terça-feira, 30 de abril de 2013


"Nessa noite e em cada noite desde a estrela cadente em que nasceste,
Sempre e sempre ele encontra um caminho, quando cai a neve.
Quando a chuva cai, granizo sobre o velocino, quando a névoa flutua no vale
Através dos estábulos dourados de feno, quando cai o orvalho
Sobre o pó macerado das macieiras e as ilhas açoitadas
Das folhas matinais, quando cai a estrela, quando as aladas
Sementes da maçã deslizam,
E caem, e florescem na chaga que boceja junto à nossa ilharga,
Quando cai o mundo silencioso como o ciclone do silêncio."

Dylan Thomas (No sono campestre / trad. Ivan Junqueira)

La poesía es la memoria de los pueblos y una de sus funciones, quizá la primordial, es precisamente la transfiguración del pasado en presencia viva. La poesía exorciza el pasado; así vuelve habitable al presente. Todos los tiempos, del tiempo mítico largo como un milenio a la centella del instante, tocados por la poesía, se vuelven presente. Lo que pasa en un poema, sea la caída de Troya o el abrazo precario de los amantes, está pasando siempre. El presente de la poesía es una transfiguración: el tiempo encarna en una presencia. El poema es la casa de la presencia. Tejido de palabras hechas de aire, el poema es infinitamente frágil y, no obstante, infinitamente resistente. Es un perpetuo desafío a la pesantez de la historia. // Octavio Paz

Do inconveniente de ter nascido


''Alguns têm infelicidade, outros obsessões. Quais deles deveríamos lamentar mais?

O que é uma crucificação única quando comparada com aquela,cotidiana, que os insones tem de suportar?''

-Cioran;

domingo, 28 de abril de 2013

@INTERNETE-ME






Tentei guardar você na minha memória cache.
No backup de ontem, teus beijos,
como hotlinks,
aumentaram o meu tráfego de dados, sibilinamente.
Hotlinkada,
ainda processo coragem para envio.
Por via das dúvidas,
internete-me!

REDE DA LINGUAGEM






Redondez de olho entre as barras.

Pestana animal tremulante
rema para cima,
concede uma visão clara.

Íris, nadadora, turva e sem sonhos :
o céu, coração - cinza, deve estar próximo.

Oblíqua, no bico férreo,
a lasca fumegante.
onde se sente a luz,
advinhas a alma.

( Se fosse como tu. Se tu fosses como eu.
Não estaríamos debaixo
de um vento alísio?
Somos estranhos. )

As lajes: sobre elas,
ambas, muito juntas,
as poças coração - cinza:
dois
pedaços de silêncio. 

Paul Celan

Tradução: Luís Costa


O que mais dói na miséria é a
ignorância que ela tem de si mesma.
Confrontados com a ausência de tudo,
os homens abstém-se do sonho,
desarmando-se do desejo de serem outros.

MIA COUTO, No livro "Vozes Anoitecidas"