quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Racismo e fascismo



Por TONI MORRISON

Neste ensaio, publicado na serrote 32, a americana Toni Morrison (1931-2019) faz um alerta sobre o avanço do ódio e do autoritarismo na vida de uma nação. “A genialidade do fascismo está no fato de que qualquer estrutura política pode hospedar o vírus, e praticamente qualquer país desenvolvido oferece um caldo de cultura adequado”, ela disse quando apresentou o texto, em 1995, a uma plateia de estudantes e professores na Howard University, universidade historicamente negra situada em Washington.

Ganhadora do Nobel de Literatura em 1993, Morrison é autora de clássicos contemporâneos como os romances Amada e Jazz. Este ensaio faz parte da antologia The Source of Self-Regard, Selected Essays, Speeches and Meditations, lançada em 2019 nos EUA e inédita no Brasil.

  

Não nos esqueçamos de que, antes de haver uma solução final, deve haver uma primeira solução, uma segunda, até mesmo uma terceira. O movimento rumo à solução final não é um salto. Exige um passo inicial, seguido de outro, e outro mais. Talvez algo assim:

1. Construa um inimigo interno, para servir tanto como foco quanto como algo que desvie a atenção daquilo que se deseja ocultar.

2. Isole e demonize esse inimigo, desencadeando e protegendo a prática de ofensas verbais e insultos ostensivos ou indiretos. Use ataques de caráter pessoal como acusações legítimas contra o inimigo.

3. Recrute e crie fontes de informação e divulgadores dispostos a reforçar o processo de demonização porque ele é lucrativo, porque oferece poder ou simplesmente porque funciona.

4. Segregue todas as formas de arte; monitore, desacredite ou expulse quem desafiar ou desestabilizar os processos de demonização e deificação.

5. Sabote e calunie todos os representantes e simpatizantes do inimigo assim construído.

6. Procure, entre os inimigos, aliados que concordem com o processo de expropriação e possam contribuir para “limpá-lo”.

7. Use publicações acadêmicas e meios de comunicação de massa para caracterizar o inimigo como uma patologia; por exemplo, recicle o racismo científico e os mitos de superioridade racial para relacionar a patologia a determinados segmentos da população.

8. Transforme os inimigos em criminosos. Então, proporcionando os recursos orçamentários cabíveis e explicando sua necessidade, prepare as instalações onde o inimigo ficará confinado, em especial os homens e sem dúvida seus filhos.

9. Premie a indiferença e a apatia com diversões monumentais e pequenos prazeres e seduções: alguns minutos num programa de televisão, umas poucas linhas num artigo de jornal; migalhas de sucesso aparente; a ilusão de poder e influência; algum divertimento, doses moderadas de estilo e importância.

10. A qualquer custo, mantenha-se em silêncio.

*

Em 1995, o racismo vestiu roupa nova e comprou um novo par de botas, mas nem ele nem o fascismo, súcubo que é seu irmão gêmeo, são novos ou podem fazer algo de novo. Juntos, eles só são capazes de reproduzir o ambiente que sustenta sua própria saúde: medo, negação e uma atmosfera em que as vítimas perderam a vontade de lutar.

As forças interessadas em soluções fascistas para os problemas nacionais não estão neste ou naquele partido político, numa ou noutra ala de determinado partido. Os democratas não têm condições de apresentar uma história imaculada de igualitarismo. Nem estão os liberais isentos de projetos de dominação. Os republicanos abrigaram em seu seio abolicionistas e supremacistas brancos. Conservadores, moderados, liberais; direita, esquerda, extrema esquerda, direita radical; religiosos, laicos, socialistas – não devemos nos deixar cegar por esses rótulos de Pepsi e Coca-Cola, pois a genialidade do fascismo está no fato de que qualquer estrutura política pode hospedar o vírus, e praticamente qualquer país desenvolvido oferece um caldo de cultura adequado. O fascismo usa a retórica da ideologia, mas constitui de fato um fenômeno de marketing, a propaganda do poder.

Ele é reconhecível pela necessidade de expurgar, pelas estratégias que emprega para expurgar, e por seu pavor de projetos verdadeiramente democráticos. É reconhecível por sua determinação em converter todos os serviços públicos em empresas privadas, todas as organizações sem fins de lucro em empreitadas lucrativas – de modo que desapareça o abismo estreito, mas protetor, entre o governo e os negócios particulares. Transforma os cidadãos em pagadores de impostos – de modo que os indivíduos se enfureçam até mesmo com a noção do bem público. Transforma vizinhos em consumidores – de modo que nosso valor como seres humanos não seja medido pela benevolência, pela compaixão ou pela generosidade, e sim por nossas posses. Faz com que a criação dos filhos vire uma fonte constante de pânico – de modo que votemos contra os interesses de nossos próprios filhos, contra a saúde deles, a educação deles, a segurança deles contra o uso de armas. E, ao provocar todas essas mudanças, o fascismo produz o capitalista perfeito, aquele que está disposto a matar um ser humano em troca de alguma mercadoria (um par de tênis, um blusão, um carro) ou a matar gerações para obter o controle de muitas mercadorias (petróleo, drogas, frutas, ouro).

Quando nossos medos forem todos transformados em episódios de uma série, nossa criatividade censurada, nossas ideias levadas ao mercado, nossos direitos vendidos, nossa inteligência reduzida a palavras de ordem, nossa força exaurida, nossa privacidade leiloada; quando a vida estiver completamente transformada em encenação, em entretenimento, em comércio, então vamos nos encontrar vivendo não numa nação, mas num consórcio de indústrias em que seremos totalmente ininteligíveis uns para os outros, exceto pelo que conseguirmos ver através de uma tela escura.

Tradução de Jorio Dauster

Fonte : site da revista Serrote, publicação do Instituto Moreira Salles,
"Nós advertimos os governos e as classes dirigentes de todos os países em guerra contra o prosseguimento desta carnificina e apelamos às massas trabalhadoras desses países para impor seu final. Só uma paz nascida sobre o terreno da solidariedade internacional pode ser uma paz segura. Proletários de todos os países, uni-vos de novo apesar de tudo !
Levantando um protesto contra a guerra , seus responsáveis e aqueles que a conduzem, contra a politica geral que os provocou (...) , nós recusamos os créditos pedidos."



(final da declaração feita por Karl Liebknecht à bancada social-democrata para ser lida na sessão do Parlamento em 2 de dezembro de 1914, esta declaração foi recusada pela bancada e sua inscrição na ata dos debates foi rejeitada )

RAP da Felicidade

Eu só quero é ser feliz
Andar tranquilamente na favela onde eu nasci,é
E poder me orgulhar
E ter a consciência que o pobre tem seu lugar (...)
Pois moro numa favela e sou muito desrespeitado
A tristeza e a alegria aqui caminham lado a lado.
Eu faço uma oração para uma santa protetora
Mas sou interrompido a tiros de metralhadora(...)
Pessoas inocentes que não têm nada a ver
Estão perdendo hoje o seu direito de viver.

Julinho Rasta e Katia. 1994




Mares e éticas



Jorge Coli. Caderno Mais ! Folha de São Paulo

Malandrês dos anos 50


Ein Kleines Ja und ein Grosses Nein

Um pequeno sim e um grande não

Freud buscou construir uma ciência que trata fundamentalmente daquilo que é da ordem do particular, do singular e da interpretação, como um método criado a partir da experiência dele como alguém disposto a escutar . (...)o sonho é a pérola do inconsciente, é o que pode nos conduzir a uma proximidade de auto –conhecimento e do desejo, o que foi a grande contribuição de Freud.

Fani Hisgail,psicanalista e coordenadora do Centro de Estudos em Semiótica e Psicanálise do PPG em semiótica da Puc – SP.

FSP 28 de Novembro de 2000


segunda-feira, 4 de novembro de 2019

A BALADA DO PORTEIRO



via Marcia Denser

A BALADA DO PORTEIRO

Então, foi assim.

Em 14 de março de 2018, o porteiro do condomínio Vivendas da Barra, simplesmente, enlouqueceu. Decidiu, do nada, fazer anotações aleatórias num livro de registro da portaria para, pela ordem:

1) Inventar que um miliciano, Élcio Queiroz, prestes a assassinar Marielle Franco e Anderson Gomes, teria pedido para ir à casa 58;
2) Inventar que o dono da casa 58, Jair Bolsonaro, teria autorizado a entrada do miliciano;
3) Inventar que reparou, pelas câmeras de segurança, que o miliciano estava indo para a casa de outro miliciano;
4) Inventar que o dono da casa 58, avisado do desvio, teria dito que tudo bem, sabia para onde o carro estava indo: a casa 65, do sargento de milícias Ronnie Lessa, o outro assassino.

Tudo isso em 14 de março, horas antes do duplo assassinato, meses antes de Bolsonaro ser eleito presidente da República. Louco, o porteiro previu que, fazendo essas anotações e, mais tarde, as confirmando em depoimento à Polícia Civil do Rio de Janeiro, seria inevitável a queda do presidente.

Estranhamente, depôs já sabendo que, ao narrar esta história, estava mexendo com milicianos assassinos e com uma família intrinsicamente ligada às milícias, a partir do gabinete de Flávio Bolsonaro, na Assembleia Legislativa do Rio, quando deputado estadual.

Bolsonaro sabia, desde 9 de outubro, por uma inconfidência – criminosa, diga-se de passagem – do governador Wilson Witzel, do depoimento do porteiro e do encaminhamento ao Supremo Tribunal Federal.

Portanto, aquele teatro na madrugada saudita, aquela indignação apoplética, foi encenação pura. Uma cena pateticamente programada.

Além disso, ele, os filhos e a turma de milicianos ligada à família tiveram quase 20 dias para fazer e acontecer com os registros do condomínio e conseguir, da forma vergonhosa que conseguiram, que o Ministério Público decidisse, sem perícia e sem decência, que o porteiro estava mentindo.

Desculpem, só sendo idiota ou muito ingênuo para achar que um porteiro, em 14 de março do ano passado, iria anotar com precisão as placas de carro de um miliciano e, mais tarde, iria denunciá-lo à polícia para caluniar um presidente que ele nem sabia que seria candidato.

BILHETE A BAUDELAIRE


Segue um poema de Vinicius de Moraes ao poeta francês:


Poeta, um pouco à tua maneira
E para distrair o spleen
Que estou sentindo vir a mim
Em sua ronda costumeira

Folheando-te, reencontro a rara
Delícia de me deparar
Com tua sordidez preclara
No velha foto de Carjat

Que não revia desde o tempo
Em que te lia e te relia
A ti, a Verlaine, a Rimbaud...

Como passou depressa o tempo
Como mudou a poesia
Como teu rosto não mudou!


ERA TUDO INVENÇÃO DO LULA...



Por Diogo Costa

Em 2007 Lula e a Petrobras anunciaram a descoberta do pré-sal.

Em 2008 a Petrobras começou a extrair petróleo do pré-sal e o percentual de participação do petróleo do pré-sal, em relação ao total produzido pela empresa, fechou em 0,4% do total.

Em 2010, no final do governo Lula, a participação do petróleo do pré-sal era de 2% em relação ao total produzido pela Petrobras.

Em 2013, ano da licitação do mega Campo de Libra, o pré-sal já respondia por 14% do total produzido em Pindorama.

Em 2016 - ano do golpe - o pré-sal já respondia por 38% do total; neste ano de 2019 já representa 60% do total e em 2022 deve chegar a 70% do total produzido em todo o território nacional.

Ou seja, saímos do 0% para uma participação de 60% do petróleo do pré-sal em relação ao total produzido no Brasil; isso em apenas 11 anos!

Mas era tudo invenção do Lula, não é mesmo?

Quantas e quantas vezes não ouvimos e lemos que o pré-sal não era viável e que não passava de uma bravata do Lula?

Pois aí está o pré-sal, bombando cada vez mais e por isso mesmo sendo motivo de grande cobiça internacional.

Houve várias motivações para o golpe de 2016 e a subsequente interdição de Lula - o sucesso do pré-sal certamente foi um destes motivos.

A mudança - de regime de concessão para regime de partilha - na exploração do pré-sal, feita em 2010, também.


VISITA




Ferreira Gullar

no dia de
finados ele foi
ao cemitério
porque era o único
lugar do mundo onde
podia estar
perto do filho mas
diante daquele
bloco negro
de pedra
impenetrável
entendeu
que nunca mais
poderia alcançá-lo

Então
apanhou do chão um
pedaço amarrotado
de papel escreveu
eu te amo filho
pôs em cima do
mármore sob uma
flor
e saiu
soluçando


Monte Castelo




Ainda que eu falasse a língua dos homens
Que falasse a língua dos anjos
Sem amor, eu nada seria
É só o amor, é só o amor
Que conhece o que é verdade
O Amor é bom, não quer o mal
Não sente inveja ou se envaidece
O amor é o fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer
Ainda que eu falasse a língua dos homens
Que falasse a língua dos anjos
Sem amor, eu nada seria.

(Renato Russo)

A una calavera de mujer




Esta cabeza, cuando viva, tuvo
sobre la arquitectura de estos huesos
carne y cabellos, por quien fueron presos
los ojos que mirándola detuvo.

Aquí la rosa de la boca estuvo,
marchita ya con tan helados besos;
aquí los ojos, de esmeralda impresos,
color que tantas almas entretuvo;

aquí la estimativa, en quien tenía
el principio de todo movimiento;
aquí de las potencias la armonía.

¡Oh hermosura mortal, cometa al viento!
¿En donde tanta presunción vivía
desprecian los gusanos aposento?

Lope de Vega

Biblioteca Digital Ciudad Seva

La situación económica en Rusia es establemente mala



Entrevistado :Vasili Koltashov 

El economista Vasili Koltashov (Novosibirsk, 1979) conoce de primera mano cómo es la situación real de la economía en Rusia. Koltashov es el director del Centro de Investigación Económica del Instituto de la Globalización y los Movimientos Sociales (IGSO) de Moscú y también forma parte del Laboratorio de Política Económica Internacional de la Universidad Plejánov de Economía. “La calidad de vida ha empeorado de manera sensible en Rusia”, advierte. Le entrevistó para la revista La Marea Àngel Ferrero, en Moscú.

En los medios occidentales leemos con frecuencia artículos que hablan de una crisis económica inminente en Rusia, pero ésta parece no llegar. El gobierno ruso, por su parte, tiende a destacar los aspectos positivos. ¿Cuál es el estado actual real de la economía rusa?

La situación es establemente mala. El año 2016 fue relativamente estable: los salarios no cayeron, pero tampoco subieron y, para la gente que buscaba trabajo, fue difícil encontrar uno. En 2015 el salario medio en rublos se redujo de manera considerable: en algunas regiones hemos visto una caída hasta los 27.000 y 20.000 rublos al mes (415-300 euros), en otras hasta los 25.000 (384 euros), 15.000 (230 euros) e incluso los 13.000 rublos  (200 euros) al mes. La calidad de vida ha empeorado de manera sensible. En 2014 y 2015, es decir, en dos años consecutivos, el rublo se ha depreciado.

¿Qué impacto han tenido las sanciones económicas de la Unión Europea y EEUU?

Prácticamente ninguna, en mi opinión. Llueve sobre mojado. Es la segunda onda de la crisis lo que realmente afecta a la economía rusa. No hay sanciones contra Brasil, por ejemplo, y sin embargo su situación es similar a la de Rusia.

¿Está funcionando el programa de sustitución de importaciones del gobierno ruso? 

Muy poco. Incluso en la agricultura, donde hay muchas posibilidades de éxito, sus resultados distan de ser positivos. Se dice que ha aumentado la cosecha de trigo y verduras, pero nadie sabe dónde están porque no hay almacenes adecuados para almacenar la cantidad de alimentos que se declara haber producido. En agricultura se han registrado algunos éxitos en el programa de sustitución de alimentos. En el sector industrial encontramos algunos ejemplos de sustitución de bienes de consumo, pero es un efecto que sólo se debe a la depreciación del rublo. La economía rusa sigue siendo débil como para sustituir todos los bienes que importa.

Otro de los lugares comunes sobre la economía de Rusia es su dependencia de los hidrocarburos. ¿Hasta qué punto es cierto?

La dependencia es enorme. No sólo del petróleo y el gas, sino de la exportación de metales, fertilizantes químicos y otras materias primas. La dependencia sería menor si el mercado interno estuviese más desarrollado, pero la política anticrisis consiste en reducir el poder adquisitivo de los consumidores y recortar los programas sociales. Es una copia de las medidas económicas de la Unión Europea.

Pero en la Unión Europea estas medidas de austeridad no están funcionando…

¿Cómo que no funcionan? Claro que funcionan: son muy efectivas a la hora de llevar a la bancarrota  a la gente [ríe]. El rublo ha sufrido como consecuencia de esta dependencia del precio del petróleo, se ha debilitado directamente tras la caída de los precios de la energía y hay un temor crónico a que una crisis del petróleo arrastre su valor con ella. La elite tiene la ilusión mística de que si los precios del petróleo aumentan de nuevo todos los problemas se resolverán automáticamente. Pero eso, por supuesto, no es así. La crisis económica en Rusia tiene causas tanto internas como externas. Las causas externas son los cambios en los precios de las materias primas y en la demanda. En la economía doméstica es, sobre todo, el sobreendeudamiento de la población por las hipotecas y préstamos para el consumo. Estos créditos sirven para enmascarar los bajos salarios de la población, que han sido reducidos por las empresas. El gobierno y las empresas se han adaptado a las condiciones de crisis a través de la reduccción de los salarios. También los de los funcionarios: por ejemplo, los salarios de oficiales en las regiones eran de 35-40.000 rublos (615 euros aprox.) y ahora pueden llegar a cobrar 15.000 (230 euros). Esto crea una fuerte base para la crisis interna, ya que no hay programas para crear puestos de trabajo de calidad ni estimular los salarios.

En su último discurso a la nación, el presidente Putin pidió un presupuesto más estable y una economía cada vez más autónoma de la exportación de petróleo y gas. ¿Es posible a corto y medio plazo?

Es posible, pero no está ocurriendo. Si persisten en su política neoliberal, no será posible. El presidente no ha hablado de crear un complejo industrial como el que existía durante la Unión Soviética, ha hablado del procesamiento de las materias primas. No se tratará de vender las materias primas, sino de procesarlas primero en Rusia y ya se están construyendo factorías con ese propósito. Esto tiene que ver con el gas, el petróleo y los minerales. Hay grandes planes para construir estas factorías en Siberia. Pero esto no cambia en principio el motor de la economía, por lo que es insuficiente.

El complejo militar-industrial es conocido por ser otro de los pilares del país. ¿Cuál es el estado de este sector?

Su importancia es enorme. Su capacidad de exportación ha crecido considerablemente. Rusia ha conseguido adquirir la reputación de ser un país proveedor que no te invadirá si le compras y que te ofrecerá apoyo diplomático cuando sea necesario. Quienes compraron armas a EEUU, por ejemplo, no recibieron garantías de que algún día podrían ser invadidos. Sucedió, por ejemplo, en Libia: este país importó armas de Reino Unido. Una vez cumplieron con el último contrato, fueron invadidos. En cualquier caso, este sector necesita de un mayor orden: hay demasiada burocracia, una modernización limitada. El dinero del presupuesto para Defensa no sólo se destina de manera ineficiente, sino que también es robado.

China es uno de los países con los que Rusia mantiene una relación económica preferente. ¿Cómo cree que podría evolucionar esta relación?

Rusia se está convirtiendo en un proveedor de materias primas para China, y esta exportación se incrementará. La compleja situación económica en China no está siendo considerada en serio y creen que el crecimiento de la economía china permitirá mantener el ritmo de las exportaciones rusas.

Tanto en China como en Rusia hay mucha especulación con la posibilidad de desacoplarse del sistema dólar.

Pienso que la cuestión es más complicada que eso. El euro se ha depreciado en los últimos años, la libra esterlina también, ahora la pregunta es ¿qué divisa se depreciará antes, el dólar o el yuan? Ésa es la verdadera pregunta. Los debates sobre alejarse del sistema dólar son, por ahora, mera especulación. China busca apoyar la estabilidad del yuan porque si su moneda cae, la crisis en China se manifestará de manera más clara y se extenderá a Rusia, golpeando a su economía. Pero si el dólar baja, el yuan caerá con él. Por ahora el dólar se mantiene, mientras el yuan se deprecia gradualmente. De momento no hay signos de un alejamiento del dólar. Los chinos, en cualquier caso, buscan convertir el yuan en un sistema análogo al dólar. Veamos si ello ocurre. Yo, personalmente, no lo creo.

¿Cómo valora la Unión Económica Eurosiática? 

Está testimoniando una crisis profunda. Como diría un médico: el paciente está más muerto que vivo. El motivo es que Rusia ingresó en la OMC sin crear un mercado protegido en Euroasia. Esto hizo que Ucrania se decantase hacia la Unión Europea y facilitó la victoria de las fuerzas de Maidán.

¿Cuál es la situación económica de Ucrania?

Se ha deteriorado de manera considerable. A nivel doméstico, sólo el sector agrícola es relativamente estable. Podemos hablar de un proceso de desurbanización, no hay suficiente mano de obra en las ciudades. La industria ucraniana es ineficiente, su maquinaria es anticuada y, de hecho, la industria se está muriendo. En algunas partes con lentitud, en otras más rápidamente. El Acuerdo de Asociación con la Unión Europea es una completa catástrofe. Con todo, la crisis habría afectado a Ucrania de cualquier modo.

¿Se busca convertir a Ucrania en un proveedor de materias primas para la Unión Europea?

Sí, eso es lo que ocurre en este momento. La mayoría de la mano de obra, en cualquier caso, trata de emigrar a Rusia. Europa les ha cerrado las puertas.

¿Pero no estarían las empresas europeas interesadas en la mano de obra cualificada ucraniana, como ocurrió antes con la integración de otros países de Europa oriental?

Ya no es así. Incluso si ése era el plan en 2014, en este momento no tienen puestos de trabajo para ofrecer. El objetivo es que las corporaciones europeas controlen las riquezas de Ucrania. Puesto que Rusia desea debatir y negociar la retirada de las sanciones, esto crea las condiciones ideales para que la Unión Europea haga rehén a Ucrania en cualquier negociación. El objetivo de la oligarquía ucraniana era el Acuerdo de Asociación con la UE y, después, acceder como miembro de pleno derecho sin ceder su poder. Ahora mismo no tienen muchas oportunidades.

¿Ve tendencias aislacionistas o proteccionistas a nivel global?

Es probable que veamos en los próximos años una mayor desintegración de los bloques económicos neoliberales y la creación de grandes mercados continentales. El llamado “nacionalismo económico” sólo puede realizarse en grandes naciones con grandes mercados. Los grandes mercados requieren normativas y aranceles, que funcionan como protección contra los competidores. También de una diferente estrategia interna, consistente en un incremento de la demanda interna. La victoria de Trump en EEUU demuestra que una política así sólo será posible si hay una dura lucha política interna.

También se habla de guerras comerciales, especulación de divisas e inclusos nuevas burbujas.

Hay una batalla en curso entre las bolsas china y estadounidense. En Europa hay una burbuja financiera. El crédito barato, como la tasa del 0% del BCE, infla estas burbujas. También hay una burbuja industrial en China, creada después de que el país atrajese al capital especulador internacional con la emisión de bonos. Rusia tiene un sistema parecido. La caída de mercados de materias primas es inminente, al igual que la depreciación del dinero, en particular del euro. El debate sobre una nueva política económica ganará actualidad. La victoria de Donald Trump demuestra que ese debate es posible. Todos los demás están buscando soluciones externas a sus problemas e ignoran sus cuestiones internas, las causas de la crisis. La política de la UE es una expansión de su capital hacia el Este; la política de Rusia es mantener altos los precios de las materias primas y un alto nivel de exportación de las mismas a China; la política de China es encontrar inversiones extranjeras para mantener su burbuja industrial. Estas estrategias no ofrecen ninguna salida a la crisis. Ignoran a los consumidores, a la gente. Lo único que ofrecen son nuevos créditos, y eso no es ninguna solución.

Vasili Koltashov  (Novosibirsk, 1979) es el director del Centro de Investigación Económica del Instituto de la Globalización y los Movimientos Sociales (IGSO) de Moscú y también forma parte del Laboratorio de Política Económica Internacional de la Universidad Plejánov de Economía.

Fuente:http://www.lamarea.com/2017/01/15/la-situacion-economica-en-rusia-es-establemente-mala/

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

O ato de refletir sobre a sociedade com o intuito de diagnosticá-lo ou para dar os insumos teóricos na luta para transformá-la requer que o tempo para tal não seja sequestrado e não esteja acorrentado a engrenagens do trabalho , o qual liberta o homem de sua liberdade.
O trabalho socialmente produtivo igualmente distribuído muito foi assassinado pelos liberticidas do Deus Mercado nos fornos crematórios da mais valia,  a qual  não mais acumula capital concretamente produzido, e sim  capital baseado na produção fictícia de valor , a rentista, operando buracos no valor de face do trabalho , esgarçando o tecido social até arrebenta-lo  em revolução .
Daí o Estado surge no exercício nefasto da necro-politica que é administrar quem deve ser triturado e virar resíduo social , eliminado da cidadania e de sua existência .O trabalho do Estado a serviço da casta rentista associada a aristocracia togada e os despachantes de luxo da engenharia econômica depuseram a burguesia domesticando o animal empreendedor liberal ou com responsabilidade social e sua narrativa desenvolvimentista , agora correm para , como suínos do passado engordarem de dinheiro virtual suas ganancias  sem perceber que eles próprios perecerão.
a própria estrutura do capitalismo se retroalimenta de crises que só evolui devorando as crises sociais e econômicas passadas , necessitando do Estado quando não das milicias e das frações de trabalhadores da morte e da repressão  lumpem ,algoz e vítima , a massa moldada na barbárie.

Wilson Roberto Nogueira

Em Gabrovo ( Bulgária )

os cidadãos cortam os rabos de seus gatos para que no inverno as portas se fechassem mais depressa a fim de não gastar calefação.

Erev shel shoshanim



by Juan Zapato




Original en hebreo
Transliteración en español
Traducción poética en español
ערב של שושנים
נצא נא אל הבוסתן
מור בשמים ולבונה
.לרגלך מפתן
לילה יורד לאט
ורוח שושן נושבה
הבה אלחש לך שיר בלאט
.זמר של אהבה

שחר הומה יונה
ראשך מלא טללים
פיך אל הבוקר, שושנה
.אקטפנו לי

Erev shel shoshaním
netzeh na el habustán
mor besamim ulevona
leraglej miftán
Layla iored le'at
veru'aj shoshán noshvah
havah eljash laj shir balat
zemer shel ahavá

Shajar homa ionah
roshej malé tlalím
pij el haboker shoshana
ektefenu li

Tarde de rosas es
ven vamos al jardín
mirra, perfumes e incienso son
para tus pies un tapiz
La noche desciende lenta
y  la brisa a rosas huele así
te susurraré una silente melodía
canto de mi amor por ti

Al alba arrulla una paloma
tu cabeza de rulos sin fin
tus labios cual rosa matinal
los segaré para mí

Cuando Víctor Jara y Quilapayún cantaron en...hebreo

por Mijael Vera

La noticia golpeó fuerte en los escritorios de la redacción de Anajnu: había llegado a nuestras manos, por causa de un afán coleccionista, un disco de Víctor Jara cantando en conjunto con Quilapayún grabado en 1967 y editado comercialmente en 1968. Se trata de “Canciones Folklóricas de América”. No habría novedad, aparte la de escuchar la voz prístina de Víctor Jara en temas poco conocidos en conjunto con un Quilapayún incipiente y a la búsqueda del perfil sonoro que le conocimos posteriormente y que, en ambos casos, se convirtieron en íconos de la Nueva Canción Chilena.

La novedad auténticamente deliciosa era que la octava faja, denominada “Noche de Rosas”, ¡está cantada en hebreo!...

En efecto, se trata de la famosa canción “Erev shel shoshanim”, música de Yosef Hadar y letra de Moshe Dor. El tema fue grabado por primera vez en 1957 por la cantante Yaffa Yarkoni y un año más tarde por el dúo HaDuda'im. Su versión tuvo un estrepitoso éxito en Israel. Dudaim recorrió el mundo extensamente en la década de 1960, y “Erev shel shoshanim" se transformó en una de sus canciones internacionales de referencia. Durante las décadas del 60 y 70 fue grabada por varios intérpretes de reconocimiento internacional, como Harry Belafonte, Nana Mouskouri, Daliah Lavi y Miriam Makeba.

Para el año 1967, en que Víctor Jara y Quilapayún graban este tema en una producción conjunta, la canción era un ícono de imagen corporativa de Israel, y su fama sólo se vio ligeramente eclipsada por la aparición de “Yerushalayim shel zahav” que vino a reforzar la emoción surgida tras la reconquista de la ciudad de Jerusalén en 1967.

Hebreo perfecto

En la versión de Víctor Jara con Quilapayún, para mayor sorpresa, nos encontramos con que no se trata de un divertimento lúdico. El hebreo pronunciado es perfecto y refleja una preocupación especial. No hay dudas en la interpretación, ni siquiera dificultades para pronunciar aquellas letras hebreas que no tienen correspondencia con los sonidos habituales en español. La sonoridad de la letra Shin (que sólo podría aproximarse a una pronunciación popular “a la chilena” de la palabra “shile”), aparece aquí en una pureza perfecta. Mismo ocurre con los sonidos guturales, como la variedad de “j”, tan complejos en la pronunciación semítica.

El producto es sencillo, como la misma canción obliga. Hay un reflejo de intimidad que se deriva de un conocimiento evidente del significado de las palabras. La rusticidad del acompañamiento musical, nada extraño en la producción de esa época que buscaba lo básico en oposición al despliegue orquestal que los intérpretes criticaban, refuerza con intensidad conmovedora la melodía intimista, apenas dejando entrever las posibilidades de despliegue sonoro que los intérpretes lucieron posteriormente en otras producciones, y aún en el mismo LP.

Quilapayún y Víctor Jara

Los orígenes de Quilapayún se remontan a apenas dos años antes de la aparición de este disco, cuando en 1965 Julio Numhauser y Julio Carrasco invitan al hermano de este último, Eduardo, a integrar temporalmente un conjunto folklórico en ciernes. El trío, iniciado sin mayores pretensiones, comenzó a tomar forma, siendo bautizado con una palabra compuesta de origen mapuche, que le daría el sello a toda su carrera, "Quilapayún (quila=tres, payún=barbas).

El estreno en sociedad del conjunto fue en la Peña de la Universidad de Chile en Valparaíso, allí dieron sus primeros pasos, guiados por Ángel Parra, su primer director musical. Más tarde, a comienzos de 1966, y con la incorporación de Patricio Castillo, obtendrán su primer galardón, en el Primer Festival Nacional del Folklore "Chile Múltiple". Después de esta experiencia, se integrarían a las actividades de la itinerante peña "Chile Ríe y Canta" de René Largo Farías, uno de cuyos frutos fue la grabación de un LP, en el cual Quilapayún participaría con la canción "El Pueblo" de Ángel Parra. Este será, entonces, el primer registro oficial del conjunto.

En una de las peñas organizadas en Valparaíso se encuentran con Víctor Jara, sus caminos se cruzan y se mantendrán unidos por mucho tiempo más. A petición del conjunto, Víctor se hace cargo de la dirección artística, a través de la cual trabajará principalmente la disciplina, la puesta en escena y las temáticas de sus canciones. Es Víctor quien los presenta en Odeón, donde grabarán en lo sucesivo. Su primer trabajo editado en 1966 se llamará sencillamente Quilapayún, y en él incluirán composiciones de Ángel Parra, Víctor y del conjunto.

En 1968, Quilapayún es partícipe de la gestación del nuevo sello de las Juventudes Comunistas y en él edita el LP "Por Vietnam", que se convierte rápidamente en un éxito de ventas por su temática contingente y por la consolidación estética y artística del conjunto. De este proyecto nace la famosa DICAP (Discoteca del Cantar Popular), que editaría cerca de 60 producciones hasta el 11 de septiembre de 1973 y que se convirtió en uno de los bastiones culturales de los artistas de la Nueva Canción Chilena.

Aún faltaban algún tiempo para que llegara al poder el Dr. Salvador Allende y que Quilapayún alcanzara su máxima madurez musical al grabar la “Cantata Santa María de Iquique” de Luis Advis.

Para el año 1967, Víctor Jara era ya un artista consolidado, tanto en la interpretación folclórica, la composición y sus actividades de actor y director teatral. Ese mismo año es invitado a Inglaterra, en su calidad de Director Teatral, por el Consejo Británico. Recibe el premio de "La Crítica" por su dirección en la obra "Entretenimiento a Mr. Sloane" y el Disco de Plata del Sello Emi-Odeón.

Canciones Folklóricas de América”

Será, entonces, en 1967 que graban con Víctor "Canciones Folklóricas de América" y luego lo acompañarán en su disco solista de 1967, también bajo sello Odeón. Este año se retira Julio Numhauser por discrepancias en torno a la línea musical que debía seguir el conjunto y se integra el estudiante de Ingeniería Guillermo "Willy" Oddó quien, junto a Quezada, serán las voces características de Quilapayún por muchos años.

En cuanto al disco, posteriores producciones tanto de Víctor Jara como por parte de Quilapayún eclipsaron su difusión y contenidos, especialmente al calor de las contradicciones que se generaron a partir del gobierno de la Unidad Popular, la guerra de Vietnam, y otras causas que exigían un compromiso más definido con el naciente estilo musical.

Las curiosidades del disco

En primer lugar, el disco, titulado “Canciones Folklóricas de América” contiene una faja inicial en inglés con la canción Husch-A-Bye (Yarrow/Stockey). No sería de extrañar que apareciera una canción cantada en inglés, toda vez que se trata de “folklor de América”, aunque la palabra América se usara preferentemente para referirse a lo que se denominaba bajo un prisma político “América morena”. Sin embargo no es coherente, bajo ningún punto de vista, el que en un disco que lleva ese título aparezca una canción israelí cantada en un perfecto hebreo.

Un segundo elemento de importancia es que la capa del disco constituye un paradigma artístico por sí misma. Antonio Larrea, su hermano Vicente y Luis Albornoz fueron los artistas gráficos que diseñaron la portada del disco. Era 1968 cuando los hermanos Larrea firmaron por primera vez un trabajo conjunto, ni más ni menos que este disco "Canciones folclóricas de América". La tapa frondosa y colorida, con influencias del muralismo mexicano, fue un encargo de Carlos Quezada compañero de los Larrea en la Escuela de Arte y rompió con los moldes de los discos imperantes, que sólo llevaban una foto del artista y un texto sin pretensiones. Inauguraban así toda una corriente artística que convertiría en íconos gráfico y políticos muchas carátulas de discos de la época.

Otra curiosidad es el nombre. Erev Shel Shoshanim se puede traducir como "Tarde de lirios". Aunque la palabra hebrea shoshana ha sido sido identificada también como rosa, preferentemente se usa para identificar al lirio. En lo que no hay duda alguna es que el título "Noche de Rosas" no corresponde a una traducción correcta.

Los Seis Días

En efecto, el disco fue grabado en 1967 poco tiempo antes que se retirara Julio Numhauser uno de sus fundadores. De hecho, la voz tenor que se escucha entre las voces del conjunto es la de él.

También el disco es editado y comercializado en 1968, lo que constituye un dato significativo por cuanto entre el 5 y el 10 de junio de 1967 se había desarrollado el famoso conflicto bélico la Guerra de los Seis Días en que el Estado de Israel logró derrotar en una hazaña única a los ejércitos combinados de Egipto, Siria, Jordania e Iraq. La consecuencia inmediata fue la liberación de la ciudad de Jerusalén, la ocupación de los Altos del Golán y de toda la Península del Sinaí. Estos seis días de 1967 concitaron la atención mundial y resultaron claves en la geopolítica de la región: sus consecuencias han sido profundas, extensas y se han hecho notar hasta hoy día.

Uno de los efectos internacionales más importantes de la Guerra de los Seis Días fue el hecho de que el conflicto árabe-israelí quedó plenamente encajado en los esquemas de la Guerra Fría: la URSS, junto al bloque socialista, rompió relaciones diplomáticas con Tel Aviv e Israel se convirtió a los ojos de una buena parte de la opinión pública internacional en agresor y potencia ocupante y perdió su prestigio de pequeño país en lucha por su supervivencia.

Dio comienzo entonces al aislamiento internacional ilustrado por las muchas resoluciones contrarias a Israel en la ONU. Igualmente el Partido Comunista a nivel mundial, y especialmente el chileno, fiel seguidor de las prácticas estalinistas, condenaron las medidas de defensa de Israel favoreciendo una opinión dogmática que terminó idealizando y justificando las acciones terroristas, auspiciando el nacimiento de una nueva judeofobia, esta vez de cuño ideológico y centrado en el Estado judío, bajo el rótulo ambiguo de “antisionismo”...

En ese marco histórico, la grabación de esta canción por parte de connotados militantes del Partido Comunista de Chile constituye una curiosidad extraordinaria. Más aún cuando a la fecha el tema “Erev shel shoshanim” era un ícono musical de la nación judía que iba más allá de las simples palabras de amor que se lee en su letra.

Adicionalmente, en la contracapa del disco, la canción que ocupa la 8va. Faja aparece nombrada como “Noche de Rosas [Erev shel shoshanim] (Popular israelí)”… en esos momentos Víctor Jara ya era miembro del Comité Central de las Juventudes Comunistas de Chile…

¿Qué había sucedido, en realidad?

En rigor histórico, parece ser que los recopiladores de las obras de Víctor Jara y Quilapayún, tanto por separado como en conjunto, han olvidado, no el disco, pero sí esta canción. No aparece en estudio alguno, ni siquiera mencionada como una variante exótica en la interpretación de los célebres artistas. Tampoco parece estar considerada en las reediciones en CD de estos discos “olvidados”.

Víctor Jara fue asesinado tras crueles torturas en el Estadio Chile el 16 de septiembre de 1973. No tenemos antecedentes de que haya grabado alguna otra canción en hebreo. En el Sitio Web de la Fundación Víctor Jara (http://www.fundacionvictorjara.cl) el disco ni siquiera es mencionado como existente…

Tal es así que recientemente (año 2001) Warner editó todo el catálogo que Víctor Jara realizó por el sello Arena y por Dicap, que correspondió luego al material de Alerce. Esta edición "Colección Víctor Jara", que consta de 8 discos, incluidos dos LPs en vivo (en México y Cuba) y que además contiene algunos temas inéditos como Arauco y Oficina Abandonada, es considerada como “absolutamente imprescindible” para cualquier admirador de Víctor Jara. Sin embargo, aunque rescata algunas canciones del LP, directamente “Noche de Rosas” es abiertamente ignorada, aunque se trate de una joya musical interpretada en una lengua exótica.

Mismo acontece con las recopilaciones del material de Quilapayún que ignoran esta importante producción.

Hoy sólo es posible escuchar esta canción en los escasos ejemplares originales en vinilo que sobreviven.

Todos los sitios dedicados a Quilapayún mencionan la existencia del disco, e inclusive se cita a la 8va. canción como “del folklor israelí”. Sin embargo, en el conocimiento del grueso de la obra de Quilapayún, que se ha extendido hasta nuestros días en una fructífera producción, el tema señalado no tiene presencia alguna.

Quedan, por tanto, muchas lagunas en la historia. ¿Quién les enseñó la canción? ¿Fue Julio Numhauser? ¿Se trató de un homenaje a Numhauser? ¿Porqué aparece esta canción en un disco enteramente dedicado al folklor latinoamericano?

Probablemente sólo el propio Numhauser podría aclarar estas interrogantes de origen. Aunque también hay otras personas que debieran clarificar el porqué esta canción en hebreo no ha sido difundida con la merecida intensidad.

NOTA: A los pocos días después que Anajnu publicó el anterior artículo, recibimos la carta-respuesta de Eduardo Carrasco, director de Quilapayún, que se transcribe a continuación:

En su interesante artículo "Cuando Víctor Jara y Quilapayún cantaron... en hebreo" ustedes se preguntan sobre las razones que tuvimos para incluir esta canción en nuestro repertorio.

La respuesta no puede ser más simple: porque considerábamos a los judíos como parte integrante de nuestro mundo latinoamericano, y porque estábamos de acuerdo con la existencia de Israel y defendíamos su causa.

Es cierto que en esta afirmación hay un montón de problemas, a los que en esa fecha no habríamos sabido responder. ¿De qué manera se insertan los judíos en nuestro mundo latinoamericano? ¿Es posible considerar a los judíos como algo ajeno a la cultura latinoamericana si convivimos sin hacer diferencias?¿Cuáles son las diferencias que legítimamente hay que hacer y cuáles son las peligrosas? Nosotros zanjamos estas cuestiones de un modo un poco brutal: si esto formaba parte de nuestro mundo inmediato, había que asumirlo como tal. A lo mejor nos equivocamos, pero en algo teníamos razón y quizás algún día valga la pena clarificarlo. Son cosas difíciles de pensar y tienen que ver con el eterno problema judío de la asimilación. Pero lo cierto es que partimos de nuestra experiencia.

Con Julio Numhauser nos habíamos conocido en la Bomba "Israel", que queda en la esquina de Avenida Grecia con Pedro de Valdivia. Aunque muy jóvenes, éramos bomberos, y participábamos de todas las actividades que se hacían a partir de la Bomba: estas incluían, desde apagar incendios, hasta organizar bailes y actividades sociales. Además, teníamos el conjunto, que empezaba a existir.

Uno de nuestros más importantes recitales de esa época tuvo lugar en el Estadio Maccabi. Como nos movíamos en ese mundo, no tiene nada de raro que pensáramos en cantar algo en hebreo. Julio Numhauser tenía un disco con canciones del dúo HaDuda´im que ustedes mencionan en el artículo. De ahí sacamos la canción. Para la pronunciación, nos ayudó un amigo del Maccabi que apenas hablaba castellano. Parece que salió bien.

Si bien el disco se anuncia como de Víctor Jara y Quilapayún, Víctor no canta en todas las canciones. En la grabación cantamos: mi hermano Julio Carrasco, Julio Numhauser y yo. Este trío es el grupo que dio origen al Quilapayún (hace poco acabamos de juntarnos de nuevo en nuestro último disco "Solistas", para cantar "Cambia todo cambia", la famosa canción de Numhauser). Víctor era nuestro director y participaba en los arreglos de las canciones.

Esta canción en hebreo fue interpretada varias veces en vivo en diferentes lugares y tal vez alguien se acuerde de alguna de esas actuaciones. Nos gustaba mucho, y además, cantándola, nos sentíamos luchando por un mundo en que por fin todos los seres humanos se reconocerían como una sola gran familia, más allá de los racismos y de los nacionalismos. El Quilapayún siempre ha mantenido este espíritu humanista que le dio vida.

La vida es demasiado extraña y misteriosa como para darle importancia a las cosas que nos dividen. Son más importantes las que nos unen: la broma pesada que es a veces la vida, y el sorprendente hecho de que estemos aquí, en un mundo que permanecerá siempre ignoto y del que siempre desconoceremos sus finalidades últimas (si es que las tiene). Todo esto es demasiado raro como para insistir en las diferencias.

A pesar de la cercanía de la experiencia del Holocausto, en esa época, en el barrio Ñuñoa, vivimos una experiencia de convivencia muy feliz y enriquecedora entre judíos y no judíos. En realidad, estas diferencias ni siquiera aparecían. Sé que no en todas partes esto fue así, pero nosotros así lo vivimos.

Tengo queridísimos amigos judíos, los que más contaron para mí en esos años, y también - no puedo esconderlo - varios amores de juventud. No sólo Julio Numhauser, sino también Rafael Hernández Voloski, Sergio Warsavski, Joel Rosenberg (también bombero), Sergio Grinberg, Miguel Budnick, Alejandro Rojas Weiner y muchos otros. A las "pololas" no las nombro para no ponerlas en aprietos.

En el artículo ustedes contextualizan muy bien esa época. Eran tiempos en que el principal posicionamiento frente a Israel residía en estar de acuerdo con la existencia del Estado de Israel. Si bien en la actualidad las cosas se han complicado, esa idea sigue igualmente vigente y nuestra posición al respecto sigue siendo la misma.

La verdad es que antes de ese artículo nunca nadie había reparado mayormente en esa canción y les agradezco que ustedes lo hayan hecho.

¿Por qué no se ha vuelto a editar? La respuesta es también simple: porque la EMI Odeón no ha vuelto nunca más a sacar nuestros discos grabados entre 1966 y 1973. Son 5 discos y muchas canciones, entre las cuales se encuentra Erev shel shoshanim. Lamentablemente, esto no depende de nosotros. Hemos insistido varias veces ante esta compañía para que estos discos se editen, pero no hemos logrado nada. Los discos nuestros que actualmente están a la venta no incluyen ninguna de estas canciones grabadas para la EMI.

Gracias a mi experiencia de vida, me siento muy cercano a los judíos. Odio el antisemitismo y el racismo. El Holocausto me ha hermanado al pueblo judío para siempre y llevo en mi alma ese recuerdo de algo que no he vivido, pero que está ahí, dentro de mí, advirtiéndome de cuáles son los verdaderos grandes peligros a que el ser humano puede ser arrastrado.

Si esa humilde canción cantada hace tanto tiempo ha podido servir para acercarnos a judíos y no judíos habremos contribuido a acercarnos un poquitito más al mundo por el que nosotros siempre hemos luchado. Tal vez todo esto parezca muy idealista y muy alejado de la realidad, pero no hay nada mejor que la vida para atestiguar sobre lo que uno piensa. El Quilapayún no hubiera sido posible sin esa amistad entre judíos y no judíos.

Ojalá que las nuevas generaciones estén viviendo todavía en ese ambiente de cercanía y fraternidad que fue el nuestro.

Agradeciéndoles de nuevo vuestro interés en nuestro grupo, reciban un enorme abrazo

Eduardo Carrasco Pirard

Nota de Anajnu: Fundador, director e integrante del grupo Quilapayún, Eduardo Carrasco Pirard, nominado Caballero de las Artes y de las Letras por Francia, se ha destacado en los últimos años como filósofo y profesor en la Universidad de Chile. Acaba de ser reeditado su libro Quilapayún: la revolución y las estrellas (Ril Editores). Ha publicado además los libros Distinciones (1985); Conversaciones con Matta (1987); Distinciones II (1989); Campanadas del mar (1995); Libro de las respuestas al libro de las preguntas de Pablo Neruda (1999); Para leer Así habló Zaratustra de F. Nietszche (2002); Palabra de hombre: tractatus philosophiae chilensis (2002), "Heidegger y la historia del ser" en la Editorial Universitaria, y "Nietzsche y los judíos" en la Editorial Catalonia. Titular de una licencia y de un DEA de Filosofía de la Universidad de Paris, como músico y con el grupo Quilapayún, ha participado en una abundante producción discográfica que le ha valido obtener el premio de la academia Charles Cros. También es autor de numerosos artículos sobre temas filosóficos en revistas especializadas y ha dictado numerosas conferencias en universidades e institutos.


El hombre del apuro


Roberto Arlt

El hombre que "necesita un millón de pesos para mañana a la maña­na sin falta" no es un mito ni una creación de los desdichados que tienen que servirle todos los días un plato humorístico a los lectores de un periódico; no.

El hombre que "necesita un millón de pesos para mañana a la mañana sin falta", es un fantasma de carne y hueso que pulula en rededor de los Tribunales...

En el momento en que terminaba de escribir la palabra "los tribunales" una ráfaga tibia ha venido de la calle, y el tema del hombre que necesita un millón de pesos para mañana a la mañana sin falta, se me ha ido al diablo. Y he pensado en el hombre del umbral; he pensado en la dul­zura de estar sentado en mangas de camiseta en el mármol de una puerta. En la felicidad de estar casado con una planchadora y decirle:

-Nena, dame quince guitas para un paquete de cigarrillos.

Han venido días tibios. No sé si se han fijado en el fenómeno; pero to­dos aquellos que tienen un pantalón calafateado, emparchado o taponado, que según las averías del traje se puede definir el género de compostura, re­miendo, parche o zurcido; todos aquellos que tienen un traje averiado sobre las asentaderas, meditan con semblante compungido en la brevedad del im­perio del sobretodo. Porque no se puede negar: el sobretodo, por rasposo que sea, presta su servicio. Es cómplice y encubridor. Encubre la roña de abajo, las roturas del lienzo. Si siempre hiciera frío, la gente podría prescindir de los sastres y hacerse un traje cada cinco años.

En cambio, con este "vientecillo" tibio, pronóstico de próximos calo­res, los sobretodos saltan, y no sólo los sobretodos quedan amurados en un rincón del ropero o del bulín, sino que también la fiaca que llevamos infiltrada entre los músculos se despereza y nos hace pensar que de no conseguir... ¡quien pudiera conseguir un millón de pesos para mañana a la mañana sin falta! ¡Quién pudiera! O estar casado con una planchadora.

Porque todos los consortes de las planchadoras son fiacas declarados. El que más labura es aquel que hace diez años fue cartero. Luego lo exonera­ron y no ha vuelto a laburar. Deja que la mujer pare la olla con la cera y el fie­rro. El, es cesante. ¡Quién fuera cesante! Hace diez años que lo dejaron en la "vía". A todos los que quieran escuchar le cuenta la historia. Luego se sien­ta en el umbral de la puerta de calle y le mira las gambas a las pebetas que pa­san. Pero con seriedad. El no se mete con nadie. No trabajará, como dice la mujer, "pero eso sí: él no se mete con nadie. Más de una ricachona quisie­ra tener un marido tan fiel".

Uno se explica cómo ocurren los crímenes. Una palabra apareja otra, la otra trae a cuestas una tercera y cuando se acordaron, uno de los acto­res del suceso está vía a la Chacarita y otro a los Tribunales. Lo mismo ocurre en cuanto uno escribe. De una cosa se salta involuntariamente a la otra, y así, cuando menos pensaba uno, se encuentra frente al tema de la fidelidad de los fiacas. Porque es bien requetecierto: los hombres del umbral, los que no quieren saber ni medio con el trabajo, aquellos que son cesantes profesionales o que esperan la próxima presidencia de Alvear, como anteriormente se esperaba la presidencia de Irigoyen; la nombrada cáfila de "squenunes" helioterápicos, es fiel a la "donna". ¿Por qué? He aquí un problema. Pero es agradable insistir. Todo fiaca umbralero, le es fiel a su cónyuge. El no trabajará, él se tirará a muerto, él mangará a su Sisebuta para los cigarrillos y la ginebra en la esquina; él le tirará un cas­cotazo a los perros, cuando joroban mucho en el barrio; él irá al boliche a jugar su partida de truco o de siete y medio; él irá nocturnamente a cum­plir a los velorios y a decir el sacramental "lo acompaño en el sentimien­to". No seré yo quien niegue estas virtudes cívicas del fiaca, no, no seré yo; pero en cuanto a fidelidad... Allí sí que puede estar segura la señora planchadora de que su hombre no le falta ni un chiquito así... ¿Es que el leguiyún no cree en el amor?

A lo sumo, este nene, se limita a mirar y a sonreír cuando pasa una buena moza recién casada, como quien dice, pensando en el marido: "¡Qué señora posta tiene fulano!". A lo sumo la saluda con picardía, al máximo aventura un chiste un poco rana, un chiste de hombre pierna que se ha retirado de los campos de combate antes de que lo declaren inútil para toda batalla; pero de allí no pasa. No, señor. De allí no pasa. El es capaz de caminar diez cuadras a patacón para visitar a su compadre o a su co­madre; él es capaz de ir para votar al caudillo parroquial, a cualquier par­te; él, si se ofrece un asado con cuero, no negará su participación en el escabio, pero en cuanto a líos con polleras, ¡eso sí que no!

Y ella vive feliz. El le es fiel. Cierto que no trabaja, cierto que se pasa el día sentado en el umbral, cierto que pudo haberse casado con Men­gano, que ahora es capataz en la Aduana; pero el destino de la vida no se puede cambiar. Y la planchadora piensa que si bien es cierto que todas estas cosas no se pueden pretender de un hombre constituido normalmente y de acuerdo a todas las leyes de la psiquiatría, en cambio él le es fiel, rotundamente fiel... y hasta le cuenta, a quien la quiere escuchar, que no falta una amiga... Fulana... "que le quiso quitar el marido".

Fonte : Juan Zapato el último habitante en La Torre de Babel


               

Calle de las Sierpes




                                                                             A D. Ramón Gómez de la Serna


Una corriente de brazos y de espaldas
nos encauza
y nos hace desembocar
bajo los abanicos,
las pipas,
los anteojos enormes
colgados en medio de la calle;
únicos testimonios de una raza
desaparecida de gigantes.
Sentados al borde de las sillas,
cual si fueran a dar un brinco
y ponerse a bailar,
los parroquianos de los cafés
aplauden la actividad del camarero,
mientras los limpiabotas les lustran los zapatos
hasta que pueda leerse
el anuncio de la corrida del domingo.
Con sus caras de mascarón de proa,
el habano hace las veces de bauprés,
los hacendados penetran
en los despachos de bebidas,
a muletear los argumentos
como si entraran a matar;
y acodados en los mostradores,
que simulan barreras,
brindan a la concurrencia
el miura disecado
que asoma la cabeza en la pared.
Ceñidos en sus capas, como toreros,
los curas entran en las peluquerías
a afeitarse en cuatrocientos espejos a la vez
y cuando salen a la calle
ya tienen una barba de tres días.
En los invernáculos
edificados por los círculos,
la pereza se da como en ninguna parte
y los socios la ingieren
con churros o con horchata,
para encallar en los sillones
sus abulias y sus laxitudes de fantoches.
Cada doscientos cuarenta y siete hombres,
trescientos doce curas
y doscientos noventa y tres soldados,
pasa una mujer.
A medida que nos aproximamos
las piedras se van dando mejor.

Olivio Girondo©

Juan Gelman: ¿y si Dios dejara de preguntar?



 

JuanGelman

¿Así viaja el amor/ de ser a antes de ser?
Carta a mi madre
J.G.

La obra de Juan Gelman es un ir y venir entre las atmósferas de todos los días y la reflexión sobre la escritura poética. Gelman describe casi al principio la trayectoria de su oficio:

A este oficio me obligan los dolores ajenos, las lágrimas, los pañuelos saludadores, las promesas en medio del otoño o del fuego, los besos del encuentro, los besos del adiós, todo me obliga a trabajar con las palabras, la sangre.

Años más tarde, al inventario fundamental Gelman añade la pesadumbre de la patria perdida, de los seres amados destruidos por la dictadura, de la revolución que no llegó, del exilio que se compensa de un modo substancial por los nuevos arraigos, de la composición de circunstancias:

No era perfecto mi país antes del golpe militar. Pero era mi estar, las veces que temblé contra los muros del amor, las veces que fui niño, perro, hombre, las veces que quise, me quisieron. De “Bajo la lluvia ajena” (Notas al pie de una derrota).

Si los temas de Gelman no son tantos, son incontables sus métodos para describirlos, incorporarlos a otras multitudes de símbolos o de realidades que fueron o serán símbolos. Él siempre es sorprendente, en la medida en que sus soluciones literarias no vienen de la monotonía del hallazgo petrificado, ni de los fuegos de artificio de quien diseña sus maestrías para ya no molestarse en ejercerlas. Él va y viene de las metáforas que abandona sin arrepentimientos, de las versiones de los poemas de su tradición original, de las palabras que inventa con tal de esclarecer su sentido, de la autobiografía indirecta y la confesión directa, del amor al deseo y del sentido del dolor puro, del puro dolor:

Nota XX

no bajo a los infiernos/ subo
hasta mi hijo clausurado
en su bondad/ belleza/ vuelo/
y torturado/ concentrado/
asesinado/ dispersado
por los dolores del país/…

Como todos los poetas extraordinarios, Gelman requiere de lectores por así decirlo profesionales, convencidos de las ventajas de la complejidad. Si la poesía demanda el nivel especializado que requiere del otro tiempo de atención, donde con más tiempo, el lector es el poeta complementario, la obra de Gelman, de modo distinto a la de sus admirados Enrique Molina y Olga Orozco, e incluso de la de otro de sus escritores formativos, Raúl González Tuñón, le exige al lector que radicalice su placer y, en un recorrido por los poemas, separe lo que encuentra de impulso lírico y lo que descubre de técnica ardua, a momentos casi vallejiana.
Cada poema de Gelman es un tejido orgánico donde el último verso ilumina al primero, y el primero le confiere su densidad al último. En él sólo ocasionalmente hay mensajes, las afirmaciones que unen la esperanza y la desesperanza, pero sí se multiplican las señales, las frases inconclusas, los silencios a modo de síntesis y una larga conversación consigo mismo, donde el hipócrita lector es su hermano pero no su cómplice. Él, al que podría llamársele en algunos textos “biógrafo de las alegorías”, es un narrador austero y entre cortado, y es también un indagador metafísico, (“¿Tanto dolor que no se entiende es como/ tanto amor sin entender? / ”), un evocador de trayectorias que nacieron epitafios, y de epitafios que profetizaron vidas como “sueños derrotados”, un poeta ferozmente político, un poeta del amor como la ecología del mundo, un seguidor del parto inacabable de las tradiciones, un “dilapidador de Dios”, ese poder absoluto armado de limitaciones, un seleccionador de fragmentos del diálogo entre el alma corpórea y el cuerpo espiritual.

¿y si Dios fuera una mujer? alguna dijo
¿y si Dios fuera las Seis Enfermeras Locas de Pickapoon?
dijo alguno
¿y si Dios moviera sus pechos dulcemente? dijo
¿y si Dios fuera una mujer?

De “Preguntas”

Las preguntas de Gelman ignoran la posibilidad de las respuestas, o, mejor, son respuestas a modo de preguntas, afirmaciones capciosas que le devuelven la vida a esa palabra, capciosas, tan eliminada por el desvanecimiento de la lógica del habla. Las imágenes ponen a salvo las provocaciones y la intuición se nutre de las profecías del sentido del humor. Si Dios fuera una mujer se le rezaría de cabeza o, tal vez si el rezo convocase a la existencia de Dios, lo proferiríamos en voz muy alta con tal de sorprender a las religiones. ¿Será posible que las oraciones de gratitud sean por necesidad anteriores a los milagros?
El poeta que nunca desdeña la rabia, la desesperanza y la denuncia, reelabora la variedad de su experiencia.
El panfleto, inconcebible, cede el sitio a la anarquía de las asociaciones libres del hablante poético, un historiador del surgimiento simultáneo de las emociones y las metáforas sucesivas:

…un hombre deseaba ardientemente la Revolución
y contra la opinión de la gendarmería
trepó sobre muros secos de lo debido,
abrió el pecho sacándose
los alrededores de su corazón,
agitaba violentamente a una mujer,
volaba locamente por el techo del mundo
y los pueblos ardían, las banderas.

Gelman cree y confía en los sentimientos y está dispuesto a la poesía sentimental si—condición sagrada— le dejan definir y redefinir los sentimientos que, a los poemas me remito, se estremecen ante los arrasamientos, la dureza de los hechos históricos, la efervescencia de los peores que jamás carecen de convicción. Pero Gelman no le asigna a los sentimientos el papel de muro de lamentaciones o de asilo de la resignación, sino la de recuerdos invulnerables cuando el idioma los resguarda.
Un ejemplo: su notable poema “El árbol”:

De la violenta madrugada
un hombre entra a su casa y el olor de sus hijos
le golpea la cara, los olvidos, la furia,
ahora cierra la puerta con doble llave
y se saca la gente, la ropa con cuidado,
apaga los gritos de la camisa
o los ojos del camarada que brillan en la cárcel.
Y oye cómo se mueve la ternura en la pieza,
bajo sus ramas dormirá todavía una noche,
bajo sus ramas yacerá cuando caiga.

Una poesía contra la deshumanización. Decir esto es decir nada, ya que de acuerdo al testimonio de los siglos la poesía no salva pero, también, ya se sabe, nada se salva sin la posibilidad de la llegada de la poesía:

volviendo a la poesía/
los poetas ahora la pasan bastante mal/
nadie los lee mucho/ esos nadie son pocos/
el oficio perdió prestigio/ para un poeta es cada día más difícil
conseguir el amor de una muchacha/
ser candidato a presidente/ que algún almacenero le fíe/
que un guerrero haga hazañas para que él las cante/
que un rey le pague cada verso con tres monedas de oro/
y nadie si eso ocurre porque se terminaron
las muchachas/ los almaceneros/ los guerreros/ los reyes/
o simplemente los poetas/
o pasaron las dos cosas y es inútil
romperse la cabeza pensando en la cuestión/
lo lindo es saber que uno quiere cantar pío pío
en las más raras circunstancias…

Gelman duda de la poesía, se afirma en la poesía, se niega a lo tajante, se desliza entre los orificios de lo categórico, se evade de las conclusiones porque se oponen al eterno retorno de los comienzos, cree en los rebeldes (el gran símbolo: su amigo, el escritor, el combatiente, el asesinado Paco Urondo) y en la poesía que trasciende los mensajes y, por eso describe la poesía de siempre
y la que se escribe en este instante:

Este poema que nunca
terminará se parece a sí mismo.
Calla como bestia que piensa.

Sometida a las tensiones de lo antropomórfico, la
poesía es asunto de todos los días y de ninguno, de la gloria
y de la penuria:

El poema no pide de comer. Come
los pobres platos que
gente sin vergüenza o pudor
le sirve en medio de la noche.

Se requiere de esta metamorfosis del espacio de trabajo, cuya forma moldeable, a su vez, moldea a quien la escribe: “Va a sus versos como quien va a su cueva”. Gelman está al tanto de su intento: que nadie se aleje de los procedimientos del ser humano, que nada tampoco se olvide de la primacía de su naturaleza verbal:

El poema da vueltas alrededor del cuarto.
Obtuso y persistente, dice.
Mira palabras, pero
no se deja mirar por ellas. Así
no irá a ningún lado.

Sí, los genocidios, las matanzas impunes, las represiones nada tienen de efervescencia lírica, pero la resistencia al horror requiere de la poesía, de la racionalidad de lo ideal, del ensalzamiento de la dignidad que es en sí misma el haz de sentimientos que persisten. Todo muy arduo de explicar, todo transparentado en los versos.

COMO SANGRE PARA APAGAR LA MUERTE

En el vértigo de Gelman los símbolos, las alegorías, las imágenes, sin alejarse de su función específica se extienden con la reticencia que se adentra en la “abierta oscuridad”. Pongo un ejemplo notable: “Glorias”, que evoca otra de las matanzas del tiempo alevoso de América Latina. Al comienzo, Gelman recuerda a la pulpera de Santa Lucía, y su apariencia trascendente:

¿Era rubia la pulpera de Santa Lucía? ¿tenía los ojos celestes?
¿o cantaba como una calandria la pulpera?
¿reflejaban sus ojos la gloria del día?
¿era ella la gloria del día inmensa luz?

Al poeta, las preguntas le resultan “inútiles para este invierno/ no se las puede echar al fuego para que ardan”. Y por eso localiza a la mujer en su diafanidad de todos los días:

por una sábana de luz iría la pulpera santa de voz
graciosamente moviendo sus alrededores sus invitaciones
y el olor de sus pechos y la penumbra de sus pechos
hacían bajar el sol sobre la pampa bajaban a la noche como un telón.

No hay escenario tétrico, ni rencor social, ni drama que se extiende como promesa de recuperación, sólo de pronto la frase “al país helado de sangre”. La historia aquí es “esta historia”, es decir, este relato, y a los versos los impulsa la violencia, no con la furia del sobreviviente de la matanza, sino con el fulgor que viene del disfrute del olor carnal y sus penumbras (que son imágenes) salvajemente interrumpidos por la barbarie.

¿acaso no está corriendo la sangre de los 15 fusilados en Trelew?
por las calles de Trelew y demás calles del país ¿no está corriendo esa [sangre?
¿hay algún sitio del país donde esa sangre no está corriendo ahora?
¿no están las sábanas pegajosas de sangre amantes?

Ahora el lector lo sabe: las matanzas devastan lo sereno, lo bucólico y lo sensual, y la sangre es aflicción y dolor y ánimo de justicia y ganas de que todo lo anterior, al refundirse, garantice la continuidad poética, ámbito de las iluminaciones inadvertidas y del amor que resplandece. La sangre lleva al poema a nombrar (calificar moralmente) los crímenes y a volverlos transparentes en los versos:

como calandria de sus pechos caía y
como sangre para apagar la muerte y
como sangre para apagar la noche y
como sol como día.

Se logra el casi milagro: la denuncia persevera en mezcla perfecta con la pasión lírica y la literatura abierta.
En el poema-carta, la madre destruida por los golpes y la picana, refiere el nacimiento y la muerte inmediata de su hijo “que esperé, cuidé, defendí tanto tiempo contra”. Al final del texto irrumpe la protección de las imágenes, el gran depósito de la esperanza, o si se quiere de la civilización tan en deuda con la literatura. La justicia social puede tardar o simplemente no producirse, pero el gran vínculo de las generaciones no es la derrota ante la impunidad sino la acumulación de preguntas (compás de espera y circularidad de la metáfora).
Gelman exclama:

                                                                                                                  ... ¿o una tela
de amor
donde tanto dolor ya durmió bastante y quiere
saber dónde están los caballos? ¿o demasiado
hemos hecho esperar a los ángeles? ¿hay
una lamparita que hizo esperar demasiado a los ángeles  [una  lamparita humana suave?
¿hay caballos para derrotar al enemigo? el que vivió cuatro días
¿no es
un caballo para derrotar al enemigo? ¿no convirtió sus
manitas en un caballo para derrotar al enemigo? ¿no está
galopando o corriendo ahora entre tus brazos y mis brazos amada?

El trastocamiento es extremo. El niño que no alcanzó a serlo, el torturado en el vientre de la madre, reaparece como el “caballo para derrotar al enemigo”, es
decir, como la alegoría del asesinato salvaje que la poesía convierte en memoria de los hechos y las palabras que circulan como resurrecciones. Y Gelman concluye:

¿no está acaso corriendo o galopando entre tus brazos y
mis brazos ahora?
¡así tiemblan nuestros amores nuestras dichas?
¡oh noche que todo lo cubrís!
¿así chirrían los goznes oxidados de nuestra gracia?

La poesía política requiere de la metamorfosis que, sin negar la denuncia y la protesta, no las vuelve circunstancias de la hora, sino vivencias extendidas como testimonio, herencia, reflexiones donde se nulifican tanto el olvido como la premura del recuerdo. La de Gelman, con frecuencia atenta a la política, es gran literatura precisamente porque la poesía ocupa el centro y porque el olvido y el perdón no se transmiten a modo de consignas sino de trayectorias de los versos.

TANTA SABIDURÍA, ¿O VA PARA LA MUERTE?

En Los poemas de Sidney West, Gelman intenta algo similar a Spoon River Anthology de Edgar Lee Masters, la recreación de un pueblo de muertos, la galería de epitafios que son narraciones de vidas truncadas y de vidas fértiles y de vidas que pasan inadvertidas y de vidas cuyo sentido, al inventarlo, sólo recupera la poesía.
Sin embargo son muy significativas las diferencias entre los proyectos poéticos: Lee Masters se acerca a vidas típicas y arquetípicas y a la fosa común de las generaciones le infunde la lógica de la trayectoria cumplida. A Gelman le atañe el hallazgo de lo idiosincrático, de lo insólito (lo subversivo en versión no política) que habita en las tinieblas de lo cotidiano.
Así en su “Lamento por Gallagher Bentham”:

cuando Gallagher Bentham murió
se produjo un curioso fenómeno:
a las vecinas les creció el odio como si hubiera aumentado
la papa
feroces y rapaces comenzaron a insultar su memoria
como si el deber obligación o tarea de gallagher bentham
fuera ser inmortal
siendo que él se preocupaba cuidadosamente
de vivir imperfecto a fin de no irritar a los dioses
jamás se cuidó de ser bueno sin ganas
pecó y gozó como los mil diablos
que sin duda lo habitaban de noche
y lo obligaban a escribir versos sacrílegos
en perjuicio de su alma.

La teología del hombre común, las teofanías de las que no pretenden destino ajeno al cumplimiento de su trayectoria. En Los poemas de Sidney West, Gelman prefigura técnicamente lo que vendrá, con la guerra sucia de Argentina y la diáspora, con el sacrificio de los seres queridos y el largo sendero luctuoso del exilio. La suma de epitafios se volverá la comprensión de los límites del ser humano, cuya expresión sólo distrae la muerte, y la pureza e impureza de esos “cadáveres llenos de mundo” para citar a un poeta esencial en Gelman:

Corrigieron la noche y quien
corrige la noche corre el riesgo
de quemar su deseo. Quien corrige
el deseo se puede quemar. Conozco
países melancólicos por esa razón. Conozco
criaturas agarradas a ellas mismas
como a un clavo que no arde. Conozco
rebaños de paciencia haciendo olvido.
¿A dónde va tanto olvido? ¿Es
sangre ciega en los tableros de sur? Y vos,
Dios ¿por qué olvidás? Te encogiste
para que fuera la sombra argentina,
ese animal feroz perdido.

TU HERMOSURA SEA VOZ EN MI HERMOSURA

No en balde Gelman ha escrito guiones cinematográficos, dos cantatas (El gallo cantaor y Suertes), y dos óperas o especie de óperas: La trampera general y La bicicleta de la muerte con música de Juan Carlos Cedrón.
Su vocación de melodista organiza el paisaje de sus libros, por ejemplo Citas y comentarios, homenaje insólito a los clásicos, a Santa Teresa, a San Juan de la Cruz, que reciben los “comentarios” de otros ritmos, otras “puestas en escena”. Gelman, al fin y al cabo un gran poeta, está convencido: a las revelaciones místicas de la heterodoxia no las perjudica inspirarse en el Cántico de San Juan y su “y déjame muriendo/ un no sé qué quedan balbuciendo”. Dios (lo que nos trasciende) anda entre los pucheros y las digresiones, entre los laberintos de la yerba y la plaza pública, entre la fe poética y el idioma, entre el ritual clásico y la herejía:

Comentario XXXII

Como madero haciéndose
llama de vos/ todo embestido
por vos/ fuego de vos/ el alma
sube hasta vos/ o paladar
que moja tu saliva como
rocío de ternura/ o
boda solar de tu saliva
llevando a piedra la palabra.

La “oscuridad” de Gelman es, abiertamente, literatura.

* * *

Gelman, desdramatizado y dramático, fija los temas no categóricamente, sino a través de invocaciones, desdibujamientos, imágenes que acompañan el tema central, y lo complementan suavemente. Véase “En serie”:

En la esquina de Serrano y Corrientes
pasa el niño que fui
y no comprendo todavía. Cierra
la unión del alma con su vacío y la tarde
se tiende como un pañuelo seco. Hay
calles sentadas, despedidas, silben
en el pasado que vendrá.

En siete líneas Gelman incluye la evocación de su infancia, el desencuentro de las edades, la maravillosa futilidad de la estampa memorizada, la visión desconsolada del tiempo, y la colección de los recuerdos: calles sin movimiento de personas, adioses, invitaciones al pasado que ya viene a observar cuánto le queda de vida. Por supuesto, si se le describe así el poema se difumina, es preciso citarlo en su integridad, advertir que de la ausencia de gestos melodramáticos se nutre el vigor de Gelman. Véase el poema “¿O no?”, clarísimo en su intención y cuya primera parte es radical en su descripción iracunda:

Los militares llamaban El Vesubio a
un campo de concentración situado
a pocos metros de la autopista General Richieri.
Así lo bautizaron por
la columna de humo negro que
subía de compañeros mezclados
con fuego de neumáticos. Los
que fueron alegres mataban
la alegría del aire. Las bestias
desorganizan los misterios y crean
el misterio de la iniquidad.

La segunda parte no contradice el tono previo pero sustituye la furia con la melancolía que Gelman prodiga no por un distanciamiento estratégico de la obviedad, sino, tan sólo porque la melancolía es la emoción al frente del control de sus emociones. Así, concluye
“¿O no?”.

Hay momentos en que la vida es
una bruma que no se puede navegar.
El fracaso del corazón cae en la tarde como
un pájaro olvidado del vuelo.
Eso no se parece a la noche
que orina mi alma.

El desgarramiento no se oculta, como tampoco se programa la escritura del exilio, que es la remembranza desde la demasiada presencia. Afirma Gelman en
“Adentros”:

He visto eso, servidumbre acostadas
en una muerte que no sirvió y vi
compañeros que sentían la felicidad
y no la conocían. Esperaban
en las recetas del invierno. Así fue, eso vi,
hombres y mujeres que hablaban del
porvenir en voz baja para no molestarlo.
Murieron derivados
de su conocimiento del futuro, extranjeros
en la distancia que mañana son otros .

Cada poema de Gelman es un tejido orgánico donde el último verso ilumina al primero, y el primero le confiere su densidad al último.

LA MAÑANA LIBERA DISFRACES

Revisar la bibliografía de Gelman es observar una trayectoria que sólo conoce de la mezcla perfecta de sencillez y complejidad. Así he leído Violín y otras cuestiones (1956), El juego en que andamos (1959), Velorio del solo (1961), Gotán (1962), Cólera buey (1971 con poemas de 1965-1969), Los poemas de Sydney West (1969), Fábulas (1970), Relaciones (1973), Obra poética ( 1975), Citas y comentarios (1979), Hechos y relaciones (1980), Si dulcemente (1980), Hacia el sur (1982), Dibaxu ( 1985), Incompletamente (1997), Salarios del impío (1998), En el hoy y mañana y ayer. Antología personal (2000), Pesa todo (Antología de 2001) y Valer la pena (2002). Estos libros se editan en Buenos Aires, La Habana, Barcelona, Madrid y México. Valer la pena es un título extraído del habla común por Francisco Urondo, el escritor amigo de Gelman asesinado durante la guerra sucia. Valer la pena, la única síntesis que Gelman se permite en tres palabras, contiene definiciones (“... Pensar/ es ver la nada que flota/ en una cucharada de sopa”), aforismos al paso (“En los lenguajes abolidos pasea/ la memoria pesando su animal”), imágenes por así decirlo autosuficientes o nacidas para epígrafes, la vocación no tan secreta de la metáforas: “Leía libros antiguos porque/ todo horizonte viene de otro/ atrás”, o “Una piel provoca el choque del universo/ consigo mismo”, o “Debajo de lo suave crepita sospecha” o “La mañana libera disfraces/ que alguno le prestó”. La poesía también es la tradición a flor de piel, trátese de Vallejo ya vuelto atmósfera verbal, de Catulo, de Luis Cernuda y su poema al voluntario de la Brigada Lincoln en la guerra de España, de Cavalcanti o de Cavafis, “tan celebrado/ hoy que no molesta”.
Las zonas temáticas son muy diversas: los crímenes de la guerra sucia, la poesía, el poema que siempre se reescribe porque ni las palabras ni su autor son al siguiente instante lo mismo, las bestias y los seres humanos que a la luz del crepúsculo apaciguan sus rasgos opuestos, los objetos y las formas del tiempo... Y la poesía es el amor, la entrega a la otra persona, las metáforas que no guardan ni revelan el secreto a que sólo tiene acceso el que lee el poema y lo integra a su experiencia. Así, el amor se despliega y se transfigura en textos como “Te digo María”:

Borrado del mundo real, borracho
de este crepúsculo que canta
en otro lado y el ángelus cru z a
a caballo de una campana.
El cielo muere con sangre y
no veo a nadie, nada, sino
el fuego que arde cuando hubo
una garza azul
erguida en tu mirada blanca.
Quemaba ayeres,
la basura que el tiempo deja.

Y están los poemas del desencanto perfecto, donde nada es explícito y el lector debe extraer la razón del título al escudriñar el texto:

Elecciones democráticas

La sombra del sol en mi mano
no hablé por televisión, ni
la de mi mano en el sol, ni
el niño que pide en la calle
habló por televisión. Toca
un acordeón roto con
su hueso constante.

Está a mano la exégesis, pero la prudencia me ahorra el traspiés. Gelman se opone a la obviedad, y no es inusual que revele y oculte al mismo tiempo la trama de las imágenes. Sin embargo, no es enigmático o neoconceptista, es transparente pero con la claridad que nada más confieren las propuestas que los lectores convierten en revelaciones.
En la obra de Gelman ni el autor ni los lectores pueden dar algo por sentado. “Es horrible saber que moriré mañana/ o que no moriré”.

Carlos Monsiváis© publicado en Revista de la Universidad de México©.


 Fonte : Juan Zapato el último habitante en la Torre de Babel