segunda-feira, 3 de junho de 2013
sábado, 1 de junho de 2013
A poesia
quando chega
não respeita nada.
Nem pai nem mãe.
Quando ela chega
de qualquer de seus abismos
desconhece o Estado e a Sociedade Civil
infringe o Código de Águas
relincha
como puta
nova
em frente ao Palácio da Alvorada.
E só depois
reconsidera: beija
nos olhos os que ganham mal
embala no colo
os que têm sede de felicidade
e de justiça.
E promete incendiar o país.
Ferreira Gullar
"Vivemos hoje novas formas de vida, novos regimes
precisam criar identidades que se adaptem a eles. Daí que é comum hoje governos
e meios de comunicação inventarem um passado. Como dizia George Orwell, estamos
em uma idade em que o presente controla o passado. Altera-se a História para
servir aos interesses de alguns poucos grupos [...] É vital o historiador lutar
contra a mentira. O historiador não pode inventar nada, e sim revelar o passado
que controla o presente ás ocultas".
ERIC. J. HOBSBAWM.
Robson Bertasso - Equipe História Agora.
“Reflexões sobre o Romance-rio”
"Todo mundo tem pressa. A vida se tornou tão múltipla,
tão estonteamente tentacular, que o homem, no afan de tudo gozar, de tudo
aprender, de tudo penetrar - procura a síntese, sofre da mania do comprimido,
vive assombrado pelo relógio, a procurar o máximo de prazer e de experiência no
mínimo de tempo. No meio de toda essa balbúrdia a que já nos vamos habituando,
há um fenômeno muito curioso que desafia o nosso espírito de análise. É o que o
século da pressa, da síntese, da falta de repouso para a leitura - o
romance-rio, o romance caudaloso, o romance camalhaço ressurge a melhor
maneira."
- Erico Verissimo, em “Reflexões sobre o Romance-rio”.
Revista do Globo, 213, 1937. p 17.
AO IDEAL
AO IDEAL
A quem como a ti amei eu, ó sombra amada!
Atraí-te a mim, para dentro de mim-- e desde então
quase me fiz eu sombra, e corpo tu.
Todavia os meus olhos não aprendem,
afeitos a ver as coisas fora de si:
pra eles és sempre o eterno "fora de mim".
Ah, estes olhos põem-me fora de mim!"
(F. Nietzsche, "POEMAS", antologia, versão
portuguesa e notas de Paulo Quintela, 2ªed revista, Centelha, Coimbra 1981,
p.191. )
roberto piva - entrevista a claudio r. da silva, 1994
Antonin Artaud, que era um poeta xamânico, dizia: "- O
sexo tem que ser frio,
mercurial como o éter". E Ferenczi, denominado enfant
terrible da psicanálise,
afirma que não existe a fase anal, genital, mas que a libido
é flutuante. Nesse
sentido, a questão da identidade é inexistente: o gay não
existe para a libido.
fonte : Rubens Zárate
Coisas da Gramática Polaca
Przyimki – preposições
Dopełniacz – genitivo
Bez (sem), blisko (perto),dla (para), do (para), koło (ao
redor), niedaleko (próximo), obok (ao lado), od (a partir de), z (de), u (de),
oprócz (além).
Miejscownik - locativo
Na (na), o (sobre), przy (ante), w (em), po (pós, depois)
Biernik – acusativo
Wśród (entre), podczas (durante), z powodu (em razão de), na
(na), nad (sobre), o (sobre), po (depois), pod (sob), przed (antes), przez (ao
longo, por), za (atrás)
Narzędnik – instrumental
Między (entre), nad(sobre, pod (sob), przed (antes), z (de),
za (atrás, pós)
Preposições comuns a dois casos de declinação:
Na = locativo, acusativo
O = locativo, acusativo
Po = locativo, acusativo
Nad = instrumental, acusativo
Pod = instrumental, acusativo
Przed = instrumental, acusativo
Za = instrumental, acusativo
Z = instrumental, genitivo
O que é a vida?
''O motivo pelo qual nosso ego sensível, perceptivo e
pensante não se encontra em nenhum lugar dentro de nossa imagem científica do
mundo, pode ser facilmente exposto em oito palavras: porque ele próprio é essa
imagem do mundo.É idêntico ao todo e portanto não pode estar contido nele como
sua parte.''
-Erwin Schrödinger
[ ''O que é a vida?'' O Paradoxo aritmético: A unicidade da
Mente]
quarta-feira, 29 de maio de 2013
"Quero uma poesia que mate"
LeRoi Jones
Estamos a dormir e a sonhar que acordámos
com os nervos ligados
a uma bateria de imagens coléricas,
pólvora enrolada na língua
e dedos recriminadores apontando tudo,
dedos enfiados bem fundo na garganta, nessa ferida absurda.
Já tive oportunidade de dizer-te que sou um animal obcecado,
que faço o olhar descer como a noite pelas costuras
no vestido de senhoras sentadas a uma hora destas,
lendo bestsellers nos cafés mais demorados
de Lisboa. Posso agora acrescentar que perdi toda a esperança
de vir a ser recolhido nas suas mãos e de ser acarinhado
nesses regaços, a não ser
que sejam elas a mudar de ideias,
que lhes suba ao espírito um fervor demencial
e rasgando o ventre dêem à luz um eloquente suicida.
Estamos eu, tu, estamos todos à espera
de uma criança em chamas que venha fazer letra morta
dos discursos que nos afogam, de todos os poetas já nacionalizados
e da exausta metafísica que nos gela o sangue.
Essa criança tarda em vir, se calhar calou-se à nascença,
seja como for
não nos resta outra coisa senão chamar mais alto.
Enquanto não vem
vamos nós saindo de chinelos para o cosmos,
em busca desse electro-choque experimental, o texto-motor
que nos vai servindo de exercício e passatempo.
À noite deixo a luz do corredor acesa e a porta do quarto
entreaberta,
não por medo do escuro, mas para conduzir
os demónios aos meus sonhos.
Quero acordar inspirado, há que erguer uma obra
nem que seja só para depois vê-la arder.
Morrer para ela – ainda que vivas –,
ainda que depois de estar escrita a última linha,
permaneças à margem e não te deixes convencer.
Diogo Vaz Pinto
Nevralgias
Blogue "O Melhor Amigo"
Segunda-feira, 3 de Novembro de 2008
Cartas a Lucílio
"Quando vires alguém com um estilo rebuscado e cheio de
adornos podes ter a certeza de que a sua alma apenas se ocupa igualmente de
bagatelas. Uma alma verdadeiramente grande é mais tranquila e senhora de si a
falar, e em tudo quanto diz há mais firmeza do que preocupação estilística. Tu
conheces bem os nossos jovens elegantes, com a barba e o cabelo todo aparado,
que parecem acabadinhos de sair da fábrica! De tais criaturas nada terás a
esperar de firme ou sólido. O estilo é o adorno da alma: se for demasiado
penteado, maquilhado, artificial, em suma, só provará que a alma carece de
sinceridade e tem em si algo que soa a falso."
Sêneca
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Notas de Petersburgo de 1836
de Nikolai Gogol
“Petersburgo é um rapazinho cheio de expediente, nunca fica
em casa, sempre se veste com capricho e, todo enfeitado diante da Europa, faz
uma reverência para as pessoas de além-mar. (...) Moscou é um grande bazar;
Petersburgo é uma loja iluminada. Moscou é necessária para a Rússia; para
Petersburgo, a Rússia é necessária.”
“Em suma, Petersburgo, todo o mês de abril, parece
preparar-se para alçar vôo. Desprezar com alegria a vida sedentária e sonhar o
tempo todo com estradas distantes, sob outros céus, nos bosques verdejantes do
sul, em terras de ar novo e fresco. Com alegria para aquele a quem, no fim de
uma rua de Petersburgo, se delineiam as montanhas do Cáucaso cobertas de
nuvens, ou os lagos da Suíça, ou a Itália coroada de anêmonas e loureiros, ou a
linda Grécia e suas vastidões desertas... Mas basta, meu pensamento: em ambos
os lados à minha volta, ainda se erguem as casas de Petersburgo...”
O Chicago! O Widerspruch!
Volker Braun
Oh Chicago!
Oh discrepância! / Brecht, teu charuto acabou se apagando? / Durante os
terremotos que provocamos / Nos Estados construídos sobre a areia. / O
socialismo vai-se, lá vem Johnny Walker. / Não consigo fixá-lo nos pensamentos
/ Que aliás estão caindo. As ruas quentes / De outubro são as trilhas frias /
Da economia, Horácio. Enfio o chiclete / na bochecha / Eis que é chegado o nada
significante.
Koktebel
Para meus versos, escritos
num repente
Quando eu nem sabia que era
poeta,
Jorrando como pingos de nascente,
Como cintilas de um foguete,
Irrompendo como pequenos
diabos,
No santuário, onde há sono e
incenso,
Para meus versos de mocidade
e morte,
— Versos que ler ninguém
pensa! –
Jogados em sebos poeirentos
Onde ninguém os pega ou
pegará)
Para meus versos, como os
vinhos raros,
Chegará seu tempo.
Maio de 1913 - Koktebel
Marina Tsvetaeva
*em russo*
Моим стихам, написанным так
рано,
Что и не знала я, что я —
поэт,
Сорвавшимся, как брызги из
фонтана,
Как искры из ракет,
Ворвавшимся, как маленькие
черти,
В святилище, где сон и
фимиам,
Моим стихам о юности и
смерти,
— Нечитанным стихам!
Разбросанным в пыли по
магазинам,
Где их никто не брал и не
берёт,
Моим стихам, как драгоценным
винам,
Настанет свой черёд.
Коктебель, 13 мая 1913
Цветаева
.
Paraíso perdido
Aryia
De extremo a extremo
O céu está pegando fogo
E nele desaparecem
Todas as esperanças e sonhos.
Mas você está dormindo
E um anjo voa na sua direção
Limpa suas lágrimas,
E no sono você ri!
Adormeça,
Nos meus braços adormeça,
Adormeça
Sob a melodia da chuva...
Lá longe
Lá onde termina a borda do
céu
Você encontrará
O paraíso perdido.
No sono um demônio astuto
Pode atravessar paredes
E o fôlego dos adormecidos
Ele sabe raptar.
Não é preciso ter medo,
Minha alma estará por perto,
Para os teus sonhos
Velar até o amanhecer.
Estendo minhas mãos -
Para você encher com sua dor,
Encha-as com a tristeza
Com o medo das trevas que
ecoam,
E você nem perceberá
Que o céu está pegando fogo
E a vida desmantelando
Todas as esperanças e sonhos.
Adormeça,
Nos meus braços adormeça,
Adormeça
Sob a melodia da chuva...
Lá longe
Lá onde termina a borda do
céu
Você encontrará
O paraíso perdido.
*em russo*
~Потерянный рай~
Группа Ария
От края до края
Hебо в огне сгорает,
И в нем исчезают
Все надежды и мечты.
Hо ты засыпаешь,
И ангел к тебе слетает,
Смахнет твои слезы,
И во сне смеешься ты!
Засыпай,
Hа руках у меня засыпай,
Засыпай
Под пенье дождя...
Далеко,
Там, где неба кончается край,
Ты найдешь
Потерянный рай.
Во сне хитрый демон
Может пройти сквозь стены,
Дыханье у спящих
Он умеет похищать.
Бояться не надо,
Душа моя будет рядом,
Твои сновиденья
До рассвета охранять.
Подставлю ладони -
Их болью своей наполни,
Hаполни печалью,
Страхом гулкой темноты,
И ты не узнаешь,
Как небо в огне сгорает,
И жизнь разбивает
Все надежды и мечты.
Засыпай,
Hа руках у меня засыпай,
Засыпай
Под пенье дождя...
Далеко,
Там, где неба кончается край,
Ты найдешь
Потерянный рай.
domingo, 26 de maio de 2013
fragmento
me declaro cavalo e pecador
temporais de um corpo inexistente.
em dezembro me caso por amor."
romério rômulo
fragmento
me declaro cavalo e
pecador
temporais de um corpo inexistente.
em dezembro me caso por amor."
romério rômulo
temporais de um corpo inexistente.
em dezembro me caso por amor."
romério rômulo
Roberta Tostes Daniel
Poesia feita escápula,
acesa em Ícaro
(desvelo de seus remos),
praias abertas em que nadam
antigos desastres.
Ou sob o eixo da lua, sangrenta,
enchendo o mar para o que bebe,
águas singradas de sono
tangendo a pureza, até o leite.
Porque sucumbem, suas imagens
trazem o retrato potencial:
o exame das formas inexistentes.
E ilhargas, calos, tendões;
anatomia alada;
escreve-se para rompê-la.
Chegar onde saúdam -
o sol do breve entendimento.
Destino em minhas mãos
Não quero sentir o fio da navalha em meu pescoço tão pouco a
lamina de uma
espada.
Mas se o destino que tenho não for possível ser mudado .
Não me resta nada esperar.
A cigana leu o meu destino,torço para ela ter errado.
Minhas mãos não ficam mais a mostras,tenho receio de uma
outra cigana traçar o mesmo destino.
Olho para as ruas !
cada canto vejo se encontro um beco para eu me esconder da
morte que está a caminho.
Procuro no nada, para ver se encontro o tudo.
O tudo não existe.
Que tolo sou eu!
Apesar de estar vivo não enxergo nada .
Fecho os olhos e faço um ensaio para a morte.
Sinto a sensação de alegria,descubro que a vida é uma
ilusão,e que a morte por certa é a única razão.
Razão por eu ter nascido,ter crescido,ter amado,ter sido
amado,ter odiado,sendo também odiado,ter sido triste,alegre,feliz,infeliz.
Momentos de harmonia sutis fizeram com que eu me sentisse
preso neste mundo.
Volto para a realidade.
Frente ao espelho de meu banheiro com a navalha nas
mãos,olho a lamina reluzente e me pergunto:
Como posso ter medo do fio da navalha?
Será que vou me suicidar?
A cigana se enganou.
Rio com um sorriso de satisfação ,por ter a certeza que a
cigana não conhece as linhas de minhas mãos.
O destino a mim pertence e sendo assim ,pego uma espada para
cortar o corpo da mulher que me enganou.
Encontro a arma cheia de poder naquele momento.
Sim,ela decidira se a cigana continuara a viver.
Espada na cinta saio á procura da velha adivinha.
Encontro uma esquina.
Lá está ela sentada em uma pedra a me esperar,me aproximo
sem nada falar.
Ela me olha sem medo e sem nada dizer.
Empunho a espada ao alto e falo:
Esta é a arma da justiça,pagará com a vida por ter me
enganado.
Falou-me que estava escrito em minhas mãos.
que a morte estava a me rondar e que o suicídio estava a
caminho.
Como pode ver agora, nada me aconteceu.já esta para
escurecer e não deixarei passar impune a sua mentira.
Desço o braço com toda força que tenho ,para atingir o meu
alvo.
A lamina bate ao lado da cigana,atingindo a pedra em que ela
se encontra sentada.
Perco o equilíbrio e bato com a cabeça na pedra.
O ensaio de antes torna-se realidade.
Um filete de sangue escorre de minha cabeça a céu aberto e a
espada ao meu lado
Faz se cumprir o destino que a cigana havia previsto.
Agora vivo no mundo da razão ,quem sabe um dia voltarei ao
mundo da ilusão.
Ubirajara Souza
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