segunda-feira, 14 de agosto de 2017

1949: Primeiras eleições parlamentares na Alemanha


INSTANTÂNEOS: NAZIFASCISMO E 2ª GUERRA MUNDIAL

1933: Brecht foge da Alemanha
1933: Repressão ao Partido Comunista da Alemanha
1933: Aprovação da Lei Plenipotenciária
1933: UFA demitia funcionários judeus
1933: Grande queima de livros pelos nazistas
1933: DVP e DNVP se dissolvem
1933: Hitler controlava a imprensa falada
1933: Alemanha deixa a Liga das Nações
1934: Hitler manda executar Ernst Röhm
1934: Nazistas assassinam ditador da Áustria
1934: Regime nazista começou a intervir na Justiça
1935: Nazistas cassam cidadania alemã de escritores e oposicionistas
1936: Abertura dos Jogos Olímpicos de Berlim
1936: Constituição do Eixo Berlim-Roma
1936: Thomas Mann é expatriado
1938: O pogrom da "Noite dos Cristais"
1939: Assinado o Pacto de Não-Agressão
1939: Eslováquia torna-se independente
1939: Alemanha invade a Polônia
1939: Programa nazista de extermínio
1939: Soviéticos invadem a Polônia
1939: Primeiro atentado contra Hitler
1940: Alemanha inicia ofensiva ocidental
1940: França e Alemanha acertaram cessar-fogo na 2ª Guerra
1940: Estreia do filme "O judeu Süss"
1940: Crianças alemãs refugiam-se dos bombardeios
1941: Selada aliança entre Londres e Moscou
1941: EUA decidem construir a bomba atômica
1941: Aberto o campo de concentração de Theresienstadt
1942: Começa a Conferência de Wannsee, que consolidou o Holocausto
1942: Genocídio dos judeus poloneses
1942: Judeus proibidos de ter animais domésticos
1942: Ofensiva dos Aliados em El Alamein
1942: Anne Frank inicia seu diário
1942: Tropas nazistas conquistavam Tobruk, na Líbia
1942: Resistência antinazista "Rosa Branca" distribui panfletos
1942: Pedagogo Janusz Korczak é deportado para Treblinka
1942: Fracassa primeiro desembarque na Normandia
1942: Tropas alemãs invadem o sul da França
1943: Goebbels declara guerra total


No dia 14 de agosto de 1949, foram realizadas na então recém-criada República Federal da Alemanha as primeiras eleições parlamentares.

"Amanhã, todos os eleitores devem comparecer às urnas e votar para o primeiro Parlamento federal. Quem não votar agora, obviamente não vai ter direito de reclamar depois." Na noite de 13 de agosto de 1949, um sábado, Wilhelm Kaisen, presidente da Assembléia de Bremen, convocava pelo rádio para a primeira eleição realizada na República Federal da Alemanha.

O país acabara de se constituir. Em consequência do agravamento das tensões entre as três potências ocidentais e a União Soviética, que ocupavam a Alemanha desde o final da Segunda Guerra Mundial em 1945, as assembléias das zonas de ocupação ocidentais haviam convocado um Conselho Parlamentar. Este redigira a Constituição e aprovara uma lei que regulamentava as eleições parlamentares.

A campanha eleitoral na Alemanha ainda coberta de escombros foi modesta, sem os marqueteiros de hoje, com muita improvisação e o empenho pessoal dos candidatos em seus distritos eleitorais.

Domínio de dois partidos

A União Democrata Cristã (CDU) e o Partido Social Democrata (SPD), até hoje os maiores partidos da Alemanha, já dominavam o cenário político.

A CDU tinha fortes representantes: Konrad Adenauer, que presidira o Conselho Parlamentar e concorria ao cargo de chanceler federal, e Ludwig Erhard, pai da reforma monetária e da economia de livre mercado. Ambos defendiam a integração da República Federal da Alemanha no mundo ocidental e o fortalecimento da economia de mercado. O candidato da social-democracia era Kurt Schumacher.

Governo de coalizão

O índice de comparecimento às urnas no domingo 14 de agosto foi alto: 78,5%. Os dois principais partidos quase empataram: a CDU obteve 31% e o SPD, 29,2% dos votos. Ao todo, conseguiram ingressar no Bundestag representantes de oito partidos políticos e três candidatos independentes, que se elegeram diretamente em seus distritos eleitorais.

A CDU formou uma coalizão com o Partido Liberal (FDP) e o então Partido Alemão (DP) e, numa sessão realizada em 15 de setembro, o Bundestag elegeu Konrad Adenauer o primeiro chanceler federal com maioria de apenas um voto.

Adenauer e seu ministro da Economia, Ludwig Erhard, foram responsáveis pelo "milagre econômico" que caracterizou os primeiros anos de existência da República Federal da Alemanha, mas também pela estagnação político-social do país. O SPD precisou amargar o papel de partido da oposição até 1967, quando formou uma ampla coalizão com a CDU.


Autoria Hermann J. Maesse (lk)

sábado, 12 de agosto de 2017



Fui ver Planeta dos Macacos: A Guerra, um bom filme de ficção científica, como há muito tempo eu não via. A intertextualidade do enredo me chamou a atenção. Notei referências a filmes como: Guerra do Fogo e King Kong. No plano teórico, a fundamentação está na teoria de Darwin, que sustenta parentesco da espécie humana com os macacos. Mas, é possível também perceber Engels, com sua obra O Papel do Trabalho na Transformação do Macaco em Homem. O filme joga o tempo todo com a discussão sobre o humano e inumano. Nisso, o trabalho aparece como mecanismo associado à evolução da espécie humana. É justamente isso que Engels fez, aproximou darwnismo e marxismo, mostrando o trabalho como responsável pela evolução humana. Na trama do filme, são os macacos que trabalham como escravos (trabalho alienado/explorado). Por isso, o trabalho não emancipa, mas mantém os primatas em sua condição original. Há, ainda, uma discussão a respeito do antagonismo barbárie versus civilização. Porém, a lógica é invertida, os macacos são apresentados como "civilizados" e os humanos como "bárbaros". A humanidade converte-se em monstruosidade violenta. Encontrei referências bíblicas também, como ao Apocalipse: o alfa e ômega (princípio e fim) e o dilúvio do Gênesis. Temas candentes da nossa época estão presentes: a guerra biológica e militar e a questão do petróleo. É possível encarar o conflito entre humanos e macacos na perspectiva da luta de classes (sem querer viajar muito). Enfim, é um filme de narrativa densa e complexa, daqueles que faz pensar. Depois, para finalizar o dia, fui numa palestra sobre laicidade e educação, na qual um dos conferencistas afirmou que o ensino do criacionismo nas escolas públicas é uma das demandas atuais mais recorrentes no que concerne ao controle ideológico do ensino. A vida é mesmo dialética.

Rodrigo Augusto
7 de agosto  · Curitiba, Paraná ·
Sou sujeito fêmea! E o Chico Buarque patrulhado pela direita como petralha, comunista, bolivariano, boquinha da Rouanet e agora pela esquerda como machista, old school, datado, babão, etc. Ai você vai lá ouvir a música, linda, suave, "cantiga" de ninar para adultos e só lembro de Nelson Rodrigues (outro que vai cair em desgraça rs) falando dos "idiotas da objetividade". O mundo sem metáforas, o mundo da "denotação" e do "literal", o mundo sem "simbólico" é insuportável.
O cara diz que "larga mulher e filhos" e alguém já lê como: um cafajestão que vai abandonar as crianças à mingua e deixar de pagar pensão e dar atenção?!!! Mais um macho abandonador de cria (uma realidade por todo o Brasil, minas largadas pra criar filho sozinho, ok, real), mas tenho dificuldade de enxergar nas letras e músicas de Chico, um mulherófilo old school, todo derramado, quase uma caricatura do "homem sensível", essa subjetividade abandonante.
O cara diz assim "Na nossa casa/Serás rainha Serás cruel, talvez/Vais fazer manha/Me aperrear/E eu, sempre mais feliz". Ai vem lá um "Que mané rainha"? hahaha. Sou sujeito fêmea independente. Sai pra lá machão romântico, preciso de você pra nada, etc. Em um mundo em que os machinhos descolados não dão bom dia para a mina com quem transaram na noite anterior, e se escondem e fogem dos afetos, o Chico é um manifesto Bin Laden de maturidade masculina : ) Está ali, dizendo que aceita praticamente tudo o que a moça pedir, entregue no humilde lirismo.E por ai vai. Enfim. Música, cinema, texto, cantigas são "obras abertas". Não é o estatuto contra a violência doméstica ou qualquer outro mecanismo de lei de proteção das mulheres que tem que ser cumprido na sua literalidade.
A parte boa é saber que Chico Buarque cumpre com esse debate todo uma "função", como Freixo e como muitos outros homens cumprirão. Vão pagar o pedágio do machismo, do patriarcalismo, real e violento, que temos sim que combater e denunciar cotidianamente e que pode sim se esconder até nos seus lindos olhos verdes : ) Um "lugar" (foi ele, mas podia ser qualquer outro) no importante debate dos feminismos, um momento pedagógico que desnaturaliza tudo. Todo momento inaugural de algo é furioso e desestabilizador, dogmático também e as vezes redutor.
Acho fantástica essa consciência das mulheres e da sociedade brasileira do sujeito fêmea, dos feminismos todos. Chico fez e faz a crônica de outros mundos e subjetividades, complexas, adultas, não "objetivas". Eu odiaria viver em um mundo sem metáforas! #cantiga #chicobuarque #feminismos


Ivana Bentes
A partir de segunda-feira Temer anunciará o congelamento de todos os salários de professores universitários por tempo indeterminado e limitará os novos salários a um teto de R$ 5.000,00 para os novos professores, também por tempo indeterminado (isso valerá igualmente para o resto do setor público). Ainda, será apresentada uma PEC para cobrança de mensalidades nas Universidades Públicas, que tem potencial de aprovação desse congresso que está aí. Então, aqueles professores universitários que votaram no Aécio Neves, que apoiaram o GOLPE DE 2016 e foram para as ruas cornetar a Dilma e que bateram panelas, analfabetos políticos diga-se de passagem, também comerão o pão que o diabo do Temer amassará. Isso será institucionalizado!
Embora sejam professores, estes que votaram no Aécio e apoiaram o GOLPE
nunca se interessaram pela história política das Universidades Públicas, tampouco se importaram se o LULA e Dilma abriram novas universidades, pois eles queriam mesmo é mamar na teta do setor público. Agora é que eles entenderão o que eu dizia para muitos deles e também para seus pares naqueles tempos em que eu os alertava e eles me chamavam de louco!"

Por Vander Neves.

Cuando niño, buscaba yo fantasmas


Cuando niño, buscaba yo fantasmas
en calladas estancias, cuevas, ruinas
y bosques estrellados; mis temerosos pasos
ansiaban conversar con los difuntos.
Invocaba esos nombres que la superstición
inculca. En vano fue esa búsqueda.
Mientras meditaba el sentido
de la vida, a la hora en que el viento corteja
cuanto vive y fecunda
nuevas aves y plantas,
de pronto sobre mí cayó tu sombra.
Mi garganta exhaló un grito de éxtasis.

 PERCY BYSSHE SHELLEY


Biblioteca Digital Ciudad Seva

domingo, 6 de agosto de 2017

nossa triste condição de Estado bandido, comandado por bandidos e para bandidos

Existe um povo que a bandeira empresta
P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...

Depois dessa votação na Câmara protegendo temer et caterva só posso lembrar da nossa triste condição de Estado bandido, comandado por bandidos e para bandidos, o que não é lamentavelmente novidade. Vem a memória esses versos sempre atuais de Castro Alves.


Fonte : RCO

Significado nas artes visuais

"Nove dias antes de sua morte, Emmanuel Kant recebeu a visita de seu médico. Velho, doente e quase cego, levantou-se da cadeira e ficou em pé, tremendo de fraqueza e murmurando palavras ininteligíveis. Finalmente, seu fiel acompanhante compreendeu que ele não se sentaria antes que sua visita o fizesse. Este assim fez e só então Kant deixou-se levar para sua cadeira e, depois de recobrar um pouco as forças disse: 'Das Gefül für Humanität, hat mich noch nicht verlassen'. Os dois homens comoveram-se até as lágrimas. Pois, embora a palavra 'Humanität' apresentasse, no século XVIII, um significado quase igual a polidez ou civilidade, tinha, para Kant, uma significação muito mais profunda, que as circunstâncias do momento serviram para enfatizar: a trágica e orgulhosa consciência no homem de princípios por ele mesmo aprovados e auto-impostos, contrastando com sua total sujeição à doença, à decadência, e a tudo o que implica o termo 'mortalidade'."

(PANOFSKY, Erwin. "Significado nas artes visuais". tr. Maria Clara F. Kneese e J. Guinsburg. São Paulo: Perspectiva, 2014. p. 19-20)
O modo default de funcionamento do Estado sob a direção da classe dominante brasileira arcaica, especificamente a paulista, com Temer, a FIEP e mais o centrão do "café com leite" porque os golpistas só sobreviveram com os votos de Minas Gerais, do PSDB, das áreas rurais e das regiões agrícolas do país, tudo para seguirem no modo de reprodução e aprofundamento das desigualdades sociais internas (desde a escravidão) e a subalternidade entreguista internacional (desde o colonialismo). O fator que ainda não entrou em cena é a juventude, os jovens com menos de 30 anos e que tiveram os melhores 13 anos da história do Brasil com Lula, Dilma e o PT, quando a imensa maioria desses jovens melhorou de vida em relação aos pais, desde a diminuição da fome e pobreza, o aumento da renda, educação, políticas públicas e políticas sociais. Esta juventude foi engabelada, enganada e manipulada nas jornadas de junho de 2013, queimando a sua entrada precoce na política e ajudando a eleger o pior Congresso desde a República Velha com Eduardo Cunha e escória semelhante de votantes em Temer. Porém, a qualquer momento podem despertar nas novas contradições, tal como foram os jovens as principais forças em qualquer momento de progresso no Brasil, como em 1889, em 1930, nos Governos de Vargas, Jango, Brizola, na redemocratização de 1982 e depois com Lula e Dilma. O status quo desse governo bandido de Temer sofre uma contestação, uma pressão subterrânea crescente e lembremos que uma avalanche, um terremoto, um maremoto, um grande incêndio sempre começam com uma aparente e ilusória calma, quando as energias subterrâneas já estão a se acumularem, a se posicionarem bem antes de serem ativas e visíveis. Vai rolar, é questão de tempo !

RCO

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Notícias da semana nas universidades apontam para o fim de bolsas do CNPQ, o fim de vários recursos, o arrocho salarial, o fim da gratuidade no ensino, cortes generalizados em várias áreas até setembro, ameaças contra a liberdade de pensamento no universo dos sem razões contra os que tomam partidos nas grandes causas humanas, sociais e políticas. A universidade é um espaço de reprodução mesmo e boa parte dos professores são de origens sociais conservadoras e de pensamento raso de direita. Um pequeno grupo circulando nos sindicatos do ANDES é formado por ex-petistas rancorosos, trotsquistas, ultra-esquerdistas e afins, que até poderiam significar um bom grupo crítico se não tivessem passado os últimos 13 anos juntos e em coro aos professores preconceituosos de direita, os fascistas enrustidos do voto-nulo, os neoliberais e mesmo monarquistas, todos juntos, contra Dilma, Lula e o PT, mesmo com todos avanços em duras condições nos governos do PT. Essa turma do ANDES e CONLUTAS ficou 13 anos despolitizando e desinformando os professores da base. Dividiram a CUT e foram para a completa inexpressão. CONLUTAS fracassou e pequenos partidos de extrema esquerda não elegem ninguém fora de guetos sectários. O governo anterior do PT, mesmo com contradições, conseguiu avanços na expansão das bolsas acadêmicas na pós, a expansão de universidades, ifets, que garantiram tantos concursos, vagas e empregos para muitos, a criação da categoria docente de associado com aumento real nos salários, a progressão ate titular sem a perda da aposentadoria, tudo significou avanços. Agora o impacto do golpe será pesado para todos os Dilma-Haters sentirem as misérias do golpismo ignoradas antes por tantos. Não foi por falta de aviso que as universidade chegarão ao fundo do poço com os inimigos da educação de direita do governo golpista.

RCO

sexta-feira, 28 de julho de 2017

1794: Robespierre é executado na guilhotina


No dia 28 de julho de 1794, o revolucionário francês Maximilien de Robespierre foi guilhotinado, após boatos de endurecimento da Lei do Terror. Sua morte marcou o começo da última fase da Revolução Francesa.


      Paris Place de la Concorde (picture-alliance/dpa/M. Tödt)

"Os reis, aristocratas e tiranos, independentemente da nação a que pertençam, são escravos que se revoltam contra o soberano da Terra, isto é, a humanidade, e contra o legislador do universo, a natureza", declarou em 24 de abril de 1793 Robespierre, uma das figuras mais importantes da Revolução Francesa.

O jovem advogado Maximilien François Marie Isidore de Robespierre (1758-1794) pretendia mudar o destino da França. Desde o início de sua carreira política, destacou-se pela firmeza e pela forma radical de defender suas ideias. Influenciado por Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), ele pleiteava um Estado voltado para o bem comum e a vontade geral, estabelecido em bases democráticas. "O indivíduo é nada; a coletividade é tudo", afirmava, lembrando o famoso Contrato Social de Rousseau.

Político "incorruptível"

Robespierre ajudou a fundar e foi líder do Partido Jacobino na Convenção Nacional (parlamento francês de 1792 a 1795). Seus discursos captavam o espírito da França revolucionária. "É natural que o bom senso avance lentamente. O governo viciado encontra nos preconceitos, nos costumes e na educação dos povos um poderoso apoio. O despotismo corrompe o espírito humano a ponto de ser adorado e, à primeira vista, torna a liberdade suspeita e terrível", afirmara no discurso Contra a Guerra.

Os ideais da Revolução Francesa – liberdade, igualdade e fraternidade – compunham seu slogan predileto. Robespierre tornou-se famoso como político sério e "incorruptível". Seu objetivo era eliminar oa privilégios e instituições do Antigo Regime. Ele propagou ideias revolucionárias para a época, como o sufrágio universal, eleições diretas, educação gratuita e obrigatória, e imposto progressivo segundo a renda.

"Os habitantes de todos os países são irmãos; os diferentes povos devem se apoiar mutuamente como cidadãos de um Estado. Quem oprime uma nação declara-se inimigo de todas as nações. Quem faz guerra contra um povo, para impedir o progresso da liberdade e sufocar os direitos humanos, deve ser perseguido por todos os povos. Não apenas como inimigo comum, mas como assassino rebelde e bandido."

A lei da guilhotina

Proclamada a república, em 1792, Robespierre mostrou sua nova face. Não hesitou muito para selar o destino do rei, aprisionado por revolucionários. Luís 16 foi julgado, condenado e, a 21 de janeiro de 1793, decapitado na guilhotina. Robespierre justificava o reinado do terror, o qual "nada mais é do que a justiça rápida, violenta e inexorável. É, portanto, uma expressão da virtude".

A pretexto de defender a revolução, os jacobinos instalaram um regime de terror na França em 1793-1794. Sob o comando de Robespierre, a Constituição foi suspensa e foram criados o Comitê de Salvação Pública e o Tribunal Revolucionário. Esses órgãos descambaram depois para a conspiração e execução na guilhotina de membros do próprio partido jacobino, como Georges-Jacques Danton (1759-1794), confundindo inimigos e aliados.

A guilhotina funcionava sem parar. Com a ameaça de morte pairando sobre todos, deputados moderados da Convenção Nacional tramaram a prisão de Robespierre e seus colaboradores mais próximos. Em 28 de julho de 1794, deram aos ilustres prisioneiros o mesmo destino que estes haviam dado ao rei Luís 16: a guilhotina.

De um despotismo para outro

Robespierre havia assumido poderes ditatoriais. Calcula-se que o terror jacobino causou dezenas de milhares de vítimas, entre elas o químico Antoine Laurent de Lavoisier (1743-1794). Em apenas 49 dias, mandou-se executar 1.400 pessoas. No final, o terror engoliu os terroristas. Um ano após a morte de Robespierre, a França obteve um novo governo, comandado por cinco "diretores".

O chamado Diretório representou o fim da supremacia e do terror dos jacobinos. Em 1795, a Convenção promulgou uma nova Constituição, que, segundo seu relator, Boissy d'Anglas, centrou-se em "garantir a propriedade do rico, a existência do pobre, o usufruto do industrial e a segurança de todos".

De 1795 a 1799, o poder foi organizado sob a forma de uma república colegiada de notáveis, tendo o Diretório como poder executivo. Nesse período, a França mergulhou numa nova crise econômica e social, agravada por ameaças externas. Para manter seus privilégios políticos, a burguesia entregou o poder a Napoleão Bonaparte, que o exerceu com o mesmo absolutismo que havia sido derrubado pela Revolução Francesa.

Autoria Catrin Möderler (gh)


Link permanente http://p.dw.com/p/1LAX

segunda-feira, 24 de julho de 2017

O que me deixa mais perplexo é entender a fúria de boa parte de uma geração com menos de 30 anos nas jornadas de junho de 2013, na crítica destrutiva ao PT em 2014, nos coxinhaços de 2015 e saber que no dia de hoje, apenas um grupo de Senadoras com mais de 50 anos foi a única força social e política na defesa dos direitos trabalhistas das mais jovens e dos mais jovens, que ainda teriam pela frente muitos anos de direitos trabalhistas em suas vidas e trajetórias. Cadê todas aquelas gentes urbanas raivosas de 2013, cadê aquelas jovens mulheres líderes do MPL, tão badaladas e discutidas em 2013, tão energizadas contra os 0,20 centavos do Haddad, cadê a turma da Sininho nos protestos do Rio de Janeiro, cadê as mulheres e jovens dos coxinhaços quando souberem que nem o direito de ficarem gestantes em ambientes salubres terão, suas filhas e netas ficarão na insalubridade, precarização e terceirização, que sina para ess(e)as jovens. Cadê os manifestantes que cercaram o Congresso e o Itamaraty em tempos idos ? Cadê Marina e Luciana Genro hoje ? Alô feministas. Tudo isso também mostra a diferença imensa entre uma velha senhora como Dilma e o golpista Temer, seus ministros, seus congressistas tão misóginos e tão dispostos a roubarem o que podem dessas jovens massas trabalhadoras com menos de 30 anos de idade. Agora saberão que Dilma não era mesmo igual a Temer e o inverno do assalto, congelamento e desmonte dos serviços públicos só vai arrebentar mesmo no final desse ano.
RCO
Minha análise no Jornal do Brasil - Ricardo de Oliveira, da UFPR, também acredita no acirramento do confronto, e critica Moro, afirmando que a condenação pelo juiz revela a “instrumentação politiqueira da Lava Jato”: “Só vai acirrar ainda mais os ânimos e desacreditar ainda mais as instituições. Eles estão passando a mensagem de que não há mais democracia no Brasil, e isso só piora a crise que o sistema já vive, com as denúncias contra o [presidente Michel] Temer, a liberação do Aécio [Neves] e do [Rodrigo] Rocha Loures, mostrando que ainda existe uma casta privilegiada no país, que usa as instituições de maneira aparelhada”, completou...Para Ricardo, a decisão de Moro em não prender o ex-presidente é uma forma de amenizar o conflito. E acrescenta: “Essa decisão do Moro sem nenhuma prova, apenas joga mais água no moinho do confronto, no qual por um lado alguns são soltos com provas, e por outro, condena Lula no caso de um triplex que nunca foi dele. É um absurdo do ponto de vista jurídico e apenas mostra um ativismo ideológico dos operadores, que deixaram de ser juízes para serem ativistas partidários”...Ricardo destaca que existe um cronograma dos fatos.“Como Moro é um ativista, ele manipula as datas de acordo com o cálculo político e escolheu hoje em função desses fenômenos: o dia seguinte da votação trabalhista, e o dia da votação contra Temer no CCJ. O Moro sempre teve lado e interesse. Isso está mais do que claro agora”, finalizou.
RCO
A sociologia dos clubes mostra o mais antigo e tradicional deles, o Curitibano, fundado em 1881 pelo empresário schumpeteriano Ildefonso Pereira Correia, o Barão do Serro Azul, o homem burguês metamorfoseado das antigas famílias senhoriais e escravistas do litoral, no século XIX. O Curitibano se tornou muito grande e frequentado, com elites e decadentes, de modo que um grupo de novos ricos, de origem imigrante, principalmente de origem alemã, juntos com alguns nomes tradicionais, alguns barrados no Curitibano, criassem em 1927 o Graciosa Country Club como um espaço mais exclusivo. O Castelo do Batel se relaciona com a Família Lupion, também novos ricos e novos poderosos datados somente na metade do século XX, casados com troncos paranaenses antigos, como a família Ferreira do Amaral da Lapa. o que é a norma da classe dominante brasileira, o novo casando com o antigo-tradicional, o moderno sempre junto do arcaico. A Sociedade Garibaldi foi criada no final do século XIX pelos imigrantes italianos. Desapropriada durante a Segunda Guerra Mundial, retornou depois para seus associados. A Vice-Governadora Cida Borghetti, conselheira do Comitê dos Italianos no Exterior, possui conexões com membros da Sociedade Garibaldi, como Walter Antonio Petruzzielo, pai do Vereador Pierpaolo Petruzziello, também inseridos nessas políticas ítalo-brasileiras. O casamento da Deputada Estadual Maria Victoria Borghetti Barros, da mais importante oligarquia política familiar emergente de Maringá, com extravagantes intervenções na Sociedade Garibaldi, casamento kitsch, é explicado pelas conexões sociais, étnicas e políticas. Foi o espaço possível no meio tradicional curitibano. Ainda hoje reaças apontam que se o sobrenome não está, ou não descende na Genealogia Paranaense, não é CDT, classe dominante tradicional. O casamento hoje será ovacionado por populares, ainda mais depois que o associaram com os golpistas de plantão convidados. A ver.

 RCO
Genealogia política do Desembargador João Pedro Gebran Neto, TRF4. Genealogias revelam quem somos e como é feita a estrutura social. Gebran Neto é filho de Antonio Sebastião da Cunha Gebran, advogado, que começou a trabalhar com 14 anos de idade na Assembleia Legislativa do Paraná até alcançar o cargo de Diretor-Geral em 1979. Faleceu em 2004, antes do escândalo dos Diários Secretos ainda impunes. Naquela época dos avôs, antes dos concursos, era comum que filhos de altos funcionários começassem a trabalhar cedo nas instituições dos pais, na ALEP, no Tribunal de Contas, no Tribunal de Justiça, nos cartórios, na mídia, como podem ler no nosso livro "Na Teia do Nepotismo". Antonio Sebastião era sócio e foi diretor do Clube Curitibano. Participou da OAB e foi ex-presidente da Caixa de Assistência dos Advogados. Profissional respeitado naquele meio e nome de praça em um dos lugares mais pobres, carentes e de alta criminalidade em Curitiba, na Cidade Industrial. A população mais negra, índia, mestiça no entorno da praça, é bem desigual e diferente da população e dos luxos dos Tribunais. O logradouro homenageando o pai de Gebran Neto foi proposto pelo vereador Felipe Braga Cortes, com quem Gebran Neto participou de movimentos políticos na juventude. A mãe do Desembargador Gebran Neto é Maria de Lourdes Pires Gomes, filha de Alcyon Pires Gomes, do comércio. O avô paterno, João Pedro Gebran, também foi Diretor-Geral da Assembleia Legislativa do Paraná desde 1955, antes fora Diretor dos Serviços Legislativos e no Estado Novo foi Secretário do Conselho Administrativo do Paraná. O casamento de João Pedro Gebran, em 1924, é que abriu as portas da classe dominante tradicional paranaense. Fenômeno conhecido em que jovens de origem migrante, no caso Libanês, com potencial e bem sucedidos, casam com jovens das velhas famílias do "Antigo Regime", que assim se prolongam e cooptam os novos elementos. Gebran passou também a se relacionar com a poderosa e antiga rede social e política de sua esposa, Francisca Cunha, a Chiquinha, filha do Coronel Francisco Cunha, Prefeito da Lapa na República Velha (Genealogia Paranaense, IV, 390). O avô do Coronel Francisco Cunha foi o Comendador Manuel Antonio da Cunha, primeiro Prefeito da Lapa, em 1833, por sua vez casado com Joaquina Teixeira Coelho, filha do 1º Capitão-Mor da Lapa, ainda no período Colonial, o português Francisco Teixeira Coelho. Todas essas famílias do poder local da Lapa, com origens históricas no latifúndio escravista, eram aparentadas entre si, a família Braga, do Governador Ney Braga, a família Lacerda, do Reitor e Ministro da Educação no começo da Ditadura, Flávio Suplicy de Lacerda e outras. Como as mesmas famílias controlam o poder executivo, legislativo e judiciário ao longo de suas genealogias. Como a estrutura social do século XVIII é reproduzida e transmitida ao longo das gerações e dos casamentos. Como o antigo, arcaico e tradicional convive com o novo, moderno e as mudanças continuam e preservam a dinâmica social de exclusão do passado. Gebran Neto vai ser o relator e vai julgar Lula, já condenado arbitrariamente, politicamente e sem nenhuma prova por Moro, em mais uma típica manifestação de lawfare desse poder judiciário ? O que pode acontecer de novo ? Com a palavra nos autos Gebran Neto. Na foto, na minha casa, Raymundo Faoro poderia nos referir como filhos do estamento burocrático transitando pelo tempo. Colegas do Colégio Militar de Curitiba, 1976, Villas Boas, médico, Gebran Neto, desembargador, Mussi, FAB, Ricardo, sociólogo e genealogista. Para (re)conhecer este fenômeno genealógico devemos estar familiarizados e presentes ao lado dele.
RCO
Mais uma genealogia política. Desembargador contra Professoras . Judiciário prejudicando Educação. Quando falam que na Finlândia um professor do ensino ganha o mesmo que um juiz é porque reconhecem a importância da educação em uma sociedade desenvolvida, com menos pobreza, desigualdade, crime e mais cidadania, produtividade, democracia e direitos para todos. Precisamos de bons magistrados, como temos alguns e não de uma “casta privilegiada” contra a sociedade, contra a educação, típica de lugares atrasados. O desembargador Ruy Cunha Sobrinho era filho de Renato Cunha, que foi vereador e presidente da Câmara de Londrina. Ruy Cunha Sobrinho é casado com a procuradora do Estado Vera Grace Paranaguá, filha do falecido ex-prefeito de Londrina Dalton Paranaguá. O casal recebe bem do Estado e pode pensar nos pobres professores, que não ganham nem auxílio-moradia. Ruy Cunha Sobrinho recebeu o nome do seu tio Ruy Cunha, que foi deputado estadual eleito em 1947. Neto de Eurides Cunha, deputado estadual, deputado federal, prefeito de Jaguariaíva e de Curitiba no fim da República Velha. Todos formados em direito e grandes proprietários. Bisneto do Coronel Domingos Antonio da Cunha citado na Monografia (UFPR: 2016, 62) de Mariana Coelho Maximino - Ex-Senhores de Escravos, Elites e Negros Livres no Paraná do Imediato Pós-Abolição: “Em comissão de Campo Largo aparece Domingos Antonio da Cunha, que teve 12 escravizados. Domingos Antonio da Cunha, foi deputado liberal por Campo Largo em 1880/81, 82/83, 84/85, 86/87 e industrial do mate, também aparece congratulando a proclamação da República. Mostrando a posição de um ex-senhor de escravo, de uma elite escravista por possuir muitos escravos, que conseguiu se perpetuar na vida social e política durante o período Republicano”. Entendedores entenderão.
RCO
Mais um dia normal no Golpistão. Aumento abusivo na gasolina pra pagar o rombo do propinoduto das emendas dos deputados golpistas comprados na última leva, tentativa de exportação do golpe para a Venezuela no Mercosul do usurpador ilegítimo brasileiro sem votos, enésima denúncia de corrupção na Operação Quadro Negro homologada pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot, envolvendo as famílias neptocratas, nepotismo cleptocrata, da República do Paraná, com Richa, Traiano, Plauto, Tiago Amaral na Valor de Rossoni, tudo sob as barbas dos justiceiros inertes da República do Paraná e sua farsa a jato.

 RCO
Uma análise dos comentários de direita nas mídias informativas e redes sociais abertas revela uma “opinião pública” de direita produzida e ainda pré-iluminista no Brasil. Quem produz a opinião pública de direita ? Existe um exército de robôs e comissionados nos cargos legislativos, executivos, judiciários e nas empresas privadas em que a opinião política é cuidadosamente controlada e manipulada. O funcionário só ganha o emprego se demonstrar servilismo, subalternidade e submissão aos donos do poder. Milhares de cargos comissionados em Câmaras de Vereadores, Assembleias Legislativas, empresas, rádios, jornais e veículos dependentes das concessões e irrigados pelo dinheiro público o tempo todo. O jornalista deve sempre comprovar a sua opinião em respeito ao atestado ideológico baixado pelos editoriais reacionários de patrões, o jovem advogado perscrutado o tempo todo no espaço jurídico controlado por famílias jurídicas do poder nos escritórios de advocacia e no sistema judicial, o servidor público que só melhora um pouco o salário com a aceitação e subordinação de um cargo comissionado concedido pelos superiores de direita na estrutura das prefeituras, governos do estado e governo federal. Por isso a direita odeia tanto os concursos públicos que produzem estabilidade, carreiras próprias com luz própria e não dependência e servilismo. Daí o ódio da direita no Paraná e no Brasil contra os professores e contra educação. Para os poderosos a alta cultura, a cultura crítica deve ser reduzida ao senso comum de direita pré-moderno. Somente concursados e com currículos mais qualificados possuem independência e autonomia para produzirem uma opinião crítica. O quem indica ainda é mais forte do que o quem estuda, a provisoriedade de um cargo comissionado, terceirizado e precarizado vale mais para a direita poder explorar os trabalhadores do que investimentos em ciência, tecnologia, cultura e conhecimentos profundos. Ainda mais em épocas de dominação golpista o projeto da direita é a tentativa de destruição de carreiras estáveis e concursos públicos para tentarem destruir a autonomia do pensamento crítico. Por mais que tentem deter a modernidade, a direita sempre perderá porque a história não é carroça abandonada e sim um carro alegre, cheio de um povo contente.


RCO
Membros do MBL loteiam cargos comissionados nas administrações de direita, como se esperava depois do golpe. A direita é quem mais usa e abusa do Estado máximo para seu extrativismo estatal e suas leis de vantagens máximas, em detrimento da maioria trabalhadora. O jornalista que escreve editoriais neoliberais pelo Estado mínimo e vive das concessões, favores, benesses e créditos públicos, o grande proprietário que precisa do Estado para defender seus milhares de hectares e de propriedades que ele nunca visitará, o banqueiro que sempre precisou do Estado para criar moeda, altas taxas de juros e que nunca tocará fisicamente tanto dinheiro assim, o militar fascista indisciplinado, fracassado no Exército e que emprega toda a família no legislativo para nunca produzirem ou educarem ninguém, o jurista que cria o problema burocrático artificial para ele resolver e vender lucrativamente a solução no aparelhamento estatal, o comerciante que explora ao máximo seus funcionários e paga uma miséria aos trabalhadores para sonegar renda e comprar imóveis bregas ocultos em Miami reclamando do Estado brasileiro, o alto funcionário público ganhando acima do teto, os cartorários viciados, os nepotes das famílias políticas brasileiras que nunca estudaram nada, enfim, todo esse bando de parasitas sociais altamente remunerados, os que mais mamam nos orçamentos e erários estatais, os que mais dependem do Estado para seus privilégios, mordomias, sinecuras e prebendas são os mais hipócritas ao indicarem o Estado mínimo para o resto pobre da sociedade e negarem as políticas sociais públicas para os mais necessitados, os mais explorados dos trabalhadores, os que mais precisam do Estado para educação, saúde, segurança e cidadania.

RCO
O coronel Thompson Flores foi morto, em 1897, lutando em Canudos e é o trisavô do Desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, Presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), com sede em Porto Alegre. Canudos foi a maior batalha travada no território brasileiro, com cerca de 30.000 mortos, imortalizada por Euclides da Cunha no livro Os Sertões e ainda hoje uma das maiores vergonhas e injustiças cometidas contra camponeses analfabetos, que lutaram bravamente. Dos veteranos do Exército de Canudos no Rio de Janeiro, sem tetos detrás do Ministério da Guerra, surgiu o léxico "favela", uma invenção da desigualdade e pobreza urbana da República no Brasil. Da família Thompson Flores conhece-se a genealogia com muitos desembargadores, Presidente da Província do Rio Grande do Sul, militares, juristas e diplomatas. Lembrai-vos de Canudos. Eu tenho antepassados e parentes que lutaram em quase todas as guerras do Brasil e pelo menos dessa vergonha eu não tenho porque nenhum dos meus lutou por lá. Está na hora de corrigirmos esses erros do passado que lançaram o país no assim chamado 3° mundo. Deveriam ter construído escolas, universidades, hospitais em Canudos e não um vergonhoso massacre inglório contra brasileiros pobres.

RCO

domingo, 16 de julho de 2017

A ÉTICA NOS TRIBUNAIS


Por Márcio José Tokars

A primeira lição que se espera de um sábio é a humildade, por isto num tribunal onde juízes se digladiam, não ecoa o bom senso e quando algum deles se julga vencedor de uma competição, pela truculência verbal, o tribunal se torna uma vitrine de horrores e vaidades onde quem sai perdendo é a sociedade.

Não existe serenidade onde a emoção supera a razão. Força se mede nos ringues e não nos tribunais. A prepotência é a expressão máxima da pessoalidade, por isto os juízes devem ser humildes e qualquer um que se julgue acima dos outros, se coloca abaixo de todos.

O serviço público que o sistema judicial presta é o equilíbrio. A fala do julgador deve ser mansa e segura, mostrando a maturidade e a civilidade que ele faz valer. O juiz é um instrumento de controle, por isto lhe são vedados o descontrole e a destemperança. É proibido ao juiz se apaixonar pela causa, porque a origem grega da palavra “paixão” é “pathos”, que significa doença, catástrofe ou excesso.

O juiz é o guardião maior dos valores mais sagrados da educação. Quando um juiz se altera, sempre perde a razão, pois se entrega à emoção, que é a expressão da pessoalidade e não do pensamento jurídico. A fala do juiz deve expressar equilíbrio. A altercação, ao contrário é a expressão biológica do medo. A alteração pública do estado de ânimo é transtorno que não se espera dos magistrados. Sábios, líderes e autoridades legítimas não precisam pedir para serem ouvidos, quando o fazem, confessam que não o são.

O magistrado que se deixa levar pela emoção desonra a toga, pois coloca o homem acima dela, que simboliza a razão. Por isto a missão do juiz não é fazer justiça, mas fazer o direito, honrar os pressupostos e garantias processuais. É do processo, e não do homem que o conduz, que deve emergir a justiça.

Saber discordar ou ficar vencido é uma arte reservada aos sábios. Nada é mais revelador acerca de uma pessoa, que a forma dela expressar uma divergência, por isto os debates nos julgamentos não comportam atitudes incompatíveis com a dignidade da toga, mesmo quando evocadas a título de retórica na defesa das boas causas. Ali só cabe a técnica, não são disputas pessoais. Neles a força não está no tom de voz, nem na quantidade de palavras ditas ou escritas, mas sim nos fundamentos jurídicos. Nos ringues impera a técnica da força, mas nos tribunais deve imperar a força da técnica, ou seja, a força da lei que todos juraram obedecer, e não a força dos indivíduos. Por isto o voto do titular mais antigo ou do substituto mais moderno tem o mesmo valor.

É a força da ética; do decoro; da urbanidade e do respeito mútuo que mantém a serenidade e a dignidade dos cargos públicos, que estão acima das questões pessoais. O real poder do juiz está em não precisar demonstrá-lo. A razão jurídica se sustenta por si, por isto os bons juízes não levantam a voz. Quando um juiz se esforça para chamar à atenção, ele não é digno dela. Apelar para ser ouvido o ridiculariza, fragiliza o cargo e desmoraliza o órgão, por isto a ética exige serenidade dos julgadores, assegurada pelo freio deontológico da suspeição. Tribunais não são locais de confronto entre julgadores.
Sob o viés psicanalítico a exaltação é uma tentativa de sublimar a frustração pela impotência. A rudeza é um grito desespero, na esperança de recuperar a autoestima corroída pela intolerância aos próprios limites.

Nos colegiados os relatores não se manifestam para convencer seus pares, mas tão somente para expor o fundamento da sua convicção. Magistrados não tem obrigação de conquistar o voto alheio, pois não são políticos.

O direito de divergir é a base da democracia; construída pela diferença entre os iguais, pelo livre pensamento e manifestação. A liberdade de julgar conforme seus fundamentos é a garantia de todas as outras liberdades do Estado de Direito. Sufocar divergências é a tática do totalitarismo, que muitas vezes age com uma sutileza diabólica, sob os aplausos efusivos da massa hipnotizada por abusos maquiavélicos muito sedutores, pois são feitos solenemente em nome da lei.

Vanessa Fontana | 12 de julho de 2017 às 11:24 pm | Tags: Ética nos Tribunais, blog da vanessa fontana, direito, Juiz de Direito Márcio José Tokars | Categorias: ética, Ciência Política, Direito, Justiça | URL: http://wp.me/paM6W-1kC