quarta-feira, 19 de outubro de 2016
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
sábado, 15 de outubro de 2016
naquela solidão, a fome o perseguia, tinha que comer alguma
coisa. 'o gato', 'óbvio', pensou. olhou o bichano que o olhava. 'coragem',
pensou. 'a criatura, pense que é só uma criatura'. então, a coisa preta se
esfregou em suas pernas. 'não, não teria coragem', pensou. 'melhor bater uma
punheta'. esfregou o dedo no sovaco e depois na virilha, depois cheirou,
iniciando o movimento. não adiantou; cortou o próprio dedo e fez uma
sopa."
in:
KATZELSSE, Ich. "Der katze". p1.
fonte : William Teca
quarta-feira, 12 de outubro de 2016
Com esse governo do golpe todo dia é um sete a um.
Na semana
em que foi aprovado a PEC dos gastos, que congelará o investimento nas áreas
sociais pelos próximos vinte anos promovendo um verdadeiro colapso nos serviços
públicos, o ministro da Educação, Mendonça Filho, afirmou no programa Roda Viva
que falta de verba não é o problema da educação no país.
Para falar tamanha besteira, o ministro deve ter se
consultado com os “especialistas” que o cercam, como o Alexandre Frota. Se
Mendonça Filho conversasse tão somente com um professor perceberia de imediato
o problema gravíssimo que existe na carreira docente no Brasil e também o
conjunto das dificuldades enfrentadas na educação.
Em relação à meta do Plano Nacional de Educação que prevê a
destinação de 10% do PIB, falou nas entrelinhas que não fará o que a lei manda
e justificou alegando que os ministros anteriores também não davam conta das
metas.
Ao optar pelo sucateamento deliberado da educação pública
desse país, os golpistas abrem espaço para a privatização. Na verdade, já vêm
dando indícios desse caminho. Cobrança em cursos de pós-graduação em
universidades públicas já foi aventada.
Temer, Medonça Filho e o conjunto dos golpistas querem
promover um Plano de Metas ao contrário: fazer o país retroceder décadas em
apenas dois anos.
Ivan Valente
http://educacao.uol.com.br/…/para-ministro-da-educacao-prob…
André Castelo Branco Machado
Se o país é como uma família e não pode gastar mais do que
ganha, como afirmou o ministro Henrique Meirelles em cadeia nacional, então
como deveriam atuar os nossos governantes? A prioridade seria sempre a comida
na mesa, saúde, moradia e educação para os filhos. Qualquer família fraterna
buscaria, como primeira medida, renegociar suas dívidas mais pesadas com os
bancos, como empréstimos que comprometessem metade das receitas do mês por
juros mais baixos, parcelas menores e contratos mais vantajosos. Mães ou pais
não diriam para seus filhos passarem por extremas privações por 20 anos sem
antes cortar todos os seus privilégios e daqueles que são sustentados pelos
seus recursos. Nem tampouco sairiam para jantar em um restaurante de luxo para
decidir cortar a comida dos seus filhos. Nada disso seria feito. Acredito que a
família a que se refere Meirelles é encabeçada por pessoas sem caráter,
manipuladoras, insensíveis, sádicas e que só pensam em si mesmas, sem qualquer
ligação afetiva com seus filhos. O governo ilegítimo do Temer está mudando a
Constituição para congelar gastos sociais e as pessoas mais vulneráveis ficarão
sem remédios, salários serão arrochados, escolas serão fechadas, entre muitas
outras mazelas. Esse modelo de país a que se refere o Meirelles é bem
diferentes das famílias reais do povo brasileiro, tão solidárias e fraternas,
que não abandonam seus filhos nos momentos em que mais precisam.
O BB chegou a 79 mil funcionários, em 2000, no governo FHC.
Se tornou um banco ineficiente, mesmo que as cartilhas neoliberais tenham como
mantra da eficiência o "downsizing" e o "turnover"
(enxugamento e rotatividade). Os bancos privados cresceram muito no espaço
deixado pelo BB. O banco esteve na mira da sua total privatização.
O Banco do Brasil voltou a crescer no governo Lula,
chegando, em 2008, a ter 115 mil funcionários e a ser o maior banco em ativos
do país. Jogou um papel central na adoção de medidas anticíclicas pelo governo
naquele ano.
O que será do banco mais enxuto? Quem ganhará se o BB voltar
novamente para a geladeira?
Acbm
sábado, 8 de outubro de 2016
Quando o feitiço vira contra o feiticeiro... rs
Para mim, beijar os teus pés nunca foi um problema,
descobrir as veredas, até chegar ao lóbulo da orelha.
E a cada beijo ver o quanto teu todo se redesenha:
novíssimo mar, branquíssimas pedras, virginal areia.
Beijar-te é pura renovação, é a arte que nos nomeia:
é sempre morrer náufrago e te fazer renascer sereia.
Jeferson Bandeira
"" Podem me colocar algemas
mesmo inerte, verão em meus olhos a resistência
não cederei aos que maculam nas sombras da noite
e seguirei como luz que busca a esperança
não me roubarão as vitórias que irei conquistar
nem me aprisionarão em pequenos albergues
quero a busca de dias melhores
quero irmãos de fato se amando
quero cores, vibrantes pinturas a enfeitar meus aranhas céus
posso passar como musica suave, mas sempre baterei meus
tambores avisando a todos um novo amanhã
e se amanhã for a vez adas minhas cinzas
que elas adubem algum jardim
não quero simplesmente ser amor,
mas espinhos para cutucar a mesmice de quem fica olhando
e só quer colher a flor...
Oscar De Jesus Klemz
Oscar.
Abuela Julieta
Cada vez más hundido en su misantropía, Emilio no conservaba
ya más que una amistad: la de su tía la señora Olivia, vieja solterona como él,
aunque veinte años mayor. Emilio tenía ya cincuenta años, lo cual quiere decir
que la señora Olivia frisaba en los setenta. Ricos ambos, y un poco tímidos, no
eran éstas las dos únicas condiciones que los asemejaban. Parecíanse también
por sus gustos aristocráticos, por su amor a los libros de buena literatura y
de viajes, por su concepto despreciativo del mundo, que era casi egoísta, por
su melancolía, mutuamente oculta, sin que se supiese bien la razón, en la
trivialidad chispeante de las conversaciones. Los martes y los jueves eran días
de ajedrez en casa de la señora Olivia, y Emilio concurría asiduamente, desde
hacía diez años, a esa tertulia familiar que nunca tuvo partícipes ni
variantes. No era extraño que el sobrino comiese con la tía los domingos; y por
esta y las anteriores causas desarrollose entre ellos una dulce amistad,
ligeramente velada de irónica tristeza, que no excluía el respeto un tanto
ceremonioso en él., ni la afabilidad un poco regañona en ella. Ambos hacían sin
esfuerzo su papel de parientes en el grado y con los modos que a cada cual
correspondían. Aunque habíanse referido todo cuanto les era de mutuo interés,
conservaban, como gentes bien educadas, el secreto de su tristeza. Por lo
demás, ya se sabe que todos los solterones son un poco tristes; y esto era lo
que se decían también para sus adentros Emilio y la señora Olivia, cuando
pensaban con el interés que se presume, ella en la misantropía de él, él en la
melancolía de ella. Los matrimonios de almas, mucho más frecuentes de lo que se
cree, no están consumados mientras el secreto de amargura que hay en cada uno
de los consortes espirituales, y que es como quien dice el pudor de la
tristeza, no se rinde al encanto confidencial de las intimidades. La señora
Olivia y su sobrino encontrábanse en un caso análogo. Si aquella tristeza que
se conocían, pero cuyo verdadero fundamento ignoraban, hubiéraseles revelado,
habrían comprobado con asombro que ya no tenían nada que decirse. Reservábanla,
sin embargo, por ese egoísmo de la amargura que es el rasgo característico de
los superiores, y también porque les proporcionaba cierta inquietud, preciosa
ante la perfecta amenaza de hastío que estaba en el fondo de sus días
solitarios. Un poco de misterio impide la confianza, escollo brutal de las
relaciones en que no hay amor. Así, por más que se tratara de dos viejos, la
señora Olivia era siempre tía, y Emilio se conservaba perpetuamente sobrino.
Cuarenta años atrás -recordaba la señora Olivia- aquel
muchacho sombríamente precoz, cuyo desbocado talento, unido a sordas
melancolías, hizo temer más de una vez por su existencia; aquel hombrecito,
huraño ya como ahora, era su amigo. No tenía esos risueños abandonos de los
niños en las rodillas del ser predilecto; pero miraba con unos ojos tan
tristes, su frente era tan alta y despejada, que lo quería y estimaba al mismo
tiempo. No se dio cuenta de los veinte años que le llevaba; considerolo su
amigo, empezando a comprender aquella diferencia sólo cuando lo vio regresar de
Alemania, terminada ya su carrera, hecho todo un señor ingeniero, que vino a
saludarla, muy respetuoso, muy amable, pero demasiado sobrino para que ella no
asumiera inmediatamente sus deberes de tía. Las relaciones estrecháronse
después, pero ya de otro modo. Ella, en su independencia orgullosa de solterona
rica, acogió amablemente al joven cuya misantropía le pareció interesante; y
cuando tres años después, éste se quedó huérfano, encontró en la casa de la
vieja dama, a pesar de las etiquetas y los cumplimientos, el calor de hogar, no
muy vivo, que le faltaba.
Por un acuerdo inconfeso aunque no menos evidente, fueron
cambiando con los años sus pasatiempos. Después de las conversaciones, la
música; después de la música, el ajedrez. Y de tal modo estaban compenetrados
sus pensamientos y sus gustos, que cuando una noche de sus cuarenta años,
Emilio encontró en el saloncito íntimo el tablero del juego junto al cerrado
piano, sin notar al parecer aquella clausura del instrumento que indicaba el
fin de toda una época, hizo sus reverencias de costumbre y jugó durante dos
horas como si no hubiera hecho otra cosa toda la vida. Ni siquiera preguntó a
la señora Olivia cómo sabía que a él le gustaba el ajedrez. Verdad es que ella
habríase encontrado llena de perplejidad ante esa pregunta.
La diferencia de edades había concluido por desaparecer para
aquellos dos seres. Ambos tenían blancas las cabezas, y esto les bastaba. Tal
vez la misma diferencia de lo sexos ya no existía en ellos; sino corno un razón
de cortesía. La señora Olivia conservábase fresca, pues estaba cubierta por una
doble nieve: la virginidad y la vejez. Aun sonreía muy bien; y para colmo de
gracia apostataba de los anteojos. Su palabra era fluida y su cuerpo delgado.
La vida no la aplastaba con su peso de años redondamente vividos; al contrario,
la abandonaba, esto volvíala translúcida y ligera. No podía decirse, en
realidad, que fuese vieja; apenas advertíanse sus canas.
Emilio, sí, estaba viejo; mas no parecía un abuelo. Carecía
de esa plácida majestad de los ancianos satisfactoriamente reproducidos. Era un
viejo caballero que podía ser novio aún. Sus cabellos blancos, su barba blanca,
su talante un poco estirado, mas lleno de varonil elegancia, sus trajes
irreprochables, sus guantes, constituían un ideal de corrección. Llevando un
niño de mano, hubiéranlo tomado por un fresco viudo; pretendiendo una señorita
de veinticinco años, habrían tenido que alabar su amable cordura.
Su tía y él eran dos mármoles perfectamente aseados. Por
dentro, eran dos ingenuidades que disimulaban con bien llevada altivez candores
tardíos. La delicadeza de la anciana encubría un estupor infantil; la frialdad
del sobrino velaba una desconfianza de adolescente.
Además, hablaban en términos literarios, hacían frases como
las personas ilustradas y cortas de genio que no han gozado las intimidades del
amor, ese gran valorizador de simplicidades. También eran románticos.
Precisamente, hacía tres meses que Emilio regaló a su tía un
ruiseñor importado a mucho costo de Praga, por los cuidados del famoso pajarero
Gotlieb Waneck, y en una legítima jaula de Guido Findeis, de Viena. Dos noches
antes, el pájaro cantó, y ésta fue la noticia con que la señora Olivia había
sorprendido a su sobrino un martes por la noche, mientras ocupaban sus casillas
las piezas del ajedrez. Emilio, galante como siempre, traía para el pájaro un
alimento especial: la composición de M. Duquesne. de l’Eure; pues, en punto a
crianza, prefería los métodos franceses.
Aquel ruiseñor fue un tema de que se asieron ansiosamente,
cansados ya por un año de plática sin asunto. Y del ruiseñor… ¡a Shakespeare!
-En Verona -decía la señora Olivia- aprendí, precisamente, a
preferir la alondra; como que, al fin mujer, había de quedarme con la centinela
de Romeo. Profésanle allí una predilección singular, llamándola, familiarmente,
la Cappellata.
-Pero este ruiseñor -afirmó Emilio- no es de los veroneses.
Es la clásica Filomela, ruiseñor alemán, el único pájaro quecompone, variando
incesantemente su canto; mientras aquellos recitan estrofas hechas. Un
verdadero compatriota de Beethoven.
¿Cuánto tiempo hablaron?… La luna primaveral que había
estado mirándolos desde el patio, veíalos ahora desde la calle. Y Emilio
contaba una cosa triste y suave como la flores secas de un pasado galardón.
¿Recordaba ella cuando la tifoidea lo postró en cama, siendo muy niño aún, de
doce años creía? Ella fue su enfermera -se desveló tanto por él!… Miraba
todavía sus ojeras, sus cabellos desgarbados por el insomnio en ondas flavas de
fragante opulencia. Él sabía por los dichos de los otros, de los grandes, que
era bella, aunque no se daba bien cuenta de lo que venía a ser una mujer
hermosa. Pero la quería mucho, eso sí, como una hermana que fuese al mismo
tiempo una princesa. Su andar armonioso, su cintura, llenábanlo ante ella de
turbado respeto. Poníase orgulloso de acompañarla; y por esto, siempre que iba
a su lado, estaba tan serio. Durante sus delirios febriles, fue la única
persona que no viera deformada en contorsiones espeluznantes; y cuando vino la
convalecencia, una siesta -llevaba ella un vestido a cuadritos blancos y
negros- el niño, repentinamente virilizado por la enfermedad, comprendió que el
amor de su tía le ocupaba el corazón con la obscura angustia de un miedo. Fue
una religión lo que sintió entonces por ella durante dos años de silencio,
siempre contenidos por su pantalón corto y su boina de alumno, ridículos para
el amor…
Después, el colegio, los viajes, el regreso -¡y siempre esa
extraña pasión poseyéndole el alma! Se hizo misántropo… ¡y cómo no! Esterilizó
su vida, gastó el perfume de ese amor de niño concentrado por la edad,
inútilmente, como un grano de incienso quemado al azar en el brasero de una
chalequera dormida… Mas ¿para qué le estaba él diciendo todo eso?…
El silencio del saloncito se volvió angustioso. Con la mano
apoyada en la mejilla, la tía y el sobrino, separados apenas por el tablero
donde las piezas inmóviles eternizaban abortados problemas, parecían dormir.
Allá en el alma del hombre, en una obscuridad espantosamente uniforme,
derrumbábanse grandes montañas de hielo. Y la señora Olivia meditaba también.
Sí, fue tal como él lo decía. Ella estaba en la trágica crisis mental de los
veintinueve años. Aquel chiquillo la interesaba; pero ella descubrió primero
que ese interés era un amor descabellado, imposible, una tentación quizá. Una noche
deliraba mucho el pobrecito; los médicos presagiaban cosas siniestras con sus
caras graves. Llorábase en la casa, sin ocultarlo ya. Entonces sus desvelos de
tía, sus sobresaltos de vulgar ternura, reventaron en pedazos su desabrida
corteza. Loca sin saber lo que hacía, corrió a la pieza contigua, y allá,
desarraigándosele el corazón en sollozos, se comió a besos, locamente, el
retrato del enfermo. Fue un relámpago, pero de aquel deslumbramiento no volvió
jamás. ¡Y hacía cuarenta años de eso, Dios mío! Cuarenta años de amarlo en
secreto consagrándole su virginidad, como él le había consagrado también su
alma. ¡Qué delicada altivez surgía de ese doble sacrificio, qué dicha no
haberse muerto desconociéndolo!
Poco a poco, un nebuloso desvarío ganó la conciencia de la
anciana. Los años, las canas, el influjo de las conveniencias, fueron
desvaneciéndose. Ya no había sino dos almas, resumiendo en una sola actualidad
de amor, el ayer y el mañana. Y la niña, intacta bajo la dulce nieve de su
vejez incompleta, se desahogó en un balbuceo:
-Emilio… yo también…
Él tuvo un estremecimiento casi imperceptible, que hizo
palpitar, sin abrirlos, sus párpados entornados. Allá dentro, en la negrura
remota, las montañas de hielo continuaban derrumbándose. Y pasó otra hora de silencio.
Emilio… Olivia… suspiraban los rumores indecisos de la noche. La luna iluminaba
aquella migaja de tragedia en la impasibilidad de los astros eternos.
Inmediato a ellos, sobre el piano, un viejo Shakespeare
perpetuaba en menudas letras las palabras celestes del drama inmortal. En la
blancura luminosa de la noche, muy lejos, muy lejos, diseñábanse inalcanzables
Veronas. Y como para completar la ilusión dolorosa que envolvía las dos viejas
almas en un recuerdo de amores irremediablemente perdidos, el ruiseñor, de
pronto, se puso a cantar.
Espectral como un resucitado, Emilio abandonó bruscamente su
silla. Y ya de pie, estremecidos por algo que era una especie de inefable
horror, la señora Olivia y él se contemplaron. Debía de ser muy tarde, y tal vez
no fuese correcto permanecer más tiempo juntos…
Era la primera vez que se les antojaba aquello. No
advertían, siquiera, que fuese ridículo, pues dominábalos la emoción de su
paraíso comprendido. Mas la luna, propicia por lo común a los hechizos, rompió esta
vez el encanto. Uno de sus rayos dio sobre la cabeza de la anciana, y en los
labios del hombre sonrió, entonces, la muerte. ¡Blancos! ¡Sí, estaban blancos,
como los suyos, esos cabellos cuya opulencia fragante recordaba aún a través de
tanto tiempo! Era Shakespeare el que tenía la culpa. ¡Quién lo creyera! ¡Tomar
a lo serio un amor que representaba el formidable total de ciento veinte años!
El ruiseñor cantaba… Cantaba, sin duda, los lloros
cristalinos de su ausencia, las endechas armoniosas de su viudez.
Una viva trisadura de cristal mordía lentamente los dos
viejos corazones. De pie, frente a frente, no sabían qué decirse ni cómo
escapar al prestigio que los embargaba. Y fue ella la que tuvo valor por fin,
la que asumió heroicamente esa situación de tragedia absurda (porque, después
de todo, no sabía que la luna le estaba dando en la cabeza). Como Emilio
hiciera un movimiento para retirarse:
-Quédate; ya tienen bastante con los cuarenta años de vida
que les hemos dado.
Es probable que el destino estuviera incluido en ese plural.
Bajo el bigote de Emilio se estiró una sonrisa escuálida
como un cadáver. El lenguaje literario se le vino a la boca, y con una
melancólica ironía que aceptaba todos los fracasos del destino, hizo una
paráfrasis de Shakespeare:
-No, mi pobre tía, el rocío nocturno hace daño a los viejos.
El ruiseñor ha cantado ya, y el ruiseñor es la alondra de la media noche…
FIN
LEOPOLDO LUGONES
Biblioteca Digital Ciudad Seva
Hasta siempre
Hasta siempre,
canción de Carlos Puebla,
interpretada por los Olimareños
para cantarla juntos
Hasta siempre
Aprendimos a quererte
desde la histórica altura
donde el sol de tu bravura
le puso cerco a la muerte.
Aquí se queda la clara,
la entrañable transparencia
de tu querida presencia,
Comandante Che Guevara.
Tu mano gloriosa y fuerte
sobre la historia dispara
cuando todo Santa Clara
se despierta para verte.
Vienes quemando la brisa
con soles de primavera
para plantar la bandera
con la luz de tu sonrisa.
Tu amor revolucionario
te conduce a nueva empresa
donde esperan la firmeza
de tu brazo libertario.
Seguiremos adelante
como junto a ti seguimos,
y con Fidel te decimos:
¡Hasta siempre, Comandante!
Carlos Puebla
Un momento de felicidad
Un momento de felicidad,
tú y yo sentados en la varanda,
aparentemente dos, pero uno en alma, tú y yo.
sentimos el Agua de Vida que fluye aquí,
tú y yo, con la belleza del jardín
y el canto de las aves.
Las estrellas nos mirarán,
y les mostraremos
lo que es ser una fina luna creciente.
Tú y yo fuera de nosotros mismos, estaremos juntos,
indiferentes a conjeturas inútiles, tú y yo.
Los papagayos del paraíso harán el azúcar crujir
mientras reímos juntos tú yo.
de una forma en este mundo,
y de otra en una dulce tierra sin tiempo.
RUMI
Biblioteca Digital Ciudad Seva
Expressões idiomáticas alemãs
Weichei (Ei = ovo; weich = mole) ninguém gosta. Ovo mole na
linguagem coloquial significa uma pessoa medrosa, que não tem opinião própria e
evita situações perigosas ou desagradáveis.
Schlusslicht ninguém quer! Em seu sentido original, a
palavra Schlusslicht (Licht = luz, Schluss = final) significa "luz
traseira, lanterna traseira". Mas, usada ironicamente, significa
"último colocado", “lanterninha”.
Helikoptermutter
(Mutter = mãe, Helikopter = helicóptero). A "mãe helicóptero"
quase não tem vida própria. Seu cotidiano gira única e exclusivamente em torno
do pimpolho.
Seemannsgarn
(Garn = fio, Seemann = marinheiro). E ainda completa com o ditado
"quem tece com fio de marinheiro tem sempre muito o que contar".
Prügelknabe (Knabe = garoto; Prügel =surra) tenha surgido na
Europa do século 17. As crianças brincavam juntas, nobres e plebeus. Porém, se
acontecesse alguma coisa errada, um vaso partido, um brinquedo quebrado, uma
roupa estragada, quem era castigado, quem levava a surra? O garoto plebeu!
Prügelknabe significa “bode expiatório”, aquele que leva a culpa pelo mal
feito.
O Bürohengst (Hengst = garanhão; Büro = escritório) por
exemplo, ganhou este apelido de "garanhão do escritório" justamente
por sua dedicação exagerada ao trabalho.
Patentrezept! Uma receita que seja infalível para resolver
problemas. Mas, como já sabemos, na maioria dos casos isso é pura ilusão.
Antigamente na Alemanha, quem não podia pagar os gastos de
um processo tinha que apresentar um atestado que comprovasse sua pobreza. Hoje,
o "Armutszeugnis" (Zeugnis = atestado, certificado; Armut = pobreza)
não é mais usado, mas a expressão ficou e é empregada para definir fraqueza de
caráter ou incapacidade de fazer algo.
1992: Morre o ex-chanceler alemão Willy Brandt
ALEMANHA 60 ANOS: ACONTECIMENTOS QUE MARCARAM A HISTÓRIA DO
PAÍS1949:
Toma posse o primeiro presidente alemão1949: Promulgada a Lei
Fundamental Alemã1949: Primeira Feira do Livro de Frankfurt1954: Alemanha ganha
a Copa do Mundo1957: Equiparação dos direitos da mulher na Alemanha1957:
Inauguração da Interbau em Berlim1961: Construção do Muro de Berlim1962:
Fundação da Schaubühne de Berlim1963: Tratado da amizade franco-alemã1963:
Começa "Julgamento de Auschwitz"1968: Atentado contra Rudi Dutschke1968:
Atentados incendiários em Frankfurt1969: Willy Brandt vence as eleições
federais1971: Cineastas alemães criam cooperativa do filme1971: Tratado das
Quatro Potências sobre Berlim1972: Beuys demitido da Academia de Belas
Artes1972: Atentado na vila olímpica em Munique1974: Helmut Schmidt torna-se
chanceler federal1975: Começa julgamento de líderes da RAF1976: Ulrike Meinhof
é encontrada morta na prisão1977: Terroristas alemães se suicidam na
prisão1982: Morre o cineasta alemão Fassbinder1983: Stern publica os "Diários
de Hitler"1984: Suborno derruba presidente do Parlamento alemão1988:
Daimler-Benz indeniza trabalhadores forçados sob o regime nazista1989: Bomba da
RAF mata banqueiro Alfred Herrhausen1989: A queda do Muro de Berlim1990: Kohl e
Gorbatchov se reúnem no Cáucaso1990: Eleições livres para o Parlamento da
Alemanha Oriental1991: Direitos iguais de sobrenome na Alemanha1992: Morre o
ex-chanceler alemão Willy Brandt1993: Atentado incendiário xenófobo em
Solingen1993: Restrições na lei de asilo político1994: Christo pode empacotar o
Reichstag1994: Condenado espião alemão-oriental1998: Grupo terrorista alemão
RAF anuncia dissolução2002: Morre primeiro ídolo do futebol alemão2007: Morre o
fotógrafo Bernd Becher2008: Ano de grandes decisões e surpresas para cultura na
Alemanha
O primeiro chanceler federal social-democrata pós-guerra
morreu em Bonn, no dia 8 de outubro de 1992. Willy Brandt, Nobel da Paz de
1971, destacou-se pela aproximação com o Leste Europeu durante a Guerra Fria.
Herbert Ernst Karl Frahm nasceu a 18 de dezembro de 1913 em
Lübeck, no norte da Alemanha. Com 18 anos, filiou-se ao Partido Socialista
Trabalhista (SAP). Após a ascensão dos nazistas ao poder, em 1933, emigrou para
a Noruega e, por razões de segurança, adotou o codinome Willy Brandt, que
assumiu oficialmente em 1949.
Em Oslo, trabalhou como jornalista e estudou História. De
1936 até ser descoberto e expatriado, dois anos depois, viveu clandestinamente
em Berlim, como universitário norueguês, participando da reorganização de seu
antigo partido. Esteve na Guerra Civil Espanhola em 1937 como observador
político e jornalista.
Quando obteve a cidadania norueguesa, no ano de 1940, a
invasão da Noruega pelas tropas alemãs o obrigou a fugir para a Suécia. Depois
do final da Segunda Guerra Mundial, retornou à Alemanha para escrever
reportagens sobre os julgamentos de Nurembergue. A partir de 1947, trabalhou
como adido de imprensa na representação da Noruega em Berlim.
Após receber de volta a cidadania alemã, em 1948, retomou a
carreira política no Partido Social-Democrata (SPD), cuja vice-presidência
assumiu na cidade de Berlim Ocidental. Entre 1949 e 1957, Willy Brandt esteve
no Bundestag, o Parlamento alemão. Ainda em 1957, assumiu a prefeitura de
Berlim, cargo que ocupou até 1966. Entre 1964 e 1987, foi presidente do SPD e,
depois, presidente de honra do partido.
Confrontado com o ultimato soviético a Berlim Ocidental em
1958 e a construção do Muro, em 1961, Brandt começou a se projetar no cenário
político internacional.
Em 1966 foi ministro das Relações Exteriores no governo de
coalizão com os democrata-cristãos, chefiado por Kurt Georg Kiesinger
(1966-1969). A meta de Brandt foi melhorar as relações com os vizinhos do Leste
Europeu, isolados atrás da Cortina de Ferro.
Aproximação com o Leste
Em 1969 foi eleito chanceler federal, tornando-se o quarto
chefe de governo da Alemanha depois da Segunda Guerra Mundial. Com o apoio de
seu ministro do Exterior, Walter Scheel, prosseguiu com a "política da
mudança através da aproximação". Ao ficar de joelhos no Gueto de Varsóvia,
em 1970, e fazer uma visita a Israel em 1973, comoveu o mundo.
Nos meses de março e maio de 1970, participou de dois
encontros interalemães, que serviram de base para a normalização das relações
entre a República Federal da Alemanha (RFA) e a República Democrática Alemã
(RDA).
Em agosto e dezembro do mesmo ano, seguiram as assinaturas
dos tratados de Moscou e de Varsóvia, precursores dos acordos entre as quatro
potências, em 1971; do acordo-base de relacionamento entre os dois Estados
alemães (1972); e do acordo teuto-checo, de 1973. Esta política conciliadora
lhe valeu o Prêmio Nobel da Paz em 1971.
Em 1974, Willy Brandt renunciou ao cargo em consequência de
um caso de espionagem. Mas continuou ativo na política internacional: entre
1979 e 1983, foi membro do Parlamento Europeu; de 1976 a 1992, presidente da
Internacional Socialista e, entre 1977 e 1989, da Comissão Norte-Sul. Ele
faleceu em 8 de outubro de 1992 em Unkel, ao sul de Bonn. (rw)
1973: Willy Brandt em Israel
No dia 7 de junho de 1973, o então chanceler federal alemão
Willy Brandt chegou a Israel para sua primeira visita oficial ao país.
1971: Willy Brandt ganha Prêmio Nobel da Paz
A 20 de outubro de 1971, foi anunciada a escolha do então
chefe de governo alemão para o Nobel, pela reconciliação entre as duas
Alemanhas.
1970: Brandt de joelhos em Varsóvia
No dia 7 de dezembro de 1970, o chanceler federal Willy
Brandt e seu ministro do Exterior, Walter Scheel, assinaram na capital da
Polônia o acordo de normalização das relações teuto-polonesas, o Acordo de
Varsóvia.
1970: Willy Brandt visita a Alemanha Oriental
No dia 19 de março de 1970, o então chefe do governo da
Alemanha Ocidental, Willy Brandt, visitou a Alemanha Oriental.
1969: Willy Brandt vence as eleições federais
No dia 28 de setembro de 1969, Willy Brandt foi eleito o
primeiro chanceler federal social-democrata da Alemanha do pós-guerra.
Autoria
1973: Termina a guerra do Vietnã 27.01.2016
Em 27 de janeiro de 1973, representantes do Vietnã do Norte
e do Sul, bem como dos Estados Unidos, assinaram em Paris um difícil acordo que
pôs fim à guerra do Vietnã.
default
1971: Willy Brandt ganha o Prêmio Nobel da Paz 20.10.2014
Em 20 de outubro de 1971, o Comitê Norueguês do Nobel
anunciou a escolha do então chanceler federal alemão, Willy Brandt, para o
Nobel da Paz, pela sua política de reconciliação com o Leste Europeu.
© 2016 Deutsche Welle | Proteção de dados | Expediente |
Contato
domingo, 2 de outubro de 2016
Acho que o voto em candidatos de esquerda com viabilidade é
a decisão mas correta para mostrar que as previsões das cassandras não se
realizaram nestas eleições municipais.A subida de Haddad depois do massacre
midiático mostra que existe um pouco de bom senso no eleitorado. As cidades
chaves nesta eleição São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Recife.
Infelizmente Belo Horizonte não está nesta lista herança da decisão errada de
lançar Márcio Lacerda candidato a prefeito há oito anos atrás. Eu acho que os
candidatos viáveis são Haddad, Freixo, Raul Pont e João Paulo. Entre todos
eles, certamente o Haddad é o mais importante pela centralidade que São Paulo
teve em todos os eventos recentes de junho de 2013 até o impeachment. Acho que
ele é o grande renovador do campo de esquerda, seja nas ciclovias, seja na
política anti-drogas. Mostrou-se também um excelente administrador com a
renegociação da dívida da cidade com o governo federal. Haddad é o melhor
símbolo das transformações urgentes que o PT e toda a esquerda tem que passar.
Leonardo Avritzer
Eu defini o meu voto de amanhã no PT já em 1982. Desde
aquele ano eleitoral, quando eu era calouro de Ciências Sociais no prédio
histórico do IFCS-UFRJ, o meu voto se mantém, atualiza e se renova na mesma
proposta de mudança essencialmente necessária, competitiva e questionadora no
amplo rio-mar, partido-movimento social do Partido dos Trabalhadores, cujo
prazo de validade nacional ainda não se encerrou no presente ciclo histórico da
nossa geração, hoje cinquentenária, de jovens sonhadores da abertura das
diretas já. A pauta de mudanças é de certa maneira ainda a mesmíssima desde a
década de 1920, a construção de uma democracia, um Brasil-Nação moderno,
inclusivo, social, menos desigual e com instituições válidas. Todos os golpes e
retrocessos, como o de 1935, 1954, 1964 e 2016 apenas revelam um país atolado
na lama dos seus velhos problemas estruturais da desigualdade, dos grupos
sociais mais exploradores, corruptos e enganadores, que não tiveram força
partidária e eleitoral para derrotarem o projeto modernizador de esquerda,
apelando em 1964 aos militares-legislativo e em 2016 ao judiciário-legislativo,
sempre com apoios na mídia oligárquica das mais atrasadas do mundo. O recuo do
PT nas eleições municipais será do tamanho do retesamento da flecha a ser
lançada nas eleições de 2018. O PT continuará de longe o maior partido de
esquerda e com muito mais capacidades, quando mais uma vez, como em 1930, 1950,
1963, 1982, 2002, o novo terá outra oportunidade de mando no jogo e esperamos
que desta vez vença, desatole de vez o Brasil das lamas centenárias do atraso,
com novas atitudes e políticas. Uma grande reforma política urge acontecer, as
crises e rejeição dos golpistas serão agora os principais fatores mobilizadores
junto ao povo brasileiro. O novo só se adia para voltar com mais força e urgência
Ricardo Costa de Oliveira
LA PEQUEÑA ORFANDAD
La pequeña orfandad que nos define
radica en que no somos la respuesta
a nada establecido. La pequeña orfandad
que no tiene raíces sino ramas sin tallo
y sin árbol a veces.
radica en que no somos la respuesta
a nada establecido. La pequeña orfandad
que no tiene raíces sino ramas sin tallo
y sin árbol a veces.
La pequeña orfandad no de la vida
ni de la muerte ni siquiera del estado
de izarnos del vacío.
ni de la muerte ni siquiera del estado
de izarnos del vacío.
Ese hilo sin hilo
que nos falta.
que nos falta.
©Antonio Arroyo Silva
Química del error.
Química del error.
"Estrela de judeu", símbolo de discriminação e morte
Há 75 anos, os nazistas decretavam para todos os judeus o
uso da estrela de seis pontas sobre fundo amarelo. Ela se tornou um estigma de
sua exclusão da sociedade e, mais tarde, do próprio Holocausto.
A partir de 1941,
estrela amarela passou a ser obrigatória para cidadãos judeus na Alemanha
nazista
Em sua origem, a estrela de Davi não representa um estigma,
nem é um símbolo exclusivamente judeu. No entanto, desde a época do nazismo na
Alemanha, a insígnia de seis pontas passou a ser associada ao Holocausto.
Com as Leis Raciais de Nurembergue, de 1935, os judeus
passaram a ser cada vez mais excluídos da vida social. A legislação estipulava
meticulosamente quem era judeu puro, meio-judeu, mestiço judeu de primeiro ou
segundo grau, ou "suposto judeu" (Volljude, Halbjude, jüdischer
Mischling ersten oder zweiten Grades, "Geltungsjude"). Mais tarde, a
maioria deles seria obrigada a usar uma estrela amarela no peito.
"Tornar o inimigo interno visível"
Já antes da guerra, Reinhard Heydrich, chefe do Departamento
Central de Segurança do Reich, especulava como os "inimigos internos"
da Alemanha poderiam se tornar "visíveis para todo o mundo".
Reinhard Heydrich foi o "inventor" da estrela
amarela para identificar judeus
Pouco depois da Noite dos Cristais, em novembro de 1938,
quando em toda a Alemanha se incendiaram sinagogas e lojas de propriedade
judaica foram depredadas, Heydrich escreveu: "Todo judeu nos termos das
Leis de Nurembergue deve usar um determinado distintivo. Essa é uma
possibilidade que facilita bastante muitas outras coisas."
Para o regime nacional-socialista, mais tarde a medida
facilitaria sobretudo a localização dos judeus e sua deportação para campos de
concentração, e não só na própria Alemanha.
Já no início da guerra, em setembro de 1939, impôs-se aos
judeus na Polônia ocupada que usassem uma braçadeira branca com a estrela, na
época ainda azul. À medida que a campanha de ocupação territorial avançava, os
nazistas levaram para outros países a rotulagem obrigatória da população
judaica.
De início, Hitler hesitou
Antes da guerra, o regime ainda se mostrava reticente. Em
1937, constatava-se uma hesitação tática mesmo de Adolf Hitler, ao declarar
diante de funcionários do Partido Nacional-Socialista (NSDAP): "O problema
da identificação já está sendo continuamente considerado há dois, três anos e,
de um modo ou de outro, um dia será posto em prática, é claro. [...] É preciso agora
ter o faro para perceber: 'O que eu posso fazer, o que não posso?'"
Àquela altura, para fora o ditador ainda se mostrava aberto
a concessões, obviamente temendo uma reação internacional forte. Contudo,
depois do início da guerra, as inibições se foram. Em 1941 o ministro da
Propaganda Josef Goebbels sugeriu novamente a Hitler a identificação dos
judeus, recebendo a permissão para tal em meados de agosto.
Em 1° de setembro de 1941 entrava em vigor a nova portaria
policial. Ela especificava detalhadamente: "A estrela pintada de preto
sobre um fundo de tecido amarelo, do tamanho de um pires de mão, com o dizer
'Jude' [...] deverá ser portada de forma visível, costurada sobre o peito
esquerdo da vestimenta."
A portaria valia para todos os cidadãos judeus nos termos
das Leis de Nurembergue, a partir de seis anos de idade, os quais, a partir
daí, estavam proibidos de "se mostrar em público sem a estrela
judaica". Quem tentasse esconder a "Judenstern" sob uma pasta, a
lapela do casaco ou um cachecol, por exemplo, estava sujeito a punições severas
por parte da Gestapo, que monitorava rigorosamente o uso visível do estigma.
Deportação de judeus teve início um mês após a obrigatoriedade
do uso da estrela amarela
Preâmbulo para o Holocausto
A situação era desesperadora para os afetados. O filólogo e
autor Victor Klemperer (1881-1960), embora viesse de família judia, se
convertera ao protestantismo desde a Primeira Guerra. Mas isso não interessava
aos nazistas: para eles, Klemperer era judeu. Em 1935, o especialista em
línguas latinas perdeu sua cátedra em Dresden.
Ao ser obrigado a usar a estrela, ele escreveria em seu hoje
célebre diário: "Ontem, quando Eva costurou a estrela judaica, um ataque
de desespero alucinado em mim. Os nervos de Eva também estão nas últimas. [...]
Eu próprio me sinto arrasado, não encontro equilíbrio."
Em 2013, a sobrevivente do Holocausto Ingre Deutschkron
lembrou em cerimônia comemorativa no Parlamento alemão: "A maioria dos
alemães com quem eu me deparava nas ruas de Berlim desviava o olhar quando
percebia que eu usava a estrela, ou olhava através de mim, a estigmatizada, ou
virava o rosto. [...] Sem dúvida, a estrela criou um isolamento discriminador
para nós." Isolamento, discriminação, mas também controle.
A identificação por meio da estrela amarela era apenas o
preparativo para o que os nazistas chamaram de "a solução final da questão
judaica": o extermínio. Além do uso da insígnia, os judeus passaram a não
poder mais deixar seus bairros sem permissão policial.
Assim se formou uma organização perfeita para o Holocausto.
Não por acaso, em outubro de 1941, um mês apenas após a entrada em vigor da
portaria, começava a deportação para os campos de extermínio. Victor Klemperer
e Inge Deutschkron sobreviveram – milhões de outros, não.
1939: Programa nazista de extermínio
No dia 1º de setembro de 1939, os nazistas criaram um
programa de extermínio que visava a eliminação de doentes incuráveis, idosos
senis, deficientes físicos e doentes mentais. (01.09.2016)
Autoria
Christoph Hasselbach (ca)
Palavras-chave Estrela de Davi, Leis Raciais de Nurembergue,
Josef Goebbels, Noite dos Cristais, Judenstern
Link permanente http://dw.com/p/1JtZG
Em nome dos povos: os 70 anos dos julgamentos de Nurembergue
Nunca os vencedores de uma guerra haviam procedido como os
Aliados contra os líderes nazistas: nem retaliação, nem um pacto de paz, mas um
grande processo, desbravando terra virgem no direito internacional.
Réus diante do
tribunal militar em Nurembergue (1946)
Em 1º de outubro de 1946 foram proclamadas as sentenças do
processo de Nurembergue: 22 dos réus nazistas foram condenados à morte na
forca, sete a cumprir pena no presídio de Spandau para crimes de guerra, e três
foram absolvidos.
Não se tratava apenas do ponto final de um grande processo,
que envolvera a apresentação de 2.630 documentos e os depoimentos de 270
testemunhas, todos registrados em 27 mil metros de fita magnética e 7 mil
discos fonográficos. Era também a conclusão de uma estreia jurídica mundial: um
tribunal militar fizera justiça.
Nunca antes, déspotas haviam sido submetidos a um direito
mais elevado do que eles. Em nome do direito internacional, a liderança
hitlerista fora obrigada a assumir responsabilidade por seus atos, justamente
em Nurembergue, a cidade das convenções partidárias e dos grandes desfiles
propagandísticos dos nacional-socialistas. E não por eles terem perdido a
Segunda Guerra Mundial, mas por a haverem iniciado.
Iniciativa dos Estados Unidos
Do ponto do vista jurídico, o processo era terra virgem.
Nurembergue não teria sido possível sem um consenso básico entre os Aliados
sobre como harmonizar os diferentes sistemas legais das potências vencedoras.
Um ano antes, portanto, criaram-se as bases jurídicas para o
julgamento. Em 8 de agosto de 1945, na capital britânica, Estados Unidos,
França, Reino Unido e União Soviética assinaram a Carta de Londres, um acordo
de direito internacional estabelecendo a ordem processual a ser aplicada.
Segundo os participantes desses encontros, as seis semanas
de deliberações foram caóticas, também do ponto de vista formal. Nesse
contexto, foi importante ter uma mesa quadrada, em que as quatro potências
pudessem acomodar suas delegações, numericamente idênticas.
A ideia de processar os líderes nazistas partira de
Washington. Como força impulsionadora da ação, em plena guerra os americanos já
dispunham de informações secretas sobre os crimes contra a população civil
cometidos pelos alemães e seus aliados do Leste Europeu.
Local dos processos: sala 600 do Palácio da Justiça de
Nurembergue
Uma nova ordem jurídica mundial
Três anos antes do julgamento, Robert Kempner, um dos
promotores, se confrontara com a questão: como seria possível provar esses
crimes? Em Nurembergue, contudo, constatou-se que a apresentação de provas não
era o problema, já que os nazistas haviam documentado com minúcia burocrática
grande parte das próprias atrocidades.
Bastava, então, condenar os culpados. Já em 1943, na
Conferência de Teerã, o dirigente soviético Josef Stalin se pronunciara a favor
de um processo sumário: reunir os 50 mil principais nazistas e fuzilá-los.
No fim, optou-se por um grande processo. Em Londres
estipularam-se os pontos centrais da acusação: planejamento e execução de uma
guerra de agressão, violação das leis marciais (ou seja: crimes de guerra) e
crimes contra a humanidade. Esta última categoria jurídica fora especialmente
criada nessa ocasião.
Desse modo, os Aliados estabeleciam uma ordem de direito
internacional que vinha substituir os princípios da Paz da Vestfália de 1648,
após o fim da Guerra dos Trinta Anos. Até então, os Estados soberanos podiam
fazer o que quisessem com seus cidadãos, assim como guerrear enquanto se
sentissem em condição de fazê-lo.
Com a Carta de Londres e o julgamento de Nurembergue, essa
noção de direito foi abolida. Sabendo contar com o respaldo do presidente Harry
Truman, o promotor-chefe dos Estados Unidos, Robert Jackson, tinha uma visão grandiosa:
"a ordem do mundo segundo os princípios do Direito".
Réus seguros de si
Tratava-se de um empreendimento sem garantias de sucesso.
Ainda durante os interrogatórios, Hermann Göring, comandante-chefe da Força
Aérea alemã e principal líder nazista no banco dos réus de Nurembergue,
acreditava-se juridicamente inatacável: "Tudo o que aconteceu no nosso
país não é, em absoluto, da alçada dos senhores", zombou. Depois que ele
se declarou inocente nos termos da acusação, o tribunal lhe vetou futuros pronunciamentos.
Seguro de si, o réu Hans Frank, ex-governador-geral da
Polônia ocupada, sintetizou o dilema jurídico em questão em seu depoimento: era
impossível fazer frente ao hitlerismo com meios legais, já que "o próprio
Hitler se colocou de fora de toda ordem legal".
Avaliações como essa fizeram até o primeiro-ministro
britânico Winston Churchill duvidar do projeto de Nurembergue, propondo que
nazistas capturados fossem "fuzilados sem serem entregues a uma autoridade
mais alta".
Deutschland Nürnberger Prozesse
(picture-alliance/dpa)
Principais acusados Hermann Göring, Rudolf Hess e Joachim
von Ribbentrop
"Culpa de Hitler"
Os réus não se sentiam seguros apenas do ponto de vista da
lei: uma constante em quase todos os depoimentos era a tentativa de relativizar
a própria culpa ou de negá-la cabalmente, escondendo-se atrás de Adolf Hitler,
como relataria Johann Schätzler, assistente da defesa de Rudolf Hess,
vice-chanceler do Reich.
Contudo, essa estratégia inicial se esvaziou no decorrer do
processo, depois que as revelações dos sobreviventes confirmaram a
monstruosidade da máquina de destruição dos nazistas.
A confrontação com os fatos deixou marcas. Albert Speer,
ministro do Armamento do gabinete nazista, decidiu cooperar e enviou uma carta
ao chefe da acusação Robert Jackson. Hans Frank, que semeara morte na Polônia,
adotou a religião e quis ser batizado na prisão. Rudolf Hess, o vice de Hitler,
alegou ter perdido a memória.
Somente Hermann Göring representou consequentemente seu
papel, falastrão, empedernido, vaidoso. E, no fim, covarde, escapando da
execução através do suicídio.
De Nurembergue a Haia
Quando, 70 anos atrás, em 1º de outubro de 1946, o juiz
britânico lord Geoffrey Lawrence encerrou o processo do século após a leitura
das sentenças, sem qualquer discurso final, era a grande a esperança, entre os
especialistas de direito penal e internacional de agora dispor de uma arma
jurídica contra os crimes internacionais.
No entanto essa expectativa não se confirmou, em grande
parte devido à Guerra Fria que se anunciava. Tal situação só se alterou em 1989
e 1991, quando os delitos contra civis na Iugoslávia e em Ruanda incentivaram a
retomada da ideia de penalizar os crimes internacionais em massa.
Em Haia, Holanda, criaram-se dois tribunais para tratar
especificamente das violações em cada um dos países, além da convenção sobre a
Corte Penal Internacional. No entanto, a reativação de um tribunal
internacional foi significativamente enfraquecida: por um lado, diversos
Estados negaram seu apoio, por outro os EUA, China e Israel se recusaram a
ratificar o estatuto da Corte.
Por isso continua indefinido se os veredictos de Haia jamais
serão avaliados de forma tão positiva como os de Nurembergue. No entanto, para
além das considerações jurídicas, 70 anos atrás "o Direito aconteceu"
naquela cidade do sul da Alemanha – como resumiu o historiógrafo Karl Dietrich
Erdmann.
Tribunais de Nurembergue promoveram o direito internacional
Exigindo que seus princípios legais fossem criados praticamente
do zero, julgamento dos principais líderes nazistas em 1945 estabeleceu bases
para julgar crimes internacionais, e influencia a consciência global até hoje.
(06.08.2015)
1945: Início dos julgamentos de Nurembergue
Poucos meses após o fim da Segunda Guerra Mundial e do
suicídio de Adolf Hitler, alguns de seus principais colaboradores sentaram no
banco dos réus, em 20 de novembro de 1945, para serem julgados por crimes de
guerra. (01.01.1970)
1946: Nazistas condenados pelo Tribunal de Nurembergue são
executados
Em 16 de outubro de 1946 foram executadas em Nurembergue dez
penas de morte contra representantes do regime nazista. Também condenado,
Hermann Göring, o "nazista número 1", havia se suicidado na véspera.
(01.01.1970)
Data 01.10.2016
Autoria Volker Wagener
Link permanente http://dw.com/p/2Qi8J
Assinar:
Postagens (Atom)




