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domingo, 26 de maio de 2013

Roberta Tostes Daniel

Poesia feita escápula,
acesa em Ícaro
(desvelo de seus remos),
praias abertas em que nadam
antigos desastres.

Ou sob o eixo da lua, sangrenta,
enchendo o mar para o que bebe,
águas singradas de sono
tangendo a pureza, até o leite.

Porque sucumbem, suas imagens
trazem o retrato potencial:
o exame das formas inexistentes.

E ilhargas, calos, tendões;
anatomia alada;
escreve-se para rompê-la.

Chegar onde saúdam -
o sol do breve entendimento.



domingo, 14 de abril de 2013

Heterogenia


"Na hora de contar a história, tem gente que começa pelo meio dela. E dá certo. Mas na hora de vivê-la, não há jeito, existe um ponto de partida, que é sempre a transição do que existia antes para o que começa a existir depois. E tem meios materiais essa transição. Muita gente prefere alinhar o parlamento íntimo ao status quo. É uma opção razoável, claro, sobretudo quando se é permitido optar por alguma coisa nessa vida. Mas há um establishment aqui dentro que não se alinha a nada, que guerreia o tempo todo com a heterogenia do de dentro, que brinca com qualquer mecanismo autossustentável e que nunca referenda a palavra eterno."
Roberta Tostes, 2003.