para encolher pensões de viúvas, cortar bolsas de universitários e onerar desempregados.
Para fazer este trabalho, convenhamos, já há legendas de sobra na paisagem nacional.

Artigo do jornalista Ricardo Melo publicado no jornal Folha de São Paulo de 30 de março de 2015.




"Senti que o tempo é apenas um fio. Nesse fio vão sendo enfiadas todas as experiências de beleza e de amor por que passamos. Aquilo que a memória amou fica eterno. Um pôr do sol, uma carta que recebemos de um amigo, os campos de capim-gordura brilhando ao sol nascente, o cheiro do jasmim, um único olhar de uma pessoa amada, a sopa borbulhante sobre o fogão de lenha, as árvores do outono, o banho da cachoeira, mãos que seguram, o abraço do filho: houve muitos momentos de tanta beleza em minha vida que eu disse: ‘Valeu a pena eu haver vivido toda a minha vida só para poder ter vivido esse momento. Há momentos efêmeros que justificam toda uma vida’."

- Rubem Alves, em “Do universo à jabuticaba”. São Paulo: Planeta do Brasil, 2010, p. 144.
"A destruição do passado - ou melhor,dos mecanismos sociais que vinculam nossa experiência pessoal à das gerações passadas - é um dos fenômenos mais característicos e lúgubres do final do século XX. Quase todos os jovens de hoje crescem numa espécie de presente contínuo, sem qualquer relação orgânica com o passado público da época em que vivem."

(Eric Hobsbawn, no Livro "A Era dos Extremos", 2ª edição, Companhia das Letras, p. 13)

sábado, 28 de março de 2015

Viabilidade da reforma eleitoral e de suas consequências

Olha, vou postar aqui porque tenho visto muitas "análises rápidas" sobre a atual (?) viabilidade da reforma eleitoral e de suas consequências. Vamos partir do pressuposto de que o que representa a base social dos partidos no Brasil é o desempenho deles nas disputas municipais majoritárias: eleições para prefeito. Isso porque trata-se de uma disputa eleitoral em condições similares nacionalmente e que se dão em mais de 5,6 mil distritos eleitorais distintos. Quer dizer, se um partido se dá bem comparativamente aos demais nessas condições, ele pode ser considerado uma partido forte nacionalmente e terá boas chances de se dar bem nas eleições nacionais. Os gráficos postados aqui mostram os desempenhos dos partidos nas últimas 5 eleições municipais (1996 a 2012), compreendendo o período de polarização PT-PSDB em âmbito nacional. Para cada eleição há um par de gráficos. O primeiro mostra a distribuição do número de candidatos a prefeito por partido, indicando a capacidade dos partidos de se organizar para as disputas majoritárias municipais. O segundo mostra a distribuição do número de votos obtidos pelos partidos, uma forma de representar o respaldo social (dos eleitores) que os partidos recebem em cada disputa.
Os três principais partidos do período estão destacados por cores específicas (PT-PMDB-PSDB). O objetivo é demonstrar como ao longo do período houve uma concentração, seja de candidatos, seja de votos, nos três partidos dominantes na esfera das disputas municipais. Isso contradiz a tese da fragmentação. Uma coisa é fragmentação formal (número oficial de partidos). Outra é o número de partidos que importam de fato. Em todas as eleições do período o número de partidos com candidatos a prefeito variou entre 27 e 30, mostrando uma estabilidade.
O PMDB é o partido que mais apresenta candidatos a prefeito em todas as eleições, mas nunca foi o que teve mais votos. Ele oscila entre a segunda e terceira posição quanto ao número de votos obtidos. O PSDB varia entre o segundo e terceiro maior partido em número de candidatos. Em relação ao número de votos, em 1996 ele é o mais votado. Logo em seguida, em 2000, cai para a quarta colocação. Desde então tem ficado entre segundo e terceiro mais votado em cada disputa. Já o PT apresenta os maiores crescimentos do período nos dois indicadores. Em 1996 o PT é apenas o 7º colocado em número de candidatos, ficando atrás de PFL, PPB, PDT e PTB, por exemplo. Quantoao número de votos, ele ficou na 5ª colocação. Em 2000 o PT sobe para a 5ª posição em número de candidatos e fica em 1º lugar no número de votos. Em 2004 já é o segundo em candidatos e mantém a dianteira em número de votos. Em 2008 cai para 3ª posição em número de candidatos e para a 2ª posição em número de votos. Na mais recente eleição municipal o PT subiu para 2º lugar em número de candidatos e voltou à primeira posição em número de votos.
Para além das descrições individuais, o que essa comparação mostra é, por um lado, uma concentração de candidatos e votos nos três grandes partidos. Se em 1996 e 2000 PFL e PTB ainda tinham força político-eleitoral nos municípios, nas três eleições mais recentes cederam espaço para o "trio de ferro eleitoral". Porém, a eleição de 2012 mostrou que embora os PT-PMDB-PSDB continuem dominando o cenário, a distância deles em relação aos demais partidos diminuiu.
A pergunta que fica é: nesse cenário alguém acredita que as representações dos três partidos no congresso se empenharão para uma reforma político-eleitoral que altere os fundamentos do sistema que os está beneficiando?

Emerson Urizzi Cervi

domingo, 8 de março de 2015

Pancada matinal do Thomas de Toledo:



Só queria entender: por que o PSDB é o único partido que pode roubar livremente neste país, pois sempre dão um jeitinho de salvá-lo pela mídia ou pela "justiça"? O mensalão do PSDB ficou anos tendo seu julgamento sendo enrolado e quando o STF decidiu fazer alguma coisa, devolveu-o a primeira instância e tudo terminou em pizza por ter expirado o prazo. A privataria tucana foi comprovada e documentada pela CPI do Banestado, mas o engavetador (vulgo procurador) de FHC sequer enviou as denúncias ao MPF e tudo terminou como está. Há algumas semanas, o STF proibiu que uma CPI investigue o escândalo bilionário de desvios dos trens e metrôs de SP. Agora, no caso da Petrobrás, quando há denúncias fundamentadas de que Aécio se envolveu no esquema a partir de Furnas, seu nome foi tirado da lista enviada e ele não é réu. A regra do STF parece ser clara: só investiga o que envolver o atual governo e em troca os deputados aprovam a PEC da Bengala para estender o mandato dos atuais ministros para até 75 anos. Vale ainda mencionar SP, onde já são quase 100 CPIs barradas pelo PSDB na Assembleia Legislativa. Assim, o PSDB dá o recado ao país de que o crime compensa desde que seja feito na legenda 45. Portanto, ladrões, se quiserem roubar e sequer serem investigados, já sabem o caminho.

Thomas de Toledo
"(...) 45% de toda a renda e a riqueza nacionais é apropriada por apenas 5 mil famílias extensas. Estas são nossas elites. Vivem de rendas e da especulação financeira, portanto, ganham dinheiro sem trabalho. Pouco o nada investem na produção para alavancar um desenvolvimento necessário e sustentável.
Veem, temerosas, a ascensão das classes populares e de seu poder. Estas invadem seus lugares exclusivos. No fundo, começa a haver uma pequena democratização dos espaços sociais. (...) Como teólogo me pergunto angustiado: na sua grande maioria, essas elites são de cristãos e de católicos. Como combinam esta prática perversa com a mensagem de Jesus? (...) Mas entendo, pois para elas vale o dito espanhol: entre Deus e o dinheiro, o segundo é primeiro.

Infelizmente."

 Leonardo Boff

O ANIMAL QUE LOGO SOU

Frequentemente me pergunto, para ver, quem sou eu - e quem sou eu no momento em que, surpreendido nu, em silêncio, pelo olhar de um animal, por exemplo os olhos de um gato, tenho dificuldade, sim, dificuldade de vencer um incômodo.
Por que essa dificuldade?
Tenho dificuldade de reprimir um movimento de pudor. Dificuldade de calar em mim um protesto contra a indecência. Contra o mal-estar que pode haver em encontrar-se nu, o sexo exposto, nu diante de um gato que nos observa sem se mexer, apenas para ver. Mal-estar de um tal animal nu diante de outro animal, assim, poder-se-ia dizer uma espécie de animal-estar: a experiência original, única e incomparável deste mal-estar que haveria em aparecer verdadeiramente nu, diante do olhar insistente do animal, um olhar benevolente ou impiedoso, surpreso ou que reconhece. Um olhar de vidente, de visionário ou de cego extralúcido. É como se eu tivesse vergonha, então, nu diante do gato, mas também vergonha de ter vergonha. Reflexão da vergonha, espelho de uma vergonha envergonhada dela mesma, de uma vergonha ao mesmo tempo especular, injustificável e inconfessável. No centro ótico de uma tal reflexão se encontraria a coisa - e aos meus olhos o foco dessa experiência incomparável que se chama nudez. E que se acredita ser o próprio do homem, quer dizer, estranha aos animais, nus como são, pensamos então, sem a menor consciência de sê-lo.


JACQUES DERRIDA, "O ANIMAL QUE LOGO SOU" (Editora Unesp, 2. edição, 2011), tradução de Fábio Landa.

Porrada no estômago:



"Em 23 de abril de 1849 Dostoiévski foi preso e torturado a mando do Czar e chorou lendo os salmos da Bíblia. Em 1867 um poeta inglês morreu afogado tentando atravessar o canal da mancha carregando sonetos para uma prostituta francesa. Em 1315, no auge da crise da fome na Europa, uma escritora obscura escreveu seu último poema e decepou o próprio braço e arrancou um pedaço da bunda para dar de comer aos filhos famintos. Em 1968 Waly Samolão sentiu o peso do amor e escreveu “Vapor Barato” com Jards Macalé. Em 2098, o último negro africano do planeta escreverá um poema tão lindo que desativará a bomba atômica. A poesia é antibiótico para as desilusões da vida. O consolo dos perseguidos e descontentes. A poesia salva." 

Diego Moraes

Mignon


Conheces o país onde os limões florescem
E laranjas de ouro acendem a folhagem?
Sopra do céu azul uma doce viragem
Junto ao loureiro altivo os mirtos adormecem.
Conheces o país?
É onde, para onde
Eu quisera ir contigo, amado! Longe, longe!
Conheces o solar? O teto que descansa
Nas colunas, a sala, os quartos luminosos,
E as estátuas a olhar-me, os mármores zelosos:
Que fizeram a ti, minha pobre criança?
Conheces o solar?
É onde, para onde
Eu quisera ir contigo, amigo! Longe, longe!
Conheces a montanha e a vereda de bruma,
A alimária que busca a enevoada senda?
Nas grutas ainda vive o dragão da legenda,
A rocha cai em ponta e à roda a onda espuma,
Conheces a montanha?
É onde, para onde
Nosso caminho, pai, nos chama. Vamos. Longe.

- Johann Wolfgang von Goethe. 
"Da Atualidade de Goethe". [tradução Haroldo de Campos]. In:_____. O arco-íris branco. Rio de. Janeiro: Imago 1997.

Mignon
Kennst du das Land, wo die Zitronen blühn,
Im dunkeln Laub die Goldorangen glühn,
Ein sanfter Wind vom blauen Himmel weht,
Die Myrte still und hoch der Lorbeer steht?
Kennst du es wohl? Dahin!
Dahin möcht’ ich mit dir,
O mein Geliebter, ziehn.
Kennst du das Haus? Auf Säulen ruht sein Dach,
Es glänzt der Saal, es schimmert das Gemach,
Und Marmorbilder stehn und sehn mich an:
Was hat man dir, du armes Kind, getan?
Kennst du es wohl? Dahin!
Dahin möcht’ ich mit dir,
O mein Beschützer, ziehn.
Kennst du den Berg und seinen Wolkensteg?
Das Maultier such im Nebel seinen Weg,
In Höhlen wohnt der Drachen alte Brut;
Es stürzt der Fels und über ihn die Flut.
Kennst du ihn wohl? Dahin!
Dahin geht unser Weg!
O Vater, laß uns ziehn!

- Johann Wolfgang von Goethe


http://www.elfikurten.com.br/…/johann-wolfgang-von-goethe.h…