quarta-feira, 18 de novembro de 2015
Sim. O Brasil é o país dos bacharéis.
"Os pobres sonham em se formar em Direito ou porque veem na
profissão um escudo contra a polícia ou porque querem ser da polícia.
Os de classe média querem ser advogados porque ou pretendem
os melhores empregos do serviço público em todo o universo - a sinecura sem limites e sem riscos do Judiciário brasileiro - ou contam enriquecer defendendo
grandes empresas e grandes criminosos,
Há um outro sujeito que quer mesmo ser advogado.
Juízes e desembargadores adoram preceder seu nome da palavra
mágica "Professor".
Os donos de faculdades privadas adoram ter no seu quadro
docente juízes e desembargadores. É uma espécie de seguro.
A maioria desses cursos oferece pacotes fartos de ideologia
pagos em cinco anos de prestações mensais."
Nilson Lage
De la nervadura abierta de la luz
cae un pájaro herido de cielo
Desciende como ruina del viento
trueno rojo en el fin de su vuelo
Lloro la belleza de su canto desperdigado por la tierra
Pero la tierra sabe que de pájaros y poetas
se amasa la hostia
en el hambre de Dios
*
Betsimar Sepulveda(Venezuela )
a tradução é de Luciana Cañete
Fonte : Mallarmargens:
1919: A "lenda da punhalada pelas costas" fomenta o nazismo
Em 18 de novembro de 1919, o marechal Paul von Hindenburg
usa a teoria da "punhalada pelas costas" para se eximir da
responsabilidade pela derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial.
Paul von Hindenburg semeou a lenda
A comissão parlamentar de inquérito investigava a questão
das responsabilidades pela Primeira Guerra Mundial, que se encerrara um ano
antes. Em seu depoimento em 18 de novembro de 1919, o marechal-de-campo Paul
von Hindenburg defendia a teoria de que movimentos revolucionários da Alemanha
teriam "apunhalado" o Exército pelas costas.
"Um general inglês disse, com razão: 'O Exército alemão
foi apunhalado pelas costas'." Essa foi uma das frases usadas por Von
Hindenburg ao tentar se eximir, diante do Parlamento, de qualquer
responsabilidade pela derrota da Alemanha na Primeira Guerra. Nascia ali a
chamada "lenda da punhalada pelas costas" (em alemão,
Dolchstosslegende), que anos mais tarde ajudaria os nazistas a tomar o poder.
O estopim do primeiro conflito mundial havia sido o
assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono
austro-húngaro, por um nacionalista sérvio, em 28 de junho de 1914. Um mês
depois, a Áustria declarou guerra à Sérvia.
No início de agosto, a Alemanha declarou guerra à Rússia e à
França. A invasão da Bélgica pelos alemães, que não tinham outra forma de
atingir a França, foi pretexto para a entrada da Grã-Bretanha na guerra, que
envolveria ainda muitos outros países.
O plano alemão de cercar rapidamente o Exército francês fracassou.
Já em outubro de 1914, a guerra na Europa Ocidental passou a ser tática, com
pesadas perdas para todos e praticamente sem alteração nas frentes de batalha
até 1918.
O abastecimento piorou a tal ponto na Alemanha que 260 mil
civis morreram de fome em 1917. O anúncio alemão de contrabloqueio por
submarinos provocou a entrada dos Estados Unidos no conflito.
Em março de 1918, a Alemanha ainda forçou a Rússia a assinar
um acordo de paz no Leste Europeu; em agosto, praticamente capitulou diante dos
aliados na frente ocidental. Segundo anotações de um comandante da região de
Flandres, milhares de soldados alemães e divisões inteiras de tanques estavam
virando cinza.
Fome tirou entusiasmo pela guerra
Para antecipar-se a uma vitória das tropas aliadas no ocidente,
o comandante geral Erich Ludendorff pediu um cessar-fogo imediato. Na Alemanha,
as mortes de civis famintos no inverno de 1917 quebrara o entusiasmo inicial
pela guerra. Naquele ano, operários da indústria de armamentos entraram em
greve em protesto contra a fome.
Em julho, os partidos democráticos formaram uma comissão
interpartidária e exigiram do governo imperial – sem sucesso – uma "paz de
entendimento, sem anexação forçada de territórios".
No início de novembro de 1918, em meio às negociações do
cessar-fogo, marinheiros em Kiel impediram a partida da frota da Marinha para
um combate e, com essa insubmissão, desencadearam uma reação em cadeia na
Alemanha.
Na disputa pelo poder, as forças democráticas, comunistas e
nacionalistas derrubaram a monarquia. Os democratas saíram vitoriosos e foram
legitimados, mais tarde, pela Assembleia Nacional Constituinte. O antigo regime
entregou à comissão interpartidária o governo e o pesado fardo de aceitar um
acordo de paz desvantajoso, do ponto de vista da Alemanha.
Todos esses acontecimentos internos, que causaram a
derrocada do antigo regime e o nascimento da democracia, serviram ao Comando
Superior das Forças Armadas para desviar a atenção da própria culpa pela
guerra.
O argumento de Von Hindenburg, de que as forças
revolucionárias teriam desmoralizado e apunhalado o Exército pelas costas, foi
propagado por militares e políticos monarquistas, através de jornais
conservadores e de extrema direita, e ganhou um teor explosivo subestimado
pelos democratas.
A população, inicialmente castigada pelas reparações de
guerra pagas pela Alemanha, sofreu as consequências do desemprego e da
inflação, sem ter um esclarecimento amplo dos verdadeiros motivos da guerra. Os
nazistas aproveitaram essas circunstâncias para difamar a democracia e chegar
ao poder com promessas de salvação.
Henrike Scheidsbach (gh)
Fonte Deutsche Weller
domingo, 15 de novembro de 2015
Não, não é cansaço...
Não, não é cansaço...
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
E um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.
Não. Cansaço porquê?
É uma sensação abstrata
Da vida concreta —
Qualquer coisa como um grito
Por dar,
Qualquer coisa como uma angústia
Por sofrer,
Ou por sofrer completamente,
Ou por sofrer como...
Sim, ou por sofrer como...
Isso mesmo, como...
Como quê?...
Se soubesse, não haveria em mim este falso cansaço.
(Ai, cegos que cantam na rua,
Que formidável realejo
Que é a guitarra de um, e a viola do outro, e a voz dela!)
Porque oiço, vejo.
Confesso: é cansaço!...
- Álvaro de Campos [Heterônimo de Fernando Pessoa], In
Poesia, Assírio e Alvim, ed. Teresa Rita Lopes, 2002.
"Detesto comportamento xenófobo. E detesto comparações,
normalmente comparam alhos com bugalhos. Nosso sentimento de dor se expressa
com a cor que quisermos dar. Eu choro pelas vítimas de Paris, eu choro pelas
crianças da Síria que tombam sem saber do que se trata, eu choro pelo nosso
País tão contrário a si mesmo, tão avesso as suas dores, e tão revoltado e
participante na sua luta contra o preconceito e a injustiça. Eu amo esses
estudantes que com sua coragem e determinação ocupam as escolas e defendem um
bem e um direito que o Estado de São Paulo teima em extinguir em nome de uma
pseudo reforma que, sabemos, só vai piorar o que já está quase falindo. Eu
lamento que o atual governador esteja dando um tiro no pé de seu partido, esse "social-democrata"
que deveria fazer jus ao nome. Os nomes, esses e outros politicamente
encabeçados... que sentido agora fazem? Eu lamento que a ganância esteja
enterrando nossa riqueza natural. O rio Doce sucumbiu ao amargo dos desejos.
Estou estarrecida com tudo. Cansada de ver tanto ódio brotando dos que se dizem
tementes a Deus. Que Deus é esse que deseja tanto ódio? Eu desejo que o povo
brasileiro se erga contra esses desmandos e elejam quem não faz panfletagem
religiosa e fascista e sexista e misógena. Que este túnel que estamos
atravessando de lama e horror encontre alguma luz e oxigênio do outro lado, ao
fim da travessia. Os mais corajosos encontrarão, tenho certeza. Os medrosos
morrerão com a boca e os ouvidos entupidos pelos dejetos. Não há deuses a
temer. Há homens há temer, gente como a gente, loucos e alucinados, doentes
mentalmente, sexualmente mal resolvidos. Estão presos nos seus padrões, nos
seus muros. Gostaria muito que se libertassem e respirassem o ar puro que se
tem de graça. Seriam mais felizes e mais humanos."
Por Susanna Busato
sábado, 14 de novembro de 2015
. "O
pensamento social crítico está guiado pelos princípios da igualdade, da justiça
social, do fortalecimento e da radicalização da democracia, pela necessidade de
destruir os poderes opressores, pela luta contra o racismo e contra toda forma
de violência.É um pensamento libertário e inconformista,
que sempre quer mais porque a democracia sempre pode ser fortalecida.”
Pablo Gentili
Pablo Gentili
O impacto político de confrontos religiosos e formas de guerras etnorreligiosas
Ainda estamos no ANNO de 1015. O impacto político de
confrontos religiosos e formas de guerras etnorreligiosas sempre foram muito
grandes e decisivos na configuração do próprio Estado. A própria concepção,
criação e organização do Estado Nacional Europeu, como nas origens de Portugal,
de quem o Estado do Brasil é o maior descendente, é resultado direto de guerras
religiosas contra o islamismo ibérico. O resultado final foi o extermínio, a
expulsão e a assimilação dos diferentes muçulmanos e judeus ao fim do longo
ciclo de violências. Sobreviveria no território apenas um povo, uma religião,
uma língua, um rei. Somente retornaram para o nosso convívio quando nos
modernizamos, democratizamos e os aceitamos de novo. Hoje os Estados se tornam
cada vez mais policialescos e mesmo organizados como Estados de apartheid
etnorreligioso - como todos do Oriente Médio, o que acelera e aprofunda as
guerras até o futuro desfecho de guerras totais, até que um lado vença e
destrua completamente os outros, como aconteceu na Península Ibérica Medieval.
A visão iluminista, a tolerância e a convivência serão desafios para novas
hegemonias. Muitos Estados europeus estão experimentado pela primeira vez uma
real diversidade social e etnorreligiosa, coisa que estamos acostumados há bem
mais de 1000 anos. Superar diferenças como o racismo, os preconceitos e a
discriminação étnica, religiosa, de gênero, de orientação sexual e muitas
outras continuam sendo imensos desafios para uma sociedade livre, igualitária e
democrática no ANNO de 2015.
Ricardo Costa de Oliveira
Nem a arma bestial dos terroristas nem a palavra mansa dos
fazedores do caos nem a violência de grupos com boas causas nem a palavra mansa
dos manipuladores de principios nem a raiva colérica dos saudosistas de tempos
inomináveis nem os transformadores com discursos de barricada.
A violência não é um direito, não é um sentimento válido,
nem ação correta para mudanças. Nem Líbano nem Síria nem Jerusalém nem Paris.
Nunca a cultura de paz foi tão necessária.
Hamilton Faria
Se somos todos parisienses, somos também todos estrangeiros,
somos também todos refugiados, todos africanos. Todos perdemos, a cada morte de
inocentes, sejam os lembrados pela grande mídia, sejam os anônimos e esquecidos
pela mídia que serve a certos "poderes". O pior é usar a dor e a
tragédia de um modo perverso, aproveitando para promover mais medo e terror, em
vez de compaixão e humanidade.
Ana Luisa Kaminski
Dia Nacional da Consciência Negra
20 DE NOVEMBRO
Dia Nacional da Consciência Negra
Um Dia para não passar em branco
Não tenho certeza se as escolas estão ensinando sobre o
escravagismo praticado no Brasil entre os séculos XVI E XIX, mas é certo que eu
mesmo, em meu tempo de escola, pelo menos durante os chamados primeiro e
segundo graus, pouco aprendi sobre este período e o que aprendi foi muito mais
sobre os bandeirantes, que escravizavam índios, caçadores de negros, grandes
escravocratas e assassinos, mercenários da coroa portuguesa e algozes dos que
foram desterrados.
Também não tenho certeza se, hoje, alguém sabe ao certo quem
foi Zumbi dos Palmares (1655-1695), negro escravo que se rebelou e
transformou-se na maior liderança dos quilombos existentes no Brasil, na época,
e que morreu lutando para libertar seu povo.
Uma certeza eu tenho. Se prestarmos atenção na realidade
brasileira, os dados levantados tanto pelo IBGE quanto as pesquisas realizadas
por DIEESE e tantas outras fontes, como institutos, universidades nacionais e
estrangeiras, demonstram uma situação não muito diferente daquela, levando-se
em conta o atual grau de desenvolvimento apresentado na sociedade brasileira.
Vejamos alguns pontos: mesmo sendo quase metade da
população, os negros são a grande maioria dos desempregados, a grande maioria
dos habitantes das favelas, maioria nos presídios, maioria no índice de
mortalidade infantil, maioria entre as meninas prostitutas e prostituídas.
Em contrapartida, eles são a minoria entre os estudantes
secundaristas e universitários, recebem salários a menos do que os demais, não
fazem parte de índice representativo na política ou judiciário, limitando-se
seus expoentes de renome ao futebol, ao carnaval e até mesmo a música.
Também tenho certeza de que estes expoentes de renome são o
grande baluarte daqueles que afirmam que existe uma democracia racial no
Brasil, citando-os como exemplo, sem se aperceberem de que são dados ínfimos,
em uma proporção, talvez, de um para 1 milhão e que, mesmo assim, não são
poucas as vezem em que até estes sofrem discriminação racial.
Os milhares que morrem de subnutrição, marginalizados da
sociedade, sem escolas, sem casas, moradores de rua, assaltantes necessários
para sobrevida, são apontados como vadios, bandidos, em uma sociedade que
insiste em marginalizá-los e explorá-los tal qual nos séculos passados.
Zumbi dos palmares lutou e morreu com o sonho de uma
sociedade justa e igualitária para seu povo, contra a escravidão e contra a
desigualdade social. Muitos são os que lutam para sobreviver nos dias de hoje.
Dia 20 de Novembro é data histórica da morte de Zumbi dos Palmares. Talvez
venha a ser a data histórica da morte de milhões que já tiveram suas vidas
ceifadas em busca dos mesmos ideais, ao longo dos tempos.
O importante e que o Dia Nacional da Consciência Negra não
passe em branco e que a sociedade reflita sobre suas crendices de democracia
racial, ensinando a verdadeira história daqueles que construíram e continuam
construindo este país, mesmo sob o peso não mais da chibata, mas da quase
insuportável condição de vida oferecida ao povo negro brasileiro.
marcos “black” fontinelli
Antes de qualquer coisa, concordo que o terrorismo precisa
ser combatido, mas, não adianta usar só a força como forma de retaliação. Não
precisa ser especialista para perceber que esta ideia " olho por olho e
dente por dente" acirra ainda mais os conflitos. A questão é por que o
Estado Islâmico consegue tantos seguidores? Será que as políticas
internacionais dos países desenvolvidos estão contribuindo para o Estado
Islâmico ter mais soldados fanáticos? Esses jovens recrutados não querem fama e
nem dinheiro e sim heróis de seu povo, contra os opressores. Encaram isto como
a verdade absoluta. Logo, necessita se encontrar outros caminhos que busquem
respeitar a diversidade cultural com o intuito de não haver mais recrutamento.
Vejo um futuro sombrio pela frente, a forma de se fazer
guerra mudou completamente, agora, são ataques que podem acontecer em qualquer
lugar e a gente não pode prever.
Os países desenvolvidos precisam largar o etnocentrismo e
rever seus conceitos. Inclusive, o acordo de paz na Palestina precisa ser feito
e palestinos e judeus viverem em harmonia, respeitando os espaços um do outro.
Combater com violência o terrorismo e atingir inocentes “do outro lado”, a
consequência será de surgir mais terroristas. Enfim, um ciclo vicioso de ação e
reação que não tem fim.
Eduardo Oliveira Freire
François Hollande admitiu hoje pela manhã que o Estado
Islâmico foi o responsável pelos atentados brutais em Paris. Poucos momentos
depois uma carta patética do grupo chegou ao jornal LE MONDE assumindo a
responsabilidade e fazendo novas ameaças. O Estado Islâmico foi criado por
Israel e pelos Estados Unidos com o objetivo de derrubar o governo do
presidente Bashar Al Assad da Síria e se apropriarem das reservas de gás
natural e petróleo daquele país. Quando a Rússia começou a bombardear posições
do EI, Estados Unidos e Israel reagiram, condenaram e até o pastel do chanceler
brasileiro enfiou Dilma nessa fria de condenar os ataques russos. Países da
OTAN, entre os quais se inclui a França, bombardeavam alvos sírios no disfarce
de atacar o EI. Na Assembléia Geral da ONU, Barack Obama propôs que os ataques
fossem conjuntos desde que Bashar deixasse o poder. Putin não aceitou e dizimou
bases do EI. Isso deixou a descoberto a hipocrisia dos que criaram o monstro. A
retaliação veio no ataque a um avião russo, com mais de 200 civis em território
egípcio com um míssil de longo alcance, que muitos observadores acreditam ter
sido disparado de Israel. A cobiça pela riqueza dos países árabes não tem
tamanho e nem escrúpulos. O resultado é essa barbárie, morrem civis. Não morre
Obama, não morre Hollande, não morre Cameron, permanece intocado o louco
Benajmin Netanyahu. Morrem inocentes. Ou percebem que a fonte do terror é
Israel, ou sempre vai haver pretexto para grupos de malucos como o EI. Aqui, um
comentarista da GLOBO e o apresentador do jornal, deram um jeito de ironizar a
solidariedade do presidente Bashar aos franceses. São robôs de uma organização
criminosa e terrorista em termos de mídia. É hora de olhar para outro lado e
compreender o papel insano de Israel e dos EUA no Oriente Médio, antes que o
problema crie contornos mais graves e faça mais vítimas que não os supostos
donos do mundo.
Laerte Braga
Power in the Age of Oi
"O primeiro passo para combater o terrorismo é não
aceitar pensar o mundo a partir das suas categorias, isto é, não ver o mundo de
uma maneira maniqueísta, simplória e racista. É exatamente o que os terroristas
do Estado Islâmico querem: que se compre a narrativa do "Nós contra
eles", do "choque das civilizações". É importante lembrar que as
maiores vítimas dos fascistas do EI são muçulmanos, sobretudo os xiitas, que
lutam contra o EI na Síria e no Iraque. Apesar dos membros do EI serem sunitas,
há também sunitas, como os curdos, que lutam contra o EI. Toda tentativa de
homogeneizar ou generalizar juízos acerca de um grupo humano tão vasto e plural
é um ato de ignorância.
Também deveríamos estar discutindo o que torna o terrorismo
materialmente possível. Eis aí um segredo de polichinelo: há muita grana de
doadores da Arábia Saudita, Qatar, Iêmen - os chamados países do Golfo -
financiando atividades terroristas ( http://goo.gl/RYAaoJ ). Há fortes indícios
que o dinheiro saudita esteja ajudando o EI ( http://goo.gl/eYKMF3 ). A Arábia
Saudita é o país que mais promove uma versão extremista do islamismo (a
vertente wahhabita), e só consegue ter sucesso nessa empreitada pois tem muitos
petrodólares. E aí se chega ao centro da questão: o terrorismo wahhabita é
indissociável da indústria de petróleo, pilar do capitalismo mundial (uma das
fontes de renda do EI é a venda de petróleo no mercado negro turco). Talvez
esse seja mais um bom motivo para gente depender cada vez menos de combustíveis
fósseis.
Para quem estiver interessado na relação entre as
"democracias ocidentais" e as ditaduras do petróleo no Oriente Médio,
recomendo o livro do cientista político Thimothy Mitchell, "Carbon
Democracy: Political
Power in the Age of Oil" PDF aqui: https://goo.gl/TsUryx"
https://www.youtube.com/watch?v=0dxdCuVL6Oofonte :Cesar Melo
As grandes corporações vendem armas, aparelham grupos
terroristas, fomentam guerras, elegem governos, provocam crises políticas,
destroem economias, devastam o meio ambiente, enterram cidades...lamentamos as
consequências, mas a causa é o sistema capitalista, monopolista, predatório.
Enquanto perdurar o capitalismo, ficaremos só nos lamentando.
André Castelo Branco Machado
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