sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Carlos Ruggi


Quando pensamos em shopping center a típica imagem que nos vem a mente é uma série de caixotes conectados com uma praça de alimentação como umas das atrações principais.

Dichter

Dichter
So gib mir auch die Zeiten wieder,
Da ich noch selbst im Werden war,
Da sich ein Quell gedrängter Lieder
Ununterbrochen neu gebar,
Da Nebel mir die Welt verhüllten,
Die Knospe Wunder noch versprach,
Da ich die tausend Blumen brach,
Die alle Täler reichlich füllten.
Ich hatte nichts und doch genug:
Den Drang nach Wahrheit und die Lust am Trug.
Gib ungebändigt jene Triebe,
Das tiefe, schmerzenvolle Glück,
Des Hasses Kraft, die Macht der Liebe,
Gib meine Jugend mir zurück!

- Johann Wolfgang von Goethe


http://www.elfikurten.com.br/2014/07/johann-wolfgang-von-goethe.html

Confissão

"Confissão
O que é ruim de esconder? O fogo!
Pois de dia a fumaça o entrega,
E à noite a chama, o monstro, o ogro.
Pior de esconder (e que macega):
O amor; guardado em cura calma,
Pula ágil fora d’alma.
O pior mesmo: esconder um poema,
Pois cobri-lo dá o maior problema.
Se o poeta o recém-cantou,
De poesia ele se encharcou;
Se o poeta o escreveu com classe,
Quer que todo o mundo o abrace.
A todos lê, alegre e forte;
Azar de nós – ou será sorte?"
Goethe


Tradução: Daniel Martineschen  no Escamandro


Mesmo que pareça mórbido, viver em família implica em carregar cadáveres (reais, imaginários, simbólicos). E todos são pesados – insuportavelmente pesados. Poucos indivíduos possuem força para arrastar esse fardo com um mínimo de elegância.

Raul Arruda Filho
"Depois de todo junho, há um agosto. Mas o messianismo de Marina (ah, a mão de Deus) não precisa confundir os brasileiros. Nem fazê-los crer que o destino quis assim. Não. Depois de agosto, há setembro e outubro para que o Brasil decida se – pela terceira vez na história (depois de Janio e Collor) - vai apostar numa liderança política que finge não fazer política.
Junho (2013) foi política em estado bruto, gente fazendo política nas ruas, mas berrando contra a política. Agosto (2014) parece ser a continuação desse engano. Há tempo de desfazer o engano? Pouco tempo.

Só a Política de outubro, na boca da urna, pode desfazer os enganos de junho e agosto. Só a Política pode evitar um mergulho que seria não rumo ao desconhecido, mas rumo a uma história que conhecemos tão bem."
 (Rodrigo Viana - Escrevinhador)

PERFEITO IDIOTA DE CLASSE MÉDIA BRASILEIRA (PICMB)

"[...]
Trata-se de uma tradição lusitana, ibérica, que vem sendo reproduzida aqui na colônia desde os tempos em que os negros carregavam em barris, nas costas, a toilete dos seus proprietários, e eram chamados de “tigres” – porque os excrementos lhes caíam sobre as costas, formando listras que lembravam a pelagem do animal. O perfeito idiota de classe média brasileiro, ou PICMB, não ajuda em casa também por influência da mamãe, que nunca deixou que ele participasse das tarefas – nem mesmo por ou tirar uma mesa, nem mesmo arrumar a própria cama. Ele atira suas coisas pela casa, no chão, em qualquer lugar, e as deixa lá, pelo caminho. Não é com ele. Ele foi criado irresponsável e inconsequente. É o tipo de cara que pede um copo d’água deitado no sofá. E não faz nenhuma questão de mudar. O PICMB é um especialista em não fazer, em fazer de conta, em empurrar com a barriga, em se fazer de morto. Ele sabe que alguém fará por ele. Então ele se desenvolveu um sujeito preguiçoso. Folgado. Que se escora nos outros, não reconhece obrigações e que adora levar vantagem. Esse é o seu esporte predileto – transformar quem o cerca em seus otários particulares.
O tempo do perfeito idiota de classe média brasileiro vale mais que o das demais pessoas. É a mãe que fura a fila de carros no colégio dos filhos. É a moça que estaciona em vaga para deficientes ou para idosos no shopping. É o casal que atrasa uma hora num jantar com os amigos. A lei e as regras só valem para os outros. O PICMB não aceita restrições. Para ele, só privilégios e prerrogativas. Um direito divino – porque ele é melhor que todos os outros. É um adepto do vale tudo social, do cada um por si e do seja o que deus quiser. Ele só tem olhos para o próprio umbigo e os únicos interesses válidos são os seus.
O PICMB é o parâmetro de tudo. Quanto mais alguém for diferente dele, mais errado esse alguém estará. Ele tem preconceito contra pretos, pardos, pobres, nordestinos, baixos, gordos, gente do interior, gente que mora longe. E ele é sexista para caramba. Mesma lógica: quem não é da sua tribo, do seu quintal, é torto. E às vezes até quem é da tribo entra na moenda dos seus pré-julgamentos e da sua maledicência. A discriminação também é um jeito de você se tornar externo, e oposto, a um padrão que reconhece em si mas de que não gosta. É quando o narigudo se insurge contra narizes grandes. O PICMB adora isso."


Fonte: http://www.manualdeingenuidades.com.br/2013/12/09/o-perfeito-idiota-de-classe-media-brasileiro/

Quero-te poesia


O rumor audível
de um fio de água
deslizando breve.
A leve carícia
aflorando o rosto
com pudor de ternura.
A melancolia do adeus
inevitável e definitivo.
O bramido da cólera
dos ofendidos e humilhados
com vigor do vento
nos altos montes
ou tão só o choro silencioso.

- Fernando Couto (moçambicano pai de Mia Couto)

Orfeo e Euridice



Orfeu era um grande herói da Trácia, conhecido não pelas suas qualidades de guerreiro, mas pelas suas qualidades musicais. Filho de Apolo e da musa Calíope, recebeu do pai uma lira como presente e aprendeu a tocar com tanta dedicação e beleza, que ninguém conseguia ficar indiferente ao encanto da sua música. Tanto os seres humanos como os animais, e diz-se que até as árvores e os rochedos, se rendiam ao seu fascínio.
Orfeu amava apaixonadamente a ninfa Eurídice. No dia do casamento de ambos, esteve presente Himeneu para abençoar a união,mas o fumo da sua tocha fez lacrimejar os noivos, o que não trouxe augúrios favoráveis. Pouco tempo depois, Eurídice passeava com as ninfas, quando foi surpreendida pelo pastor Aristeu, que, ao vê-la, se apaixonou perdidamente e tentou conquistá-la. Na sua fuga, Eurídice pisou uma cobra e morreu da mordedura que esta lhe fez no pé.
Orfeu, inconsolável, tocou e cantou aos homens e aos deuses, mas nada conseguiu. Decidiu, então, descer ao reino dos mortos para conseguir recuperar Eurídice. Perante o trono de Hades e Perséfone, Orfeu cantou o seu desgosto e o seu amor dizendo que,se não lhe devolvessem Eurídice, ele próprio ficaria ali com ela, no reino dos mortos. Hades e Perséfone ficaram tão comovidos que lhe devolveram Eurídice. Mas com uma condição: Orfeu poderia levar Eurídice, mas não poderia olhá-la antes de terem alcançado o mundo superior. Caminhando na frente, Orfeu, que estava quase a chegar aos portões de Hades, com receio de ter sido enganado por Hades, virou-se para trás para confirmar se Eurídice o seguia. Esta, com os olhos cheios de lágrimas, foi levada para o mundo dos mortos, por uma força irreversível. Orfeu tentou alcançá-la, mas sem êxito.
Profundamente triste, Orfeu ficou na margem do rio, durante sete dias, sem comer nem dormir, suplicando a volta de Eurídice. Depois, vagueou triste e solitário pelo mundo, sem nunca mais querer saber de mulher alguma e repelindo todas aquelas que o tentavam seduzir, até que um dia, as mulheres da Trácia, enfurecidas pelo seu desprezo, o mataram. O seu corpo foi atirado ao rio Ebro e levado até à ilha de Lesbos, onde, durante muito tempo, a cabeça de Orfeu, presa numa rocha, proferia oráculos. A sua lira foi colocada num templo de Lesbos.


Orfeu e Eurídice. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014. [Consult. 2014-07-02].
Adriana Zapparoli


entonces calla otra perra. y leo las costuras y plisados de un murmullo de cuerpos mutilados con el puño, con espátula, donde sale la serpiente... por toda esta charla embrollada, por todas las mentes alienadas, el humo es el que escarba al soplo de la serpient, los musgos y las flores acuáticas ... y debajo de los huesos su mirada y la dureza húmeda de la distancia ... porque el amor tiene ojos verdes.

CRÔNICAS DE ALHURES DO SUL


Manoel Carlos Karam
(4 de junho de 2007)
História no cenário de uma travessa que fica no centro de Curitiba.
Ainda está lá, só não tem mais a loja de discos.
Há 40 anos, diante da vitrine da loja, parei.
Parei com tudo que significa parar.
Durante algum tempo fiquei admirando como se estivesse num museu paralisado por um quadro fascinante.
Pasmo.
Abre aspas.
Nunca me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Fecha aspas.
Não passava da vitrine de uma loja de discos.
Mas era tanto, era muito.
40 anos atrás.
A capa de um long-play.

Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Poemas do venezuelano Rafael Cadenas traduzidos por Paulo Sandrini


Já não sei
Se posso falar em nome de alguém
Quem é este sangue, estes tendões, estes olhos,
esta estranheza, esta antiguidade?
Uma força
Me tem em sua mão
Então é ela
A que pode dizer sou,
A que pode possuir um nome,
A que pode usar a palavra eu.
>>>>>>>> 
A busca
Nunca encontramos o Graal.
Os relatos não eram verídicos.
Só a fadiga dos caminhos acompanhou
os que se aventuraram,
Mas esperavam histórias.
Que seria nossa vida
Sem elas?
Nada se resolveu,
poderíamos ter ficado em casa.
Mas somos tão inquietos.
No entanto, concluída a viagem
sentimos que em nós
- não mais reféns
da esperança -
havia nascido
outro templo.
>>>>>>>>>> 
O argumento
Pela manhã
lemos anestesiados
as notícias
da guerra (qualquer guerra),
um oficial
bem merece alguns combates;
cada facção
deseja mostrar que Deus
está do seu lado
com o argumento definitivo;
nossos olhos correm
as páginas
- buscamos mais confirmações
de nossa derrota-
e o jornal traz o que esperamos encontrar
>>>>>>> 
É tão curta a distância entre nós e o abismo, quase inexistente, uma fina luxúria. Basta se deter e aí está. Somos isso.
Nem necessitamos olhá-lo de perto. Que não haja engano. A separação nos pertence.
>>>>>>>> 
Sou esta vigilância.
Sou esta vacilante disponibilidade,
esta ausência de rosto,
este sem cor.
Sou este em quem se extingue
até mesmo a idéia de homem.
traduções: Paulo Sandrini


Lamentación de la muerte


Vine a este mundo con ojos
y me voy sin ellos
¡Señor del mayor dolor!
Y luego
un velón y una manta
en el suelo.
Quise llegar adonde
llegaron los buenos
Y he llegado, Dios mío!...

Federico García Lorca


Inemuri

"Inemuri (居眠り) is the practice of ‘sleeping while present’ and has long been part of Japanese work culture"

Canções

Feliz Só Será
Feliz só será
A alma que amar.
'Star alegre
E triste,
Perder-se a pensar,
Desejar
E recear
Suspensa em penar,
Saltar de prazer,
De aflição morrer —
Feliz só será
A alma que amar.

Johann Wolfgang von Goethe, in "Canções"


Tradução de Paulo Quintela

O DEUS ABANDONA ANTONIO

 para quando vc sente que perdeu o que mais queria, para não se culpar nem se lastimar, mas agradecer ter tido o que teve, e preparar-se para o infortúnio que ora lhe traz a Roda da Fortuna - comentário meu, Renato Janine Ribeiro)

O DEUS ABANDONA ANTONIO

Quando, à meia-noite, de súbito escutares
um tiaso invisível a passar
com músicas esplêndidas, com vozes -
a tua Fortuna que se rende, as tuas obras
que malograram, os planos de tua vida
que se mostraram mentirosos, não os chores em vão.
Como se pronto há muito tempo, corajoso,
diz adeus à Alexandria que de ti se afasta.
E sobretudo não te iludas, alegando
que tudo foi um sonho, que teu ouvido te enganou.
Como se pronto há muito tempo, corajoso,
como cumpre a quem mereceu uma cidade assim,
acerca-te com firmeza da janela
e ouve com emoção, mas ouve sem
as lamentações ou as súplicas dos fracos,
num derradeiro prazer, os sons que passam,
os raros instrumentos do místico tiaso,
e diz adeus à Alexandria que ora perdes.

Kaváfis

(Baseado no que diz Plutarco: que, na véspera de partir para a última batalha, em que Otávio Augusto o venceria, Marco Antônio viu em Alexandria estranho cortejo conduzido pelo deus Baco - o deus de sua devoção -, que o abandonava).


EL AVARO


Atesoro los bienes de este mundo
como prendas del otro que me espera.
Sé que mi dividendo es infecundo:
reboza desamparo mi cartera.
Sudo frío y me toman por astuto,
por desprecio persigo la riqueza.
Palpo en cada moneda el absoluto,
leo en la muerte como en un poema.
Y mido las palabras, cuento sílabas
como centavos o como minutos.
Almaceno los restos de la vida
(guardo una perla en mis dedos enjutos).
Es avidez, es ambición, codicia.
Y no es nada, es el miedo diminuto
de un Dios que en mí esconde su avaricia
y yo, inconcluso, ayuno y acumulo.
Por su culpa y su abuso yo calculo
los días que me faltan en la cuenta,
la incertidumbre de metal la cubro,
y sólo acopio huesos y promesas.
Alfredo Fressia


quarta-feira, 27 de agosto de 2014

A policia defende o capital não o trabalho. O policial só tentou enquadrar os artistas por que alguém o chamou. Um logista com medo de perder vendas ?Não vejam só a árvore . A policia é só a arma do sistema ela não atira sozinha.

Wilson Roberto Nogueira
..Do lado israelense, milhares de joves estão abandonando o país. Os jovens mais cultos, os jovens mais bem sucedidos, os melhores profissionais estão indo embora do país, pois deixaram de acreditar no futuro.
Nós temos hoje, dezenas de milhares de jovens israelenses em Berlim, Londres e Nova York. Berlim está se tornando um grande foco de israelenses que perderam a esperança no futuro do país e é o melhor da juventude que está saindo e então esse cansaço que nós percebemosnos jovens palestinos, percebemos também nos jovens israelenses, mas se expressam de maneiras diferentes. 
E isso significa ganhar a guerra e perder a paz.
(Guila Flint, jornalista)

Morreram tantos israelenses (guerras árabe israelenses) para que os próprios israelenses (os sionistas ) matassem o sonho de um lar nacional?(Um país baseado no militarismo, no imperialismo e  no não reconhecimento do outro como sendo um sEu igual ,alimenta em si próprio a sua própria destruição). O inimigo externo e a chantagem com a manipulação de uma dor profunda ( A Shoah, o Holocausto )não são mais suficientes para fabricar cegos fanáticos em correr para o abismo moral.Para sobreviver Israel precisa se ver livre do Sionismo de direita e repensar Israel aceitando o Mundo a sua volta e particularmente a humanidade no árabe seu vizinho palestino.
Wilson Roberto Nogueira

'Para além da “cobertura adversária” que desqualifica permanentemente a política e os políticos, identificada pela socióloga Maria do Carmo Campello de Souza há quase trinta anos, a grande mídia brasileira historicamente atribui a si mesma o duplo papel de formadora e de representante da opinião pública. Ela reivindica a legitimidade que disfarçadamente não reconhece nas instituições políticas tradicionais da democracia representativa, vale dizer, políticos, partidos políticos, parlamentos nos seus diferentes níveis e, no limite, no presidente da República, eleito dentro das regras do Estado de Direito.
O exemplo emblemático desse comportamento foi a “rede da democracia”, movimento liderado pelo Globo, Diários Associados e Jornal do Brasil que antecedeu ao golpe de 1964 (cf. A Rede da Democracia, Aloysio Castelo de Carvalho, Editora da UFF/Nitpress, 2010). As “entrevistas” de 2014 parecem, todavia, indicar um passo adiante neste comportamento histórico.
Para além da “cobertura adversária” e de formadora/representante da opinião pública, a TV Globo se apresenta como um superpoder, que paira soberano acima dos poderes institucionalizados pelo processo eleitoral da democracia representativa.
Poder soberano ao qual todos os outros poderes – institucionalizados ou não – devem, incondicionalmente, explicações públicas.
O que representa simbolicamente o enfrentamento público assimétrico de dois jornalistas com candidatos ao mais alto cargo da democracia brasileira, inclusive com a candidata/presidente da República?
Quais grupos se fortalecem com o enfraquecimento e o desafio público a candidatos à Presidência da República e a ocupantes das mais altas posições na hierarquia das instituições democráticas?
Se uma candidata, no exercício da Presidência da República, pode ser destratada de forma agressiva e descortês publicamente em uma rede de televisão, por que não pode fazer o mesmo um cidadão comum?'
--por Venício Lima, via Observatório da Imprensa / Viomundo