segunda-feira, 8 de setembro de 2014
gostaria de ler a doutrina do tsahal em inglês ou francês.
Penso que a meta, a prioridade não é mais eliminar a capacidade bélica do
inimigo (a existência de uma ameaça externa sobre-dimensionada é útil
politicamente ) e sim atingir a motivação (no caso árabe , a estreita relação
entre famílias, clãs ...usando para isso a prisões arbitrárias, tortura -comum
em todo o OM ,bombardeamentos de infra-estruturas, residencias onde haja alguém
tido como inimigo de Israel -avisando minuto antes para pularem a janela.Em
suma quebrar a espinha do inimigo. Para isso as leis democráticas de Israel não
devem ser aplicadas em territórios ocupados em vias de anexação ou prisões a
céu aberto.(terrorismo de Estado ?)Leis militares se aplicam nesses territórios
contra tropas sem fardas , terroristas (o que diz a convenção de Genebra numa
situação dessas .1)Israel não declarou guerra a Palestina , está só se
defendendo de grupos criminosos fortemente armados por potencias estrangeiras e
tendo que enfrentar uma imprensa hostil a Israel . "esses góis pró filistin, insistem em ficar nos locais onde
nossos mísseis estão limpando Israel dessas ervas daninhas, nossas espadas são
para defender-nos. Não haverá um novo nosso holocausto "disse um sionista
.
Wilson Roberto Nogueira
Solemnia Verba
Disse ao meu coração: Olha por quantos
Caminhos vãos andámos! Considera
Agora, desta altura, fria e austera,
Os ermos que regaram nossos prantos...
Pó e cinzas, onde houve flor e encantos!
E a noite, onde foi luz a Primavera!
Olha a teus pés o mundo e desespera,
Semeador de sombras e quebrantos!
Porém o coração, feito valente
Na escola da tortura repetida,
E no uso do pensar tornado crente,
Respondeu: Desta altura vejo o Amor!
Viver não foi em vão, se isto é vida,
Nem foi demais o desengano e a dor.
Antero de Quental, in "Sonetos
A la guerra me lleva
Miguel de Cervantes Saavedra
A la guerra me lleva
mi necesidad;
si tuviera dineros
no fuera en verdad.
A la guerra me lleva
Aventura interior
"Para que público de crianças ferozes estava eu a
executar exercícios tão perigosos? Via as molduras descontínuas passando por
todas as cores do espectro, chaminés de mármore branco, acordeões e ,
alternativamente, o granizo, as plantas ciliadas e a ave-lira. Esperai,
naufrágios; suspirai, trombetas marinhas ao som das quais serei um dia recebido
pelo meu irmão, aquele encantador molusco que tem a propriedade de voar debaixo
de água."
*da página 133.Bretton, André. Aventura interior
Andréia Carvalho Gavita
domingo, 7 de setembro de 2014
Violoncelo
Chorai arcadas
Do violoncelo!
Convulsionadas,
Pontes aladas
De pesadelo...
De que esvoaçam,
Brancos, os arcos...
Por baixo passam,
Se despedaçam,
No rio, os barcos.
Fundas, soluçam
Caudais de choro...
Que ruínas, (ouçam)!
Se se debruçam,
Que sorvedouro!...
Trêmulos astros,
Soidões lacustres...
_ Lemes e mastros...
E os alabastros
Dos balaústres!
Urnas quebradas!
Blocos de gelo...
_ Chorai arcadas,
Despedaçadas,
Do violoncelo.
Camilo Pessanha, in 'Clepsidra'
Camilo de Almeida Pessanha (Coimbra, 7 de Setembro de 1867 —
Macau, 1 de Março de 1926), poeta português, que se encontra muito esquecido.
Государыня
Государыня,
Помнишь ли, как строили дом -
Всем он был хорош, но пустой;
Столько лет
Шили по снегу серебром,
Боялись прикоснуть кислотой;
Столько лет
Пели до седьмых петухов,
Пели, но боялись сказать.
Государыня,
Ведь если ты хотела врагов,
Кто же тебе смел отказать?
Так что же мы
До сих пор все пьем эту дрянь,
Цапаем чертей за бока?
Ведь нам же сказано,
Что утро не возьмет свою дань,
Обещано, что ноша легка;
Так полно, зря ли мы
Столько лет все строили дом -
Наша ли вина, что пустой?
Зато теперь
Мы знаем, каково с серебром;
Посмотрим, каково с кислотой
o suporte da música
o suporte da música pode ser a relação
entre um homem e uma mulher, a pauta
dos seus gestos tocando-se, ou dos seus
olhares encontrando-se, ou das suas
vogais adivinhando-se abertas e recíprocas,
ou dos seus obscuros sinais de entendimento,
crescendo como trepadeiras entre eles.
o suporte da música pode ser uma apetência
dos seus ouvidos e do olfacto, de tudo o que se
ramifica entre os timbres, os perfumes,
mas é também um ritmo interior, uma parcela
do cosmos, e eles sabem-no, perpassando
por uns frágeis momentos, concentrado
num ponto minúsculo, intensamente luminoso,
que a música, desvendando-se, desdobra,
entre conhecimento e cúmplice harmonia.
Vasco Graça Moura, in "Antologia dos Sessenta
Anos"
A Embaixada norte-americana adotou um perfil muito discreto
nas eleições, mas isso não deve se confundir com o fato de estarem alheios ao
que acontece. Quando o Aécio fica fora do jogo, os Estados Unidos se inclinam
para a Marina, por pragmatismo e porque ela representa o oposto ao PT. Além
disso, é alguém sem quadros próprios e, segundo dizem, tem bons contatos nos
Estados Unidos, e que demonstrou estar aberta para desmontar o Estado, reduzir
sua capacidade e autonomia internacional. Interessa aos Estados Unidos que o
Mercosul sejam desmontado e que projetos da era tucana sejam retomados, não nos
enganemos: nestas eleições, está em jogo a retomada do processo privatizador,
parcial ou total, da Petrobras, do Banco do Brasil e do BNDES'
de Samuel Pinheiro Guimarães, via Carta Maior
onda política ou maremoto
Não se trata de nenhuma singularidade extraordinária do nome
de Marina Silva, mas qualquer um surfaria na mesma "onda política" ou
"maremoto". Caso fosse um Joaquim Barbosa, um empresário vivo
qualquer como José Ermírio de Moraes (no melhor estilo Piñera do Chile), um
Sílvio Santos, um médico rico qualquer (menos o tal Abdelmassih) e mesmo um
Tiririca ou Bozo, desde que assumissem e reunissem as mínimas características
para ocupar o mesmo lugar contra o governo redistributivista do PT e receber o
sincero, carinhoso apoio dos mais ricos, dos velhinhos do Clube Militar (que
apoiaram a tortura na ditadura também corrupta), dos pastores evangélicos
neopentecostais milionários, dos tradicionais membros sensíveis da classe
média-alta udenista-lacerdista e principalmente ganhar o apoio da base social
mais popular dos jovens da "classe C" (incluindo os populares
"coxinhas" de junho de 2013). Marina é util porque foi pobre, periférica,
do Partido Revolucionário Comunista e é ambientalista para se adaptar a todos
os ambientes neoliberais do capital financeiro com Neca do Banco Itaú. A onda
não precisa de partido político ou instituições. O motor formador e promovedor
da "onda política" é a mídia brasileira dominante. Segmentos da mídia
no Brasil formam um dos principais pilares da classe dominante tradicional,
trata-se de uma mídia oligárquica e familiar enraizada nos privilégios do
passado. Muitas famílias da mídia estão nas listas das famílias mais ricas do
Brasil desde a ditadura e a maioria dos bons jornalistas tem que aceitar ou
driblar o padrão editorial conservador para preservarem os seus empregos. Bons
jornalistas precisam de "autonomia" profissional. Algumas TVs,
rádios, revistas e os jornais brasileiros representam a voz, os interesses
políticos de seus donos e formam o principal partido de oposição, com muita
ideologia e manipulação informativa (nenhuma novidade aí). Parte da mídia
brasileira é murdochiana. Para obterem e inventarem qualquer notícia ou
factoide eleitoral é um completo vale tudo com Cachoeiras, réus presos e
qualquer ilicitude disponível, que fariam de Murdoch apenas um jornalista
amador de província. Deve-se debater se as regulações e leis existentes nos
Estados Unidos, no Reino Unido e na Europa Ocidental já teriam impactos
modernizadores neste setor e será uma agenda política inevitável para o
pós-onda, seja em 2015 ou em 2019.
Ricardo Costa de Oliveira
sábado, 6 de setembro de 2014
Canção de Muito Longe
De Mario Quintana.
Foi por cau-sa-do-bar-quei-ro
E todas as noites, sob o velho céu arqueado de bugigangas,
A mesma canção jubilosa se erguia.
A canoooavirou
Quemfez elavirar? uma voz perguntava.
Os luares extáticos...
A noite parada...
Foi por causa do barqueiro,
Que não soube remar.
El Hombre Imaginario
El hombre imaginario
vive en una mansión imaginaria
rodeada de árboles imaginarios
a la orilla de un río imaginario
De los muros que son imaginarios
penden antiguos cuadros imaginarios
irreparables grietas imaginarias
que representan hechos imaginarios
ocurridos en mundos imaginarios
en lugares y tiempos imaginarios
Todas las tardes imaginarias
sube las escaleras imaginarias
y se asoma al balcón imaginario
a mirar el paisaje imaginario
que consiste en un valle imaginario
circundado de cerros imaginarios
Sombras imaginarias
vienen por el camino imaginario
entonando canciones imaginarias
a la muerte del sol imaginario
Y en las noches de luna imaginaria
sueña con la mujer imaginaria
que le brindó su amor imaginario
vuelve a sentir ese mismo dolor
ese mismo placer imaginario
y vuelve a palpitar
el corazón del hombre imaginario
Nicanor Parra
Moscow - what a giant.
М.И. Цветаева. "Москва! Какой огромный...".
Стихотворение. Автограф в тетради. Ф.1190. Оп.2. Ед.хр.1. РГАЛИ
Marina
Tsvetaeva 'Moscow - what a giant...'. Poem. Autograph. F.1190. Ind.2. Folder 1.
RGALI
Москва! Какой огромный
Странноприимный дом!
Всяк на Руси — бездомный.
Мы все к
тебе придём.
Клеймо позорит плечи,
За голенищем — нож.
Издалека -далече —
Ты всё же
позовёшь.
На каторжные клейма,
На всякую болесть —
Младенец Пантелеймон
У нас, целитель, есть.
А вон за
тою дверцей,
Куда народ валит, —
Там Иверское сердце,
Червонное, горит.
И льётся аллилуйя
На смуглые поля.
— Я в
грудь тебя целую,
Московская земля!
1916
Из цикла «Стихи о
Москве»
Moscow -
what a giant
And
strangely-mannered home!
In Russia
all are homeless.
We all to
you will come.
A knife
behind a boot-leg,
A shoulder
brand in shame.
From far away us all
You will
call all the same.
Upon the
penal brandings,
On every
kind of ill -
A baby
Panteleimon
We have, O
man who heals,
And there
behind that door,
Where all
the people pour -
There the
fine golden heart
Is burning
of Iver.
And
"Halleluiah" pours
Upon the
fields grown tan.
I kiss you
in the bosom,
O the
Moscow land!
translated
by Ilya Shambat
#Tsvetaeva_rgali
fonte : Russian State Archive of Literature and Art
Cogito
eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível
eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora
eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim
eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranqüilamente
todas as horas do fim.
- Torquato Neto, em "Os cem melhores poemas brasileiros
do século", [seleção e organização Ítalo Moriconi]. Rio de Janeiro:
Objetiva, 2001, p. 269.
trecho "Morte e Vida Severina".
"...E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
mesmo quando é uma explosão
como a de há pouco, franzina;
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina."
- João Cabral de Melo Neto, trecho "Morte e Vida
Severina".
CANSAÇO
O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço...
9-10-1934
Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática,
1944 (imp. 1993). - 64.
Canto I - Fundação da Ilha
I
Um barão assinalado
sem brasão, sem gume e fama
cumpre apenas o seu fado:
amar, louvar sua dama,
dia e noite navegar,
que é de aquém e de além-mar
a ilha que busca e amor que ama.
Nobre apenas de memórias,
vai lembrado de seus dias,
dias que são histórias,
histórias que são porfias
de passados e futuros,
naufrágios e outros apuros,
descobertas e alegrias.
Alegrias descobertas
ou mesmo achadas, lá vão
a todas as naus alertas
de vária mastreação,
mastros que apontam caminhos
a países de outros vinhos.
Esta é a ébria embarcação.
Barão ébrio, mas barão,
de manchas condecorado;
entre o mar, o céu e o chão
fala sem ser escutado
a peixes, homens e aves,
bocas e bicos, com chaves,
e ele sem chaves na mão.
- Jorge de Lima, em "Invenção de Orfeu". Rio de Janeiro: Record, 2005, p. 27.
http://www.elfikurten.com.br/2014/03/jorge-de-lima.html
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
Exercícios ao piano
O calor cola. A tarde arde e arqueja.
Ela arfa, sem querer, nas leves vestes
e num é tudo enérgico despeja
a impaciência por algo que está prestes
a acontecer: hoje, amanhã, quem sabe
agora mesmo, oculto, do seu lado;
da janela, onde um mundo inteiro cabe,
ela percebe o parque arrebicado.
Desiste, enfim, o olhar distante; cruza
as mãos; desejaria um livro; sente
o aroma dos jasmins, mas o recusa
num gesto brusco. Acha que á faz doente.
- Rainer Maria Rilke, em "Novos poemas II" (1908).
In: CAMPOS, Augusto de (organização e tradução). Coisas e anjos de Rilke. São
Paulo: Perspectiva, 2013, p. 276-277.
Humilde surdina
Humilde surdina
Deixa falar, deixa falar:
basta o mistério do amor,
minha ternura tão mansa
e o teu jeito de querer.
Nós seremos como os pequenos:
sabem tanto, sem saber.
Voa o olhar no fundo olhar,
mão na mão, o amor pousou.
Tarde boa, morre calma...
Brinca o sino da igrejinha.
Alguém diz palavras velhas
como um sonho que passou.
Meu amor, a vida é grande
quando o olhar encontra o olhar:
mão na mão, o amor chegou.
- Augusto Meyer, em “Poesias (1922-1955)". Rio de
Janeiro: Livraria São José, 1957.
http://www.elfikurten.com.br/2013/08/augusto-meyer-o-modernista-lirico-dos.html
É o êxtase langoroso...
Le vent dans la plaine Suspend son haleine.
(Favart)
É o êxtase langoroso,
É o cansaço amoroso,
É todo o bosque a vibrar
Ao enlace das aragens,
São, nas grisalhas ramagens,
Mil vozes a cochichar.
Ó o fino e fresco ciclo!
É chilreio e murmúrio,
Parece esses doces ais
Que a relva móvel suspira...
Dirias, na água que gira,
Rolar de seixos causais.
Essa alma que se lamenta
Nessa queixa sonolenta
Não seria a nossa, ai de nós?
A minha à tua enlaçada,
Exalando a humilde toada
Nesta tarde, a meia-voz?
- Paul Verlaine, em “A Voz dos Botequins e Outros Poemas”.
[tradução Guilherme de Almeida]. São Paulo: Editora Hedra, 2010, p. 60-61.
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