sexta-feira, 4 de maio de 2018

1919: Protesto estudantil em Pequim



No dia 4 de maio de 1919, universitários chineses protestaram contra o Tratado de Versalhes, que concedia antigos territórios alemães na região aos japoneses. Manifestação desembocou na renovação cultural chinesa.


"Esta é a última chance para a China, na sua luta de vida e morte. Juramos hoje solenemente, junto com todos os nossos compatriotas: o território da China pode ser ocupado, mas não pode ser entregue! O povo chinês pode ser massacrado, mas não se renderá! Nossa pátria está diante da destruição. Levantem-se, irmãos!"

Rebelião no centro de Pequim: 3 mil estudantes distribuem panfletos na praça da Paz Celestial, um lugar que ainda viria a ser palco de outras manifestações estudantis, muitos anos depois.

Jovens querem sacudir o país

Os estudantes estavam decididos a despertar a resistência no país: resistência contra o Tratado de Versalhes, que concedera ao Japão o antigo território colonial alemão. E resistência contra o próprio governo, que pretendia assinar o tratado. Eles marchavam pela cidade e muitos choravam à beira da calçada. Atravessaram o bairro dos diplomatas e invadiram a casa do ministro dos Transportes e chefe do banco estatal, um simpatizante dos japoneses. E gritavam: "Abaixo os traidores!".

O Japão aproveitou a confusão da Primeira Guerra Mundial na Europa para assumir o controle sobre uma grande parte da província oriental chinesa Xantung. Tratava-se da cidade portuária de Tsingtao e suas redondezas, um território que a Alemanha ocupara em 1898 e arrendara posteriormente por 99 anos.

Depois que a Alemanha foi vencida na Primeira Guerra Mundial e o presidente norte-americano Woodrow Wilson enunciou os seus 14 pontos do direito de autodeterminação dos povos, os chineses estavam otimistas de que o Japão devolveria esse território. A delegação chinesa na conferência de paz de Versalhes teve um grande apoio popular, em especial dos estudantes, mas, em vão.

A China não era uma colônia, como a Índia, a Indonésia ou o Vietnã; mas, desde meados do século 19, as potências estrangeiras ocuparam, passo a passo, partes atraentes do seu território, como Hong Kong e Xangai. Muitos chineses sentiam-se humilhados, como uma "meia colônia". A abolição do império milenar, em 1911, não contribuiu para a situação.

Tudo ficou diferente

As manifestações de 4 de maio e das semanas seguintes não obtiveram grande êxito político. Apesar disso, o 4 de maio de 1919 está entre as datas mais conhecidas da história chinesa do século 20: nada ficou como era antes.

O dia é um símbolo da arrancada da China rumo aos tempos modernos. E esse entusiasmo das manifestações estudantis foi preservado durante toda a década de 20. O Movimento de Quatro de Maio, como seria denominado posteriormente, era sedento de toda novidade proveniente do Ocidente.

Surgiram na época tanto o Partido Comunista da China quanto os anarquistas chineses. Também a moderna literatura chinesa teve sua origem com o Quatro de Maio. Ela foi chamada de "nova literatura" – e o que era novo, era considerado bom. Uma das revistas mais importantes da época denominava-se "Nova Juventude".

Os jovens intelectuais do Quatro de Maio fizeram um acerto de contas radical com o tradicional e com os velhos, como nunca ocorrera antes, nem viria a ocorrer depois. Eles viam nesse mofo milenar a verdadeira causa da fraqueza e do atraso da China. Em 1919, a Nova Juventude escrevia:

"Acreditamos que as ciências naturais e a filosofia pragmática sejam condições indispensáveis para o progresso da nossa sociedade atual, e que a superstição e a especulação devam ser abolidas. Acreditamos que o respeito à personalidade e aos direitos da mulher sejam absolutamente imprescindíveis para a evolução progressista da nossa sociedade atual."

Até mesmo novos nomes

Mulheres subservientes, respeito pelos pais: súbito, os valores de Confúcio não prevaleciam mais. A família ficou fora de moda, não se desejava manter nem mesmo os sobrenomes, como recorda o escritor Chang Yiping:

"Conheci um jovem que substituiu os três ideogramas do seu nome por 'Ele-Você-Eu'. E na Universidade de Pequim, na entrada da Faculdade de Filosofia, encontrei certa vez um amigo que estava acompanhado por uma moça de cabelos curtos. Eu lhe perguntei: 'Qual é o seu sobrenome?' Ela me olhou espantada e gritou: 'Eu não tenho sobrenome!' Havia também quem escrevesse a seu pai uma carta com o teor: 'A partir do dia tal, eu não o considerarei mais como meu pai. Somos todos amigos com direitos iguais'."

Posteriormente, a maioria dos chineses considerou tudo isso ridículo. Poucos anos depois, Mao Tsé-tung idealizava o caminho próprio da China para o comunismo. Não era mais possível, simplesmente, copiar o estrangeiro. A China fechava-se cada vez mais em relação ao exterior.

Também Mao Tsé-tung estava na Universidade de Pequim em 1918 e 1919. Como bibliotecário.

Autoria Thomas Bärthlein (am)

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terça-feira, 1 de maio de 2018

MAN WATCHING A WOMAN




I want your hand to be placed on my heart, and come,
I want the palm of your hand on my heart, for it to be placed on me.
Before you come I shall light a fire and I shall await
Your coming patiently. I want the big fire

To be alight all night, and voices in the silence of this fire
To be heard only as we once heard the sound of the sea,
For your shoulder, hand, arm to be put on my heart,
And for the fire to be alight.

Let it snow outside, let's not remember anyone outside.
Let the town fall into a heavy sleep, let the town sleep,
Let fathers, brothers sleep sweetly and bitterly.
Let every place, space and area be covered in white snow.

Let factories, stations, the airport sleep in peace,
Let the sky too rest in sleep, let there be no flying,
Let the yard dogs, the tramp, the bird on the wire
Be overcome by slumber, let everything surrender to slow

Sleep and peace. But let me hold your weak
And white hand the whole night and have it on my heart.
Let for a moment an unknown god stop by our windows,
And let us too go to sleep, but let the fire stay alight.



© 2004,   Rati Amaghlobeli
© Translation: 2007, Donald Rayfield  

http://georgia.poetryinternationalweb.org/piw_cms/cms/cms_module/index.php?obj_id=11179

fonte : "poemoftheweek@poetryinternational.org" 

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Último deseo

Théophile Gautier

Hace ya tanto tiempo que te adoro
-dieciocho años son muchos días-
eres de color rosa, yo soy pálido,
yo soy invierno y tú la primavera.

Lilas blancas de camposanto
en torno de mis sienes florecieron,
y pronto invadirán todo mi cabello
enmarcando mi frente ya marchita.

Mi sol pálido que declina
al fin se perderá en el horizonte,
y en la colina fúnebre, a lo lejos,
veo la morada final que me espera.

Deja al menos que caiga de tus labios
sobre mis labios un tardío beso,
para que así una vez esté en mi tumba,
mi corazón tranquilo pueda reposar.
Biblioteca Digital Ciudad Seva



sexta-feira, 20 de abril de 2018

Olgária matos - Tempo sem experiência

Sociologia Descolada: Sobre ser sociólogo

Sociologia Descolada: Sobre ser sociólogo: Nós, sociólogos, analisamos a sociedade a partir de teorias e métodos científicos. Defendemos a igualdade social e os valores democráticos...

AÉCIO EXEMPLO



Enquanto vocês criticam Aécio Neves eu só consigo pensar que ele é um exemplo a ser usado para a educação das crianças que estão entrando em idade escolar, viu.
Olha só,
- Para quando a criança não aceitar brincar com amiguinhos, excluindo eles do time ou do jogo, use o exemplo do Aécio.
- Para quando a criança não aceitar o resultado da brincadeira, caso derrotada, ou por ter ficado em segundo lugar, use o exemplo do Aécio.
- Para quando a criança for pega mentindo e continuar dizendo que ela não fez nada de muito errado, foi só um pouquinho, use Aécio como exemplo.
Afinal de contas: Se Aécio não tivesse passado a perna em Serra e Alckmin em 2014, um dos paulistas teria sido candidato a presidente e pelo PSDB, se derrotados por Dilma, Aécio teria continuado na liderança do partido e seria o candidato natural à presidência em 2018. Mas, foi brigar com os amiguinhos de SP em 2014, deu no que deu.
Se Aécio tivesse aceitado a derrota em 2014, não teria apresentado o primeiro pedido de impeachment de Dilma, não teria desarticulado as relações entre governo e oposição, criando um grupo de traidores do governo dentro do governo e, por consequência, não teria dado tanta força pública para a criminalização judicial da política. Mas, não aceitou ser derrotado e acabou sendo vítima do próprio veneno, pois caiu nas “armadilhas” da indústria judiciária de delações contra políticos.
E, se tudo isso não tivesse acontecido até então, as denúncias contra ele e/ou PSDB continuariam sendo arquivadas ou por transcurso de prazo ou por falta de provas em Brasília (vide caso Furnas). Mas ele foi pego na mentira e insiste que só errou um pouquinho, mas que não é criminoso. Ainda assim, passou a ser réu em uma ação. Prova de que criança não pode mentir. A denúncia não deve ir muito adiante. O mais provável é ser arquivada ou o crime prescrever por transcurso de prazo. Ou seja, só foi colocado no “cantinho do pensamento” da escola, muito longe de ter que ajoelhar no milho.

Veja como em educação o uso de exemplo inverso ajuda no amadurecimento das crianças. Se Aécio não tivesse feito tudo o que fez nos últimos quatro anos teríamos um exemplo a menos de comportamento infantil e irresponsável para a educação das nossas futuras gerações. 

Emerson Urizzi Cervi


#paz #meditacoespedagogicas #educadordefacebook

domingo, 8 de abril de 2018


Lula não foi condenado pelo tríplex (esqueçam isso!). Lula foi condenado quando decidiu que cada brasileiro deveria fazer três refeições ao dia. Lula foi condenado quando tirou o brasil do mapa da fome mundial. Lula foi condenado quando milhões ascenderam socialmente. Lula foi condenado quando decidiu que pobres poderiam chegar à universidade e às escolas técnicas. Lula foi condenado quando a filha do pedreiro virou engenheira, o filho do garçom virou advogado e o negro favelado deixou de ser bandido para ser médico: invertendo, assim, a lógica dessa porra toda. Lula foi condenado quando começou a dar show pelo mundo, no g-20, nas nações unidas e nos cambau a quatro. Lula foi condenado quando investiu mais em educação e saúde que todos os outros presidentes. Lula foi condenado quando investiu no nordeste brasileiro, sempre esquecido. Lula foi condenado quando mostrou à elite deste país que um operário sabia governar. Lula foi condenado quando alcançou 80% de aprovação popular. Lula foi condenado por suas virtudes, não por seus eventuais pecados. Lula é imenso, do tamanho do Brasil. Lula é a história."

kafkianas


Josef K. que foi condenado e julgado por um tribunal misterioso, em que muitos ficam em dúvida sobre a real história acontecida. A justiça questionada na obra revela a obscuridade do processo realizado contra Josef K e quão vago ele se transforma e são usadas provas absurdas contra ele durante todo o romance. O Estado é considerado arbitrário e autoritário. Demonstram que os direitos sociais do homem são tolhidos e revelam as falhas e erros o sistema judiciário. Pode-se dizer que a liberdade que é um direito de todos os direitos de ser ouvido e de defesa, nesta obra, é negada, e a aplicação o poder democrático também é alienado e impedido
Louise Ronconi de Nazareno

"A transformação de uma operação de combate à corrupção com 50 etapas em um objetivo único que é prender um ex-presidente expõe a face mais danosa de todo o processo: a implosão institucional, em especial do poder judiciário.
Isso se dá pela tentativa de substituição de uma liderança personalista por outra. De Lula pelos seus algozes. Todos os envolvidos, da primeira à última instância, não souberam lidar com a visibilidade pública que tiveram até aqui. Pensaram que poderiam substituir o personalismo de Lula por um novo perfil de líder popular. Enganaram-se. Visibilidade pública não produz liderança real. É o contrário. Mas isso os sinhozinhos provincianos não entendem. O que inclui ministros do supremo que essa semana experimentaram o gosto amargo de críticas públicas feitas por seus próprios pares, algo inédito na história das instituições, em especial, das instituições jurídicas brasileiras. Em 2018 o judiciário começa a se canibalizar em frente às câmeras de televisão, assim como a elite política vem fazendo desde 2013.
O pior de tudo isso é que o legado deixado por uma operação que usa a corrupção para substituir (substituir e não combater) lideranças personalistas é o desmonte das estruturas formais de combate efetivo à corrupção. Sem instituições fortes, que respeitem as regras, nunca haverá combate à corrupção de fato.
A diferença entre a liderança personalista de Lula e a dos sinhozinhos é que Lula, como conciliador, conseguiu criar uma imagem de líder personalista ao mesmo tempo em que se fortaleciam as instituições. Quem busca se transformar em nova liderança personalista sem a experiência da representação e a qualidade da conciliação, fatalmente terminará implodindo as instituições.
Pelo enfraquecimento institucional é que perderemos todos no futuro, ainda que por agora pareça que exista um vencedor."
Emerson Urizzi Cervi:

terça-feira, 3 de abril de 2018

Tiros que o senhor ouviu


Fernando Limongi: Tiros que o senhor ouviu

- Valor Econômico 2/4/2018

Lula divide a sociedade como ninguém antes o fez

O clima político esquentou. Nas duas últimas semanas, a radicalização voltou a dar as caras, culminando em tiros contra a caravana de Lula, declarações desastradas do candidato tucano e apologia ao porte de armas por Bolsonaro e seus seguidores. O espaço para a serenidade e o razoável se viu reduzido. Voltamos ao sertão de Riobaldo em que até Deus deveria andar armado.

O julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do habeas corpus solicitado pela defesa de Lula explica o recrudescimento do embate político. O cerco sobre o presidente Temer e o calendário eleitoral (prazo de desincompatibilização e de filiação partidária) também contribuíram, mas Lula, como nenhum outro personagem da história política brasileira recente, desperta paixões e divide a sociedade brasileira em grupos antagônicos, os que o amam e os que o odeiam.

O STF recebeu a batata quente de Moro e do TRF-4. As duas instâncias sabiam quais as consequências de suas decisões, isto é, estavam cientes que colocariam o STF contra a parede e, mais, que a prisão após condenação em segunda instância poderia ser a vítima do seu blefe. Pagaram para ver. O destino da Lava Jato não está em causa. Está em causa a prisão do ex-presidente.

A resposta virá ao longo da semana. Todo observador da cena política (incluindo Moro e os três do TRF-4) sabe que a nossa Corte Suprema é antes de tudo inconstante, discricionária e aleatória. Isso é sabido. Basta olhar o histórico de suas decisões. Portanto, não será surpresa se a Corte alterar sua posição.

Nesse imbróglio, o texto constitucional é o que menos importa. Faz tempo que o Supremo vem decidindo sem precisar se referir à Constituição, a seus artigos, incisos ou o quer que seja. A jurisprudência vigente é a de que o STF faz o que lhe dá na telha e, mais, que atira para o lado que estiver voltado. No caso, as considerações politicas se sobreporão às convicções jurídicas, se é que a decisão anterior sobre a matéria se deu por razões jurídicas.

O julgamento de Lula será palco do teatro a que os brasileiros foram forçados a se acostumar nos últimos tempos: um show de vaidades representado por personagens picarescos. As datas vênias, referências a leis e decisões anteriores torrarão a paciência dos cidadãos plugados na TV Justiça. Ninguém dará a mínima para os argumentos dos magistrados, nem os próprios. Interessa apenas o placar, o resultado final, se Lula ganha ou perde.

Gilmar Mendes, com o tom de superioridade professoral que o caracteriza, achou por bem pedir aparte para explicar aos demais como devem votar. Começou frisando ninguém poderá lhe "imputar simpatia pelo PT", mas que Rui Barbosa teria lhe ensinado que se a "lei cessa de proteger nossos adversários, cessa virtualmente de nos proteger". Trocando em miúdos: se ponho meu adversário em cana, não tenho como proteger meus amigos. Assim será.

Assim, qualquer ela seja a decisão sobre o destino de Lula, ela estará de acordo com precedentes e a jurisprudência e, por isso mesmo, será vista como casuísta pelos perdedores e legítima pelos ganhadores. E mais, quem perder terá toneladas de exemplos para provar que vem sendo sistematicamente perseguido, que a Corte favorece seus adversários.

A tensão é alta e todos pressionam o STF. Fica por saber como se comportarão após a decisão. O Vem Pra Rua voltou à vida e achou recursos para pagar anúncio de página inteira nos jornais pedindo a confirmação da sentença. O moralismo e a renovação da turma, portanto, só ganha corpo se o alvo é o PT. Quando Temer era a bola da vez, o Vem Pra Rua, alegando falta de recursos e cansaço cívico, ficou em casa.

Jair Bolsonaro, o candidato da segurança, houve por bem fugir do Rio de Janeiro sem dizer uma palavra sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco. Preferiu confrontar Lula em Curitiba, onde, mantida a distância, disparou suas bravatas usuais, cercado por um punhado de policiais e militares aposentados. A violência verbal de Bolsonaro tem alvo preciso: o PT e Lula, a quem não cansa de equiparar a criminosos. Com o requinte habitual, declarou: "Presidente tem que meter bala em vagabundo e não formar quadrilha com eles."

O circunspecto Geraldo Alckmin também entrou na dança da insensatez e escorregou na casca de banana que o clima politico lançou à sua frente. Na semana retrasada, propôs trégua, afirmando que era hora de deixar "lado os pesadelos do passado." Disse mais: "não vou ficar brigando por coisa do PT, vou olhar para o futuro." Diante dos tiros no sul, esqueceu-se do Alckmin "paz e amor" para afirmar que o "PT colhia o que plantava." A retratação posterior não esconde as dificuldades do candidato de tratar Lula e o PT com civilidade, como se a moderação fosse responsável pelo apoio tímido que vem colhendo nas pesquisas.

A ironia das ironias é que Alckmin deu essas declarações ao comparecer à estreia do épico "Nada a perder: a história real de Edir Macedo", filme em que o bispo é retratado como um defensor dos humildes, preso em razão da reação sórdida das elites ciosas da preservação de seus privilégios. Ocorre a alguém o paralelo?

Quanto ao PT e ao que estaria plantando, vale ter em mente que em que pese ter 'gritado golpe', Dilma deixou o poder de forma ordeira. A ameaça de convocar o exército de Stédile não passou disso, de uma ameaça. Lula está se defendendo apelando para as armas legais que lhe restam, um pedido de habeas corpus à Corte Suprema, tendo como advogado um ex-ministro dessa mesma corte. Nada poderia ser mais 'burguês', 'legalista' e comportado.

A existência do diabo atormentava Riobaldo. O Papa Francisco declarou que o inferno não existe, mas a notícia ainda não chegou por aqui. A lógica do sertão resiste.
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Fernando Limongi é professor do DCP/USP e pesquisador do Cebrap.

terça-feira, 27 de março de 2018

A une femme






Enfant ! si j'étais roi, je donnerais l'empire,
Et mon char, et mon sceptre, et mon peuple à genoux
Et ma couronne d'or, et mes bains de porphyre,
Et mes flottes, à qui la mer ne peut suffire,
Pour un regard de vous !

Si j'étais Dieu, la terre et l'air avec les ondes,
Les anges, les démons courbés devant ma loi,
Et le profond chaos aux entrailles fécondes,
L'éternité, l'espace, et les cieux, et les mondes,
Pour un baiser de toi !



Victor HUGO (1802-1885)

segunda-feira, 26 de março de 2018

1871: A Comuna de Paris



Em 26 de março de 1871 eclodiu a insurreição conhecida como Comuna de Paris, com a instituição de uma ditadura proletária, esmagada por tropas francesas conservadoras e estrangeiras em maio do mesmo ano.






Ruínas do Hotel de Ville, sede da Comuna

O tiro de partida para a insurreição havia sido dado um mês antes, quando manifestantes de esquerda haviam capturado 200 canhões da Guarda Nacional. Há exatamente oito dias, o governo conservador tentava em vão retomar as armas e, depois do fiasco e de forma totalmente inesperada, se retirou para Versalhes em 18 de março.

Foram várias as razões para a insurreição de Paris. A França havia perdido uma guerra para a Alemanha. Os termos da paz proposta pelos prussianos foram rejeitados pelo socialista Louis Blanc e o anarquista Joseph Proudhon. Quando o resto do país já havia capitulado, Paris manteve a resistência.

Revolta espontânea

As tropas prussianas mantiveram a cidade sitiada durante meses. As privações consequentes do cerco custaram a vida de milhares de pessoas. Mesmo depois da capitulação, em janeiro de 1871, o drama social dos parisienses era grande, pois o gabinete conservador nacional governava à revelia das necessidades da população de Paris. Tudo isso gerou uma revolta espontânea contra o governo em março de 1871.

Após a retirada do governo de Paris para Versalhes, os revolucionários vitoriosos deliberaram sobre novas medidas. Alguns queriam marchar imediatamente para Versalhes e prender o governo antigo. Mas a maior parte dos insurgentes não tinha ambições de longo alcance. Eles queriam simplesmente autonomia política local. Quer dizer, desejavam um governo de maioria de esquerda conquistado em eleição e com isso se tornarem independentes do governo nacional conservador. Por isso, o Comitê Central convocou uma eleição municipal para 26 de março de 1871.

Atender necessidades do proletariado

O resultado da eleição foi o desejado pela esquerda. Em 28 de março entrou para a comuna uma mistura de jacobinos, anarquistas e socialistas, que se denominou "A Comuna". Em seus dois meses de governo, ela aprovou uma série de leis. As principais visavam atender as necessidades mais prementes do proletariado parisiense.

Entre as mais profundas destacaram-se a separação entre o Estado e a Igreja, o fim dos privilégios dos nobres, a autonomia do governo de Paris e a famigerada "lei do refém", que ameaçava com a pena de morte aquele que cooperasse com o governo antigo.

A experiência da Comuna de Paris chegou ao fim com uma semana sangrenta, após dois meses caóticos que se seguiram ao começo entusiástico. As tropas do governo que se encontrava em Versalhes conquistaram a cidade de volta depois de batalhas sangrentas. A Comuna de Paris matou cerca de 500 presos, principalmente policiais e clérigos, inclusive o arcebispo da cidade.

Começou uma cruzada sangrenta de vingança depois da tomada de Paris pelas tropas governamentais. Eram executados todos os que faziam parte da Comuna de Paris ou pareciam ser simpatizantes. Historiadores calculam que as tropas governamentais mataram de 20 mil a 25 mil pessoas depois de conquistar a capital.

Autoria Rachel Gessat (ef)

Palavras-chave calendário histórico, Comuna de Paris, 26/03/1871, insurreição de Paris, guerra franco-prussiana, Versalhes

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1871: Termina a "semana sangrenta" de Paris



A semana de 21 a 28 de maio, que marcou o fim da Comuna de Paris, foi um dos episódios mais sangrentos da história da França.



O dia 28 de maio de 1871 foi um domingo, o Domingo de Pentecostes. Enquanto em outros lugares era festejada a descida do Espírito Santo, os fatos em Paris mais lembravam o inferno do que o céu. As lutas desesperadas entre os rebeldes da Comuna de Paris e as tropas do Exército já duravam uma semana.

Uma testemunha ocular narrou: "Eugène Varlin, que tinha lutado até o último instante, chegou a alcançar a Rue Lafayette, quando foi reconhecido por um oficial de Versalhes. Com as mãos amarradas nas costas, ele foi levado a Montmartre; durante todo o caminho para lá, ele foi golpeado com coronhas de fuzil e quase linchado por uma entusiástica multidão de parisienses. Quando chegou à tenebrosa Rue des Rosiers, o seu rosto estava massacrado e um olho pendia da cavidade ocular. Ele não conseguia mais ficar de pé, por isso foi arrastado para o jardim e fuzilado, sentado numa cadeira".

Dois meses caóticos

Com essa "semana sangrenta" terminou o experimento da chamada "Comuna de Paris", que durara dois caóticos meses. A Comuna surgira de maneira espontânea, alimentada por conflitos políticos e sociais. A guerra perdida contra a Alemanha, os meses de privação em decorrência do cerco pelos prussianos e um governo rural e conservador, que não demonstrava qualquer sensibilidade para a miséria da população urbana de Paris – tudo isto levou, em março de 1871, a uma rebelião contra o governo, que se retirou para Versalhes.

No dia 28 de março de 1871, uma horda heterogênea de jacobinos, anarquistas, socialistas e patriotas, que recusavam o acordo de paz com a Alemanha, invadiu a prefeitura parisiense. Eles se autodenominavam La Commune, a Comuna.

Nos dois meses do seu governo, a Comuna aprovou uma série de leis, cujo principal objetivo era atenuar a miséria do proletariado parisiense; mas também outras leis de caráter básico, como por exemplo, a separação da Igreja e do Estado, a abolição dos privilégios da nobreza, a autonomia do governo municipal, além de uma lei que ameaçava punição de morte a todo aquele que cooperasse com o antigo governo de Versalhes. Inúmeros militares e clérigos, entre eles o arcebispo de Paris, foram tomados como reféns.

Ação militar do governo

Enquanto isso, o governo de Versalhes preparava-se para retomar a cidade e o poder com uma ação militar. As simpatias da população estavam divididas entre os velhos conservadores e o novo governo de esquerda. Na noite de 21 de maio, as primeiras tropas governamentais invadiram a cidade, começando o que posteriormente seria chamado de "semana sangrenta" (semaine sanglante).

Inicialmente, as tropas governamentais não encontraram grande resistência. Mas as lutas foram se tornando cada vez mais ferozes, pois os integrantes da Comuna logo perceberam que nada mais tinham a perder. O antigo governo visara, desde o início, uma solução militar do conflito. Qualquer suspeito de integrar a Comuna, ou meros simpatizantes eram imediatamente fuzilados.

As tropas de Versalhes avançaram bairro por bairro, enquanto a Comuna erigia centenas de barricadas com pedras de calçamento e sacos de areia. Na sua retirada, os integrantes da Comuna ateavam fogo em tudo: na noite de 24 de maio foi incendiado o castelo das Tulherias, ruas inteiras foram consumidas pelas labaredas. Nos últimos dias de luta, inúmeros reféns foram mortos, entre eles também o arcebispo de Paris.

Com a queda da última barricada, no dia 28 de maio de 1871, terminou a "semana sangrenta", mas não o derramamento de sangue. Milhares ainda foram mortos, nos dias seguintes, nos parques, quintais e nas casernas. Os historiadores calculam que a Comuna tenha assassinado cerca de 500 adversários políticos, enquanto as tropas governamentais mataram entre 20 e 25 mil pessoas durante a reconquista de Paris e nos dias imediatamente posteriores.

Autoria Rachel Gessat/am

Palavras-chave Semana Sangrenta, Comuna de Paris, jacobinos, 28/05/1871

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Autoria Rachel Gessat/am

segunda-feira, 19 de março de 2018

Considerações sobre o fim do povo brasileiro como possibilidade



Parece que a cada dia que passa desde o assassinato da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes o episódio se torna mais e mais revelador da profundidade e do caráter irreversível da crise brasileira. Dentre tantos fatos e tendências relevantes me ocorre citar o que me parece ser o mais significativo: o caráter das manifestações públicas aos assassinatos caracterizados pela repulsa a um ato bárbaro, covarde e inaceitável. E ai reside uma das faces mais interessantes da atual crise porque revela o perfil inédito das manifestações populares. Vimos como no caso do julgamento do ex-presidente lulla no TRF-4 em Porto Alegre, em janeiro o ex-ministro Zé Dirceu, apesar de ter convocado a militância (que compareceu em peso) para “luta e combate” absolutamente nada aconteceu além de um tipo de compartilhamento coletivo de derrota sem qq efeito prático e esvaziado de sentido político. Trata-se de mais um episódio típico da assim chamada “conciliação” de classes praticada desde sempre pelo lullismo. Outro tipo de manifestação popular foram as motivadas pelo protesto e/ou luto pelos assassinatos de Marielle e Anderson, caracterizadas pela multiplicidade de apropriações do evento praticadas pelas diversas militâncias identitárias pós-modernas. Relegando a segundo plano a luta da falecida vereadora contra a violência policial, tais militâncias se apressaram em converte-la em ícone das demandas das mulheres, dos negros, dos favelados, das lésbicas, dos bissexuais, das mães solteiras e por ae afora. Até mesmo os manifestantes lullistas pretenderam associar o que alegam ser a perseguição a lulla aos assassinatos como se ambos eventos fizessem parte de um mesmo “golpe”. Ou seja, tais manifestações apenas aparentemente são de massa porque revelam a profunda divisão que existe entre os que delas participam. Além de divididos os manifestantes fazem questão de explicitar seu antagonismo aos demais, uma vez que a excludente e insular categoria do “lugar-de-fala” pregada pela militância identitária neoliberal a serviço do rentismo internacional pressupõem o monopólio do protagonismo por cada fração – minúscula como possa ser – na reivindicação do sentido político dos assassinatos. Dae a hostilidade, senão condenação, aos manifestantes que pretendem protagonizar os protestos em se tratando de indivíduos não-negros, moradores das regiões centrais, heterossexuais, cisgeneros, lullistas, etc. Neste caso temos uma multidão que é só aparente porque se trata na verdade de um conjunto de militâncias não apenas profundamente divididas mas hostis umas às outras e entre si msms. Com base nos dois exemplos citados pode-se elencar os novos tipos de manifestação popular do contexto atual: 1) manifestação com perfil militante definido mas sem propósito concreto; 2) manifestação que aparenta ser coletiva mas que na verdade é tão heterogênea que de evento de massa conserva só a aparência e seu sentido último pode ser, no limite, a confrontação entre seus participantes. É duvidoso que se possa contar com qualquer uma delas para se provocar qq mudança relevante. Pode ser que estejamos presenciando não apenas o fim da multidão como propôs Mike Davis (1990) mas também o fim do povo brasileiro enquanto possibilidade histórica, aquele que noutros tempos teria tornado possível as maiores manifestações de massa da história recente, como foram as da campanha em prol de eleições diretas-já (1984). A crise segue se aprofundando e é duvidoso, tomando como exemplo os dois tipos de manifestações citadas, que se possa contar com o protagonismo popular para definir seu desfecho. A possibilidade histórica de uma solução conservadora, senão reacionária, para a crise só aumenta, devendo os precedentes históricos de 1990 e 1964 serem tomados como base para reflexão.

Dennison de Oliveira

a questão "racial no Brasil":



Dedico este post aos militantes dos movimentos negros.


Eu não esperava apoio para o que venho dizendo há pelo menos 30 anos, assim como os colegas Peter Fry e Yvonne Maggie entre vários outros, de Pierre Bourdieu e Loïc Wacquant, dois intelectuais reconhecidamente de esquerda. Eles dois não citam nossos trabalhos, mas estão de pleno acordo com eles. O texto completo está em Estudos Afro-Asiáticos, Ano 24, no 1, 2002, pp. 15-33.

"Em um campo mais próximo das realidades políticas, um debate como o da “raça” e da identidade dá lugar a semelhantes intrusões etnocêntricas. Uma representação histórica, surgida do fato de que a tradição americana calca, de maneira arbitrária, a dicotomia entre brancos e negros em uma realidade infinitamente mais complexa, pode até mesmo se impor em países em que os princípios de visão e divisão, codificados ou práticos, das diferenças étnicas são completamente diferentes e em que, como o Brasil, ainda eram considerados, recentemente, como contraexemplos do “modelo americano”. A maior parte das pesquisas recentes sobre a desigualdade etno-racial no Brasil, empreendidas por americanos e latino-americanos formados nos Estados Unidos, esforçam-se em provar que, contrariamente à imagem que os brasileiros têm de sua nação, o país das “três tristes raças” (indígenas, negros descendentes dos escravos, brancos oriundos da colonização e das vagas de imigração européias) não é menos “racista” do que os outros; além disso, sobre esse capítulo, os brasileiros “brancos” nada têm a invejar em relação aos primos norte-americanos. Ainda pior, o racismo mascarado à brasileira seria, por definição, mais perverso, já que dissimulado e negado. É o que pretende, em Orpheus and Power (1994), o cientista político afro-americano Michael Hanchard: ao aplicar as categorias raciais norte-americanas à situação brasileira, o autor erige a história particular do Movimento em favor dos Direitos Civis como padrão universal da luta dos grupos de cor oprimidos. Em vez de considerar a constituição da ordem etno-racial brasileira em sua lógica própria, essas pesquisas contentam-se, na maioria das vezes, em substituir, na sua totalidade, o mito nacional da “democracia racial” (tal como é mencionada, por exemplo, na obra de Gilberto Freyre, 1978), pelo mito segundo o qual todas as sociedades são “racistas”, inclusive aquelas no seio das quais parece que, à primeira vista, as relações “sociais” são menos distantes e hostis. De utensílio analítico, o conceito de racismo torna-se um simples instrumento de acusação; sob pretexto de ciência, acaba por se consolidar a lógica do processo (garantindo o sucesso de livraria, na falta de um sucesso de estima).


Em um artigo clássico, publicado há trinta anos, o antropó- logo Charles Wagley mostrava que a concepção da “raça” nas Amé- ricas admite várias definições, segundo o peso atribuído à ascendência, à aparência física (que não se limita à cor da pele) e ao status sociocultural (profissão, montante da renda, diplomas, região de origem, etc.), em função da história das relações e dos conflitos en- tre grupos nas diversas zonas (Wagley, 1965). Os norte-americanos são os únicos a definir “raça” a partir somente da ascendência e, exclusivamente, em relação aos afro-americanos: em Chicago, Los Angeles ou Atlanta a pessoa é “negra” não pela cor da pele, mas pelo fato de ter um ou vários parentes identificados como ne- gros, isto é, no termo da regressão, como escravos. Os Estados Uni- dos constituem a única sociedade moderna a aplicar a one-drop rule e o princípio de “hipodescendência”, segundo o qual os filhos de uma união mista são, automaticamente, situados no grupo in- ferior (aqui, os negros). No Brasil, a identidade racial define-se pela referência a um continuum de “cor”, isto é, pela aplicação de um princípio flexível ou impreciso que, levando em consideração traços físicos como a textura dos cabelos, a forma dos lábios e do nariz e a posição de classe (principalmente, a renda e a educação), engendram um grande número de categorias intermediárias (mais de uma centena foram repertoriadas no censo de 1980) e não implicam ostracização radical nem estigmatização sem remédio. Dão testemunho dessa situação, por exemplo, os índices de segregação exibidos pelas cidades brasileiras, nitidamente inferiores aos das metrópoles norte-americanas, bem como a ausência virtual dessas duas formas tipicamente norte-americanas de violência racial como são o linchamento e a motim urbano (Telles, 1995; Reid, 1992). Pelo contrário, nos Estados Unidos não existe categoria que, social e legalmente, seja reconhecida como “mestiço” (Davis, 1991; Williamson, 1980). Aí, temos a ver com uma divisão que se assemelha mais à das castas definitivamente definidas e delimitadas (como prova, a taxa excepcionalmente baixa de intercasamentos: menos de 2% das afro-americanas contraem uniões “mistas”, em contraposição à metade, aproximadamente, das mulheres de origem hispanizante e asiática que o fazem) que se tenta dissimular, submergindo-a pela “globalização” no universo das visões diferenciantes.


Mas todos esses mecanismos que têm como efeito favorecer uma verdadeira “globalização” das problemáticas americanas, dando, assim, razão, em um aspecto, à crença americanocêntrica na “globalização” entendida, simplesmente, como americanização do mundo ocidental e, aos poucos, de todo o universo, não são su- ficientes para explicar a tendência do ponto de vista americano, erudito ou semi-erudito, sobre o mundo, para se impor como pon- to de vista universal, sobretudo quando se trata de questões tais como a da “raça” em que a particularidade da situação americana é particularmente flagrante e está particularmente longe de ser exemplar. Poder-se-ia ainda invocar, evidentemente, o papel motor que desempenham as grandes fundações americanas de filantropia e pesquisa na difusão da doxa racial norte-americana no seio do campo universitário brasileiro, tanto no plano das representações, quanto das práticas. Assim, a Fundação Rockefeller financia um programa sobre “Raça e Etnicidade” na Universidade Federal do Rio de Janeiro, bem como o Centro de Estudos Afro-Asiáticos (e sua revista Estudos Afro-Asiáticos) da Universidade Candido Mendes, de maneira a favorecer o intercâmbio de pesquisadores e estudantes. Para a obtenção de seu patrocínio, a Fundação impõe como condição que as equipes de pesquisa obedeçam aos critérios de affirmative action à maneira americana, o que levanta problemas espinhosos já que, como se viu, a dicotomia branco/negro é de aplicação, no mínimo, arriscada na sociedade brasileira."


Alba Zaluar

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018


Existe uma base social com vontade de lutar pela democracia e por Lula com determinação. Esta base precisa de comando e de direção política firme. Se Lula for preso o golpe e a ditadura burguesa-togada avançarão para os próximos passos: a hegemonia completa dos mais corruptos políticos e capitalistas no poder, a privatização das estatais, da Petrobras, o desmonte da educação e das universidades federais, a venda da saúde e da previdência, a criminalização dos movimentos sociais, como o MST, MTST, o fechamento do PT e a perseguição implacável contra qualquer candidatura, sindicato, partido e movimento que minimamente ameace os interesses da ordem dominante golpista nos seus arrochos trabalhistas e roubos de direitos. O último grande comandante institucional disposto a lutar pela democracia no Brasil foi o Marechal Lott, no contragolpe de 11 de novembro de 1955. Impressionante quando alguém de cima resolveu lutar, em igualdade de condições, contra a direita brucutu, contra os fascistas, os gorilas, contra o consórcio entreguista internacional, estes recuaram com medo da resoluta ação de Lott, infelizmente mal aproveitada. Vargas não teve condições de luta em 1954. Poderia ter tido como se viu na grande reação popular no dia seguinte do suicídio, muitos esperaram o comando. Jango não ouviu Brizola e ambos tiveram que fugir em 1964. Durante a ditadura civil-militar de 1964 o legislativo só não foi completamente fechado, como tinha sido na ditadura de 1937, pela existência de lutadores, os mesmos lutadores que garantiram a sobrevida do pequeno espaço legislativo para a grande derrota parlamentar das forças da ditadura, da Arena, nas eleições de 1974 em diante. As forças da ditadura militar não conseguiram fechar de vez e permanentemente o limitado parlamento por causa dos que resistiram. Sem os heróis da resistência contra a ditadura brasileira de 1964, ela poderia ter seguido o modelo das ditaduras espanhola e portuguesa, nas suas muitas décadas de continuidade, de atraso e de oligarquias reacionárias ditatoriais no poder. Agora estamos em outra encruzilhada decisiva e todos os cidadãos amantes da democracia, das liberdades, todos os militantes, todos sindicalistas, todos partidos de esquerda, todos parlamentares, todos governadores, prefeitos, todos artistas, todos intelectuais, todas as lideranças populares, movimentos sociais, trabalhadores e estudantes, todos comprometidos com a democracia, com as causas sociais e com eleições livres, todos devem lutar ao máximo neste momento de ameaça de prisão ilegal, imoral e forjada de Lula pelos tribunais de exceção do atual regime golpista. A pergunta que se deve fazer é a seguinte: Quem está disposto a lutar ao máximo pela democracia, pelas liberdades e pela causa de Lula ? Quem está disposto a lutar pelo golpe, por Temer, pelo PSDB, ou por qualquer dos seus serviçais golpistas subalternos, nos outros partidos de direita e nas outras lideranças apoiadoras do golpe, do desmonte do país e da incipiente ditadura burguesa-togada que existe ? Preparem-se para as batalhas políticas em defesa do Brasil.
RCO

O despertar do nacional-popular crítico no Carnaval ! Sensacionais as produções como a do Paraíso do Tuiuti. Uma verdadeira aula de sociologia histórica dos brasileiros negros, aula de brasilidade, artística elaboração de toda uma trajetória e todo um processo social, político e histórico. O golpista Temer escrachado como o vampirão pérfido que ele é e o roubo dos votos, das moradias, das carteiras de trabalho e dos direitos sociais do povo trabalhador. A crítica da Mangueira contra o prefeito Crivella, representado como o fujão Judas, tudo revela a firme oposição da nossa autêntica cultura popular brasileira às formas de direita excludentes de certo protestantismo importado. Ao longo de toda a nossa história, nos momentos mais cruciais da nossa existência como Nação, nas guerras holandesas, nas guerras de fronteiras, nas guerras platinas, no Paraguai, o Brasil sempre foi defendido pela última trincheira dos brasileiros negros, tão injustamente maltratados e massacrados na nossa sociedade, mas sempre uma fonte permanente de criatividade, vibração, cultura e vitalidade. Agora, estes movimentos sociais e culturais populares, do Brasil profundo, das favelas, periferias, campos e cidades, novamente, têm o poder de nos livrarem dos invasores estrangeiros, da quadrilha golpista de Temer e de seus asseclas, ladrões internacionais e locais, de quadrilhas importadas com gente estrangeira e alienígena no Brasil, a direita querendo roubar, privatizar e pilhar nosso país. O povão brasileiro está despertando e ninguém vai conseguir segurar ! Explode coração !
RCO

O Desfile da Paraiso do Tuiuti


O desfile da Paraíso do Tuiuti mostrou a procissão dos trabalhadores negros desde a escravidão. Como seria o desfile da CDT, a Classe Dominante Tradicional e seus apêndices ? Começaria com os senhores de terras e escravos, das sesmarias e das casas grandes, daí viriam os homens bons das câmaras e depois da Independência, os das assembleias, os deputados e senadores, as mamatas, as mordomias do legislativo e dos tribunais de contas. Daí entrariam os barões imperiais, seus filhos e genros, os bacharéis, advogados, médicos e engenheiros, as elites da cultura bacharelesca, que não modernizaram e sim atrasaram o país em termos de mentalidades políticas. A ala dos comerciantes, dos que roubam no peso e no preço. O bloco dos militares, dos delegados, dos coronéis e generais, um dos mais disciplinados e querendo marchar. Destaque para grandes símbolos militares de direita, símbolos de cultura e de coragem bélica, como Bolsonaro e Ustra, referências para a direita militar torturadora. Outro grande destaque é a ala do sistema judicial, o judiciário e o mp, representando o velho ethos classista, defendendo os interesses dos dominantes, protegendo os seus apaniguados e perseguindo os adversários políticos. Tudo acima do teto. Quem entra na ala do judiciário logo é mentalmente, institucionalmente, politicamente hipnotizado e enquadrado, passa a ser o pior dos representantes da ordem, vide os bonecos gigantes do Joaquim Barbosa e do Fachin, que para serem aceitos logo viram um deles, esquecem totalmente qualquer passado subalterno crítico ou quais ideias lhes tenham dado o cargo. O grupo mais animado e jovial é a troça dos herdeiros do nepotismo, o grupo com mais algazarra, alvoroço e farra irresponsável, almas cheiram a talco, porque sabem que todas as instituições se abrem para o gozo e usufruto deles, moças e rapazes já eleitos como deputados, recebendo as melhores propinas, os melhores cartórios, os melhores cargos estatais e as mais gostosas negociatas. Muitos saem dos desfiles alcoolizados para atropelarem pessoas inocentes em alta velocidade na madrugada, logo um dos passistas do judiciário os soltará antes mesmo de serem presos. O próximo grupo é o dos donos e seus escravos da mídia, sempre com as bocas tapadas, todos preocupados com o que podem mostrar e falar, tudo para não desagradarem os chefes de redação e muito menos os donos familiares da grande mídia. A bateria dos fracos industriais, com pouco ritmo, segue acorrentada com sua dependência, arcaísmo, timidez e baixo espírito de inovação. Não querem fazer barulho para não incomodar e são importadores de tecnologia, usam mão de obra barata e são exportadores de matéria prima não manufaturada. Muitos querem logo casar com uma mocinha das outras alas para poderem apagar a sua origem imigrante e trabalhadora, muitas vezes até sujaram as mãos com trabalho braçal e manual, antes de enriquecerem. O apito de sonegadores é distribuído para todos integrantes da Escola de Samba CDT desde a concentração. Somente o vampirão neoliberalista Temer seria emprestado da Tuiuti, mais uma comissão traseira, uma comissão do atraso, da corrupção e com todos os protagonistas do golpe: Eduardo Cunha de terno, sorridente, com sua família esquiando e com prisão de mentirinha, Profeta Jucá, Angorá, Padilha, Geddel, boys do MBL, artistas do Cansei, muitos ministros golpistas, toda a quadrilha feliz e cantando no final.
RCO

Sem dúvida que, para um cientista social, ter um livro (ou livros) transformado em samba enredo não deixa de ser uma consagração. Parabéns ao Prof. Jessé de Souza pelo alto fator de impacto de seus textos, qualquer que seja nosso grau de concordância com as teses por ele defendidas. Oxalá nos próximos anos continue assim, para as ciências sociais se difundirem cada vez mais entre a população, demonstrando sua importância para o aumento de nossa cultura cívica e qualidade da democracia. Sublinhe-se também que, ao que parece, os sambistas estão mais politizados e esclarecidos do que nossas autoridades judiciais e policiais, que continuam fazendo sua formação doutrinária a partir de velhos manuais dos longínquos tempos da guerra fria e predominantemente pelo que sai na grande mídia corporativa. Tem que dar uma melhorada do nível dos manuais e no processo de formação doutrinária dessa turma aí...
SSB

sábado, 10 de fevereiro de 2018

LUIS INÁCIO "LULA" DA SILVA E O PRIMO "GEORGE BUCH"...GENEALOGIA.

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Escrito por David Gueiros | 19 Abril 2005

Arquivo

Torneiro mecânico, proletário autêntico do ABC paulista, Luiz Inácio Lula da Silva dificilmente poderia imaginar ser parente de gente ilustre. No entanto, mesmo antes de sua eleição, já apareciam “primos” dele, de todos os lados, alguns ilustres e outros nem tanto.
Primeiro foram os parentes de Garanhuns e Caetés, convidados a participar das festividades da posse do novo Presidente da República. Estes vieram a Brasília, viveram aqui seus 15 minutos de glória, e voltaram a Pernambuco para rememorar a ocasião pelo resto da vida.
Um desses primos de Lula, chamado Bartolomeu Atanásio de Morais, autodenominado “genealogista da família da Silva”, deixou em Brasília alguns primores de suas investigações genealógicas, alegando, inclusive, ter traçado a genealogia do presidente até oito gerações. É muita coisa, pois isso coloca Lula como descendente dos pioneiros colonizadores dos Campos dos Garanhuns, nos alvores do século XVIII. Naquela época, uma endogamia grupal foi formada naquele sertão serrano, que incluía gente como Simoa Gomes, neta de Domingos Jorge Velho, Antônio Vaz da Costa, ancestral do conhecido economista e ex-diretor do BID, Rubens Vaz da Costa, e Micael de Amorim Souto, dono do latifúndio da Mochila, ancestral do deputado Antônio Souto Filho (“Soutinho”) de grande distinção na Primeira República, sem falar de Renato Barreto Rego, ancestral dos Atanásio de Morais. Gente fina, toda ela. Sei que não cai bem um proletário que se presa ter ascendentes tão ilustres, mas prossigamos.
De início, Bartolomeu afirmou que, através da família Atanásio de Morais, Lula é também contra parente de José Ermírio de Morais. A partir dessa informação, sabe-se estar o presidente irremediavelmente ligado, por laços de parentesco, à fina flor do capitalismo brasileiro. Não sei se isso alegrará seu coração proletário, porém presumindo que as informações fornecidas pelo “genealogista da família da Silva” são corretas, sem dúvida alguma haverá razão para orgulho. Afinal, José Ermírio de Morais, à sua maneira, é pessoa tão bem sucedida quanto o próprio Lula, apesar de ser da terrível classe capitalista, exploradora do povo.
Todas as informações sobre a genealogia de Lula, afirmou ainda Bartolomeu de Morais, estão registradas na obra do historiador garanhuense, Alfredo Leite Cavalcanti (História de Garanhuns, Vol. I 1968). Essa dica é válida, porém incompleta, pois o livro de Alfredo Leite (como ele era conhecido) não registra a genealogia de todas as famílias garanhuenses, tendo esse pesquisador se limitado a traçar apenas os nomes das linhagens mais conhecidas localmente. Os parentes pobres ficaram de fora. Afinal, pobre parente é carne no dente.
Assim, há um missing link, ou mesmo vários missing links, nas listagens de Alfredo Leite, de modo que não pode um pesquisador de fora, com absoluta certeza, traçar a linhagem do Lula através delas. Dessa maneira, resta aceitar a palavra de Bartolomeu de Morais, como sendo fiel e correta, aceitando inclusive a alegação de que Bartolomeu pessoalmente tem os nomes de todos os ancestrais de Lula, ainda que não revelados, por ocasião da visita do abnegado genealogista a Brasília.
Seguindo a pista dada por Bartolomeu, descobre-se no livro de Alfredo Leite o casal pioneiro, através do qual esse genealogista traça a família de Lula: Renato Barreto Rego e Eugênia Soares de Abreu, ancestrais dos Atanásio de Morais. Estes foram avós de Francisca Pereira do Nascimento e Ana Pereira do Nascimento, que se casaram respectivamente com os irmãos José Paes de Lira e Bernardo Luís da Silva. Êpa! Chegamos perto do nome de Lula, pois a linhagem deste, de acordo com Bartolomeu, passa por este último senhor.
Os dois rapazes acima citados eram filhos de Manuel da Silva Gueiros, e netos de Manuel Dias da Silva. Vindo de Sergipe, Manuel Dias da Silva se casou com Maria Paes Cabral, filha do latifundiário garanhuense Micael de Amorim Souto. Sugere então Alfredo Leite que esse sergipano - homem de posses, pois casou com a filha de um grande latifundiário - era ligado à Casa da Torre, em sua expansão pastoril, muito além das margens do São Francisco. A Casa da Torre, da família Dias D’Ávila - poderosos cristãos novos - chegou a possuir milhares de quilômetros quadrados de terra, indo da Bahia ao Piauí, incluindo ainda trechos de Sergipe, partes da Capitania das Alagoas e pedaços de Pernambuco.
Latifundiários! Que horror! Mais ainda, os da Casa da Torre eram cristãos novos – judeus convertidos a ferro e a fogo. Caso essa informação seja correta, Lula seria então um provável descendente de judeus. Logo ele, que anda arrastando a asa para os ditadores árabes, inclusive trazendo-os ao Brasil, para um encontro em maio próximo!
Como provável descendente de Manuel da Silva Gueiros, Lula estaria então ligado a muitos nomes de distinção no Brasil. Entre estes, o jurista Nehemias da Silva Gueiros, o Ministro Esdras da Silva Gueiros, o Vice-governador do Pará Deputado Antônio Teixeira Gueiros, o Ministro Evandro Gueiros Leite, o Senador e Governador do Pará Hélio Motta Gueiros e outros mais desse nome, que se distinguiram nesta República, na segunda metade do século passado.
Menciona-se essa linhagem Gueiros, porque piores coisas podem ser ditas sobre as ligações desses “contra-parentes dos contra-parentes”. No meio desse caminho encontra-se, horror dos horrores, a família Bush do Texas. Sim, do próprio George W. Bush! Como pode?
Acontece que o pastor Jerônimo Gueiros, de Garanhuns, no começo do século passado, casou com Cecília Frias. Esta era uma das três filhas - Cecília, Dorcas e Prelediana - de Inocêncio Frias, fazendeiro e conselheiro municipal de Garanhuns. Ocorre que a irmã de Cecília Frias, chamada Prelediana, casou com um pastor norte-americano de origem portuguesa, missionário batista, chamado Jepheter Hamilton. Este trabalhou no Brasil por uns tempos, tendo eventualmente ido morar nos Estados Unidos, na Nova Inglaterra. Ao se aposentar, o casal foi morar em Portugal, deixando, porém, os filhos adultos nos Estados Unidos. Esse lado norte-americano da família tem mantido contato com os primos brasileiros, de tempos em tempos.
Assim, a informação que segue vem de Charles K. Ortel, neto de Prelediana, um renomado “investidor independente”, na Nova Inglaterra. A filha mais nova de Prelediana, assim informa Charles Ortel, casou com um colega da Universidade de Yale, chamado Ortel, de tradicional família da Nova Inglaterra, com ligações familiares em todo o pa&i acute;s, inclusive no Texas. Foi mãe de três rapazes, destarte netos da garanhuense Prelegiana Frias, um dos quais recebeu o sobrenome de Gueiros e outro de Frias. Como o próprio Charles Ortel nos informa, através das ligações familiares da sua família paterna, ele é primo legítimo de George W. Bush, no lado americano, e primo legítimo dos filhos e netos de Jerônimo Gueiros e Cecília Frias, no Brasil. Os Ortel são não apenas capitalistas, mas também Republicanos conservadores. Isso não pega bem, para um presidente proletário, ter contra parentes desse tipo.
Os caminhos são tortuosos, como soem ser os levantamentos genealógicos. Porém, presumindo-se que as informações de Bartolomeu de Morais são corretas, então Lula descende mesmo de pioneiros dos Campos dos Garanhuns. Mais ainda, pode-se afirmar que, como descendente de Manoel Dias da Silva, ele é provavelmente de ascendência judaica; é também parente do capitalista José Ermírio de Morais; é parente dos descendentes de Prelediana Frias, e através deles é “primo” (com mil aspas) do companheiro George W. Bush. Que horror! “Contra-parente dos parentes dos contra-parentes da mulher do cavalariço del Rei”, já dizia Jerônimo Gueiros.
Essas conclusões são tão absurdas, que seria bom voltar a Garanhuns a fim de consultar o genealogista Bartolomeu Atanásio de Morais, a ver se de alguma maneira ele não se enganou no levantamento que fez da genealogia de Lula.


Fonte : DIAZ NOTÍCIAS 
http://diaznoticia.blogspot.com.br/2012/02/luis-inacio-lula-da-silva-e-o-primo.html
Existe uma base social com vontade de lutar pela democracia e por Lula com determinação. Esta base precisa de comando e de direção política firme. Se Lula for preso o golpe e a ditadura burguesa-togada avançarão para os próximos passos: a hegemonia completa dos mais corruptos políticos e capitalistas no poder, a privatização das estatais, da Petrobras, o desmonte da educação e das universidades federais, a venda da saúde e da previdência, a criminalização dos movimentos sociais, como o MST, MTST, o fechamento do PT e a perseguição implacável contra qualquer candidatura, sindicato, partido e movimento que minimamente ameace os interesses da ordem dominante golpista nos seus arrochos trabalhistas e roubos de direitos. O último grande comandante institucional disposto a lutar pela democracia no Brasil foi o Marechal Lott, no contragolpe de 11 de novembro de 1955. Impressionante quando alguém de cima resolveu lutar, em igualdade de condições, contra a direita brucutu, contra os fascistas, os gorilas, contra o consórcio entreguista internacional, estes recuaram com medo da resoluta ação de Lott, infelizmente mal aproveitada. Vargas não teve condições de luta em 1954. Poderia ter tido como se viu na grande reação popular no dia seguinte do suicídio, muitos esperaram o comando. Jango não ouviu Brizola e ambos tiveram que fugir em 1964. Durante a ditadura civil-militar de 1964 o legislativo só não foi completamente fechado, como tinha sido na ditadura de 1937, pela existência de lutadores, os mesmos lutadores que garantiram a sobrevida do pequeno espaço legislativo para a grande derrota parlamentar das forças da ditadura, da Arena, nas eleições de 1974 em diante. As forças da ditadura militar não conseguiram fechar de vez e permanentemente o limitado parlamento por causa dos que resistiram. Sem os heróis da resistência contra a ditadura brasileira de 1964, ela poderia ter seguido o modelo das ditaduras espanhola e portuguesa, nas suas muitas décadas de continuidade, de atraso e de oligarquias reacionárias ditatoriais no poder. Agora estamos em outra encruzilhada decisiva e todos os cidadãos amantes da democracia, das liberdades, todos os militantes, todos sindicalistas, todos partidos de esquerda, todos parlamentares, todos governadores, prefeitos, todos artistas, todos intelectuais, todas as lideranças populares, movimentos sociais, trabalhadores e estudantes, todos comprometidos com a democracia, com as causas sociais e com eleições livres, todos devem lutar ao máximo neste momento de ameaça de prisão ilegal, imoral e forjada de Lula pelos tribunais de exceção do atual regime golpista. A pergunta que se deve fazer é a seguinte: Quem está disposto a lutar ao máximo pela democracia, pelas liberdades e pela causa de Lula ? Quem está disposto a lutar pelo golpe, por Temer, pelo PSDB, ou por qualquer dos seus serviçais golpistas subalternos, nos outros partidos de direita e nas outras lideranças apoiadoras do golpe, do desmonte do país e da incipiente ditadura burguesa-togada que existe ? Preparem-se para as batalhas políticas em defesa do Brasil.

RCO

O MUNDO PODE PIORAR SEMPRE

 Com dois filhos desempregados, um é psicólogo e o outro designer gráfico, tenho me dedicado a colaborar com eles em busca de trabalho.Por isso, fui ao oracular google e teclei vagas para psicologo e vagas para designer gráfico. Surgiram na telinha uma infinidade de links. Fui em vários e fiquei espantado com os salários precarizados e as exigências. Não encontrei nessas duas funções nenhuma oferta de emprego razoável pra quem fez curso universitário e já possui experiência na área. Cheguei a ver empresa oferecendo vaga por 1500 reais para essas funções.E o salário mais rechonchudo era menor do que o vergonhoso "auxílio moradia" de 4300 reais que beneficia todos os juízes, procuradores e promotores.
Como trabalhei a vida inteira na imprensa como diagramador, assistente de arte e diretor de arte (o nome sofisticou, mas o salário minguou) e nunca passei por dificuldades econômicas (exceto qdo perdi emprego na Gazeta Mercantil), fiquei perplexo.E muito preocupado. Aliás, confesso já ter dividido essa preocupação com muitos amigos e companheiros de trabalho muitos anos atrás.Mas nunca imaginei que a coisa pudesse piorar tanto, embora a base do meu pensamento apontasse para essa direção. Ou seja:os avanços do capetalismo são cruéis, concentradores e contrários ao bem estar social e as conquistas da classe trabalhadora.


Rubens Jardim

O CARNAVAL DA PREVIDENCIA


Helio Fernandes

Apesar de passar o carnaval na Restinga da Marambaia, o corrupto Temer só tem uma preocupação: a cooptação da base para a aprovação da reforma da Previdencia. Como o que deverá ser votado no dia 19, é uma deturpação do projeto inicial, Temer está acenando e ofererendo mais vantagens, recuos e concessões.

Segundo os que têm contato com ele, dizem que está disposto a apostar na intimidação- represalia, comparando o desperdicio espantoso para fugir da investigação do STF.Acredita que isso possa render apoio pra chegar aos 308 votos. Apela tambem para os numeros despropositados e contraditorios. Ha meses vem traçando um quadro de tragedia irrecuperavel. Com prejuizos de centenas de bilhões como deficit anual.

Ante ontem minimizou a relevancia do deficit,ganhou manchetes de jornais, presença diaria e até horarias nas televisões.Textual:"Fiz tudo para aprovar agora. Se ficar para 2019 ou depois,o deficit será de 177 bilhões em 10 anos".
Decodificado ou sumarizado,dá 17 bilhões de prejuizo por ano, uma dadiva, perto do clamor de centenas de bilhões de deficit de por ano. Alguma coisa está errada como este reporter e o jornarlista José Carlos Werneck estamos clamando ha muito tempo.
PS- E o exagero das mordomias. Temer pediu 40 funcionarios extras, para quê?
PS2- Dona Marcela vai levar 20 funcionarios extras, incluindo um cabeleiro. 4 dias na praia com cabeleireiro,é cafonice rematada.
PS3- E os aviões da FAB, lndo e vindo para refazer os cardapios. Que Republica!
PS4- À oltima hora cortaram 2o funcionarios, ficaram só 40.


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Bueno, si de verdad



Bueno, si de verdad
quieres una confesión,
ahí va:
he tenido treinta y seis amantes.
Bien, sí. Tienes razón…
son demasiados.
Hubiese bastado con treinta y cinco.
Pero, cariño, el treinta y seis
eres tú.

de la filandesa Eeva Kilpi  (1928-),


Biblioteca Digital Ciudad Seva

El amante dormido


No hace mucho tiempo hubo en Salerno un grandísimo médico cirujano cuyo nombre fue maestro Mazzeo de la Montagna, el cual, ya cerca de sus últimos años, habiendo tomado por mujer a una hermosa y noble joven de su ciudad, de lujosos vestidos y joyas y de todo lo que a una mujer puede placer más, la tenía abastecida; es verdad que ella la mayor parte del tiempo estaba resfriada, como quien en la cama no estaba por el marido bien cubierta. El cual, como micer Ricciardo de Chínzica a la suya enseñaba las fiestas y los ayunos, este a ella le explicaba que por acostarse con una mujer una vez tenía necesidad de descanso no sé cuántos días, y otras chanzas; con lo que ella vivía muy descontenta, y como prudente y de ánimo valeroso, para poder ahorrarle trabajos al de la casa se dispuso a echarse a la calle y a desgastar a alguien ajeno, y habiendo mirado a muchos y muchos jóvenes, al fin uno le llegó al alma, en el que puso toda su esperanza, todo su ánimo y todo su bien. Lo que, advirtiéndolo el joven y gustándole mucho, semejantemente a ella volvió todo su amor.

Se llamaba este Ruggeri de los Aieroli, noble de nacimiento pero de mala vida y de reprobable estado hasta el punto de que ni pariente ni amigo le quedaba que le quisiera bien o que quisiera verle, y por todo Salerno se le culpaba de latrocinios y de otras vilísimas maldades; de lo que poco se preocupó la mujer, gustándole por otras cosas. Y con una criada suya tanto lo preparó, que estuvieron juntos; y luego de que algún placer disfrutaron, la mujer le comenzó a reprochar su vida pasada y a rogarle que, por amor de ella, de aquellas cosas se apartase; y para darle ocasión de hacerlo empezó a proporcionarle cuándo una cantidad de dineros y cuándo otra.

Y de esta manera, persistiendo juntos asaz discretamente, sucedió que al médico le pusieron entre las manos un enfermo que tenía dañada una de las piernas, al cual mal habiendo visto el maestro, dijo a sus parientes que, si un hueso podrido que tenía en la pierna no se le extraía, con certeza tendría aquel o que cortarse toda la pierna o que morirse; y si le sacaba el hueso podía curarse, pero que si no le daba por muerto y no lo recibiría; con lo que, poniéndose de acuerdo todos los de su parentela, así se lo entregaron. El médico, juzgando que el enfermo sin ser narcotizado no soportaría el dolor ni se dejaría intervenir, debiendo esperar hasta el atardecer para aquel servicio, hizo por la mañana destilar de cierto compuesto suyo una agua que debía dormirle tanto cuanto él creía que iba a hacerlo sufrir al curarlo; y haciéndola traer a casa en una ventanica de su alcoba la puso, sin decir a nadie lo que era.

Venida la hora del crepúsculo, debiendo el maestro ir con aquel, le llegó un mensaje de ciertos muy grandes amigos suyos de Amalfi de que por nada dejase de ir incontinenti allí, porque había habido una gran riña y muchos habían sido heridos. El médico, dejando para la mañana siguiente la cura de la pierna, subiendo a una barquita se fue a Amalfi; por lo cual la mujer, sabiendo que por la noche no debía volver a casa, ocultamente como acostumbraba hizo venir a Ruggeri y en su alcoba lo metió, y lo cerró dentro hasta que algunas otras personas de la casa se fueran a dormir. Quedándose, pues, Ruggeri en la alcoba y esperando a la señora, teniendo (o por trabajos sufridos durante el día o por comidas saladas que hubiera comido, o tal vez por costumbre) una grandísima sed, vino a ver en la ventana aquella garrafita del agua que el médico había hecho para el enfermo, y creyéndola agua de beber, llevándosela a la boca, toda la bebió; y no había pasado mucho cuando le dio un gran sueño y se durmió.

La mujer, lo antes que pudo se vino a su alcoba y, encontrando a Ruggeri dormido, empezó a sacudirlo y a decirle en voz baja que se pusiese en pie, pero como si nada: no respondía ni se movía un punto; por lo que la mujer, algo enfadada, con más fuerza lo sacudió, diciendo:

-Levántate, dormilón, que si querías dormir, donde debías ir es a tu casa y no venir aquí.

Ruggeri, así empujado, se cayó al suelo desde un arcón sobre el que estaba y no dio ninguna señal de vida, sino la que hubiera dado un cuerpo muerto; con lo que la mujer, un tanto asustada, empezó a querer levantarlo y menearlo más fuerte y a cogerlo por la nariz y a tirarle de la barba, pero no servía de nada: había atado el asno a una buena clavija. Por lo que la señora empezó a temer que estuviera muerto, pero aun así le empezó a pellizcar agriamente las carnes y a quemarlo con una vela encendida; por lo que ella, que no era médica aunque médico fuese el marido, sin falta lo creyó muerto, por lo que, amándolo sobre todas las cosas como hacía, si sintió dolor no hay que preguntárselo, y no atreviéndose a hacer ruido, calladamente, sobre él comenzó a llorar y a dolerse de tal desventura. Pero luego de un tanto, temiendo añadir la deshonra a su desgracia, pensó que sin ninguna tardanza debía encontrar el modo de sacarlo de casa muerto como estaba, y ni en esto sabiendo determinarse, ocultamente llamó a su criada, y mostrándole su desgracia, le pidió consejo.

La criada, maravillándose mucho y meneándolo también ella y empujándolo, y viéndolo sin sentido, dijo lo mismo que decía la señora, es decir, que verdaderamente estaba muerto, y aconsejó que lo sacasen de casa. A lo que la señora dijo:

-¿Y dónde podremos ponerlo que no se sospeche mañana cuando sea visto que de aquí dentro ha sido sacado?

A lo que la criada contestó:

-Señora, esta tarde ya de noche he visto, apoyada en la tienda del carpintero vecino nuestro, un arca no demasiado grande que, si el maestro no la ha metido en casa, será muy a propósito de lo que necesitamos porque dentro podemos meterlo, y darle dos o tres cuchilladas y dejarlo. Quien lo encuentre allí, no sé por qué más de aquí dentro que de otra parte vaya a creer que lo hayan llevado; antes se creerá, como ha sido tan malvado, que, yendo a cometer alguna fechoría, por alguno de sus enemigos ha sido muerto, luego metido en el arca.

Agradó a la señora el consejo de la criada, salvo en lo de hacerle algunas heridas, diciendo que no podría por nada del mundo sufrir que aquello se hiciese; y la mandó a ver si estaba allí el arca donde la había visto, y ella volvió y dijo que sí. La criada, entonces, que joven y gallarda era, ayudada por la señora, se echó a las espaldas a Ruggeri y yendo la señora por delante para mirar si venía alguien, llegadas al arca, lo metieron dentro y, volviéndola a cerrar, se fueron.

Habían, hacía unos días más o menos, venido a vivir a una casa dos jóvenes que prestaban a usura, y deseosos de ganar mucho y de gastar poco, teniendo necesidad de muebles, el día antes habían visto aquella arca y convenido que si por la noche seguía allí se la llevarían a su casa. Y llegada la medianoche, salidos de casa, encontrándola, sin entrar en miramientos, prestamente, aunque pesadita les pareciese, se la llevaron a casa y la dejaron junto a una alcoba donde sus mujeres dormían, sin cuidarse de colocarla bien entonces; y dejándola allí, se fueron a dormir.

Ruggeri, que había dormido un grandísimo rato y ya había digerido el bebedizo y agotado su virtud, cerca de maitines se despertó; y al quedar el sueño roto y recuperar sus sentidos el poder, sin embargo le quedó en el cerebro una estupefacción que no solamente aquella noche sino después algunos días lo tuvo aturdido; y abriendo los ojos y no viendo nada, y extendiendo las manos acá y allá, encontrándose en esta arca, comenzó a devanarse los sesos y a decirse:

-¿Qué es esto? ¿Dónde estoy? ¿Estoy dormido o despierto? Me acuerdo que esta noche he entrado en la alcoba de mi señora y ahora me parece estar en un arca. ¿Qué quiere decir esto? ¿Habrá vuelto el médico o sucedido otro accidente por lo cual la señora, mientras yo dormía, me ha escondido aquí? Eso creo, y seguro que así habrá sido.

Y por ello comenzó a estarse quieto y a escuchar si oía alguna cosa, y estando así un gran rato, estando más bien a disgusto en el arca, que era pequeña, y doliéndole el costado sobre el que se apoyaba, queriendo volverse del otro lado, tan hábilmente lo hizo que, dando con los riñones contra uno de los lados del arca, que no estaba colocada sobre un piso nivelado, la hizo torcerse y luego caer; y al caer hizo un gran ruido, por lo que las mujeres que allí al lado dormían se despertaron y sintieron miedo, y por miedo se callaban. Ruggeri, por el caer del arca temió mucho, pero notándola abierta con la caída, quiso mejor, si otra cosa no sucedía, estar fuera que quedarse dentro. Y entre que él no sabía dónde estaba y una cosa y la otra, comenzó a andar a tientas por la casa, por ver si encontraba escalera o puerta por donde irse. Cuyo tantear sintiendo las mujeres, que despiertas estaban, comenzaron a decir:

-¿Quién hay ahí?

Ruggeri, no conociendo la voz, no respondía, por lo que las mujeres comenzaron a llamar a los dos jóvenes, los cuales, porque habían velado hasta tarde, dormían profundamente y nada de estas cosas sentían. Con lo que las mujeres, más asustadas, levantándose y asomándose a las ventanas, comenzaron a gritar:

-¡Al ladrón, al ladrón!

Por la cual cosa, por varios lugares muchos de los vecinos, quién arriba por los tejados, quién por una parte y quién por otra, corrieron a entrar en la casa, y los jóvenes semejantemente, despertándose con este ruido, se levantaron. Y a Ruggeri, el cual viéndose allí, como por el asombro fuera de sí, y sin poder ver de qué lado podría escaparse, pronto le echaron mano los guardias del rector de la ciudad, que ya habían corrido allí al ruido, y llevándolo ante el rector, porque por malvadísimo era tenido por todos, sin demora dándole tormento, confesó que en la casa de los prestamistas había entrado para robar; por lo que el rector pensó que sin mucha espera debía colgarlo.

Se corrió por la mañana por todo Salerno la noticia de que Ruggeri había sido preso robando en casa de los prestamistas, lo que la señora y su criada oyendo, de tan grande y rara maravilla fueron presa que cerca estaban de hacerse creer a sí mismas que lo que habían hecho la noche anterior no lo habían hecho, sino que habían soñado hacerlo; y, además de ello, del peligro en que Ruggeri estaba la señora sentía tal dolor que casi se volvía loca.

No poco después de mediada tercia, habiendo retornado el médico de Amalfi, preguntó qué había sido de su agua, porque quería darla a su enfermo; y encontrándose la garrafa vacía hizo un gran alboroto diciendo que nada en su casa podía durar en su sitio.

La señora, que por otro dolor estaba azuzada, repuso airada diciendo:

-¿Qué haríais vos, maestro, por una cosa importante, cuando por una garrafita de agua vertida hacéis tanto alboroto? ¿Es que no hay más agua en el mundo?

A quien el maestro dijo:

-Mujer, te crees que era agua clara; no es así, sino que era un agua preparada para hacer dormir.

Y le contó la razón por la que la había hecho.

Cuando la señora oyó esto, se convenció de que Ruggeri se la había bebido y por ello les había parecido muerto, y dijo:

-Maestro, nosotras no lo sabíamos, así que haceos otra.

El maestro, viendo que de otro modo no podía ser, hizo hacer otra nueva. Poco después, la criada, que por orden de la señora había ido a saber lo que se decía de Ruggeri, volvió y le dijo:

-Señora, de Ruggeri todos hablan mal y, por lo que yo he podido oír, ni amigo ni pariente alguno hay que para ayudarlo se haya levantado o quiera levantarse; y se tiene por seguro que mañana el magistrado lo hará colgar. Y, además de esto, voy a contaros una cosa curiosa, que me parece haber entendido cómo llegó a casa del prestamista; y oíd cómo. Bien conocéis al carpintero junto a quien estaba el arca donde le metimos: este estaba hace poco con uno, de quien parece que era el arca, en la mayor riña del mundo, porque aquel le pedía los dineros por su arca, y el maestro respondía que él no había visto el arca, pues le había sido robada por la noche; al que aquel decía: «No es así sino que la has vendido a los dos jóvenes prestamistas, como ellos me dijeron cuando la vi en su casa cuando fue apresado Ruggeri». A quien el carpintero dijo: «Mienten ellos porque nunca se la he vendido, sino que la noche pasada me la habrán robado; vamos a donde ellos». Y así se fueron, de acuerdo, a casa de los prestamistas y yo me vine aquí, y como podéis ver, entiendo que de tal guisa Ruggeri, adonde fue encontrado fue transportado; pero cómo resucitó allí no puedo entenderlo.

La señora, entonces, comprendiendo óptimamente cómo había sido, dijo a la criada lo que había oído al médico, y le rogó que para salvar a Ruggeri la ayudase, como quien, si quería, en un mismo punto podía salvar a Ruggeri y proteger su honor.

La criada dijo:

-Señora, decidme cómo, que yo haré cualquier cosa de buena gana.

La señora, como a quien le apretaban los zapatos, con rápida determinación habiendo pensado qué había de hacerse, ordenadamente informó de ello a la criada. La cual, primeramente fue al médico, y llorando comenzó a decirle:

-Señor, tengo que pediros perdón de una gran falta que he cometido contra vos.

Dijo el médico:

-¿Y de cuál?

Y la criada, no dejando de llorar, dijo:

-Señor, sabéis quién es el joven Ruggeri de los Aieroli, quien, gustándole yo, entre amenazas y amor me condujo hogaño a ser su amiga: y sabiendo ayer tarde que vos no estabais, tanto me cortejó que a vuestra casa en mi alcoba a dormir conmigo lo traje, y teniendo él sed y no teniendo yo dónde ir antes a buscar agua o vino, no queriendo que vuestra mujer, que en la sala estaba, me viera, acordándome de que en vuestra alcoba una garrafita de agua había visto, corrí por ella y se la di a beber, y volví a poner la garrafa donde la había cogido; de lo que he visto que vos en casa gran alboroto habéis hecho. Y en verdad confieso que hice mal, pero ¿quién hay que alguna vez no haga mal? Siento mucho haberlo hecho; sobre todo porque por ello y por lo que luego se siguió de ello, Ruggeri está a punto de perder la vida, por lo que os ruego, por lo que más queráis, que me perdonéis y me deis licencia para que me vaya a ayudar a Ruggeri en lo que pueda.

El médico, al oír esto, a pesar de la saña que tuviese, repuso bromeando:

-Tú ya te has impuesto penitencia tú misma porque cuando creíste tener esta noche a un joven que muy bien te sacudiera el polvo, lo que tuviste fue a un dormilón: y por ello vete a procurar la salvación de tu amante, y de ahora en adelante guárdate de traerlo a casa porque lo pagarás por esta vez y por la otra.

Pareciéndole a la criada que buena pieza había logrado al primer golpe, lo antes que pudo se fue a la prisión donde Ruggeri estaba, y tanto lisonjeó al carcelero que la dejó hablar a Ruggeri. La cual, después de que le hubo informado de lo que responder debía al magistrado para poder salvarse, tanto hizo que llegó ante el magistrado. El cual, antes de consentir en oírla, como la viese fresca y gallarda, quiso enganchar una vez con el garfio a la pobrecilla cristiana; y ella, para ser mejor escuchada, no le hizo ascos; y levantándose de la molienda, dijo:

-Señor, tenéis aquí a Ruggeri de los Aieroli, preso por ladrón, y no es eso verdad.

Y empezando por el principio le contó la historia hasta el fin de cómo ella, su amiga, a casa del médico lo había llevado y cómo le había dado a beber el agua del narcótico, no sabiendo que lo era, y cómo por muerto lo había metido en el arca; y después de esto, lo que entre el maestro carpintero y el dueño del arca había oído decir, mostrándole con aquello cómo a casa de los prestamistas había llegado Ruggeri. El magistrado, viendo que fácil cosa era comprobar si era verdad aquello, primero preguntó al médico si era verdad lo del agua, y vio que había sido así; y luego, haciendo llamar al carpintero y a quien era el dueño del arca y a los prestamistas, luego de muchas historias vio que los prestamistas la noche anterior habían robado el arca y se la habían llevado a casa. Por último, mandó por Ruggeri y preguntándole dónde se había albergado la noche antes, repuso que dónde se había albergado no lo sabía, pero que bien se acordaba que había ido a albergarse con la criada del maestro Maezzo, de cuya alcoba había bebido agua porque tenía mucha sed; pero que dónde había estado después, salvo cuando despertándose en casa de los prestamistas se había encontrado dentro de un arca, no lo sabía. El magistrado, oyendo estas cosas y divirtiéndose mucho con ellas, a la criada y a Ruggeri y al carpintero y a los prestamistas las hizo repetir muchas veces. Al final, conociendo que Ruggeri era inocente, condenando a los prestamistas que robado habían el arca a pagar diez onzas, puso en libertad a Ruggeri; lo cual, cuánto gustó a este, nadie lo pregunte: y a su señora gustó desmesuradamente. La cual, luego, junto con él y con la querida criada que había querido darle de cuchilladas, muchas veces se rió y se divirtió, continuando su amor y su solaz siempre de bien en mejor; como querría que me sucediese a mí, pero no que me metieran dentro de un arca.

FIN



Cuarta Jornada – Narración décima,

El decamerón, 1353

DE GIOVANNI BOCCACCIO


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Postrera súplica



Si muero joven; si el dolor me mata
y en la terrible fosa me derrumba,
te ruego que no vayas, dulce ingrata,
con otro amante a visitar mi tumba;
porque al sentir vuestros iguales pasos
romper la paz que para siempre anhelo,
levantaré los descarnados brazos
para pedirle que me vengue al cielo.

del hondureño Juan Ramón Molina  (1875-1908)


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