segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Era pobre com FHC, andava a pé, morava de aluguel, não estudava. Ficou classe media com Lula,dois carros,casa própria e fez faculdade. Com Dilma teve que vender um dos carros. Revoltado, agora o desorientado pensa q é elite, vota na direita.jd

sábado, 15 de outubro de 2016


naquela solidão, a fome o perseguia, tinha que comer alguma coisa. 'o gato', 'óbvio', pensou. olhou o bichano que o olhava. 'coragem', pensou. 'a criatura, pense que é só uma criatura'. então, a coisa preta se esfregou em suas pernas. 'não, não teria coragem', pensou. 'melhor bater uma punheta'. esfregou o dedo no sovaco e depois na virilha, depois cheirou, iniciando o movimento. não adiantou; cortou o próprio dedo e fez uma sopa."


in: KATZELSSE, Ich. "Der katze". p1.
fonte : William Teca

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Com esse governo do golpe todo dia é um sete a um.


 Na semana em que foi aprovado a PEC dos gastos, que congelará o investimento nas áreas sociais pelos próximos vinte anos promovendo um verdadeiro colapso nos serviços públicos, o ministro da Educação, Mendonça Filho, afirmou no programa Roda Viva que falta de verba não é o problema da educação no país.
Para falar tamanha besteira, o ministro deve ter se consultado com os “especialistas” que o cercam, como o Alexandre Frota. Se Mendonça Filho conversasse tão somente com um professor perceberia de imediato o problema gravíssimo que existe na carreira docente no Brasil e também o conjunto das dificuldades enfrentadas na educação.
Em relação à meta do Plano Nacional de Educação que prevê a destinação de 10% do PIB, falou nas entrelinhas que não fará o que a lei manda e justificou alegando que os ministros anteriores também não davam conta das metas.
Ao optar pelo sucateamento deliberado da educação pública desse país, os golpistas abrem espaço para a privatização. Na verdade, já vêm dando indícios desse caminho. Cobrança em cursos de pós-graduação em universidades públicas já foi aventada.
Temer, Medonça Filho e o conjunto dos golpistas querem promover um Plano de Metas ao contrário: fazer o país retroceder décadas em apenas dois anos.

Ivan Valente
http://educacao.uol.com.br/…/para-ministro-da-educacao-prob…


André Castelo Branco Machado



Se o país é como uma família e não pode gastar mais do que ganha, como afirmou o ministro Henrique Meirelles em cadeia nacional, então como deveriam atuar os nossos governantes? A prioridade seria sempre a comida na mesa, saúde, moradia e educação para os filhos. Qualquer família fraterna buscaria, como primeira medida, renegociar suas dívidas mais pesadas com os bancos, como empréstimos que comprometessem metade das receitas do mês por juros mais baixos, parcelas menores e contratos mais vantajosos. Mães ou pais não diriam para seus filhos passarem por extremas privações por 20 anos sem antes cortar todos os seus privilégios e daqueles que são sustentados pelos seus recursos. Nem tampouco sairiam para jantar em um restaurante de luxo para decidir cortar a comida dos seus filhos. Nada disso seria feito. Acredito que a família a que se refere Meirelles é encabeçada por pessoas sem caráter, manipuladoras, insensíveis, sádicas e que só pensam em si mesmas, sem qualquer ligação afetiva com seus filhos. O governo ilegítimo do Temer está mudando a Constituição para congelar gastos sociais e as pessoas mais vulneráveis ficarão sem remédios, salários serão arrochados, escolas serão fechadas, entre muitas outras mazelas. Esse modelo de país a que se refere o Meirelles é bem diferentes das famílias reais do povo brasileiro, tão solidárias e fraternas, que não abandonam seus filhos nos momentos em que mais precisam.
O BB chegou a 79 mil funcionários, em 2000, no governo FHC. Se tornou um banco ineficiente, mesmo que as cartilhas neoliberais tenham como mantra da eficiência o "downsizing" e o "turnover" (enxugamento e rotatividade). Os bancos privados cresceram muito no espaço deixado pelo BB. O banco esteve na mira da sua total privatização.
O Banco do Brasil voltou a crescer no governo Lula, chegando, em 2008, a ter 115 mil funcionários e a ser o maior banco em ativos do país. Jogou um papel central na adoção de medidas anticíclicas pelo governo naquele ano.
O que será do banco mais enxuto? Quem ganhará se o BB voltar novamente para a geladeira?

Acbm

sábado, 8 de outubro de 2016

Lázara Papandrea


tô louca pra virar lesma, só pra me deslizar lentamente pela vida, chega de ser coelha ou coisa parecida, minhas pernas não aguentam mais tantos pulos.

Quando o feitiço vira contra o feiticeiro... rs
Para mim, beijar os teus pés nunca foi um problema,
descobrir as veredas, até chegar ao lóbulo da orelha.
E a cada beijo ver o quanto teu todo se redesenha:
novíssimo mar, branquíssimas pedras, virginal areia.
Beijar-te é pura renovação, é a arte que nos nomeia:

é sempre morrer náufrago e te fazer renascer sereia.

Jeferson Bandeira
"" Podem me colocar algemas
mesmo inerte, verão em meus olhos a resistência
não cederei aos que maculam nas sombras da noite
e seguirei como luz que busca a esperança
não me roubarão as vitórias que irei conquistar
nem me aprisionarão em pequenos albergues
quero a busca de dias melhores
quero irmãos de fato se amando
quero cores, vibrantes pinturas a enfeitar meus aranhas céus
posso passar como musica suave, mas sempre baterei meus tambores avisando a todos um novo amanhã
e se amanhã for a vez adas minhas cinzas
que elas adubem algum jardim
não quero simplesmente ser amor,
mas espinhos para cutucar a mesmice de quem fica olhando
e só quer colher a flor...

Oscar De Jesus Klemz

Oscar.

Abuela Julieta



Cada vez más hundido en su misantropía, Emilio no conservaba ya más que una amistad: la de su tía la señora Olivia, vieja solterona como él, aunque veinte años mayor. Emilio tenía ya cincuenta años, lo cual quiere decir que la señora Olivia frisaba en los setenta. Ricos ambos, y un poco tímidos, no eran éstas las dos únicas condiciones que los asemejaban. Parecíanse también por sus gustos aristocráticos, por su amor a los libros de buena literatura y de viajes, por su concepto despreciativo del mundo, que era casi egoísta, por su melancolía, mutuamente oculta, sin que se supiese bien la razón, en la trivialidad chispeante de las conversaciones. Los martes y los jueves eran días de ajedrez en casa de la señora Olivia, y Emilio concurría asiduamente, desde hacía diez años, a esa tertulia familiar que nunca tuvo partícipes ni variantes. No era extraño que el sobrino comiese con la tía los domingos; y por esta y las anteriores causas desarrollose entre ellos una dulce amistad, ligeramente velada de irónica tristeza, que no excluía el respeto un tanto ceremonioso en él., ni la afabilidad un poco regañona en ella. Ambos hacían sin esfuerzo su papel de parientes en el grado y con los modos que a cada cual correspondían. Aunque habíanse referido todo cuanto les era de mutuo interés, conservaban, como gentes bien educadas, el secreto de su tristeza. Por lo demás, ya se sabe que todos los solterones son un poco tristes; y esto era lo que se decían también para sus adentros Emilio y la señora Olivia, cuando pensaban con el interés que se presume, ella en la misantropía de él, él en la melancolía de ella. Los matrimonios de almas, mucho más frecuentes de lo que se cree, no están consumados mientras el secreto de amargura que hay en cada uno de los consortes espirituales, y que es como quien dice el pudor de la tristeza, no se rinde al encanto confidencial de las intimidades. La señora Olivia y su sobrino encontrábanse en un caso análogo. Si aquella tristeza que se conocían, pero cuyo verdadero fundamento ignoraban, hubiéraseles revelado, habrían comprobado con asombro que ya no tenían nada que decirse. Reservábanla, sin embargo, por ese egoísmo de la amargura que es el rasgo característico de los superiores, y también porque les proporcionaba cierta inquietud, preciosa ante la perfecta amenaza de hastío que estaba en el fondo de sus días solitarios. Un poco de misterio impide la confianza, escollo brutal de las relaciones en que no hay amor. Así, por más que se tratara de dos viejos, la señora Olivia era siempre tía, y Emilio se conservaba perpetuamente sobrino.

Cuarenta años atrás -recordaba la señora Olivia- aquel muchacho sombríamente precoz, cuyo desbocado talento, unido a sordas melancolías, hizo temer más de una vez por su existencia; aquel hombrecito, huraño ya como ahora, era su amigo. No tenía esos risueños abandonos de los niños en las rodillas del ser predilecto; pero miraba con unos ojos tan tristes, su frente era tan alta y despejada, que lo quería y estimaba al mismo tiempo. No se dio cuenta de los veinte años que le llevaba; considerolo su amigo, empezando a comprender aquella diferencia sólo cuando lo vio regresar de Alemania, terminada ya su carrera, hecho todo un señor ingeniero, que vino a saludarla, muy respetuoso, muy amable, pero demasiado sobrino para que ella no asumiera inmediatamente sus deberes de tía. Las relaciones estrecháronse después, pero ya de otro modo. Ella, en su independencia orgullosa de solterona rica, acogió amablemente al joven cuya misantropía le pareció interesante; y cuando tres años después, éste se quedó huérfano, encontró en la casa de la vieja dama, a pesar de las etiquetas y los cumplimientos, el calor de hogar, no muy vivo, que le faltaba.

Por un acuerdo inconfeso aunque no menos evidente, fueron cambiando con los años sus pasatiempos. Después de las conversaciones, la música; después de la música, el ajedrez. Y de tal modo estaban compenetrados sus pensamientos y sus gustos, que cuando una noche de sus cuarenta años, Emilio encontró en el saloncito íntimo el tablero del juego junto al cerrado piano, sin notar al parecer aquella clausura del instrumento que indicaba el fin de toda una época, hizo sus reverencias de costumbre y jugó durante dos horas como si no hubiera hecho otra cosa toda la vida. Ni siquiera preguntó a la señora Olivia cómo sabía que a él le gustaba el ajedrez. Verdad es que ella habríase encontrado llena de perplejidad ante esa pregunta.

La diferencia de edades había concluido por desaparecer para aquellos dos seres. Ambos tenían blancas las cabezas, y esto les bastaba. Tal vez la misma diferencia de lo sexos ya no existía en ellos; sino corno un razón de cortesía. La señora Olivia conservábase fresca, pues estaba cubierta por una doble nieve: la virginidad y la vejez. Aun sonreía muy bien; y para colmo de gracia apostataba de los anteojos. Su palabra era fluida y su cuerpo delgado. La vida no la aplastaba con su peso de años redondamente vividos; al contrario, la abandonaba, esto volvíala translúcida y ligera. No podía decirse, en realidad, que fuese vieja; apenas advertíanse sus canas.

Emilio, sí, estaba viejo; mas no parecía un abuelo. Carecía de esa plácida majestad de los ancianos satisfactoriamente reproducidos. Era un viejo caballero que podía ser novio aún. Sus cabellos blancos, su barba blanca, su talante un poco estirado, mas lleno de varonil elegancia, sus trajes irreprochables, sus guantes, constituían un ideal de corrección. Llevando un niño de mano, hubiéranlo tomado por un fresco viudo; pretendiendo una señorita de veinticinco años, habrían tenido que alabar su amable cordura.

Su tía y él eran dos mármoles perfectamente aseados. Por dentro, eran dos ingenuidades que disimulaban con bien llevada altivez candores tardíos. La delicadeza de la anciana encubría un estupor infantil; la frialdad del sobrino velaba una desconfianza de adolescente.

Además, hablaban en términos literarios, hacían frases como las personas ilustradas y cortas de genio que no han gozado las intimidades del amor, ese gran valorizador de simplicidades. También eran románticos.

Precisamente, hacía tres meses que Emilio regaló a su tía un ruiseñor importado a mucho costo de Praga, por los cuidados del famoso pajarero Gotlieb Waneck, y en una legítima jaula de Guido Findeis, de Viena. Dos noches antes, el pájaro cantó, y ésta fue la noticia con que la señora Olivia había sorprendido a su sobrino un martes por la noche, mientras ocupaban sus casillas las piezas del ajedrez. Emilio, galante como siempre, traía para el pájaro un alimento especial: la composición de M. Duquesne. de l’Eure; pues, en punto a crianza, prefería los métodos franceses.

Aquel ruiseñor fue un tema de que se asieron ansiosamente, cansados ya por un año de plática sin asunto. Y del ruiseñor… ¡a Shakespeare!

-En Verona -decía la señora Olivia- aprendí, precisamente, a preferir la alondra; como que, al fin mujer, había de quedarme con la centinela de Romeo. Profésanle allí una predilección singular, llamándola, familiarmente, la Cappellata.

-Pero este ruiseñor -afirmó Emilio- no es de los veroneses. Es la clásica Filomela, ruiseñor alemán, el único pájaro quecompone, variando incesantemente su canto; mientras aquellos recitan estrofas hechas. Un verdadero compatriota de Beethoven.

¿Cuánto tiempo hablaron?… La luna primaveral que había estado mirándolos desde el patio, veíalos ahora desde la calle. Y Emilio contaba una cosa triste y suave como la flores secas de un pasado galardón. ¿Recordaba ella cuando la tifoidea lo postró en cama, siendo muy niño aún, de doce años creía? Ella fue su enfermera -se desveló tanto por él!… Miraba todavía sus ojeras, sus cabellos desgarbados por el insomnio en ondas flavas de fragante opulencia. Él sabía por los dichos de los otros, de los grandes, que era bella, aunque no se daba bien cuenta de lo que venía a ser una mujer hermosa. Pero la quería mucho, eso sí, como una hermana que fuese al mismo tiempo una princesa. Su andar armonioso, su cintura, llenábanlo ante ella de turbado respeto. Poníase orgulloso de acompañarla; y por esto, siempre que iba a su lado, estaba tan serio. Durante sus delirios febriles, fue la única persona que no viera deformada en contorsiones espeluznantes; y cuando vino la convalecencia, una siesta -llevaba ella un vestido a cuadritos blancos y negros- el niño, repentinamente virilizado por la enfermedad, comprendió que el amor de su tía le ocupaba el corazón con la obscura angustia de un miedo. Fue una religión lo que sintió entonces por ella durante dos años de silencio, siempre contenidos por su pantalón corto y su boina de alumno, ridículos para el amor…

Después, el colegio, los viajes, el regreso -¡y siempre esa extraña pasión poseyéndole el alma! Se hizo misántropo… ¡y cómo no! Esterilizó su vida, gastó el perfume de ese amor de niño concentrado por la edad, inútilmente, como un grano de incienso quemado al azar en el brasero de una chalequera dormida… Mas ¿para qué le estaba él diciendo todo eso?…

El silencio del saloncito se volvió angustioso. Con la mano apoyada en la mejilla, la tía y el sobrino, separados apenas por el tablero donde las piezas inmóviles eternizaban abortados problemas, parecían dormir. Allá en el alma del hombre, en una obscuridad espantosamente uniforme, derrumbábanse grandes montañas de hielo. Y la señora Olivia meditaba también. Sí, fue tal como él lo decía. Ella estaba en la trágica crisis mental de los veintinueve años. Aquel chiquillo la interesaba; pero ella descubrió primero que ese interés era un amor descabellado, imposible, una tentación quizá. Una noche deliraba mucho el pobrecito; los médicos presagiaban cosas siniestras con sus caras graves. Llorábase en la casa, sin ocultarlo ya. Entonces sus desvelos de tía, sus sobresaltos de vulgar ternura, reventaron en pedazos su desabrida corteza. Loca sin saber lo que hacía, corrió a la pieza contigua, y allá, desarraigándosele el corazón en sollozos, se comió a besos, locamente, el retrato del enfermo. Fue un relámpago, pero de aquel deslumbramiento no volvió jamás. ¡Y hacía cuarenta años de eso, Dios mío! Cuarenta años de amarlo en secreto consagrándole su virginidad, como él le había consagrado también su alma. ¡Qué delicada altivez surgía de ese doble sacrificio, qué dicha no haberse muerto desconociéndolo!

Poco a poco, un nebuloso desvarío ganó la conciencia de la anciana. Los años, las canas, el influjo de las conveniencias, fueron desvaneciéndose. Ya no había sino dos almas, resumiendo en una sola actualidad de amor, el ayer y el mañana. Y la niña, intacta bajo la dulce nieve de su vejez incompleta, se desahogó en un balbuceo:

-Emilio… yo también…

Él tuvo un estremecimiento casi imperceptible, que hizo palpitar, sin abrirlos, sus párpados entornados. Allá dentro, en la negrura remota, las montañas de hielo continuaban derrumbándose. Y pasó otra hora de silencio. Emilio… Olivia… suspiraban los rumores indecisos de la noche. La luna iluminaba aquella migaja de tragedia en la impasibilidad de los astros eternos.

Inmediato a ellos, sobre el piano, un viejo Shakespeare perpetuaba en menudas letras las palabras celestes del drama inmortal. En la blancura luminosa de la noche, muy lejos, muy lejos, diseñábanse inalcanzables Veronas. Y como para completar la ilusión dolorosa que envolvía las dos viejas almas en un recuerdo de amores irremediablemente perdidos, el ruiseñor, de pronto, se puso a cantar.

Espectral como un resucitado, Emilio abandonó bruscamente su silla. Y ya de pie, estremecidos por algo que era una especie de inefable horror, la señora Olivia y él se contemplaron. Debía de ser muy tarde, y tal vez no fuese correcto permanecer más tiempo juntos…

Era la primera vez que se les antojaba aquello. No advertían, siquiera, que fuese ridículo, pues dominábalos la emoción de su paraíso comprendido. Mas la luna, propicia por lo común a los hechizos, rompió esta vez el encanto. Uno de sus rayos dio sobre la cabeza de la anciana, y en los labios del hombre sonrió, entonces, la muerte. ¡Blancos! ¡Sí, estaban blancos, como los suyos, esos cabellos cuya opulencia fragante recordaba aún a través de tanto tiempo! Era Shakespeare el que tenía la culpa. ¡Quién lo creyera! ¡Tomar a lo serio un amor que representaba el formidable total de ciento veinte años!

El ruiseñor cantaba… Cantaba, sin duda, los lloros cristalinos de su ausencia, las endechas armoniosas de su viudez.

Una viva trisadura de cristal mordía lentamente los dos viejos corazones. De pie, frente a frente, no sabían qué decirse ni cómo escapar al prestigio que los embargaba. Y fue ella la que tuvo valor por fin, la que asumió heroicamente esa situación de tragedia absurda (porque, después de todo, no sabía que la luna le estaba dando en la cabeza). Como Emilio hiciera un movimiento para retirarse:

-Quédate; ya tienen bastante con los cuarenta años de vida que les hemos dado.

Es probable que el destino estuviera incluido en ese plural.

Bajo el bigote de Emilio se estiró una sonrisa escuálida como un cadáver. El lenguaje literario se le vino a la boca, y con una melancólica ironía que aceptaba todos los fracasos del destino, hizo una paráfrasis de Shakespeare:

-No, mi pobre tía, el rocío nocturno hace daño a los viejos. El ruiseñor ha cantado ya, y el ruiseñor es la alondra de la media noche…

FIN

 LEOPOLDO LUGONES


Biblioteca Digital Ciudad Seva

Hasta siempre

Hasta siempre,
canción de Carlos Puebla,
interpretada por los Olimareños
para cantarla juntos
Hasta siempre
Aprendimos a quererte
desde la histórica altura
donde el sol de tu bravura
le puso cerco a la muerte.
Aquí se queda la clara,
la entrañable transparencia
de tu querida presencia,
Comandante Che Guevara.
Tu mano gloriosa y fuerte
sobre la historia dispara
cuando todo Santa Clara
se despierta para verte.
Vienes quemando la brisa
con soles de primavera
para plantar la bandera
con la luz de tu sonrisa.
Tu amor revolucionario
te conduce a nueva empresa
donde esperan la firmeza
de tu brazo libertario.
Seguiremos adelante
como junto a ti seguimos,
y con Fidel te decimos:
¡Hasta siempre, Comandante!

Carlos Puebla

Un momento de felicidad


Un momento de felicidad,
tú y yo sentados en la varanda,
aparentemente dos, pero uno en alma, tú y yo.
sentimos el Agua de Vida que fluye aquí,
tú y yo, con la belleza del jardín
y el canto de las aves.
Las estrellas nos mirarán,
y les mostraremos
lo que es ser una fina luna creciente.
Tú y yo fuera de nosotros mismos, estaremos juntos,
indiferentes a conjeturas inútiles, tú y yo.
Los papagayos del paraíso harán el azúcar crujir
mientras reímos juntos tú yo.
de una forma en este mundo,
y de otra en una dulce tierra sin tiempo.

RUMI


Biblioteca Digital Ciudad Seva

Expressões idiomáticas alemãs

Weichei (Ei = ovo; weich = mole) ninguém gosta. Ovo mole na linguagem coloquial significa uma pessoa medrosa, que não tem opinião própria e evita situações perigosas ou desagradáveis.

Schlusslicht ninguém quer! Em seu sentido original, a palavra Schlusslicht (Licht = luz, Schluss = final) significa "luz traseira, lanterna traseira". Mas, usada ironicamente, significa "último colocado", “lanterninha”.

Helikoptermutter (Mutter = mãe, Helikopter = helicóptero). A "mãe helicóptero" quase não tem vida própria. Seu cotidiano gira única e exclusivamente em torno do pimpolho.

Seemannsgarn (Garn = fio, Seemann = marinheiro). E ainda completa com o ditado "quem tece com fio de marinheiro tem sempre muito o que contar".

Prügelknabe (Knabe = garoto; Prügel =surra) tenha surgido na Europa do século 17. As crianças brincavam juntas, nobres e plebeus. Porém, se acontecesse alguma coisa errada, um vaso partido, um brinquedo quebrado, uma roupa estragada, quem era castigado, quem levava a surra? O garoto plebeu! Prügelknabe significa “bode expiatório”, aquele que leva a culpa pelo mal feito.

O Bürohengst (Hengst = garanhão; Büro = escritório) por exemplo, ganhou este apelido de "garanhão do escritório" justamente por sua dedicação exagerada ao trabalho.

Patentrezept! Uma receita que seja infalível para resolver problemas. Mas, como já sabemos, na maioria dos casos isso é pura ilusão.

Antigamente na Alemanha, quem não podia pagar os gastos de um processo tinha que apresentar um atestado que comprovasse sua pobreza. Hoje, o "Armutszeugnis" (Zeugnis = atestado, certificado; Armut = pobreza) não é mais usado, mas a expressão ficou e é empregada para definir fraqueza de caráter ou incapacidade de fazer algo.

1992: Morre o ex-chanceler alemão Willy Brandt

ALEMANHA 60 ANOS: ACONTECIMENTOS QUE MARCARAM A HISTÓRIA DO PAÍS1949: 

Toma posse o primeiro presidente alemão1949: Promulgada a Lei Fundamental Alemã1949: Primeira Feira do Livro de Frankfurt1954: Alemanha ganha a Copa do Mundo1957: Equiparação dos direitos da mulher na Alemanha1957: Inauguração da Interbau em Berlim1961: Construção do Muro de Berlim1962: Fundação da Schaubühne de Berlim1963: Tratado da amizade franco-alemã1963: Começa "Julgamento de Auschwitz"1968: Atentado contra Rudi Dutschke1968: Atentados incendiários em Frankfurt1969: Willy Brandt vence as eleições federais1971: Cineastas alemães criam cooperativa do filme1971: Tratado das Quatro Potências sobre Berlim1972: Beuys demitido da Academia de Belas Artes1972: Atentado na vila olímpica em Munique1974: Helmut Schmidt torna-se chanceler federal1975: Começa julgamento de líderes da RAF1976: Ulrike Meinhof é encontrada morta na prisão1977: Terroristas alemães se suicidam na prisão1982: Morre o cineasta alemão Fassbinder1983: Stern publica os "Diários de Hitler"1984: Suborno derruba presidente do Parlamento alemão1988: Daimler-Benz indeniza trabalhadores forçados sob o regime nazista1989: Bomba da RAF mata banqueiro Alfred Herrhausen1989: A queda do Muro de Berlim1990: Kohl e Gorbatchov se reúnem no Cáucaso1990: Eleições livres para o Parlamento da Alemanha Oriental1991: Direitos iguais de sobrenome na Alemanha1992: Morre o ex-chanceler alemão Willy Brandt1993: Atentado incendiário xenófobo em Solingen1993: Restrições na lei de asilo político1994: Christo pode empacotar o Reichstag1994: Condenado espião alemão-oriental1998: Grupo terrorista alemão RAF anuncia dissolução2002: Morre primeiro ídolo do futebol alemão2007: Morre o fotógrafo Bernd Becher2008: Ano de grandes decisões e surpresas para cultura na Alemanha

O primeiro chanceler federal social-democrata pós-guerra morreu em Bonn, no dia 8 de outubro de 1992. Willy Brandt, Nobel da Paz de 1971, destacou-se pela aproximação com o Leste Europeu durante a Guerra Fria.


Herbert Ernst Karl Frahm nasceu a 18 de dezembro de 1913 em Lübeck, no norte da Alemanha. Com 18 anos, filiou-se ao Partido Socialista Trabalhista (SAP). Após a ascensão dos nazistas ao poder, em 1933, emigrou para a Noruega e, por razões de segurança, adotou o codinome Willy Brandt, que assumiu oficialmente em 1949.

Em Oslo, trabalhou como jornalista e estudou História. De 1936 até ser descoberto e expatriado, dois anos depois, viveu clandestinamente em Berlim, como universitário norueguês, participando da reorganização de seu antigo partido. Esteve na Guerra Civil Espanhola em 1937 como observador político e jornalista.
Quando obteve a cidadania norueguesa, no ano de 1940, a invasão da Noruega pelas tropas alemãs o obrigou a fugir para a Suécia. Depois do final da Segunda Guerra Mundial, retornou à Alemanha para escrever reportagens sobre os julgamentos de Nurembergue. A partir de 1947, trabalhou como adido de imprensa na representação da Noruega em Berlim.

Após receber de volta a cidadania alemã, em 1948, retomou a carreira política no Partido Social-Democrata (SPD), cuja vice-presidência assumiu na cidade de Berlim Ocidental. Entre 1949 e 1957, Willy Brandt esteve no Bundestag, o Parlamento alemão. Ainda em 1957, assumiu a prefeitura de Berlim, cargo que ocupou até 1966. Entre 1964 e 1987, foi presidente do SPD e, depois, presidente de honra do partido.
Confrontado com o ultimato soviético a Berlim Ocidental em 1958 e a construção do Muro, em 1961, Brandt começou a se projetar no cenário político internacional.

Em 1966 foi ministro das Relações Exteriores no governo de coalizão com os democrata-cristãos, chefiado por Kurt Georg Kiesinger (1966-1969). A meta de Brandt foi melhorar as relações com os vizinhos do Leste Europeu, isolados atrás da Cortina de Ferro.

Aproximação com o Leste

Em 1969 foi eleito chanceler federal, tornando-se o quarto chefe de governo da Alemanha depois da Segunda Guerra Mundial. Com o apoio de seu ministro do Exterior, Walter Scheel, prosseguiu com a "política da mudança através da aproximação". Ao ficar de joelhos no Gueto de Varsóvia, em 1970, e fazer uma visita a Israel em 1973, comoveu o mundo.
Nos meses de março e maio de 1970, participou de dois encontros interalemães, que serviram de base para a normalização das relações entre a República Federal da Alemanha (RFA) e a República Democrática Alemã (RDA).

Em agosto e dezembro do mesmo ano, seguiram as assinaturas dos tratados de Moscou e de Varsóvia, precursores dos acordos entre as quatro potências, em 1971; do acordo-base de relacionamento entre os dois Estados alemães (1972); e do acordo teuto-checo, de 1973. Esta política conciliadora lhe valeu o Prêmio Nobel da Paz em 1971.

Em 1974, Willy Brandt renunciou ao cargo em consequência de um caso de espionagem. Mas continuou ativo na política internacional: entre 1979 e 1983, foi membro do Parlamento Europeu; de 1976 a 1992, presidente da Internacional Socialista e, entre 1977 e 1989, da Comissão Norte-Sul. Ele faleceu em 8 de outubro de 1992 em Unkel, ao sul de Bonn. (rw)

1973: Willy Brandt em Israel
No dia 7 de junho de 1973, o então chanceler federal alemão Willy Brandt chegou a Israel para sua primeira visita oficial ao país. 
1971: Willy Brandt ganha Prêmio Nobel da Paz
A 20 de outubro de 1971, foi anunciada a escolha do então chefe de governo alemão para o Nobel, pela reconciliação entre as duas Alemanhas. 
1970: Brandt de joelhos em Varsóvia
No dia 7 de dezembro de 1970, o chanceler federal Willy Brandt e seu ministro do Exterior, Walter Scheel, assinaram na capital da Polônia o acordo de normalização das relações teuto-polonesas, o Acordo de Varsóvia. 
1970: Willy Brandt visita a Alemanha Oriental
No dia 19 de março de 1970, o então chefe do governo da Alemanha Ocidental, Willy Brandt, visitou a Alemanha Oriental. 
1969: Willy Brandt vence as eleições federais
No dia 28 de setembro de 1969, Willy Brandt foi eleito o primeiro chanceler federal social-democrata da Alemanha do pós-guerra. 
Autoria
1973: Termina a guerra do Vietnã 27.01.2016
Em 27 de janeiro de 1973, representantes do Vietnã do Norte e do Sul, bem como dos Estados Unidos, assinaram em Paris um difícil acordo que pôs fim à guerra do Vietnã.
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1971: Willy Brandt ganha o Prêmio Nobel da Paz 20.10.2014
Em 20 de outubro de 1971, o Comitê Norueguês do Nobel anunciou a escolha do então chanceler federal alemão, Willy Brandt, para o Nobel da Paz, pela sua política de reconciliação com o Leste Europeu.

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domingo, 2 de outubro de 2016



Acho que o voto em candidatos de esquerda com viabilidade é a decisão mas correta para mostrar que as previsões das cassandras não se realizaram nestas eleições municipais.A subida de Haddad depois do massacre midiático mostra que existe um pouco de bom senso no eleitorado. As cidades chaves nesta eleição São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Recife. Infelizmente Belo Horizonte não está nesta lista herança da decisão errada de lançar Márcio Lacerda candidato a prefeito há oito anos atrás. Eu acho que os candidatos viáveis são Haddad, Freixo, Raul Pont e João Paulo. Entre todos eles, certamente o Haddad é o mais importante pela centralidade que São Paulo teve em todos os eventos recentes de junho de 2013 até o impeachment. Acho que ele é o grande renovador do campo de esquerda, seja nas ciclovias, seja na política anti-drogas. Mostrou-se também um excelente administrador com a renegociação da dívida da cidade com o governo federal. Haddad é o melhor símbolo das transformações urgentes que o PT e toda a esquerda tem que passar.

Leonardo Avritzer
Eu defini o meu voto de amanhã no PT já em 1982. Desde aquele ano eleitoral, quando eu era calouro de Ciências Sociais no prédio histórico do IFCS-UFRJ, o meu voto se mantém, atualiza e se renova na mesma proposta de mudança essencialmente necessária, competitiva e questionadora no amplo rio-mar, partido-movimento social do Partido dos Trabalhadores, cujo prazo de validade nacional ainda não se encerrou no presente ciclo histórico da nossa geração, hoje cinquentenária, de jovens sonhadores da abertura das diretas já. A pauta de mudanças é de certa maneira ainda a mesmíssima desde a década de 1920, a construção de uma democracia, um Brasil-Nação moderno, inclusivo, social, menos desigual e com instituições válidas. Todos os golpes e retrocessos, como o de 1935, 1954, 1964 e 2016 apenas revelam um país atolado na lama dos seus velhos problemas estruturais da desigualdade, dos grupos sociais mais exploradores, corruptos e enganadores, que não tiveram força partidária e eleitoral para derrotarem o projeto modernizador de esquerda, apelando em 1964 aos militares-legislativo e em 2016 ao judiciário-legislativo, sempre com apoios na mídia oligárquica das mais atrasadas do mundo. O recuo do PT nas eleições municipais será do tamanho do retesamento da flecha a ser lançada nas eleições de 2018. O PT continuará de longe o maior partido de esquerda e com muito mais capacidades, quando mais uma vez, como em 1930, 1950, 1963, 1982, 2002, o novo terá outra oportunidade de mando no jogo e esperamos que desta vez vença, desatole de vez o Brasil das lamas centenárias do atraso, com novas atitudes e políticas. Uma grande reforma política urge acontecer, as crises e rejeição dos golpistas serão agora os principais fatores mobilizadores junto ao povo brasileiro. O novo só se adia para voltar com mais força e urgência

Ricardo Costa de Oliveira

LA PEQUEÑA ORFANDAD


La pequeña orfandad que nos define
radica en que no somos la respuesta
a nada establecido. La pequeña orfandad
que no tiene raíces sino ramas sin tallo
y sin árbol a veces.
La pequeña orfandad no de la vida
ni de la muerte ni siquiera del estado
de izarnos del vacío.
Ese hilo sin hilo
que nos falta.
©Antonio Arroyo Silva
Química del error.

"Estrela de judeu", símbolo de discriminação e morte

Há 75 anos, os nazistas decretavam para todos os judeus o uso da estrela de seis pontas sobre fundo amarelo. Ela se tornou um estigma de sua exclusão da sociedade e, mais tarde, do próprio Holocausto.


 A partir de 1941, estrela amarela passou a ser obrigatória para cidadãos judeus na Alemanha nazista

Em sua origem, a estrela de Davi não representa um estigma, nem é um símbolo exclusivamente judeu. No entanto, desde a época do nazismo na Alemanha, a insígnia de seis pontas passou a ser associada ao Holocausto.

Com as Leis Raciais de Nurembergue, de 1935, os judeus passaram a ser cada vez mais excluídos da vida social. A legislação estipulava meticulosamente quem era judeu puro, meio-judeu, mestiço judeu de primeiro ou segundo grau, ou "suposto judeu" (Volljude, Halbjude, jüdischer Mischling ersten oder zweiten Grades, "Geltungsjude"). Mais tarde, a maioria deles seria obrigada a usar uma estrela amarela no peito.
"Tornar o inimigo interno visível"

Já antes da guerra, Reinhard Heydrich, chefe do Departamento Central de Segurança do Reich, especulava como os "inimigos internos" da Alemanha poderiam se tornar "visíveis para todo o mundo".

Reinhard Heydrich foi o "inventor" da estrela amarela para identificar judeus

Pouco depois da Noite dos Cristais, em novembro de 1938, quando em toda a Alemanha se incendiaram sinagogas e lojas de propriedade judaica foram depredadas, Heydrich escreveu: "Todo judeu nos termos das Leis de Nurembergue deve usar um determinado distintivo. Essa é uma possibilidade que facilita bastante muitas outras coisas."

Para o regime nacional-socialista, mais tarde a medida facilitaria sobretudo a localização dos judeus e sua deportação para campos de concentração, e não só na própria Alemanha.

Já no início da guerra, em setembro de 1939, impôs-se aos judeus na Polônia ocupada que usassem uma braçadeira branca com a estrela, na época ainda azul. À medida que a campanha de ocupação territorial avançava, os nazistas levaram para outros países a rotulagem obrigatória da população judaica.

De início, Hitler hesitou

Antes da guerra, o regime ainda se mostrava reticente. Em 1937, constatava-se uma hesitação tática mesmo de Adolf Hitler, ao declarar diante de funcionários do Partido Nacional-Socialista (NSDAP): "O problema da identificação já está sendo continuamente considerado há dois, três anos e, de um modo ou de outro, um dia será posto em prática, é claro. [...] É preciso agora ter o faro para perceber: 'O que eu posso fazer, o que não posso?'"

Àquela altura, para fora o ditador ainda se mostrava aberto a concessões, obviamente temendo uma reação internacional forte. Contudo, depois do início da guerra, as inibições se foram. Em 1941 o ministro da Propaganda Josef Goebbels sugeriu novamente a Hitler a identificação dos judeus, recebendo a permissão para tal em meados de agosto.
Em 1° de setembro de 1941 entrava em vigor a nova portaria policial. Ela especificava detalhadamente: "A estrela pintada de preto sobre um fundo de tecido amarelo, do tamanho de um pires de mão, com o dizer 'Jude' [...] deverá ser portada de forma visível, costurada sobre o peito esquerdo da vestimenta."
A portaria valia para todos os cidadãos judeus nos termos das Leis de Nurembergue, a partir de seis anos de idade, os quais, a partir daí, estavam proibidos de "se mostrar em público sem a estrela judaica". Quem tentasse esconder a "Judenstern" sob uma pasta, a lapela do casaco ou um cachecol, por exemplo, estava sujeito a punições severas por parte da Gestapo, que monitorava rigorosamente o uso visível do estigma.



Deportação de judeus teve início um mês após a obrigatoriedade do uso da estrela amarela

Preâmbulo para o Holocausto
A situação era desesperadora para os afetados. O filólogo e autor Victor Klemperer (1881-1960), embora viesse de família judia, se convertera ao protestantismo desde a Primeira Guerra. Mas isso não interessava aos nazistas: para eles, Klemperer era judeu. Em 1935, o especialista em línguas latinas perdeu sua cátedra em Dresden.

Ao ser obrigado a usar a estrela, ele escreveria em seu hoje célebre diário: "Ontem, quando Eva costurou a estrela judaica, um ataque de desespero alucinado em mim. Os nervos de Eva também estão nas últimas. [...] Eu próprio me sinto arrasado, não encontro equilíbrio."

Em 2013, a sobrevivente do Holocausto Ingre Deutschkron lembrou em cerimônia comemorativa no Parlamento alemão: "A maioria dos alemães com quem eu me deparava nas ruas de Berlim desviava o olhar quando percebia que eu usava a estrela, ou olhava através de mim, a estigmatizada, ou virava o rosto. [...] Sem dúvida, a estrela criou um isolamento discriminador para nós." Isolamento, discriminação, mas também controle.

A identificação por meio da estrela amarela era apenas o preparativo para o que os nazistas chamaram de "a solução final da questão judaica": o extermínio. Além do uso da insígnia, os judeus passaram a não poder mais deixar seus bairros sem permissão policial.

Assim se formou uma organização perfeita para o Holocausto. Não por acaso, em outubro de 1941, um mês apenas após a entrada em vigor da portaria, começava a deportação para os campos de extermínio. Victor Klemperer e Inge Deutschkron sobreviveram – milhões de outros, não.


1939: Programa nazista de extermínio
No dia 1º de setembro de 1939, os nazistas criaram um programa de extermínio que visava a eliminação de doentes incuráveis, idosos senis, deficientes físicos e doentes mentais. (01.09.2016) 



Autoria Christoph Hasselbach (ca)

Palavras-chave Estrela de Davi, Leis Raciais de Nurembergue, Josef Goebbels, Noite dos Cristais, Judenstern

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Em nome dos povos: os 70 anos dos julgamentos de Nurembergue


Nunca os vencedores de uma guerra haviam procedido como os Aliados contra os líderes nazistas: nem retaliação, nem um pacto de paz, mas um grande processo, desbravando terra virgem no direito internacional.


 Réus diante do tribunal militar em Nurembergue (1946)

Em 1º de outubro de 1946 foram proclamadas as sentenças do processo de Nurembergue: 22 dos réus nazistas foram condenados à morte na forca, sete a cumprir pena no presídio de Spandau para crimes de guerra, e três foram absolvidos.

Não se tratava apenas do ponto final de um grande processo, que envolvera a apresentação de 2.630 documentos e os depoimentos de 270 testemunhas, todos registrados em 27 mil metros de fita magnética e 7 mil discos fonográficos. Era também a conclusão de uma estreia jurídica mundial: um tribunal militar fizera justiça.

Nunca antes, déspotas haviam sido submetidos a um direito mais elevado do que eles. Em nome do direito internacional, a liderança hitlerista fora obrigada a assumir responsabilidade por seus atos, justamente em Nurembergue, a cidade das convenções partidárias e dos grandes desfiles propagandísticos dos nacional-socialistas. E não por eles terem perdido a Segunda Guerra Mundial, mas por a haverem iniciado.

Iniciativa dos Estados Unidos
Do ponto do vista jurídico, o processo era terra virgem. Nurembergue não teria sido possível sem um consenso básico entre os Aliados sobre como harmonizar os diferentes sistemas legais das potências vencedoras.

Um ano antes, portanto, criaram-se as bases jurídicas para o julgamento. Em 8 de agosto de 1945, na capital britânica, Estados Unidos, França, Reino Unido e União Soviética assinaram a Carta de Londres, um acordo de direito internacional estabelecendo a ordem processual a ser aplicada.

Segundo os participantes desses encontros, as seis semanas de deliberações foram caóticas, também do ponto de vista formal. Nesse contexto, foi importante ter uma mesa quadrada, em que as quatro potências pudessem acomodar suas delegações, numericamente idênticas.

A ideia de processar os líderes nazistas partira de Washington. Como força impulsionadora da ação, em plena guerra os americanos já dispunham de informações secretas sobre os crimes contra a população civil cometidos pelos alemães e seus aliados do Leste Europeu.

Local dos processos: sala 600 do Palácio da Justiça de Nurembergue
Uma nova ordem jurídica mundial
Três anos antes do julgamento, Robert Kempner, um dos promotores, se confrontara com a questão: como seria possível provar esses crimes? Em Nurembergue, contudo, constatou-se que a apresentação de provas não era o problema, já que os nazistas haviam documentado com minúcia burocrática grande parte das próprias atrocidades.

Bastava, então, condenar os culpados. Já em 1943, na Conferência de Teerã, o dirigente soviético Josef Stalin se pronunciara a favor de um processo sumário: reunir os 50 mil principais nazistas e fuzilá-los.
No fim, optou-se por um grande processo. Em Londres estipularam-se os pontos centrais da acusação: planejamento e execução de uma guerra de agressão, violação das leis marciais (ou seja: crimes de guerra) e crimes contra a humanidade. Esta última categoria jurídica fora especialmente criada nessa ocasião.

Desse modo, os Aliados estabeleciam uma ordem de direito internacional que vinha substituir os princípios da Paz da Vestfália de 1648, após o fim da Guerra dos Trinta Anos. Até então, os Estados soberanos podiam fazer o que quisessem com seus cidadãos, assim como guerrear enquanto se sentissem em condição de fazê-lo.
Com a Carta de Londres e o julgamento de Nurembergue, essa noção de direito foi abolida. Sabendo contar com o respaldo do presidente Harry Truman, o promotor-chefe dos Estados Unidos, Robert Jackson, tinha uma visão grandiosa: "a ordem do mundo segundo os princípios do Direito".
Réus seguros de si
Tratava-se de um empreendimento sem garantias de sucesso. Ainda durante os interrogatórios, Hermann Göring, comandante-chefe da Força Aérea alemã e principal líder nazista no banco dos réus de Nurembergue, acreditava-se juridicamente inatacável: "Tudo o que aconteceu no nosso país não é, em absoluto, da alçada dos senhores", zombou. Depois que ele se declarou inocente nos termos da acusação, o tribunal lhe vetou futuros pronunciamentos.

Seguro de si, o réu Hans Frank, ex-governador-geral da Polônia ocupada, sintetizou o dilema jurídico em questão em seu depoimento: era impossível fazer frente ao hitlerismo com meios legais, já que "o próprio Hitler se colocou de fora de toda ordem legal".

Avaliações como essa fizeram até o primeiro-ministro britânico Winston Churchill duvidar do projeto de Nurembergue, propondo que nazistas capturados fossem "fuzilados sem serem entregues a uma autoridade mais alta".


 Deutschland Nürnberger Prozesse (picture-alliance/dpa)
Principais acusados Hermann Göring, Rudolf Hess e Joachim von Ribbentrop

"Culpa de Hitler"
Os réus não se sentiam seguros apenas do ponto de vista da lei: uma constante em quase todos os depoimentos era a tentativa de relativizar a própria culpa ou de negá-la cabalmente, escondendo-se atrás de Adolf Hitler, como relataria Johann Schätzler, assistente da defesa de Rudolf Hess, vice-chanceler do Reich.
Contudo, essa estratégia inicial se esvaziou no decorrer do processo, depois que as revelações dos sobreviventes confirmaram a monstruosidade da máquina de destruição dos nazistas.

A confrontação com os fatos deixou marcas. Albert Speer, ministro do Armamento do gabinete nazista, decidiu cooperar e enviou uma carta ao chefe da acusação Robert Jackson. Hans Frank, que semeara morte na Polônia, adotou a religião e quis ser batizado na prisão. Rudolf Hess, o vice de Hitler, alegou ter perdido a memória.

Somente Hermann Göring representou consequentemente seu papel, falastrão, empedernido, vaidoso. E, no fim, covarde, escapando da execução através do suicídio.

De Nurembergue a Haia

Quando, 70 anos atrás, em 1º de outubro de 1946, o juiz britânico lord Geoffrey Lawrence encerrou o processo do século após a leitura das sentenças, sem qualquer discurso final, era a grande a esperança, entre os especialistas de direito penal e internacional de agora dispor de uma arma jurídica contra os crimes internacionais.

No entanto essa expectativa não se confirmou, em grande parte devido à Guerra Fria que se anunciava. Tal situação só se alterou em 1989 e 1991, quando os delitos contra civis na Iugoslávia e em Ruanda incentivaram a retomada da ideia de penalizar os crimes internacionais em massa.

Em Haia, Holanda, criaram-se dois tribunais para tratar especificamente das violações em cada um dos países, além da convenção sobre a Corte Penal Internacional. No entanto, a reativação de um tribunal internacional foi significativamente enfraquecida: por um lado, diversos Estados negaram seu apoio, por outro os EUA, China e Israel se recusaram a ratificar o estatuto da Corte.

Por isso continua indefinido se os veredictos de Haia jamais serão avaliados de forma tão positiva como os de Nurembergue. No entanto, para além das considerações jurídicas, 70 anos atrás "o Direito aconteceu" naquela cidade do sul da Alemanha – como resumiu o historiógrafo Karl Dietrich Erdmann.

Tribunais de Nurembergue promoveram o direito internacional
Exigindo que seus princípios legais fossem criados praticamente do zero, julgamento dos principais líderes nazistas em 1945 estabeleceu bases para julgar crimes internacionais, e influencia a consciência global até hoje. (06.08.2015) 
1945: Início dos julgamentos de Nurembergue
Poucos meses após o fim da Segunda Guerra Mundial e do suicídio de Adolf Hitler, alguns de seus principais colaboradores sentaram no banco dos réus, em 20 de novembro de 1945, para serem julgados por crimes de guerra. (01.01.1970) 
1946: Nazistas condenados pelo Tribunal de Nurembergue são executados
Em 16 de outubro de 1946 foram executadas em Nurembergue dez penas de morte contra representantes do regime nazista. Também condenado, Hermann Göring, o "nazista número 1", havia se suicidado na véspera. (01.01.1970) 


Data 01.10.2016

Autoria Volker Wagener
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