domingo, 28 de abril de 2013

@INTERNETE-ME






Tentei guardar você na minha memória cache.
No backup de ontem, teus beijos,
como hotlinks,
aumentaram o meu tráfego de dados, sibilinamente.
Hotlinkada,
ainda processo coragem para envio.
Por via das dúvidas,
internete-me!

REDE DA LINGUAGEM






Redondez de olho entre as barras.

Pestana animal tremulante
rema para cima,
concede uma visão clara.

Íris, nadadora, turva e sem sonhos :
o céu, coração - cinza, deve estar próximo.

Oblíqua, no bico férreo,
a lasca fumegante.
onde se sente a luz,
advinhas a alma.

( Se fosse como tu. Se tu fosses como eu.
Não estaríamos debaixo
de um vento alísio?
Somos estranhos. )

As lajes: sobre elas,
ambas, muito juntas,
as poças coração - cinza:
dois
pedaços de silêncio. 

Paul Celan

Tradução: Luís Costa


O que mais dói na miséria é a
ignorância que ela tem de si mesma.
Confrontados com a ausência de tudo,
os homens abstém-se do sonho,
desarmando-se do desejo de serem outros.

MIA COUTO, No livro "Vozes Anoitecidas"


“[...] o Estado nunca enfrenta a consciência intelectual ou moral de um indivíduo , mas apenas seu corpo, seus sentidos. Não está equipado com inteligência ou honestidade superiores, mas com força física superior.”
- Henry David Thoureau

sábado, 27 de abril de 2013

SOBRE O APEGO À FAMÍLIA.


Priscila Merizzio


Na minha idade (27 anos), soa meio condenável socialmente ser apegada à família. Estes dias escutei de um amigo, mais novo, que a fulana de tal é dependente da mãe, porque liga para ela quase toda semana pedindo orientações. A fulana mora em outra cidade, se sustenta, tem vida própria, mas sempre recorre aos pais. Eu mesma, quando era adolescente, achava que maturidade era sair de casa e falar pouco com os pais, com os irmãos, cuidando de si com autonomia e completo desapego (beirando a displicência, na verdade). Não estou fazendo apologia à dependência desmedida da família, ao parasitismo, sugação financeira e emocional dos pais. Mas qual é o problema ligar para conversar com sua madrinha, sobrinho, trocar e-mails com os irmãos? O homem moderno está com uns conceitos que, de longe, parecem de independência mas são, na verdade, de indiferença. Minha noção de família está completamente arraigada à noção de união, camaradagem, compreensão, apoio. Brigas são frequentes, lógico, como em qualquer relação de extrema convivência. Pra mim, é muito normal, às vezes, ligar pra minha irmã porque tive um pesadelo muito pesado, desabafando, ou esperar minha mãe chegar em casa, vestirmos pijamas e assistirmos a um filme juntas, debaixo das cobertas, comendo pizza e conversando durante o filme. E, depois, eu dormir na sua cama, como em um acampamento cigano. Minha irmã tem 30 e poucos anos, é casada, mora em outra cidade, é mãe, também. E o mais engraçado é que, quando meu sobrinho nasceu, ela se aproximou muito mais de nós, mãe e irmã. Além de ser amorosa e presente a seu marido, filho, cunhados, nora. Hoje, não há um dia em que não converse com minha mãe. Uma vez, uma manicure me disse algo, que nunca mais esqueci. Enquanto ela fazia minhas unhas, comentei que ainda moro com a minha mãe (motivos mil). Falei meio que me desculpando socialmente por isso, adiantando que eu deveria estar dividindo apartamento com alguma amiga. E ela me disse: “Minha mãe morreu há 10 anos. Eu tenho, hoje, quarenta anos. E sinto falta da minha mãe todos os dias. Ela é a pessoa que mais me faz falta. Que delícia poder morar com sua mãe”. Sou canceriana. E, além de tudo, um sangue italiano fortíssimo. Aquela manicure tem razão, sabem? O que levamos, senão o afeto que sentimos pelas pessoas, especialmente pela família, essa ligação forte e estranha, que nos ensina a fazer o impossível, por amor?


O que corrompe: Nos primeiros meses do dominio nacional-socialista / um trabalhador de uma pequena localidade na fronteira checa / foi condenado à prisão por distribuir panfletos comunistas. / Como um de seus cinco filhos havia já morrido de fome / não agradava ao juiz envia-lo para a cadeia por muito tempo. / Perguntou-lhe então se ele não estava talvez / apenas corrompido pela propaganda comunista. / Não sei o que o senhor quer dizer, disse ele, mas meu filho / foi corrompido pela fome.
(Bertold Brecht)

Terrorismo


"Terrorismo é o seguinte: indústrias ocidentais, marcas de renome, empregarem mão de obra praticamente escrava em países como Bangladesh, onde morreram ontem mais de 300 pessoas que trabalhavam na indústria têxtil dessas marcas, que as dondocas e os dondocos vão comprar nos shoppings sem ter ideia de como essas roupas são produzidas. Mas quem vai ocupar durante mais tempo a primeira página dos nossos jornais escrotos? Os 3 americanos mortos ou os 300 bengalis!? Sim, é uma pergunta retórica."

 Marcos Bagno.



 ''A forma inteligente de manter as pessoas passivas e obedientes é limitar estritamente o espectro do que seja uma opinião aceitável , e assim permitir o debate muito vivo dentro desse espectro .... "
-Noam Chomsky

"La façon intelligente de garder les gens passifs et obéissants est de limiter strictement l'éventail des opinions acceptables, mais de permettre un débat très animé au sein de ce spectre - et même de favoriser les avis les plus critiques et les plus dissidents. Cela donne aux gens le sentiment que la libre pensée a cours, alors que tout le temps les présupposés du système sont renforcées par les limites mises sur l'ensemble du débat."
................................................................................................
C'est vrai... Mais je me demande parfois si les manipulateurs ne finissent pas par être eux-mêmes conditionnés par leurs motivations, étant de la sorte poussés (ou obligés) à agir comme ils le font.
De la naissance à leur âge adulte et responsable, n'ont-ils pas été programmés par l'entourage ambiant, pour agir comme ils le font ?
Leur arrivisme ou leur ambition fait partie d'un engrenage dont ils ne sont plus maîtres.
D'une certaine manière, " ils obéissent " à leur formatage.
La liberté existe-t-elle vraiment ?...
Noam Chomsky (citação em francês): "a forma inteligente de manter as pessoas passivas e obedientes é limitar estritamente o espectro da opinião aceitável, mas permitir que muito animada dentro deste espectro - debate e promover ainda mais críticos e mais divergentes opiniões. Isso dá às pessoas a impressão de que o livre de classes de pensamento, enquanto o tempo todo, que os pressupostos do sistema são reforçados por limites impostos em todo o debate." ................................................................................................ É verdade... Mas eu às vezes pergunto se os manipuladores não acabar-se condicionada por suas motivações, sendo então empurrado (ou forçado) a agir como eles fazem. Do nascimento à idade adulta e responsável, será que eles não foram programadas pelo ambiente, agir como eles fazem? Sua carreirismo ou sua ambição faz parte de uma engrenagem que são não mais mestres. De certa forma, "obedecer" sua formatação. Liberdade realmente existe?...Michel Lambert

Leitura



A leitura, evidentemente, não termina com o reconhecimento das formas visuais das palavras. Seria mais exato dizer que é nesse momento que ela começa. A linguagem escrita destina-se a comunicar não apenas o som das palavras, mas também seu significado, e a área de formação visual das palavras tem conexões íntimas com as áreas cerebrais da audição e da fala, com as áreas intelectuais e executivas e também com as áreas úteis à memória e à emoção. A área de formação visual das palavras é um nodo essencial em uma complexa rede cerebral de conexões recíprocas - uma rede que parece existir apenas no cérebro humano.

[SACKS, Oliver. O olhar da mente. Tradução Laura Teixeira Motta. São Paulo: Companhia das Letras, 2010. p. 64]


"Naquela organização combalida operam-se, em segundos, transmutações completas. Basta o aparecimento de qualquer incidente exigindo-lhe o desencadear das energias adormecidas. O homem transfigura-se. Empertiga-se, estadeando novos relevos, novas linhas na estatura e no gesto; e a cabeça firma-se-lhe, alta, sobre ombros possantes, aclarada pelo olhar desassombrado e forte: e corrigem-se-lhe, prestes, numa descarga nervosa instantânea, todos os efeitos do relaxamento habitual dos órgãos; e da figura vulgar do tabaréu canhestro, reponta, inesperadamente, o aspecto dominador de um titã acobreado e potente, num desdobramento surpreendente de força e agilidade extraordinárias."

“trecho de Euclides da Cunha – Os sertões.”

Escrever


"Escrever é entregar-se ao fascínio da ausência de tempo. Neste ponto, estamos abordando, sem dúvida, a essência da solidão."

 [Maurice Blanchot, 1907-2003, in O Espaço Literário, Editora Rocco, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 2011]

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Poesia e microfone



[...]

é mais difícil obter cinco minutos no ar para transmitir um poema do que doze horas para disseminar propaganda mentirosa, música enlatada, piadas velhas, discussões" fingidas ou o que mais você quiser saber.

[ORWELL, George. Como morrem os pobres e outros ensaios. Tradução Pedro Maia Soares. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 131]

Un artista del trapecio



Franz Kafka

Un artista del trapecio -como se sabe, este arte que se practica en lo alto de las cúpulas de los grandes circos es uno de los más difíciles entre todos los asequibles al hombre- había organizado su vida de tal manera -primero por afán profesional de perfección, después por costumbre que se había hecho tiránica- que, mientras trabajaba en la misma empresa, permanecía día y noche en el trapecio. Todas sus necesidades -por otra parte muy pequeñas- eran satisfechas por criados que se relevaban a intervalos y vigilaban debajo. Todo lo que arriba se necesitaba lo subían y bajaban en cestillos construidos para el caso.
De esta manera de vivir no se deducían para el trapecista dificultades con el resto del mundo. Sólo resultaba un poco molesto durante los demás números del programa, porque como no se podía ocultar que se había quedado allá arriba, aunque permanecía quieto, siempre alguna mirada del público se desviaba hacia él. Pero los directores se lo perdonaban, porque era un artista extraordinario, insustituible. Además era sabido que no vivía así por capricho y que sólo
de aquella manera podía estar siempre entrenado y conservar la extrema perfección de su arte.

Además, allá arriba se estaba muy bien. Cuando, en los días cálidos del verano, se abrían las ventanas laterales que corrían alrededor de la cúpula y el sol y el aire irrumpían en el ámbito crepuscular del circo, era hasta bello. Su trato humano estaba muy limitado, naturalmente. Alguna vez trepaba por la cuerda de ascensión algún colega de turné, se sentaba a su lado en el trapecio, apoyado uno en la cuerda de la derecha, otro en la de la izquierda, y charlaban largamente. O bien los obreros que reparaban la techumbre cambiaban con él algunas palabras por una de las claraboyas o el electricista que comprobaba las conducciones de luz, en la galería más alta, le gritaba alguna palabra respetuosa, si bien poco comprensible.

A no ser entonces, estaba siempre solitario. Alguna vez un empleado que erraba cansadamente a las horas de la siesta por el circo vacío, elevaba su mirada a la casi atrayente altura, donde el trapecista descansaba o se ejercitaba en su arte sin saber que era observado.

Así hubiera podido vivir tranquilo el artista del trapecio a no ser por los inevitables viajes de lugar en lugar, que lo molestaban en sumo grado. Cierto es que el empresario cuidaba de que este sufrimiento no se prolongara innecesariamente. El trapecista salía para la estación en un automóvil de carreras que corría, a la madrugada, por las calles desiertas, con la velocidad máxima; demasiado lenta, sin embargo, para su nostalgia del trapecio.

En el tren, estaba dispuesto un departamento para él solo, en donde encontraba, arriba, en la redecilla de los equipajes, una sustitución mezquina -pero en algún modo equivalente- de su manera de vivir.

En el sitio de destino ya estaba enarbolado el trapecio mucho antes de su llegada, cuando todavía no se habían cerrado las tablas ni colocado las puertas. Pero para el empresario era el instante más placentero aquel en que el trapecista apoyaba el pie en la cuerda de subida y en un santiamén se encaramaba de nuevo sobre su trapecio. A pesar de todas estas precauciones, los viajes perturbaban gravemente los nervios del trapecista, de modo que, por muy afortunados que fueran económicamente para el empresario, siempre le resultaban penosos.

Una vez que viajaban, el artista en la redecilla como soñando, y el empresario recostado en el rincón de la ventana, leyendo un libro, el hombre del trapecio le apostrofó suavemente. Y le dijo, mordiéndose los labios, que en lo sucesivo necesitaba para su vivir, no un trapecio, como hasta entonces, sino dos, dos trapecios, uno frente a otro.

El empresario accedió en seguida. Pero el trapecista, como si quisiera mostrar que la aceptación del empresario no tenía más importancia que su oposición, añadió que nunca más, en ninguna ocasión, trabajaría únicamente sobre un trapecio. Parecía horrorizarse ante la idea de que pudiera acontecerle alguna vez. El empresario, deteniéndose y observando a su artista, declaró nuevamente su absoluta conformidad. Dos trapecios son mejor que uno solo. Además, los nuevos trapecios serían más variados y vistosos.

Pero el artista se echó a llorar de pronto. El empresario, profundamente conmovido, se levantó de un salto y le preguntó qué le ocurría, y como no recibiera ninguna respuesta, se subió al asiento, lo acarició y abrazó y estrechó su rostro contra el suyo, hasta sentir las lágrimas en su piel. Después de muchas preguntas y palabras cariñosas, el trapecista exclamó, sollozando:

-Sólo con una barra en las manos, ¡cómo podría yo vivir!

Entonces, ya fue muy fácil al empresario consolarlo. Le prometió que en la primera estación, en la primera parada y fonda, telegrafiaría para que instalasen el segundo trapecio, y se reprochó a sí mismo duramente la crueldad de haber dejado al artista trabajar tanto tiempo en un solo trapecio. En fin, le dio las gracias por haberle hecho observar al cabo aquella omisión imperdonable. De esta suerte, pudo el empresario tranquilizar al artista y volverse a su rincón.

En cambio, él no estaba tranquilo; con grave preocupación espiaba, a hurtadillas, por encima del libro, al trapecista. Si semejantes pensamientos habían empezado a atormentarlo, ¿podrían ya cesar por completo? ¿No seguirían aumentando día por día? ¿No amenazarían su existencia? Y el empresario, alarmado, creyó ver en aquel sueño, aparentemente tranquilo, en que habían terminado los lloros, comenzar a dibujarse la primera arruga en la lisa frente infantil del artista del trapecio.

FIN

A Vida Material


"Os alcoólatras, mesmo os "de cair na sarjeta", são intelectuais. O proletariado, que hoje é uma classe mais intelectual que a classe burguesa, de muito longe, tem uma tendência para o álcool, isso no mundo inteiro. Sem dúvida alguma o trabalho manual, dentre todas as ocupações do homem, é o que conduz mais diretamente à reflexão, portanto à bebida. Vejam a história das idéias. O álcool nos faz falar."
r." 
Marguerite Duras

Wittgensteins Neffe


'' Mas nada é mais naturalmente difícil do que a verdadeira afabilidade e a verdadeira solicitude e a verdadeira abnegação, e a fronteira entre o verdadeiro e o aparente é também dificil neste caso determinar''

Thomas Bernhard 

segunda-feira, 22 de abril de 2013


"O saber deve ser como um rio, cujas águas doces, grossas, copiosas, transbordem do indivíduo, e se espraiem, estancando a sede dos outros. Sem um fim social, o saber será a maior das futilidades."

- Gilberto Freyre, em discurso de "Adeus ao Colégio", novembro de 1917.

 “O meu amigo mais íntimo é o sujeito que vejo todas as manhãs no espelho do quarto de banho, à hora onírica em que passo pelo rosto o aparelho de barbear. Estabelecemos diálogos mudos, numa linguagem misteriosa feita de imagens, ecos de vozes, alheias ou nossas, antigas ou recentes, relâmpagos súbitos que iluminam faces e fatos remotos ou próximos, nos corredores do passado – e às vezes, inexplicavelmente, do futuro – enfim, uma conversa que, quando analisamos os sonhos da noite, parece processar-se fora do tempo e do espaço.”

- Erico Verissimo, em Solo de Clarineta – Memórias, 1º vol. 1973.

Orgulho


 Quando o soldado americano me contou / que as alemãs filhas de burgueses / vendiam-se por tabaco, e as filhas de pequeno burgueses por chocolate / as esfomeadas trabalhadoras escravas russas, porém, nao se vendiam / senti orgulho.
(Bertold Brecht)

partilha formal




Atravessar com o poema a pastoral dos desertos, o sacrifício às fúrias, o fogo bolorento das lágrimas. Correr atrás dele, implorar-lhe, injuriá-lo. Identificá-lo como sendo a expressão do nosso génio ou ainda o ovário esmagado da nossa penúria. Por uma noite irromper atrás dele, finalmente, nas núpcias da romã cósmica.


[Escrito por René Char/ Traduzido por Margarida Vale do Gato--
-- "Furor e mistério." Relógio d'Água Editores, 2000]

'' toda eleição é um leilão antecipado de bens roubados''

-H.L. Mencken.

Vida



Para um destino incerto caminhamos,
Tontos de luz, dentro de um sonho vão;
E finalmente, a gloria que alcançamos
Nem chega a ser uma desilusão!

Levanta-se da sombra, entre altos ramos,
Como um fumo a subir, lento, do chão,
A distancia que tanto procuramos,
E os nossos braços nunca atingirão.

Mas um dia, perdidos, hesitante,
A alma vencida e farta, as mãos tateantes,
De repente, paramos de lutar;

E ao nosso olhar, cansado de amargura,
As montanhas têm muito mais altura,
O céu mais astros, e mais água o mar!

- Ronald de Carvalho, no livro “Poemas e Sonetos”, 1919.

Soneto de Abril



Agora que é abril, e o mar se ausenta,
secando-se em si mesmo como um pranto,
vejo que o amor que te dedico aumenta
seguindo a trilha de meu próprio espanto.
Em mim, o teu espírito apresenta
todas as sugestões de um doce encanto
que em minha fonte não se dessedenta
por não ser fonte d'água, mas de canto.
Agora que é abril, e vão morrer
as formosas canções dos outros meses,
assim te quero, mesmo que te escondas:
amar-te uma só vez todas as vezes
em que sou carne e gesto, e fenecer
como uma voz chamada pelas ondas.

- Lêdo Ivo, in "Acontecimento do Soneto",1948.