quarta-feira, 11 de setembro de 2013

ALLENDE



Para matar al hombre de la paz
para golpear su frente limpia de pesadillas
tuvieron que convertirse en pesadilla
para vencer al hombre de la paz
tuvieron que congregar todos los odios
y además los aviones y los tanques
para batir al hombre de la paz
tuvieron que bombardearlo hacerlo llama
porque el hombre de la paz era una fortaleza

para matar al hombre de la paz
tuvieron que desatar la guerra turbia
para vencer al hombre de la paz
y acallar su voz modesta y taladrante
tuvieron que empujar el terror hasta el abismo
y matar más para seguir matando
para batir al hombre de la paz
tuvieron que asesinarlo muchas veces
porque el hombre de la paz era una fortaleza

para matar al hombre de la paz
tuvieron que imaginar que era una tropa
una armada una hueste una brigada
tuvieron que creer que era otro ejército
pero el hombre de la paz era tan sólo un pueblo
y tenía en sus manos un fusil y un mandato
y eran necesarios más tanques más rencores
más bombas más aviones más oprobios
porque el hombre del paz era una fortaleza

para matar al hombre de la paz
para golpear su frente limpia de pesadillas
tuvieron que convertirse en pesadilla
para vencer al hombre de la paz
tuvieron que afiliarse para siempre a la muerte
matar y matar más para seguir matando
y condenarse a la blindada soledad
para matar al hombre que era un pueblo
tuvieron que quedarse sin el pueblo.

(Mario Benedetti)


En el camino de regreso, caminando sierra arriba, Carlos siguió leyendo. No podía desprenderse de esta historia de horror y de bravura. El personaje central del libro era un hombre que había sabido cumplir su palabra. Al llegar a la aldea, Carlos anunció, eufórico: -¡Por fin tenemos nombre! Y leyó el libro, en voz alta, para todos. La tropezada lectura le ocupó casi una semana. Después, las ciento cincuenta familias votaron. Todas por sí. Con bailares y cantares se selló el bautizo. Ahora tienen cómo llamarse. Esta comunidad lleva el nombre de un hombre digno, que no dudó a la hora de elegir entre la traición y la muerte. -Voy para Salvador Allende dicen, ahora, los caminantes.


Eduardo Galeano .
Memorias Del Fuego

Yo pisaré las calles nuevamente.



Yo pisaré las calles nuevamente 
de lo que fue Santiago ensangrentada 
y en una hermosa plaza liberada 
me detendré a llorar por los ausentes. 

Yo vendré del desierto calcinante 
y saldré de los bosques y los lagos 
y evocaré en un cerro de Santiago 
a mis hermanos que murieron antes. 

Yo unido al que hizo mucho y poco 
al que quiere la patria liberada 
dispararé de las primeras balas 
más temprano que tarde sin reposo 
retornarán los libros las canciones 
que quemaron las manos asesinas 
renacerá mi pueblo de su ruina 
y pagarán su culpa los traidores. 

Un niño jugará en una alameda 
y cantará con sus amigos nuevos 
y ese canto será el canto del suelo 
a una vida segada en La Moneda. 

Yo pisaré las calles nuevamente 
de lo que fue Santiago ensangrentada 
y en una hermosa plaza liberada 
me detendré a llorar por los ausentes.

Pablo Milanés.


Nós devemos

Nós devemos trazer
nossa própria luz
para a
escuridão.

Ninguém irá fazer
isso por nós.

Como os jovens garotos
que esquiam montanha
abaixo.

Como o cozinheiro
que recebe o seu
pagamento.

Como o cão
que persegue
outro cão.

Nós devemos trazer
nossa pŕopria luz
para a
escuridão.

Ninguém irá fazer
isso por nós.

Como o solitário telefone
de alguém
em algum lugar

Como a grande fera
que estremece com
os próprios pesadelos.

Como a estação final
que entra no foco

Ninguém irá fazer
isso por nós.

(Charles Bukowski - Tradução: f. Koproski)


Deseo



Sólo tu corazón caliente,
y nada más.

Mi paraíso un campo
sin ruiseñor
ni liras,
con un río discreto
y una fuentecilla.

Sin la espuela del viento
sobre la fronda,
ni la estrella que quiere
ser hoja.

Una enorme luz
que fuera
luciérnaga
de otra,
en un campo
de miradas rotas.

Un reposo claro
y allí nuestros besos,
lunares sonoros
del eco,
se abrirían muy lejos.

Y tu corazón caliente,
nada más.

Federico García Lorca

terça-feira, 10 de setembro de 2013

O Umbigo dos Limbos



Lá onde outros propõem suas obras, eu não pretendo fazer outra coisa senão mostrar meu espirito.
A vida é de queimar as questões.
Eu não concebo nenhuma obra separada da vida.
Eu não gosto da criação separada. Eu não concebo tampouco o espirito como separado de si próprio. Cada uma de minhas obras, cada um dos planos de mim mesmo, cada uma das florações glaciais de minha alma interior baba sobre mim.
Eu me reencontro tanto em uma carta escrita para explicar a contração intima de meu ser e a castração insensata de minha vida, quanto em um ensaio que é exterior à mim mesmo, e que se me aparece como uma gravidez indiferente de meu espirito.
Eu sofro porque o Espirito não está na vida e porque a vida não seja o Espirito, eu sofro por causa do Espirito-orgão, do Espirito-tradução, ou do Espirito-intimidação-das-coisas para fazê-las entrar no Espirito.
Este livro, eu o ponho em suspensão na vida, eu quero que ele seja mordido pelas coisas exteriores e, em primeiro lugar, por todos os sobressaltos em cisalhas, todas as cintilações de meu eu por vir.
Todas as páginas se espalham como pedras de gelo no espirito. Que me desculpem minha liberdade absoluta. Eu me recuso a fazer diferenças entre qualquer dos minutos de mim mesmo. Eu não reconheço plano em meu espirito.
É preciso acabar com o Espirito assim como com a literatura. Eu digo que o Espirito e a vida comunicam em todos os graus. Eu gostaria de fazer um Livro que perturbasse os homens, que fosse como uma porta aberta e que os levasse lá onde jamais consentiriam em ir, uma porta simplesmente aberta para a realidade.
E isto não é mais prefacio a um livro do que todos os poemas, por exemplo, que o balizam ou a enumeração de todas as raivas do mal-estar.
Isto não é mais que uma pedra de gelo, também mal engolida.

(Antonin Artaud)


"Para gerenciar uma nuvem é preciso um sistema de monitoramento que controla o seu funcionamento, e este sistema é, por definição, escondido dos usuários. Quanto menor e mais personalizado o item (smartphone) que eu tenho em mãos, e mais fácil de usar, mais sua configuração tem de confiar no trabalho que está sendo feito em outro lugar, num vasto circuito de máquinas que coordena a experiência do usuário. Quanto mais a nossa experiência é espontânea e transparente, mais ela é regulada pela rede invisível controlada por agências estatais e grandes empresas privadas, que seguem suas agendas secretas."

Slavoj Žižek no Blog da Boitempo.

domingo, 8 de setembro de 2013

Sete de Setembro em Curitiba


Possibilidades

"Prefiro filmes.
Prefiro gatos.
Prefiro os carvalhos ao longo de Warta.
Prefiro Dickens a Dostoievsky.
Prefiro-me gostando de indivíduos
a mim mesma amando a humanidade.
Prefiro manter uma agulha e linha à mão, em caso de precisão.
Prefiro a cor verde.
Prefiro não suster
que a razão é a culpada de tudo.
Prefiro exceções.
Prefiro sair mais cedo.
Prefiro falar com os médicos sobre outra coisa.
Prefiro as antigas bem alinhadas ilustrações.
Prefiro o absurdo de escrever poemas
ao absurdo de não escrever poemas.
Prefiro, quando o amor diz respeito, aniversários inespecíficos
que podem ser comemorados todos os dias.
Prefiro moralistas
que me prometem nada.
Prefiro bondade astuta ao tipo super confiante.
Prefiro a terra à paisana.
Prefiro conquistados a países conquistadores.
Prefiro ter algumas reservas.
Prefiro o inferno do caos ao inferno da ordem.
Prefiro os contos de fadas dos Grimms às primeiras páginas dos jornais.
Prefiro as folhas sem flores às flores sem folhas.
Prefiro cães com caudas descortadas.
Prefiro os olhos claros, uma vez que os meus são escuros.
Prefiro gavetas.
Prefiro muitas coisas que não mencionei aqui a muitas coisas que também deixei não ditas.
Prefiro os zeros à solta àqueles alinhados atrás de uma cifra.
Prefiro o tempo de insetos ao tempo de estrelas.
Prefiro bater na madeira.
Prefiro não perguntar quanto tempo e quando.
Eu prefiro manter em mente a possibilidade de que a existência tem sua própria razão de ser."

 Wislawa Szymborska

sábado, 24 de agosto de 2013


...o autor escreve em sua liberdade ou por ser destinado a tal função? André Breton conjugava, em seu acaso objetivo, a relação entre a liberdade e o destino. Tal concepção remete, talvez, à tarefa do poeta/escritor, que escreve por ser destinado, mas também pelo desejo de que as palavras alcem voo. Talvez, o poeta/o escritor não tenha muita escolha em escrever ou não: ele escreve por uma pulsão. A escritura então estaria além do destino, além da liberdade, mas numa recorrência da vida, à qual todos nós aceitamos nos unir.

Eclair Antonio Almeida Filho | Roberta Tostes Daniel

Tu és pressionado a escrever,
como se tivesse em atraso com a vida,
a vida inexprimível, a única no fim das contas à qual
aceitas te unir.

René Char

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

ASISTIMOS A UNA ÉPOCA EN QUE LA HUMANIDAD SE ESTÁ VOLVIENDO SALVAJE"

Hemeroteca. Entrevista a Jacques Vergès realizada en marzo de 2006, tras su fallecimiento

Jacques Vergès se ha apagado para siempre. Clarividente e inflexible, comprometido e indiferente a la vez, sensible al sufrimiento de las personas débiles y vencidas, Jacques Vergès fue durante toda su vida el blanco de aquellos que se dedican a arrojar el oprobio sobre cualquier testigo lúcido y rebelde. Nunca flaqueó. Rendimos aquí homenaje a este personaje fuera de lo común volviendo a difundir la entrevista que nos concedió en marzo de 2006 durante un encuentro que nos resultó inolvidable. 

"El Tribunal Penal Internacional para la antigua Yugoslavia es una institución ilegal"
Creemos que son importantes voces como la de Jacques Vergés en el momento en que tantas personas tratan de entender el silencio de sus autoridades ante las víctimas que en Iraq, Afganistán, Palestina y también en casa se dejan sin protección. 

Silvia Cattori : Usted conocía a Milosevic. ¿Qué sintió al conocer su muerte? 
Jacques Vergès: Soy uno de sus abogados. ¿Qué sentí? Sentí indignación porque a todas luces es una muerte que se ha querido. Desde este punto de vista es un asesinato. Milosevic estaba muy enfermo. Le impusieron unas sesiones agotadoras que terminaban después de la hora de su paseo cotidiano, que consistía en recorrer los cien pasos del patio de la cárcel. Estuvo muy enfermo a principios de este año y pidió que lo atendieran en Rusia. Ya no estamos en los tiempos de la Guerra Fría. Los rusos habían prometido mantenerlo en manos de la justicia, no permitirle escapar. El Tribunal Penal Internacional para la antigua Yugoslavia (TPIY) denegó que se le tratara en Rusia. Se le denegó a este hombre que necesitaba un tratamiento urgente, con el objetivo de que muriera.
Hoy la autopsia afirma que murió de infarto, lo que es una muerte natural. No es cierto. Se puede provocar la muerte natural. Durante la guerra de Argelia las nietas de un hombre al que acabaran de detener me nombraron su abogado. Les dije que iba a intervenir ante las autoridades para que no lo torturaran y ellas me contestaron: "Pero, no se trata de torturas, se trata de su vida, es diabético y necesita una inyección diaria de insulina, sin la cual muere". Murió de muerte natural.
En el caso de Milosevic, aunque no se encuentren restos de veneno, ha muerto de muerte natural, pero una muerte natural provocada. Me preguntan: pero ¿por qué? Porque, en primer lugar, era un hombre valiente, que se defendía solo ante el tribunal y querían quebrarlo, aún a riesgo de matarlo. Pues buen, lo han matado. Por eso afirmo que este tribunal es un tribunal de asesinos. 

Silvia Cattori: Por consiguiente, ¿ha cometido un fallo Carla del Ponte al no conceder al acusado el respeto al que tiene derecho todo preso? 
Jacques Vergès: Sí, se le ha negado a Milosevic el respeto al que tiene derecho todo preso. En Francia tenemos un exministro, Maurice Papon, que fue condenado por crímenes contra la humanidad. Se sintió enfermo. Los médicos lo constataron y se le puso en libertad. Se le trató humanamente. 

Silvia Cattori: ¿No siente usted consideración alguna por el Tribunal Penal Internacional para la antigua Yugoslavia? 
Jacques Vergès: Este Tribunal Penal Internacional es una institución ilegal que ha sido establecida por el Consejo de Seguridad, el cual no tiene ningún poder judicial. No se puede delegar un poder que no se tiene. La Asamblea era la única que podía decidirlo.
En segundo lugar, este tribunal carece de ley. En Francia, cuando una persona acude ante un tribunal, existe un código de procedimiento que se aplica. En el caso del TPIY, no hay código de procedimiento. El procedimiento del TPIY cambia según sus necesidades. En lo que concierne a Milosevic, se ha cambiado el procedimiento veintidós veces.
En tercer lugar, este tribunal se ocupa de hechos anteriores a su creación, lo que es ilegal. Eso se llama "retroactividad de la ley penal", procedimiento que es perfectamente contrario a todas las reglas democráticas. Este tribunal admite que unos testigos puedan dar testimonio ocultos. ¡¿Cómo es posible que haya un debate?!
Este tribunal afirma que en algunos casos el rumor público bastará como prueba. Ahora bien, sabemos hasta qué punto el rumor público está repleto de errores y de manipulaciones. Finalmente, como colofón a todo esto, el tribunal acepta donaciones: el 14 % del presupuesto del TPIY proviene de donaciones. Por ejemplo, George Soros, que es un adversario de Serbia, contribuye al pago del salario de los jueces. ¿Qué diría usted si tuviera que comparecer ante un tribunal pagado por una cadena hotelera o por una cadena de tiendas de alimentación? 

Silvia Cattori: ¿Acaso ya no existe la legalidad internacional? Por consiguiente, ¿qué confianza pueden tener todavía en la justicia las personas débiles? 
Jacques Vergès: ¿Legalidad internacional? ¿Ha oído hablar de Guantánamo? ¡¿Qué legalidad?!? Aún se ha sabido algo que es todavía peor que Guantánamo: que unos servicios secretos estadounidenses tienen en Europa prisiones a las que se envía a personas para que sean torturadas en ellas sin que se sepa. Se han barajado nombres como Polonia y Rumanía. 

Silvia Cattori: ¿Cómo es posible que Francia o Europa no den un puñetazo en la mesa ante la gravedad de las violaciones a las que asiste el mundo? 
Jacques Vergès: Lo que me gustaría en este sentido es que países como Francia se opusieran pero, por desgracia, no es el caso. Creo que el que [Francia] se haya opuesto a la guerra contra Iraq ya es gran cosa, es algo inesperado.
Estados Unidos mantiene presas a personas en Guantánamo fuera de toda legalidad. Estos presos ni siquiera dependen de la ley estadounidense. También se ha visto en la cárcel de Abu Graib como la tortura ya no era un instrumento del interrogatorio, sino un instrumento de humillación de la dignidad humana. En Argelia los franceses afirmaban que cuando torturaban, lo que era innoble, era para obtener informaciones. Pero cuando, como hemos visto, una joven estadounidense se ríe arrastrando de una cadena a un hombre que agoniza, esto no se hace para buscar documentos, es para asimilar a ese hombre a una bestia. Asistimos ahí a una época en la que la humanidad se está volviendo salvaje. 

Silvia Cattori: Al no condenar a Estados Unidos y Gran Bretaña durante los años en los que, violando la ley, estos países bombardearon en Iraq la zona llamada "de exclusión aérea" [No fly zone], ¿no se hizo cómplice la ONU de los preparativos de esta guerra? 
Jacques Vergès: Por supuesto que sí. Ninguna instancia condenó verdaderamente los malos tratos a estos presos. Sin embargo, la ONU no votó esta guerra. Los estadounidenses emprendieron esta guerra con una mentira. Todo el mundo sabía perfectamente que Saddam Hussein no tenía armas de destrucción masiva. Y, a pesar de ello, la guerra se llevó a cabo con este falso pretexto. Y nadie condena a los agresores.

Por otra parte, hubo un embargo [en Iraq] entre ambas guerras, un embargo que provocó la muerte de quinientos mil niños y niñas. Es la OMS quien lo afirma. Cuando se le preguntó a [la entonces secretaria de Estado estadounidense] Madaleine Albright qué opinaba de ello, respondió: "Es el precio de la democracia". ¿Acaso un régimen, sea el que sea, merece el sacrificio de quinientos mil niños y niñas? Donde se encuentra a los criminales contra la humanidad es entre las grandes potencias occidentales 

Silvia Cattori: La gente recuerda la época en la que los medios de comunicación le calificaron de "nazi", de "terrorista" por haber defendido a Barbie y Carlos. ¿No le molesta cuando le arrastran por el fango? 
Jacques Vergès: No. 

Silvia Cattori: Y cuando le tratan de "antisemita"; ¿le deja indiferente? 
Jacques Vergès: Mire, desde el momento en que no es verdad, me deja indiferente. 

Silvia Cattori: ¡Pero el rumor puede destruir carreras! 
Jacques Vergès: Vivo en un país que se llama Francia. Existe una tradición en Francia: el francés tiene tendencia a sentirse solo contra la clase dominante. Está a favor de d'Artagnan, de Mandrin. 
Un día salía de la sala de lo criminal de Aix. Atravesé el mercadillo que se forma en la inmediaciones del Palacio de Justicia. Un colega me dijo: "No me sorprende cuando la gente te reconoce, lo que me sorprende es la manera como te saludan: no saludan a un notable, saludan a un cómplice. Sigamos, pues, maestro". 

Silvia Cattori: Aparte de usted, hay muchas personas a las que se acusa de "antisemitismo", de ser "antijudías", que es un delito que ¡pesa más que la acusación de "racismo", de ser "antiárabe"! 
Jacques Vergès: Ahora no se me trata de antisemita. Mi alegato de defensa se editó y difundió en la televisión; se vio claro que yo no había mantenido un discurso "antisemita". Usted sabe cuál es el problema de los medios de comunicación: los medios aúllan con los lobos. Consideran que es su función. Durante el proceso a Barbie le dije a un periodista de la televisión: "El servicio que usted podría hacerme es el de publicar todos los días mi foto en su telediario y decir «este hombre es un cabrón». Los franceses no son tan brutos y descifrarán su mensaje, y se dirán: si se le insulta tanto es que es un buen tipo". 

Silvia Cattori: ¿Cree usted verdaderamente que las personas sometidas al bombardeo mediático saben tener en cuenta todos los factores? 
Jacques Vergès: A la larga, sí. 

Silvia Cattori: Usted ha conocido a personalidades como Tarek Aziz, al que muchas personas respetaban. Hoy se les trata como a perros, se les tortura. ¿Cómo vive usted, en su fuero interno, esta violencia de los Estados hecha en nombre "de los derechos humanos y de la democracia", y que ya ha causado tantas víctimas y tanto sufrimiento? 

Jacques Vergès: Como la gran impostura. Vivimos un periodo de salvajismo y de impostura. Saddam Hussein era un aliado de Occidente y después un día se pensó que era demasiado fuerte y se decidió abatirlo. Y a continuación, se le abatió a base de mentiras. Hoy se reconoce eso.
Y también se nos dice que se está luchando por los derechos humanos, pero nunca se ha humillado y pisoteado tanto a las personas como en las cárceles estadounidenses, en Iraq y en Guantánamo. Se fue a Afganistán para vencer a los talibán y el resultado es que la producción de opio se ha multiplicado por diez.
Se amenaza a Irán afirmando que Irán no tiene derecho a tener la bomba atómica. Ni siquiera debe haber la sospecha de que tenga medios de fabricar la bomba nuclear, aunque Irán tiene dos vecinos que ya la tienen: Pakistán por una parte e Israel por otra. ¿Por qué estos dos países tiene derecho a tener la bomba e Irán no? No busque respuestas. Son decisiones de los poderosos del momento. 

Silvia Cattori: ¿Imagina usted que se pueda modificar el curso de las cosas? 
Jacques Vergès: En 1941 en Europa se podía prever que las cosas cambiarían si Hitler hacía una locura. La hizo: atacó la Unión Soviética y fue derrotado.
Creo que todo esto va a terminar por medio de una locura y, desgraciadamente, de una gran masacre. En ese momento se pondrá fin a este estado de hipnosis en el que vive el mundo. Por ejemplo, se sabe muy bien que si Estados Unidos ataca Irán asistiremos a una confrontación extremadamente grave en todo Oriente Próximo, que incluso tendrá consecuencias para los países occidentales, con el precio del petróleo. ¡Por eso dudan tanto! 

Silvia Cattori: Por consiguiente, las llamadas "guerras preventivas", defendidas incluso por personalidades que se consideran humanitarias, como Pascal Bruckner y Bernard Kouchner, por ejemplo, ¡no llevan al mejor de los mundos! 
Jacques Vergès: No. No hay más que ver actualmente esta supuesta "guerra contra el terrorismo". ¿Qué es el "terrorismo"? No es una entidad. Yo hice la guerra en la armada francesa, era artillero. La artillería no era una entidad. No había una artillería contra una infantería. Había una artillería alemana y una artillería francesa.
Los "terroristas" son diferentes entre sí. Los miembros del IRA y los de Al Qaeda no son los mismos, ni los de ETA y los corsos son los mismos. Pero en nombre del "terrorismo" se justifica todo. 

Silvia Cattori: ¿No existe un derecho internacional para los pueblos bajo ocupación o agredidos, para que se defiendan? 
Jacques Vergès: Eso se llama resistencia. En Francia la palabra terrorismo la utilizaron por primera vez los alemanes, durante la ocupación. 

Silvia Cattori: Entonces, ¿cómo explicar que, con el acuerdo de todos los partidos, desde la extrema izquierda a la derecha, el Parlamento Europeo haya inscrito al movimiento Hamas en la lista de "organizaciones terroristas" a petición de Israel y de Estados Unidos? 
Jacques Vergès: Porque, en mi opinión, se vive en un equívoco. Durante el juicio contra Barbie yo decía que cuando se examinan los crímenes de la Alemania nazi, "antes de juzgar, hay que tratar de barrer ante la puerta de casa". La Gestapo cometió menos crímenes en Francia que los que cometió Francia en Argelia, o que los que cometieron los rusos en Afganistán o los estadounidenses en Vietnam. Y se me responde: "No, nosotros somos una democracia".

Pero una democracia es capaz de crímenes. Existe este equívoco: ¡la democracia no sería capaz de crímenes! Al contrario. Cerca de Nueva Zelanda tiene usted una isla que es mayor que Suiza: Tasmania; ya no existe Tasmania. La última tasmana murió en 1977, destruida por los colonos ingleses. Tomemos el caso de los pieles rojas, de los incas, de los aztecas, ¡todos fueron destruidos!; eran civilizaciones florecientes.
Por consiguiente, las democracias son tan capaces de crímenes como las dictaduras. Con circunstancias agravantes en el caso de las democracias: la opinión pública es conocedora. Se me dice que existe la libertad de prensa. Entonces, esto agrava la responsabilidad de la opinión. 

Silvia Cattori: ¡Yo no creo que la opinión pública sea conocedora! 
Jacques Vergès: Durante la guerra de Argelia denunciamos la tortura. En el caso de Abu Graib, todo el mundo sabe lo que pasa, aparecieron las fotos en las televisiones. 

Silvia Cattori: La opinión pública estuvo precondicionada: ¿acaso no se le presentó la guerra como el "mal menor"? 
Jacques Vergès: Pero la historia del "mal menor" no excusa esta inhumanidad gratuita y la opinión pública lo sabe, y la opinión pública no reaccionó. 

Silvia Cattori: ¿Se imaginaba usted hace quince años que las cosas serían así? 
Jacques Vergès: Sí, a partir de la caída del muro y de la caída de la URSS, cuando Estados Unidos se encontró con que era el único amo y a la cabeza, unos dirigentes incultos. 
No es sorprendente que los dirigentes alemanes y franceses hayan estado en contra de la guerra en Iraq. Francia y Alemania no son islas. Chirac tiene una experiencia del mundo árabe. Fue oficial en Argelia, sabe qué es una guerra de liberación.
Los estadounidenses no lo saben. Estados Unidos es una isla. Puede que lo sepan la capa culta de la costa oeste y este, pero el Estados Unidos profundo, desde Nebraska a Arkansas, lo ignora. En Belgrado les decía a unos serbios: "¿cómo quieren explicar a un tipo de Arkansas que Kosovo es la cuna de su nación? Ellos no tienen naciones. No tienen historia". 

Silvia Cattori: ¿Quiere usted decir que han vuelto los bárbaros? 
Jacques Vergès: Si, desde luego. Creo que la humanidad no ha vivido una época tan salvaje como esta. En Europa había ciertas reglas; hoy ya no se respetan. 

Silvia Cattori: ¿Quién puede hacer de contrapeso de la superpotencia estadounidense? 
Jacques Vergès: Desde el punto de vista militar, nadie. Pero desde el punto de vista económico, muchos países pueden. Hoy la guerra ya no es solo militar, está fuera de las normas. Basta con que dos torres se desmoronen en Nueva York, con un atentado de una organización que no tiene territorio, para que las compañías aéreas estadounidenses se declaren en quiebra. Basta con que haya unas maniobras chinas en el estrecho de Formosa para que se hunda la Bolsa de Taipei. 
Al final, incluso estando sometidos, la televisión y los periódicos tendrán que decir ciertas cosas. La opinión pública es muy lenta en cambiar de punto de vista, pero se despertará. Un día cambiará de punto de vista. 

Silvia Cattori: ¿Quiénes son hoy los propietarios de las democracias occidentales? ¿Quién manda realmente? ¿A quién pueden acudir todavía los pueblos oprimidos? 
Jacques Vergès: En nuestras democracias, son los directivos de las grandes empresas. El ejemplo es típico: cuando los fabricantes de galletas "LU" despiden a su personal, los huelguistas se dirigen a Lionel Jospin, que entonces era el primer ministro francés, y este les responde: "¿Qué puedo hacer?". Efectivamente, en el sistema actual no podía hacer nada. 

Silvia Cattori: Así pues, ¿la gente ya no puede cambiar nada? 
Jacques Vergès: Sí, pero para cambiar se necesitarán verdaderamente grandes conmociones. 

Silvia Cattori: Actualmente el relator Especial del Consejo de Europa, el fiscal suizo Dick Marti, encargado de aclarar la existencia de "prisiones volantes" de la CIA, lucha con los gobiernos reticentes a suministrarle información. ¿Cree usted que va a poder ir hasta el final de la investigación? 
Jacques Vergès: Si quiere puede lograrlo. Cuando uno se empeña la verdad acaba siempre por resplandecer: siempre hay testigos. Lo conseguirá a condición de que acepte estar aislado y ser insultado. Le deseo mucha suerte.

Silvia Cattori
www.silviacattori.net

Traducido del francés para Rebelión por Beatriz Morales Bastos.
Esta entrevista se publicó el 14 de marzo de 2006: 
http://www.silviacattori.net/article141.html

Fuente: 
http://www.silviacattori.net/article4705.html

sábado, 10 de agosto de 2013

Preservação



Chama-se liberdade o bem que sentes,
Águia que pairas sobre as serrainas;
Chamam-se tiranias
Os acenos que o mundo
Cá de baixo te faz;
Não desças do teu céu de solidão,
Pomba da verdadeira paz,
Imagem de nenhuma servidão!




(Miguel Torga, in Diário IX)


domingo, 28 de julho de 2013

Poema Melancólico a não sei que Mulher



Dei-te os dias, as horas e os minutos
Destes anos de vida que passaram;
Nos meus versos ficaram
Imagens que são máscaras anónimas
Do teu rosto proibido;
A fome insatisfeita que senti
Era de ti,
Fome do instinto que não foi ouvido.

Agora retrocedo, leio os versos,
Conto as desilusões no rol do coração,
Recordo o pesadelo dos desejos,
Olho o deserto humano desolado,
E pergunto porquê, por que razão
Nas dunas do teu peito o vento passa
Sem tropeçar na graça
Do mais leve sinal da minha mão...


Miguel Torga, in 'Diário VII'

O mito de sísifo

O homem cotidiano não gosta de demorar. Pelo contrário, tudo o apressa. Ao mesmo tempo, porém, nada lhe interessa além de si mesmo, principalmente aquilo que poderia ser."

- Albert Camus, em "O mito de sísifo". São Paulo: Record, 2004, p. 92.

No Reino da Dinamarca

Os Amantes de Novembro

Ruas e ruas dos amantes
Sem um quarto para o amor
Amantes são sempre extravagantes
E ao frio também faz calor

Pobres amantes escorraçados
Dum tempo sem amor nenhum
Coitados tão engalfinhados
Que sendo dois parecem um

De pé imóveis transportados
Como uma estátua erguida num
Jardim votado ao abandono
De amor juncado e de outono.


Alexandre O'Neill

sábado, 27 de julho de 2013

Russian GYPSY Songs

Amazing Old Russian Jewish Music Video

Bei mir bist du schoen - Ella Fitzgerald

My Yiddishe Momme (sung in yiddish) Regine Zylberberg

"Jüdischer Tango: Ich hab' kein Heimatland"

Russian tango from Paris: Vertinsky: Tango Magnolia, c.1929

Pjotr Leschenko - "Tchernye glaza", tango !

Les Yeux Noirs/ Otchi Tchernye - Red Army Choir

Red Russian Army Choir -Smuglyanka Moldavanka

Red Army Choir: Kalinka.

КАТЮШA (Katyusha) - Red Army Choir

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Give the dogs meat...

Vladimir Vysotsky - 

Give the dogs meaty rations -
Maybe they'll fight then to munch them.
Give the hungover kvas and

Who knows? They might end up drunken.
To keep the crows from bloating
Put scarecrows in more places.
So lovers grow more doting
Give them space for embraces.

Throw grains upon the ground now -
Shoots might grow from those seeds then.
Okay, I'll stay within bounds now -
Only give me my freedom!

They gave the dogs a fillet -
They didn't pounce upon it.
They gave the drunks some spirit -
They said they didn't want it.

They scare the crows - whatever!
The crows don't bat an eyelid.
Couples are brought together -
They'd be better off divided.

They watered all the seeds and
No wheat grew - that's the ticket!
Yesterday they gave me freedom -
Now what shall I do with it?
________________________________
© Margaret & Stas Porokhnya. Translation, 2008

.

Capricious Horses

terça-feira, 23 de julho de 2013

Un poème



Bien placés bien choisis
quelques mots font une poésie
les mots il suffit qu’on les aime
pour écrire un poème
on ne sait pas toujours ce qu’on dit
lorsque naît la poésie
faut ensuite rechercher le thème
pour intituler le poème
mais d’autres fois on pleure on rit
en écrivant la poésie
ça a toujours kékchose d’extrème
un poème

Raymond Queneau

Source: Poetica.fr

Poème classé dans Authenticité, Créativité, Le poète, Raymond Queneau.

A une femme

Paul VERLAINE



A vous ces vers de par la grâce consolante
De vos grands yeux où rit et pleure un rêve doux,
De par votre âme pure et toute bonne, à vous
Ces vers du fond de ma détresse violente.

C'est qu'hélas ! le hideux cauchemar qui me hante
N'a pas de trêve et va furieux, fou, jaloux,
Se multipliant comme un cortège de loups
Et se pendant après mon sort qu'il ensanglante !

Oh ! je souffre, je souffre affreusement, si bien
Que le gémissement premier du premier homme
Chassé d'Eden n'est qu'une églogue au prix du mien !

Et les soucis que vous pouvez avoir sont comme
Des hirondelles sur un ciel d'après-midi,
- Chère, - par un beau jour de septembre attiédi.




Origens do totalitarismo

 [...]

"A sociedade competitiva de consumo criada pela burguesia gerou apatia, e até mesmo hostilidade, em relação à vida pública, não apenas pelas camadas sociais exploradas e excluídas da participação ativa no governo do país, mas acima de tudo entre a sua própria classe. O longo período de falsa modéstia, em que a burguesia se contentou em ser a classe social dominante sem aspirar ao domínio político, relegado à aristocracia, foi seguido pela era imperialista, durante a qual a burguesia tornou-se cada mais hostil às instituições nacionais existentes e passou a exigir o poder político e a organizar-se para exercê-lo. Tanto a antiga apatia como a nova exigência de direção monopolística e ditatorial resultavam de uma filosofia para a qual o sucesso ou o fracasso do indivíduo em acirrada competição era o supremo objetivo, de tal modo que o exercício dos deveres e responsabilidades do cidadão era tido como perda desnecessária do seu tempo e energia. Essas atitudes burguesas são muito úteis àquelas formas da ditadura nas quais um "homem forte" assume a incômoda responsabilidade de conduzir os negócios públicos; mas constituem um obstáculo para os movimentos totalitários, que não podem tolerar o individualismo burguês ou qualquer outro tipo de individualismo. Os elementos apáticos da sociedade burguesa, por mais que relutem em assumir as responsabilidades de cidadãos, mantêm intacta a sua personalidade, pelo menos porque ela lhes permite sobreviver na luta competitiva pela vida."


- Hanna Arendt.  | Origens do totalitarismo –

Desobediência Civil

[...]

Penso que, tendo sido alfabetizados, deveríamos ler o melhor da literatura e não ficar repetindo para sempre nosso bê-a-bá e nossos monossílabos, sentados a vida inteira na primeira fila da sala de aula. A maioria dos homens fica satisfeita se consegue ler ou ouvir outros lerem um único livro, a Bíblia, persuadidos talvez por sua sabedoria, e pelo resto de suas vidas põem-se a vegetar e a dissipar suas faculdades com aquilo que se chama de leitura fácil.


[THOREAU, Henry. Desobediência Civil. Tradução de Sérgio Karam. Porto Alegre: L&PM, 2011. p. 69]

O Barco e o Passageiro

O Barco e o Passageiro

Manhae Han Yong-un
1879 – 1944
Monge Budista e Poeta

Eu sou um barco.
Você, meu passageiro.

Você me trata com pés lamacentos.
Eu cruzo o rio, apertando-o em meus braços.

Quando você está em meus braços,
Eu não me importo
Se o rio é profundo, superficial ou rápido.

Se você não vem,
Espero, desde manhã até a noite,
Exposto a ventos, úmido de neve ou chuva.

Quando chegar outro banco,
Você se vai, sem olhar para trás.
Sei porém, que um dia você volta.
Então envelheço, esperando por você, dia e noite.

Eu sou um barco.
Você, meu passageiro.


O Barco e o Passageiro

Manhae Han Yong-un
1879 – 1944
Monge Budista e Poeta

Eu sou um barco.
Você, meu passageiro.

Você me trata com pés lamacentos.
Eu cruzo o rio, apertando-o em meus braços.

Quando você está em meus braços,
Eu não me importo
Se o rio é profundo, superficial ou rápido.

Se você não vem,
Espero, desde manhã até a noite,
Exposto a ventos, úmido de neve ou chuva.

Quando chegar outro banco,
Você se vai, sem olhar para trás.
Sei porém, que um dia você volta.
Então envelheço, esperando por você, dia e noite.

Eu sou um barco.
Você, meu passageiro.

Manhae Han Yong-um

Individualidade

Kim Kwang-söp (1905~1977)

Embora vindo de um vale pobre da montanha

Nascido como um seixo
Para jamais ser uma grande rocha

Ou

Fluindo como um córrego
Para jamais ser amplo como o mar

Você terá momentos de voares infinitos.


Ponteio

Era um, era dois, era cem
Era o mundo chegando e ninguém
Que soubesse que eu sou violeiro
Que me desse o amor ou dinheiro...

Era um, era dois, era cem
Vieram prá me perguntar:
"Ô voce, de onde vai, de onde vem?
Diga logo o que tem pra contar"...

Parado no meio do mundo
Senti chegar meu momento
Olhei pro mundo e nem via
Nem sombra, nem sol, nem vento...

Quem me dera agora
Eu tivesse a viola
Pra cantar...

Era um dia, era claro, quase meio
Era um canto falado sem ponteio
Violência, viola, violeiro
Era morte ao redor, mundo inteiro...

Era um dia, era claro, quase meio
Tinha um que jurou me quebrar
Mas não lembro de dor nem receio
Só sabia das ondas do mar...

Jogaram a viola no mundo
Mas fui lá no fundo buscar
Se eu tomo a viola, ponteio!
Meu canto não posso parar, não!...

Quem me dera agora
Eu tivesse a viola
Pra cantar...

Era um, era dois, era cem
Era um dia, era claro, quase meio
Encerrar meu cantar já convém
Prometendo um novo ponteio...

Certo dia que sei, por inteiro
Eu espero não vá demorar
Esse dia estou certo que vem
Digo logo o que vim pra buscar...

Correndo no meio do mundo
Não deixo a viola de lado
Vou ver o tempo mudado
E um novo lugar prá cantar...

Quem me dera agora
Eu tivesse a viola
Pra cantar...

(“Ponteio”, de Edu Lobo, canção vencedora do terceiro Festival da Record, em 1967).

Veja também:
http://semioticas1.blogspot.com.br/2013/04/o-novo-jards_8633.html

Deus e o Estado

'Inventado os deuses tinham agora respostas. E aqueles que vieram depois desses inventores de deuses, não tinham mais conhecimento de que deus era inventado, então passam a temê-lo e a ser seu escravo. Logo mais, por alguns homens com “espírito corrupto”, criam uma casta para fazer intermediário entre deuses e homens, utilizando da religiosidade para seu próprio proveito. Esses deuses se estabelecendo no imaginário coletivo, através da tradição, fazem nascer o clero. O clero monopoliza deus se tornando a autoridade e a hierarquia do conhecimento e da inspiração. ''

- Mikhail Bakunin; 



"O futuro é nosso, por prepotência de trabalho. Criaremos nossa literatura não conversando continuamente sobre literatura, mas escrevendo em orgulhosa solidão livros que contenham a violência de um 'cross' na mandíbula. Sim, um livro atrás do outro, e 'os eunucos que bufem'." (Roberto Arlt) 

Canção de Amor da Jovem Louca


(SYLVIA PLATH)

Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro
Ergo as pálpebras e tudo volta a renascer
(Acho que te criei no interior da minha mente)

Saem valsando as estrelas, vermelhas e azuis,
Entra a galope a arbitrária escuridão:
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.

Enfeitiçaste-me, em sonhos, para a cama,
Cantaste-me para a loucura; beijaste-me para a insanidade.
(Acho que te criei no interior de minha mente)

Tomba Deus das alturas; abranda-se o fogo do inferno:
Retiram-se os serafins e os homens de Satã:
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro.

Imaginei que voltarias como prometeste
Envelheço, porém, e esqueço-me do teu nome.
(Acho que te criei no interior de minha mente)

Deveria, em teu lugar, ter amado um falcão
Pelo menos, com a primavera, retornam com estrondo
Cerro os olhos e cai morto o mundo inteiro:
(Acho que te criei no interior de minha mente.)


translated by Maria Luíza Nogueira

(in A REDOMA DE CRISTAL, Ed. Artenova, Brazil, 1971, p. 255)

A SITUAÇÃO DA CULTURA DIANTE DOS PROTESTOS DE RUA


“Digamos que o Brasil passou 20 anos imerso no otimismo quanto à nova ordem capitalista, a qual de fato lhe permitiu avançar muito, ao mesmo tempo em que criava problemas imensos, aqui e mundo afora. A cegueira para estas contradições, alimentada pela ideologia marqueteira oficial, pesava como um tapa-olho sobre a inteligência do país, que perdeu contato com o avesso das coisas, sem o qual não existe vida do espírito. Pois bem, a energia dos protestos recentes, de cuja dimensão popular ainda sabemos pouco, suspendeu o véu e reequilibrou o jogo. Talvez ela devolva à nossa cultura o senso da realidade e o nervo crítico. Sem falar no humor, que nos seus momentos altos esta sempre teve.”
Roberto Schwarz, no Blog da Boitempo – http://bit.ly/17B9lkk