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quinta-feira, 2 de abril de 2015

O peixe


Tendo por berço o lago cristalino,
Folga o peixe, a nadar todo inocente,
Medo ou receio do porvir não sente,
Pois vive incauto do fatal destino.
Se na ponta de um fio longo e fino
A isca avista, ferra-a inconsciente,
Ficando o pobre peixe de repente,
Preso ao anzol do pescador ladino.
O camponês, também, do nosso Estado,
Ante a campanha eleitoral, coitado!
Daquele peixe tem a mesma sorte.
Antes do pleito, festa, riso e gosto,
Depois do pleito, imposto e mais imposto.
Pobre matuto do sertão do Norte!

- Patativa do Assaré

em "Ispinho e Fulô". (Organização Antônio Gonçalves da Silva). Rio de Janeiro: Editora Vozes, 1990. (grafia original).


http://www.elfikurten.com.br/…/patativa-do-assare-o-poeta-d…

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Desilusão


Como a folha no vento pelo espaço
Eu sinto o coração aqui no peito,
De ilusão e de sonho já desfeito,
A bater e a pulsar com embaraço.
Se é de dia, vou indo passo a passo
Se é de noite, me estendo sobre o leito,
Para o mal incurável não há jeito,
É sem cura que eu vejo o meu fracasso.
Do parnaso não vejo o belo monte,
Minha estrela brilhante no horizonte
Me negou o seu raio de esperança,
Tudo triste em meu ser se manifesta,
Nesta vida cansada só me resta
As saudades do tempo de criança.

- Patativa do Assaré, em "Ispinho e Fulô", Ceará: UECE/Prefeitura Municipal de Assaré, 2001, p. 182. (grafia original)

domingo, 13 de março de 2011

Morre aquela criatura,
depois a pobre coitada,
no rumo da sepultura,
vai numa rede imbruiada.
um adjunto de gente,
uns atrás, ôtras na frente,
num apressado rojão
quando um sorta,o ôtro pega :
é assim que se carrega
morte pobre, no sertão.

Patativa do Assaré
"Cante lá Que Eu Canto Cá"